{"id":6813,"date":"2020-07-06T17:57:58","date_gmt":"2020-07-06T19:57:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=6813"},"modified":"2020-07-06T17:57:58","modified_gmt":"2020-07-06T19:57:58","slug":"proximo-o-lago","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/proximo-o-lago\/","title":{"rendered":"Pr\u00f3ximo o lago&#8230;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/monja-coen.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/monja-coen.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"490\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6808\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/monja-coen.jpg 700w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/monja-coen-300x210.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/monja-coen-429x300.jpg 429w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/p>\n<div STYLE=\"text-align:center\"><font SIZE=\"4\"><b>Entrevista de Coen Sensei Pr\u00f3ximo o lago&#8230;<\/b><\/font><sup>1<\/sup><\/div>\n<hr \/>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose &eacute; revisora e redatora de textos&#8230; e o personagem desta hist&oacute;ria. &Eacute; uma mulher aparentemente normal, mas, furiosa, geniosa e ciumenta! No dia anterior, havia se desentendido com um cliente pra quem revisara um livro. Ent&atilde;o, vermelha de raiva, picou o calhama&ccedil;o de 600 p&aacute;ginas: rac roc rac roc&#8230; E muito xingou o infeliz. S&oacute; que depois se culpou pela grosseria. Nada a fazer, foi relaxar no parque: ver gente e planta, solu&ccedil;&atilde;o para ficar calminha. Ai a natureza! Lago cheios de patos e verde de aromas mil: &#8220;N&atilde;o d&aacute; o dourado sol t&atilde;o doce beijo \/ No fresco orvalho de manh&atilde; cobre a rosa, \/ Como seus olhos beijam em seus raios&#8230; \/&#8221; (Shakespeare). Respirou ardente buscando a salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Mira que mira as &aacute;guas: qu&atilde;o doce pensar nas m&aacute;goas e amores perdidos. Que temperamento do c&atilde;o, uma ciumenta, isso sim, invi&aacute;vel para o amor, para o conv&iacute;vio em sociedade. Que continuasse nas aulas e, nas ruas, conhecendo gente e gente, at&eacute; quem sabe descobrir um rem&eacute;dio para seus males.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Domingo &eacute; dia de dominum, dia de Deus. Entonces&#8230; dia de milagres!<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Viu o grupo em fila indiana, lento; 1&#8230; respira 2&#8230; respira 3&#8230; &Agrave; frente, a monja, mulher bonita cujo andar desenha a cad&ecirc;ncia dourada. Rose resolve segui-los, a alma precisava se apoiar neles, t&atilde;o serenos; buscava uma resposta para a culpa da ira. Por&eacute;m, o pessoal anda mais do que lento e, agitada como &eacute;, Rose sente-se incompat&iacute;vel com a &#8220;correi&ccedil;&atilde;o do sil&ecirc;ncio&#8221;. Aflita, distancia-se, prefere olh&aacute;-los &agrave; dist&acirc;ncia. Admira-lhes a Paz.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Passo por passo, a monja e o grupo alcan&ccedil;am a parte alta do parque. Abra&ccedil;am as &aacute;rvores, cerimoniosos e felizes. Rose desdenha e inveja (sim, porque, &agrave;s vezes, Rose &eacute; m&aacute;). V&ecirc; brotar-lhe o pensamento maldoso: &#8220;Quero ver o dia em que as &aacute;rvores forem extintas&#8230; A quem abra&ccedil;ar&atilde;o? R&aacute;!&#8221;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;Rose faladeira, este texto &eacute; uma entrevista, h&aacute; que se ser conciso: encurta a hist&oacute;ria, sua egoc&ecirc;ntrica!&#8221; (quem pensou isso foi a Rose, redatora). Aos fatos! Aos fatos! Fun&ccedil;&atilde;o referencial da linguagem, dados, dados!<br \/>\nPresente do Indicativo &eacute; o que se pede, assim: Rose conversa com a monja; o nome dela &eacute; Coen; solicita-lhe uma entrevista. Precisa encontrar a paz. E assim &eacute;.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">&#8220;N&Atilde;O TE ZANGUES POR SERES QUEM &Eacute;S&#8221; (Shakespeare)<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>: <i>Coen, o que voc&ecirc; acha do futebol? Pense em espiritualidade. Existe uma energia positiva nestas &eacute;pocas de Copa do Mundo? N&atilde;o &eacute; uma &#8220;baixaria geral&#8221;?<br \/>\n<\/i><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Coen<\/p>\n<p><\/b>: N&atilde;o, tudo &eacute; positivo. Porque faz surgir o senso de nacionalidade, o que n&atilde;o ocorre, por exemplo, na comemora&ccedil;&atilde;o da Independ&ecirc;ncia. N&oacute;s nos sentimos pertencendo ao mesmo time, &eacute; a uni&atilde;o nacional, essa identidade de todas as pessoas, acabam-se as discrimina&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o sou homem , n&atilde;o sou mulher, somos todos iguais. <br \/>\nOntem assistia ao jogo da torcida com o Senegal&#8230; E comentava com amigos: &#8220;Estou torcendo pelos dois times&#8221;. Pois o bonito &eacute; ver quem hoje est&aacute; com o bom futebol.<br \/>\n<b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>:<i> E a torcida?<br \/>\n<\/i><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Coen<\/p>\n<p><\/b>: o que vejo de errado na torcida: querer que o time mais fraco ganhe para lutarmos com ele. N&atilde;o! &Eacute; bem ao contr&aacute;rio, quem &eacute; o melhor? N&oacute;s temos de ser os melhores dos melhores. N&atilde;o temos de ganhar e, sim, fazer um bom jogo. Essa, a diferen&ccedil;a que as pessoas n&atilde;o perceberam. Os jornais diziam que t&iacute;nhamos de torcer para que o time perdedor fosse f&aacute;cil de ser vencido. Mas n&atilde;o &eacute; isso!<br \/>\n<b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>: <i>O que significa o futebol pra voc&ecirc;?<br \/>\n<\/i><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Coen<\/p>\n<p><\/b>: Atletismo, esporte &eacute; aceitar a vit&oacute;ria do outro com ternura. Pode-se ficar alegre com a vit&oacute;ria do outro. Quando acaba o jogo, a gente v&ecirc; um time pulando de alegria e outro, de tristeza. Mas, se o seu cora&ccedil;&atilde;o est&aacute; aberto, voc&ecirc; chora e ri ao mesmo tempo: porque ri com a alegria do que ganhou e chora com a tristeza do que perdeu. Imagine que se possa compartilhar a alegria de ganhar, porque compreende-se que, no instante X, as condi&ccedil;&otilde;es e as causas fizeram com que o time Y ganhasse. Aceitar isso e n&atilde;o se entristecer, porque se perdeu. Dif&iacute;cil chegar l&aacute;, mas acho que este &eacute; o caminho!<br \/>\n<b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>: <i>De acordo com o sistema econ&ocirc;mico neoliberal, vence o mais forte, &eacute; como a lei da selva. Enaltecem-se os campe&otilde;es. Ent&atilde;o acho que ganhar passou a ser o mais importante. Aos derrotados, o desprezo. A leitura que se faz do perdedor, aquele que perdeu a bola, o olho, a casa, &eacute; a do desprezo. Mas o ser humano &eacute; suscet&iacute;vel &agrave; fragilidade. E, se pensarmos em Buda que contempla a mis&eacute;ria do mundo e tem uma resposta para ela, podemos achar nele um c&uacute;mplice que nos ajude a entender este momento? Vemos tantas pessoas ca&iacute;das pelas ruas&#8230; Isso angustia muito, n&atilde;o &eacute;? E vitorioso acaba sendo quem n&atilde;o se deixa abalar pela contempla&ccedil;&atilde;o da mis&eacute;ria e aceita o &#8220;derrotado&#8221; como digno de ser perdedor, de ser chutado pelo sistema. Dentro do budismo h&aacute; jeito de contemplar a mis&eacute;ria sem ter de tomar um calmante, um lexotan da vida?<br \/>\n<\/i><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Coen<\/p>\n<p><\/b>: Sidarta sai de seu castelo e encontra a velhice e a morte&#8230; e assim como incomoda a voc&ecirc;, incomodou a ele que pensou: &#8220;O que eu posso fazer para amenizar o sofrimento do mundo?&#8221; Esse &eacute; o passo inicial da caminhada dele. Como voc&ecirc; disse, algumas pessoas p&otilde;em uma esp&eacute;cie de coura&ccedil;a e, atrav&eacute;s dela, passam-nos a impress&atilde;o de que n&atilde;o se importam com nada, mas&#8230; n&atilde;o &eacute; assim. A mis&eacute;ria incomoda a todos, porque todos estamos vendo e sentindo e mesmo; os que parecem enrijecidos e t&atilde;o vencedores, na verdade, l&aacute; dentro!, est&atilde;o percebendo tudo. Somos um s&oacute; processo, estamos ligados.<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Buda saiu de sua casa, livrou-se de suas roupas nobres e dedicou-se &agrave;s pr&aacute;ticas ac&eacute;ticas. Fez jejuns, mas n&atilde;o afirmou que isso lhe trouxesse sabedoria . Por isso ele foi procurar a medita&ccedil;&atilde;o. &Eacute; isso! Medita&ccedil;&atilde;o!<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>: <i>Uau! Que dif&iacute;cil!<br \/>\n<\/i><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Coen<\/p>\n<p><\/b>: Ou&ccedil;a, Rose: Sidarta, ou Buda, descobre, atrav&eacute;s da medita&ccedil;&atilde;o, que o universo &eacute; uno. Tudo que existe est&aacute; em relacionamento a&#8230; Este Universo &eacute; de causas, condi&ccedil;&otilde;es e efeitos&#8230; Se as coisas est&atilde;o como est&atilde;o &eacute; porque todos s&atilde;o respons&aacute;veis e, por isso, cada um de n&oacute;s tem de fazer a sua m&iacute;nima parte. Gosto muito de uma frase de Gandhi, que n&atilde;o era budista, mas disse: &#8220;N&oacute;s temos de ser a transforma&ccedil;&atilde;o que queremos no mundo&#8221;. N&atilde;o &eacute; que temos de ser, n&oacute;s somos a transforma&ccedil;&atilde;o do mundo! Cada um de n&oacute;s &eacute;&#8230; Ent&atilde;o, vamos nos perguntar: o que estamos fazendo das nossas vidas que transforme o mundo? Cada um faz a sua parte, o seu trabalho de entrevistar pessoas &eacute; uma parte, Rose. Eu me transformo num cora&ccedil;&atilde;o novo, num cora&ccedil;&atilde;o da n&atilde;o-viol&ecirc;ncia, num cora&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o se importa de ser o perdedor<br \/>\n<b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>: <i>Caminhamos para o apocalipse? Parece que a qualidade de vida est&aacute; t&atilde;o deteriorada&#8230;<br \/>\n<\/i><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Coen<\/p>\n<p><\/b>: N&atilde;o &eacute; o apocalipse, n&atilde;o! Depois ou at&eacute; antes de chegarmos ao fundo do po&ccedil;o, tudo deve mudar. Preste aten&ccedil;&atilde;o, mesmo os senhores do mercado dever&atilde;o dar condi&ccedil;&otilde;es aos pobres para consumir, sen&atilde;o como eles v&atilde;o ficar mais ricos? Deve haver uma mudan&ccedil;a&#8230; em breve.<br \/>\n<b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>: <i>Os poderosos e opressores est&atilde;o ligados ao mal? Existe o mal? Algumas pessoas s&atilde;o piores que outras?<br \/>\n<\/i><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Coen<\/p>\n<p><\/b>: N&atilde;o! O que existe &eacute; gan&acirc;ncia, raiva e ignor&acirc;ncia, os tr&ecirc;s venenos que acabam com o ser humano: assim, fa&ccedil;o qualquer coisa para vencer, passo sobre o outro, mas ven&ccedil;o! O melhor seria que nos compar&aacute;ssemos conosco mesmos. Precisamos aprender a enfrentar a opress&atilde;o do outro, sem cair em depress&atilde;o. Precisamos entender a opress&atilde;o e saber como n&atilde;o nos transformarmos em opressores, caso tenhamos ocasi&atilde;o. Os que sofrem por serem oprimidos devem se trabalhar para jamais serem os futuros opressores.<br \/>\n<b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>: <i>Estamos na selva&#8230;<br \/>\n<\/i><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Coen<\/p>\n<p><\/b>: Devemos ir al&eacute;m do nosso lado animal. H&aacute; uma imagem de Buda em que ele est&aacute; sentado sobre um le&atilde;o. Temos essa capacidade de superar o lado animal. Entender e superar a opress&atilde;o de n&oacute;s para n&oacute;s mesmos, do outro para n&oacute;s.<br \/>\n<b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>: <i>Clarice Lispector, a escritora, achava que devemos aceitar a nossa animalidade. Eu, por exemplo, sou uma pessoa passional&#8230; isso &eacute; ruim?<br \/>\n<\/i><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Coen<\/p>\n<p><\/b>: N&atilde;o &eacute; negativo. A gente transcende o bem e o mal. Voc&ecirc; pode, num momento de f&uacute;ria, destruir um livro, mas depois voc&ecirc; precisa do livro. Atrav&eacute;s da medita&ccedil;&atilde;o, percebemos que temos in&uacute;meras facetas. Cada pessoa que encontro &eacute; um aspecto de mim. Se voc&ecirc; se entende com uma monja, voc&ecirc; n&atilde;o &eacute; s&oacute; a Rose passional. H&aacute; em voc&ecirc; uma parte monja! Perceba as suas facetas todas, e, quando elas se apresentarem, deixe que vivam, mas n&atilde;o que atuem na realidade em forma de rea&ccedil;&atilde;o, mas sim, em forma de a&ccedil;&atilde;o e controle.<br \/>\nDalai Lama tem um livro em que fala como transformar a raiva, a f&uacute;ria em compaix&atilde;o. Algu&eacute;m faz algo errado, aquilo irrita&#8230; o que fazer com a energia que vem? N&atilde;o d&aacute; para controlar um sentimento, porque ele vem, existe. Controlo a a&ccedil;&atilde;o, isso sim. Controlo a raiva, sinto meu cora&ccedil;&atilde;o batendo, a vontade de destruir, mas n&atilde;o ajo. O controle &eacute; no corpo ou na a&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o, na rea&ccedil;&atilde;o. Negar um sentimento &eacute; bobagem, n&atilde;o adianta lutar contra o ele. Isso vale para todos os sentimentos, at&eacute; o ci&uacute;me, que &eacute; o apego maior. O amor verdadeiro &eacute; aquele que d&aacute;.<br \/>\n<b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>: <i>Sou ciumenta e invi&aacute;vel, porque infernizo a vida de quem amo.<br \/>\n<\/i><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Coen<\/p>\n<p><\/b>: Havia um professor no Jap&atilde;o que dizia &#8220;Mantenha as m&atilde;os abertas&#8221;. Entende? O ci&uacute;me n&atilde;o &eacute; o amor verdadeiro, o verdadeiro &eacute; o que diz: &#8220;Vai, seja feliz&#8221;. Se me apego a algum sentimento, quero segur&aacute;-lo nas minhas m&atilde;os. Veja, &eacute; assim como essa m&atilde;o que segura o microfone e n&atilde;o pode segurar mais nada. Errado isso!<br \/>\n<b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>: <i>Vamos parar de falar em ci&uacute;me, t&aacute;? Vai a&iacute; um verso do Drummond: &#8220;De tudo fica um pouco&#8230; de mim, de ti, de Abelardo&#8230; vento nas minhas orelhas, de tudo fica um pouco&#8230; E sobre os gonzos da fam&iacute;lia e da classe, de tudo fica um pouco, &agrave;s vezes um bot&atilde;o, &agrave;s vezes , um rato&#8221;. Como zerar tudo e ser livre?<br \/>\n<\/i><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Coen<\/p>\n<p><\/b>: Coisa linda! De tudo fica um pouco e&#8230; de tudo o que fica &eacute; o zero. No budismo, a gente fala: a forma &eacute; o vazio, e o vazio &eacute; forma. A gente pensa que o vazio &eacute; a aus&ecirc;ncia de tudo, n&atilde;o! Porque tudo &eacute; transit&oacute;rio, nada p&aacute;ra nem um s&oacute; instante. Nada! A gente n&atilde;o pode agarrar nem dizer &#8220;Eu sou assim&#8221;. N&atilde;o sou mais a menininha de um ano e meio, ela deixa um rastro em mim, mas n&atilde;o sou ela. Sou e n&atilde;o sou. Porque vou me transformando. Antes de entrarmos aqui, &eacute;ramos duas pessoas diferentes, mas nos transformamos. Eu a transformo e voc&ecirc; me transforma. Cada encontro &eacute; um constante transformar-se: o eterno presente, e nada &eacute; para sempre.<br \/>\n<b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>: <i>Fale do amor. Ele est&aacute; sempre presente?<br \/>\n<\/i><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Coen<\/p>\n<p><\/b>: Amor&#8230; nem sempre. H&aacute; filhos que n&atilde;o amam os pais. Depende de quem falamos. H&aacute; m&atilde;es que n&atilde;o amam os filhos, largam-nos na lata de lixo. Veja o cachorro com a cria, ele cuida pelo instinto da preserva&ccedil;&atilde;o da esp&eacute;cie. Mas a ternura, devemos senti-la por todos os seres. &Eacute; o que nos distingue dos animais. Se dissermos: &#8220;S&oacute; amo minha filha e quero que ela seja a primeira!&#8221;, isso n&atilde;o &eacute; amor. H&aacute; quem cobre do filho: &#8220;Veja como me sacrifiquei por voc&ecirc;!&#8221; Isso n&atilde;o &eacute; amor! Isso n&atilde;o &eacute; amor!<br \/>\n<b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>: <i>Fale mais sobre o amor, Coen. Estou gostando de ouvi-la!<br \/>\n<\/i><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Coen<\/p>\n<p><\/b>: Vou lhe contar uma hist&oacute;ria. Um rei subiu na torre mais alta pra olhar todo o seu reino, os campos , as montanhas&#8230; Ap&oacute;s momentos de medita&ccedil;&atilde;o, perguntou &agrave; rainha: &#8220;Ser&aacute; que a pessoa que voc&ecirc; mais ama &eacute; voc&ecirc; mesma? Se for, n&atilde;o &eacute; certo&#8221;. Ent&atilde;o, foram falar com Buda, que ponderou: &#8220;Est&aacute; certo amar a si mesmo, cada ser ama a si mesmo, sim! Amamos a quem se ama. Quem n&atilde;o &eacute; capaz de amar a si mesmo n&atilde;o &eacute; capaz de amar ningu&eacute;m&#8221;. O primeiro passo para amar &eacute; amar a si pr&oacute;prio. <\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Mas veja: os relacionamentos s&atilde;o de troca, &eacute; verdade. Eu ofere&ccedil;o carinho amor e ternura e espero a receptiva, por&eacute;m, &eacute; preciso aprender que, se eu n&atilde;o receber nada em troca, devo aceitar o fato. &Eacute; o aprendizado do amor.<\/p>\n<p><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>: <i>Coen, d&aacute; pra voc&ecirc; falar da dor. Ela nos ajuda a evoluir? Por que h&aacute; gente que parece que gosta de sofrer? Est&aacute; tudo bem e a pessoa t&aacute; l&aacute; reclamando de tudo&#8230;Um inferno!<br \/>\n<\/i><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Coen<\/p>\n<p><\/b>: A dor pode ser um &oacute;timo mestre. O que &eacute; a dor? Como &eacute; a dor? Voc&ecirc; a sente agora neste instante? Xaquaimuni Buda, em seu primeiro serm&atilde;o, falou das Quatro Nobres Verdades. A primeira &eacute; sobre a dor, o sofrimento, em s&acirc;nscrito, Dukha. A segunda &eacute; que para tudo h&aacute; uma causa. A terceira verdade nobre, o Nirvana &#8211; paz e tranq&uuml;ilidade s&aacute;bias. Tudo isso pode ser atingido por qualquer pessoa, desde que se dedique ao Caminho de Oito Aspectos, ou seja, viver corretamente, falando a verdade, fazendo o bem e pensando com s&aacute;bia compaix&atilde;o.<br \/>\n<b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>: <i>E os sofredores contumazes?<br \/>\n<\/i><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Coen<\/p>\n<p><\/b>: Por que alguns se apegam &agrave; dor e sofrimento? Ainda &eacute; o ego, querendo controlar tudo. Eu sinto dor como ningu&eacute;m mais. &Eacute; preciso sair desse casulo e perceber que muitos sofrem . Em vez de ficarmos parados na dor e sofrimento, deixemos que eles esvae&ccedil;am, e se transformem em crescimento e capacidade de ajudar outros seres.<br \/>\n<b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>: <i>Se os sem-tetos invadissem a sua casa, o que voc&ecirc; faria?<br \/>\n<\/i><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Coen<\/p>\n<p><\/b>: Primeiro, dava banho neles. Considero-os os quilombos de nosso tempo. N&atilde;o t&ecirc;m outra sa&iacute;da, o sistema os abandona. A sociedade est&aacute; dividida.<br \/>\n<b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>:<i> Como &eacute; o seu cotidiano?<br \/>\n<\/i><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Coen<\/p>\n<p><\/b>: Acordo um pouco antes das 5 horas. Temos zazen, medita&ccedil;&atilde;o sentada , todos os dias &agrave;s 6 horas e depois um momento de prece, leitura de sutras. Durante o dia dou aulas, preparo os cursos, escrevo, estudo e converso sobre budismo com pessoas interessadas, um pouco de aconselhamento. De ter&ccedil;as a sextas, dirijo medita&ccedil;&atilde;o , cursos e palestras do Darma a partir das 20h. S&aacute;bados &agrave;s 18 h e domingos pela manh&atilde;, Caminhada Zen nos parques. Domingo sim outro n&atilde;o no parque da Aclima&ccedil;&atilde;o!<\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Temos retiros intensivos de pr&aacute;ticas meditativas todos os meses. Participo de encontros inter-religiosos. Sou membro da United Religios Initiative &#8211; URI, C&iacute;rculo de Coopera&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Paulo. Sou chamada a participar de eventos pela Paz. <\/p>\n<p><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>: <i>Coen, nosso tempo acabou. Obrigada por tudo.<br \/>\n<\/i><b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Coen<\/p>\n<p><\/b>: Venha caminhar com a gente no parque.<br \/>\n<b><\/p>\n<p ALIGN=\"JUSTIFY\">Rose<\/p>\n<p><\/b>: <i>Esperem por mim!<\/i><\/p>\n<hr \/>\n<ol TYPE=\"1\">\n<li><font SIZE=\"1\">Extra\u00eddo do site www.monjacoen.com.br.<\/font><\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<hr \/>\n<div style=\"text-align:right\"><a href=\"#inicio\">Topo<\/a><\/div>\n<hr \/>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista de Coen Sensei Pr\u00f3ximo o lago&#8230;1 Rose &eacute; revisora e redatora de textos&#8230; e o personagem desta hist&oacute;ria. &Eacute; uma mulher aparentemente normal, mas, furiosa, geniosa e ciumenta! 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