{"id":78,"date":"2012-11-13T20:21:59","date_gmt":"2012-11-13T22:21:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=78"},"modified":"2018-02-12T19:33:15","modified_gmt":"2018-02-12T21:33:15","slug":"bodhidharma-ensinamentos-zen","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/bodhidharma-ensinamentos-zen\/","title":{"rendered":"Ensinamentos Zen de Bodhidharma _ Parte 2"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=1264\" rel=\"attachment wp-att-1264\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/chan.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"314\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1264\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/chan.jpg 225w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/chan-215x300.jpg 215w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><br \/>\n<strong>SERM\u00c3O DO DESPERTAR<\/strong><\/p>\n<p>A ess\u00eancia do Caminho \u00e9 desapego. E o objetivo daqueles que praticam \u00e9 liberar-se das apar\u00eancias. Dizem os <em>sutras:<\/em> \u201cO desapego \u00e9 ilumina\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o se prende as apar\u00eancias\u201d. A buditude significa consci\u00eancia. Os mortais cujas mentes s\u00e3o conscientes alcan\u00e7am o Caminho da Ilumina\u00e7\u00e3o e s\u00e3o, portanto chamados budas. Dizem os <em>sutras:<\/em> <em>\u201cAqueles que se libertam de todas as apar\u00eancias s\u00e3o chamados de budas\u201d.<\/em> O aspecto da apar\u00eancia como n\u00e3o-apar\u00eancia n\u00e3o pode ser percebida visualmente, mas pode somente ser conhecida atrav\u00e9s da sabedoria. Quem quer que escute e acredite neste ensinamento embarcar\u00e1 no grande ve\u00edculo<sup>(53)<\/sup> e abandonar\u00e1 os tr\u00eas reinos.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas venenos s\u00e3o o desejo, o \u00f3dio e a ignor\u00e2ncia. Deixar os tr\u00eas venenos significa ir do desejo, raiva e ignor\u00e2ncia de volta \u00e0 moralidade, medita\u00e7\u00e3o e sabedoria. O desejo, a raiva e a ignor\u00e2ncia n\u00e3o t\u00eam natureza pr\u00f3pria. Dependem dos mortais, e qualquer um capaz de refletir ver\u00e1 que a natureza do desejo, do \u00f3dio e da ignor\u00e2ncia \u00e9 a natureza b\u00fadica. Al\u00e9m do desejo, \u00f3dio e ignor\u00e2ncia n\u00e3o h\u00e1 sen\u00e3o a natureza de b\u00fadica. Dizem os <em>sutras:<\/em> <em>\u201cOs budas s\u00f3 se converteram em budas enquanto viviam com os tr\u00eas venenos alimentando-se do puro Dharma\u201d.<\/em> Os tr\u00eas venenos s\u00e3o o desejo, o \u00f3dio e a ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O grande ve\u00edculo \u00e9 o maior dos ve\u00edculos. \u00c9 o meio de transporte dos <em>bodhisattvas<\/em> que usam tudo sem usar nada e que viajam todo dia sem viajar. Tal \u00e9 o ve\u00edculo dos <em>bodhisattvas<\/em>. Dizem os <em>sutras: \u201cNenhum ve\u00edculo \u00e9 o ve\u00edculo dos budas\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Quem compreender que os seis sentidos<sup>(54)<\/sup> n\u00e3o s\u00e3o reais, que os cinco agregados<sup>(55)<\/sup> s\u00e3o fic\u00e7\u00e3o, e que nenhum deles pode ser localizado em alguma parte do corpo, compreende a linguagem dos budas. Dizem os <em>sutras:<\/em> <em>\u201cA caverna dos cinco agregados \u00e9 o vest\u00edbulo do zen. A abertura do olho da mente \u00e9 a porta do Grande Ve\u00edculo\u201d<\/em>. N\u00e3o pode ser mais claro.<\/p>\n<p>N\u00e3o pensar em coisa alguma \u00e9 zen. Sabendo disso, caminhar, estar em p\u00e9, sentar-se ou deitar-se, tudo o que fizer \u00e9 zen. Saber que a mente \u00e9 vazia \u00e9 ver o Buda. Os budas das dez dire\u00e7\u00f5es<sup>(56)<\/sup> n\u00e3o t\u00eam mente. Ver a n\u00e3o-mente \u00e9 ver o Buda.<\/p>\n<p>Desistir de si mesmo sem pesar \u00e9 a maior compaix\u00e3o. Transcender movimento e imobilidade \u00e9<em> <\/em>a maior medita\u00e7\u00e3o. Os mortais permanecem em movimento, e os <em>arhats <\/em><sup>(57)<\/sup> permanecem im\u00f3veis. Por\u00e9m a mais elevada das medita\u00e7\u00f5es transcende tanto a dos mortais como a dos <em>arhats.<\/em> Aqueles que alcan\u00e7aram tal compreens\u00e3o liberam-se de todas as apar\u00eancias sem esfor\u00e7o e curam qualquer enfermidade sem tratamento. Tal \u00e9 o poder do grande zen.<\/p>\n<p>Usar a mente para procurar a realidade \u00e9 ignor\u00e2ncia. N\u00e3o usar a mente para buscar a realidade \u00e9 conhecimento. Libertar-se das palavras \u00e9 libera\u00e7\u00e3o. Permanecer sem m\u00e1culas do p\u00f3 da sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 permanecer no <em>Dharma<\/em>. Transcender vida e morte \u00e9 abandonar o lar <sup>(58)<\/sup>. N\u00e3o sofrer outra exist\u00eancia \u00e9 alcan\u00e7ar o Caminho. N\u00e3o criar ignor\u00e2ncia \u00e9 ilumina\u00e7\u00e3o. N\u00e3o agarra-se \u00e0 ignor\u00e2ncia \u00e9 sabedoria. Nenhuma afli\u00e7\u00e3o \u00e9 <em>nirvana<\/em>. E o n\u00e3o surgimento da mente (conceitual) \u00e9 a outra margem.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea \u00e9 ignorante, esta margem existe. Quando voc\u00ea desperta, ela deixa de existir<em>.<\/em> Os mortais permanecem nesta margem, mas aqueles que descobrem o maior de todos os ve\u00edculos n\u00e3o ficam nem nesta margem nem na outra margem. S\u00e3o capazes de viver em ambas as margens. Aqueles que v\u00eaem a outra margem como diferente desta n\u00e3o compreendem o zen.<\/p>\n<p>A ignor\u00e2ncia significa mortalidade. E o conhecimento significa buditude. N\u00e3o s\u00e3o iguais e tampouco s\u00e3o diferentes. Por\u00e9m as pessoas distinguem a ignor\u00e2ncia do conhecimento. Quando somos ignorantes h\u00e1 um mundo do qual escapar. Quando somos conscientes, n\u00e3o h\u00e1 nada do que escapar.<\/p>\n<p>\u00c0 luz do <em>Dharma<\/em> imparcial, os mortais n\u00e3o s\u00e3o diferentes dos s\u00e1bios. Os <em>sutras<\/em> dizem que o <em>Dharma<\/em> imparcial \u00e9 algo que os mortais n\u00e3o podem penetrar nem os s\u00e1bios praticar. O <em>Dharma<\/em> imparcial somente \u00e9 praticado por grandes <em>budas <\/em>e<em> bodhisattvas<\/em>. Ver a morte como diferente da vida ou o movimento como diferente da imobilidade \u00e9 ser parcial. Ser imparcial significa ver o sofrimento como n\u00e3o diferente do <em>nirvana<\/em>, pois a natureza de ambos \u00e9 o vazio. Imaginando que acabar\u00e3o com o sofrimento e entrar\u00e3o no <em>nirvana,<\/em> os <em>arhats<\/em> acabam presos na armadilha do <em>nirvana<\/em>. Por\u00e9m os <em>bodhisattvas<\/em> sabem que o sofrimento \u00e9 essencialmente vazio e permanecendo no vazio eles permanecem no <em>nirvana<\/em>. O <em>nirvana<\/em> significa, nem nascimento e nem morte. Est\u00e1 al\u00e9m de nascimento e morte e al\u00e9m do <em>nirvana<\/em>. Quando a mente p\u00e1ra de mover-se ela entra no <em>nirvana<\/em>. <em>Nirvana<\/em> \u00e9 uma mente vazia. Quando n\u00e3o existe a ignor\u00e2ncia, os budas alcan\u00e7am o <em>nirvana<\/em>. Quando n\u00e3o existem afli\u00e7\u00f5es, os <em>bodhisattvas<\/em> entram no lugar da ilumina\u00e7\u00e3o<sup>(59).<\/sup><\/p>\n<p>Um lugar desabitado<sup>(60)<\/sup> \u00e9 aquele sem desejo, \u00f3dio ou ignor\u00e2ncia. A avidez \u00e9 o <em>reino do desejo<\/em>, o \u00f3dio \u00e9 o <em>reino da forma<\/em> e a ignor\u00e2ncia o <em>reino sem forma<\/em>. Quando um pensamento come\u00e7a, voc\u00ea entra nos tr\u00eas reinos. Quando um pensamento termina, voc\u00ea deixa os tr\u00eas reinos. O princ\u00edpio ou fim dos tr\u00eas reinos, a exist\u00eancia ou n\u00e3o exist\u00eancia de tudo, depende da mente. Isto se aplica a tudo, mesmo aos objetos inanimados como pau e pedra.<\/p>\n<p>Quem souber que a mente \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o e est\u00e1 vazia de algo real, sabe que sua pr\u00f3pria mente nem existe nem n\u00e3o existe. Os mortais seguem criando a mente, proclamando que existe. Os <em>arhats<\/em> seguem negando a mente, proclamando que n\u00e3o existe. Mas os <em>bodhisattvas<\/em> e budas nem criam nem negam a mente. Isso significa que a mente nem existe nem n\u00e3o existe. <em>A mente que nem existe nem n\u00e3o existe \u00e9 chamada Caminho do Meio<sup>(61)<\/sup>.<\/em><\/p>\n<p>Se voc\u00ea usa sua mente para estudar a realidade, voc\u00ea n\u00e3o vai entender nem sua mente nem a realidade. Se estudar a realidade sem usar sua mente, voc\u00ea entender\u00e1 ambas. Aqueles que n\u00e3o compreendem, n\u00e3o entendem o entendimento. Aqueles que compreendem, entendem o entendimento. As pessoas capazes de verdadeira vis\u00e3o<sup>(62)<\/sup> sabem que a mente \u00e9 vazia, transcendem tanto compreens\u00e3o \u00a0como n\u00e3o compreens\u00e3o. A aus\u00eancia de compreens\u00e3o e n\u00e3o compreens\u00e3o \u00e9 a verdadeira compreens\u00e3o<em>.<\/em><\/p>\n<p>Vista com a verdadeira vis\u00e3o, a forma n\u00e3o \u00e9 simplesmente forma, pois a forma depende da mente. E a mente n\u00e3o \u00e9 simplesmente mente, pois a mente depende da forma. Mente e forma criam e negam uma \u00e0 outra. O que existe o faz em rela\u00e7\u00e3o ao que n\u00e3o existe. E o que n\u00e3o existe, n\u00e3o existe em rela\u00e7\u00e3o ao que existe. Esta \u00e9 a verdadeira vis\u00e3o. Por meio de tal vis\u00e3o nada \u00e9 visto e nada \u00e9 n\u00e3o visto. Tal vis\u00e3o penetra as dez dire\u00e7\u00f5es sem ver: porque nada \u00e9 visto; porque n\u00e3o ver \u00e9 ver; porque ver \u00e9 n\u00e3o ver. O que os mortais v\u00eam s\u00e3o ilus\u00f5es. A verdadeira vis\u00e3o est\u00e1 al\u00e9m de ver.<\/p>\n<p>A mente e o mundo s\u00e3o opostos, e a vis\u00e3o nasce onde eles se encontram<em>.<\/em> Quando a mente n\u00e3o se agita interiormente, o mundo n\u00e3o aparece exteriormente. A verdadeira vis\u00e3o \u00e9 quando tanto o mundo como a mente s\u00e3o ambos transparentes. E essa vis\u00e3o \u00e9 a verdadeira vis\u00e3o. E tal compreens\u00e3o \u00e9 a verdadeira compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Nada ver \u00e9 perceber o Caminho, e nada compreender \u00e9 compreender o Dharma, pois ver n\u00e3o \u00e9 ver nem n\u00e3o ver e porque compreender n\u00e3o \u00e9 compreender nem n\u00e3o compreender. Ver sem ver \u00e9 verdadeira vis\u00e3o. Compreender sem compreender \u00e9 verdadeira compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>A verdadeira vis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 somente ver vendo, \u00e9 tamb\u00e9m ver n\u00e3o vendo. E a verdadeira compreens\u00e3o n\u00e3o \u00e9 somente compreender compreendendo, tamb\u00e9m \u00e9 compreender n\u00e3o compreendendo. Se compreenderes tudo, ent\u00e3o \u00e9 porque voc\u00ea n\u00e3o compreende. Somente quando voc\u00ea nada compreende \u00e9 a verdadeira compreens\u00e3o. Compreender \u00e9 nem compreender nem n\u00e3o compreender.<\/p>\n<p>Dizem os <em>sutras:<\/em> \u201cN\u00e3o abandonar a sabedoria \u00e9 estupidez\u201d. Quando a mente n\u00e3o existe, tanto compreender como n\u00e3o compreender s\u00e3o verdadeiros. Quando a mente existe, compreender e n\u00e3o compreender s\u00e3o\u00a0 falsos.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea compreende, a realidade depende de voc\u00ea. Quando voc\u00ea n\u00e3o compreende, voc\u00ea depende da realidade. Quando a realidade depende de voc\u00ea, o que n\u00e3o \u00e9 real torna-se real. Quando \u00e9 voc\u00ea que depende da realidade, o que \u00e9 real torna-se falso. Quando \u00e9 voc\u00ea que depende da realidade, o que \u00e9 real torna-se falso. \u00a0Quando voc\u00ea depende da realidade, tudo \u00e9 falso. Quando a realidade depende de voc\u00ea, tudo \u00e9 verdade. Assim, pois o s\u00e1bio n\u00e3o usa sua mente para buscar a realidade, ou a realidade para buscar sua mente, ou sua mente para buscar a mente, ou a realidade para buscar a realidade. Sua mente n\u00e3o faz aparecer a realidade. E a realidade n\u00e3o faz aparecer a sua mente. E porque ambas, sua mente e a realidade s\u00e3o im\u00f3veis, ele est\u00e1 sempre em <em>samadi <sup>(<\/sup><\/em><em><sup>63)<\/sup>.<\/em><\/p>\n<p>Quando aparece a mente mortal, a buditude desaparece. Quando desaparece a mente mortal, a buditude aparece. Quando a mente aparece, a realidade desaparece. Quando a mente desaparece, a realidade aparece. Quem souber que o vazio n\u00e3o depende de nada encontrou o Caminho. Quem souber que a mente de nada depende est\u00e1 sempre no local da ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea n\u00e3o compreende, est\u00e1 errado. Quando compreende, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 errado. \u00c9 assim porque a natureza do erro \u00e9 o vazio. Quando voc\u00ea n\u00e3o compreende, o certo parece errado. Quando voc\u00ea compreende, o errado n\u00e3o \u00e9 errado, pois o errado n\u00e3o existe. Dizem os <em>sutras:<\/em> <em>\u201cNada tem uma natureza pr\u00f3pria\u201d.<\/em> Aja. N\u00e3o fa\u00e7a perguntas. Quando voc\u00ea faz perguntas, voc\u00ea est\u00e1 errado. O erro \u00e9 resultado do questionar. Quando voc\u00ea alcan\u00e7a tal entendimento, as a\u00e7\u00f5es equivocadas de suas vidas passadas s\u00e3o varridas. Quando voc\u00ea vive na ignor\u00e2ncia, os seis sentidos e as cinco trevas<sup>(64)<\/sup> s\u00e3o causadoras do sofrimento e da mortalidade. Quando voc\u00ea desperta, os seis sentidos e as cinco trevas s\u00e3o os causadores do <em>nirvana<\/em> e da imortalidade.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m que busca o caminho n\u00e3o busca al\u00e9m de si-mesmo, pois sabe que a mente \u00e9 o Caminho. Mas quando busca a mente, n\u00e3o encontra nada. E quando encontra o Caminho, n\u00e3o encontra nada. Se voc\u00ea pensa que pode usar a mente para achar o Caminho, voc\u00ea est\u00e1 na ignor\u00e2ncia. Quando se vive na ignor\u00e2ncia, existe a buditude. Quando voc\u00ea est\u00e1 consciente, n\u00e3o existe tal coisa. \u00c9 assim porque a consci\u00eancia \u00e9 buditude.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea buscar o caminho, o caminho n\u00e3o aparecer\u00e1 at\u00e9 que seu corpo desapare\u00e7a. \u00c9 como descascar uma \u00e1rvore. Esse corpo <em>c\u00e1rmico<\/em> sofre mudan\u00e7as constantes. N\u00e3o h\u00e1 realidade fixa. Pratique de acordo com seus pensamentos. N\u00e3o odeie a vida e a morte e n\u00e3o ame a vida e a morte. Mant\u00e9m cada um de seus pensamentos livre da ignor\u00e2ncia e em vida presenciar\u00e1 o princ\u00edpio do <em>nirvana <sup>(65)<\/sup><\/em>, e na morte experimentar\u00e1 a garantia de n\u00e3o renascer <sup>(66)<\/sup>.<\/p>\n<p>Ver a forma, mas n\u00e3o ser corrompido pela forma e ouvir o som, mas n\u00e3o ser corrompido pelo som \u00e9 libera\u00e7\u00e3o<em>.<\/em> Olhos que n\u00e3o s\u00e3o apegados \u00e0 forma s\u00e3o os Portais do Zen. Ouvidos que n\u00e3o s\u00e3o apegados ao som s\u00e3o tamb\u00e9m os Portais do Zen. Resumindo, aqueles que percebem a exist\u00eancia e a natureza dos fen\u00f4menos e permanecem desapegados s\u00e3o liberados. Aqueles que s\u00f3 percebem a apar\u00eancia externa dos fen\u00f4menos est\u00e3o a sua merc\u00ea. Libera\u00e7\u00e3o significa n\u00e3o estar sujeito \u00e0 afli\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 outra libera\u00e7\u00e3o. Quando voc\u00ea sabe como olhar para a forma, a forma n\u00e3o origina a mente e a mente n\u00e3o origina forma. Forma e mente s\u00e3o ambas puras.<\/p>\n<p>Quando as ilus\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o presentes, a mente \u00e9 a terra dos budas. Quando as ilus\u00f5es est\u00e3o presentes, a mente \u00e9 o inferno<em>.<\/em> Os mortais criam ilus\u00f5es. E atrav\u00e9s do uso da mente para dar origem \u00e0 mente eles sempre se encontram no inferno. Os <em>bodhisattvas<\/em> v\u00eaem atrav\u00e9s das ilus\u00f5es. E por n\u00e3o usarem a mente para gerar a mente eles sempre se encontram na terra dos budas. Se voc\u00ea n\u00e3o usa sua mente para criar mente, cada estado da mente \u00e9 vazio e cada pensamento im\u00f3vel. Voc\u00ea vai de uma terra de buda<sup>67<\/sup> para outra. Se voc\u00ea usa sua mente para criar mente, cada estado da mente est\u00e1 perturbado e cada pensamento est\u00e1 em movimento. Voc\u00ea vai de um inferno para o seguinte. Quando um pensamento nasce, h\u00e1 bom <em>carma<\/em> e mau <em>carma<\/em>, c\u00e9u e inferno. Quando nenhum pensamento nasce, n\u00e3o h\u00e1 bom <em>carma<\/em> ou mau <em>carma<\/em>, n\u00e3o existe c\u00e9u ou inferno. O corpo n\u00e3o existe nem n\u00e3o existe. Portanto, a exist\u00eancia como mortal e a n\u00e3o exist\u00eancia como s\u00e1bio s\u00e3o concep\u00e7\u00f5es com as quais um s\u00e1bio nada tem a ver. Seu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 vazio e espa\u00e7oso como o c\u00e9u. O que se segue \u00e9 testemunhado no caminho. Est\u00e1 al\u00e9m do alcance de <em>arhats<\/em> e mortais.<\/p>\n<p>Quando a mente alcan\u00e7a o nirvana, voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea o nirvana, pois essa mente \u00e9 o nirvana. Se voc\u00ea v\u00ea o nirvana em algum lugar fora da mente, voc\u00ea est\u00e1 se iludindo.<\/p>\n<p>Cada sofrimento \u00e9 uma semente de buda, porque o sofrimento impele os mortais a buscar a sabedoria. Mas voc\u00ea apenas pode dizer que o sofrimento gera a buditude. Voc\u00ea n\u00e3o pode dizer que o sofrimento \u00e9 buditude. Seu corpo e mente s\u00e3o o solo. O sofrimento \u00e9 a semente, a sabedoria \u00e9 o broto e a <em>buditude<\/em> o fruto.<\/p>\n<p>O buda est\u00e1 para a mente assim como a fragr\u00e2ncia est\u00e1 para a \u00e1rvore. O buda \u00e9 proveniente de uma mente livre de sofrimento, tal como uma fragr\u00e2ncia prov\u00e9m de uma \u00e1rvore que n\u00e3o tem partes podres. N\u00e3o h\u00e1 fragr\u00e2ncia sem a \u00e1rvore e nenhum buda sem a mente. Se h\u00e1 fragr\u00e2ncia sem \u00e1rvore, \u00e9 uma fragr\u00e2ncia diferente. Se h\u00e1 buda sem sua mente, \u00e9 um buda diferente.<\/p>\n<p>Quando os tr\u00eas venenos est\u00e3o presentes em sua mente, voc\u00ea vive numa terra imunda. Quando os tr\u00eas venenos est\u00e3o ausentes de sua mente, voc\u00ea vive numa terra de pureza. Dizem os <em>sutras<\/em>: \u201cSe voc\u00ea encher uma terra de impurezas e imund\u00edcies, jamais um buda aparecer\u00e1\u201d. Impurezas e imund\u00edcies referem-se \u00e0 ilus\u00e3o e outros venenos. Um buda refere-se a uma mente pura e desperta.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 linguagem que n\u00e3o seja o <em>Dharma<\/em>. Ficar o dia inteiro sem dizer coisa alguma \u00e9 o caminho. Ficar silencioso o dia inteiro e ainda dizer algo n\u00e3o \u00e9 o caminho. Portanto, a fala do <em>Tathagata<\/em> n\u00e3o depende do sil\u00eancio, nem o seu sil\u00eancio depende da fala, nem sua fala existe em separado do seu sil\u00eancio. Aqueles que entendem tanto fala como sil\u00eancio est\u00e3o em <em>samadi<\/em>. Se voc\u00ea fala quando voc\u00ea sabe, sua fala \u00e9 livre. Se voc\u00ea fica silencioso quando voc\u00ea n\u00e3o sabe, seu sil\u00eancio est\u00e1 amarrado. Se a fala n\u00e3o \u00e9 apegada \u00e0s apar\u00eancias, ela \u00e9 livre. Se o sil\u00eancio \u00e9 apegado \u00e0s apar\u00eancias, est\u00e1 amarrado. A linguagem \u00e9 essencialmente livre. Nada tem a ver com apego. E o apego nada tem a ver com a linguagem.<\/p>\n<p>A realidade n\u00e3o tem altos e baixos. Se voc\u00ea v\u00ea altos e baixos, n\u00e3o \u00e9 real. Uma balsa<sup>(68)<\/sup> n\u00e3o \u00e9 real. Mas um passageiro da balsa \u00e9. Uma pessoa que usa tal balsa pode cruzar aquilo que n\u00e3o \u00e9 real. \u00c9 por isso que \u00e9 real.<\/p>\n<p>De acordo com o mundo existe macho e f\u00eamea, rico e pobre. De acordo com o caminho n\u00e3o h\u00e1 macho e f\u00eamea, n\u00e3o h\u00e1 rico ou pobre. Quando a deusa descobre o caminho, ela n\u00e3o muda de sexo. Quando o garoto apunhalado<sup>(69)<\/sup> despertou para a verdade, ele n\u00e3o mudou seu status. Livres de sexo e status, eles compartilham a mesma apar\u00eancia b\u00e1sica. A deusa n\u00e3o teve sucesso por 12 anos em sua busca por feminilidade. Procurar por 12 anos pela hombridade de algu\u00e9m seria igualmente infrut\u00edfero. Os 12 anos referem-se \u00e0s 12 entradas<sup>(70)<\/sup>.<\/p>\n<p>Sem a mente n\u00e3o h\u00e1 Buda. Sem o Buda n\u00e3o h\u00e1 mente. Da mesma maneira, sem \u00e1gua n\u00e3o h\u00e1 gelo, e sem gelo n\u00e3o h\u00e1 \u00e1gua. Quem fala sem deixar a mente n\u00e3o vai muito longe. N\u00e3o se apegue \u00e0s apar\u00eancias da mente. Dizem os <em>sutras:<\/em> \u201cQuando voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea apar\u00eancias, v\u00ea o Buda\u201d. \u00c9 isso que significa ser livre das apar\u00eancias da mente.<\/p>\n<p><em>Sem a mente n\u00e3o h\u00e1 Buda<\/em> significa que o Buda vem da mente. A mente \u00e9 a origem do Buda. Mas embora o Buda provenha da mente, a mente n\u00e3o prov\u00e9m do Buda, tal como um peixe prov\u00e9m da \u00e1gua, mas a \u00e1gua n\u00e3o prov\u00e9m do peixe. Quem quer que veja o peixe ver\u00e1 a \u00e1gua antes de ver o peixe. E quem quer ver um Buda ver\u00e1 a mente antes de ver o Buda. Uma vez que voc\u00ea veja o peixe se esquece da \u00e1gua e uma vez que voc\u00ea veja o Buda, se esquece a respeito da mente, a mente confundir\u00e1 voc\u00ea, assim como \u00e1gua o confundir\u00e1 se voc\u00ea n\u00e3o se esquecer dela.<\/p>\n<p>Mortalidade e a buditude s\u00e3o como \u00e1gua e gelo. Afligir-se pelos tr\u00eas venenos \u00e9 a mortalidade. Ser purificado pelos tr\u00eas libera\u00e7\u00f5es<sup>(71)<\/sup> \u00e9 <em>buditude<\/em>. O que congela no inverno criando o gelo desfaz-se em \u00e1gua no ver\u00e3o. Elimine o gelo e n\u00e3o haver\u00e1 \u00e1gua. Livre-se da mortalidade e n\u00e3o haver\u00e1 <em>buditude<\/em>. \u00c9 claro que a natureza do gelo \u00e9 a natureza da \u00e1gua e a natureza da \u00e1gua \u00e9 a natureza do gelo. E a natureza da mortalidade \u00e9 a natureza da <em>buditude<\/em>. Mortalidade e a <em>buditude<\/em> compartilham a mesma natureza tal como <em>wutou<\/em> e <em>futzu<sup>(72)<\/sup><\/em> compartilham a mesma raiz, mas n\u00e3o a mesma esta\u00e7\u00e3o. \u00c9 somente por causa da ilus\u00e3o sobre diferen\u00e7as que temos as palavras <em>mortalidade e buditude<\/em>. Quando uma serpente torna-se um drag\u00e3o ela n\u00e3o muda suas escamas. E quando um mortal torna-se um s\u00e1bio, ele n\u00e3o muda sua face. Conhe\u00e7a sua mente atrav\u00e9s da sabedoria interna e cuida de seu corpo atrav\u00e9s da disciplina externa.<\/p>\n<p>Os mortais liberam budas e os budas liberam mortais. Imparcialidade significa isso. Os mortais liberam budas porque a afli\u00e7\u00e3o cria consci\u00eancia. E os budas liberam mortais porque a consci\u00eancia extingue a afli\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 outro rem\u00e9dio sen\u00e3o a afli\u00e7\u00e3o e n\u00e3o h\u00e1 outro rem\u00e9dio para n\u00e3o haver afli\u00e7\u00e3o exceto a consci\u00eancia. Se n\u00e3o fosse pela afli\u00e7\u00e3o, n\u00e3o haveria porque criar conhecimento. E se n\u00e3o fosse pelo conhecimento, nada haveria para combater a afli\u00e7\u00e3o. Quando se vive na ignor\u00e2ncia, os budas liberam mortais. Quando voc\u00ea est\u00e1 consciente, os mortais liberam budas. Os budas n\u00e3o se tornam budas por si mesmos. Eles s\u00e3o liberados por mortais. Os budas consideram a ignor\u00e2ncia como seu pai e a avidez como sua m\u00e3e. Ignor\u00e2ncia e avidez s\u00e3o nomes diferentes para mortalidade. A ignor\u00e2ncia e a avidez s\u00e3o como a m\u00e3o esquerda e a m\u00e3o direita. N\u00e3o existe outra diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando se vive na ignor\u00e2ncia, se est\u00e1 nesta margem. Quando se est\u00e1 consciente, se est\u00e1 na outra margem. Mas uma vez que voc\u00ea sabe que sua mente \u00e9 vazia e n\u00e3o veja apar\u00eancias, voc\u00ea est\u00e1 al\u00e9m da ignor\u00e2ncia e da consci\u00eancia. E uma vez que voc\u00ea esteja al\u00e9m da ilus\u00e3o e da consci\u00eancia, a outra margem n\u00e3o existe. O <em>Tathagata<\/em> n\u00e3o est\u00e1 nesta margem nem na outra. E tampouco est\u00e1 na metade da corrente.Os <em>arhats<\/em> est\u00e3o na metade da corrente e os mortais nesta margem. Na outra margem est\u00e1 a buditude.<\/p>\n<p>Os budas t\u00eam tr\u00eas corpos<sup>(73)<\/sup>: um corpo de transforma\u00e7\u00e3o, um corpo de recompensa e um corpo real. O corpo de transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m chamado de corpo de encarna\u00e7\u00e3o. O corpo de transforma\u00e7\u00e3o aparece quando os mortais fazem boas a\u00e7\u00f5es, o corpo de recompensa quando cultivam sabedoria, e o corpo real quando se tornam conscientes do sublime. O corpo de transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 o que pode voar em todas as dire\u00e7\u00f5es resgatando os outros onde \u00e9 poss\u00edvel. O corpo de recompensa p\u00f5e fim \u00e0s d\u00favidas. <em>\u201cA grande ilumina\u00e7\u00e3o ocorreu nos Himalaias<sup>(74)<\/sup>\u201d<\/em> repentinamente torna-se verdadeira. O corpo real n\u00e3o faz ou diz coisa alguma. Permanece perfeitamente im\u00f3vel. Na realidade, nem sequer existe um corpo de Buda, muito menos tr\u00eas. Falar dos tr\u00eas corpos est\u00e1 baseado simplesmente na compreens\u00e3o humana, que pode ser superficial, moderada ou profunda.<\/p>\n<p>As pessoas de compreens\u00e3o superficial imaginam que acumulam m\u00e9ritos e confundem o corpo de transforma\u00e7\u00e3o com\u00a0o Buda. As pessoas de compreens\u00e3o moderada imaginam que est\u00e3o pondo fim ao sofrimento e confundem o corpo de recompensa com o Buda. E as pessoas de compreens\u00e3o profunda imaginam que experimentam a buditude e confundem o corpo real com o Buda. Mas as pessoas com a compreens\u00e3o mais profunda olham em seu interior, n\u00e3o se distraindo com nada. Como uma mente clara \u00e9 o Buda, alcan\u00e7am a compreens\u00e3o de um Buda sem usar a mente. Os tr\u00eas corpos, como todas as outras coisas, s\u00e3o inating\u00edveis e indescrit\u00edveis. A mente sem obst\u00e1culos alcan\u00e7a o Caminho. Dizem os <em>sutras:<\/em> <em>\u201cOs budas n\u00e3o predicam o Dharma. N\u00e3o liberam mortais. E n\u00e3o experimentam a buditude\u201d<\/em>. \u00c9 isso que quero dizer.<\/p>\n<p>Os indiv\u00edduos criam carma; o carma n\u00e3o cria indiv\u00edduos. Criam carma nesta vida e recebem seus frutos na seguinte. Nunca escapam disso. S\u00f3 algu\u00e9m que \u00e9 perfeito n\u00e3o cria <em>carma<\/em> nesta vida e n\u00e3o recebe os frutos. Dizem os <em>sutras:<\/em> <em>\u201cQuem n\u00e3o cria carma obt\u00e9m o Dharma\u201d.<\/em> Este n\u00e3o \u00e9 um dito vazio. Voc\u00ea pode criar <em>carma<\/em>, mas n\u00e3o pode criar uma pessoa. Quando cria <em>carma<\/em>, voc\u00ea renasce junto com seu <em>carma<\/em>. Quando n\u00e3o cria <em>carma<\/em>, voc\u00ea desaparece juntamente com seu <em>carma<\/em>. Portanto, como o <em>carma<\/em> depende do indiv\u00edduo e o indiv\u00edduo depende do <em>carma<\/em>, se o indiv\u00edduo n\u00e3o criar <em>carma<\/em>, o <em>carma<\/em> nada pode fazer com ele. Da mesma maneira: <em>\u201cUma pessoa pode ampliar o Caminho. O caminho n\u00e3o pode ampliar uma pessoa <sup>(75)<\/sup>\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Os mortais continuam criando <em>carma<\/em> e erradamente insistem que n\u00e3o h\u00e1 retribui\u00e7\u00e3o. Mas por acaso podem negar o sofrimento? Podem negar que o que semeia o estado presente da mente n\u00e3o \u00e9 o que recolhe o seguinte estado mental? Como podem escapar? Mas se no presente estado da mente n\u00e3o se semeia nada, o seguinte estado da mente nada colhe. N\u00e3o entenda mal o carma.<\/p>\n<p>Dizem os <em>sutras:<\/em> <em>\u201cApesar de crer nos budas, as pessoas que imaginam que os budas praticam austeridades n\u00e3o s\u00e3o budistas. O mesmo aplica-se \u00e0queles que imaginam que os budas est\u00e3o sujeitos a retribui\u00e7\u00e3o de riqueza ou pobreza. Eles s\u00e3o icchantikas. S\u00e3o incapazes de crer\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Quem compreende os ensinamentos dos s\u00e1bios \u00e9 um s\u00e1bio. Quem compreende os ensinamentos dos mortais \u00e9 um mortal. Um mortal que possa afastar-se do ensinamento dos mortais e seguir os ensinamentos dos s\u00e1bios torna-se um s\u00e1bio. Mas os loucos deste mundo preferem procurar por s\u00e1bios muito longe. N\u00e3o acreditam que o s\u00e1bio \u00e9 a sabedoria de suas pr\u00f3prias mentes. Dizem os <em>sutras:<\/em> <em>\u201cN\u00e3o recite este sutra entre homens sem compreens\u00e3o\u201d.<\/em> E dizem os <em>sutras:<\/em> \u201cA mente \u00e9 o ensinamento\u201d. Mas as pessoas sem compreens\u00e3o n\u00e3o acreditam em suas pr\u00f3prias mentes nem que mediante a compreens\u00e3o desse ensinamento podem se tornar s\u00e1bias. Preferem procurar um conhecimento distante e esperar por coisas no espa\u00e7o, imagens de Buda, luzes, incensos e cores. Ficam presas na falsidade e na loucura.<\/p>\n<p>Dizem os <em>sutras:<\/em> <em>\u201cQuando voc\u00ea v\u00ea que todas as apar\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o apar\u00eancias, ent\u00e3o v\u00ea o Tathagata\u201d<\/em>. As mir\u00edades de portas para a verdade\u00a0proveem\u00a0todas da mente. Quando as apar\u00eancias da mente s\u00e3o t\u00e3o transparentes como o espa\u00e7o, desaparecem.<\/p>\n<p>Nossos sofrimentos sem fim s\u00e3o as ra\u00edzes da doen\u00e7a. Quando os mortais est\u00e3o vivos, preocupam-se com a morte. Quando est\u00e3o satisfeitos, preocupam-se com a fome. Sua \u00e9 a Grande Incerteza. Mas os s\u00e1bios n\u00e3o consideram o passado e n\u00e3o se preocupam com o futuro, tampouco se apegam ao presente. E de momento a momento eles seguem o Caminho. Se voc\u00ea n\u00e3o despertou para esta grande verdade, o melhor \u00e9 procurar um mestre na terra ou nos c\u00e9us. N\u00e3o agraves sua pr\u00f3pria defici\u00eancia.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>56. <em>Dez dire\u00e7\u00f5es.<\/em> Os oito pontos cardinais, mais o z\u00eanite e o nadir.<\/p>\n<p>57. <em>Os Arhats permanecem im\u00f3veis.<\/em> O arhat alcan\u00e7a o quarto e \u00faltimo fruto do budismo Hinayana, libera\u00e7\u00e3o das paix\u00f5es, cultivando a imobilidade.<\/p>\n<p>58. <em>Deixar o lar.<\/em> Como Shakyamuni fez para procurar a ilumina\u00e7\u00e3o. Portanto, tornar-se um monge ou monja.<\/p>\n<p>59. <em>Local da ilumina\u00e7\u00e3o.<\/em> <em>Bodhimandala.<\/em> O centro de cada mundo, onde todos os budas alcan\u00e7am a ilumina\u00e7\u00e3o. O termo tamb\u00e9m refere-se a um templo budista.<\/p>\n<p>60. <em>Local desabitado.<\/em> Local adequado para o cultivo da espiritualidade.<\/p>\n<p>61. <em>Caminho do meio.<\/em> O caminho que evita realismo e niilismo, exist\u00eancia e n\u00e3o exist\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00a062. <em>Vis\u00e3o verdadeira.<\/em> O \u00d3ctuplo Nobre Caminho do Buda come\u00e7a com a vis\u00e3o verdadeira (reta), que busca romper atrav\u00e9s do pensamento iludido ou ignor\u00e2ncia, o primeiro dos 12 elos da Corrente do Carma: ignor\u00e2ncia, forma\u00e7\u00f5es mentais, consci\u00eancia, nome-e-forma, \u00f3rg\u00e3os dos sentidos, contato, sensa\u00e7\u00e3o, desejo, apropria\u00e7\u00e3o, exist\u00eancia, nascimento, velhice-e-morte. Os tr\u00eas primeiros referem-se \u00e0 exist\u00eancia anterior.\u00a0 Os dois \u00faltimos \u00e0 pr\u00f3xima exist\u00eancia.<\/p>\n<p>63. <em>Samad\u00ed.<\/em> O objetivo da medita\u00e7\u00e3o. <em>Samadi<\/em> \u00e9 uma palavra s\u00e2nscrita para mente sem distra\u00e7\u00e3o, uma cobra dentro de um tubo de bambu.<\/p>\n<p>64. <em>Cinco trevas.<\/em> Os cincos skandas ou agregados, os constituintes da personalidade que obscurecem natureza b\u00fadica: forma, sensa\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00f5es mentais e consci\u00eancia.<\/p>\n<p>65. <em>In\u00edcio do nirvana.<\/em> O nirvana n\u00e3o \u00e9 final antes de se abandonar o corpo.<\/p>\n<p>66. <em>Garantia de n\u00e3o renascer.<\/em> A realiza\u00e7\u00e3o do nirvana.<\/p>\n<p>67. <em>Terra b\u00fadica.<\/em> Um reino transformado de imund\u00edcie \u00e0 pureza pela presen\u00e7a de um buda, portanto, uma terra pura. Veja a \u00faltima se\u00e7\u00e3o do cap\u00edtulo um no Sutra de Vimilakirti.<\/p>\n<p>68. <em>Balsa.<\/em> Buda compara seu ensinamento \u00e0 uma balsa que pode ser usada para cruzar o Rio de Renascimento Sem Fim. Mas uma vez que serviu ao prop\u00f3sito, a balsa \u00e9 in\u00fatil. N\u00e3o \u00e9 mais uma balsa.<\/p>\n<p>69. <em>Deusa&#8230;cavalari\u00e7o.<\/em> A Deusa aparece no cap\u00edtulo 7 do Sutra de Vimilakirti. O garoto apunhalado pode ser uma refer\u00eancia ao cavalari\u00e7o de Shakyamuni. Se assim for, n\u00e3o estou familiarizado com a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>70. <em>Doze entradas.<\/em> Os seis \u00f3rg\u00e3os e os seis sentidos.<\/p>\n<p>71. <em>Tr\u00eas libera\u00e7\u00f5es.<\/em> A liberta\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia, do \u00f3dio e do apego \u00e9 ultrapassar as tr\u00eas portas da salva\u00e7\u00e3o: n\u00e3o-eu, n\u00e3o-forma e n\u00e3o-desejo.<\/p>\n<p>72. <em>Wutou e futzu.<\/em> Um anest\u00e9sico \u00e9 extra\u00eddo do futzu, as ra\u00edzes secund\u00e1rias que crescem da raiz b\u00e1sica do wutou (aconitum). A raiz secund\u00e1ria n\u00e3o se desenvolve at\u00e9 o segundo ano da planta.<\/p>\n<p>73. <em>Tr\u00eas corpos.<\/em> O Nirmanakaya (Shakyamuni), o Sambhogakaya (Amithaba) e o Dharmakaya (Vairocana).<\/p>\n<p>74. <em>A<\/em><em> Grande ilumina\u00e7\u00e3o aconteceu nos Himalaias.<\/em> A ilumina\u00e7\u00e3o de Buda n\u00e3o ocorreu nos Himalaias, mas no antigo estado indiano de Magadha, sul do Nepal. Numa exist\u00eancia anterior, entretanto, Buda viveu nos Himalaias como asceta. Portanto, considerando as vidas anteriores isso \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>75. <em>Uma pessoa pode ampliar o caminho.<\/em> O caminho n\u00e3o pode ampliar uma pessoa. \u00c9 um d\u00edstico de Conf\u00facio (Analectos, Cap\u00edtulo 15)\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SERM\u00c3O DO DESPERTAR A ess\u00eancia do Caminho \u00e9 desapego. E o objetivo daqueles que praticam \u00e9 liberar-se das apar\u00eancias. Dizem os sutras: \u201cO desapego \u00e9 ilumina\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o se prende as apar\u00eancias\u201d. A buditude significa consci\u00eancia. 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