{"id":846,"date":"2014-01-13T20:27:56","date_gmt":"2014-01-13T22:27:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=846"},"modified":"2018-02-10T15:48:18","modified_gmt":"2018-02-10T17:48:18","slug":"a-natureza-fundamental-e-a-perfeicao-da-sabedoria","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/a-natureza-fundamental-e-a-perfeicao-da-sabedoria\/","title":{"rendered":"A natureza fundamental e a perfei\u00e7\u00e3o da sabedoria"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=1438\" rel=\"attachment wp-att-1438\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/consciencia.jpg\" alt=\"\" width=\"282\" height=\"178\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1438\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"center\"><b><i>O Cerne da vis\u00e3o do S\u00e1bio Nagarjuna\u00a0<\/i><\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b><i>O Prajna Paramita<\/i><\/b><\/p>\n<p>Em nenhum lugar em nosso campo de experi\u00eancia nos deparamos com eventos ocorrendo arbitrariamente, ou com fen\u00f4menos sem causa. Os fen\u00f4menos n\u00e3o possuem nenhuma ess\u00eancia, ou natureza real, que possa ser descoberta, mas aparecem sem qualquer realidade palp\u00e1vel, como reflexos em um espelho, devido as causas e as condi\u00e7\u00f5es.. Os fen\u00f4menos ocorrentes, desprovidos de natureza real palp\u00e1vel, n\u00e3o s\u00e3o eternos, mas tampouco s\u00e3o meramente nada. N\u00e3o prov\u00e9m de nenhum lugar, nem v\u00e3o para nenhum lugar. N\u00e3o h\u00e1 nenhum surgimento real neles, nem desaparecimento, nem aniquila\u00e7\u00e3o, nem nulidade. N\u00e3o existem independentemente, mas ocorrem interdependentemente devido a presen\u00e7a de fontes e de condi\u00e7\u00f5es apropriadas. Em consequ\u00eancia, todas as ocorr\u00eancias fenom\u00eanicas est\u00e3o al\u00e9m de qualquer concep\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. \u00c9 frequentemente dado o exemplo da imagem de Vajradhara em um espelho. Se examinarmos a imagem de Vajradhara no espelho, poderemos constatar que n\u00e3o \u00e9 uma coisa real, mesmo assim realmente aparece l\u00e1 e, como tal, n\u00e3o \u00e9 uma mera substancialidade do nada, n\u00e3o \u00e9 uma mera aus\u00eancia. N\u00e3o prov\u00e9m de lugar nenhum em particular; se virarmos o espelho, n\u00e3o existe nenhum lugar para onde a imagem tenha ido. N\u00e3o podemos observar nenhum surgimento real na ocorr\u00eancia da imagem, ou qualquer desaparecimento genu\u00edno no seu desaparecer. Nenhuma realidade palp\u00e1vel independente pode ser atribu\u00edda a imagem refletida no espelho. A reflex\u00e3o, como o todo da nossa experi\u00eancia, n\u00e3o pode ser adequadamente descrita em termos conceituais. Os fen\u00f4menos s\u00e3o meramente uma intermin\u00e1vel sequencia de surgimentos moment\u00e2neos, estruturada segundo um modo particular, n\u00e3o tendo nenhuma exist\u00eancia independente. N\u00e3o s\u00e3o descrit\u00edveis por meio de nenhuma das quatro proposi\u00e7\u00f5es de (1) ser, (2) n\u00e3o-ser, (3) tanto quanto e (4) nem um nem outro, quer quanto as suas fontes, quer quanto aos seus resultados. Nenhum determinado ponto real de seus surgimentos pode jamais ser descoberto e no\u00e7\u00f5es parciais a respeito deles, tais como serem permanentes, impermanentes, etc., s\u00e3o completamente inadequadas para descrever a Verdadeira Natureza dos fen\u00f4menos. Esta exist\u00eancia aparente, irreal, na qual nos encontramos \u00e9 a conjun\u00e7\u00e3o de meras apar\u00eancias ocorrendo devido a causas e condi\u00e7\u00f5es. E tais apar\u00eancias condicionadas n\u00e3o s\u00e3o de modo algum diferentes da Vacuidade Fundamental que j\u00e1 descrevemos. Em decorr\u00eancia, segundo a perspectiva da Madhyamaka, a verdade do sofrimento, a verdade da fonte do sofrimento, bem como dos atos de comer, de dormir e de praticar quaisquer atividades corriqueiras mundanas, s\u00e3o todos igualmente desprovidos de qualquer realidade intr\u00ednseca. Ocorrem atrav\u00e9s de surgimentos condicionados sem possu\u00edrem qualquer Realidade Fundamental, seja l\u00e1 qual for. Somente em assim sendo o caso, pode o mundo tal qual o experimentamos surgir, j\u00e1 que se existisse alguma Realidade Fundamental relativa a este mundo, ou, se a Vacuidade fosse algo completamente diferente da nossa experi\u00eancia usual, n\u00e3o haveria nenhuma maneira pela qual qualquer experi\u00eancia pudesse ter ocorrido inicialmente. A Vacuidade Fundamental n\u00e3o \u00e9 isolada de nossa experi\u00eancia corriqueira, nem \u00e9 em hip\u00f3tese alguma divorciada das Quatro Nobres Verdades e do Caminho da Liberta\u00e7\u00e3o do Sofrimento. Agora, todas estas formas de surgimento condicionado, conforme demonstramos por meio das Quatro Per\u00edcias da Madhyamaka \u2013 O Pequeno Diamante, etc. &#8211; n\u00e3o possuem nenhuma Realidade Fundamental. N\u00e3o obstante, surgem como se verdadeiramente l\u00e1 estivessem, exatamente como o elefante, em nosso sonho, parece realmente l\u00e1 estar. Mas, se examinarmos as condi\u00e7\u00f5es do mundo, se examinarmos de que forma surgem, se examinarmos como produzem frui\u00e7\u00e3o, e procurarmos pela Qualidade Essencial, constataremos que, de qualquer um destes pontos de vista, as coisas n\u00e3o possuem nenhuma realidade intr\u00ednseca &#8211; tudo ocorre devido a determinadas condi\u00e7\u00f5es. Este ponto de vista \u00e9 desenvolvido em maiores detalhes por Nagarjuna no <i>Prajna Nama Mula Madhyamaka Karika<\/i>. Da mesma forma como uma pessoa trancada em uma pris\u00e3o n\u00e3o tem nenhum jeito de escapar exceto se abrir a porta, tamb\u00e9m n\u00f3s, que ca\u00edmos sob os dom\u00ednios do sofrimento, n\u00e3o temos como nos livrar exceto atrav\u00e9s da compreens\u00e3o, atrav\u00e9s do reconhecimento da Natureza Fundamental da Realidade: a Vacuidade. O reconhecimento da Natureza Fundamental da Realidade \u00e9 por vezes chamado de \u201dOs Tr\u00eas Fatores Libertadores\u201d, quais sejam:<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b>(1)<\/b> &#8211; que nenhuma fonte real pode jamais ser descoberta;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b>(2) &#8211; <\/b>que as condi\u00e7\u00f5es resultantes n\u00e3o tem nenhuma natureza verdadeira intr\u00ednseca; e,<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><b>(3)<\/b> &#8211; o reconhecimento da qualidade essencial vazia de todas as apar\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0Pela apreens\u00e3o da verdade destes tr\u00eas fatores, podemos alcan\u00e7ar a compreens\u00e3o e podemos nos libertar do samsara. Esta vis\u00e3o suprema da Vacuidade une, invisivelmente, a Verdade Convencional e a Verdade \u00daltima. Quer dizer, a Vacuidade apontada pela Escola Madhyamaka n\u00e3o \u00e9 uma nulidade em branco, n\u00e3o \u00e9 uma mera aus\u00eancia de qualidades, muito embora, em uma an\u00e1lise final, ela seja indescrit\u00edvel. A Vacuidade \u00e9 uma potencialidade total a medida em que d\u00e1 vaz\u00e3o a todos os surgimentos e a todas as apar\u00eancias que ocorrem aos seres sensoriais. E tal vis\u00e3o integrada dos n\u00edveis convencional e \u00faltimo que precisa\u00a0 ser obtida a fim de se alcan\u00e7ar a Realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este campo supremo de Vis\u00e3o Interior, o Dharmadhatu, ou Espa\u00e7o B\u00e1sico de todos os Dharmas, \u00e9 frequentemente apontado como sendo a M\u00e3e de Todos os Budas e Bodhisatvas, pois exatamente como uma m\u00e3e d\u00e1 nascimento as crian\u00e7as, igualmente a Vis\u00e3o Interior da Natureza Fundamental produz todos os seres iluminados do passado, do presente e do futuro. A Natureza Fundamental da Vacuidade-e-Apar\u00eancia Integrais \u00e9 similar, muito parecida, com o meio de um espa\u00e7o vazio e, embora tenhamos tentado descreve-la nos ensinamentos precedentes, \u00e9 basicamente indescrit\u00edvel no que toca a impossibilidade de predicados (ou de constru\u00e7\u00f5es conceituais) serem a ela aplicados: transcende a todas as afirma\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas. Se permanecermos em consci\u00eancia meditativa com respeito a esta Sabedoria N\u00e3o-Discriminativa, al\u00e9m de qualquer poss\u00edvel concep\u00e7\u00e3o e, saindo de nossa medita\u00e7\u00e3o, reconhecermos todos os Dharmas como sendo ilus\u00f5es, sonhos, ou reflex\u00f5es, os quais aparecem, mas n\u00e3o possuem nenhuma realidade fundamental, desenvolveremos confian\u00e7a na Vis\u00e3o Reta, a Natureza Integral das Duas Verdades. Tal \u00e9 a grande ferramenta do conhecimento transcendente, a Perfei\u00e7\u00e3o da Sabedoria, a Prajna Paramita. O uso deste conhecimento transcendente pode ser ilustrado dizendo-se que, se desejarmos ir daqui at\u00e9 Kathmandu, deveremos primeiro tentar descobrir em que dire\u00e7\u00e3o fica Kathmandu em rela\u00e7\u00e3o a nossa presente posi\u00e7\u00e3o. Estando isto determinado, deveremos conhecer qual caminho pegar a fim de l\u00e1 chegar e poderemos, igualmente, dar a outras pessoas as indica\u00e7\u00f5es apropriadas. Se alcan\u00e7armos vis\u00e3o interior verdadeira da Natureza Fundamental, em si mesma expressa em todas as apar\u00eancias, ent\u00e3o estaremos capacitados a demonstrar a Natureza Fundamental da Vacuidade a todos os seres. Se a Vis\u00e3o Interior da Vacuidade n\u00e3o tivesse nenhuma rela\u00e7\u00e3o direta com todas as apar\u00eancias, ent\u00e3o qualquer um que alcan\u00e7asse tal vis\u00e3o interior n\u00e3o teria nenhuma percep\u00e7\u00e3o dos demais seres sensoriais e, portanto, jamais transmitiria os ensinamentos: O ensino da Vacuidade nunca se disseminaria. Uma compreens\u00e3o meramente intelectual da apar\u00eancia e da Vacuidade integrais n\u00e3o nos d\u00e1 o poder de demonstrar tal Vacuidade as demais pessoas. Somente com a Vis\u00e3o Interior Direta da Natureza Fundamental \u00e9 que podemos come\u00e7ar a demonstrar aos seres esta Vacuidade Fundamental, a qual \u00e9 brilhantemente expressiva por si mesma. Compreens\u00e3o da Vacuidade \u00e9 a fonte e a realidade da Senda Mahayana para a realiza\u00e7\u00e3o das qualidades do Buda. Acabamos de debater sobre a aus\u00eancia de qualquer realidade essencial na individualidade mundana, do ponto de vista do surgimento condicionado. Examinamos a aus\u00eancia de qualquer verdade, de qualquer realidade inerente em todos os dharmas, em toda apar\u00eancia fenom\u00eanica, atrav\u00e9s da investiga\u00e7\u00e3o dos seus pontos de surgimento. Fizemos isto buscando uma natureza essencial e examinando tudo em geral, de conformidade com quatro diferentes enfoques encontrados nas escrituras cl\u00e1ssicas s\u00e2nscritas e reunidos em uma \u00fanica li\u00e7\u00e3o por Jamgon Ju Mipham Rimpoche. Em geral, nos ocorre conhecer as coisas de tr\u00eas modos: pela percep\u00e7\u00e3o direta, pela dedu\u00e7\u00e3o l\u00f3gica e pela palavra autorizada. Com rela\u00e7\u00e3o ao Dharma, o que \u00e9 realmente necess\u00e1rio para a Realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 a Percep\u00e7\u00e3o Direta da Realidade Fundamental da Natureza Fundamental. Mas, com o fim de alcan\u00e7armos tal est\u00e1gio de Direta Vis\u00e3o Interior, necessitamos, primeiro, atingir alguma aprecia\u00e7\u00e3o do que isto seja e ouvir algo a respeito. Ao ouvirmos sobre a Natureza da Realidade, s\u00f3 acreditaremos em uma pessoa digna de toda a confian\u00e7a, que soubesse muito bem sobre o que est\u00e1 falando e, ainda, se tudo for aprovado no teste da raz\u00e3o. N\u00e3o acreditar\u00edamos em algo dito por algu\u00e9m n\u00e3o confi\u00e1vel, que n\u00e3o conhecesse bem o tema, ou que n\u00e3o fizesse sentido. Munidos da informa\u00e7\u00e3o, por meio de alguma forma de dedu\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, tentamos examinar e descobrir como se parece a Natureza Fundamental. Em seguida, tanto no sentido mundano como no \u00e2mbito do Dharma, a compreens\u00e3o por meio da informa\u00e7\u00e3o conduz, inevitavelmente, a uma vis\u00e3o n\u00e3o decorrente de dedu\u00e7\u00e3o l\u00f3gica. Assim poderemos nos iniciar na pr\u00e1tica do Mahamudra apropriadamente e, eventualmente, alcan\u00e7ar a Vis\u00e3o Interior Direta da Natureza da Realidade, a Verdadeira Percep\u00e7\u00e3o da Natureza da Realidade que conduz a Liberta\u00e7\u00e3o. Uma compreens\u00e3o adequada da Vis\u00e3o do Caminho do Meio, a Madhyamaka, \u00e9, conseq\u00fcentemente, muito importante como suporte para a pr\u00e1tica do Mahamudra, que produzir\u00e1 a Vis\u00e3o Interior Direta. Ensinei um pouco da Vis\u00e3o Reta da Escola Madhyamaka e incito a todos a que orem para que qualquer m\u00e9rito decorrente da tentativa de compreende-la n\u00e3o se dirija para o benef\u00edcio individual\u00a0 exclusivo, mas que seja distribu\u00eddo entre\u00a0 todos\u00a0 os\u00a0 seres,\u00a0 de\u00a0 tal\u00a0 forma\u00a0 que\u00a0 todos\u00a0 possam\u00a0 alcan\u00e7ar\u00a0 a\u00a0 Completa\u00a0 e\u00a0 Perfeita\u00a0 Realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0<b><i>&#8220;A\u00a0 Porta Aberta Para A Vacuidade&#8221; de Kenchen Thrangu Rinpoche &#8211; Ed \u2013 Bodigaya<\/i><\/b><\/p>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Cerne da vis\u00e3o do S\u00e1bio Nagarjuna\u00a0 O Prajna Paramita Em nenhum lugar em nosso campo de experi\u00eancia nos deparamos com eventos ocorrendo arbitrariamente, ou com fen\u00f4menos sem causa. 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