{"id":770,"date":"2013-11-15T22:51:18","date_gmt":"2013-11-16T00:51:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=770"},"modified":"2018-02-10T14:49:43","modified_gmt":"2018-02-10T16:49:43","slug":"770","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/770\/","title":{"rendered":"Estudar a si mesmo"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=1288\" rel=\"attachment wp-att-1288\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/bodidarma.jpeg\" alt=\"\" width=\"758\" height=\"332\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1288\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/bodidarma.jpeg 758w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/bodidarma-300x131.jpeg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/bodidarma-500x219.jpeg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 758px) 100vw, 758px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se trata de ter um profundo sentimento acerca do budismo; simplesmente fazemos o que deve ser feito, tal como jantar e ir para a cama. Budismo \u00e9 isso.&#8221;<\/p>\n<p>O prop\u00f3sito do estudo do budismo n\u00e3o \u00e9 estudar budismo, mas estudar a n\u00f3s mesmos. \u00c9 imposs\u00edvel estudar a n\u00f3s mesmos sem algum ensinamento. Para saber o que \u00e9 a \u00e1gua, voc\u00ea precisa da ci\u00eancia, e o cientista, de um laborat\u00f3rio. No laborat\u00f3rio h\u00e1 v\u00e1rios meios de estudar o que \u00e9 a \u00e1gua. Assim torna-se poss\u00edvel saber os elementos que ela cont\u00e9m, quais as diferentes formas que assume e qual a sua natureza. Contudo, \u00e9 imposs\u00edvel saber por esse meio o que \u00e9 a \u00e1gua em si. Acontece o mesmo conosco. Precisamos de algumas instru\u00e7\u00f5es, mas s\u00f3 pelo estudo do que foi ensinado n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber o que \u201ceu\u201d sou em mim mesmo. Atrav\u00e9s do ensino podemos compreender nossa natureza humana. Por\u00e9m, os ensinamentos n\u00e3o s\u00e3o n\u00f3s mesmos: s\u00e3o uma explica\u00e7\u00e3o sobre n\u00f3s. Portanto, se voc\u00ea se apegar ao ensinamento ou ao mestre, cair\u00e1 em grande erro. Quando encontrar um mestre deve \u201cdeix\u00e1-lo\u201d e ser independente. Voc\u00ea tem necessidade de mestre para tornar-se independente. Se n\u00e3o se apegar a ele, o mestre lhe mostrar\u00e1 o caminho em dire\u00e7\u00e3o a voc\u00ea mesmo, e voc\u00ea ter\u00e1 um mestre por voc\u00ea e n\u00e3o por ele.<br \/>\nRinzai, um dos primeiros mestres do Zen chin\u00eas, explicou quatro maneiras de ensinar a seus disc\u00edpulos. Por vezes ele falava acerca do pr\u00f3prio disc\u00edpulo, outras, acerca do pr\u00f3prio ensinamento; e, finalmente, \u00e0s vezes n\u00e3o dava nenhuma instru\u00e7\u00e3o aos disc\u00edpulos. Ele sabia que, mesmo sem receber ensinamento, um estudante \u00e9 um estudante, porque ele \u00e9 o pr\u00f3prio Buda, ainda que n\u00e3o esteja ciente disso. E, mesmo que ele tenha consci\u00eancia de sua verdadeira consci\u00eancia, se apegar-se a ela, j\u00e1 estar\u00e1 incorrendo em erro. Quando n\u00e3o est\u00e1 consciente disso, ele tem tudo, mas quando se torna consciente disso, ele pensa que \u00e9 aquilo de que tem consci\u00eancia, o que \u00e9 um grande equ\u00edvoco.<\/p>\n<p>Quando nada est\u00e1 sendo dito pelo seu mestre e voc\u00ea est\u00e1 simplesmente sentado em zazen, a isso chamamos ensino sem ensinamento. Mas \u00e0s vezes isso n\u00e3o basta, ent\u00e3o escutamos palestras e participamos de debates, Contudo, n\u00e3o devemos esquecer que o prop\u00f3sito fundamental da pr\u00e1tica \u00e9 estudar a n\u00f3s mesmos. Estudamos para tornarmo-nos independentes. Como os cientistas, temos que dispor de meios para estudar. Precisamos de um professor porque \u00e9 imposs\u00edvel estudar a si mesmo por conta pr\u00f3pria. Mas n\u00e3o se engane, n\u00e3o tome para si pr\u00f3prio aquilo que aprendeu do mestre. O estudo que voc\u00ea faz com seu mestre \u00e9 parte de sua vida di\u00e1ria, parte de uma atividade incessante. Nesse sentido, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre a pr\u00e1tica e a atividade da sua vida di\u00e1ria. Portanto, encontrar o sentido de sua vida no zend\u00f4 \u00a0\u00e9 encontrar o sentido de sua atividade cotidiana. Pratica-se zazen para tomar consci\u00eancia do sentido da vida. [&#8230;]<br \/>\nEnt\u00e3o, entre as quatro formas de pr\u00e1tica do mestre Rinzai, a mais perfeita \u00e9 que n\u00e3o d\u00e1 ao estudante nenhuma interpreta\u00e7\u00e3o dele pr\u00f3prio e tampouco lhe oferece est\u00edmulos. Se n\u00f3s considerarmos um corpo, o ensinamento poderia ser, talvez, nossa roupa. \u00c0s vezes falamos sobre nossa roupa, \u00e0s vezes sobre nosso corpo. Mas nem o corpo nem a roupa s\u00e3o na verdade n\u00f3s mesmos. N\u00f3s pr\u00f3prios somos a grande atividade. Estamos simplesmente expressando a mais \u00ednfima parcela da grande atividade, eis tudo. Ent\u00e3o est\u00e1 certo falar de n\u00f3s mesmos, mas n\u00e3o h\u00e1 de fato necessidade disso. Antes de abrir a boca, j\u00e1 estamos expressando a grande exist\u00eancia, inclusive n\u00f3s mesmos. Ent\u00e3o, o prop\u00f3sito de falar sobre n\u00f3s mesmos \u00e9 corrigir o mal-entendido que surge quando estamos apegados a alguma forma ou cor circunstancial da grande atividade \u00c9 necess\u00e1rio falar sobre o que \u00e9 nosso corpo, o que \u00e9 nossa atividade, para que n\u00e3o cometamos equ\u00edvocos a esse respeito. Portanto, falar de n\u00f3s mesmos \u00e9, na verdade, esquecermo-nos de n\u00f3s mesmos.<br \/>\nO mestre Dogen disse: \u201cEstudar budismo \u00e9 estudar a n\u00f3s mesmos. Estudar a n\u00f3s mesmos \u00e9 esquecermo-nos de n\u00f3s mesmos\u201d.<br \/>\nQuando voc\u00ea se apega a uma express\u00e3o circunstancial de sua natureza, \u00e9 necess\u00e1rio falar de budismo, do contr\u00e1rio voc\u00ea poder\u00e1 pensar que essa express\u00e3o temporal \u00e9 a sua verdadeira natureza. Contudo, ela n\u00e3o \u00e9 sua verdadeira natureza. E, no entanto, ao mesmo tempo tamb\u00e9m \u00e9. \u00c9 durante um momento; \u00e9 durante a mais \u00ednfima fra\u00e7\u00e3o de tempo. Mas n\u00e3o \u00e9 sempre assim: no instante seguinte j\u00e1 deixa de ser e por isso mesmo n\u00e3o \u00e9. Para que se compreenda esse fato \u00e9 necess\u00e1rio estudar budismo. Mas o prop\u00f3sito de estudar budismo \u00e9 estudar a n\u00f3s mesmos e esquecermo-nos de n\u00f3s mesmos. Quando nos esquecemos de n\u00f3s mesmos, somos de fato a verdadeira atividade da grande exist\u00eancia, ou a pr\u00f3pria realidade. Quando percebemos isto, deixa de haver qualquer problema neste mundo e podemos desfrutar a nossa vida sem sentir quaisquer dificuldades. O prop\u00f3sito de nossa pr\u00e1tica \u00e9 nos apercebermos desse fato.<\/p>\n<p>MENTE ZEN, Mente de Principiante &#8211; Shunryu Suzuki<\/p>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &#8220;N\u00e3o se trata de ter um profundo sentimento acerca do budismo; simplesmente fazemos o que deve ser feito, tal como jantar e ir para a cama. Budismo \u00e9 isso.&#8221; O prop\u00f3sito do estudo do budismo n\u00e3o \u00e9 estudar budismo, &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/770\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1288,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-770","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meditacao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/770","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=770"}],"version-history":[{"count":7,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/770\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1491,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/770\/revisions\/1491"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1288"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=770"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=770"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=770"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}