{"id":7153,"date":"2021-04-06T20:14:05","date_gmt":"2021-04-06T22:14:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?p=7153"},"modified":"2021-04-06T20:21:58","modified_gmt":"2021-04-06T22:21:58","slug":"a-travessia-interior","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/a-travessia-interior\/","title":{"rendered":"A travessia interior"},"content":{"rendered":"<p><font face=\"Verdana\" size=\"2\"><\/p>\n<div style=\"text-align:justify\">\n<a name=\"inicio\"><\/a><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/john-tarrant\/john-tarrant-2\/\" rel=\"attachment wp-att-3416\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/John-Tarrant.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"225\" class=\"alignleft size-full wp-image-3416\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/John-Tarrant.jpg 225w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/John-Tarrant-150x150.jpg 150w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/John-Tarrant-50x50.jpg 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Texto de John Tarrant , extra\u00eddo do livro&#8221;A luz dentro da escurid\u00e3o&#8221;<\/p>\n<p>Que gra\u00e7a!<br \/>\nAtrav\u00e9s da tela de papel rasgada,<br \/>\na Via l\u00e1ctea.<\/p>\n<p>ISSA<\/p>\n<p>Quando \u00e9ramos crian\u00e7as, os nossos dias eram cheios de assombro \u2014 o mundo revelava a si mesmo e a n\u00f3s, ao mesmo tempo. Em tal tarde eterna, a relva sussurra, a bola voa para o azul e a menina canta a cantiga de pular corda:<\/p>\n<p>Cinderela, vestida de amarelo,<br \/>\nsubiu a escada para beijar um amigo;<br \/>\nenganou-se e a uma cobra beijou.<br \/>\nDe quantos m\u00e9dicos precisou?<\/p>\n<p>imaginando o momento em que ser\u00e1 picada por uma vida que ainda est\u00e1 sendo sonhada e que ainda n\u00e3o chegou \u2014 embora seja evidente para o seu pai, que a observa, que para ela a vida j\u00e1 est\u00e1 ali, inteiramente completa.<\/p>\n<p>Por baixo ou dentro da vida que n\u00f3s levamos todos os dias, existe outra vida. Essa vida invis\u00edvel corre corno um rio sob a cidade, sob o trabalho, sob a fam\u00edlia, sob a ambi\u00e7\u00e3o, sob os nossos prazeres e as nossas afli\u00e7\u00f5es. &#8220;Existe outro mundo&#8221;, diz Paul \u00c9luard, &#8220;e est\u00e1 dentro deste&#8221;.<\/p>\n<p>No corre-corre, na pressa de completar os estudos, de fazer carreira, de constituir fam\u00edlia, de obter \u00eaxito material, de precipitar-se, de fazer, de sobreviver, essa vida interior \u00e9 freq\u00fcentemente subjugada ou recoberta. A vida que na crian\u00e7a \u00e9 algo vigoroso e total avan\u00e7a mais para dentro do adulto, onde ela em geral dormita at\u00e9 ser suscitada. Mas essa vida por baixo ou dentro da nossa vida comum \u00e9 irreprim\u00edvel e irrefre\u00e1vel: ela brota cheia de encanto como junquilhos surgindo da neve ca\u00edda. eleva-se em s\u00faplica como m\u00e3os saindo de grades em uma cal\u00e7ada na \u00cdndia, e irrompe do nosso peito como a fonte de choque que \u00e9 a nossa rea\u00e7\u00e3o a m\u00e1s not\u00edcias. Ela manifesta-se em sonhos, devaneios, lembran\u00e7as da inf\u00e2ncia, no que consideramos belo e no que consideramos feio, como uma g\u00e1rgula, e manifesta-se tamb\u00e9m quando nos apaixonamos, quando adoecemos, quando estamos perdidos em trilhas escuras. Toca os nossos prazeres com melancolia e, intermitentemente, penetra o nosso desespero com alegria.<\/p>\n<p>Sempre gostei de pensar nos velhos navegadores \u2014 os pequenos grupos dirigindo-se a um novo continente, por pontes de terra constru\u00eddas pela era glacial; os mestres canoeiros polin\u00e9sios, velejando pela vastid\u00e3o com uma casca de coco parcialmente cheia de \u00e1gua, com orif\u00edcios de observa\u00e7\u00e3o perfurados perto da borda; James Cook, que por seus pr\u00f3prios m\u00e9ritos chegou ao comando do navio Endeavour, conduzindo Joseph Banks para fazer a pesquisa bot\u00e2nica nessas mesmas ilhas do Pac\u00edfico; e os meus antepassados, transportados em grilh\u00f5es para a desola\u00e7\u00e3o de Botany Bay.<\/p>\n<p>Quer as nossas viagens possam posteriormente estender-se \u00e0s estrelas, e aquelas travessias \u00e1rduas e corajosas possam repetir-se sob uma nova forma, quer n\u00e3o, a nossa fronteira agora \u00e9 a vida interior. Neste livro, unem-se duas grandes linhagens de explora\u00e7\u00e3o interna. A primeira \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica, com seu longo devotamento \u00e0s artes da aten\u00e7\u00e3o e a uma compreens\u00e3o espiritual baseada na indaga\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia, em vez do dogma. A segunda \u00e9 o m\u00e9todo ocidental de trabalho com a alma, com a explora\u00e7\u00e3o da vida do sentimento, pensamento, das hist\u00f3rias e lendas que a alma aprecia contar, hist\u00f3rias em que tra\u00e7amos nosso destino em meio \u00e0 dor e \u00e0 alegria, para descobrir o que acontece em seguida.<\/p>\n<p>Tanto a travessia interior quanto a exterior t\u00eam um aspecto her\u00f3ico. As travessias exteriores estabelecem novas liga\u00e7\u00f5es, pelas quais os seres humanos alcan\u00e7am muitos fins \u2014 aventura, com\u00e9rcio, conquista e amor. A travessia interna tamb\u00e9m estabelece novas liga\u00e7\u00f5es: ela mergulha-nos em um espa\u00e7o iniciador, como outrora os rapazes eram lan\u00e7ados no castelo de proa de um veleiro; em seguida, enquanto o mundo que conhecemos desaparece, somos sacudidos e rodopiados de um lado para outro, at\u00e9 o navio mais uma vez ancorar em um porto. Desembarcamos em uma terra que n\u00e3o \u00e9 externamente nova, mas que os nossos olhos, estando mudados, v\u00eaem no seu primitivo frescor. A travessia \u00edntima vence a solid\u00e3o ao oferecer-nos um lugar no universo, em que podemos nos conhecer em meio a todas as mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Se respeitamos a vida interior, verificamos que tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel inverter todo o relacionamento entre interior e exterior, abaixo e acima, e fazer com que a vida interior esteja acima de tudo, como um jardim de que se cuida por amor ao pr\u00f3prio cuidado. Cultivar, conhecer, amar essa vasta interioridade \u00e9 a \u00fanica maneira de ser livre em quaisquer circunst\u00e2ncias, a \u00fanica maneira de reparar a pen\u00faria de anos desperdi\u00e7ados. Exploramos o dom\u00ednio \u00edntimo porque \u00e9 a isso que n\u00f3s, os seres humanos, somos destinados \u2014 consci\u00eancia, a maravilhosa travessia.<\/p>\n<p>Grande parte da viagem diz respeito \u00e0s maneiras como lidamos com a nossa aten\u00e7\u00e3o, porque a aten\u00e7\u00e3o nos concede mais vida. Ela expande o registro, levando-nos a observar mais o vigor e o consolo das nossas vidas escuras, de modo que possamos existir no nosso verdadeiro \u00e2mbito, e n\u00e3o andar de um lado para outro perdendo coisas, como se conhec\u00eassemos os pa\u00edses somente por seus aeroportos e hot\u00e9is. A aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a forma mais b\u00e1sica de amor: por seu interm\u00e9dio, aben\u00e7oamos e somos aben\u00e7oados. Quando ficamos atentos \u00e0 vida \u00edntima, ligamo-nos tamb\u00e9m ao que nos circunda a m\u00e1quina de caf\u00e9 expresso assobiando, a corda de pular com seus dois punhos vermelhos alinhados e a corda girando pregui\u00e7osamente, os pontos verdes nas an\u00eamonas pendentes sobre o ch\u00e3o gelado. O que era mat\u00e9ria<\/p>\n<p>e meramente inanimado toma-se fam\u00edlia e n\u00f3s, os filhos, voltando, voltando, voltando para casa. Toda necessidade \u2014 de amor, de sermos compreendidos pelo que somos, de um carro novo e vermelho \u2014 \u00e9 necessidade de encontrar essa misteriosa profundidade nas coisas, e a ela ser levado. E \u00e9 essa liga\u00e7\u00e3o \u00edntima que resolve o problema de quem somos e nos deixa \u00e0 vontade no mundo. Pois a vida interior ado\u00e7a a coisa mais humilde. Ela abre-nos a magia na vida comum.<\/p>\n<hr \/>\n<\/div>\n<p><\/font><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de John Tarrant , extra\u00eddo do livro&#8221;A luz dentro da escurid\u00e3o&#8221; Que gra\u00e7a! Atrav\u00e9s da tela de papel rasgada, a Via l\u00e1ctea. 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