{"id":723,"date":"2013-10-09T15:06:18","date_gmt":"2013-10-09T17:06:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=723"},"modified":"2018-02-10T13:18:57","modified_gmt":"2018-02-10T15:18:57","slug":"consciencia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/consciencia\/","title":{"rendered":"Consci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=1438\" rel=\"attachment wp-att-1438\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/consciencia.jpg\" alt=\"\" width=\"282\" height=\"178\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1438\" \/><\/a><\/p>\n<p><em><strong>Vijnana<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O quinto e \u00faltimo skandha \u00e9 a consci\u00eancia, vijnana em s\u00e2nscrito. Consci\u00eancia \u00e9 aquilo que sabe ou experimenta. N\u00e3o implica uma consci\u00eancia mais elevada ou desperta; que \u00e9 expressa pela palavra jnana. O prefixo vi em vijnana indica divis\u00e3o e separa\u00e7\u00e3o: vijnana \u00e9 consci\u00eancia dividida, dualista. N\u00e3o \u00e9 mais total, mas limitada e fragmentada; \u00e9 separada de seu original, primordial de conhecimento n\u00e3o-dual e se tornou a consci\u00eancia comum da vida di\u00e1ria. Em alguns casos, vi pode indicar at\u00e9 mesmo nega\u00e7\u00e3o da palavra em que funciona como prefixo. Metaforicamente, podemos dizer de verdade que a consci\u00eancia comum \u00e9 inconsci\u00eancia, comparada com o genu\u00edno despertar de jnana. Sempre que falemos de consci\u00eancia em psicologia budista, ela se refere \u00e0 todas as fun\u00e7\u00f5es da mente n\u00e3o iluminada, incluindo o que a Psicologia ocidental chama de subconsciente ou inconsciente. Dizemos que estamos inconscientes durante o sono ou em coma; mas a mente sams\u00e1rica subjacente ainda est\u00e1 ativa nesses estados, portanto ainda \u00e9 categorizada como vijnana.<\/p>\n<p>A consci\u00eancia possui oito aspectos. Os seis primeiros operam atrav\u00e9s dos seis sentidos. Todos os skandhas s\u00e3o interdependentes, e a consci\u00eancia os permeia a todos; nenhum deles poderia funcionar sem a presen\u00e7a da consci\u00eancia, portanto ela j\u00e1 \u00e9 inerente mesmo no primeiro, o skandha da forma. Forma \u00e9 a simples exist\u00eancia dos sentidos e seus objetos; a consci\u00eancia os traz \u00e0 vida, por assim dizer. De sua parte, a consci\u00eancia se ap\u00f3ia em todos os outros skandhas para poder operar. N\u00e3o \u00e9 uma entidade fixa nem algum estado abstrato de pura consci\u00eancia, mas um processo impermanente, mut\u00e1vel, din\u00e2mico. Os seis primeiros aspectos deste skandha s\u00e3o a consci\u00eancia da vis\u00e3o, a consci\u00eancia da audi\u00e7\u00e3o, a consci\u00eancia do olfato, a consci\u00eancia do paladar, a consci\u00eancia do tato e a consci\u00eancia da mente. Esta \u00faltima \u00e9 equivalente \u00e0 mente racional. Ela coordena a informa\u00e7\u00e3o dos outros senti\u00acdos e experimenta pensamentos e sentimentos. Tudo que chega atrav\u00e9s dos sentidos vindo de fora e todas as id\u00e9ias e emo\u00e7\u00f5es que surgem de dentro chegam a n\u00f3s como imagens mentais e servem como objetos da consci\u00eancia mental. Esses seis primeiros tipos de consci\u00eancia est\u00e3o no n\u00edvel da vida em vig\u00edlia.<\/p>\n<p>O s\u00e9timo aspecto \u00e9 chamado de a consci\u00eancia mental aflita ou impura, e \u00e9 respons\u00e1vel pelo nosso sentido de ser. Trungpa Rinpoche a chamava de \u201ca mente nebulosa\u201d, porque est\u00e1 nublada pela ignor\u00e2ncia, a afli\u00e7\u00e3o emocional fundamental. Afli\u00e7\u00e3o, ou klesha em s\u00e2nscrito, quer dizer literalmente \u201cuma dor\u201d, alguma coisa que nos d\u00f3i ou atormenta. \u00c9 a dor de n\u00e3o conhecer nosso ser verdadeiro, indestrut\u00edvel e desperto. Essa ignor\u00e2ncia permeia a consci\u00eancia dos seis sentidos, de tal forma que todas as nossas percep\u00e7\u00f5es s\u00e3o imediatamente influenciadas pela confus\u00e3o. Essa mente nublada \u00e9 o n\u00edvel dos sonhos, das mem\u00f3rias, das imagens subconscientes e da confusa corrente subterr\u00e2nea dos pensamentos. Age tamb\u00e9m como liga\u00e7\u00e3o entre as primeiras seis consci\u00eancias e a oitava, que \u00e9 a consci\u00eancia original, ou \u201co armaz\u00e9m dos pontos de refer\u00eancia\u201d (Alayavijnana), como Trungpa Rinpoche a chamava. A s\u00e9tima consci\u00eancia (Manas) olha em ambas as dire\u00e7\u00f5es. Ela manda mensagens dos sentidos e da faculdade mental para serem mantidos nos bancos de mem\u00f3ria do armaz\u00e9m, e as traz de volta para a superf\u00edcie quando quer que sejam necess\u00e1rias na vida em vig\u00edlia. Fornece acesso \u00e0 vasta biblioteca de informa\u00e7\u00e3o que cada um de n\u00f3s possui e que est\u00e1 em constante processamento e utiliza\u00e7\u00e3o enquanto seguimos em nossas vidas di\u00e1rias.<\/p>\n<p>A oitava consci\u00eancia \u00e9 a base das outras sete. Ela guarda os registros deixados pelas experi\u00eancias passadas, que em retorno tornam-se as sementes das experi\u00eancias futuras. Mas \u00e9 difusa e indiferenciada; nem mesmo \u00e9 dependente deste corpo e desta vida em particular. \u00c9 potencialmente um sentido de ser, mas n\u00e3o um indiv\u00edduo plenamente formado. Carrega a continuidade dos efeitos k\u00e1rmicos de uma vida para a pr\u00f3xima, e cria um corpo mental durante o bardo entre a morte e o renascimento. De algumas formas, corresponde ao nosso conceito de mente inconsciente, mas \u00e9, entretanto chamada de consci\u00eancia porque est\u00e1 sempre presente e potencialmente consciente, mesmo em coma ou em sono profundo. Onde quer que haja mente, haver\u00e1 consci\u00eancia, os dois termos s\u00e3o usados de forma intercambi\u00e1vel. Mente ou consci\u00eancia est\u00e1 muito intimamente ligada com o prana, a for\u00e7a da vida; \u00e9 equivalente \u00e0 pr\u00f3pria vida, porque ainda estamos vivos, enquanto o prana e a mente ainda n\u00e3o deixaram o corpo, mesmo quando estamos aparentemente \u201cinconscientes\u201d. Atrav\u00e9s da medita\u00e7\u00e3o, torna-se finalmente poss\u00edvel penetrar nesse n\u00edvel e transformar a consci\u00eancia comum (vijnana) em conhecimento puro e n\u00e3o-dual (jnana). Podemos tamb\u00e9m olhar para os oito aspectos da consci\u00eancia em ordem reversa para ver como eles d\u00e3o origem ao sentido de ser. A oitava \u00e9 a fonte, Contendo a semente latente do desenvolvimento do ego; \u00e9 como o \u00fatero do ego. A s\u00e9tima \u00e9 o nascimento do ego por causa da ignor\u00e2ncia de sua pr\u00f3pria natureza verdadeira; aqui a semente se agita em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 vida e se torna um broto. Finalmente, o broto cresce para ser uma planta plenamente desenvolvida com a consci\u00eancia mental como seu caule, enquanto as cinco consci\u00eancias dos sentidos s\u00e3o suas folhas e flores, brotando do caule e se comunicando com o ambiente. A planta no seu todo \u00e9 permeada pelo sabor do \u201ceu, mim, meu\u201d. No n\u00edvel b\u00e1sico da oitava consci\u00eancia, o ego \u00e9 apenas um potencial, mas do s\u00e9timo em diante est\u00e1 presente em toda a experi\u00eancia. \u00c9 dif\u00edcil at\u00e9 mesmo imaginar a consci\u00eancia sem um ego. Sentimos que sermos conscientes n\u00e3o implica de modo algum, automaticamente, estarmos conscientes de algo al\u00e9m de n\u00f3s mesmos. Isso acontece por estarmos t\u00e3o acostumados a pensar em termos de dualidade, com nossa consci\u00eancia dividida.<\/p>\n<p>Mas a consci\u00eancia \u00e9 exatamente igual a um show de m\u00e1gicas: quando olhamos com cuidado, nada est\u00e1 l\u00e1 e nada realmente aconteceu. Existe apenas uma pe\u00e7a m\u00e1gica de apar\u00eancias, uma dan\u00e7a entre um observador imagin\u00e1rio e um fen\u00f4meno imaginado. Outra analogia \u00e9 uma bola de cristal, clara e transparente por si s\u00f3, mas aparentando assumir todas as v\u00e1rias cores que a rodeiam.<\/p>\n<p>A consci\u00eancia partilha as qualidades do quinto elemento, o espa\u00e7o. Como o espa\u00e7o, ela \u00e9 a mais sutil das cinco e permeia todas elas. \u00c9 a primeira e a \u00faltima, sua fonte e sua culmina\u00e7\u00e3o. A consci\u00eancia \u00e9 luminosa. Em ess\u00eancia, ela \u00e9 o Buda Vairochana, o Iluminador. Ele incorpora o conhecimento da totalidade, a dimens\u00e3o toda abrangente da Verdade, a esfera de todos os fe\u00acn\u00f4menos como eles realmente s\u00e3o. A consci\u00eancia se expande ao infinito, n\u00e3o mais autocentrada, porque a distin\u00e7\u00e3o entre sujeito e objeto foi transcendi\u00acda. Isso n\u00e3o \u00e9 algum sentimento vagamente oce\u00e2nico, mas um saber v\u00edvido, preciso e direto das coisas em sua verdadeira natureza. \u00c9 a m\u00e1gica genu\u00edna do ser sem ser, experimentando as caracter\u00edsticas do oitavo aspecto de uma maneira completamente aberta e ilimitada.<br \/>\n[&#8230;]<\/p>\n<p>O Sutra do Cora\u00e7\u00e3o, a ess\u00eancia dos Sutras da perfei\u00e7\u00e3o da sabedoria, (Sutra Prajnaparamita) descreve como o bodhisattva Avalokiteshvara olhou com seu olho de sabedoria para os cinco skandhas e viu o seu vazio. Ele proclamou que: \u201cForma \u00e9 vazio, no entanto vazio tamb\u00e9m \u00e9 forma\u201d. O mesmo \u00e9 verdade sobre os outros skandhas: Sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 vazio e vazio \u00e9 sensa\u00e7\u00e3o; Percep\u00e7\u00e3o \u00e9 vazio e vazio \u00e9 percep\u00e7\u00e3o; Condicionamento \u00e9 vazio e vazio \u00e9 condicionamento; Consci\u00eancia \u00e9 vazio e vazio \u00e9 consci\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>A natureza essencial dos skandhas \u00e9 o vazio; eles n\u00e3o possuem realidade pr\u00f3pria. Isso significa que quando meditamos no vazio, podemos nos libertar das atividades e caracter\u00edsticas grosseiras dos skandhas e interromper o incans\u00e1vel fluir de causa e efeito que eles criam constantemente. Paramos de nos apegar \u00e0 nossa id\u00e9ia habitual de n\u00f3s mesmos e relaxamos na amplid\u00e3o e na claridade do espa\u00e7o. Quando as escrituras falam dos Budas e bodhisattvas entrando em estado de samadhi e transmitindo ensinamentos, como no Sutra do Cora\u00e7\u00e3o (Prajnaparamita), eles est\u00e3o descrevendo estados de medita\u00e7\u00e3o que s\u00e3o acess\u00edveis aos seres humanos. \u00c9 poss\u00edvel para n\u00f3s olharmos para o interior de nossa pr\u00f3pria natureza verdadeira assim como Avalokiteshvara o fez.<\/p>\n<p>O que ele viu foi vazio n\u00e3o apenas como uma condi\u00e7\u00e3o negativa, mas como uma positiva. O vazio natural espontaneamente se manifesta como o, Universo, com todos os seus fen\u00f4menos maravilhosos e variados. A exist\u00eancia pode n\u00e3o ser real no sentido que temos sempre imaginado, mas \u00e9 real em um sentido muito mais maravilhoso, como o jogo do despertar. Tudo no Universo est\u00e1 contido dentro dos cinco skandhas, e toda express\u00e3o de Ilumina\u00e7\u00e3o est\u00e1 contida dentro da natureza dos cinco budas. O vazio \u00e9 insepar\u00e1vel da luminosidade, o poder criativo da mente desperta e portanto a ess\u00eancia pura dos skandhas aparece como luz radiante brilhando a partir do cora\u00e7\u00e3o dos budas.<br \/>\nOs skandhas por si s\u00f3 s\u00e3o neutros: n\u00e3o s\u00e3o algo de que tenhamos que nos envergonhar ou tentar suprimir. Em qualquer caso, \u00e9 imposs\u00edvel se livrar deles. Enquanto estivermos vivos, possu\u00edmos os cinco skandhas, mas porque os possu\u00edmos temos tamb\u00e9m a natureza dos cinco Budas. \u00c9 simplesmente um processo natural. Enquanto existir um corpo para receber impress\u00f5es dos sentidos, haver\u00e1 sensa\u00e7\u00e3o, depois percep\u00e7\u00e3o e em seguida elabora\u00e7\u00e3o de pensamentos sobre o que foi percebido. Essas elabora\u00e7\u00f5es d\u00e3o surgimento a um ciclo intermin\u00e1vel de pensamentos e a\u00e7\u00f5es subsequentes, de tal forma que nos recriamos continuamente de momento a momento. A pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o possibilita que nos tornemos desembara\u00e7ados do processo como um todo, e paremos de os identificar e nos envolver com ele. Podemos simplesmente observar o que quer que surja na mente sem nos sentirmos orgulhosos dos bons estados mentais ou deprimidos pelos maus. Na medita\u00e7\u00e3o, simplesmente lidamos com a energia b\u00e1sica dos skandhas, que \u00e9 liberada para se manifestar como padr\u00f5es de consci\u00eancia em vez de confus\u00e3o. N\u00e3o precisamos temer a perda de nossos \u201ceus\u201d transit\u00f3rios e ilus\u00f3rios. Mesmo um homem ou mulher plenamente desperto ainda possui um sentido de identidade pessoal e em geral irradia uma personalidade muito poderosa.<\/p>\n<p>Nossa exist\u00eancia f\u00edsica, sensa\u00e7\u00f5es, percep\u00e7\u00f5es, condicionamentos e todos os conte\u00fados da nossa consci\u00eancia constroem o retrato de quem somos. Agarramo-nos a esse retrato, temendo a morte e a n\u00e3o-exist\u00eancia. Ao nos identificarmos com os skandhas na verdade criamos uma nova vida, um novo \u201ceu\u201d a cada momento. Estamos constantemente formando as condi\u00e7\u00f5es para nosso renascimento, seja ele na pr\u00f3xima vida ou aqui e agora. Mesmo quando os skandhas desta vida presente se separam e se dissolvem na morte, a corrente do karma continua. Ela nunca terminar\u00e1 enquanto nos auto-identificarmos com os skandhas, enquanto continuarmos a acreditar que realmente somos este corpo e esta mente.<br \/>\nExtra\u00eddo do livro: VAZIO LUMINOSO de Francesca Fremantle \u2013 Ed. Nova Era &#8211;\n<\/p><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vijnana O quinto e \u00faltimo skandha \u00e9 a consci\u00eancia, vijnana em s\u00e2nscrito. Consci\u00eancia \u00e9 aquilo que sabe ou experimenta. 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