{"id":742,"date":"2013-11-04T08:50:54","date_gmt":"2013-11-04T10:50:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=742"},"modified":"2015-05-08T20:30:54","modified_gmt":"2015-05-08T22:30:54","slug":"742","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/742\/","title":{"rendered":"Ensinamentos B\u00e1sicos"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<a href=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Flor.jpg\" class=\"broken_link\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-505\" alt=\"Flor\" src=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Flor.jpg\" width=\"260\" height=\"194\" \/><\/a>ANATTA \/ VERDADES \/ VACUIDADE \/ KARMA \/ RODA DA VIDA<\/p>\n<p>O primeiro serm\u00e3o de Buda Shakyamuni foi dado aos cinco ascetas que estavam no Parque da Gazelas em Sarnath, Benares. Nesse serm\u00e3o, Buddha exp\u00f4s os ensinamentos fundamentais do budismo: as quatro verdades nobres (s\u00e2nsc. chatu-arya-satya). Antes de falar delas, vamos conhecer as tr\u00eas marcas (s\u00e2nsc. trilakshana) com as quais o Buda caracterizou a nossa exist\u00eancia: a imperman\u00eancia, o n\u00e3o-eu e o sofrimento.<br \/>\nA imperman\u00eancia (s\u00e2nsc. anitya, p\u00e1li anichcha) se refere ao fato de que todas as coisas passam por uma constante transforma\u00e7\u00e3o, momento a momento. Do mesmo modo, a felicidade, a sa\u00fade, a vida, as propriedades&#8230; tudo \u00e9 impermanente, inst\u00e1vel.<br \/>\nPor que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil praticar a morte e praticar a liberdade? E por que temos tanto medo da morte que evitamos por completo olhar para ela? De algum modo, no fundo, sabemos que \u00e9 imposs\u00edvel evitar encar\u00e1-la para sempre. Sabemos que, nas palavras de Milarepa, \u201cessa coisa chamada \u2018cad\u00e1ver\u2019, que tanto nos apavora, vive conosco aqui e agora\u201d. Quanto mais adiarmos esse encontro, quanto mais o ignorarmos, maior \u00e9 o medo e a inseguran\u00e7a que surgem para nos perseguir&#8230; Quanto mais tentarmos fugir do medo, mais monstruoso ele se torna.<br \/>\nA morte \u00e9 um vasto mist\u00e9rio, mas h\u00e1 duas coisas que \u00e9 poss\u00edvel dizer a seu respeito: \u00e9 absolutamente certo que morreremos um dia e \u00e9 absolutamente incerto quando e onde essa hora vai chegar. Ent\u00e3o, a \u00fanica certeza que temos \u00e9 essa incerteza sobre o instante da nossa morte, a que nos agarramos para adiar encar\u00e1-la diretamente. Somos como crian\u00e7as que fecham os olhos no jogo de esconde-esconde e pensam que assim ningu\u00e9m pode v\u00ea-las.<\/p>\n<p>Sogyal Rinpoche, O Livro Tibetano do Viver e do Morrer<\/p>\n<p>O n\u00e3o-eu (s\u00e2nsc. anatman, p\u00e1li anatta) se refere \u00e0 ilus\u00e3o de que possu\u00edmos uma entidade pessoal independente, ou atman. A id\u00e9ia do \u201ceu\u201d s\u00f3 aparece em depend\u00eancia de cinco agregados (forma, sensa\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00f5es mentais, e consci\u00eancia) [os cinco agregados] e, portanto, o \u201ceu\u201d n\u00e3o existe inerentemente, n\u00e3o existe por si mesmo.<br \/>\nN\u00f3s afirmamos o \u201ceu\u201d, de novo e de novo, atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o. N\u00f3s o identificamos com um certo nome, uma idade, um sexo, uma habilidade, uma ocupa\u00e7\u00e3o. \u201cEu sou um m\u00e9dico, Eu sou um advogado, Eu sou um contador, Eu sou um estudante\u201d. E identificamos as pessoas \u00e0s quais estamos apegadas. \u201cEu sou um esposo, Eu sou uma esposa, Eu sou um pai, Eu sou uma m\u00e3e, Eu sou um filho, Eu sou uma filha\u201d. Agora, na maneira de falar, usamos o \u201ceu\u201d deste modo; mas n\u00e3o \u00e9 apenas na fala. Realmente, acreditam que o \u201ceu\u201d \u00e9 quem somos. Quando qualquer destes fatores \u00e9 amea\u00e7ado, se o \u201cser uma esposa\u201d \u00e9 amea\u00e7ado, se o \u201cser uma m\u00e3e\u201d \u00e9 amea\u00e7ado, se o \u201cser uma advogada\u201d \u00e9 amea\u00e7ado, se o \u201cser uma professora\u201d \u00e9 amea\u00e7ado; ou se perdemos as pessoas que nos permitem reter aquele \u201ceu\u201d; que trag\u00e9dia! (&#8230;)<br \/>\nA identifica\u00e7\u00e3o com qualquer coisa \u00e9 o que fazemos, e qualquer coisa \u00e9 o que temos, posses ou pessoas que acreditamos ser necess\u00e1rias para nossa sobreviv\u00eancia. Auto-sobreviv\u00eancia [sobreviv\u00eancia do \u201ceu\u201d]. Se n\u00e3o nos identificamos com isto ou aquilo, sentimos como se estiv\u00e9ssemos no limbo. Esta \u00e9 a raz\u00e3o pela qual \u00e9 dif\u00edcil parar de pensar durante a medita\u00e7\u00e3o. \u00c9 porque, sem pensar, n\u00e3o haver\u00e1 identifica\u00e7\u00e3o. Se o \u201ceu\u201d n\u00e3o pensa, com o que o \u201ceu\u201d se identifica? \u00c9 dif\u00edcil ir a um est\u00e1gio de medita\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o h\u00e1 absolutamente qualquer coisa que se identifique com algo mais. A felicidade tamb\u00e9m pode ser uma identifica\u00e7\u00e3o, \u201cEu estou feliz\u201d, \u201cEu estou triste\u201d. (&#8230;) Esta identifica\u00e7\u00e3o resulta, \u00e9 claro, em desejo de possuir [felicidade, posses etc.]. E este [desejo de] possuir resulta em apego. (&#8230;) Cada momento passa, mas nos apegamos, tentando nos manter neles. Tentando fazer deles uma realidade. Tentando fazer deles uma seguran\u00e7a. Tentando fazer deles algo que n\u00e3o s\u00e3o. Veja como est\u00e3o passando. (&#8230;)<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 uma entidade espec\u00edfica em qualquer coisa. Isso \u00e9 a vacuidade. Essa vacuidade \u00e9 tamb\u00e9m experimentada na medita\u00e7\u00e3o. \u00c9 vazia, sem qualquer pessoa espec\u00edfica, sem qualquer coisa que a fa\u00e7a permanente, vazia de qualquer coisa que a fa\u00e7a permanente, vazia de qualquer coisa que a fa\u00e7a mais importante. A coisa toda est\u00e1 em fluxo. Ent\u00e3o, a vacuidade \u00e9 isso.<br \/>\nE a vacuidade deve ser vista em qualquer lugar, \u00e9 para ser vista em si mesmo. E isso \u00e9 o que chamado de anatman, o n\u00e3o-eu. Vazio de uma entidade. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m l\u00e1. \u00c9 tudo imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ayya Khema, Meditating on No-self<\/p>\n<p>Tudo \u00e9 mudan\u00e7a, tudo \u00e9 transforma\u00e7\u00e3o nesse din\u00e2mico processo que constitui a vida humana, e nada encontramos dentro de n\u00f3s que possa ser definido como um Eu, como uma natureza constante, imut\u00e1vel. Entretanto, a ignor\u00e2ncia e as paix\u00f5es do homem levam-no a alimentar a ilus\u00e3o de que as coisas n\u00e3o se transformam e tomam-nas por possuidoras de uma ess\u00eancia perene. Nasce da\u00ed o apego das coisas experimentadas atrav\u00e9s dos sentidos e tamb\u00e9m o desejo de uma vida eterna, bem como o seu oposto, o desejo m\u00f3rbido e niilista da aniquila\u00e7\u00e3o total. O homem sofre porque projeta desejos de estabilidade e perman\u00eancia em coisas ef\u00eameras e relativas.<\/p>\n<p>Ricardo M\u00e1rio Gon\u00e7alves, Textos Budistas e Zen-budistas<\/p>\n<p>O sofrimento (s\u00e2nsc. duhkha, p\u00e1li dukkha) \u00e9 melhor explicado pelas Quatro Verdades Nobres.<br \/>\n\u00c9 importante ter em mente que o Buddha nunca negou que a vida; mesmo &#8220;n\u00e3o-iluminada&#8221;; mant\u00e9m a possibilidade de muitos tipos de beleza e felicidade.<br \/>\nMas ele tamb\u00e9m reconheceu que os tipos de felicidade aos quais a maioria de n\u00f3s est\u00e1 acostumada n\u00e3o pode, por sua pr\u00f3pria natureza, trazer uma satisfa\u00e7\u00e3o realmente duradoura. Se algu\u00e9m est\u00e1 genuinamente interessado no bem-estar pr\u00f3prio e dos outros, ent\u00e3o ele deve estar querendo trocar um tipo de felicidade por outro muito melhor. Este entendimento est\u00e1 no pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo de Buddha. (&#8230;) A mais alta felicidade de todas, e aquela \u00e0 qual os ensinamentos de Buddha definitivamente apontam, \u00e9 a felicidade e paz duradouras do Nirvana transcendente e imortal. Assim, os ensinamentos do Buddha est\u00e3o preocupados unicamente em guiar as pessoas \u00e0 mais alta e extensa felicidade poss\u00edvel.<\/p>\n<p>John Bullit, What is Theravada Buddhism?<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas portas para a libera\u00e7\u00e3o: a sem sinais, a sem desejos, e a da vacuidade. Se compreendemos totalmente a imperman\u00eancia, anitya, isto \u00e9 chamado de libera\u00e7\u00e3o sem sinais. Se compreendemos totalmente o sofrimento, duhkha, isto \u00e9 a libera\u00e7\u00e3o sem desejos. Se compreendemos totalmente o n\u00e3o-eu, anatman, ent\u00e3o isto \u00e9 a libera\u00e7\u00e3o da vacuidade. (&#8230;) Uma pessoa completamente liberada ainda age, fala, pensa e considera suas inten\u00e7\u00f5es e objetivos, como qualquer um, mas tal pessoa perdeu a id\u00e9ia de que &#8220;Eu estou&#8221; pensando, &#8220;Eu estou&#8221; falando, &#8220;Eu estou&#8221; agindo. O karma n\u00e3o est\u00e1 mais sendo feito porque h\u00e1 apenas o pensamento, apenas a fala, apenas a a\u00e7\u00e3o. H\u00e1 a experi\u00eancia, mas n\u00e3o o experimentador. E como mais nenhum karma est\u00e1 sendo feito, n\u00e3o h\u00e1 renascimento. Isso \u00e9 a ilumina\u00e7\u00e3o completa.<\/p>\n<p>Ayya Khema, Meditating on No-self<\/p>\n<p>I. A verdade do sofrimento [Duhkkha]<\/p>\n<p>Como voc\u00eas sabem, a vida \u00e9 repleta de sofrimentos: o sofrimento do nascimento, o sofrimento da velhice, o sofrimento da doen\u00e7a, o sofrimento da morte. H\u00e1 tamb\u00e9m o sofrimento da perda de entes queridos, o sofrimento de estar junto de algo que n\u00e3o se gosta, o sofrimento de n\u00e3o conseguir o que se deseja, o sofrimento de perder suas conquistas&#8230;<\/p>\n<p>Todos os seres est\u00e3o sujeitos \u00e0 tristeza, \u00e0 lamenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 dor, ao desespero, aos problemas&#8230; Buddha n\u00e3o negou a exist\u00eancia de felicidade mundana, mas reconheceu que essas felicidades s\u00e3o impermanentes.<br \/>\nReconhecer o sofrimento \u00e9 o primeiro passo para se encontrar uma sa\u00edda; \u00e9 tamb\u00e9m um rem\u00e9dio para todas as nossas falsas esperan\u00e7as e nossa tend\u00eancia de buscar apoio em prazeres ef\u00eameros que resultam em decep\u00e7\u00e3o. O notici\u00e1rio da televis\u00e3o \u00e9 suficiente para que nos deparemos com o imenso sofrimento; basta refletir sobre os acontecimentos dolorosos na vida daqueles que nos cercam, ou explorar as constantes correntes por debaixo de nossos pr\u00f3prios problemas, para podermos confirmar que a tristeza e o sofrimento permeiam toda a exist\u00eancia. Tal reconhecimento pode nos devastar e nos esgotar. Perguntamo-nos ent\u00e3o como foi que isso veio a acontecer, sem de fato esperar uma resposta. Os ensinamentos budistas, por\u00e9m, s\u00e3o claros quanto a esta quest\u00e3o. O sofrimento, em suas in\u00fameras manifesta\u00e7\u00f5es, tem uma \u00fanica fonte: a delus\u00e3o da mente dualista.<\/p>\n<p>Chagdud Khadro, Coment\u00e1rios sobre Tara Vermelha<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas tipos de sofrimento. O primeiro \u00e9 o sofrimento que se sobrep\u00f5e ao sofrimento.<br \/>\nUma coisa ruim acontece em cima da outra, e parece n\u00e3o haver justi\u00e7a alguma no processo. Quando voc\u00ea pensa que a situa\u00e7\u00e3o em que est\u00e1 n\u00e3o pode ficar pior, ela fica.<br \/>\nVoc\u00ea perde dinheiro, depois um parente, depois a juventude; h\u00e1 in\u00fameras maneiras pelas quais sofremos. O segundo tipo \u00e9 o sofrimento da mudan\u00e7a. Nada \u00e9 confi\u00e1vel ou consistente. Por maior que seja a nossa esperan\u00e7a de ter uma base s\u00f3lida sobre a qual podemos nos apoiar, tudo aquilo com que contamos sempre se corr\u00f3i, criando grande dor. O terceiro \u00e9 o sofrimento que tudo permeia. Da mesma forma que, quando voc\u00ea espreme uma semente de gergelim, constata que ela est\u00e1 permeada de \u00f3leo, pode parecer que a nossa vida seja feliz, mas, quando somos espremidos, sofremos. T\u00e3o certo quanto o fato de que nascemos \u00e9 o fato de que iremos ficar doentes, envelhecer e morrer.<\/p>\n<p>Chagdud Tulku Rinpoche, Port\u00f5es da Pr\u00e1tica Budista<\/p>\n<p>II. A verdade da causa [Samudaya]<\/p>\n<p>A origem do sofrimento \u00e9 o desejo sensual, o desejo de exist\u00eancia, o desejo de n\u00e3o-exist\u00eancia, o desejo de auto-aniquila\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA uni\u00e3o dos cinco agregados faz surgir a ilus\u00e3o de um ego. Nunca conseguimos satisfazer os in\u00fameros desejos desse ego impermanente, sem ess\u00eancia, sofredor. Dessa ilus\u00e3o inicial, ou avidya, surgem os tr\u00eas venenos (s\u00e2nsc. klesha): o desejo (apego), o \u00f3dio (avers\u00e3o) e a ignor\u00e2ncia (desconhecimento). Do mesmo modo, surgem todos os outros venenos mentais, como o orgulho, a inveja etc.<br \/>\nPara compreender como o sofrimento aparece, pratique observar a sua mente. Comece simplesmente deixando-a relaxar. Sem pensar no passado nem no futuro, sem sentir esperan\u00e7a nem medo em rela\u00e7\u00e3o a isto ou aquilo, deixe que ela repouse confortavelmente, aberta e natural. Nesse espa\u00e7o da mente n\u00e3o h\u00e1 problemas, n\u00e3o h\u00e1 sofrimento. Ent\u00e3o, alguma coisa prende a sua aten\u00e7\u00e3o; uma imagem, um som, um cheiro. Sua mente se subdivide em interno e externo, &#8220;eu&#8221; e &#8220;outro&#8221;, sujeito e objeto. Com a simples percep\u00e7\u00e3o do objeto, n\u00e3o h\u00e1 ainda nenhum problema. Por\u00e9m, quando voc\u00ea se foca nele, nota que \u00e9 grande ou pequeno, branco ou preto, quadrado ou redondo. Ent\u00e3o, voc\u00ea faz um julgamento; por exemplo, se o objeto \u00e9 bonito ou feio. Tendo feito esse julgamento, voc\u00ea reage a ele: decide se gosta ou n\u00e3o do objeto.<br \/>\n\u00c9 a\u00ed que o problema come\u00e7a, pois &#8220;Eu gosto disto&#8221; conduz a &#8220;Eu quero isto&#8221;. Igualmente, Eu n\u00e3o gosto disto&#8221; conduz a &#8220;Eu n\u00e3o quero isto&#8221;. Se gostarmos de alguma coisa, se a queremos e n\u00e3o podemos t\u00ea-la, n\u00f3s sofremos. Se a queremos, a obtemos e depois a perdemos, n\u00f3s sofremos. Se n\u00e3o a queremos, mas n\u00e3o conseguimos mant\u00ea-la afastada, novamente sofremos. Nosso sofrimento parece ocorrer por causa do objeto do nosso desejo ou avers\u00e3o, mas realmente n\u00e3o \u00e9 bem assim; ele ocorre porque a mente se biparte na dualidade, sujeito-objeto, e fica dividida com querer ou n\u00e3o querer alguma coisa.<\/p>\n<p>(Chagdud Tulku Rinpoche, Port\u00f5es da Pr\u00e1tica Budista)<\/p>\n<p>III. A verdade da cessa\u00e7\u00e3o [Nirodha]<\/p>\n<p>Extinguindo-se a causa, extinguindo-se o falso ego, o sofrimento tamb\u00e9m desaparece.<br \/>\nAqui, aplica-se a l\u00f3gica da interdepend\u00eancia. A exist\u00eancia do sofrimento depende de sua causa; se essa causa for eliminada, suas conseq\u00fc\u00eancias (sofrimento, desejo, \u00f3dio, ignor\u00e2ncia) tamb\u00e9m desaparecer\u00e3o.<\/p>\n<p>IV. A verdade do caminho [Marga]<\/p>\n<p>O caminho \u00f3ctuplo \u00e9 o caminho que conduz \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do sofrimento: vis\u00e3o correta e inten\u00e7\u00e3o correta; fala correta, a\u00e7\u00e3o correta e meio de vida correto; esfor\u00e7o correto, aten\u00e7\u00e3o correta e concentra\u00e7\u00e3o correta.<br \/>\nO caminho \u00f3ctuplo (s\u00e2nsc. ashtanga-marga) \u00e9 assim chamado por ser dividido em oito partes. Este \u00e9 o caminho do meio, o caminho do despertar, que conduz ao estado de nirvana; a extin\u00e7\u00e3o total do sofrimento.<br \/>\nPrimeiro, \u00e9 preciso conhecer a exist\u00eancia do sofrimento. Depois, deve-se destruir sua causa. Para isso, deve-se compreender que a cessa\u00e7\u00e3o do sofrimento \u00e9 poss\u00edvel. Para consegui-la, deve-se ent\u00e3o praticar o caminho. Eu conheci a exist\u00eancia do sofrimento, destru\u00ed sua origem, compreendi sua cessa\u00e7\u00e3o e pratiquei o caminho. Assim, obtive a ilumina\u00e7\u00e3o insuper\u00e1vel, completa e perfeita. O sofrimento, a causa, a cessa\u00e7\u00e3o e o caminho s\u00e3o as quatro verdades nobres. Sem conhec\u00ea-las, ningu\u00e9m pode conseguir a ilumina\u00e7\u00e3o. Quem compreend\u00ea-las perfeitamente, pode se libertar de todos os sofrimentos.<\/p>\n<p>SABEDORIA (Prajna)<br \/>\n1. Vis\u00e3o correta (samyak-drishti)<br \/>\n2. Inten\u00e7\u00e3o correta (samyak-samkalpa)<\/p>\n<p>\u00c9TICA (Shila)<br \/>\n3. Fala correta (samyak-vach)<br \/>\n4. A\u00e7\u00e3o correta (samyak-karmata)<br \/>\n5. Meio de vida correto (samyak-ajiva)<\/p>\n<p>CONCENTRA\u00c7\u00c3O (Samadhi)<br \/>\n6. Esfor\u00e7o correto (samyak-vyayama)<br \/>\n7. Aten\u00e7\u00e3o correta (samyak-smiriti)<br \/>\n8. Concentra\u00e7\u00e3o correta (samyak-samadhi)<\/p>\n<p>O nobre caminho \u00f3ctuplo oferece um compreensivo guia pr\u00e1tico para o desenvolvimento das qualidades e habilidades ben\u00e9ficas no cora\u00e7\u00e3o humano, que devem ser cultivadas para levar o praticante \u00e0 meta final, a liberdade e felicidade supremas do nirvana. (&#8230;) O progresso pelo caminho n\u00e3o permite uma simples trajet\u00f3ria linear. Ao inv\u00e9s disso, o desenvolvimento de cada aspecto do nobre caminho \u00f3ctuplo encoraja o refinamento e fortalecimento dos outros [aspectos], conduzindo o praticante cada vez mais \u00e0 frente na espiral ascendente da maturidade espiritual que culmina no despertar.<\/p>\n<p>(John Bullit, What is Theravada Buddhism?)<\/p>\n<p>Prajna, a Sabedoria<\/p>\n<p>1. Vis\u00e3o correta (s\u00e2nsc. samyak-drishti): o conhecimento das quatro verdades nobres, da interdepend\u00eancia etc. constituem a vis\u00e3o correta da realidade.<br \/>\n2. Inten\u00e7\u00e3o correta (s\u00e2nsc. samyak-samkalpa): \u00e9 a atitude de renunciar \u00e0s atitudes negativas e cultivar a bondade e a n\u00e3o-agress\u00e3o.<br \/>\nShila, a \u00c9tica<\/p>\n<p>3. Fala correta (s\u00e2nsc. samyak-vach): n\u00e3o se deve mentir, difamar, falar rudemente ou tagarelar, mas falar sim de maneira honesta, harmoniosa, reconfortante e significativa.<br \/>\n4. A\u00e7\u00e3o correta (s\u00e2nsc. samyak-karmata): n\u00e3o matar, n\u00e3o roubar, n\u00e3o ter m\u00e1 conduta sexual, n\u00e3o tomar drogas ou t\u00f3xicos, etc.<br \/>\n5. Meio de vida correto (s\u00e2nsc. samyak-ajiva): o meio de vida deve seguir os preceitos citados anteriormente.<\/p>\n<p>Samadhi, a Concentra\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>6. Esfor\u00e7o correto (s\u00e2nsc. samyak-vyayama): n\u00e3o se deve viver de modo negativo ou repetir os erros da passado, mas sim desenvolver cada vez mais as atitudes positivas.<br \/>\n7. Aten\u00e7\u00e3o correta (s\u00e2nsc. samyak-smiriti): \u00e9 a contempla\u00e7\u00e3o do corpo, dos sentimentos, da mente dos fen\u00f4menos.<br \/>\n8. Concentra\u00e7\u00e3o correta (s\u00e2nsc. samyak-samadhi): \u00e9 a medita\u00e7\u00e3o praticada com o esfor\u00e7o correto e com a aten\u00e7\u00e3o correta.<\/p>\n<p>A ess\u00eancia do ensinamento budista pode ser resumida em dois princ\u00edpios: as quatro verdades nobres e o nobre caminho \u00f3ctuplo. O primeiro aborda o lado da doutrina e a primeira resposta que provoca \u00e9 o entendimento; o segundo aborda o lado da disciplina, o sentido mais amplo desta palavra, e seu objetivo fundamental \u00e9 a pr\u00e1tica. Na estrutura do ensinamento, estes dois princ\u00edpios est\u00e3o juntos em uma indivis\u00edvel unidade chamada Dharma-vinaya (p\u00e1li Dhamma-vinaya), a doutrina &#8211; disciplina, ou de forma resumida, o Dharma (p\u00e1li Dhamma). A unidade interna do Dharma \u00e9 garantida pelo fato que a \u00faltima das quatro verdades nobres, verdade do caminho, \u00e9 o nobre caminho \u00f3ctuplo, enquanto que o primeiro fator deste, a vis\u00e3o correta, \u00e9 o entendimento das quatro verdades nobres. assim, os dois princ\u00edpios se penetram e se incluem, um ao outro; a f\u00f3rmula das quatro verdades nobres contendo o nobre caminho \u00f3ctuplo e este contendo as quatro verdades nobres.<br \/>\nDada esta unidade integral, seria sem sentido colocar a quest\u00e3o de qual dos dois aspectos do Dharma teria maior valor, a doutrina ou o caminho. Entretanto, se fiz\u00e9ssemos tal pergunta, a resposta teria que ser o caminho. O caminho clama primazia porque \u00e9 precisamente ele que traz o ensinamento \u00e0 vida. O caminho traduz o Dharma de uma cole\u00e7\u00e3o de abstratas f\u00f3rmulas em um cont\u00ednuo desvelar da verdade. Ele d\u00e1 sa\u00edda ao problema do sofrimento, onde o ensinamento se inicia. E ele faz a meta do ensinamento, a libera\u00e7\u00e3o do sofrimento, acess\u00edvel a n\u00f3s, e \u00e9 atrav\u00e9s dela que toma seu aut\u00eantico significado.<br \/>\nSeguir o nobre caminho \u00f3ctuplo \u00e9 mais uma quest\u00e3o de pr\u00e1tica do que de conhecimento intelectual, mas para se aplicar o caminho corretamente deve-se entend\u00ea-lo apropriadamente. De fato, o entendimento correto do caminho \u00e9 em si mesmo uma parte da pr\u00e1tica. \u00c9 uma faceta da vis\u00e3o correta, o primeiro fator do caminho, o precursor e guia para o resto do caminho. Assim, apesar que um entusiasmo inicial possa sugerir que a fun\u00e7\u00e3o da compreens\u00e3o intelectual deva ser colocada de lado como uma aborrecida distra\u00e7\u00e3o, uma considera\u00e7\u00e3o madura revela ser na verdade essencial para o sucesso \u00faltimo do caminho. (&#8230;)<br \/>\nOs oito fatores do nobre caminho \u00f3ctuplo n\u00e3o s\u00e3o est\u00e1gios para serem seguidos em seq\u00fc\u00eancia, um ap\u00f3s o outro. Ao inv\u00e9s disso, eles podem ser mais habilmente descritos como componentes, compar\u00e1veis \u00e0s fibras entrela\u00e7adas de um \u00fanico cabo que requer a contribui\u00e7\u00e3o de todas as fibras para resist\u00eancia m\u00e1xima. Com um certo grau de progresso, todos os oito fatores podem estar presentes simultaneamente, cada um ajudando os outros. Por\u00e9m, at\u00e9 que esse ponto seja atingido, uma certa seq\u00fc\u00eancia no desenvolvimento do caminho \u00e9 inevit\u00e1vel. Do ponto de vista do treinamento pr\u00e1tico, o caminho \u00f3ctuplo divide-se em tr\u00eas grupos: [\u00e9tica, concentra\u00e7\u00e3o e sabedoria]. (&#8230;)<br \/>\nA ordem dos tr\u00eas treinamentos \u00e9 determinada pela meta final e pela dire\u00e7\u00e3o do caminho. J\u00e1 que a meta final para a qual o caminho conduz, a liberta\u00e7\u00e3o do sofrimento, em \u00faltima inst\u00e2ncia depende da erradica\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia, o cl\u00edmax do caminho deve ser o treinamento diretamente oposto \u00e0 ignor\u00e2ncia. Este \u00e9 o treinamento na sabedoria [prajna], destinado a despertar a faculdade de entendimento penetrativo que v\u00ea as coisas &#8220;como elas realmente s\u00e3o&#8221;. A sabedoria desenvolve-se por graus e at\u00e9 mesmo os mais fracos lampejos de &#8220;insights&#8221; pressup\u00f5em, como sua base, uma mente que esteja concentrada, livre de confus\u00f5es e distra\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA concentra\u00e7\u00e3o [samadhi], \u00e9 adquirida por meio do treinamento em consci\u00eancia elevada, a segunda divis\u00e3o do caminho, que produz a calma e a serenidade necess\u00e1rias para o desenvolvimento da sabedoria. Mas para que a mente seja unificada na concentra\u00e7\u00e3o, um freio deve ser colocado nas disposi\u00e7\u00f5es n\u00e3o-saud\u00e1veis que geralmente dominam sua atividade, uma vez que essas disposi\u00e7\u00f5es dissipam o foco de aten\u00e7\u00e3o e a dispersa entre uma multid\u00e3o de inquieta\u00e7\u00f5es e preocupa\u00e7\u00f5es. As disposi\u00e7\u00f5es n\u00e3o-saud\u00e1veis continuam a dominar enquanto se permite que elas ganhem express\u00e3o atrav\u00e9s dos canais do corpo e da fala, como a\u00e7\u00f5es corporais e verbais. Consequentemente, no pr\u00f3prio come\u00e7o do treinamento, \u00e9 necess\u00e1rio restringir as faculdades da a\u00e7\u00e3o, para prevenir que elas se tornem instrumentos das impurezas. Essa tarefa \u00e9 realizada pela primeira divis\u00e3o do caminho, o treinamento na \u00e9tica [shila].<br \/>\nEnt\u00e3o o caminho desenvolve-se atrav\u00e9s de seus tr\u00eas est\u00e1gios, com a \u00e9tica como fundamento para a concentra\u00e7\u00e3o, a concentra\u00e7\u00e3o como fundamento para a sabedoria, e a sabedoria como instrumento direto para a obten\u00e7\u00e3o da libera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAlgumas vezes, a perplexidade surge a respeito de uma inconsist\u00eancia aparente na combina\u00e7\u00e3o dos fatores do caminho e do treinamento triplo. A sabedoria; que inclui a vis\u00e3o correta e a inten\u00e7\u00e3o correta; \u00e9 o \u00faltimo est\u00e1gio no treinamento triplo, apesar dos seus fatores serem colocados no in\u00edcio do caminho ao inv\u00e9s do seu t\u00e9rmino, como poderia ser esperado de acordo com o princ\u00edpio fundamental da consist\u00eancia estrita.<br \/>\nPor\u00e9m, a seq\u00fc\u00eancia dos fatores do caminho n\u00e3o \u00e9 o resultado de um erro negligente, mas \u00e9 determinada por uma considera\u00e7\u00e3o log\u00edstica importante, a saber, que a vis\u00e3o correta e a inten\u00e7\u00e3o correta s\u00e3o, no \u00ednicio, um tipo preliminar como o impulso para a entrada no treinamento triplo. A vis\u00e3o correta prov\u00ea a perspectiva para a pr\u00e1tica, a inten\u00e7\u00e3o correta o sentido de dire\u00e7\u00e3o. Mas as duas n\u00e3o terminam nesse papel preparat\u00f3rio pois, quando a mente foi refinada pelo treinamento na \u00e9tica e na concentra\u00e7\u00e3o, ela chega a uma vis\u00e3o correta e inten\u00e7\u00e3o correta superiores, as quais formam o pr\u00f3prio treinamento na sabedoria suprema.<\/p>\n<p>Bhikkhu Bodhi, The Noble Eightfold Path<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 \u00e9tica budista, \u00e9 muito conhecido o grupo de cinco preceitos (s\u00e2nsc. pancha-shila): n\u00e3o matar; n\u00e3o roubar; n\u00e3o cometer adult\u00e9rio; n\u00e3o mentir ou falar de maneira rude; n\u00e3o tomar t\u00f3xicos.<br \/>\nOutro grupo, de dez preceitos (s\u00e2nsc. dasha-kushala-karma-patha), \u00e9 uma vers\u00e3o um pouco mais detalhada dos cinco citados anteriormente: n\u00e3o matar, mas proteger a vida; n\u00e3o roubar, mas praticar a generosidade; n\u00e3o cometer adult\u00e9rio, mas praticar a \u00e9tica; n\u00e3o mentir, mas falar a verdade; n\u00e3o difamar, mas falar harmoniosamente; n\u00e3o falar de maneira rude, mas usar palavras reconfortantes; n\u00e3o tagalerar, mas falar com discri\u00e7\u00e3o e significado; n\u00e3o cobi\u00e7ar, mas regozijar-se com a riqueza e as qualidades dos outros; n\u00e3o ter maldade, mas ter benevol\u00eancia; n\u00e3o defender vis\u00f5es err\u00f4neas, mas cultivar as corretas.<br \/>\nComo a vontade \u00e9 por si mesma indeterminada, o Buddha prescreveu, em termos definitivos e l\u00facidos, os fatores de treinamento moral que devem ser completados para salvaguardar o progresso no caminho \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o. Estes fatores s\u00e3o uma parte essencial do treinamento e, quando implementados pela for\u00e7a da voli\u00e7\u00e3o, se tornam um meio fundamental de purifica\u00e7\u00e3o. Especialmente no contexto da pr\u00e1tica meditativa, a tomada de preceitos previne a emerg\u00eancia de a\u00e7\u00f5es corrompidas, destrutivas ao prop\u00f3sito da disciplina meditativa. Ao seguir cuidadosamente as regras das condutas prescritas, estaremos evitando pelo menos as express\u00f5es mais grosseiras de cobi\u00e7a, avers\u00e3o e ilus\u00e3o e, desta forma, n\u00e3o teremos que vivenciar os obst\u00e1culos da culpa, ansiedade de agita\u00e7\u00e3o que surgem na trilha de transgress\u00f5es morais regulares.<br \/>\nPortanto, um preceito \u00e9, segundo a perspectiva budista, muito mais que uma proibi\u00e7\u00e3o imposta \u00e0 conduta vinda de fora. Cada preceito \u00e9 uma express\u00e3o tang\u00edvel de uma atitude mental correspondente. Ao trazer nossa conduta em harmonia com os preceitos, podemos nutrir a raiz de nossos esfor\u00e7os espirituais, a virtude. Quando a virtude \u00e9 aprimorada, os est\u00e1gios do caminho se desvelam espontaneamente atrav\u00e9s da lei da vida espiritual, culminando na perfei\u00e7\u00e3o do conhecimento e liberta\u00e7\u00e3o serena.<\/p>\n<p>Bhikkhu Bodhi, Nourishing the Roots<\/p>\n<p>Karma e renascimento<\/p>\n<p>A palavra s\u00e2nscrita karma significa a\u00e7\u00e3o e se refere \u00e0 causalidade, a interdepend\u00eancia entre todos os atos e suas conseq\u00fc\u00eancias naturais. De modo geral, para que as coisas aconte\u00e7am, \u00e9 necess\u00e1rio uma a\u00e7\u00e3o. Por exemplo, se voc\u00ea quer tomar um ch\u00e1, precisa praticar v\u00e1rios atos que possibilitem isso: comprar a erva, arrumar uma x\u00edcara, preparar a \u00e1gua etc., at\u00e9 que, enfim, esteja em condi\u00e7\u00f5es de bebe-lo. Essas a\u00e7\u00f5es, como toda e qualquer a\u00e7\u00e3o, t\u00eam seus resultados; esta \u00e9 a lei do karma. Existem a\u00e7\u00f5es que frutificam de imediato; outras, por\u00e9m, frutificam em alguns meses ou anos, ou depois de v\u00e1rias vidas, ou mesmo depois de v\u00e1rias eras mas, apesar do tempo que possa mediar, sempre haver\u00e1 uma correspond\u00eancia entre a a\u00e7\u00e3o e o seu fruto.<\/p>\n<p>Dalai Lama, citado na revista Bodisatva<\/p>\n<p>Certamente, a maneira mais utilizada para se explicar o karma \u00e9 a analogia de que estamos colhendo os frutos das a\u00e7\u00f5es que cultivamos anteriormente; do mesmo modo, nosso futuro ter\u00e1 as conseq\u00fc\u00eancias do que estamos fazendo agora.<br \/>\nTudo o que \u00e9 colocado em movimento produz um movimento correspondente. Se voc\u00ea joga uma pedra numa lagoa, formam-se ondula\u00e7\u00f5es ou an\u00e9is que correm para fora, batem na margem e voltam. O mesmo se passa com o movimento dos pensamentos: ondula\u00e7\u00f5es correm para fora, ondula\u00e7\u00f5es retornam. Quando os resultados desses pensamentos chegam de volta, sentimo-nos v\u00edtimas indefesas: est\u00e1vamos inocentemente vivendo nossa vida; por que todas essas coisas est\u00e3o acontecendo conosco? O que acontece \u00e9 que os an\u00e9is est\u00e3o voltando para o centro. (&#8230;)<br \/>\n[Isto \u00e9 o karma e, devido a ele,] nossa experi\u00eancia da realidade continua a girar em ciclos, com todas as suas varia\u00e7\u00f5es, vida ap\u00f3s vida. Assim \u00e9 o intermin\u00e1vel samsara, a exist\u00eancia c\u00edclica. N\u00e3o compreendemos que estamos vivendo resultados que n\u00f3s mesmos criamos, e que nossas rea\u00e7\u00f5es produzem ainda mais causas, mais resultados; incessantemente. (&#8230;)<br \/>\nO karma pode ser comparado a uma semente que, em condi\u00e7\u00f5es adequadas, dar\u00e1 lugar a uma planta. Se voc\u00ea colocar na terra uma semente de cevada, pode ter certeza de que obter\u00e1 um broto de cevada. A semente n\u00e3o vai produzir arroz.<br \/>\nA mente \u00e9 como um campo f\u00e9rtil; coisas de todos os tipos podem crescer nele. Quando plantamos uma semente; um ato, uma palavra ou um pensamento, num dado momento, ser\u00e1 produzido um fruto que ir\u00e1 amadurecer e cair por terra, perpetuando e incrementando sementes de causalidade potentes em nosso corpo, fala e mente. Quando se juntarem as condi\u00e7\u00f5es adequadas para o amadurecimento do nosso karma, teremos que lidar com as conseq\u00fc\u00eancias das coisas que plantamos.<\/p>\n<p>Chagdud Tulku Rinpoche, Port\u00f5es da Pr\u00e1tica Budista<\/p>\n<p>A doutrina budista, ao delinear o que deve ser abandonado e o que deve ser aceito, classifica o karma em dez n\u00e3o-virtudes e dez virtudes. As dez n\u00e3o-virtudes incluem tr\u00eas do corpo; matar, roubar e conduta sexual indevida; quatro da fala; mentir, difamar, fala rude e conversa fiada; e tr\u00eas da mente; cobi\u00e7a, maldade e vis\u00e3o err\u00f4nea. (&#8230;) As dez a\u00e7\u00f5es virtuosas s\u00e3o o oposto das dez n\u00e3o-virtuosas: n\u00e3o matar, e sim proteger a vida; n\u00e3o roubar, e sim praticar a generosidade; n\u00e3o se entregar a uma conduta sexual indevida, e sim praticar a moralidade em assuntos sexuais (real\u00e7ada pela manuten\u00e7\u00e3o do celibato em certos dias sagrados e durante certas ocasi\u00f5es como retiros espirituais); n\u00e3o mentir, e sim falar a verdade; n\u00e3o difamar, e sim falar harmoniosamente; n\u00e3o usar a fala rude, e sim usar palavras reconfortantes; n\u00e3o tagalerar, e sim falar com discri\u00e7\u00e3o e significado; n\u00e3o cobi\u00e7ar, e sim regozijar-se com a riqueza e as qualidades dos outros; n\u00e3o ter maldade, e sim benevol\u00eancia; n\u00e3o defender vis\u00f5es err\u00f4neas, e sim cultivar as corretas.<\/p>\n<p>Chagdud Khadro, Pr\u00e1ticas Preliminmares do Budismo Vajrayana<\/p>\n<p>A palavra reencarna\u00e7\u00e3o, apesar de ser bastante utilizada, n\u00e3o \u00e9 muito correta para o contexto budista; a palavra mais precisa seria renascimento.<br \/>\nAlgumas pessoas acreditam que uma alma imortal, ou Atman, migra de vida para vida, ou que a consci\u00eancia individual \u00e9 reabsorvida na consci\u00eancia universal ou mente divina para depois, mais uma vez, renascer. A vis\u00e3o budista n\u00e3o \u00e9 nenhuma dessas. (&#8230;)<br \/>\n[Segundo Buddha,] o que sobrevive \u00e0 morte \u00e9 o fluxo cont\u00ednuo, sempre em muta\u00e7\u00e3o, da energia de nosso corpo e mente muito sutis. Todos n\u00f3s recebemos um nome quando nascemos e, por toda a nossa vida, respondemos a ele, embora nosso corpo e mente aos dez, vinte, trinta, quarenta, cinq\u00fcenta ou setenta anos sejam bastante diferentes. Somos a mesma pessoa, mas n\u00e3o somos a mesma pessoa. A natureza essencial de nossa mente \u00e9 vazia de uma exist\u00eancia por si mesma independente. Nossa natureza mais essencial \u00e9 como um cristal puro [vajra], e nela s\u00e3o gravadas muitas marcas. Assim, momento ap\u00f3s momento, vida ap\u00f3s vida, estamos sempre nos manifestando de formas diferentes.<\/p>\n<p>T.Y.S. Lama Gangchen, Ngelso<\/p>\n<p>As exist\u00eancias sucessivas numa s\u00e9rie de renascimentos n\u00e3o s\u00e3o como as p\u00e9rolas de um colar, presas por um cord\u00e3o, a &#8220;alma&#8221;, que passa atrav\u00e9s de todas as p\u00e9rolas; s\u00e3o mais como dados empilhados uns sobre os outros. Cada um dos dados \u00e9 separado, mas suporta o que est\u00e1 sobre ele e est\u00e1 funcionalmente conectado com ele. Entre os dados n\u00e3o h\u00e1 identidade, mas condicionalidade.<\/p>\n<p>H.W. Schumann, The Historical Buddha<\/p>\n<p>H\u00e1 nas escrituras budistas um relato muito claro desse processo de condicionalidade. O s\u00e1bio budista Nagasena fez uma explana\u00e7\u00e3o disso ao rei Milinda num famoso conjunto de respostas a perguntas que o rei lhe fez.<br \/>\nO rei perguntou a Nagasena: &#8220;Quando algu\u00e9m renasce, ele \u00e9 o mesmo que aquele que acabou de morrer ou \u00e9 diferente?&#8221;<br \/>\nNagasena respondeu: &#8220;Ele n\u00e3o \u00e9 o mesmo, nem \u00e9 diferente&#8230; Diga-me uma coisa, se um<br \/>\nhomem acendesse uma lamparina, ela poderia fornecer luz durante toda a noite?&#8221;;<br \/>\n&#8220;Sim.&#8221;;<br \/>\n&#8220;\u00c9 a chama que brilha na primeira vig\u00edlia da noite a mesma da segunda&#8230; ou da \u00faltima?&#8221;;<br \/>\n&#8220;N\u00e3o.&#8221;;<br \/>\n&#8220;Isso quer dizer que h\u00e1 uma lamparina na primeira vig\u00edlia, outra lamparina na segunda, e outra na terceira?&#8221;;<br \/>\n&#8220;N\u00e3o.&#8217;;<br \/>\n&#8220;\u00c9 de uma \u00fanica lamparina a luz que brilha a noite toda?&#8221;;<br \/>\n&#8220;Sim.&#8221;<br \/>\n&#8220;No renascimento \u00e9 a mesma coisa: um fen\u00f4meno surge e outro cessa, simultaneamente. Assim, o primeiro ato de consci\u00eancia na nova exist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 o mesmo do \u00faltimo ato de consci\u00eancia da exist\u00eancia pr\u00e9via, nem tampouco \u00e9 diferente.&#8221;<br \/>\nO rei pediu outro exemplo que explicasse a natureza precisa dessa depend\u00eancia, e Nagasena fez a compara\u00e7\u00e3o do leite: a coalhada, a manteiga ou o ghee [manteiga semil\u00edquida], feitos de leite, nunca s\u00e3o o mesmo que o leite, mas dependem totalmente dele para serem produzidos.<\/p>\n<p>(Sogyal Rinpoche, O Livro Tibetano do Viver e do Morrer)<\/p>\n<p>No budismo tibetano, \u00e9 muito comum a identifica\u00e7\u00e3o de tulkus (tib. sprul sku), lamas renascidos como crian\u00e7as e identificados atrav\u00e9s de vis\u00f5es, profecias e testes. O mais famoso tulku tibetano \u00e9 Tenzin Gyatso, o Dalai Lama. Segundo ele, a tarefa de identificar os tulkus \u00e9 mais l\u00f3gica do que pode parecer \u00e0 primeira vista. Dada a cren\u00e7a budista no renascimento, e considerando que todo o prop\u00f3sito da reencarna\u00e7\u00e3o \u00e9 possibilitar ao ser continuar seus esfor\u00e7os em benef\u00edcio de todos os seres vivos, \u00e9 uma conclus\u00e3o clara que deveria ser poss\u00edvel identificar casos individuais. Isso habilita-os a serem educados e colocados no mundo de tal forma que continuem seu trabalho o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Certamente, podem ocorrer erros nesses processo de identifica\u00e7\u00e3o, mas as vidas da grande maioria dos tulkus (atualmente existem algumas centenas deles reconhecidos, sendo que antes da invas\u00e3o chinesa eram provavelmente milhares os tulkus reconhecidos) s\u00e3o um bom exemplo do testemunho de sua efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>(Dalai Lama, citado na revista Bodisatva)<\/p>\n<p>A palavra tulku tamb\u00e9m \u00e9 geralmente traduzida com o sentido reencarna\u00e7\u00e3o, mas o significado correto \u00e9 corpo de emana\u00e7\u00e3o (s\u00e2nsc. nirmanakaya). Do mesmo modo que o sol emana muitos raios; que n\u00e3o s\u00e3o totalmente iguais, nem totalmente diferentes; um lama teria a capacidade de emanar uma sucess\u00e3o de renascimentos para trazer benef\u00edcio aos outros seres.<br \/>\nO que continua num tulku? \u00c9 ele exatamente a mesma pessoa que reencarnou? Ele \u00e9 e n\u00e3o \u00e9, ao mesmo tempo. Sua motiva\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o para ajudar todos os seres \u00e9 a mesma, mas ele n\u00e3o \u00e9 na verdade a mesma pessoa. O que continua de uma vida para outra \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, \u00e9 isso que o crist\u00e3o chama de gra\u00e7a. Essa transmiss\u00e3o de uma b\u00ean\u00e7\u00e3o e da gra\u00e7a \u00e9 sintonizada e adequada a cada \u00e9poca sucessiva, e a encarna\u00e7\u00e3o aparece da maneira que potencialmente melhor se adequa ao karma das pessoas desse tempo, para poder ajud\u00e1-las de modo mais completo.<\/p>\n<p>Sogyal Rinpoche, O Livro Tibetano do Viver e do Morrer<\/p>\n<p>A INTERDEPEND\u00caNCIA<\/p>\n<p>O ensinamento do surgimento dependente (s\u00e2nsc. pratitya-samutpada) diz que todo fen\u00f4meno (s\u00e2nsc. dharma) aparece, se realiza e desaparece; estes tr\u00eas acontecimentos s\u00f3 podem ocorrer devido a certas causas e condi\u00e7\u00f5es. Por isso, o samsara (o mundo dos fen\u00f4menos) \u00e9 condicionado, interdependente, ao contr\u00e1rio da paz infinita do nirvana, incondicionado.<br \/>\nSe voc\u00ea \u00e9 poeta, v\u00ea claramente uma nuvem em um papel em branco. Se n\u00e3o existir a nuvem, a chuva n\u00e3o cai. Se n\u00e3o cair a chuva, a \u00e1rvore n\u00e3o cresce. Se n\u00e3o cresce a \u00e1rvore, n\u00e3o se faz papel. Ent\u00e3o, podemos dizer que o papel e a nuvem se encontram em interexist\u00eancia. Se observarmos mais profundamente o papel, veremos nele a luz do sol.<br \/>\nSem a luz do sol, o mato n\u00e3o cresce. Ou melhor, sem ela, nada no mundo cresce. Por isso, reconhecemos que a luz do sol tamb\u00e9m existe no papel em branco. O papel e a luz do sol encontram-se em interdepend\u00eancia. Se continuarmos observando profundamente, veremos o lenhador que cortou a \u00e1rvore posteriormente levada \u00e0 marcenaria.<br \/>\nVeremos tamb\u00e9m o trigo no papel. Sabemos que o lenhador n\u00e3o pode existir sem o p\u00e3o de cada dia. Por isso, o trigo, a mat\u00e9ria-prima do p\u00e3o, tamb\u00e9m existe no papel. Pensando desta maneira, reconhecemos que um papel branco n\u00e3o pode existir quando faltar qualquer um destes elementos. N\u00e3o posso citar nada que n\u00e3o esteja aqui, agora. O tempo, o espa\u00e7o, a chuva, os minerais contidos no solo, a luz do sol, as nuvens, os rios, o calor&#8230; tudo est\u00e1 aqui, agora. N\u00e3o podemos existir sozinhos.<br \/>\nEste papel branco \u00e9 totalmente constitu\u00eddo de &#8220;elementos que n\u00e3o s\u00e3o papel&#8221;. Se devolvermos todos os &#8220;elementos que n\u00e3o sejam papel&#8221; \u00e0 sua origem, o papel deixar\u00e1 de existir. O papel n\u00e3o existir\u00e1 se forem tirados os &#8220;elementos que n\u00e3o sejam papel&#8221;. O papel, em sua espessura fina, cont\u00e9m tudo do universo. Nele, n\u00e3o h\u00e1 nada que n\u00e3o exista em interdepend\u00eancia. A inexist\u00eancia de elementos independentes significa que tudo \u00e9 satisfeito por tudo.<br \/>\nTemos que existir em interexist\u00eancia com os demais, assim como um papel que existe porque todo os demais elementos existem.<\/p>\n<p>Thich Nhat Hanh, citado em Caminho Zen<\/p>\n<p>Se tudo \u00e9 impermanente, ent\u00e3o tudo \u00e9 o que chamamos &#8220;vazio&#8221; [s\u00e2nsc. shunya], o que significa aus\u00eancia de qualquer exist\u00eancia dur\u00e1vel, est\u00e1vel e inerente; de todas as coisas, quando vistas e compreendidas em sua verdadeira rela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o independentes, mas interdependentes entre si. O Buda comparou o universo a uma vasta rede composta por uma infinita variedade de j\u00f3ias brilhantes, cada uma delas com um n\u00famero incont\u00e1vel de facetas. Cada j\u00f3ia reflete em si mesma toda outra j\u00f3ia do conjunto \u00e9 de fato una com toda as demais.<br \/>\nPense numa onda no mar. Vista de um modo, parece ter uma identidade distinta, um fim um come\u00e7o, um nascimento e uma morte. Vista de outro modo, a onda n\u00e3o existe, mas \u00e9 apenas o comportamento da \u00e1gua, &#8220;vazia&#8221; de toda identidade separada, mas &#8220;cheia&#8221; de \u00e1gua. Assim, quando voc\u00ea pensa a respeito da onda, vem a perceber que se trata de algo que se tornou temporariamente poss\u00edvel pelo fato do vento, e pela \u00e1gua, e que \u00e9 dependente de um conjunto de circunst\u00e2ncias permanentemente mut\u00e1veis. Voc\u00ea tamb\u00e9m percebe que cada onda est\u00e1 relacionada com todas as outras ondas.<br \/>\nQuando observamos atentamente, nada tem qualquer exist\u00eancia inerente e pr\u00f3pria, e essa aus\u00eancia de exist\u00eancia independente \u00e9 o que chamamos &#8220;vacuidade&#8221; [s\u00e2nsc. shunyata].<\/p>\n<p>Sogyal Rinpoche, O Livro Tibetano do Viver e do Morrer<\/p>\n<p>A interdepend\u00eancia do samsara foi esquematizada em doze elos, representados simbolicamente na roda da vida:<\/p>\n<p>1. Ignor\u00e2ncia (s\u00e2nsc. avidya): \u00e9 o desconhecimento das quatro verdades.<br \/>\n2. Forma\u00e7\u00f5es (s\u00e2nsc. samskara): resultantes da ignor\u00e2ncia, s\u00e3o as vontades ou impulsos que originam as a\u00e7\u00f5es do corpo, da fala e da mente.<br \/>\n3 Consci\u00eancia (s\u00e2nsc. vijnana): como resultado das forma\u00e7\u00f5es, h\u00e1 seis tipos de consci\u00eancia, relacionadas aos seis \u00f3rg\u00e3os (olhos, ouvidos, nariz, l\u00edngua, corpo, mente).<br \/>\n4. Nome-e-forma (s\u00e2nsc. nama-rupa): &#8220;nome&#8221; se refere \u00e0s sensa\u00e7\u00f5es, percep\u00e7\u00f5es, vontade e consci\u00eancia, enquanto &#8220;forma&#8221; se refere aos elementos materiais: fogo, \u00e1gua, terra e ar. Forma, sentimentos, percep\u00e7\u00f5es, vontade e consci\u00eancia s\u00e3o os cinco agregados que comp\u00f5em a exist\u00eancia; s\u00e3o resultantes da consci\u00eancia.<br \/>\n5. Seis Sentidos (s\u00e2nsc. shadayatana): vis\u00e3o, audi\u00e7\u00e3o, olfato, paladar, tato e consci\u00eancia, resultantes do nome-e-forma.<br \/>\n6. Contatos (s\u00e2nsc. sparsha): resultantes do encontro dos seis sentidos com seus respectivos objetos (cores, sons, cheiros, sabores, formas\/texturas, pensamentos).<br \/>\n7. Sensa\u00e7\u00f5es (s\u00e2nsc. vedana): resultantes dos contatos, s\u00e3o classificadas como agrad\u00e1veis, desagrad\u00e1veis ou neutras.<br \/>\n8. Desejos (s\u00e2nsc. trishna): querer as coisas que trouxeram sensa\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis e n\u00e3o querer as coisas que trouxeram sensa\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis.<br \/>\n9. Apego (s\u00e2nsc. upadana): como resultado dos desejos, surgem quatro tipos de desejos, relativos aos prazeres, \u00e0s vis\u00f5es, aos rituais e regras, e ao falso ego.<br \/>\n10. Exist\u00eancia ou vir-a-ser (s\u00e2nsc. bhava): como resultado do apego, surgem tr\u00eas tipos de exist\u00eancia: nos prazeres (s\u00e2nsc. kamadhatu), na forma (s\u00e2nsc. rupadhatu) e na n\u00e3o-forma (s\u00e2nsc. arupadhatu).<br \/>\n11. Nascimento (s\u00e2nsc. jati): \u00e9 o processo de origina\u00e7\u00e3o em um dos reinos de renascimento, o perecimento dos agregados e a aquisi\u00e7\u00e3o dos sentidos, resultantes da exist\u00eancia.<br \/>\n12. Velhice-e-morte (s\u00e2nsc. jara-maranam): velhice \u00e9 a decad\u00eancia que o corpo sofre com o passar da vida, e morte \u00e9 a decomposi\u00e7\u00e3o, a dissolu\u00e7\u00e3o dos cinco agregados.<br \/>\nTodos os elos s\u00e3o interdependentes; a exist\u00eancia de um implica no aparecimento do elo seguinte. Ou seja, a velhice e morte \u00e9 consequ\u00eancia do nascimento, que \u00e9 consequ\u00eancia da exist\u00eancia, etc. Do mesmo modo, extinguindo-se a ignor\u00e2ncia, desaparecem a forma\u00e7\u00e3o, a consci\u00eancia etc., at\u00e9 que se extingam todos os elos, todos os sofrimentos.<br \/>\nEm poucas palavras, a verdade \u00faltima da exist\u00eancia, segundo o budismo, \u00e9 shunyata, ou a Vacuidade. Por\u00e9m, &#8220;vacuidade&#8221; n\u00e3o quer dizer (&#8230;) aquilo que \u00e9 &#8220;oco&#8221;, mas sim que todos os fen\u00f4menos, todas as coisas, existem sob depend\u00eancia ou interdependentemente, e n\u00e3o por si mesmas. Por esse motivo, porque nada existe por si s\u00f3 mas sim por depend\u00eancia, cada fen\u00f4meno, isoladamente considerado \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, vazio. Assim, quando temos a aus\u00eancia dessa interdepend\u00eancia da exist\u00eancia, temos a experi\u00eancia da vacuidade.<br \/>\nDalai Lama, citado na revista Bodisatva<\/p>\n<p>Fundamentalmente, s\u00f3 existe o espa\u00e7o aberto, o solo b\u00e1sico, o que realmente somos. \u00c9 esse o estado primordial de nossa mente, antes da cria\u00e7\u00e3o do ego, havendo abertura b\u00e1sica, liberdade b\u00e1sica, espa\u00e7o, e temos agora, como sempre tivemos, essa abertura.<br \/>\nTomemos, por exemplo, nossa vida e nossos padr\u00f5es de pensamento cotidianos. Quando vemos um objeto, ocorre no primeiro instante s\u00fabita percep\u00e7\u00e3o sem l\u00f3gica nem conceitua\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a ele; apenas o percebemos no campo aberto. Ent\u00e3o, de imediato, ca\u00edmos em p\u00e2nico e passamos a correr desorientadamente, tentando acrescentar-lhe alguma coisa, ou encontrar um nome para ele, ou ainda achando uma classifica\u00e7\u00e3o para que possamos localiz\u00e1-lo e categoriz\u00e1-lo. Pouco a pouco, as coisas se desenvolvem a partir desse ponto.<br \/>\nEsse desenvolvimento n\u00e3o assume a forma de uma entidade s\u00f3lida. Ao contr\u00e1rio, um desenvolvimento ilus\u00f3rio, a cren\u00e7a equivocada num &#8220;eu&#8221; ou &#8220;ego&#8221;. A mente confusa tende a ver-se como coisa s\u00f3lida, em funcionamento, mas n\u00e3o passa de um conjunto de tend\u00eancias e eventos. Na terminologia budista, esse conjunto \u00e9 conhecido como os cinco skandhas ou as cinco pilhas [montes, agregados]. Assim, talvez possamos acompanhar o desenvolvimento dos cinco skandhas.<br \/>\nO ponto inicial \u00e9 a exist\u00eancia de um espa\u00e7o aberto, que n\u00e3o pertence a ningu\u00e9m. H\u00e1 sempre a intelig\u00eancia primordial ligada ao espa\u00e7o e \u00e0 abertura. Vidya, que significa &#8220;intelig\u00eancia&#8221; em s\u00e2nscrito; precis\u00e3o, agudeza, agudeza com o espa\u00e7o, agudeza com o lugar em que se pode colocar coisas, trocar coisas. Poder\u00edamos dizer um espa\u00e7oso sal\u00e3o em que h\u00e1 lugar para dan\u00e7ar, em que n\u00e3o corremos o risco de derrubar nem trope\u00e7ar em coisas, pois o espa\u00e7o \u00e9 completamente aberto. N\u00f3s somos esse espa\u00e7o, n\u00f3s &#8220;somos um&#8221; com ele, com vidya, intelig\u00eancia e abertura.<br \/>\nMas se o somos durante o tempo todo, de onde veio a confus\u00e3o, para onde foi o espa\u00e7o, o que aconteceu? Na realidade, nada aconteceu. Apenas nos tornamos demasiado ativos naquele espa\u00e7o. Por ser vasto, ele nos convida a dan\u00e7ar; mas a nossa dan\u00e7a torna-se um pouco ativa demais, principiamos a girar mais do que o necess\u00e1rio para expressar o espa\u00e7o. Nesse ponto, nos tornamos conscientes de n\u00f3s mesmos, c\u00f4nscios de que &#8220;eu&#8221; estou dan\u00e7ando no espa\u00e7o.<br \/>\nA essa altura, o espa\u00e7o deixa de ser espa\u00e7o como tal. Faz-se s\u00f3lido. Em lugar de &#8220;sermos um&#8221; com ele, percebemos o espa\u00e7o s\u00f3lido como entidade separada, tang\u00edvel. Essa \u00e9 a primeira experi\u00eancia de dualidade; o espa\u00e7o e eu, eu estou dan\u00e7ando neste espa\u00e7o, e essa vastid\u00e3o \u00e9 uma coisa s\u00f3lida, separada. Dualidade significa &#8220;o espa\u00e7o e eu&#8221;, mais do que a completa identifica\u00e7\u00e3o com o espa\u00e7o. Assim, nasce a &#8220;forma&#8221;, o &#8220;outro&#8221;.<br \/>\nOcorre, ent\u00e3o, uma esp\u00e9cie de desmaio, no sentido de que nos esquecemos do que est\u00e1vamos fazendo. H\u00e1 uma lacuna. Tendo criado o espa\u00e7o solidificado, somos engolfados por ele e come\u00e7amos a perder-nos nele. H\u00e1 um escurecimento e, depois, repentinamente, um despertar.<br \/>\nQuando despertamos, recusamo-nos a ver o espa\u00e7o como abertura, recusamo-nos a ver-lhe a qualidade suave e arejada. Ignoramo-lo completamente, e a isso se chama avidya. &#8220;A&#8221;; significa &#8220;nega\u00e7\u00e3o&#8221;, vidya; significa &#8220;intelig\u00eancia&#8221;, avidya; significa &#8220;n\u00e3o-intelig\u00eancia&#8221;.<br \/>\nPorque essa extrema intelig\u00eancia se transformou na percep\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o s\u00f3lido, porque essa intelig\u00eancia luminosa, aguda, precisa e fluente, se tornou est\u00e1tica, d\u00e1-se-lhe o nome de avidya, ou seja, &#8220;ignor\u00e2ncia&#8221;. Ignoramos deliberadamente. N\u00e3o nos satisfazemos apenas em dan\u00e7ar no espa\u00e7o, mas queremos ter um parceiro e, assim, escolhemos o espa\u00e7o por parceiro. Se escolhemos o espa\u00e7o por parceiro de dan\u00e7a, haveremos de querer, evidentemente, que ele dance conosco. A fim de t\u00ea-lo como parceiro, temos de solidific\u00e1-lo e ignorar-lhe a qualidade fluente, aberta. Isso \u00e9 avidya, ignor\u00e2ncia, ignorar a intelig\u00eancia. \u00c9 o \u00e1pice do primeiro skandha, a cria\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia-forma.<br \/>\nCom efeito, este skandha, o skandha da ignor\u00e2ncia-forma tem tr\u00eas aspectos ou fases diferentes que podemos examinar empregando outra met\u00e1fora. Suponhamos que, no princ\u00edpio, haja uma plan\u00edcie aberta, um simples deserto sem nenhuma caracter\u00edstica especial. Eis a\u00ed como somos, o que somos. Somos muito simples e b\u00e1sicos. E, todavia, h\u00e1 um sol que brilha, uma lua que brilha, e haver\u00e1 luzes e cores, a textura do deserto. Haver\u00e1 alguma sensa\u00e7\u00e3o da energia que brinca entre o c\u00e9u e a terra. E, assim por diante, indefinidamente.<br \/>\nDepois, estranhamente, surge de improviso, algu\u00e9m para notar tudo isso. Como se um dos gr\u00e3os da areia espichasse o pesco\u00e7o para fora e principiasse o olhar \u00e0 sua volta. N\u00f3s somos o gr\u00e3o de areia, chegando \u00e0 conclus\u00e3o do nosso estado de separa\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 o &#8220;nascimento da ignor\u00e2ncia&#8221; em seu primeiro est\u00e1gio, uma esp\u00e9cie de rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica. A dualidade come\u00e7ou.<br \/>\n\u00c0 segunda fase da forma-ignor\u00e2ncia d\u00e1-se o nome de &#8220;a ignor\u00e2ncia nascida no interior&#8221;.<br \/>\nTendo reparado que somos isolados, sobrevem a sensa\u00e7\u00e3o de que sempre fomos assim.<br \/>\n\u00c9 uma in\u00e9pcia, o instinto da constrangedora consci\u00eancia de si mesmo. \u00c9 tamb\u00e9m uma desculpa para permanecermos independentes, um gr\u00e3o de areia individual. Um tipo agressivo de ignor\u00e2ncia, embora n\u00e3o exatamente agressivo no sentido de col\u00e9rico; ele ainda n\u00e3o se desenvolveu tanto assim. Trata-se antes de agress\u00e3o no sentido de nos sentirmos desajeitados, desequilibrados e, por isso mesmo, de tentarmos garantir o nosso territ\u00f3rio, de criar um abrigo para n\u00f3s. \u00c9 a atitude do indiv\u00edduo confuso e separado, e isso \u00e9 tudo. N\u00f3s nos identificamos como separados da paisagem b\u00e1sica do espa\u00e7o e da abertura.<br \/>\nO terceiro tipo de ignor\u00e2ncia \u00e9 a &#8220;ignor\u00e2ncia que se observa&#8221;, que se vigia. h\u00e1 um sentido de nos vermos como um objeto externo, o que nos conduz \u00e0 primeira no\u00e7\u00e3o do &#8220;outro&#8221;.<br \/>\nEstamos come\u00e7ando a relacionar-nos com um mundo chamado &#8220;externo&#8221;. \u00c9 por isso que os tr\u00eas est\u00e1gios da ignor\u00e2ncia constituem o skandha da forma-ignor\u00e2ncia; estamos come\u00e7ando a criar o mundo das formas.<br \/>\nQuando falamos de &#8220;ignor\u00e2ncia&#8221;, n\u00e3o queremos, de maneira alguma, dizer estupidez. Em certo sentido, a ignor\u00e2ncia \u00e9 muito inteligente, mas \u00e9 uma intelig\u00eancia bidirecional. Isto \u00e9, reagimos meramente \u00e0s nossas proje\u00e7\u00f5es em lugar de diretamente limitar-nos a ver o que \u00e9. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma situa\u00e7\u00e3o de &#8220;deixar ser&#8221;, porque ignoramos o que somos durante o tempo todo. Esta \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>[Ch\u00f6gyam Trungpa, Al\u00e9m do Materialismo Espiritual ]<\/p>\n<p>Skandhas, os cinco agregados<\/p>\n<p>1. Forma (s\u00e2nsc. Rupa): refere-se ao mundo f\u00edsico, ao corpo e a todas as coisas percebidas pelos sentidos, simbolicamente representado pelos quatro elementos; terra, \u00e1gua, ar e fogo.<br \/>\n2. Sensa\u00e7\u00f5es ou sentimentos (s\u00e2nsc. vedana): s\u00e3s as experi\u00eancias agrad\u00e1veis, desagrad\u00e1veis ou neutras, resultantes dos contatos dos \u00f3rg\u00e3os dos sentidos (olhos, ouvidos, nariz, l\u00edngua, corpo, mente) com seus objetos (cores, sons, cheiros, sabores, formas\/texturas e pensamentos).<\/p>\n<p>3. Percep\u00e7\u00f5es (s\u00e2nsc. samjana): diferencia\u00e7\u00e3o de cores, sons, odores, sabores, formas (incluindo texturas) e pensamentos.<\/p>\n<p>4. Vontade ou forma\u00e7\u00f5es (s\u00e2nsc. samskara): o terceiro dos doze elos, abrange todas as atividades volitivas, todas as a\u00e7\u00f5es (s\u00e2nsc. karma) do corpo, da fala e da mente.<\/p>\n<p>5. Consci\u00eancia (s\u00e2nsc. vijnana): inclui os seis tipos de consci\u00eancia que surgem do contato dos \u00f3rg\u00e3os dos sentidos com seus respectivos objetos; consci\u00eancia visual, consci\u00eancia auditiva, consci\u00eancia olfativa, consci\u00eancia gustativa, consci\u00eancia corporal e consci\u00eancia mental.<\/p>\n<p>Se o &#8220;eu&#8221; ou &#8220;pessoa&#8221; existisse independentemente, separado dos agregados, ent\u00e3o mesmo ap\u00f3s desintegr\u00e1-los seria poss\u00edvel apontar um &#8220;eu&#8221; ou &#8220;pessoa&#8221; independente destes agregados; mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Se o &#8220;eu&#8221; ou &#8220;pessoa&#8221; fosse uma entidade totalmente separada dos agregados, ent\u00e3o n\u00e3o deveria existir qualquer rela\u00e7\u00e3o entre o &#8220;eu&#8221; e os agregados.<br \/>\nSe o &#8220;eu&#8221; existisse em unidade com os agregados, ent\u00e3o surgiria uma contradi\u00e7\u00e3o, pois se os agregados s\u00e3o m\u00faltiplos, o &#8220;eu&#8221; tamb\u00e9m deveria ser m\u00faltiplo. E quando esta vida presente cessa no momento da hora da morte, a continuidade do &#8220;eu&#8221; tamb\u00e9m deveria cessar; o que tamb\u00e9m n\u00e3o acontece.<\/p>\n<p>Dalai Lama, Path to Bliss<\/p>\n<p>Geralmente, quando falamos sobre &#8220;mim&#8221; e &#8220;meu&#8221;, e quando falamos sobre &#8220;eu mesmo&#8221; e &#8220;quem eu sou&#8221;, estamos falando sobre alguma id\u00e9ia que temos, algum conceito de &#8220;um ser&#8221;. Quando olhamos para n\u00f3s mesmos, nossa mente cria alguma imagem, tanto atrav\u00e9s da vis\u00e3o quanto da audi\u00e7\u00e3o; atrav\u00e9s de um dos cinco sentidos; e ent\u00e3o decidimos que isso \u00e9 o que vemos ou ouvimos, etc. Temos um tipo de vis\u00e3o parcial do que esta pessoa \u00e9. Mas, realmente, vemos algo em sua total realidade? No Dharma de Buddha, dizemos que n\u00e3o h\u00e1 um eu, n\u00e3o h\u00e1 a natureza de eu permanente. Este ser que encontramos como n\u00f3s mesmos, ou como qualquer um, \u00e9 um &#8220;confec\u00e7\u00e3o&#8221;, algo &#8220;agregado&#8221;, constitu\u00eddo pela forma, sensa\u00e7\u00f5es, percep\u00e7\u00f5es, forma\u00e7\u00f5es mentais (pensamentos de v\u00e1rios tipos) e consci\u00eancia. Dentre destas cinco categorias, deveria ser achado o que chamamos de &#8220;ser humano&#8221;. Mas, dentro dos cinco skandhas, n\u00e3o h\u00e1 um eu permanente, nenhum eu inerente.<\/p>\n<p>Sojun Weitsman Roshi, Lectures on the Heart Sutra<\/p>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANATTA \/ VERDADES \/ VACUIDADE \/ KARMA \/ RODA DA VIDA O primeiro serm\u00e3o de Buda Shakyamuni foi dado aos cinco ascetas que estavam no Parque da Gazelas em Sarnath, Benares. Nesse serm\u00e3o, Buddha exp\u00f4s os ensinamentos fundamentais do budismo: &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/742\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":147,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-742","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meditacao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/742","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=742"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/742\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1198,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/742\/revisions\/1198"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/147"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}