{"id":883,"date":"2014-02-21T17:49:35","date_gmt":"2014-02-21T19:49:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?page_id=883"},"modified":"2018-02-12T19:27:59","modified_gmt":"2018-02-12T21:27:59","slug":"883-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/883-2\/","title":{"rendered":"Ensinamentos Zen de Huang Po &#8211; Parte 0"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=1431\" rel=\"attachment wp-att-1431\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/huang-po.png\" alt=\"\" width=\"660\" height=\"320\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1431\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/huang-po.png 660w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/huang-po-300x145.png 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/huang-po-500x242.png 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>ENSINAMENTOS ZEN DE HUANG PO<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><b><i>Compila\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o: John Blofeld<\/i><\/b><\/p>\n<p align=\"center\">Vers\u00e3o espanhola: Ricardo Crespo<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<b>\u00a0<\/b><i>Vers\u00e3o: Fl\u00e1vio Capllonch Cardoso<\/i><\/p>\n<p align=\"center\"><i>\u00a0<\/i><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<b>\u00a0<\/b><b><i>John Blofeld (Chu Ch\u2019an)<\/i><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b>Pag. 15<\/p>\n<p>O presente livro \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o completa de Huang Po Ch\u2019uan Hsin Fa Yao, texto budista chin\u00eas do sec. IX, grande parte do qual aparece agora em ingl\u00eas pela primeira vez. Cont\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o concisa dos sublimes ensinamentos do grande mestre da escola Dhyana, a qual, seguindo a pr\u00e1tica corrente no mundo oriental, denominarei daqui em diante com o nome Zen. O Zen \u00e9 considerado frequentemente como um desenvolvimento particular do budismo no Extremo Oriente. Os seguidores do Zen, no entanto, afirmam que sua doutrina \u00e9 uma ramifica\u00e7\u00e3o direta dos ensinamentos do pr\u00f3prio Buda Gautama. O presente texto, que \u00e9 uma das principais obras do Zen, segue fielmente a doutrina proclamada no <i>Sutra do Diamante, Vajrachedika Sutra<\/i> ou a <i>Joia da Sabedoria Transcendental, <\/i>habilmente traduzida ao ingl\u00eas por Arnold Price e publicada pela Sociedade Budista de Londres. Segue tamb\u00e9m estreitamente os ensinamentos do <i>Sutra<\/i> <i>da Plataforma<\/i> de Wei Lang \u2013 Hui Neng.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 [&#8230;]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<strong>HUANG PO E O TERMO \u201cA MENTE \u00daNICA\u201d<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pag. 27<\/p>\n<p>O texto indica que Huang Po n\u00e3o estava de todo satisfeito com a escolha da palavra \u201cMente \u00danica\u201d para indicar a inexprim\u00edvel realidade que se estende al\u00e9m do pensamento conceitual, pois, mais de uma vez explica que a Mente \u00danica n\u00e3o \u00e9 na realidade Mente; por\u00e9m tinha que usar um termo ou outro, e o termo havia sido empregado freq\u00fcentemente por seus antecessores. Como Mente expressa intangibilidade, lhe pareceu sem d\u00favida uma boa escolha, especialmente porque o uso desse texto ajuda a clarear que a parte do homem usualmente considerada como entidade individual que habita o corpo n\u00e3o \u00e9 de fato propriedade sua, mas \u00e9 propriedade comum de todos e de tudo. (deve-se ter em conta que a palavra chinesa \u201chsin\u201d n\u00e3o significa apenas \u201cmente\u201d, por\u00e9m tamb\u00e9m \u201ccora\u00e7\u00e3o\u201d; em resumo, denota o homem real, ou tido como tal). Se preferir substituir est\u00e1 id\u00e9ia pela palavra \u201cAbsoluto\u201d, o que Huang Po faz em certas ocasi\u00f5es, se h\u00e1 de ter cuidado de n\u00e3o interpretar o texto com no\u00e7\u00f5es preconcebidas no que se refere \u00e0 natureza do Absoluto. Deve-se clarear especificamente tamb\u00e9m que \u00e9 evidente que a id\u00e9ia de \u201cMente \u00danica\u201d \u00e9 mesmo assim suscet\u00edvel de m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o, a menos que se abandone toda id\u00e9ia preconcebida, como preconiza Huang Po.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0\u00a0[&#8230;]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<strong>(I) MEM\u00d3RIA de CH\u00dcN CHOU do MESTRE ZEN HUANG PO (TUAN CHI)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<b>COLE\u00c7\u00c3O DE SERM\u00d5ES E DI\u00c1LOGOS POR P\u2019EI HSIU DURANTE SUA ESTADIA NA CIDADE DE CH\u00dcN CHOU<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pag. 43<\/p>\n<p><b>1.\u00a0\u00a0\u00a0 <\/b>O Mestre me disse:<\/p>\n<p>\u2013 Todos os Budas e todos os seres sencientes n\u00e3o s\u00e3o outra coisa sen\u00e3o a Mente \u00danica, fora da qual nada existe. Esta Mente, que n\u00e3o tem princ\u00edpio, \u00e9 inata (n\u00e3o nasce) e indestrut\u00edvel (n\u00e3o morre). N\u00e3o tem cor nem forma ou apar\u00eancia. N\u00e3o pertence \u00e0 categoria das coisas existentes ou n\u00e3o existentes nem podemos considera-la em termos de nova ou de velha. N\u00e3o \u00e9 comprida ou curta, nem pequena ou grande, uma vez que transcende todos os limites, medidas, nomes, vest\u00edgios e compara\u00e7\u00f5es. \u00c9 o que vemos \u00e0 nossa frente, se come\u00e7armos a raciocinar sobre ela imediatamente ca\u00edmos em erro. \u00c9 como o ilimitado vazio que n\u00e3o podemos sondar nem medir. S\u00f3 a Mente \u00danica \u00e9 o Buda e n\u00e3o existe distin\u00e7\u00e3o entre o Buda e os seres sencientes, se estes n\u00e3o estiverem apegados \u00e0s formas, e assim buscarem exteriormente as qualidades do Buda. Com a pr\u00f3pria busca o perdem, pois isso \u00e9 como empregar o Buda para buscar o Buda e empregar a Mente para encontrar a Mente. Embora nos empenhemos nisso durante eras inteiras, n\u00e3o lograremos alcan\u00e7ar nosso objetivo. Ignoramos que, se par\u00e1ssemos com nosso pensamento conceitual e esquec\u00eassemos a nossa ansiedade, o Buda apareceria diante de n\u00f3s, pois esta Mente \u00e9 o Buda e os Budas s\u00e3o todos os seres existentes. N\u00e3o existem rebaixamentos nem enaltecimentos por manifestarem-se como seres comuns ou como Budas.<\/p>\n<p>Pag. 44<\/p>\n<p><b>2. <\/b>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00e1tica dos\u00a0<i>paramitas<\/i><sup>1<\/sup>\u00a0\u00e9 imenso o n\u00famero de pr\u00e1ticas semelhantes, o logro dos m\u00e9ritos deveria ser t\u00e3o numeroso como as areias o rio Ganges, pois se somos fundamentalmente completos em todos os aspectos, n\u00e3o dever\u00edamos tratar de suplementar tal perfei\u00e7\u00e3o com pr\u00e1ticas t\u00e3o insensatas. Quando se apresente a ocasi\u00e3o para isso, as coloquem em pr\u00e1tica e quando a ocasi\u00e3o passar, permane\u00e7am serenos. Se n\u00e3o estiverem completamente convencidos de que a\u00a0<strong>Mente \u00e9 o Buda<\/strong>\u00a0e sentirem apego \u00e0s formas, pr\u00e1ticas e conquistas merit\u00f3rias, seu modo de pensar ser\u00e1 falso e completamente incompat\u00edvel com o caminho.\u00a0<strong>A Mente \u00e9 o Buda e n\u00e3o existe nenhum outro Buda nem nenhuma outra Mente<\/strong>.\u00a0<strong>\u00c9 luminosa e sem m\u00e1cula como o vazio e n\u00e3o tem forma nem apar\u00eancia alguma.<\/strong>\u00a0<strong>Empregar a Mente no pensamento conceitual equivale a abandonar a subst\u00e2ncia e agarrar-se \u00e0 forma. O Buda imortal n\u00e3o \u00e9 um Buda da forma nem do apego.<\/strong>\u00a0Praticar os seis\u00a0<i>paramitas<\/i>\u00a0e uma infinidade de pr\u00e1ticas semelhantes, com o objetivo de realizarem um Buda por esses meios, \u00e9 avan\u00e7ar por etapas; por\u00e9m o Buda imortal n\u00e3o \u00e9 um Buda de etapas.\u00a0<strong>Despertem a Mente \u00danica e n\u00e3o haver\u00e1 nada mais para alcan\u00e7ar.<\/strong>\u00a0Este \u00e9 o Buda verdadeiro.\u00a0<strong>O Buda e todos os seres sencientes s\u00e3o a Mente \u00danica e nada mais.<\/strong><\/p>\n<p><i>1.<\/i>\u00a0<i>Caridade, moralidade, paci\u00eancia na afli\u00e7\u00e3o, fervorosa aplica\u00e7\u00e3o, correto controle da mente e a aplica\u00e7\u00e3o da mais alta sabedoria.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 44-45<\/p>\n<p><b>3<\/b>. A Mente \u00e9 como o vazio, no qual n\u00e3o h\u00e1 confus\u00e3o nem maldade. Assim, quando o Sol passa circundando e iluminando a Terra, o vazio n\u00e3o aumenta o brilho e quando o Sol se p\u00f5e o vazio n\u00e3o escurece.\u00a0 Os fen\u00f4menos da luminosidade e da escurid\u00e3o alternam-se um com o outro, por\u00e9m o vazio permanece inalter\u00e1vel. Tal acontece com a Mente do Buda e dos seres sencientes. Se considerarmos o Buda como apresentando uma apar\u00eancia pura, esplendorosa ou iluminada, ou se por outro lado, considerarmos os seres sencientes como de apar\u00eancia impura, tenebrosa e de aspecto mortal, tais concep\u00e7\u00f5es que resultam todas do apego \u00e0 forma, lhes manter\u00e3o afastados do conhecimento supremo, tantas eras como as areias existentes no rio Ganges. Somente existe a Mente \u00danica e nem uma part\u00edcula de qualquer outra coisa para adicionar, pois esta Mente \u00e9 o Buda. Se voc\u00eas estudantes do Caminho, n\u00e3o despertarem e perceberem a subst\u00e2ncia desta Mente, ocultar\u00e3o a Mente com o pensamento conceitual, buscar\u00e3o o Buda fora de voc\u00eas mesmos e permanecer\u00e3o apegados \u00e0s formas, \u00e0s pr\u00e1ticas piedosas e as demais distra\u00e7\u00f5es que s\u00e3o altamente prejudiciais, posto que n\u00e3o conduzem ao Conhecimento Supremo.<\/p>\n<p>Pag. 45<\/p>\n<p>4<b>. <\/b>Fazer oferendas a todos os Budas do Universo n\u00e3o se iguala a fazer oferendas ao adepto seguidor do Caminho, que eliminou o pensamento conceitual. Por qu\u00ea? Porque tal adepto n\u00e3o forma nenhuma esp\u00e9cie de conceitos. A subst\u00e2ncia do Absoluto est\u00e1 no interior da madeira ou da pedra que carece de movimento; e no exterior, como o vazio, onde n\u00e3o h\u00e1 limites nem obstru\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 subjetiva nem objetiva, carece de localiza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, n\u00e3o possui forma e n\u00e3o pode desvanecer-se. Aqueles que se dirigem apressadamente para ela n\u00e3o ousam penetr\u00e1-la por temor de precipitarem-se no vazio, sem nada a que se agarrar nem algum meio de conter sua queda. Assim \u00e9 que aproximam-se da borda e retrocedem. Isto se refere aos que esperam encontrar a meta por meio do conhecimento. Ent\u00e3o, aqueles que buscam a meta por meio do conhecimento s\u00e3o como os pelos, (muitos) que mudam; enquanto os que buscam mediante a intui\u00e7\u00e3o, s\u00e3o como os chifres, (poucos) fixos e permanentes<sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p><i>1. Compare-se est\u00e1 afirma\u00e7\u00e3o com o que disse o mestre Suzuki: &#8220;O que se conhece como mente no racioc\u00ednio discursivo \u00e9 n\u00e3o-mente, embora sem esta Mente n\u00e3o se pode alcan\u00e7\u00e1-la&#8221;.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 46<\/p>\n<p><b>5.<\/b><b> <\/b><i>Manjushri <\/i>representa a sabedoria, e <i>Samantabhadra,<\/i> a vacuidade. Pelo primeiro se expressa a sabedoria inextingu\u00edvel al\u00e9m da esfera da forma, e pelo segundo se d\u00e1 a entender a lei do vazio verdadeiro e ilimitado. <i>Avalokitesvara<\/i> representa a compaix\u00e3o sem limites. <i>Mahastama,<\/i> a magna sabedoria e <i>Vimalakirti,<\/i> o nome sem m\u00e1cula. Sem m\u00e1cula se refere \u00e0 verdadeira natureza das coisas, enquanto nome significa forma. Mas a forma \u00e9 realmente una com a Verdadeira natureza; da\u00ed o termo combinado \u201cnome sem m\u00e1cula\u201d <sup>1<\/sup>. Todas as qualidades simbolizadas pelos grandes <i>Bodisatvas,<\/i> s\u00e3o inerentes ao homem e n\u00e3o as devemos considerar separadas da Mente \u00danica. Desperte esta consci\u00eancia e ela estar\u00e1 aqui. Voc\u00eas estudantes do caminho que n\u00e3o a despertaram em suas mentes mesmas, e que est\u00e3o apegados \u00e0s apar\u00eancias e que procuram buscar algo objetivo fora de suas pr\u00f3prias mentes, ter\u00e3o dado as costas ao caminho. As areias do Ganges! Buda disse destas areias:<\/p>\n<p><strong>\u00a0<i>&#8220;Quando todos os Budas e Bodisatvas, inclusive Indra e todos os deuses passeiam por elas, as areias n\u00e3o se regozijam; e se bois, ovelhas, r\u00e9pteis e insetos as pisam ou se arrastam por elas, as areias n\u00e3o sentem nojo. De perfumes nem j\u00f3ias tem desejos, nem lhes causam asco a hedionda sujeira do esterco nem da urina&#8221;.<\/i><\/strong><\/p>\n<p><i>1.<\/i> <i>O zen ensina que, embora o mundo fenomenal baseado na experi\u00eancia sensorial tenha somente uma exist\u00eancia relativa, \u00e9 err\u00f4neo v\u00ea-lo como algo separado da Mente \u00danica. Assim a Mente \u00danica \u00e9 compreendida erroneamente. Como diz o Prajna Paramita Hridaya Sutra: \u201cA forma n\u00e3o \u00e9 diferente do vazio, e o vazio da forma; a forma \u00e9 vazio e o vazio \u00e9 forma\u201d. \u00a0<\/i><\/p>\n<p>Pag. 47<\/p>\n<p>6<b>. <\/b>Esta Mente \u00e9 tamb\u00e9m a mente do pensamento conceitual e n\u00e3o est\u00e1 completamente desligada da forma. <b>De maneira que os Budas e os seres sencientes n\u00e3o diferem em nada. Contanto que nos desembaracemos do pensamento conceitual, realizaremos tudo quanto existe a realizar.<\/b> Por\u00e9m se voc\u00eas, estudantes do caminho, n\u00e3o conseguirem livrar-se do mais leve pensamento conceitual, embora tenham se esfor\u00e7ado durante <i>kalpas<\/i> e <i>kalpas,<\/i> jamais alcan\u00e7ar\u00e3o seus prop\u00f3sitos. Enredados nas pr\u00e1ticas merit\u00f3rias dos Tr\u00eas Ve\u00edculos, lhes ser\u00e1 imposs\u00edvel realizar a Ilumina\u00e7\u00e3o. N\u00e3o obstante, o reconhecimento da Mente \u00danica poder\u00e1 ser realizado ap\u00f3s um per\u00edodo maior ou menor. Algumas pessoas t\u00e3o logo ouvem estes ensinamentos, livram-se do pensamento conceitual como um rel\u00e2mpago. Existem outros que obt\u00eam o mesmo resultado logo ap\u00f3s ter seguido as Dez Cren\u00e7as, as Dez Etapas, as Dez Atividades e as Dez Doa\u00e7\u00f5es de M\u00e9rito. E ainda outros obt\u00eam este resultado ap\u00f3s passarem pelas Dez Etapas de Progresso do Bodisatva <sup>1<\/sup>. Por\u00e9m, t\u00e3o logo voc\u00eas transcendam o pensamento conceitual a realizam em um per\u00edodo breve, n\u00e3o sendo necess\u00e1rio um processo gradual e prolongado. O resultado \u00e9 um estado de SER: n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias pr\u00e1ticas piedosas nem a\u00e7\u00f5es a realizar. Dizer que n\u00e3o h\u00e1 nada a alcan\u00e7ar n\u00e3o s\u00e3o palavras vans; \u00e9 a pura verdade. Al\u00e9m disso, o resultado de seus prop\u00f3sitos realizados em um instante ser\u00e1 o mesmo do que seriam necess\u00e1rios seguindo as Dez Etapas do Progresso do <i>Bodisatva,<\/i> pois este estado de ser n\u00e3o admite graus, de modo que o procedimento gradual implica <i>kalpas<\/i> de sofrimentos desnecess\u00e1rios.<\/p>\n<p><i>1.<\/i> <i>Essas categorias s\u00e3o todas partes da doutrina como ensinam outras escolas, embora possam ser \u00fateis para preparar o terreno, a mente deve dar um salto, indo al\u00e9m de um processo gradual.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 48<\/p>\n<p><b>7.<\/b><b> <\/b>No contexto dos ensinamentos a acumula\u00e7\u00e3o do bem e do mal implicam apego \u00e0 forma <sup>1<\/sup>.<b> <\/b>Aqueles que apegados \u00e0 forma, cometerem m\u00e1s a\u00e7\u00f5es, ter\u00e3o de passar desnecessariamente por v\u00e1rias encarna\u00e7\u00f5es; aqueles que, apegados \u00e0 forma, praticam o bem, obrigam-se a si mesmos a sofrer fadigas e priva\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m sem necessidade alguma. Tanto em um como no outro caso \u00e9 melhor obter uma inicia\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea do pr\u00f3prio ser e compreender o <i>Dharma <\/i>fundamental. <b>Este Dharma \u00e9 a Mente<\/b>, <b>al\u00e9m da qual n\u00e3o existe Dharma; e esta Mente \u00e9 o Dharma, al\u00e9m da qual n\u00e3o existe mente. A Mente em si mesma n\u00e3o \u00e9 a mente, tampouco \u00e9 a n\u00e3o-mente. Dizer que Mente \u00e9 n\u00e3o-mente implica algo existente <\/b><b><sup>2<\/sup>.<\/b> Permita-nos que haja um t\u00e1cito acordo e nada mais. Fora com todo pensar e com todas as explica\u00e7\u00f5es! Ent\u00e3o podemos dizer que o caminho das palavras foi cortado e a agita\u00e7\u00e3o da mente eliminada. <b>Esta Mente \u00e9 o puro Buda original inerente a todos os homens. Todos os seres semoventes na posse de vida senciente, e todos os Budas e Bodisatvas s\u00e3o da mesma subst\u00e2ncia sem diferen\u00e7a alguma.<\/b> As diferen\u00e7as s\u00e3o produzidas somente com o pensar err\u00f4neo e conduzem a cria\u00e7\u00e3o de todos os g\u00eaneros de carmas.<\/p>\n<p><i>1. Segundo o zen, seus seguidores devem executar atos virtuosos, por\u00e9m n\u00e3o com a finalidade de acumular m\u00e9ritos nem como meios de chegar \u00e0 Ilumina\u00e7\u00e3o. O ator dever\u00e1 permanecer perfeitamente desligado dos atos e de seus resultados. O m\u00e9rito, n\u00e3o obstante ser excelente em si mesmo, nada tem a ver com a ilumina\u00e7\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p><i>2. <\/i><i>Em outras palavras, Mente \u00e9 um termo arbitr\u00e1rio para algo que n\u00e3o pode expressar-se apropriadamente por palavras.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 49<\/p>\n<p><b>8. <\/b>A<b> <\/b>\u2018nossa\u2019 natureza b\u00fadica original \u00e9, em inequ\u00edvoca verdade, carente de um \u00e1tomo sequer de objetividade. \u00c9 vazia, onipresente, silente e pura; \u00e9 gozo tranq\u00fcilo, excelso e misterioso, isso \u00e9 tudo. Penetrem profundamente nela despertando &#8216;sua pr\u00f3pria&#8217; natureza. (que tamb\u00e9m existe em tudo). Isto \u00e9 o que existe diante de voc\u00ea em toda sua plenitude, totalmente integra. Nada h\u00e1 que n\u00e3o seja ela. Ainda quando siga todas as etapas do progresso dos Bodisatvas, uma por uma, quando ao final, em um supremo instante veja a realidade completa, n\u00e3o ter\u00e1 feito outra coisa que se dar conta da Natureza B\u00fadica, que jamais deixou de estar com voc\u00ea; e com todas as etapas passadas n\u00e3o ter\u00e1 adicionado absolutamente nada. Ao final n\u00e3o considerar\u00e1 esses <i>kalpas<\/i> de logro e de esfor\u00e7o, sen\u00e3o como a\u00e7\u00f5es realizadas em um sonho. Por isso o Tathagata disse: &#8211; <b><i>\u201cVerdadeiramente nada alcancei com a total e insuper\u00e1vel Ilumina\u00e7\u00e3o. Se tivesse alcan\u00e7ado algo, o Buda Dipamkara n\u00e3o teria feito a profecia sobre mim\u201d.<\/i><\/b><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m disse: &#8211; <strong><i>\u201cEsse Dharma carece em absoluto de distin\u00e7\u00f5es e de graus superiores e inferiores, e seu nome \u00e9 Bodhi. \u00c9 a mente pura, que \u00e9 a origem de todas as coisas e que, tanto se aparece na forma de seres sencientes como na de Budas, como na dos rios e na das montanhas do mundo das formas, como tamb\u00e9m no que carece de forma interpenetrando o Universo inteiro. Tamb\u00e9m carece absolutamente de distin\u00e7\u00f5es, posto que em seu reino n\u00e3o existem entidades tais como o ego\u00edsmo e o altru\u00edsmo\u201d.<\/i><\/strong><\/p>\n<p>Pag. 50<\/p>\n<p><b>9. <\/b>Esta<b> <\/b>Mente pura, origem de todas as coisas, brilha perpetuamente sobre tudo quanto existe, com o resplendor de sua pr\u00f3pria perfei\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m aqueles que vivem no mundo n\u00e3o despertam para sua luz, cuidando como cuidam t\u00e3o somente do que v\u00eaem, do que ouvem, do que sentem e do que conhecem com a mente. Cegos pela sua pr\u00f3pria vis\u00e3o, surdos por seu pr\u00f3prio ouvir, insens\u00edveis por seu pr\u00f3prio sentir, e ignorantes por seu pr\u00f3prio pensar, n\u00e3o percebem o brilho da subst\u00e2ncia original.<b> <\/b>Se t\u00e3o somente eliminassem num s\u00fabito rel\u00e2mpago todo pensamento conceitual, se manifestaria essa subst\u00e2ncia original como o sol ascende no vazio e que ilumina o universo inteiro sem obst\u00e1culos nem limita\u00e7\u00f5es. Portanto, se voc\u00eas, estudantes do caminho, tratassem de progredir mediante a vis\u00e3o, o olfato, a audi\u00e7\u00e3o, o tato, o sentimento, o conhecimento, quando se virem privados de suas percep\u00e7\u00f5es, seus caminhos para a Mente seriam interceptados e n\u00e3o encontrariam meios de entrar. Compreendam claramente que, embora a Mente verdadeira se expresse nestas percep\u00e7\u00f5es, nem toma parte delas, nem est\u00e1 separado delas. N\u00e3o devem come\u00e7ar a raciocinar sobre essas percep\u00e7\u00f5es nem permitir que d\u00eaem lugar a pensamentos conceituais; e, no entanto n\u00e3o deveriam tampouco buscar a Mente \u00danica separada delas, nem abandona-las na busca do Dharma. Acima, abaixo e ao redor de voc\u00eas, tudo existe espontaneamente, pois n\u00e3o h\u00e1 lugar algum onde n\u00e3o exista a Mente \u00danica.<\/p>\n<p>Pag. 51<\/p>\n<p><b>10. <\/b>Quando as pessoas do mundo ouvem dizer que os Budas transmitem a Doutrina da Mente, imaginam que existe algo a alcan\u00e7ar ou compreender al\u00e9m da Mente e, portanto, utilizam a Mente para buscar o Dharma, <b>sem compreender que a Mente e o objeto de sua busca s\u00e3o um e o mesmo.<\/b> N\u00e3o se pode utilizar a Mente para buscar algo da Mente; pois, ent\u00e3o, ap\u00f3s passar milh\u00f5es de <i>kalpas<\/i>, o dia do \u00eaxito n\u00e3o ter\u00e1 ainda amanhecido. Tal m\u00e9todo n\u00e3o \u00e9 compar\u00e1vel com a repentina elimina\u00e7\u00e3o do pensamento conceitual, que constitui o <i>Dharma<\/i> fundamental. Imagine um guerreiro que, esquecendo que j\u00e1 leva sua p\u00e9rola na testa, fosse busc\u00e1-la em algum outro lugar. Certamente n\u00e3o a encontraria embora viajasse por toda a Terra. Por\u00e9m se outra pessoa, compreendendo a situa\u00e7\u00e3o, viesse a lhe indicar onde esta, o guerreiro a encontraria imediatamente e compreenderia que a p\u00e9rola estivera constantemente ali. Assim \u00e9 que se voc\u00eas, estudantes do Caminho, por se enganarem sobre \u2018sua\u2019 pr\u00f3pria Mente verdadeira, ao n\u00e3o reconhecerem que s\u00e3o Budas, a buscassem consequentemente em algum outro lugar, entregando-se a v\u00e1rias fa\u00e7anhas e pr\u00e1ticas, esperando obter seu objetivo por tais pr\u00e1ticas graduais. Por\u00e9m, mesmo depois de <i>kalpas <\/i>de busca diligente, n\u00e3o lhes ser\u00e1 poss\u00edvel encontrar o Caminho. Estes m\u00e9todos n\u00e3o podem ser comparados com a elimina\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea do pensamento conceitual, na certeza de que n\u00e3o h\u00e1 nada que tenha exist\u00eancia absoluta, nada que nos ofere\u00e7a um apoio, nada em que possamos confiar nada que nos d\u00ea ref\u00fagio, nada subjetivo ou objetivo. Evitando qualquer causa que d\u00ea espa\u00e7o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do pensamento conceitual, ser\u00e1 assim que encontrar\u00e3o <i>Bodhi;<\/i> e quando a encontrarem, n\u00e3o ter\u00e3o feito outra coisa que encontrar o Buda, que sempre existiu em sua pr\u00f3pria Mente. Os <i>kalpas<\/i> de laboriosos esfor\u00e7os parecer\u00e3o como outros tantos <i>kalpas<\/i> de empenhos malogrados; tal como aconteceu ao guerreiro do exemplo, quando encontrou sua p\u00e9rola e compreendeu que a matinha sempre pendurada na sua testa; e do mesmo modo seu achado n\u00e3o tinha nada a ver com seus esfor\u00e7os para descobri-la em algum outro lugar. Por essa raz\u00e3o o Buda disse:<\/p>\n<p><strong>\u00a0<i>\u201c-Na realidade nada alcancei com a completa e insuper\u00e1vel Ilumina\u00e7\u00e3o\u201d.<\/i><\/strong><\/p>\n<p>Por temor de que as pessoas n\u00e3o lhe acreditassem, explicou o que se v\u00ea com as cinco modalidades de vis\u00e3o e o que se diz com os cinco g\u00eaneros de fala. Assim, pois esta cita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma frase v\u00e3, por\u00e9m que expressa a mais elevada verdade.<\/p>\n<p>Pag. 53<\/p>\n<p><b>11. <\/b>Os estudantes do Caminho deveriam estar certos de que os quatro elementos constitutivos do corpo n\u00e3o constituem o \u201ceu\u201d; de que o \u201ceu\u201d n\u00e3o \u00e9 uma entidade; e que disto podemos deduzir que o corpo n\u00e3o \u00e9 o \u201ceu\u201d nem tampouco uma entidade. Al\u00e9m disso, os cinco agregados que comp\u00f5e corpo e mente, n\u00e3o constituem um \u201ceu\u201d nem entidade alguma; disso podemos deduzir que corpo\/mente [chamado indiv\u00edduo] n\u00e3o \u00e9 nem um \u201ceu\u201d, nem uma entidade. Os seis \u00f3rg\u00e3os dos sentidos [inclusive a mente], que juntamente com os seis tipos de percep\u00e7\u00e3o e os seis tipos de objetos da percep\u00e7\u00e3o constituem o mundo sens\u00f3rio, devem entender-se da mesma maneira. Esses dezoito aspectos dos sentidos s\u00e3o vazios, tanto separada como conjuntamente. Somente existe a Origem Mental, de ilimitada extens\u00e3o e absoluta pureza.<\/p>\n<p>Pag. 53\/54<\/p>\n<p><b>12.<\/b> Assim, pois existe a comida sensual e a comida s\u00e1bia. Quando o corpo composto por elementos sente o aguilh\u00e3o da fome consequentemente lhes damos alimentos, por\u00e9m sem gula, isto \u00e9 o que se chama comida s\u00e1bia. Por outro lado, se gozarmos glutonamente na pureza e sabor, daremos apoio \u00e0s distin\u00e7\u00f5es que s\u00e3o produzidas como consequ\u00eancia do pensamento err\u00f4neo. Tratar meramente de gratificar o \u00f3rg\u00e3o do paladar sem nos darmos conta que j\u00e1 basta o quanto comemos, se denomina comida sensual.<\/p>\n<p>Pag. 54<\/p>\n<p><b>13.<\/b> Os <i>Sravakas<\/i> <sup>1<\/sup> procuram alcan\u00e7am a ilumina\u00e7\u00e3o ouvindo o Dharma, por isso se chamam <i>Sravakas<\/i>. Os <i>Sravakas <\/i>n\u00e3o conseguem compreender sua pr\u00f3pria mente, portanto permitem que se formem conceitos originados ao escutar a doutrina. Tanto se ouvem mencionar a exist\u00eancia de <i>Bodhi<\/i> e do Nirvana mediante poderes paranormais, ou por sua boa sorte, ou na predica\u00e7\u00e3o, alcan\u00e7ar\u00e3o a qualidade b\u00fadica depois de tr\u00eas <i>kalpas<\/i> de dura\u00e7\u00e3o infinitamente longa. Tudo isso \u00e9 o que corresponde \u00e0 modalidade dos <i>Sravakas, <\/i>por esta raz\u00e3o s\u00e3o chamados budas <i>Sravakas. <\/i><b>Por\u00e9m despertar repentinamente para o fato de que a pr\u00f3pria Mente \u00e9 o Buda, de que n\u00e3o h\u00e1 nada a alcan\u00e7ar nem a\u00e7\u00e3o alguma a executar, este \u00e9 o Caminho Supremo; isto \u00e9 realmente ser como Buda<\/b><b>;<\/b> somente temo que voc\u00eas estudantes do Caminho, por trazerem \u00e0 exist\u00eancia um s\u00f3 pensamento, poder\u00e3o talvez criar uma barreira que os separem do Caminho. De pensamento ap\u00f3s pensamento, de instante ap\u00f3s instante, nenhuma FORMA; De pensamento ap\u00f3s pensamento, instante ap\u00f3s instante, nenhuma ATIVIDADE; eis aqui o que \u00e9 ser um Buda. Se voc\u00eas estudantes do Caminho desejam ser Budas, n\u00e3o necessitam estudar doutrina alguma, mas aprender somente a evitar a busca de algo e o apego a qualquer coisa que seja. N\u00e3o buscar coisa alguma implica Mente Inata [N\u00e3o-nascida]; n\u00e3o apegar-se a nada implica Mente sem destrui\u00e7\u00e3o; e o que n\u00e3o nasceu nem ser\u00e1 destru\u00eddo \u00e9 o Buda. Os oitenta e quatro mil m\u00e9todos de confrontar as oitenta e quatro mil formas de ilus\u00e3o, s\u00e3o apenas figuras de ret\u00f3rica para atrair as pessoas \u00e0 Entrada. Na realidade nenhum deles tem exist\u00eancia real. <b>Desprendimento de todos os objetos \u00e9 o Dharma e quem compreende isso \u00e9 um Buda<\/b><b>; <\/b><b>por\u00e9m o abandono de TODAS as ilus\u00f5es n\u00e3o nos deixa Dharma algum em que apoiar-nos.<\/b><\/p>\n<p><i>1. Os seguidores do hinayana.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 55\/56<\/p>\n<p><b>14.<\/b> Se voc\u00eas, estudantes do Caminho desejam conhecimento deste grande mist\u00e9rio, n\u00e3o fa\u00e7am sen\u00e3o evitar apego a todas as coisas al\u00e9m da mente. Dizer que o verdadeiro <i>Dharmakaya<\/i> do Buda \u00e9 semelhante ao Vazio, n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o dizer que o <i>Dharmakaya <\/i>\u00e9 o Vazio e que o Vazio \u00e9 o <i>Dharmakaya. <\/i>As pessoas sustentam frequentemente que o <i>Dharmakaya <\/i>est\u00e1 no Vazio e que o Vazio cont\u00e9m o <i>Dharmakaya <\/i>sem compreender que s\u00e3o id\u00eanticos. Por\u00e9m se definirmos o vazio como algo que existe, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o <i>Dharmakaya; <\/i>e se definimos o <i>Dharmakaya <\/i>como algo que existe, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o Vazio. Evitem qualquer concep\u00e7\u00e3o objetiva do Vazio e ent\u00e3o isso <b>&#8216;\u00e9&#8217;<\/b> o <i>Dharmakaya<\/i><i>;<\/i> e somente ao evitar qualquer concep\u00e7\u00e3o objetiva do<i> Dharmakaya, <\/i>ent\u00e3o<i> <\/i>eis a\u00ed o que \u00e9 o Vazio. Um n\u00e3o difere do outro, nem existe diferen\u00e7a alguma entre os seres sencientes e os Budas, nem entre <i>samsara<\/i> e <i>nirvana,<\/i> nem entre ilus\u00e3o e <i>Bodhi.<\/i> Quando todas as formas forem abandonadas, surge o Buda. As pessoas comuns prestam aten\u00e7\u00e3o ao que as rodeia, enquanto aqueles que seguem o Caminho prestam aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Mente; por\u00e9m o Dharma verdadeiro consiste em esquecer tanto um como o outro. O primeiro \u00e9 bastante f\u00e1cil; o segundo, muito dif\u00edcil. O homem tem medo de esquecer sua mente por temor de cair no Vazio sem nada que contenha sua queda. <b>N\u00e3o sabe que o Vazio n\u00e3o est\u00e1 totalmente vazio, mas que \u00e9 o reino do verdadeiro Dharma<\/b>. <b>Esta natureza espiritualmente clara n\u00e3o tem princ\u00edpio, \u00e9 t\u00e3o antiga como o vazio, n\u00e3o est\u00e1 sujeita a nascimento nem a destrui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 existente nem n\u00e3o existente, nem \u00e9 pura nem impura, n\u00e3o \u00e9 gritante nem calada, nem jovem nem velha, n\u00e3o ocupa espa\u00e7o algum, n\u00e3o tem interior nem exterior, nem tamanho nem forma, cor nem som. N\u00e3o a podemos buscar, \u00e9 incompreens\u00edvel para a sabedoria e para o conhecimento, n\u00e3o podemos explica-la com palavras, toc\u00e1-la materialmente, nem alcan\u00e7\u00e1-la por atos merit\u00f3rios.<\/b> Todos os Budas e Bodisatvas juntamente com todos os seres que se agitam possu\u00eddos pela vida, s\u00e3o participes desta magna natureza <i>nirv\u00e2nica.<\/i> Tal natureza \u00e9 a Mente; a mente \u00e9 Buda e o Buda \u00e9 o Dharma. Qualquer pensamento que difira desta verdade \u00e9 completamente um pensamento err\u00f4neo. N\u00e3o podemos usar a Mente para buscar a Mente, nem o Buda para buscar o Buda, nem o Dharma para buscar o Dharma. Assim, pois voc\u00eas estudantes do Caminho deveriam refrear imediatamente seus pensamentos conceituais. Que prevale\u00e7a somente uma t\u00e1cita compreens\u00e3o! Todo processo mental deve necessariamente conduzir ao erro. <b>N\u00e3o existe mais do que uma transmiss\u00e3o de Mente a Mente<\/b>. Tal \u00e9 o crit\u00e9rio pertinente. Cuidem de n\u00e3o prestar aten\u00e7\u00e3o ao meio material circundante. Aqueles que confundem tal meio com a Mente podem equiparar-se ao homem que tomou um ladr\u00e3o por seu filho <sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p><i>1.<\/i> <i>Existe um relato de um homem que tomou um ladr\u00e3o por seu filho perdido por longo tempo e dispensou uma calorosa acolhida, o que facilitou a ele escapar com quase todos os pertences do homem. Aqueles que p\u00f5em sua confian\u00e7a em coisas materiais encontram-se em perigo de perder o mais valioso de seus bens: a chave do enigma da vida que serve para abrir a porta do Nirvana. \u00a0<\/i><\/p>\n<p>Pag. 57<\/p>\n<p>1<b>5.<\/b><b> <\/b>\u00c9 t\u00e3o somente por contraposi\u00e7\u00e3o ao apego, \u00e0 raiva e \u00e0 ignor\u00e2ncia que existem a abstin\u00eancia, a calma e a sabedoria. Sem ilus\u00e3o, como existiria a Ilumina\u00e7\u00e3o? Por esta raz\u00e3o Bodhidharma disse: \u201cO Buda enunciou todos os Dharmas a fim de eliminar qualquer vest\u00edgio de pensamento conceitual. Se me abstiver completamente de dar lugar ao pensamento conceitual, de que me serviriam todos os Dharmas?\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o se apeguem a nada que n\u00e3o seja a pura natureza b\u00fadica, que \u00e9 a fonte original de todas as coisas. Suponham que fossem adornar o vazio com inumer\u00e1veis joias, como permaneceriam na devida posi\u00e7\u00e3o? A natureza b\u00fadica \u00e9 semelhante ao Vazio; embora a adornem com inestim\u00e1veis m\u00e9ritos e sabedoria, como permaneceriam na devida posi\u00e7\u00e3o? Somente serviriam para ocultar sua natureza original e torn\u00e1-la invis\u00edvel.<\/p>\n<p>A chamada Doutrina das Origens Mentais <i>(seguida por outras escolas) <\/i>postula que todas as coisas se formam na Mente e que se manifestam ao entrar em contato com o ambiente externo, deixando de manifestar-se quando o ambiente cessa de estar presente. <b>Por\u00e9m \u00e9 errado conceber um ambiente separado da pura e constante natureza de todas as coisas.<\/b><\/p>\n<p>O que chamamos de Espelho da Concentra\u00e7\u00e3o e Sabedoria requer o uso da vis\u00e3o, do ouvido, do tato, do paladar e do entendimento, o que conduz a estados sucessivos de calma e agita\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m estes estados implicam concep\u00e7\u00f5es baseadas em objetos do ambiente; s\u00e3o expedientes passageiros correspondentes a uma das categorias inferiores das \u201cra\u00edzes da bondade<sup>1<\/sup>\u201d. E esta categoria de \u201cra\u00edzes da bondade\u201d meramente habilita \u00e0s pessoas para compreender o que lhes dizemos. Se voc\u00eas quiserem ter a experi\u00eancia da Ilumina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o devem se deixar levar por tais concep\u00e7\u00f5es. Todas s\u00e3o apenas dharmas do ambiente que se referem ao que \u00e9 e ao que n\u00e3o-\u00e9, baseados na exist\u00eancia e na inexist\u00eancia. Somente evitando os conceitos de exist\u00eancia e inexist\u00eancia referentes absolutamente a tudo, ent\u00e3o voc\u00eas se dar\u00e3o conta do DHARMA.<\/p>\n<p><i>1.<\/i> <i>Alguns seguidores do mahayana acreditam que as ra\u00edzes da bondade s\u00e3o \u201cpotenciais da Ilumina\u00e7\u00e3o\u201d de diferentes graus de for\u00e7a, que os indiv\u00edduos renascem de acordo com os v\u00e1rios m\u00e9ritos que tenham acumulado em vidas anteriores.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 58<\/p>\n<p><b>16.<\/b><b> <\/b>No primeiro dia da nona lua, o mestre me disse: \u201cDesde que o grande Mestre Bodhidharma chegou \u00e0 China, falou somente da Mente \u00danica e transmitiu somente um Dharma. Usou o Buda para transmitir o Buda, sem nunca falar de algum outro Buda. Empregou o Dharma para transmitir o Dharma, sem jamais falar de nenhum outro Dharma. Tal Dharma \u00e9 o Dharma Inef\u00e1vel, e o tal Buda \u00e9 o Buda Intang\u00edvel, j\u00e1 que na realidade \u00e9 a Mente Pura, origem de todas as coisas. Esta \u00e9 a \u00fanica verdade; tudo o mais \u00e9 falso. <i>Prajna<\/i> \u00e9 Sabedoria; Sabedoria \u00e9 a informe Mente Primordial original. As pessoas comuns n\u00e3o buscam o Caminho, mas meramente procuram gratificar os seis sentidos, o que conduz ao regresso aos seis sentidos da exist\u00eancia. O estudante do Caminho que permite abrigar um s\u00f3 pensamento sams\u00e1rico, cai entre os dem\u00f4nios. Se permitirmos um s\u00f3 pensamento que conduz \u00e0 percep\u00e7\u00e3o da desigualdade, cometemos uma heresia. Sustentar que existe algo nascido e tratar de elimin\u00e1-lo, \u00e9 cair entre os <i>Sravakas<\/i>. Manter que algo n\u00e3o nasceu por\u00e9m que \u00e9 suscept\u00edvel de destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 cair entre os <i>Pratyekas<\/i>. Nada nasce, nada se destr\u00f3i. Joguem fora seu dualismo! Abandonem seus gosto e n\u00e3o gosto! Cada coisa que existe n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o a Mente \u00danica. Quando tiverem tomado consci\u00eancia disso, tomar\u00e3o assento na Carruagem dos Budas.<\/p>\n<p>Pag. 59<\/p>\n<p>1<b>7.\u00a0 <\/b>Todas as pessoas comuns entregam-se habitualmente ao pensamento conceitual baseado nos fen\u00f4menos circunstanciais, o que origina desejo e avers\u00e3o. Para eliminar os fen\u00f4menos circunstanciais coloque um fim no pensamento conceitual. Quando ele cessa, os fen\u00f4menos circunstanciais mostram-se vazios; e quando estes se esvaziam, o pensamento cessa. Por\u00e9m se tentamos eliminar o ambiente que d\u00e1 origem aos fen\u00f4menos circundantes sem por fim ao pensamento conceitual, n\u00e3o conseguir\u00e3o; pior, acrescentar\u00e3o mais poder para perturb\u00e1-los. Portanto, todas as coisas n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o a Mente; a Mente Intang\u00edvel. E, sendo assim, o que poder\u00e3o obter? Os estudantes de <i>Prajna<\/i> (Sabedoria) mant\u00eam que n\u00e3o existe coisa alguma tang\u00edvel, logo deixam de pensar nos Tr\u00eas Ve\u00edculos. Existe somente uma Realidade que n\u00e3o \u00e9 para se conquistar nem para se obter. Dizer \u201ceu sou capaz de conquistar ou eu posso obter algo\u201d \u00e9 situar-se entre os arrogantes. Os homens que sacudiram seu manto e abandonaram a reuni\u00e3o, segundo mencionado no <i>Sutra do L\u00f3tus,<\/i> pertenciam a essa classe de indiv\u00edduos. Foi por isso que Buda disse: <b><i>\u201cNa verdade nada obtive com a Ilumina\u00e7\u00e3o\u201d.<\/i><\/b><b><i> <\/i><\/b>Produziu-se uma compreens\u00e3o misteriosa e t\u00e1cita, e nada mais.<\/p>\n<p>Pag. 60<\/p>\n<p><b>18<\/b><b>. <\/b>Se o homem comum, quando pr\u00f3ximo da morte, pudesse ver os cincos elementos, <i>(os 5<\/i> <i>scandas)<\/i> como vacuidade, que estes cinco elementos n\u00e3o constituem uma entidade, um \u201ceu\u201d; e a Mente verdadeira sem forma nem situa\u00e7\u00e3o, nem daqui nem de mais al\u00e9m; sua natureza como algo que n\u00e3o come\u00e7a ao nascer nem termina ao morrer, mas como totalidade e imobilidade em toda sua profundidade; \u2018sua\u2019 Mente e os objetos do ambiente como Unidade; se for poss\u00edvel realmente perceber isso, instantaneamente realizaria a Ilumina\u00e7\u00e3o. N\u00e3o ficaria enredado no Mundo Triplo; teria transcendido o mundo. N\u00e3o teria a mais leve tend\u00eancia de nascer de novo. Mesmo se tivesse a vis\u00e3o gloriosa de todos os Budas que viriam dar-lhe as boas-vindas rodeadas de todas as esp\u00e9cies de manifesta\u00e7\u00f5es portentosas, n\u00e3o sentiria desejo algum de reunir-se a eles. Se fosse rodeado por toda classe de formas horrendas, n\u00e3o experimentaria terror algum. Permaneceria em si mesmo, indiferente a qualquer pensamento conceitual, unificado com o Absoluto. Alcan\u00e7aria o estado de ser incondicionado. Este \u00e9, pois, o princ\u00edpio fundamental.<\/p>\n<p>Pag. 61\/62<\/p>\n<p><b>19.<\/b> No oitavo dia da d\u00e9cima lua, disse-me o mestre: \u201cO que se chama Cidade da Ilus\u00e3o cont\u00e9m os Dois Ve\u00edculos, as Dez Etapas do Progresso dos <i>Bodisatvas<\/i> e as duas formas da Completa Ilumina\u00e7\u00e3o. Tudo isso constitui um poderoso ensinamento para estimular o interesse das pessoas; todavia, isso faz parte da Cidade da Ilus\u00e3o <sup>1<\/sup>\u201d. O que se chama o Lugar das Preciosidades \u00e9 a Mente Verdadeira, a Ess\u00eancia B\u00fadica original, o tesouro da \u2018nossa\u2019 Natureza \u2018pr\u00f3pria\u2019 e Verdadeira. Estas j\u00f3ias n\u00e3o podem ser avaliadas nem acumuladas. Mas, posto que n\u00e3o existem nem Budas nem seres sencientes, nem sujeito nem objeto,\u00a0 onde poderemos encontrar o lugar das Preciosidades? Se perguntarmos, muito se poder\u00e1 dizer da Cidade da Ilus\u00e3o; por\u00e9m, onde est\u00e1 o lugar das Preciosidades? \u00c9 um lugar para o qual n\u00e3o se pode dar instru\u00e7\u00e3o alguma; pois, se pud\u00e9ssemos assinalar sua dire\u00e7\u00e3o, existiria no espa\u00e7o; logo n\u00e3o poderia ser o lugar verdadeiro das Preciosidades. Tudo o que podemos indicar \u00e9 que est\u00e1 muito pr\u00f3ximo. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel descrev\u00ea-lo exatamente; por\u00e9m quando tenham uma compreens\u00e3o t\u00e1cita de sua subst\u00e2ncia, ali voc\u00eas ver\u00e3o claramente que \u00e9 a Mente Verdadeira.<\/p>\n<p><i>1.<\/i> <i>A<\/i><i> Cidade da Ilus\u00e3o \u00e9 um termo tomado do Sutra do L\u00f3tus e aqui implica um temporal ou incompleto Nirvana. Do ponto de vista Zen, \u00e9 prov\u00e1vel que todos os ensinamentos das muitas escolas baseadas na cren\u00e7a da Ilumina\u00e7\u00e3o gradual, conduzam seus seguidores \u00e0 Cidade da Ilus\u00e3o, porque todas elas parecem seguir uma ou outra forma de dualismo.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 63<\/p>\n<p><b>20. <\/b><i>Icchantikas<\/i> s\u00e3o os que t\u00eam cren\u00e7as incompletas. Todos os seres que habitam nos seis reinos da exist\u00eancia inclusive os adeptos do <i>Mahayana<\/i> e do <i>Hinayana,<\/i> se n\u00e3o acreditam em sua qualidade b\u00fadica potencial, s\u00e3o chamados, portanto de <i>icchantikas<\/i> com ra\u00edzes de bondade cerceadas. Os <i>Bodhisatvas<\/i> que cr\u00eaem firmemente no Dharma b\u00fadico sem aceitar a divis\u00e3o em <i>Mahayana<\/i> e <i>Hinayana<\/i>, por\u00e9m n\u00e3o compreendem a Natureza \u00fanica dos Budas e seres sencientes s\u00e3o, portanto chamados <i>icchantikas<\/i> com ra\u00edzes de bondade. Aqueles que recebem a Ilumina\u00e7\u00e3o por haverem ouvido falar da doutrina, denominam-se <i>Sravakas<\/i> (ouvintes). Os que recebem a Ilumina\u00e7\u00e3o mediante a percep\u00e7\u00e3o da lei do Carma, s\u00e3o denominados <i>pratiekabudas.<\/i> Os que chegam a Budas, por\u00e9m porque a Ilumina\u00e7\u00e3o n\u00e3o aconteceu em sua pr\u00f3pria mente, s\u00e3o chamados budas ouvintes. A maior parte dos estudantes do Caminho, recebem a Ilumina\u00e7\u00e3o por ter ouvido o Dharma que \u00e9 ensinado por palavras e n\u00e3o pelo Dharma da Mente. Mesmo ap\u00f3s sucessivos <i>kalpas<\/i> de esfor\u00e7os ainda n\u00e3o se colocaram em harmonia com a Ess\u00eancia b\u00fadica original. Aqueles que n\u00e3o foram Iluminados do interior da pr\u00f3pria Mente, mas escutando o Dharma que \u00e9 ensinado por palavras, n\u00e3o d\u00e3o muita import\u00e2ncia \u00e0 Mente e atribuem grande import\u00e2ncia \u00e0 doutrina, e assim avan\u00e7am passo a passo, descuidando da Mente Original. De modo que, se tiverem somente uma compreens\u00e3o t\u00e1cita da mente, n\u00e3o necessitar\u00e3o investigar o Dharma, pois, em tal caso a Mente \u00e9 o Dharma.<\/p>\n<p>Pag. 63<\/p>\n<p><b>21. \u00a0<\/b>As pessoas, para perceberem a Mente frequentemente se v\u00eaem perturbadas pelos fen\u00f4menos circunstanciais e pelos acontecimentos, para perceberem os princ\u00edpios fundamentais, de maneira que com frequ\u00eancia procuram escapar dos fen\u00f4menos circunstanciais com a finalidade de aquietar sua mentalidade particular ou, de outro modo, obscurecer os fatos com o objetivo de se manterem unidos com os princ\u00edpios. N\u00e3o se d\u00e3o conta de que isto \u00e9 meramente tentar obscurecer os fen\u00f4menos com a mente e os acontecimentos com os princ\u00edpios. Deixem que suas mentes permane\u00e7am vazias e os fen\u00f4menos circunstanciais se esvaziar\u00e3o por si mesmos; permitam que os princ\u00edpios deixem de se agitar por si mesmos. Nunca usem suas mentes de maneira t\u00e3o pervertida.<\/p>\n<p>Muita gente tem medo de esvaziar sua mente por temor de cair no vazio. N\u00e3o compreendem que suas pr\u00f3prias mentes s\u00e3o vazias. Em sua ignor\u00e2ncia evitam os fen\u00f4menos, por\u00e9m n\u00e3o os pensamentos; os s\u00e1bios evitam os pensamentos, mas n\u00e3o os fen\u00f4menos.<\/p>\n<p>Pag. 64\/65<\/p>\n<p><b>22. \u00a0<\/b>A<b> <\/b>mente do <i>Bodhisatva<\/i> \u00e9 semelhante ao vazio, uma vez que renuncia a tudo e n\u00e3o deseja sequer acumular m\u00e9ritos. Existem tr\u00eas esp\u00e9cies de ren\u00fancia. A que se verifica quando abandonamos tudo, tanto externamente quanto internamente; tanto corporal quanto mentalmente; quando, como acontece no Vazio, n\u00e3o fica apego algum; quando toda a\u00e7\u00e3o \u00e9 ditada puramente pelo lugar e as circunst\u00e2ncias em que nos encontramos; quando a subjetividade e a objetividade s\u00e3o esquecidas; esta \u00e9 a forma de <b>ren\u00fancia<\/b> <b>mais elevada<\/b>.\u00a0 Quando, por um lado, seguimos o Caminho com a pr\u00e1tica de atos virtuosos, enquanto por outro lado existe a ren\u00fancia dos m\u00e9ritos e n\u00e3o abrigamos esperan\u00e7a de recompensa: esta \u00e9 a forma de <b>ren\u00fancia m\u00e9dia<\/b>. Quando realizamos todas as esp\u00e9cies de a\u00e7\u00f5es virtuosas com esperan\u00e7a de recompensa: esta \u00e9 a forma de ren\u00fancia <b>mais baixa<\/b>. A primeira \u00e9 como uma tocha flamejante, sustentada diante do Caminho o que torna imposs\u00edvel equivocar-nos de rumo; a segunda \u00e9 como uma tocha sustentada lateralmente, de forma que algumas vezes ilumina e \u00e0s vezes escurece; a terceira \u00e9 como uma tocha mantida \u00e0s costas de modo que n\u00e3o permite ver os obst\u00e1culos a frente do caminho.<\/p>\n<p>Pag. 65<\/p>\n<p><b>23.<\/b> Assim, pois a mente do <i>Bodhisatva<\/i> que renuncia a tudo \u00e9 semelhante ao Vazio. N\u00e3o se agarrar aos pensamentos do passado \u00e9 o que se chama ren\u00fancia do passado. N\u00e3o se apegar aos pensamentos do presente \u00e9 o que se chama ren\u00fancia do presente. N\u00e3o se apegar aos pensamentos do futuro \u00e9 o que se chama ren\u00fancia do futuro. Tudo isso \u00e9 o que se chama ren\u00fancia completa do Tempo Triplo.\u00a0 Desde que o <i>Tathagata<\/i> confiou \u00e0 Kasyapa o Dharma at\u00e9 agora, a Mente foi transmitida pela Mente e tanto uma como a outra sempre foram a mesma. A transmiss\u00e3o do Vazio n\u00e3o pode se verificar com palavras. Uma transmiss\u00e3o em termos concretos n\u00e3o pode ser o Dharma. Assim, pois a Mente \u00e9 transmitida pela Mente, e estas mentes n\u00e3o diferem de modo algum. Transmitir e receber a transmiss\u00e3o s\u00e3o ambos um g\u00eanero dificil\u00edssimo de misteriosa compreens\u00e3o, de modo que s\u00e3o muito poucos aqueles que foram capazes de logr\u00e1-la. No entanto, de fato a Mente n\u00e3o \u00e9 a Mente e a transmiss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 realmente a transmiss\u00e3o <sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p><b><i>1.<\/i><\/b><b> <\/b><b><i>Isto \u00e9 s\u00f3 uma lembran\u00e7a de que todos os termos usados no Zen s\u00e3o meros expedientes.<\/i><\/b><\/p>\n<p>Pag. 66<\/p>\n<p><b>24.<\/b> Um Buda possui tr\u00eas corpos: o <i>Dharmakaya,<\/i> atrav\u00e9s do qual se entende o Dharma da onipresente vacuidade da real natureza de todas as coisas que n\u00e3o existem por si mesmas<sup>1<\/sup>; o <i>Sambhogakaya,<\/i> atrav\u00e9s do qual se d\u00e1 a entender o Dharma da pureza universal subjacente \u00e0 todas as coisas<sup>2<\/sup>; e o <i>Nirmanakaya,<\/i> atrav\u00e9s do qual entende-se os Dharmas das seis pr\u00e1ticas que conduzem ao nirvana e de todas as outras classes de recursos semelhantes. O Dharma do <i>Dharmakaya<\/i> n\u00e3o se encontra na palavra falada nem na palavra ouvida nem na palavra escrita. Nada h\u00e1 nele que possa ser expresso ou mostrado como evidente; nada sen\u00e3o a vacuidade onipresente da real natureza de todas as coisas que n\u00e3o existem por si mesmas; nada mais. Por conseguinte, dizer que n\u00e3o existe Dharma para explicar com palavras, \u00e9 explicar o Dharma. Tanto o <i>Sambhogakaya<\/i> como o <i>Nirmanakaya<\/i> referem-se a circunstancias particulares mediante apar\u00eancias adequadas. Os Dharmas falados que se referem aos acontecimentos por meio dos sentidos em toda esp\u00e9cie de formas, nenhum deles s\u00e3o o Dharma verdadeiro. Por conseguinte se diz que o <i>Sambhogakaya<\/i> e o <i>Nirmanakaya<\/i> n\u00e3o s\u00e3o o Buda nem o predicador do Dharma verdadeiro<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p><i>1<\/i>. <i>Que n\u00e3o existem por si mesmas, s\u00e3o vazias de subst\u00e2ncia pr\u00f3pria.<\/i><\/p>\n<p>2<i>.<\/i> <i>A<\/i><i> luminosidade, consci\u00eancia pura.<\/i><\/p>\n<p><i>3.<\/i> <i>Os tr\u00eas corpos s\u00e3o insepar\u00e1veis, nenhum deles tomado separadamente pode ser considerado o Buda verdadeiro.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 67<\/p>\n<p><b>25. <\/b>O termo unidade faz referencia a um brilho espiritual homog\u00eaneo que \u00e9 constitu\u00eddo por seis \u201celementos\u201d harmoniosamente congregados. O brilho espiritual homog\u00eaneo \u00e9 a Mente \u00danica, enquanto os \u201celementos\u201d harmoniosamente congregados s\u00e3o os \u00f3rg\u00e3os dos seis sentidos. Estes \u00f3rg\u00e3os dos seis sentidos se unem distintamente com os objetos que podem ser adulterados: olho com a forma, o ouvido com o som, o olfato com o odor, a l\u00edngua com o sabor, o corpo com o tato e a mente pensante com os pensamentos e emo\u00e7\u00f5es. Entre estes \u00f3rg\u00e3os e seus objetos s\u00e3o produzidas as seis percep\u00e7\u00f5es sensoriais<sup>1<\/sup>, criando assim dezoitos conjuntos sensoriais no total. Se compreendermos que esses dezoito conjuntos n\u00e3o tem exist\u00eancia objetiva, se unir\u00e3o aos seis \u201celementos\u201d harmoniosamente unificados em um s\u00f3 brilho espiritual, que \u00e9 a Mente \u00danica. Todos os estudantes do Caminho sabem isto; por\u00e9m n\u00e3o podem evitar a forma\u00e7\u00e3o dos conceitos<sup>2<\/sup>. Conseq\u00fcentemente, encontram-se encadeados a entidades e malogram a t\u00e1cita compreens\u00e3o da Mente Original.<\/p>\n<p><i>1.<\/i> <i>Elas podem ser adulteradas dependendo da nossa vis\u00e3o c\u00e1rmica \u2013 os nossos condicionamentos.<\/i><\/p>\n<p><i>2. Esses conceitos e preconceitos s\u00e3o formados por nossos condicionamentos, marcas c\u00e1rmicas (depositados no Alayavijnana), e at\u00e9 mesmo pelo c\u00f3digo gen\u00e9tico, uma heran\u00e7a dos nossos antepassados.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 67\/68<\/p>\n<p><b>26<\/b><b>.<\/b> Quando o <i>Tathagata<\/i> manifestou-se no mundo, desejava ensinar um s\u00f3 Ve\u00edculo da Verdade. Entretanto, as pessoas n\u00e3o acreditariam nele, e ao ridiculariz\u00e1-lo, se veriam imersos em um mar de afli\u00e7\u00f5es <i>(samsara).<\/i> Por outro lado, se n\u00e3o houvesse dito nada teria sido ego\u00edsta e n\u00e3o poderia ter difundido o conhecimento do misterioso Caminho para proveito dos seres sencientes. Assim, pois adotou o recurso de predicar a exist\u00eancia dos Tr\u00eas Ve\u00edculos. No entanto, assim como esses Ve\u00edculos s\u00e3o relativamente maiores ou menores, existem ensinamentos verdadeiramente superficiais e ensinamentos profundos, mas nenhum deles \u00e9 o <i>Dharma<\/i> original. Assim, dizemos que existe somente UM Caminho \u00danico. Se houvesse mais de um, n\u00e3o poderiam ser verdadeiros. Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 absolutamente meio algum de descrever o <i>Dharma<\/i> da Mente \u00danica. Portanto, o <i>Tathagata<\/i> chamou Kasyapa para que viesse sentar-se com ele particularmente no Assento da Proclama\u00e7\u00e3o do <i>Dharma,<\/i> confiando-lhe at\u00e9 o Ensinamento Inef\u00e1vel da Mente \u00danica. Este <i>Dharma<\/i> isento de ramifica\u00e7\u00f5es pratica-se separadamente e quem for tacitamente iluminado por ele alcan\u00e7ar\u00e1 o estado b\u00fadico <sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p><i>1.<\/i> <i>Huang Po est\u00e1 certamente falando da experi\u00eancia direta da Mente \u00danica.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 68<\/p>\n<p><b>27.<\/b><b> P:<\/b> O que \u00e9 o Caminho e como segui-lo?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Que esp\u00e9cie de <b>coisa<\/b> se parece o <b>Caminho <\/b>para quem quer segui-lo?<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Que instru\u00e7\u00f5es deram os mestres de todos os lugares para a pr\u00e1tica de <i>dhyana<\/i> e o estudo do Dharma?<\/p>\n<p>R<b>:<\/b> As palavras usadas para chamar a aten\u00e7\u00e3o das pessoas de pouca compreens\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o para se tomar ao p\u00e9 da letra.<\/p>\n<p>P<b>:<\/b> Se esses ensinamentos foram destinados \u00e0s pessoas de pouca compreens\u00e3o, falta-nos ouvir ainda qual \u00e9 o Dharma destinado \u00e0s pessoas de maior compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>R<b>:<\/b> Se forem realmente pessoas de maior compreens\u00e3o, onde v\u00e3o encontrar a quem seguir? Se buscarem no interior de si mesmos n\u00e3o encontrar\u00e3o nada tang\u00edvel. Quanto menos digno de sua aten\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o Dharma que encontrem em alguma outra parte? N\u00e3o prestem aten\u00e7\u00e3o ao que os pregadores chamam de Dharma, pois que esp\u00e9cie de Dharma poder\u00e1 ser?<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Sendo assim, n\u00e3o dever\u00edamos mais buscar coisa alguma?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Concordando com isso, poderias economizar uma boa quantidade de esfor\u00e7o mental.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Por\u00e9m dessa maneira tudo seria eliminado. O que h\u00e1 n\u00e3o pode ser somente o nada.<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Quem o chamou de nada? Quem \u00e9 esse indiv\u00edduo? Por\u00e9m voc\u00eas querem buscar algo.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Posto que n\u00e3o h\u00e1 necessidade de buscar, por que n\u00e3o nos dizem tamb\u00e9m que nem tudo est\u00e1 eliminado?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> N\u00e3o buscar \u00e9 repousar na tranquilidade. Quem foi que disse que voc\u00ea eliminaria alguma coisa? Olha o Vazio que existe diante de seus olhos. Como voc\u00ea poderia produzi-lo ou elimin\u00e1-lo?<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Se me fosse dado alcan\u00e7ar esse Dharma, seria semelhante ao vazio?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Dia e noite lhes expliquei que o vazio \u00e9 ao mesmo tempo uno e m\u00faltiplo. Disse isso a guisa de recurso provis\u00f3rio; por\u00e9m voc\u00eas criam conceitos sobre ele.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Se nos quer dar a entender com isso que n\u00e3o devemos formar conceitos. Como fazem normalmente os seres humanos?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Eu n\u00e3o lhes estou impedindo; por\u00e9m os conceitos est\u00e3o relacionados com os sentidos; e quando se produzem sensa\u00e7\u00f5es se fecha a porta \u00e0 sabedoria.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Ent\u00e3o, devemos evitar qualquer sentimento com respeito ao Dharma?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Quando os sentimentos n\u00e3o s\u00e3o produzidos, quem pode dizer que est\u00e1 num bom caminho?<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Por que nos fala Vossa Reverencia como se houvesse erro em todas as perguntas que fazemos?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Voc\u00ea \u00e9 uma pessoa que n\u00e3o entende o que se diz.\u00a0 O que \u00e9 isso \u201ccomo se houvesse erro?\u201d <sup>1<\/sup><\/p>\n<p><i>1.<\/i> <i>\u00c9 obvio que o mestre est\u00e1 tentando ajudar o disc\u00edpulo a romper com o h\u00e1bito de pensar em termos de conceitos e categorias l\u00f3gicas. Para fazer isso se v\u00ea obrigado a fazer com que ele pare\u00e7a equivocado, pergunte o que perguntar.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 70<\/p>\n<p><b>28. <\/b><b>P: <\/b>At\u00e9 agora Vossa Rever\u00eancia n\u00e3o fez sen\u00e3o refutar tudo que dissemos. N\u00e3o fez nada para nos indicar o verdadeiro Dharma.<\/p>\n<p>R<b>:<\/b> No verdadeiro Dharma n\u00e3o h\u00e1 confus\u00e3o: por\u00e9m voc\u00ea n\u00e3o fez mais que produzir confus\u00e3o com tais perguntas. Que esp\u00e9cie de \u201cDharma verdadeiro\u201d lhe ser\u00e1 dado buscar?<\/p>\n<p>P<b>:<\/b> Como a confus\u00e3o \u00e9 causada por minhas perguntas, qual ser\u00e1 a resposta de Va. Rever\u00eancia ?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Observa as coisas tal como s\u00e3o e n\u00e3o preste aten\u00e7\u00e3o aos outros. Existem pessoas que semelhantes aos cachorros raivosos, que latem para tudo quanto se move; que latem inclusive quando o vento se agita entre as ervas e folhagens.<\/p>\n<p>Pag. 71<\/p>\n<p><b>29.<\/b><b> <\/b>Com respeito \u00e0 nossa doutrina Zen, desde que foi transmitida pela primeira vez, nunca ensinou que os homens devem adquirir conhecimentos ou formar conceitos. \u201cEstudar o Caminho\u201d \u00e9 apenas uma figura ret\u00f3rica. \u00c9 um m\u00e9todo para despertar o interesse das pessoas nas primeiras etapas de seu desenvolvimento. Na realidade o Caminho n\u00e3o \u00e9 algo que possamos estudar. O estudo conduz a reten\u00e7\u00e3o de conceitos, de maneira que o Caminho \u00e9 compreendido erroneamente. Al\u00e9m disso, o Caminho n\u00e3o \u00e9 algo que exista determinadamente; \u00e9 chamado a \u201cMente Mahayana\u201d; Mente que n\u00e3o se encontra nem dentro nem fora nem no meio. Na verdade, n\u00e3o est\u00e1 localizada em parte alguma. O primeiro passo consiste em abster-se de conceitos baseados no conhecimento. Isto implica que se formos seguir o m\u00e9todo emp\u00edrico at\u00e9 um limite extremo, alcan\u00e7ado o limite, n\u00e3o nos seria poss\u00edvel localizar a Mente. O Caminho \u00e9 a verdade espiritual e, originalmente, n\u00e3o tinha nome ou t\u00edtulo. Foi somente porque as pessoas em sua ignor\u00e2ncia buscaram empiricamente encontr\u00e1-lo, ent\u00e3o os Budas apareceram e as ensinaram a n\u00e3o usar estes meios. Foi por temor de que ningu\u00e9m compreendesse que escolheram a palavra Caminho. Voc\u00eas n\u00e3o devem permitir que esse nome venha a formar um conceito mental de um caminho. Assim, pois, se diz: \u201cQuando se pescou o peixe, esque\u00e7a de ficar olhando a rede\u201d. Quando o corpo e a mente adquirem espontaneidade, alcan\u00e7ou-se o fruto e a compreens\u00e3o da mente. O <i>Sramana<\/i> \u00e9 assim chamado porque penetrou na fonte original de todas as coisas. O fruto de alcan\u00e7ar o estado de <i>Sramana<\/i> obt\u00e9m-se pondo um fim a toda e qualquer esp\u00e9cie de ansiedade; isso n\u00e3o se consegue com o estudo dos livros.<\/p>\n<p>Pag.74<\/p>\n<p><b>31.<\/b><b> P:<\/b> De modo que vossa rever\u00eancia acaba de dizer, a Mente \u00e9 o Buda; por\u00e9m n\u00e3o ficou claro qual \u00e9 a mente que se quer dar a entender com \u201ca Mente \u00e9 o Buda\u201d?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Quantas mentes voc\u00ea tem?<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Por\u00e9m Buda \u00e9 a mente ordin\u00e1ria ou a Mente iluminada?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Onde, neste mudo, guardais vossa \u201cmente ordin\u00e1ria\u201d e vossa \u201cmente iluminada\u201d?<\/p>\n<p><b>P:<\/b> No ensinamento dos tr\u00eas ve\u00edculos se declara que ambas existem. Por que vossa rever\u00eancia o nega?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> No ensinamento dos tr\u00eas ve\u00edculos explica-se claramente que a mente ordin\u00e1ria e a iluminada n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o ilus\u00f5es. Voc\u00ea n\u00e3o compreendeu. Esse apego \u00e0 id\u00e9ia de que as coisas existem \u00e9 confundir a vacuidade com a verdade relativa. Como \u00e9 poss\u00edvel que tais concep\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam ilus\u00f3rias? Sendo ilus\u00f3ria lhe oculta a Mente. Se t\u00e3o somente pudesse libertar-se dos conceitos \u201cordin\u00e1rio\u201d e \u201ciluminado\u201d perceberia que n\u00e3o existe outro Buda al\u00e9m do Buda de \u2018sua\u2019 Mente. Quando Bodhidhama veio do oeste, indicou que a subst\u00e2ncia da qual todos os homens s\u00e3o formados \u00e9 o Buda. Voc\u00ea continua sem compreender; prende-se a conceitos tais como \u201cordin\u00e1rio\u201d e \u201ciluminado\u201d, dirigindo seus pensamentos para o exterior indo de um lado para outro, galopando como cavalo! Tudo isso equivale a nublar sua pr\u00f3pria mente! Assim \u00e9 que lhe digo que a Mente \u00e9 o Buda. T\u00e3o logo o pensamento ou as sensa\u00e7\u00f5es apare\u00e7am voc\u00ea cai no dualismo. O tempo sem princ\u00edpio e o momento presente s\u00e3o um e o mesmo<sup>1<\/sup>. N\u00e3o existe isto e aquilo. Compreender essa verdade \u00e9 o que se chama a completa e n\u00e3o sobrepujada ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Em que Doutrina se baseia vossa rever\u00eancia estas palavras?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Para que buscar uma doutrina? <strong>T\u00e3o logo tenha uma doutrina voc\u00ea cair\u00e1 no pensamento dualista.<\/strong><\/p>\n<p><b>P:<\/b> H\u00e1 um momento vossa rever\u00eancia disse que o passado sem princ\u00edpio e o presente eram um e o mesmo. Que quereis dizer com isso?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> \u00c9 precisamente pelo efeito de sua busca que voc\u00ea encontra diferen\u00e7as entre eles. Se parasse de buscar, como poderia haver diferen\u00e7a alguma entre eles?<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Se n\u00e3o s\u00e3o diferentes por que emprega vossa rever\u00eancia termos diferentes para nome\u00e1-los?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Se n\u00e3o houvesses feito men\u00e7\u00e3o de ordin\u00e1rio e iluminado, quem iria se preocupar de fazer tal distin\u00e7\u00e3o? Do mesmo modo que estas categorias carecem de exist\u00eancia real, assim tamb\u00e9m a \u201cMente\u201d n\u00e3o \u00e9, na verdade, a \u201cmente\u201d. E posto que tanto a Mente com essas categorias s\u00e3o na realidade ilus\u00f5es, onde poderias esperar encontrar alguma coisa.<\/p>\n<p><i>1. Atemporalidade<\/i><\/p>\n<p>Pag.76<\/p>\n<p><b>32.<\/b><b> P:<\/b> A ilus\u00e3o pode ocultar a nossa pr\u00f3pria mente, por\u00e9m Vossa Rever\u00eancia n\u00e3o nos disse at\u00e9 agora como nos livrar da ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>R<b>:<\/b> O aparecimento e a elimina\u00e7\u00e3o do estado ilus\u00f3rio s\u00e3o ambos ilus\u00f3rios. A ilus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo que tenha ra\u00edzes na realidade; existe por efeito do seu pensar dualista. Se t\u00e3o somente deixasse de permitir o uso de conceitos opostos, como \u201cordin\u00e1rio\u201d e \u201ciluminado\u201d, a ilus\u00e3o cessaria por si mesma. E depois, se todavia desejares destru\u00ed-la onde quer que se encontre, ver\u00e1 que n\u00e3o fica nenhuma part\u00edcula de coisa alguma para assegurar-se. Este \u00e9 o significado da express\u00e3o: <strong>\u201cDeixarei ir com ambas as m\u00e3os, pois ent\u00e3o seguramente descobrirei o Buda em minha Mente\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><b>P:<\/b> Se n\u00e3o h\u00e1 nada em que se basear, como seria poss\u00edvel transmitir o Dharma?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Se transmite de Mente a Mente.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Se a Mente \u00e9 empregada na transmiss\u00e3o, por que diz vossa rever\u00eancia que n\u00e3o existe?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> O n\u00e3o obter Dharma algum desta Mente implica que n\u00e3o h\u00e1 nem Mente nem Dharma.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Se n\u00e3o existe Mente nem Dharma o que se quer significar por transmiss\u00e3o?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Ouvimos as pessoas falarem de transmiss\u00e3o mental e logo falam de algo a receber.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<strong>Assim disse Bodhidharma:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0\u00a0<i>A \u00edndole da mente,<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Quando bem compreendida,<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>N\u00e3o existem palavras humanas<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Que possam express\u00e1-la<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Nem aquilatar seu influxo;<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Com a ilumina\u00e7\u00e3o<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Nada se alcan\u00e7a,<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>E o bem-aventurado que a realiza<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>N\u00e3o pode na verdade dizer: \u201ceu sei\u201d.<\/i><\/strong><\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i>Se eu n\u00e3o houvesse esclarecido isto a voc\u00ea, duvido que tivesse coragem suficiente para encar\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Pag.77<\/p>\n<p><b>33.<\/b><b> \u00adP: <\/b>Seguramente que o vazio que se estende diante de vossos olhos \u00e9 objetivo. Se for assim, n\u00e3o estar\u00e1 assinalando V<sup>a<\/sup>. Rever\u00eancia algo que \u00e9 objetivo e vendo Mente nele?<\/p>\n<p>R:\u00a0Que classe de mente poderia eu lhe dizer para ver em um ambiente objetivo? Embora pudesse v\u00ea-la n\u00e3o seria sen\u00e3o a Mente refletida na esfera objetiva. Seria como o homem que v\u00ea seu rosto em um espelho; ainda que pudesse ver claramente suas fei\u00e7\u00f5es, nem por isso deixaria de ser meramente seu reflexo o que veria. O que tem a ver tudo isso com o assunto que o trouxe a mim?<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Se somente vemos mediante reflexos, quando iremos ver alguma coisa?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Enquanto estiver preocupado com \u201cpor meio de\u201d, sempre depender\u00e1 de algo falso. Quando ir\u00e1 compreender? Ao inv\u00e9s de prestar aten\u00e7\u00e3o a quem lhe diz que abra suas m\u00e3os e deixe-o ir como quem n\u00e3o tem nada a perder, desperdi\u00e7a suas energias alardeando sobre todas as esp\u00e9cies de coisas.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Para aqueles que compreendem os reflexos ainda t\u00eam algum valor?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Se os s\u00f3lidos n\u00e3o existem, quanto menos podemos fazer uso dos reflexos? N\u00e3o v\u00e1 por a\u00ed paparicando como son\u00e2mbulo.<\/p>\n<p>Entrando na sala p\u00fablica Sua Rever\u00eancia disse: &#8211; A posse de m\u00faltiplos conhecimentos n\u00e3o se compara com a ren\u00fancia a toda a busca de qualquer g\u00eanero que seja, que \u00e9 o melhor de tudo. N\u00e3o existem v\u00e1rias esp\u00e9cies de Mente nem h\u00e1 Doutrina que possa ser expressa em palavras. Assim, como se disse tudo quanto havia para dizer, dou por terminada a sess\u00e3o!<\/p>\n<p>Pag. 82<\/p>\n<p><b>36.<\/b> <b>P:<\/b> O sexto patriarca era analfabeto. Como foi que lhe entregaram o manto que o elevou a tal minist\u00e9rio? Shen Hsiu ocupava a posi\u00e7\u00e3o mais alta entre os 500 monges e, como monge instrutor, tinha aptid\u00e3o para explicar os 32 volumes dos <i>sutras.<\/i> Por que ele n\u00e3o recebeu o manto?<\/p>\n<p>R:\u00a0Porque ele ainda se entregava a pensamentos conceituais em um <i>Dharma<\/i> de atividade. Para ele a id\u00e9ia; \u201csegundo pratiques, assim alcan\u00e7ar\u00e1s\u201d era uma realidade. Portanto o quinto Patriarca efetuou a transmiss\u00e3o \u00e0 Hui Neng (Wei Lang). Naquele momento mesmo, este \u00faltimo experimentou uma t\u00e1cita compreens\u00e3o e recebeu em sil\u00eancio o mais profundo ensinamento do <i>Tathagata<\/i>. Por isso o <i>Dharma<\/i> foi transmitido a ele. Voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea que a Doutrina Fundamental do <i>Dharma<\/i> \u00e9 que n\u00e3o existem <i>Dharma<\/i>s; por\u00e9m a doutrina do <i>Dharma <\/i>\u00e9 por si mesma um <i>Dharma;<\/i> e agora que a doutrina do n\u00e3o-<i>Dharma<\/i> foi transmitida, como \u00e9 poss\u00edvel que a doutrina do <i>Dharma <\/i>seja um <i>Dharma? <\/i>Algu\u00e9m que compreenda isto merece ser chamado monge bem versado na pr\u00e1tica do <i>Dharma. <\/i>Se n\u00e3o acreditares no que digo, tereis que explicar a seguinte hist\u00f3ria:<\/p>\n<p>O dignit\u00e1rio Wei Ming subiu o cume da montanha Ta Y\u00fc para visitar o sexto patriarca. Este perguntou por que tinha ido visit\u00e1-lo: se foi pelo manto ou pelo <i>Dharma. <\/i>O dignit\u00e1rio Wei Ming respondeu que n\u00e3o fora pelo manto, mas pelo <i>Dharma; <\/i>ent\u00e3o o sexto patriarca respondeu:<\/p>\n<p>&#8211; Talvez n\u00e3o aches inconveniente concentrar vossa mente por um momento, evitando pensar em termos de bem ou de mal \u2013 Ming fez o que pediu e o sexto patriarca continuou \u2013 Enquanto n\u00e3o pensas no bem e no mal, nesse mesm\u00edssimo momento, volte ao que eras antes que vossos pais nascessem.<\/p>\n<p>Antes que essas palavras terminassem de serem pronunciadas, experimentou uma s\u00fabita e completa compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Por conseguinte fez uma profunda reverencia e disse:<\/p>\n<p>&#8211; Sinto-me como um homem que bebe \u00e1gua fresca e que sabe por si mesmo de sua frescura. Vivi com o Quinto Patriarca e com seus disc\u00edpulos 30 anos, por\u00e9m tive que esperar at\u00e9 hoje para que desvanecessem os erros de minha antiga maneira de pensar.<\/p>\n<p>&#8211; Assim \u00e9 \u2013 respondeu o sexto patriarca \u2013 Finalmente agora compreendeis porque, quando o primeiro patriarca chegou da \u00cdndia, n\u00e3o fez mais do que assinalar de um modo direto a Mente dos homens, por cujo meio lhes era dado perceber sua verdadeira natureza e chegarem a ser Budas; \u00e9 por isso que nunca falou de alguma outra coisa.<\/p>\n<p>Por acaso n\u00e3o ouvimos, Ananda perguntar a Kasyapa o que lhe havia transmitido o venerado do mundo, al\u00e9m do manto dourado. Kasyapa respondeu:<\/p>\n<p>&#8211; Ananda!<\/p>\n<p>E este respeitosamente respondeu:<\/p>\n<p>&#8211; Que queres?<\/p>\n<p>&#8211; Contestou aquele:<\/p>\n<p>Derruba o mastro da bandeira da porta do monast\u00e9rio.<\/p>\n<p>Tal foi o sinal que lhe deu o primeiro Patriarca. Durante 30 anos, o prudente Ananda atendeu \u00e0s necessidades pessoais do Buda; por\u00e9m como era muito aficionado \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos, o Buda o admoestou dizendo-lhe:<\/p>\n<p>&#8211; Um mil\u00eanio de dias empregados na busca de conhecimentos n\u00e3o lhe ser\u00e3o de tanto proveito como um s\u00f3 dia empregado oportunamente no estudo do Caminho. Ao n\u00e3o estud\u00e1-lo n\u00e3o te ser\u00e1 dado digerir nem uma gota d\u2019\u00e1gua sequer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>(II) MEM\u00d3RIA de \u00a0WAN LING do MESTRE ZEN HUANG PO (TUAN CHI)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<strong>Cole\u00e7\u00e3o de di\u00e1logos, SERM\u00d5ES e anedotas anotados por P\u2019ei Hsiu durante sua estada na comarca de Wang Ling<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><\/strong>Pag. 87<\/p>\n<p>\u00a0<b>1.<\/b> <b>P:<\/b> Uma vez fiz ao mestre esta pergunta: \u2013 Das quatrocentas ou quinhentas pessoas reunidas aqui na montanha quantas entenderam completamente o ensinamento de Vossa Rever\u00eancia? O mestre respondeu: N\u00e3o se pode conhecer o n\u00famero.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Por qu\u00ea?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Porque meu caminho consiste em despertar a mente. Como poder\u00edamos explicar em palavras? As palavras s\u00f3 produzem algum efeito quando caem nos insipientes ouvidos das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Pag. 87<\/p>\n<p><b>2.<\/b><b> P: <\/b>O que \u00e9 o Buda <sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p><b>R: <\/b>A mente \u00e9 o Buda, enquanto a cessa\u00e7\u00e3o do pensamento conceitual \u00e9 o Caminho. Logo que deixarmos de suscitar a cria\u00e7\u00e3o de conceitos e de pensar em termos de exist\u00eancia e de inexist\u00eancia, de comprido e de curto, de pr\u00f3prio e de alheio, de ativo e passivo e semelhantes pares de opostos, descobriremos que a Mente \u00e9 intrinsecamente o Buda, e que o Buda \u00e9 intrinsecamente a Mente e que a mente \u00e9 semelhante ao vazio <sup>2<\/sup>. Portanto, est\u00e1 escrito que \u201co <i>Dharmakaya<\/i> verdadeiro \u00e9 semelhante ao vazio\u201d. N\u00e3o busquem coisa alguma, sen\u00e3o isto; de outro modo essa busca terminar\u00e1 em afli\u00e7\u00e3o. Embora pratiquem os seis <i>paramitas.<\/i><\/p>\n<p><i>1. O Absoluto. \u00a0<\/i><\/p>\n<p><i>2. Significa intang\u00edvel, n\u00e3o uma mera nega\u00e7\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 88<\/p>\n<p><b>3.<\/b><b> P:<\/b> Admitindo que o homem iluminado que conseguiu a cessa\u00e7\u00e3o do pensamento conceitual seja um Buda, n\u00e3o se perderia a si mesmo no esquecimento o homem ignorante ao cessar de pensar conceitualmente?<\/p>\n<p><b>R: <\/b>N\u00e3o existem homens iluminados nem homens ignorantes, e n\u00e3o existe tampouco o esquecimento. Entretanto, embora fundamentalmente tudo care\u00e7a de exist\u00eancia objetiva, voc\u00ea n\u00e3o deve chegar a pensar em termos de algo n\u00e3o existente; e ainda que as coisas n\u00e3o sejam existentes, n\u00e3o deve formar conceitos de algo existente.\u00a0 Pois a \u201cexist\u00eancia\u201d e a \u201cn\u00e3o-exist\u00eancia\u201d s\u00e3o tanto uma como a outra, conceitos emp\u00edricos que n\u00e3o s\u00e3o muito diferentes de ilus\u00f5es. Portanto, est\u00e1 escrito: \u201cTudo quanto os sentidos percebem \u00e9 semelhante a uma ilus\u00e3o na qual podemos incluir qualquer esp\u00e9cie de exist\u00eancia desde os conceitos mentais at\u00e9 os seres viventes\u201d. O fundador da nossa Escola <sup>1<\/sup> ensinava a n\u00e3o ficarmos presos a percep\u00e7\u00e3o sensorial e ir al\u00e9m dos conceitos. Nesta libera\u00e7\u00e3o total \u00e9 onde floresce o Caminho dos Budas; enquanto que entre um e o outro, entre isto e aquilo, agita-se uma legi\u00e3o de dem\u00f4nios.<\/p>\n<p><i>1. Bodhidharma<\/i><\/p>\n<p>Pag. 89<\/p>\n<p><b>4. <\/b><b>P: <\/b>Se a mente e o Buda <sup>1<\/sup> s\u00e3o intrinsecamente um e o mesmo, dever\u00edamos continuar praticando os seis <i>paramitas<\/i> e os demais meios ortodoxos para realizar a ilumina\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><b>\u00a0R:<\/b> A ilumina\u00e7\u00e3o origina-se na mente, fazendo caso omisso de que pratiquemos os <i>paramitas<\/i> e tudo o mais. Todas as pr\u00e1ticas s\u00e3o meros expedientes para manipular assuntos \u201cconcretos\u201d quando se trata de problemas da vida cotidiana. Inclusive a Ilumina\u00e7\u00e3o, o Absoluto, a Realidade, a S\u00fabita realiza\u00e7\u00e3o, o <i>Dharmakaya<\/i> e todos os demais at\u00e9 as Dez Etapas do Progresso, as Quatro Recompensas da Vida Prudente e Virtuosa e o Estado de Santidade e Sabedoria s\u00e3o \u2013 absolutamente todos \u2013 <b>meros<\/b> <b>conceitos<\/b> para ajudar-nos a atravessar o <i>samsara<\/i>; n\u00e3o tem nada a ver com a Mente B\u00fadica. Como a Mente \u00e9 o Buda, o melhor meio de realiz\u00e1-la consiste em cultivar a Mente B\u00fadica. Contanto que evitemos pensamentos conceituais que conduzem a \u201cchegar a ser\u201d e a \u201cdeixar de ser\u201d, as afli\u00e7\u00f5es do mundo senciente e todo o restante, n\u00e3o haver\u00e1 necessidade de m\u00e9todos de Ilumina\u00e7\u00e3o nem de outras coisas semelhantes. Esta \u00e9 a raz\u00e3o pela qual foi escrito:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<strong><i>\u201cTodo ensinamento do Buda<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>tem somente por objetivo<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>conduzir a mente humana<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>al\u00e9m do pensamento.<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Se conseguir por mim mesmo<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>realizar essa fa\u00e7anha,<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>de que me servir\u00e1 ent\u00e3o<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>o Dharma de Buda e seu ensinamento?\u201d<\/i><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Desde Buda Gautama, passando por toda uma linha de Patriarcas at\u00e9 Bodhidharma, ningu\u00e9m ensinou coisa alguma que n\u00e3o fosse a Mente \u00danica, com outro nome \u00e9 chamado o <b>Ve\u00edculo \u00danico da Libera\u00e7\u00e3o<\/b>. Daqui depreendemos que embora indag\u00e1ssemos por todo o Universo, n\u00e3o nos seria dado encontrar outro ve\u00edculo. Em nenhuma parte esse ensinamento possui folhas ou ramos; sua qualidade \u00fanica e particular \u00e9 a Verdade Atemporal. Por isso \u00e9 dif\u00edcil de aceitar. Quando Bodhidharma veio \u00e0 China e chegou aos reinos de Liang e de Wei, somente o vener\u00e1vel mestre Ko obteve o imediato discernimento da Natureza da Mente; t\u00e3o logo lhe foi explicado, compreendeu que a Mente \u00e9 o Buda, e que a mente individual e o corpo nada s\u00e3o. Este ensinamento tem por nome a Via Magna. A natureza mesma da Via Magna \u00e9 o vazio de oposi\u00e7\u00e3o. Bodhidharma tinha como verdadeiro <b>ser uno com a \u201cSubst\u00e2ncia\u201d Real do Universo nesta vida!<\/b> A mente e esta \u201csubst\u00e2ncia\u201d n\u00e3o diferem nem em uma part\u00edcula: a \u201csubst\u00e2ncia\u201d \u00e9 a Mente. N\u00e3o podemos separ\u00e1-las de modo algum. Foi por esta revela\u00e7\u00e3o que mereceu o t\u00edtulo de Patriarca de nossa escola, e foi por isso que escreveu: <strong><i>\u201cO momento da revela\u00e7\u00e3o da unidade da Mente e da \u201csubst\u00e2ncia\u201d que constitui a realidade, pode-se dizer na verdade, que ultrapassa qualquer descri\u00e7\u00e3o.<\/i><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0Pag. 91<\/p>\n<p><b>5.<\/b><b> P:<\/b> O Buda realmente libera os seres sens\u00edveis?<\/p>\n<p><b>R: <\/b>Na realidade n\u00e3o existem seres sencientes que o <i>Tathagata<\/i> tenha que liberar. Se nem o pr\u00f3prio Ser tem exist\u00eancia objetiva, quanto menos a ter\u00e1 qualquer outro ser. Assim, pois nem o Buda nem os seres sensientes existem objetivamente.<\/p>\n<p><b>6. <\/b><b>P: <\/b>Entretanto, \u00e9 uma coisa atestada que: \u201cQuem quer que possua os trinta e dois sinais caracter\u00edsticos de um Buda, tem a faculdade de liberar os seres sencientes\u201d. Como pode Vossa Rever\u00eancia neg\u00e1-lo?<\/p>\n<p><b>R: <\/b>Seja quem for que os possua, quaisquer sinais s\u00e3o ilus\u00f3rios. \u00c9 precisamente dando-se conta de que todos os sinais n\u00e3o s\u00e3o sinais de nada, que algu\u00e9m se d\u00e1 conta do <i>Tathagata.<\/i> \u201cBuda\u201d e os \u201cseres sens\u00edveis\u201d, tanto um como os outros, n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o falsas concep\u00e7\u00f5es suas. \u00c9 por falta de conhecimento da Mente Verdadeira que enganam-se a si mesmos com tais conceitos objetivos. Empenham-se em forjar um Buda, esse mesmo Buda obstruir\u00e1 o caminho! Se conceberem os seres sens\u00edveis, eles tamb\u00e9m lhes obstruir\u00e3o. Todos esses conceitos duais como \u201cignorante\u201d e \u201cIluminado\u201d, \u201cpuro\u201d e \u201cimpuro\u201d, s\u00e3o obstru\u00e7\u00f5es. Por terem a mente assim obstru\u00edda que \u00e9 preciso fazer girar a Roda da Lei<sup>1<\/sup> Assim como os s\u00edmios passam o tempo atirando coisas e voltando a colh\u00ea-las continuamente, assim acontece a voc\u00eas com seu saber. O que necessitam \u00e9 renunciar ao seu saber, de seu \u2018ignorante\u2019 e \u2018iluminado\u2019, de seu \u2018puro\u2019 e \u2018impuro\u2019, de seu \u2018grande\u2019 e \u2018pequeno\u2019, de seu \u2018apego\u2019 e de sua \u2018atividade\u2019. Tais coisas s\u00e3o somente palavras de mera conveni\u00eancia, adere\u00e7os na Mente \u00danica. Ouvi dizer que voc\u00eas estudaram os <i>sutras<\/i> das Doze Divis\u00f5es dos Tr\u00eas Ve\u00edculos. Todos eles n\u00e3o s\u00e3o mais que conceitos emp\u00edricos. Na verdade devem renunciar a eles!<\/p>\n<p>Desfa\u00e7am-se, pois de tudo quanto adquiriram e que n\u00e3o tem mais valor, como o cobertor que cobria voc\u00eas quando estavam doentes. T\u00e3o somente quando tenham abandonado qualquer percep\u00e7\u00e3o, quando os fen\u00f4menos n\u00e3o obstruam mais seus caminhos; somente quando tenham se livrado de toda a gama de conceitos dual\u00edsticos pertencentes \u00e0s categorias de \u2018ignorante\u2019 e \u2018iluminado\u2019, ter\u00e3o por fim realizado o t\u00edtulo de Buda. Est\u00e1, portanto, escrito: <b><i>\u201cVosso abatimento \u00e9 em v\u00e3o. N\u00e3o ponham vossa f\u00e9 em tais cerim\u00f4nias. Apressem-se em sair da influ\u00eancia de todas essas cren\u00e7as\u201d<\/i><\/b>. J\u00e1 que a Mente n\u00e3o conhece divis\u00f5es em entidades separadas, os fen\u00f4menos devem igualmente permanecer indiferenciados. J\u00e1 que a Mente est\u00e1 acima de todas as atividades, assim mesmo deve acontecer com os fen\u00f4menos. Todo fen\u00f4meno que existe \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o do pensamento; por conseguinte, n\u00e3o necessito mais deixar a mente vazia para descobrir que todos eles est\u00e3o vazios. O mesmo acontece com todos os objetos dos sentidos, perten\u00e7am \u00e0s mir\u00edades de categorias que perten\u00e7am. O vazio completo que se estende em todas as dire\u00e7\u00f5es, \u00e9 da mesma ess\u00eancia da Mente; e, posto que a Mente \u00e9 fundamentalmente indiferenciada, o mesmo deve acontecer a todos os demais. Eles aparecem a voc\u00eas como entidades separadas, devido somente \u00e0s diferen\u00e7as de suas percep\u00e7\u00f5es: do mesmo modo que os manjares deliciosos com que os Devas se alimentam normalmente diferem em sabor, segundo se diz, conforme o m\u00e9rito individual dos que os consomem!<\/p>\n<p><strong><i>Anuttara-samyak-sambhodhi<sup>2<\/sup><\/i> \u00e9 o nome que damos \u00e0 compreens\u00e3o de que os Budas do universo inteiro n\u00e3o possuem, na realidade, o m\u00ednimo atributo percept\u00edvel.<\/strong> T\u00e3o somente a Mente \u00danica existe. Na verdade, n\u00e3o existe multiplicidade de formas, nem Explendor Celestial, nem Vit\u00f3ria Gloriosa <i>(sobre o samsara)<\/i>, nem submiss\u00e3o ao Vencedor <i>(Buda)<\/i>. Posto que jamais se ganhou vitoria alguma, n\u00e3o pode existir entidade formal semelhante a um Buda; e, j\u00e1 que nunca se encontrou perdedor algum, n\u00e3o pode haver entidades formais como os seres sencientes.<\/p>\n<p><i>1. Quer dizer, que as verdades relativas do budismo ortodoxo devem ser ensinadas<\/i>.<\/p>\n<p><i>2. Suprema Onisci\u00eancia.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 93<\/p>\n<p><b>7.<\/b> <b>P: <\/b>Embora a mente care\u00e7a de forma, como pode Vossa Rever\u00eancia negar a exist\u00eancia dos Trinta e Dois Sinais Caracter\u00edsticos de um Buda, ou das Oitenta Excel\u00eancias que serviram para transportar as pessoas para a outra margem<sup>1<\/sup>?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Os Trinta e Dois Sinais e tudo o que tem forma \u00e9 ilus\u00f3rio. As Oitenta Excel\u00eancias pertencem \u00e0 esfera material; por\u00e9m quem quer que perceba um ser na mat\u00e9ria, viaja por um caminho equivocado: assim n\u00e3o poder\u00e1 compreender o <i>Tathagata.<\/i><\/p>\n<p><i>1. De samsara a nirvana.<\/i><\/p>\n<p>P\u00e1g. 94<\/p>\n<p><b>8.<\/b><b> P:<\/b> A subst\u00e2ncia essencial do Buda difere de algum modo da dos seres sencientes, ou s\u00e3o id\u00eanticas?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> A subst\u00e2ncia essencial n\u00e3o tem parte na identidade nem na diferen\u00e7a. Se aceitarmos os ensinamentos ortodoxos dos Tr\u00eas Ve\u00edculos do Budismo, onde diferenciam entre a Natureza B\u00fadica e a natureza dos seres sencientes, criaremos para n\u00f3s como consequ\u00eancia, o <i>carma<\/i> dos Tr\u00eas Ve\u00edculos, que ter\u00e1 por resultado identidades e diferen\u00e7as. Por\u00e9m se aceitarmos o Ve\u00edculo <i>B\u00fadico,<\/i> que \u00e9 a doutrina transmitida por Bodhidharma, deixaremos de falar de tais coisas; assinalaremos simplesmente a Mente B\u00fadica, que carece de identidade e de diferencia\u00e7\u00e3o, e que n\u00e3o tem causa nem efeito <sup>1<\/sup>. Portanto, escreveu-se: \u201cS\u00f3 existe um caminho para o Ve\u00edculo \u00danico: n\u00e3o h\u00e1 nem segundo nem terceiro, exceto para os meios empregados pelo Buda como expedientes puramente relativos <sup>2<\/sup> para os seres perdidos na ilus\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><i>1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>A inten\u00e7\u00e3o de Huang Po n\u00e3o foi negar a validade da lei c\u00e1rmica segundo se aplica ao ef\u00eamero mundo do samsara.<\/i><\/p>\n<p><i>2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Upaya = meios h\u00e1beis<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i>Pag. 94<\/p>\n<p><b>9. <\/b><b>P: <\/b>Por que n\u00e3o foi dado ao <i>Bodhisatva<\/i> da Infinita Extens\u00e3o reconhecer o sinal sagrado no cocuruto do Buda?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Na realidade n\u00e3o havia nada a ver. Por qu\u00ea? Porque o <i>Bodisatva<\/i> da Infinita Extens\u00e3o era o pr\u00f3prio <i>Tathagata;<\/i> portanto n\u00e3o se suscitou a necessidade de ver. A par\u00e1bola tem por objetivo evitar que se conceba o Buda e os seres sencientes como entidades, caindo, portanto no erro da separa\u00e7\u00e3o espacial. \u00c9 uma advert\u00eancia contra a concep\u00e7\u00e3o de entidades como existentes ou como n\u00e3o existentes, caindo, portanto no erro da separa\u00e7\u00e3o espacial; e mesmo assim contra a concep\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos como ignorantes ou iniciados, incorrendo no mesmo erro. Somente quem est\u00e1 completamente liberado dos conceitos pode possuir um corpo de infinita extens\u00e3o. Todos os pensamentos conceituais s\u00e3o produzidos por cren\u00e7as err\u00f4neas. Os que mant\u00eam tais doutrinas falsas encontram satisfa\u00e7\u00e3o na multiplicidade de conceitos; por\u00e9m o <i>Bodisatva<\/i> permanece inalter\u00e1vel em meio \u00e0 legi\u00e3o deles. <i>\u201cTathagata\u201d<\/i> representa o Tal-como-\u00e9 <sup>1<\/sup> de todos os fen\u00f4menos.<\/p>\n<p>Portanto, est\u00e1 escrito: \u201cMaitreya \u00e9 TAL COMO \u00c9; os santos e os s\u00e1bios s\u00e3o <i>Tal-Como-S\u00e3o\u201d<\/i><i>. <\/i>O<i> Tal-Como-\u00c9 <\/i>consiste em n\u00e3o estar sujeito ao devir ou ao vir-a-ser, nem tampouco \u00e0 morte e destrui\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o pode se visto e ouvido. O cocuruto do <i>Tathagata<\/i> \u00e9 um conceito da perfei\u00e7\u00e3o; por\u00e9m tamb\u00e9m \u00e9 da n\u00e3o-perfei\u00e7\u00e3o-que-conceber. Ent\u00e3o n\u00e3o caia no erro de conceber objetivamente a perfei\u00e7\u00e3o. Da\u00ed deduzirmos que o <i>Budakaya <sup>2<\/sup><\/i> est\u00e1 acima de qualquer atividade; portanto, devemos precaver-nos de escolher entre as mir\u00edades de formas distintas.<\/p>\n<p>O ef\u00eamero pode assemelhar-se \u00e0 mera vacuidade; o grande Vazio \u00e9 perfei\u00e7\u00e3o na qual n\u00e3o h\u00e1 nem car\u00eancia nem superfluidade; um repouso em que toda atividade \u00e9 aquietada. N\u00e3o argumentem que talvez existam outras regi\u00f5es que se estendam al\u00e9m do Grande Vazio, uma vez que tal argumento nos conduziria inevitavelmente \u00e0 diferencia\u00e7\u00e3o. Por essa raz\u00e3o est\u00e1 escrito: <i>\u201cA perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante a um profundo mar de sabedoria; samsara \u00e9 semelhante a um torvelinho ca\u00f3tico\u201d<\/i>.<\/p>\n<p>Quando falamos do conhecimento que \u2018eu\u2019 posso obter da erudi\u00e7\u00e3o que \u2018eu\u2019 posso alcan\u00e7ar, de \u2018minha\u2019 compreens\u00e3o intuitiva, da \u2018minha\u2019 libera\u00e7\u00e3o da cadeia de renascimentos, e da moralidade de \u2018meu\u2019 modo de viver, \u2018nossos\u2019 \u00eaxitos fazem com que estes conceitos nos pare\u00e7am agrad\u00e1veis; por\u00e9m nossos fracassos os tornam deplor\u00e1veis aos nossos olhos. De que serve tudo isso? Meu conselho \u00e9 que permane\u00e7am uniformemente repousados e que se mantenham acima de qualquer atividade. N\u00e3o se enganem com pensamentos conceituais, e n\u00e3o busquem a verdade em parte alguma, j\u00e1 que o \u00fanico necess\u00e1rio \u00e9 que deixem de formar conceitos. \u00c9 evidente que os conceitos mentais e as percep\u00e7\u00f5es externas s\u00e3o igualmente capciosos, e que o Caminho dos Budas \u00e9 t\u00e3o perigoso para voc\u00eas como o caminho dos dem\u00f4nios. Ent\u00e3o, quando <i>Mandjusri<\/i> entrou temporalmente no dualismo, viu-se diminu\u00eddo pelas montanhas de ferro que tornavam imposs\u00edvel a sua sa\u00edda. Por\u00e9m <i>Mandsjuri<\/i> possu\u00eda o verdadeiro ju\u00edzo enquanto <i>Samantabhadra<\/i> possu\u00eda t\u00e3o somente um saber ef\u00eamero. N\u00e3o obstante, se o verdadeiro ju\u00edzo e o saber ef\u00eamero se complementam como \u00e9 devido, percebemos que ambos deixam de existir. Somente a Mente \u00fanica existe, que n\u00e3o \u00e9 nem Buda nem seres sencientes, pois n\u00e3o cont\u00eam tal dualismo. T\u00e3o logo concebamos o Buda, nos vemos for\u00e7ados a conceber os seres sencientes, os conceitos e os n\u00e3o conceitos, o vital e o trivial, tudo que aprisiona algu\u00e9m entre as montanhas de ferro.<\/p>\n<p>Por causa dos obst\u00e1culos criados pelos racioc\u00ednio dual\u00edstico, Bodhidharma indicava meramente a Mente, a subst\u00e2ncia original de todos n\u00f3s, que \u00e9 de fato o pr\u00f3prio Buda. Ele n\u00e3o oferecia os falsos meios de aperfei\u00e7oamento pr\u00f3prio; n\u00e3o participava de nenhuma escola de desenvolvimento gradual. Seus ensinamentos n\u00e3o admitem atributos tais como claro e escuro. Posto que, se n\u00e3o est\u00e1 claro, n\u00e3o h\u00e1 luz; como n\u00e3o est\u00e1 escuro, logo n\u00e3o h\u00e1 escurid\u00e3o, nem se p\u00f4s fim \u00e0 escurid\u00e3o. Algu\u00e9m que ultrapasse o umbral de nossa escola deve perceber tudo por meio do <b>conhecimento intuitivo<\/b>. Esta classe de percep\u00e7\u00e3o se conhece com o nome de <b><i>Dharma<\/i><\/b>; conforme percebemos o <b><i>Dharma<\/i><\/b><i>,<\/i> falamos do <b><i>Buda<\/i><\/b>, se acontecer o estado chamado \u201centrada na <b><i>Sangha<\/i><\/b>\u201d, os monges recebem a denomina\u00e7\u00e3o de \u201cmonges que residem al\u00e9m de toda atividade\u201d e ao processo completo se pode dar o nome de <b><i>Triratna<\/i><\/b>, ou seja as Tr\u00eas Joias de uma mesma subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong><i>Aqueles que procuram encontrar o Dharma, n\u00e3o devem busc\u00e1-lo no Buda, nem no Dharma, nem na Sangha. N\u00e3o deveriam busca-lo em parte alguma. Quando n\u00e3o se busca o Buda, n\u00e3o existe Buda a se encontrar! Quando n\u00e3o se busca o Dharma, n\u00e3o h\u00e1 Dharma a se encontrar! Quando n\u00e3o se busca a Sangha, n\u00e3o h\u00e1 Sangha!\u00a0<\/i><\/strong><\/p>\n<p><i>1. <\/i><i>Tathata<\/i><i>\u00a0<\/i><i>\u00e9 variadamente traduzido como \u201cthusness\u201d. \u00c9 um conceito central no\u00a0<\/i><i><a title=\"Budismo\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Buddhism\">Budismo<\/a><\/i><i>.\u00a0<\/i><i>O sin\u00f4nimo\u00a0<b>Dharmata<\/b>\u00a0tamb\u00e9m \u00e9 usado com freq\u00fc\u00eancia.<\/i><\/p>\n<p><i>2. O Absoluto<\/i><\/p>\n<p>Pag. 98<\/p>\n<p><b>10.<\/b><b> <\/b><b>P: <\/b>Vossa Rever\u00eancia mesmo \u00e9 atualmente membro da <i>Sangha<\/i> ocupado evidentemente em predicar o <i>Dharma;<\/i> assim sendo, como podes asseverar que n\u00e3o existe nenhum deles?<\/p>\n<p><strong>R: Se voc\u00ea sup\u00f5e que existe um <i>Dharma<\/i> a predicar, ser\u00e1 natural que me pe\u00e7a que o exponha; por\u00e9m se voc\u00ea postula um \u201ceu\u201d, isso implicar\u00e1 uma entidade espacial. O <i>Dharma<\/i> n\u00e3o \u00e9 o <i>Dharma:<\/i> \u00e9 a MENTE.<\/strong><\/p>\n<p>Por isso Bodhidharma disse:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0\u00a0<i>\u201cEmbora lhes tenha transmitido<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>o Dharma da Mente,<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>como \u00e9 poss\u00edvel<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>que o Dharma seja um Dharma,<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>pois o Dharma e a Mente<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>carecem de exist\u00eancia objetiva?<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Mas isto lhe far\u00e1 compreender<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>o Dharma que se transmite<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>de Mente \u00e0 Mente\u201d<\/i>.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Saber que na verdade n\u00e3o existe coisa alguma a alcan\u00e7ar, chama-se repousar em <i>Bodhimandala<\/i>. O <i>Bodhimandala<\/i><i> <\/i>\u00e9 um estado onde n\u00e3o se produzem conceitos; no qual algu\u00e9m desperta para compreender a vacuidade intr\u00ednseca dos fen\u00f4menos, e que se chama tamb\u00e9m a completa vacuidade da <i>Matriz dos Tathagatas <sup>1<\/sup><\/i>.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<strong><i>\u201cNunca jamais existiu coisa alguma;<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Onde poder\u00e1, pois o p\u00f3 se acumular? <sup>2<\/sup><\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Se conseguires penetrar neste mist\u00e9rio,<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Por que falar da bem-aventuran\u00e7a transcendental?&#8221;<\/i><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Tathagata a fonte de todos os fen\u00f4menos. [Kundgd Gyalpo]<\/i><\/p>\n<p><i><\/i><i>2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Do Sutra da Plataforma &#8211; de Hui Neng<\/i><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pag. 99<\/p>\n<p><b>11.<\/b><b> P: <\/b>Se \u201c<i>Nunca jamais existiu coisa alguma\u201d<\/i>, \u00e9 poss\u00edvel falar dos fen\u00f4menos como n\u00e3o existentes?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Falar dos fen\u00f4menos como \u201cn\u00e3o existentes\u201d \u00e9 t\u00e3o err\u00f4neo como falar de seu oposto. <b><i>Bodhi<\/i><\/b> significa aus\u00eancia de conceitos de exist\u00eancia ou de n\u00e3o exist\u00eancia.<\/p>\n<p><b>12.<\/b><b> P:<\/b> O que \u00e9 Buda?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Sua Mente \u00e9 o Buda. O Buda \u00e9 Mente. A Mente e o Buda s\u00e3o indivis\u00edveis. Portanto, est\u00e1 escrito: <i>\u201cO que \u00e9 Mente \u00e9 Buda; se for outra coisa diferente da Mente \u00e9 com toda certeza, diferente do Buda\u201d<\/i>.<\/p>\n<p>Pag. 100<\/p>\n<p><b>13. <\/b><b>P:<\/b> Se nossa pr\u00f3pria Mente \u00e9 o Buda, como transmitiu Bodhidharma os ensinamentos quando veio da \u00cdndia?<\/p>\n<p><strong>\u00a0R: Quando veio da \u00cdndia, Bodhidharma transmitiu somente a Mente-Buda. Assinalou a verdade de que a mente de todos n\u00f3s \u00e9, desde o princ\u00edpio mesmo, id\u00eantica \u00e0 do Buda, e n\u00e3o est\u00e1 de modo algum separada uma da outra. Por esta raz\u00e3o o chamamos de nosso Patriarca. Qualquer pessoa que tenha uma compreens\u00e3o instant\u00e2nea desta verdade, transcende imediatamente toda a hierarquia de mestres e adeptos pertencentes a qualquer dos Tr\u00eas Ve\u00edculos. Sempre fomos Um com Buda; n\u00e3o pretendam, pois, que possam alcan\u00e7ar esta unidade mediante pr\u00e1ticas diversas <sup>1<\/sup>.<\/strong><\/p>\n<p><i>1.<\/i> <i>N\u00e3o podemos vir a ser o que j\u00e1 somos desde sempre: s\u00f3 podemos re-conhecer intuitivamente nosso estado original, antes oculto a n\u00f3s pelas nuvens de avidya.<\/i><\/p>\n<p><b>14.<\/b><b> P:<\/b> Sendo assim, qual \u00e9 o Dharma que ensinam todos os Budas quando se manifestam no mundo?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> <strong>Todos os Budas, quando se manifestam no mundo, n\u00e3o proclamam coisa alguma que n\u00e3o seja o ensinamento da Mente \u00danica. Assim, pois o Buda Gautama transmitiu a Mahakasyapa tacitamente o ensinamento da Mente \u00danica, que \u00e9 a subst\u00e2ncia de todas as coisas coexistente com o Vazio e permeando inteiramente o mundo dos fen\u00f4menos.<\/strong> Esta \u00e9 chamada a Lei de Todos os Budas. Digam dela o que disserem, como v\u00e3o ter sequer a esperan\u00e7a de acesso \u00e0 verdade, t\u00e3o somente com palavras? Nem sequer podemos perceb\u00ea-la objetiva nem subjetivamente. De modo que a plena compreens\u00e3o somente pode chegar a voc\u00eas por um mist\u00e9rio inexprim\u00edvel. O acesso a ela \u00e9 chamado a \u201cEntrada no Sil\u00eancio al\u00e9m de toda atividade\u201d. Se quiserem compreender, saibam que uma compreens\u00e3o repentina ocorre quando a mente est\u00e1 expurgada de toda confus\u00e3o do pensamento e atividade conceitual e das distin\u00e7\u00f5es. Os que buscam a verdade por meio do intelecto e da erudi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o fazem outra coisa sen\u00e3o afastarem-se dela cada vez mais. Enquanto seus pensamentos n\u00e3o cessarem com ramifica\u00e7\u00f5es por toda parte; enquanto n\u00e3o abandonarem qualquer pensamento de buscar algo; enquanto suas mentes n\u00e3o ficarem t\u00e3o im\u00f3veis como a madeira ou a pedra, n\u00e3o pisar\u00e3o no verdadeiro cominho que conduz \u00e0 Entrada.<\/p>\n<p>Pag. 101<\/p>\n<p><b>15. <\/b><b>P: <\/b>Neste momento cruzam frequentemente por nossa mente toda esp\u00e9cie de pensamentos err\u00f4neos. Como \u00e9 poss\u00edvel que Vossa Rever\u00eancia diga que n\u00e3o temos nenhum?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> O erro n\u00e3o \u00e9 nada substancial; \u00e9 completamente produto de seu pr\u00f3prio pensar. Quando se sabe que a Mente \u00e9 o Buda e que a Mente carece fundamentalmente de erros, quando se percebe pensamentos, fica-se plenamente convencido de que eles s\u00e3o os respons\u00e1veis pelos erros. Se voc\u00ea puder evitar todo movimento dos pensamentos conceituais e aquietar o processo mental, naturalmente que n\u00e3o ficaria em voc\u00ea erro algum. Portanto, se disse: \u201cQuando surgem os pensamentos, \u00e9 quando ent\u00e3o surgem todas as coisas; quando se desvanecem os pensamentos, ent\u00e3o desaparecem todas as coisas\u201d.<\/p>\n<p>Pag 102<\/p>\n<p><b>16. <\/b><b>P:<\/b> Quando neste momento se produzem pensamentos err\u00f4neos em minha mente, onde est\u00e1 o Buda<sup>1 <\/sup>?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> <b>Neste momento voc\u00ea est\u00e1 consciente desses pensamentos err\u00f4neos. Muito bem, neste momento \u2018sua\u2019 consci\u00eancia \u00e9 o Buda.<\/b> Talvez poderia entender isso, contanto que esteja livre desses processos mentais ilus\u00f3rios, caso contr\u00e1rio n\u00e3o haveria \u201cBuda\u201d. E por que n\u00e3o haveria Buda?, perguntaria. Porque quando voc\u00ea deixa que o movimento de tua mente tenha como resultado um conceito de \u201cBuda\u201d, voc\u00ea n\u00e3o faz sen\u00e3o trazer \u00e0 exist\u00eancia um ser objetivo capaz de ser Iluminado. Do mesmo modo, qualquer conceito de seres sencientes necessitados de libera\u00e7\u00e3o, cria tais seres como objetos de seus pensamentos. Todos os processos intelectuais e movimentos dos seus pensamentos s\u00e3o o resultado dos seus conceitos <sup>2<\/sup>. \u00a0Se voc\u00ea refrear por completo o seu conceituar, aonde iria o \u201cBuda\u201d continuar sua exist\u00eancia? Encontramos-nos com a mesma dificuldade com que se deparou Mandjusri, o qual, t\u00e3o logo permitiu a si mesmo conceber o \u201cBuda\u201d como uma entidade objetiva, viu-se reduzido e cercado por montanhas de ferro.<\/p>\n<p><i>1. Ent\u00e3o, a Mente \u00danica n\u00e3o est\u00e1 mais presente?<\/i><\/p>\n<p><i>2. O que traz os objetos correspondentes ao pensamento \u00e0 exist\u00eancia.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 103<\/p>\n<p><b>17.<\/b><b> P:<\/b> No momento da ilumina\u00e7\u00e3o, onde se encontra o Buda?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Donde procede sua pergunta? Onde se origina a sua consci\u00eancia? Quando o falar est\u00e1 calado, todo movimento aquietado, toda vis\u00e3o e todo som extintos, ent\u00e3o \u00e9 quando o trabalho de libera\u00e7\u00e3o do Buda brota! Ent\u00e3o aonde ser\u00e1 que buscaremos o Buda? N\u00e3o nos \u00e9 dado por uma cabe\u00e7a sobre nossa cabe\u00e7a ou outros l\u00e1bios sobre nossos l\u00e1bios; melhor abster-nos de incorrer em todas as classes de distin\u00e7\u00f5es dual\u00edsticas. As montanhas s\u00e3o montanhas. A \u00e1gua \u00e9 \u00e1gua. Os monges s\u00e3o monges. Os comuns s\u00e3o comuns. Por\u00e9m tanto estas montanhas como esses rios e o mundo todo incluindo mesmo o Sol, a Lua e todas as estrelas, n\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3 que exista fora da sua mente! Todos os milhares de cosmos suscept\u00edveis de exist\u00eancia, somente existem em voc\u00ea. Assim, pois em que outra parte seria poss\u00edvel falar das diversas categorias dos fen\u00f4menos? Fora da nossa mente n\u00e3o h\u00e1 nada. As verdes colinas que em qualquer lugar se oferecem \u00e0 sua vista, como esse firmamento vazio que voc\u00ea v\u00ea luzir por cima da Terra, n\u00e3o h\u00e1 uma part\u00edcula disso tudo que exista fora dos conceitos que voc\u00ea mesmo tem forjado. Assim \u00e9, pois todo ato de percep\u00e7\u00e3o, vis\u00e3o ou som, n\u00e3o \u00e9 outra coisa que o Olho da Sabedoria do Buda <sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p>Os fen\u00f4menos n\u00e3o se originam independentemente, mas s\u00e3o estimulados pelo ambiente <sup>2<\/sup>. E o que requer toda essa classe de conhecimento individualizado \u00e9 sua faculdade de aparecer como objetos. Algu\u00e9m pode falar durante todo o dia, e contudo, o que foi que disse? Algu\u00e9m pode escutar desde o alvorecer at\u00e9 o ocaso, e depois de tudo, o que ser\u00e1 que ouviu? Assim foi como Buda Gautama ensinou durante quarenta e nove anos e, contudo, realmente, n\u00e3o proferiu uma s\u00f3 palavra <sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p><i>1.<\/i> <i>O Olho da Sabedoria do Buda quer dizer o olho com o qual se percebe a verdadeira unidade de todas as coisas.<\/i><\/p>\n<p><i>2.<\/i> <i>As palavras pertencem ao reino do fluxo e da ilus\u00e3o. A verdade est\u00e1 al\u00e9m das palavras, uma experi\u00eancia silenciosa e profunda. O Buda falou por meios relativos. Visto de um modo absoluto, n\u00e3o falou uma \u00fanica palavra.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 104<\/p>\n<p>1<b>8.<\/b><b> P: <\/b>Supondo que tudo isso \u00e9 assim, qual \u00e9 o estado que se define pela palavra <i>Bodhi? <sup>1<\/sup><\/i><\/p>\n<p><b>R:<\/b> <b><i>Bodhi<\/i><\/b><b> n\u00e3o \u00e9 um estado.<\/b> O Buda n\u00e3o o alcan\u00e7ou. Os seres sencientes n\u00e3o carecem dele. N\u00e3o podemos alcan\u00e7\u00e1-lo com o corpo nem o abarcarmos com a mente. Todos os seres sencientes j\u00e1 s\u00e3o da mesma ess\u00eancia que <i>Bodhi.<\/i><\/p>\n<p><i>1.<\/i><i> <\/i><i>Ilumina\u00e7\u00e3o ou Sabedoria Suprema.<\/i><\/p>\n<p><i>2. Quer dizer, o entorno mental criado por voc\u00eas mesmo.<\/i><\/p>\n<p><b>19. <\/b><b>P:<\/b> Por\u00e9m, como \u201calcan\u00e7amos a Mente <i>Bodhi?&#8221;.<\/i><\/p>\n<p>R:\u00a0\u00a0<i>Bodhi <\/i>n\u00e3o \u00e9 algo que se alcance <sup>1<\/sup>. Se neste exato momento se convencessem da sua inacessibilidade, ficariam verdadeiramente convencidos de que jamais poder\u00e3o alcan\u00e7\u00e1-lo, pois j\u00e1 t\u00eam a mente <i>Bodhi. <\/i>Posto que <i>Bodhi <\/i>n\u00e3o \u00e9 um estado, n\u00e3o \u00e9 alguma coisa que possam alcan\u00e7ar. E, portanto, o Buda Gautama disse: <strong><i>\u201cEnquanto estava ainda no reino do Buda Dipankara, n\u00e3o houve para mim nem uma m\u00ednima coisa para alcan\u00e7ar. Foi quando ent\u00e3o o Buda Dipankara fez sua profecia, dizendo que eu tamb\u00e9m seria Buda\u201d.<\/i><\/strong> Se souberem com toda a evid\u00eancia que todos os seres sencientes j\u00e1 est\u00e3o unidos a <i>Bodhi,<\/i> cessar\u00e3o de pensar que <i>Bodhi<\/i> \u00e9 algo suscet\u00edvel de ser alcan\u00e7ado. Qui\u00e7\u00e1 recentemente ouviram falar sobre <i>\u201calcan\u00e7ar a mente Bodhi\u201d<\/i>, por\u00e9m tais conversa\u00e7\u00f5es podem ser consideradas como um meio intelectual de espantar o Buda! Seguindo esse m\u00e9todo, s\u00f3 ter\u00e3o a apar\u00eancia do Buda. Se tivessem que passar eras e mais eras dessa maneira, n\u00e3o lograriam mais que o <i>Sambhogakaya<\/i> e o <i>Nirmanakaya<\/i>. Que rela\u00e7\u00e3o teria tudo isso com a Natureza B\u00fadica original? Portanto, est\u00e1 escrito: <strong><i>\u201cBuscar exteriormente o Buda possuidor de forma n\u00e3o \u00e9 algo para se ater\u201d.<\/i><\/strong><\/p>\n<p><em>1.<\/em> <i>N\u00e3o \u00e9 um objeto que se perceba, compreenda, realize, conceba.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 105<\/p>\n<p><b>20<\/b>. <b>P:<\/b> Se sempre somos um com o Buda, por que n\u00e3o obstante, existem seres que vem \u00e0 exist\u00eancia mediante os quatro g\u00eaneros de nascimento e entram em um dos seis reinos da exist\u00eancia, cada um com a forma e a apar\u00eancia caracter\u00edstica de seu g\u00eanero?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> A subst\u00e2ncia b\u00fadica essencial \u00e9 um todo perfeito sem superfluidade nem car\u00eancia. Permeia os seis reinos da exist\u00eancia, e ainda assim \u00e9 absolutamente completa em todas as suas partes. Assim \u00e9 que cada uma das mir\u00edades de fen\u00f4menos que s\u00e3o produzidos no Universo \u00e9 o Buda (O Absoluto). Esta subst\u00e2ncia pode ser comparada a uma quantidade de merc\u00fario, que espalhada em todas as dire\u00e7\u00f5es, voltam a se unir, constituindo conjuntos homog\u00eaneos e perfeitos, os quais voltando a se reunir formam de novo um s\u00f3 conjunto de inalter\u00e1vel homogeneidade, no qual se conter\u00e3o todas as partes sem distin\u00e7\u00e3o alguma. A diversidade das formas e apar\u00eancias, por outro lado, podem comparar-se com moradas. Assim como algu\u00e9m abandona um est\u00e1bulo, preferindo, viver em uma casa, assim tamb\u00e9m algu\u00e9m muda o corpo f\u00edsico por um corpo radiante e, assim, de uma para outra mudan\u00e7a do <i>Pratyekabuda<\/i> ao <i>Bodhisatva<\/i> e destes aos Budas. Por\u00e9m essas diferen\u00e7as todas s\u00e3o igualmente distinguidas e buscadas, ou abandonadas por voc\u00eas; esta \u00e9 a raz\u00e3o da distin\u00e7\u00e3o entre elas; pois como \u00e9 poss\u00edvel que a natureza original e essencial do Universo se encontre sujeita a tal diferencia\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Pag. 106<\/p>\n<p>2<b>1.<\/b><b> P: <\/b>Como os Budas, em sua imensa miseric\u00f3rdia e compaix\u00e3o, ensinam o Dharma aos seres sencientes?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Falamos de sua imensa miseric\u00f3rdia e compaix\u00e3o, porque estas est\u00e3o al\u00e9m de toda causalidade. Por miseric\u00f3rdia se quer dar a entender que n\u00e3o se concebe que o Buda est\u00e1 iluminado, enquanto por compaix\u00e3o se quer expressar que n\u00e3o se pode conceber os seres sencientes como liberados.<\/p>\n<p>Na realidade, seu Dharma n\u00e3o lhes \u00e9 ensinado em palavras nem dado a entender de outra forma; e os que escutam nem o ouvem nem o alcan\u00e7am. \u00c9 como se um mestre imagin\u00e1rio houvesse ensinado a pessoas imagin\u00e1rias.<\/p>\n<p>Enquanto ao que se refere a todos esses Dharmas (ensinamentos), se em considera\u00e7\u00e3o ao Caminho falo a voc\u00eas do meu mais profundo conhecimento e os levo adiante, voc\u00eas podem compreender certamente o que digo; e, no que se refere \u00e0 miseric\u00f3rdia e compaix\u00e3o, se por causa de voc\u00eas me ponho a pensar as coisas e a estudar conceitos de outras pessoas, nem em um nem em outro caso voc\u00eas alcan\u00e7ar\u00e3o profundamente a verdadeira percep\u00e7\u00e3o da natureza real de \u2018sua pr\u00f3pria\u2019 Mente. Assim \u00e9 que, ao fim e ao cabo, estas coisas de nada servir\u00e3o de ajuda.<\/p>\n<p>Pag. 107<\/p>\n<p><b>22.<\/b><b> P:<\/b> qual o significado das palavras \u201cfervorosa aplica\u00e7\u00e3o\u201d?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> A forma mais completa de fervorosa aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 a aus\u00eancia em sua mente, de distin\u00e7\u00f5es como \u2018meu corpo\u2019, \u2018minha mente\u2019. T\u00e3o logo comece a buscar algo fora de \u2018sua pr\u00f3pria\u2019 Mente, se parecer\u00e1 com Kaliraja <sup>1<\/sup> com sua compuls\u00e3o para a ca\u00e7a. <strong>Por\u00e9m quando impedir que sua mente viaje fora de si mesma, ent\u00e3o voc\u00ea j\u00e1 \u00e9 um <i>ksanti-rishi<\/i>. NEM CORPO NEM MENTE: esse \u00e9 o Caminho dos Budas.<\/strong><\/p>\n<p><i>1. Dizem que Kaliraja despeda\u00e7ou alguns s\u00e1bios, inclusive a uma encarna\u00e7\u00e3o anterior de Gautama. Este suportou os cortes em peda\u00e7os com a equanimidade de um ksanti-rishi, aquele que sem queixar-se pratica o paramita da paci\u00eancia na afli\u00e7\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p>Pag.108<\/p>\n<p><b>23.<\/b> <b>P:<\/b> Se sigo este Caminho e contenho os processos intelectuais e o pensamento conceitual, estarei certo de alcan\u00e7ar a meta?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> A aus\u00eancia de conceitua\u00e7\u00e3o \u00e9 seguir o Caminho! Qual o motivo de se falar sobre alcan\u00e7ar ou n\u00e3o alcan\u00e7ar? A quest\u00e3o \u00e9 essa: pensando em algo, voc\u00ea cria uma entidade e n\u00e3o pensando em nada, voc\u00ea cria outra. Deixe que esse pensar err\u00f4neo se extinga por completo e ent\u00e3o n\u00e3o restar\u00e1 nada que tenha de buscar.<\/p>\n<p>Pag. 108<\/p>\n<p><b>24.<\/b><b> P:<\/b> O que quer dizer \u201cTranscender os Tr\u00eas Mundos\u201d? <i>(Do desejo, da forma e da n\u00e3o-forma)<\/i><\/p>\n<p><b>R: <\/b>Transcender os Tr\u00eas Mundos \u00e9 um modo de dizer \u201cir al\u00e9m do dualismo, do bem e do mal\u201d. Os Budas aparecem no mundo com a finalidade de ir al\u00e9m do desejo, da forma e dos fen\u00f4menos sem forma. Tamb\u00e9m para voc\u00eas se desvanecer\u00e3o os Tr\u00eas Mundos se lograrem alcan\u00e7ar o estado que transcende o pensamento. Por outro lado, se continuarem apegados \u00e0 no\u00e7\u00e3o de que algo, nem que seja sequer a cent\u00e9sima parte de uma part\u00edcula, que talvez exista objetivamente, ent\u00e3o, mesmo o perfeito dom\u00ednio do C\u00e2none do Mahayana n\u00e3o serviria para ir al\u00e9m dos Tr\u00eas Mundos. Somente quando cada um desses diminutos fragmentos forem vistos como vazios, poder\u00e1 o Mahayana lhes dar a conquista da vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Pag. 109<\/p>\n<p><b>25.<\/b> Um dia, logo ap\u00f3s sentar-se no sal\u00e3o, o mestre come\u00e7ou desta maneira:<\/p>\n<p><strong>\u2013 Como a Mente \u00e9 o Buda <i>(Absoluto)<\/i>, abarca tudo, desde os Budas <i>(entes iluminados)<\/i> em um extremo, at\u00e9 os mais \u00ednfimos r\u00e9pteis ou insetos, no outro extremo. Todos participam igualmente da Natureza B\u00fadica, e todos s\u00e3o da mesma subst\u00e2ncia da Mente \u00danica. Assim, pois Bodhidharma, depois de sua chegada do oeste. N\u00e3o transmitiu outra coisa sen\u00e3o o Dharma da Mente \u00danica. Indicou diretamente a verdade de que todos os seres sencientes foram sempre da mesma subst\u00e2ncia que o Buda. Ele n\u00e3o seguiu nenhum desses err\u00f4neos \u201cm\u00e9todos de inicia\u00e7\u00e3o\u201d; e se puderem atingir essa compreens\u00e3o em sua pr\u00f3pria Mente descobrindo desse modo sua natureza verdadeira, por certo que n\u00e3o haveria para voc\u00eas tampouco nada mais a buscar.<\/strong><\/p>\n<p>Pag. 109 a 116<\/p>\n<p><b>26. <\/b><b>P: <\/b>Como, pois, um homem consegue a compreens\u00e3o de sua pr\u00f3pria Mente?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Quem faz essa pergunta \u00e9 sua pr\u00f3pria mente; por\u00e9m se voc\u00ea permanecer em completa calma e se abstiver da m\u00ednima atividade mental, sua ess\u00eancia poder\u00e1 ser vista como vazia: percebida como se carecesse de forma, sem ocupar nenhum ponto no espa\u00e7o e como se n\u00e3o pertencesse \u00e0 categoria do existente ou do n\u00e3o-existente. Por ser impercept\u00edvel, <b>Bodhidharma disse: \u201cA Mente, que \u00e9 nossa natureza verdadeira, \u00e9 a Matriz ing\u00eanita e indestrut\u00edvel; que em resposta \u00e0s circunstancias, se transforma a si mesma em fen\u00f4menos\u201d.<\/b> Por conveni\u00eancia pr\u00e1tica a chamamos \u201cintelig\u00eancia\u201d; por\u00e9m quando n\u00e3o responde \u00e0s circunst\u00e2ncias, n\u00e3o devemos nome\u00e1-la com termos dual\u00edsticos tais como exist\u00eancia ou n\u00e3o-exist\u00eancia. Al\u00e9m disso, embora ocupada em criar objetos em resposta \u00e0 causalidade, segue sendo impercept\u00edvel. Se soubermos isto e repousarmos tranquilamente no vazio, na verdade seguimos o Caminho dos Budas. Por esta raz\u00e3o \u00e9 que o Sutra diz: <b>\u201cDesenvolva uma<\/b><b> <\/b><b>mentalidade que n\u00e3o repouse em coisa alguma, seja qual for\u201d.<\/b><\/p>\n<p>Todos os seres sencientes que se encontram sujeitos \u00e0 roda de altern\u00e2ncia da vida e da morte, voltam a ser criados segundo o carma de seus pr\u00f3prios desejos. Seu cora\u00e7\u00e3o permanece sujeito aos seis estados de exist\u00eancia que levam consigo todas as esp\u00e9cies de dores e afli\u00e7\u00f5es. Ch\u2019ing Ming disse: \u201cExistem pessoas com mentes semelhantes a um s\u00edmio, que s\u00e3o muito dif\u00edceis de ensinar; pessoas que necessitam todas as esp\u00e9cies de preceitos e doutrinas, para levar seus cora\u00e7\u00f5es \u00e0 compreens\u00e3o\u201d. E assim, quando surgem os pensamentos, seguem-se todas as esp\u00e9cies de <i>dharmas;<\/i> por\u00e9m estes se desvanecem t\u00e3o logo cessam os pensamentos. Isto nos habilita a ver que todas as classes de <i>dharmas<\/i> n\u00e3o s\u00e3o mais que uma cria\u00e7\u00e3o da mente. E que todas as esp\u00e9cies de seres, tanto humanos como <i>devas<\/i>, os que sofrem no inferno, como os <i>asuras<\/i> e os compreendidos nas seis formas de vida, todos eles n\u00e3o s\u00e3o outra coisa que cria\u00e7\u00f5es da mente. Ent\u00e3o, logo que consegu\u00edssemos obter um estado de n\u00e3o conceitua\u00e7\u00e3o, ver\u00edamos imediatamente romper-se a cadeia da causalidade.<\/p>\n<p>Abandonem esses pensamentos err\u00f4neos que conduzem a falsas distin\u00e7\u00f5es. N\u00e3o existe nem \u2018eu\u2019 nem \u2018outro\u2019. N\u00e3o existe nem \u2018maus desejos\u2019, nem \u2018\u00f3dio\u2019, nem \u2018carinho\u2019, nem \u2018triunfo\u2019, nem \u2018fracasso\u2019. T\u00e3o logo renunciem ao erro do pensamento intelectual ou conceitual, sua natureza exibir\u00e1 sua pr\u00edstina pureza, pois somente esta \u00e9 a maneira de realizar a Ilumina\u00e7\u00e3o, de realizar o Dharma, de realizar Buda e tudo mais. A menos que compreendam isso, a totalidade das suas erudi\u00e7\u00f5es, seus penosos esfor\u00e7os para avan\u00e7ar, suas austeridades no comer e no vestir, n\u00e3o servir\u00e3o para obter conhecimento de sua pr\u00f3pria Mente. Devemos considerar todas as pr\u00e1ticas como falaciosas, uma vez que qualquer delas n\u00e3o far\u00e1 mais que conduzir-nos a renascer entre os \u2018dem\u00f4nios\u2019, quer dizer, entre inimigos da verdade ou entre os obtusos esp\u00edritos da natureza. De que servir\u00e1 perseguir tais fins? Chih Kung disse: \u201cNossos corpos s\u00e3o cria\u00e7\u00e3o de nossa pr\u00f3pria mente\u201d. Por\u00e9m como vamos esperar adquirir conhecimento semelhante dos livros? Se compreenderem a natureza de sua pr\u00f3pria Mente e terminarem com todos os pensamentos de diferencia\u00e7\u00e3o e distin\u00e7\u00e3o, n\u00e3o haver\u00e1 lugar, por uma raz\u00e3o natural, para que se produza nem sequer o menor erro. Ch\u2019ing Ming expressa isto no seguinte verso:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Se quiseres descansar sem \u00e2nsias nem desejos,<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>simplesmente estenda uma esteira no ch\u00e3o;<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>n\u00e3o penses na cama com renovado apego,<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>como se te sentisses muito gravemente doente.<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>O carma dissipa-se quando cessa o desejo<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>e as fantasias, esperan\u00e7as e anelos,<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>fica t\u00e3o somente Bodhi.<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Bodhi n\u00e3o tem lugar nem tempo.<\/i><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0\u00a0Igualmente s\u00e3o as coisas, enquanto a mente se encontrar sob o influxo do mais leve pensamento, permanecer\u00e3o presos no engano de considerar \u201cIluminado\u201d e \u201cignorante\u201d como estados diferentes. Este erro ainda persistir\u00e1 apesar de seus conhecimentos do <i>Mahayana,<\/i> de suas habilidades para passar pelos \u201cQuatro Graus de Santidade\u201d e as \u201cDez Etapas de Progresso Para a Ilumina\u00e7\u00e3o\u201d, pois estes empenhos pertencem ao que \u00e9 ef\u00eamero. Ainda o mais vigoroso de seus esfor\u00e7os est\u00e1 condenado ao fracasso, da mesma maneira que a flecha disparada para o alto, esgotada a energia, dever\u00e1 inevitavelmente cair ao solo. Assim \u00e9 que, apesar de todos os esfor\u00e7os, ser\u00e1 certo que ao final encontrar-se-\u00e3o de novo na roda da vida e da morte. Ao se entregarem a tais pr\u00e1ticas revelam que n\u00e3o alcan\u00e7aram a compreens\u00e3o do verdadeiro significado do Buda. Certamente que a energia empregada para suportar t\u00e3o desnecess\u00e1rio sofrimento constitui um erro gigantesco. Chih Kung diz em algum outro lugar: <b><i>\u201cSe n\u00e3o encontrares um mestre capaz de transcender os mundos, ireis engolindo os rem\u00e9dios do Dharma Mahayana completamente em v\u00e3o\u201d.<\/i><\/b><\/p>\n<p>Se seguirem agora a pr\u00e1tica de manter suas mentes quietas em todos os momentos, tanto quando caminham como quando permanecem em p\u00e9, sentados ou deitados, resolvidos a n\u00e3o criarem pensamentos nem dualidade, em n\u00e3o confiarem nos demais nem apegarem-se a coisa alguma; n\u00e3o fazendo outra coisa sen\u00e3o observar como tudo segue seu curso durante o dia; como se estivessem muito doentes para se preocuparem com algo; mantendo-se desconhecidos para o mundo; inocentes de toda incita\u00e7\u00e3o para serem conhecidos ou desconhecidos; com sua mente como um bloco de pedra que n\u00e3o se preocupa com falhas: ent\u00e3o todos os <i>dharmas<\/i> penetrariam completamente em seus entendimentos. E logo se veriam firmemente estabelecidos no desprendimento. Assim, pela primeira vez em suas vidas descobririam que suas rea\u00e7\u00f5es aos fen\u00f4menos decresceriam e, finalmente passariam al\u00e9m do Mundo Tr\u00edplice; e as pessoas diriam que um novo Buda surgiu no mundo. O conhecimento puro e desapaixonado implica que colocamos um fim ao incessante fluir dos pensamentos e das id\u00e9ias, pois dessa maneira cessamos de produzir carma que conduz ao renascimento, em qualquer de suas formas, seja na forma de deuses, de homens ou de seres atormentados no inferno.<\/p>\n<p>Logo que cessa todo o processo mental, n\u00e3o se forma mais nenhuma part\u00edcula de carma. Ent\u00e3o, inclusive nessa vida, a mente e o corpo se convertem na mente e no corpo de um ser completamente liberado. E supondo que isso n\u00e3o tenha por consequ\u00eancia imediata renascimentos posteriores, a menos que algu\u00e9m esteja certo de renascer em situa\u00e7\u00e3o prop\u00edcia aos seus desejos. O <i>Sutra<\/i> declara que os <i>bodhisatvas<\/i> tomam um novo corpo de qualquer que seja a forma desejada. Por\u00e9m se repentinamente perdem a faculdade de manter a mente livre de qualquer pensamento conceitual, liga\u00e7\u00f5es com a forma lhes arrastariam a um novo mundo fenomenal e cada uma das formas criaria para eles um carma demon\u00edaco.<\/p>\n<p>Com as pr\u00e1ticas dos budistas da Escola Terra Pura acontece o mesmo, pois estas pr\u00e1ticas todas produzem carma; por isso as chamamos impedimentos do Buda. Seja como for que obstruam a Mente, a cadeia de causa e efeito se agarra prontamente ao iniciante, arrastando-o ao estado dos n\u00e3o liberados.<\/p>\n<p>Donde todos os <i>dharmas<\/i> tais como os que pretendem conduzir a obten\u00e7\u00e3o de <i>Bodhi,<\/i> s\u00e3o irreais. <b>As palavras do Buda Gautama t\u00eam validade meramente como expedientes eficazes para tirar os homens da escurid\u00e3o da ignor\u00e2ncia maior.<\/b> \u00c9 como pretender que as folhas amarelas s\u00e3o de ouro para conter o pranto de uma crian\u00e7a. <i>Samyak-sambhodi<\/i> <i>(Conhecimento Supremo)<\/i> \u00e9 o nome que expressa a compreens\u00e3o de que n\u00e3o existem Dharmas v\u00e1lidos. Se n\u00e3o compreendeis isto, de que servir\u00e3o tais bagatelas? Em harmonia com as condi\u00e7\u00f5es de suas vidas atuais, deveriam ir adiante, aproveitando as oportunidades com que se depararem para reduzir a produ\u00e7\u00e3o c\u00e1rmica acumulada em vidas anteriores, e sobretudo, deveriam evitar a acumula\u00e7\u00e3o de uma nova produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>A Mente est\u00e1 repleta de claridade radiante,<\/b> assim abandonem a escurid\u00e3o dos seus antigos conceitos. Ching Ming disse: \u201cDespojem-se de tudo\u201d. A frase do <i>Sutra do L\u00f3tus<\/i> referente aos vinte anos inteiros passados transportando esterco, simboliza a necessidade de afastar de suas mentes tudo quanto induza a forma\u00e7\u00e3o de conceitos. Em outra passagem do mesmo <i>Sutra se <\/i>identifica os sofistas e a metaf\u00edsica com o mont\u00e3o de esterco que temos que carregar. Assim \u00e9 que a <i>\u201cMatriz dos Tathagatas\u201d<\/i> \u00e9 intrinsecamente vacuidade e sil\u00eancio, que n\u00e3o cont\u00e9m <i>dharmas<\/i> individualizados de nenhuma esp\u00e9cie. Raz\u00e3o pela qual o <i>Sutra<\/i> diz: <b><i>\u201cOs reinos inteiros de todos os Budas s\u00e3o igualmente vazios\u201d.<\/i><\/b><\/p>\n<p>Embora as pessoas falem do Caminho dos Budas como algo suscet\u00edvel de ser alcan\u00e7ado por meio de pr\u00e1ticas piedosas e do estudo dos <i>sutras<\/i>, voc\u00eas n\u00e3o devem dar ouvidos a essas id\u00e9ias. <b>Uma percep\u00e7\u00e3o s\u00fabita e imprevista como um piscar de olhos, de que o sujeito e o objeto s\u00e3o um, levar\u00e3o voc\u00eas a uma compreens\u00e3o profundamente misteriosa e inef\u00e1vel; e com esta compreens\u00e3o despertar\u00e3o para a verdade do Zen.<\/b>\u00a0 Quando encontrarem algu\u00e9m que, todavia n\u00e3o compreendeu ainda, devem abster-se de reivindicar algum conhecimento. Talvez estejam satisfeitos com sua descoberta do Caminho que leva \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o. No entanto, se deixarem persuadir-se por ele, n\u00e3o experimentar\u00e3o satisfa\u00e7\u00e3o alguma, por\u00e9m sofrer\u00e3o pesar e desilus\u00e3o. O que tem a ver pensamentos semelhantes aos seus com o estudo do Zen? Embora quando obtiverem de sua parte algum \u201cm\u00e9todo\u201d superficial n\u00e3o ser\u00e1 outra coisa sen\u00e3o um <i>dharma<\/i> constru\u00eddo com o pensamento que nada tem a ver com o Zen. Assim Bodhidharma que esteve absorto em medita\u00e7\u00e3o em frente a uma parede; n\u00e3o procurou conduzir as pessoas a formarem opini\u00f5es. Como est\u00e1 escrito: \u201cRetirar da mente inclusive os princ\u00edpios que levam \u00e0 a\u00e7\u00e3o \u00e9 o verdadeiro ensinamento dos Budas, enquanto que o dualismo pertence \u00e0 esfera dos dem\u00f4nios\u201d. Nossa natureza verdadeira \u00e9 algo que n\u00e3o se perde nunca, nem mesmo nos momentos dos erros, nem a obtemos no momento da ilumina\u00e7\u00e3o. \u00c9 a natureza do <i>Bhutatathata,<\/i> na qual n\u00e3o existe nem ilus\u00e3o nem justa compreens\u00e3o. Ocupa o vazio por toda a parte e \u00e9 intrinsecamente da mesma subst\u00e2ncia da Mente \u00danica. Como podem ent\u00e3o, existir fora do Vazio os objetos criados por suas mentes? O vazio n\u00e3o tem em ess\u00eancia dimens\u00f5es espaciais, nem paix\u00f5es, nem atividades, nem ilus\u00f5es, nem justa compreens\u00e3o. Devem compreender com clareza que nele n\u00e3o existem coisas, nem homens, nem Budas; pois este vazio n\u00e3o cont\u00e9m nem a mais \u00ednfima part\u00edcula de coisa alguma que possa observar-se espacialmente; que n\u00e3o depende de nada, nem a nada est\u00e1 apegado. Interpenetra tudo e sua beleza n\u00e3o tem m\u00e1cula. \u00c9, enfim, o Absoluto, por si mesmo existente e n\u00e3o-criado. Como pode ent\u00e3o, sequer ser assunto de discuss\u00e3o que o Buda Verdadeiro n\u00e3o tem boca, nem predica o Dharma? Ou, que o ouvir Verdadeiro n\u00e3o requer ouvidos? Pois quem poderia ouvi-lo? Eis aqui que \u00e9 uma j\u00f3ia de pre\u00e7o imensur\u00e1vel.<\/p>\n<p>Pag. 116\/117<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>ANEDOTAS<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<b>27. <\/b>Nosso mestre \u00e9 original de Fukien; por\u00e9m fez seus votos no monte Huang Po desse munic\u00edpio, quando era ainda muito jovem <sup>1<\/sup>. No centro da testa tinha uma pequena protuber\u00e2ncia em forma de pera. Sua voz era suave e agrad\u00e1vel, era de car\u00e1ter modesto e pl\u00e1cido. Alguns anos depois de ser ordenado, durante uma viagem ao monte T\u2019ien T\u2019ai, encontrou-se com um monge, com o qual rapidamente sentiu uma intimidade de um velho amigo; ent\u00e3o continuaram juntos sua viagem. Encontrando o caminho obstru\u00eddo pelo transbordamento do rio da montanha nosso mestre apoiou-se em seu bast\u00e3o e se deteve, ante o qual seu companheiro lhe rogou que prosseguisse.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o; vai voc\u00ea primeiro \u2013 disse o nosso mestre; e seu companheiro colocou a boiar o volumoso para-sol de palha que lhe servia de guarda-chuva e passou para a outra margem, ent\u00e3o suspirou o mestre: &#8211; Permiti que esse indiv\u00edduo me acompanhasse, quando deveria t\u00ea-lo suprimido com um golpe de meu bast\u00e3o! <sup>2<\/sup><\/p>\n<p><i>1. Esta montanha foi onde o Vener\u00e1vel <b>Hsi Y\u00fcn<\/b> recebeu o nome pelo qual \u00e9 mais conhecido comumente at\u00e9 hoje em dia.<\/i><\/p>\n<p><i>2. Esta anedota quer dizer que o outro monge estava exibindo poderes paranormais que nunca devem ser usados sen\u00e3o em casos de extrema necessidade.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 117<\/p>\n<p><b>28.<\/b> Uma vez, certo monge, ao despedir-se do mestre Kuie Tsung, lhe perguntou aonde se propunha ir. \u2013 Tenho inten\u00e7\u00e3o de visitar todos os lugares onde se ensinam os cinco g\u00eaneros de Zen \u2013 respondeu. &#8211; Ah! &#8211; Exclamou Kuie Tsung &#8211; , em outros lugares talvez existam cinco g\u00eaneros: aqui temos somente Um. Por\u00e9m quando o monge inquiriu qual era este g\u00eanero, recebeu de repente um golpe. \u2013 Entendi, entendi! \u2013 gritou agitado. \u2013 Fala, fala! Esbravejou Kuei Tsung; por\u00e9m quando o monge se dispunha a falar algo mais, recebeu outro golpe.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s, o mesmo monge chegou ao monast\u00e9rio de nosso mestre e como Huang Po lhe perguntara de onde vinha, explicou que havia deixado recentemente Kuei Tsung.<\/p>\n<p>&#8211; E que instru\u00e7\u00f5es recebestes dele \u2013 perguntou o mestre, e o monge referiu-se a hist\u00f3ria anterior.<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima assembleia, o mestre tomou esta anedota como texto de sua li\u00e7\u00e3o e disse:<\/p>\n<p>&#8211; O mestre Ma (<i>Outro nome de Kuei Tsung)<\/i> superava os Oitenta e Quatro Profundamente Iluminados. Todas as perguntas que as pessoas lhes faziam n\u00e3o valiam mais do que o lodo hediondo que satura um lama\u00e7al. Kuei Tsung pode ser considerado mestre de grande valor.<\/p>\n<p>Pag. 118<\/p>\n<p><b>29. <\/b>Nosso mestre assistiu uma vez uma assembl\u00e9ia na Oficina dos Comiss\u00e1rios do Sal\u00e3o Imperial, a qual tamb\u00e9m assistia o imperador T\u2019ai Chung na qualidade de <i>sramanera <\/i>(leigo). O imperador deu-se conta de que o nosso mestre entrava no sal\u00e3o de medita\u00e7\u00e3o e fazia uma tr\u00edplice sauda\u00e7\u00e3o ao Buda, por esta raz\u00e3o perguntou:<\/p>\n<p>&#8211; Se n\u00e3o temos de buscar coisa alguma do Buda, do Dharma e da Sangha, o que busca Vossa Rever\u00eancia com tais prostra\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>&#8211; Embora nada espere do Buda, do Dharma, nem da Sangha, tenho por costume mostrar respeito dessa maneira.<\/p>\n<p>&#8211; Por\u00e9m de que serve isso? \u2013 insistiu o <i>sramanera<\/i>, ao dizer isso recebeu uma inesperada bofetada e exclamou \u2013 Oh, que rudeza!<\/p>\n<p>&#8211; Como? \u2013 exclamou o mestre \u2013 Por que fazer distin\u00e7\u00f5es entre rudeza e refinamento? \u2013 e dizendo isso administrou outra bofetada, fazendo com que o leigo buscasse acomoda\u00e7\u00e3o em outro lugar <sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p><i>1.<\/i> <i>O fato de que Huang Po atreveu-se a esbofetear o imperador, o Filho do C\u00e9u, indica tanto o imenso prest\u00edgio pessoal do mestre como a total aus\u00eancia de temor que resulta logicamente de uma firme convic\u00e7\u00e3o de que a vida \u00e9 s\u00f3 um sonho. A complac\u00eancia do imperador em aceitar os golpes sem revidar ou puni-lo, indica a profundidade de sua admira\u00e7\u00e3o pelo mestre!<\/i><\/p>\n<p>Pag. 119<\/p>\n<p><b>30.<\/b> Durante suas viagens nosso mestre fez uma visita a Nan Ch\u2019\u00fcan (seu superior). Um dia \u00e0 hora de comer, tomou sua cuia e sentou-se em frente a Nan Ch\u2019\u00fcan. Ao nota-lo ali, Nan Ch\u2019\u00fcan curvou-se para receb\u00ea-lo e lhe perguntou: &#8211; H\u00e1 quanto tempo Vossa Rever\u00eancia segue o Caminho?<\/p>\n<p>&#8211; Desde antes do come\u00e7o da era de Bhisma Raja <i>(praticamente um eternidade) <\/i>\u2013 respondeu ao mestre.<\/p>\n<p>&#8211; Verdade? \u2013 exclamou Nan Ch\u2019\u00fcan- Parece ent\u00e3o que o mestre Ma (Nan Ch\u2019\u00fcan) tem aqui um digno neto \u2013 logo ap\u00f3s nosso mestre foi embora em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Uns dias depois, quando nosso mestre sa\u00eda, Nan Ch\u2019\u00fcan observou: &#8211; V. Rever\u00eancia \u00e9 um homem muito corpulento. Por que, ent\u00e3o levar um guarda sol de tamanho t\u00e3o rid\u00edculo? \u2013 O que! Ele cont\u00e9m um grande n\u00famero de milhares de cosmos!<sup>1<\/sup> \u2013 E o que tenho com isso? Perguntou Nan Ch\u2019\u00fcan; por\u00e9m o mestre fechou o guarda sol e foi embora. <i>\u00a0\u00a0<\/i><\/p>\n<p><i>1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Assim como a primeira parte da anedota implica coexist\u00eancia com a eternidade, a segunda demonstra a coexist\u00eancia com o Vazio. Quando o mestre se vai, implica que venceu a discuss\u00e3o. Nan Ch\u2019\u00fcan reconhece a derrota com uma tr\u00edplice prostra\u00e7\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 121<\/p>\n<p><b>31.<\/b><b> <\/b>Outro dia nosso mestre se encontrava sentado na sala de ch\u00e1 quando se aproximou Nan Ch\u2019uan para perguntar-lhe:<\/p>\n<p>&#8211; O que quer dizer \u201cuma clara compreens\u00e3o \u00edntima da natureza b\u00fadica resultado do estudo de <i>dhyana<\/i> e <i>prajna<\/i>\u201d<i>?<\/i><\/p>\n<p>&#8211; Quer dizer \u2013 respondeu-lhe nosso mestre &#8211; que de manh\u00e3 at\u00e9 a noite n\u00e3o se deve confiar em coisa alguma.<\/p>\n<p>&#8211; Mas, isso por acaso n\u00e3o \u00e9 mais um conceito de Vossa Rever\u00eancia sobre seu significado?<\/p>\n<p>&#8211; Como iria eu ser t\u00e3o presun\u00e7oso?<\/p>\n<p>&#8211; Tenha em conta Vossa Rever\u00eancia que muitas pessoas pagariam dinheiro cont\u00e1vel e sonante por \u00e1gua de arroz; por\u00e9m a quem se iria pedir algo por umas sand\u00e1lias de palha como essas feitas em casa?<\/p>\n<p>Ao ouvir isso nosso mestre permaneceu calado.<\/p>\n<p>Mais tarde Wei Shan se referiu ao incidente a Yang Shan e lhe perguntou se o sil\u00eancio de nosso mestre colocava em evidencia sua derrota.<\/p>\n<p>&#8211; Oh, n\u00e3o! \u2013 contestou Yang &#8211; \u00c9 sabido muito bem que Huang Po tem a ast\u00facia de um tigre.<\/p>\n<p>&#8211; Em verdade a sua profundidade n\u00e3o tem limites \u2013 exclamou seu interlocutor <sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p><i>1. Nan Ch\u2019uan empregou um termo que era an\u00e1tema para Huang Po: \u201cconceito\u201d. Seu sil\u00eancio foi profundamente significativo; implicava que o mestre jamais se entregava aos conceitos.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 122<\/p>\n<p><b>32.<\/b><b> <\/b>Em certa ocasi\u00e3o nosso mestre pediu permiss\u00e3o para ausentar-se<b> <\/b>e Nan Shan lhe perguntou aonde ia.<\/p>\n<p>&#8211; Vou apenas colher algumas verduras.<\/p>\n<p>&#8211; Como vai cort\u00e1-las?<\/p>\n<p>Nosso mestre puxou sua faca, em vista disso Nan Chuan observou:<\/p>\n<p>&#8211; Bom; isso fica bem para um convidado; por\u00e9m n\u00e3o para um anfitri\u00e3o.<\/p>\n<p>Nosso mestre mostrou sua aprecia\u00e7\u00e3o com uma prostra\u00e7\u00e3o <sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p><i>1. Esta \u00e9 uma anedota dif\u00edcil de entender e interpretar&#8230; (que tal arriscar a sua interpreta\u00e7\u00e3o?)<\/i><\/p>\n<p>Pag. 122<\/p>\n<p><b>33.<\/b> Um dia apresentou-se ao nosso mestre um grupo de cinco novi\u00e7os. Um deles, ao inv\u00e9s de fazer a costumeira prostra\u00e7\u00e3o, permaneceu de p\u00e9 e o saudou um tanto indiferentemente com um leve movimento de m\u00e3os juntas.<\/p>\n<p>&#8211; Por acaso voc\u00ea sabe o que deve fazer para ser um bom c\u00e3o de ca\u00e7a? \u2013 perguntou o mestre.<\/p>\n<p>&#8211; Tem que farejar o rastro do ant\u00edlope.<\/p>\n<p>&#8211; E supondo que n\u00e3o deixe rastro, como seguir\u00e1 ent\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8211; Dever\u00e1 seguir as marcas das pegadas.<\/p>\n<p>&#8211; E se n\u00e3o houver marcas das pegadas, que dever\u00e1 fazer?<\/p>\n<p>&#8211; Todavia ser\u00e1 poss\u00edvel seguir a pista do animal.<\/p>\n<p>Por\u00e9m que acontecer\u00e1 se n\u00e3o houver uma pista sequer? Como se seguir\u00e1 ent\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8211; Nesse caso \u2013 disse o rec\u00e9m chegado &#8211; haveria certamente um ant\u00edlope morto.<\/p>\n<p>Nosso mestre n\u00e3o disse nada mais naquele momento; por\u00e9m na manh\u00e3 seguinte depois do seu serm\u00e3o perguntou:<\/p>\n<p>&#8211; Queira o monge da ca\u00e7a do ant\u00edlope de ontem dar um passo adiante? \u2013 O monge assim fez e o mestre perguntou: &#8211; Ontem, meu caro amigo, ficaste sem nada dizer, como foi? \u2013 e como o monge n\u00e3o respondeu coisa alguma, continuou: &#8211; Ah, pode considerar-se como um monge verdadeiro; por\u00e9m n\u00e3o \u00e9 mais que um aprendiz de novi\u00e7o <sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p><i>1. A<\/i><i> primeira observa\u00e7\u00e3o de Huang Po implica que ele estava disposto a conceder ao rec\u00e9m chegado a igualdade demandada tacitamente por sua maneira comum de saudar, sempre que demonstra-se merec\u00ea-la. Somente quando o outro exibiu sua ignor\u00e2ncia do Zen foi que o mestre decidiu dar-lhe uma reprimenda em p\u00fablico. O ant\u00edlope, naturalmente, simboliza a Mente \u00danica, a qual por ser inteiramente desprovida de atributos \u201cn\u00e3o deixa pista\u201d. Um ant\u00edlope morto implicaria um estado de extin\u00e7\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 123<\/p>\n<p><b>34<\/b>. Uma vez, quando nosso mestre conclu\u00edra a primeira das assembl\u00e9ias cotidianas do monast\u00e9rio de K\u2019ai Yuan, pr\u00f3ximo a Hung Chou, encontrava-me casualmente no recinto do monast\u00e9rio. Pouco depois notei uma pintura mural, e interrogando o monge que estava a cargo da administra\u00e7\u00e3o do monast\u00e9rio, inteirei-me de que era o retrato de um monge famoso.<\/p>\n<p>&#8211; Verdadeiramente? &#8211; disse eu -, sim; vejo a semelhan\u00e7a a minha frente; por\u00e9m onde est\u00e1 o homem representado? \u2013 Minha pergunta foi recebida em sil\u00eancio ; foi ent\u00e3o que observei: &#8211; mas seguramente existem monges Zen aqui nesse templo, n\u00e3o? &#8211; sim &#8211; respondeu o administrador do monast\u00e9rio \u2013 Existe UM *.<\/p>\n<p>Depois disso pedi uma audi\u00eancia com o mestre e lhe repeti a recente conversa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; P\u2019ei Hsiu \u2013 exclamou o mestre.<\/p>\n<p>&#8211; Sim Senhor! \u2013 disse respeitosamente.<\/p>\n<p>&#8211; Onde est\u00e1 VOC\u00ca?<\/p>\n<p>Compreendendo que n\u00e3o havia resposta poss\u00edvel a tal pergunta, apressei-me a rogar a nosso mestre que voltasse a sala e continuasse seu serm\u00e3o.<\/p>\n<p>(<i>*). Esta profunda resposta tem duplo significado: \u201cum\u201d no sentido de Huang Po, e \u201cUM\u201d a n\u00e3o dualidade de todas as coisas.<\/i><\/p>\n<p><b>\u00a0Pa<\/b>g. 124<\/p>\n<p><b>35. <\/b>Quando o mestre voltou ao seu lugar na sala de reuni\u00e3o, come\u00e7ou dizendo <sup>1<\/sup>:<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00eas s\u00e3o semelhantes aos b\u00eabados. N\u00e3o sei como se arranjam para ficar em p\u00e9, estando t\u00e3o tontos como est\u00e3o. Vamos! Qualquer um morreria de rir ao v\u00ea-los. Tudo parece t\u00e3o f\u00e1cil que n\u00e3o sei por que tiveram que viver para ver um dia como esse. N\u00e3o podem chegar a compreender que em todo o imp\u00e9rio de T\u2019ang <sup>2<\/sup><b> <\/b>N\u00c3O EXISTEM \u201cmestres versados\u201d em Zen?<\/p>\n<p>Nesse ponto um dos monges assistentes perguntou: &#8211; Como pode Vossa Rever\u00eancia dizer isso? Nesse mesmo momento, como todos podem ver, estamos em frente a algu\u00e9m que apareceu no mundo destinado a ser instrutor de monges e orientador de homens.<\/p>\n<p>&#8211; Tenham em conta que n\u00e3o digo que n\u00e3o haja Zen \u2013 respondeu o mestre &#8211; Somente indiquei que n\u00e3o existem MESTRES.<\/p>\n<p>Mas tarde Wei Shan referiu-se a esta conversa\u00e7\u00e3o a Yang Shan e lhe perguntou o que significava, e este lhe disse: &#8211; Este cisne \u00e9 capaz de extrair leite puro de uma mistura adulterada. \u00c9 claro que ele n\u00e3o \u00e9 um p\u00e1ssaro comum. \u2013 Ah! \u2013 respondeu o interlocutor -, Sim; a insinua\u00e7\u00e3o que fez foi muito sutil. <sup>3<\/sup><\/p>\n<p><i>1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Uma continua\u00e7\u00e3o do 34.<\/i><\/p>\n<p><i><\/i><i>2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>China.<\/i><\/p>\n<p><i><\/i><i>3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>A observa\u00e7\u00e3o final do mestre insinua, entre outras coisas, a impossibilidade de ensinar Zen, o qual s\u00f3 pode ser devidamente apreendido por meio da compreens\u00e3o intuitiva que surge em n\u00f3s. O sil\u00eancio do administrador do monast\u00e9rio foi devido a que a exist\u00eancia de indiv\u00edduos, mestres Zen ou qualquer outra coisa, \u00e9 completamente transit\u00f3ria. A absor\u00e7\u00e3o no Zen conduz a uma experi\u00eancia de unidade em que \u201cum\u201d e \u201coutro\u201d j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o v\u00e1lidos. O UNO n\u00e3o \u00e9 nem mestre de Zen nem nenhuma outra coisa.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 125<\/p>\n<p><b>36.<\/b> Um dia trouxe uma est\u00e1tua de Buda e ajoelhando-me respeitosamente diante do mestre, lhe roguei que me outorga-se um t\u00edtulo honor\u00edfico sagrado.<\/p>\n<p>&#8211; P\u2019ei Hsiu \u2013 exclamou.<\/p>\n<p>\u2013 Sim, mestre?<\/p>\n<p>&#8211; Como \u00e9 que os nomes te preocupam?<\/p>\n<p>O \u00fanico que me foi poss\u00edvel fazer foi prostrar-me em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Em outra ocasi\u00e3o aconteceu que lhe ofereci um poema que havia escrito. O tomou com as m\u00e3os; por\u00e9m logo se sentando o empurrou para fora de seu alcance.<\/p>\n<p>&#8211; Compreendes? \u2013 perguntou-me.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o mestre.<\/p>\n<p>&#8211; Por\u00e9m, por que n\u00e3o compreendes? Pensa um pouco. Se pud\u00e9ssemos expressar as coisas assim, com papel e tinta, qual seria o prop\u00f3sito de uma escola como a nossa?<\/p>\n<p>Meu poema dizia assim:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<i>Quando surgiu a intui\u00e7\u00e3o da Mente,<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<i>O excelente aluno de p\u00e9rola na testa<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<i>permaneceu dez anos junto ao rio Chech\u2019uan.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<i>Mas logo, qual c\u00e1lice de um lotos transportado pelas ardilosas \u00e1guas da vida fixou sua digna resid\u00eancia \u00e0s margens do Chang.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<i>Milhares de disc\u00edpulos seguiram seu caminho vindos \u00e0 sua morada com ar draconiano trazendo<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<i>das flores long\u00ednquas a fragr\u00e2ncia;<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<i>Servem a seu mestre com estrita observ\u00e2ncia,<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<i>Acalmando da mente o cont\u00ednuo vai e vem.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<i>Quem sabe qual deles<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<i>\u2013 aspirantes a Budas \u2013<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<i>Resolver\u00e1 o mist\u00e9rio do temor e das d\u00favidas,<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<i>Com a inef\u00e1vel Transmiss\u00e3o do Zen?<\/i><\/p>\n<p>\u00a0Nosso mestre logo respondeu com outro poema:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<strong>\u00a0<i>A Mente \u00e9 um oceano<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Sem praias ou ribeiras.<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel descrev\u00ea-la<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Com corretas palavras.<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>As palavras s\u00e3o l\u00f3tus<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>De atrativas cores,<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Que eficazmente curam<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>As dores menores.<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Eu, embora ocioso \u00e0s vezes<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>E m\u00e3o sobre m\u00e3o.<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>N\u00e3o foi por cultuar<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>O v\u00e3o palavr\u00f3rio<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Que a levei<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>At\u00e9 meu cora\u00e7\u00e3o <sup>1<\/sup>.<\/i><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<i>1. O poema de Huang Po encerra a ideia de que a Transmiss\u00e3o somente pode recair naquele que recebeu uma experi\u00eancia intuitiva condutora \u00e0 percep\u00e7\u00e3o direta da Mente \u00danica. Portanto, aqueles que passam seu tempo em discuss\u00f5es metaf\u00edsicas ou intelectuais, o mestre n\u00e3o lhes d\u00e1 senhas. (Sinais \u2013 informa\u00e7\u00f5es)<\/i><\/p>\n<p>Pag. 127\/137<\/p>\n<p><b>37.<\/b> Nosso mestre disse:<\/p>\n<p><strong>\u2013 Os que desejam avan\u00e7ar no Caminho devem descartar primeiro o sedimento acumulado por ensinamentos heterog\u00eaneos. Devem, sobretudo, evitar a busca de alguma coisa objetiva ou apegar-se a qualquer coisa que seja. Logo ap\u00f3s escutar as doutrinas mais profundas, devem comportar-se como se uma brisa ligeira lhes houvesse acariciado os ouvidos, como se uma brisa deleitosa houvesse passado em um abrir e fechar de olhos. N\u00e3o devem de nenhuma maneira, tentar seguir tais doutrinas. Trabalhar de acordo com essas instru\u00e7\u00f5es \u00e9 alcan\u00e7ar profundidade. A contempla\u00e7\u00e3o fixa dos <i>Tathagatas<\/i> entranha a mentalidade do Zen de algu\u00e9m que deixou de lado a roda dos nascimentos e mortes para sempre. Desde os dias em que Bodhidharma n\u00e3o transmitiu outra coisa que a Mente \u00danica, n\u00e3o houve outro Dharma v\u00e1lido. Assinalando a identidade da Mente e do Buda <sup>1<\/sup>, mostrou como podemos transcender para formas mais elevadas de Ilumina\u00e7\u00e3o. N\u00e3o resta d\u00favida alguma de que n\u00e3o deixou atr\u00e1s de si outro pensamento sen\u00e3o este. Se desejarem entrar usando nossa escola como entrada, este deve ser o \u00fanico <i>Dharma <\/i>a seguir.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Se voc\u00eas pensam obter algo com mestres de outras doutrinas, por que raz\u00e3o vieram aqui?\u00a0 Assim \u00e9 que se disserem que t\u00eam a mais leve inten\u00e7\u00e3o de entregarem-se aos pensamentos conceituais, ent\u00e3o suas inten\u00e7\u00f5es lhes tornar\u00e3o presas dos dem\u00f4nios. Do mesmo modo a consciente inexist\u00eancia de tal prop\u00f3sito e inclusive a consci\u00eancia de que n\u00e3o t\u00eam a necessidade de tal prop\u00f3sito, ser\u00e1 suficiente para jog\u00e1-los ao poder dos dem\u00f4nios. Por\u00e9m n\u00e3o ser\u00e3o dem\u00f4nios externos; ser\u00e3o dem\u00f4nios criados por suas mentes mesmas. A \u00fanica realidade que existe \u00e9 o <i>\u201cBodhisatva\u201d <\/i>cuja exist\u00eancia \u00e9 totalmente n\u00e3o-manifesta, inclusive no sentido espiritual: o Sem Rastro. Se alguma vez chegarem a crer em algo mais que a pura exist\u00eancia transit\u00f3ria dos fen\u00f4menos, ter\u00e3o ca\u00eddo no grave erro conhecido da cren\u00e7a her\u00e9tica na vida eterna; por\u00e9m, se ao contr\u00e1rio, tomam a vacuidade intr\u00ednseca dos fen\u00f4menos como indicando a mera vacuidade, ent\u00e3o ter\u00e3o ca\u00eddo em outro erro: a heresia da extin\u00e7\u00e3o total <sup>2<\/sup>.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Assim, pois \u201co Mundo Triplo \u00e9 t\u00e3o somente Mente; as mir\u00edades de fen\u00f4menos s\u00e3o uma s\u00f3 Consci\u00eancia\u201d \u00e9 o que se ensina \u00e0queles que previamente sustentaram id\u00e9ias ainda mais falsas e sofreram erros de percep\u00e7\u00e3o <sup>3 <\/sup>ainda mais graves. De modo similar, o ensinamento de que o <i>Dharmakaya <\/i><sup>4<\/sup> \u00e9 algo que se alcan\u00e7a t\u00e3o somente depois de realizar a completa Ilumina\u00e7\u00e3o, tem somente por objeto converter os santos <i>Theravadas,<\/i> salvando-os dos erros mais graves. Tendo achado o Buda Gautama, que estas opini\u00f5es predominavam, refutou duas classes de id\u00e9ias mal entendidas: a no\u00e7\u00e3o de que a Ilumina\u00e7\u00e3o conduz a uma percep\u00e7\u00e3o da subst\u00e2ncia universal composta de part\u00edculas que alguns consideram grosseiras e outros sutis <sup>5<\/sup>.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Como \u00e9 poss\u00edvel que Buda Gautama que negou qualquer opini\u00e3o semelhante \u00e0s mencionadas, pudesse haver originado as concep\u00e7\u00f5es presentes da Ilumina\u00e7\u00e3o? Por\u00e9m, como esses ensinamentos s\u00e3o ainda ensinados comumente, as pessoas se envolvem na dualidade de desejar a \u201cluz\u201d e de afastar a \u201cescurid\u00e3o\u201d. Em sua ansiedade por buscar a Ilumina\u00e7\u00e3o por um lado, e para escapar das paix\u00f5es e da ignor\u00e2ncia da exist\u00eancia corporal, por outro lado, concebem o Buda Iluminado e os seres sencientes n\u00e3o iluminados, como se fossem entidades separadas. A cont\u00ednua propens\u00e3o de usar tais conceitos dual\u00edsticos lhes conduzir\u00e3o a posteriores renascimentos nas seis ordens de seres, vida ap\u00f3s vida, eras ap\u00f3s eras, para sempre.\u00a0 E qual \u00e9 a causa disso? A causa \u00e9 a falsifica\u00e7\u00e3o dos ensinamentos de que a fonte original dos Budas \u00e9 a Natureza que existe por si mesma. Eu me permito assegurar-lhes que o Buda n\u00e3o reside na luz, nem os seres sensientes residem nas trevas, uma vez que a Verdade n\u00e3o permite tais distin\u00e7\u00f5es. O Buda n\u00e3o \u00e9 poderoso, nem os seres sensientes s\u00e3o fr\u00e1geis, pois a Verdade n\u00e3o d\u00e1 lugar a tais distin\u00e7\u00f5es. O Buda n\u00e3o \u00e9 iluminado nem os seres sensientes s\u00e3o ignorantes, pois a Verdade n\u00e3o permite distin\u00e7\u00f5es semelhantes. O que acontece \u00e9 que voc\u00eas tomam ao seu cargo explicar o Zen!<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0T\u00e3o logo algu\u00e9m abre a boca, surgem os desatinos. As pessoas, ou bem falam dos ramos e fazem caso omisso das ra\u00edzes, ou bem se esquecem da realidade do mundo \u201cilus\u00f3rio\u201d e falam somente da Ilumina\u00e7\u00e3o. Ou, de outro modo, fofocam sobre as atividades c\u00f3smicas que conduzem \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es, enquanto descuidam a subst\u00e2ncia, da qual se originaram; na verdade, jamais encontrar\u00e3o proveito algum nessas discuss\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Digamos, pois, uma vez mais: todos os fen\u00f4menos carecem basicamente de subst\u00e2ncia pr\u00f3pria, embora n\u00e3o possa dizer agora que sejam inexistentes: O carma produzido, nem por isso existe; o <i>carma<\/i> que se destruiu, nem por isso deixou de existir. Inclusive sua raiz carece de exist\u00eancia, pois tal raiz n\u00e3o \u00e9 raiz. Al\u00e9m disso, a Mente n\u00e3o \u00e9 Mente, j\u00e1 que, seja l\u00e1 o que for o significado desse termo, est\u00e1 muito longe de ser a realidade que simboliza. A forma, igualmente, n\u00e3o \u00e9 realmente forma, assim, pois se afirmo agora que n\u00e3o existem fen\u00f4menos e que n\u00e3o h\u00e1 Mente Original, come\u00e7ar\u00e3o a compreender algo do <i>Dharma<\/i> intuitivo transmitido silenciosamente \u00e0 Mente com a Mente. Posto que os fen\u00f4menos e os n\u00e3o fen\u00f4menos s\u00e3o uma mesma coisa, n\u00e3o h\u00e1 nem fen\u00f4menos nem n\u00e3o fen\u00f4menos e a \u00fanica transmiss\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 a da Mente para a Mente.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Quando verificam semelhante fa\u00edsca de pensamento em suas mentes e a reconhecem como um sonho ou uma ilus\u00e3o, ent\u00e3o podem entrar no estado alcan\u00e7ado pelos Budas do passado (n\u00e3o \u00e9 que os Budas do passado existam realmente nem que os Budas do futuro n\u00e3o tenham vindo ainda \u00e0 exist\u00eancia). Sobretudo, n\u00e3o tenham desejos de converterem-se em um Buda; sua \u00fanica motiva\u00e7\u00e3o deve consistir, logo que a um pensamento seguir outro pensamento, em evitar apegar-se a algum deles. E n\u00e3o devem abrigar a mais leve ambi\u00e7\u00e3o de ser um Buda aqui e agora. Ainda que surgisse um Buda diante de voc\u00eas, n\u00e3o pensem nele como se fosse iluminado ou estivesse \u201calucinado\u201d, como se fosse \u201cbom\u201d ou \u201cmau\u201d. Apressem-se a se livrarem do desejo de apegarem-se a ele; pois isso os separar\u00e1 dele em um abrir e fechar de olhos. N\u00e3o o agarrem de forma alguma. N\u00e3o tentem det\u00ea-lo, pois nem milhares de fechaduras poderiam encerr\u00e1-lo, nem poderia ser atado com 10.000 metros de corda. Assim sendo, esforcem-se em afast\u00e1-lo e esquec\u00ea-lo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Agora esclarecerei com luz meridiana como dever\u00e3o proceder para manterem-se livres desse Buda. Considerem a luz do Sol! Talvez digam que est\u00e1 pr\u00f3xima, no entanto, se a seguirem de mundo em mundo, nunca a colhereis em suas m\u00e3os. Ent\u00e3o talvez a qualifiquem de long\u00ednqua; por\u00e9m eis aqui que a estar\u00e3o vendo diante de seus olhos. Sigam-na, e eis que se escapa de voc\u00eas; afastem-se e as alcan\u00e7ar\u00e3o em qualquer lugar. N\u00e3o podem possu\u00ed-la nem destru\u00ed-la. Desse exemplo podem deduzir o que acontece com a verdadeira natureza de todas as coisas e, de hoje em diante, n\u00e3o ter\u00e3o mais necessidade de se afligirem nem de se preocuparem com tais coisas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Muito bem, precavenham-se de ir dizendo que minhas recomenda\u00e7\u00f5es de suprimir o Buda \u00e9 profana, ou que a compara\u00e7\u00e3o do Buda com o Sol foi piedosa, como se eu tivesse oscilado de um ao outro extremo. Os adeptos de outras escolas ficar\u00e3o ent\u00e3o de acordo com voc\u00eas; por\u00e9m a Escola do Zen n\u00e3o admitir\u00e1 nem a profana\u00e7\u00e3o no primeiro caso nem a piedade no segundo. Nem consideraremos o primeiro caso como de acordo com os ensinamentos do Buda e o segundo como o que se poderia esperar de ignorantes seres sencientes <sup>6<\/sup>.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Assim, pois todo o universo vis\u00edvel \u00e9 o Buda, e igualmente o s\u00e3o todos os sons; unam todos a um \u00fanico princ\u00edpio e todos os demais ser\u00e3o id\u00eanticos. Ao ver algo, v\u00ea-se tudo. Quando se percebe uma mente individual, se percebe todas as Mentes. Logre um vislumbre de um caminho e todos os caminhos estar\u00e3o compreendidos em sua vis\u00e3o, pois n\u00e3o h\u00e1 em nenhuma parte coisa alguma que se encontre privada do Caminho. Quando seu olhar cai em um gr\u00e3o de poeira, o que v\u00ea \u00e9 id\u00eantico a todos os vastos sistemas de mundos, a todos os rios, e a todas as montanhas. Contemplar uma gota d\u2019\u00e1gua \u00e9 contemplar a natureza de todas as \u00e1guas do Universo. Al\u00e9m disso, ao contemplar assim a totalidade dos fen\u00f4menos, se contempla a totalidade da Mente. Todos os fen\u00f4menos s\u00e3o intrinsecamente vacuidade e, no entanto, esta Mente com a qual se identificam n\u00e3o \u00e9 meramente o \u201cnada\u201d. Com isso quero dizer que existe; por\u00e9m de um modo que \u00e9 muito maravilhoso para que n\u00f3s o compreendamos. \u00c9 uma exist\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 exist\u00eancia; uma n\u00e3o-exist\u00eancia que n\u00e3o obstante \u00e9 exist\u00eancia. Assim \u00e9 que este verdadeiro vazio, de certo modo maravilhoso, \u201cexiste\u201d <sup>7<\/sup>.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Segundo o que foi dito, nos \u00e9 dado abarcar toda a vastid\u00e3o dos universos com nossa Mente \u00danica, ainda que sejam t\u00e3o inumer\u00e1veis como os gr\u00e3os de areia. Ent\u00e3o, por que falar de \u201cinterior\u201d e \u201cexterior\u201d? Tendo o mel a invari\u00e1vel caracter\u00edstica da do\u00e7ura, segue-se que todo o mel \u00e9 doce. Falar de mel como doce e do mel como amargo seria um disparate. Como poderia ser tal coisa? Da\u00ed dizermos que o Vazio n\u00e3o tem interior nem exterior. O \u00fanico que existe \u00e9 o espontaneamente criado <i>Bhutatathata<\/i> (Absoluto). E pela mesma raz\u00e3o dizemos que n\u00e3o tem centro. O \u00fanico que existe \u00e9 o espontaneamente existente <i>Bhutatathata.<\/i><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Assim, pois os seres sencientes s\u00e3o o Buda. O Buda \u00e9 uno com eles. Ambos s\u00e3o constitu\u00eddos inteiramente pela mesma \u201csubst\u00e2ncia\u201d. O universo fenomenal e o nirvana, a atividade e a im\u00f3vel placidez; todos s\u00e3o de uma e mesma \u201csubst\u00e2ncia\u201d. Acontece igualmente com os mundos e com o estado que transcende os mundos. Assim \u00e9; com os seres que passam pelos seis reinos da exist\u00eancia; os que experimentaram os quatro g\u00eaneros de nascimentos; todos os sistemas mundiais com suas montanhas e seus rios, a natureza de <i>Bodhi<\/i> e a da ilus\u00e3o: todos eles s\u00e3o o mesmo. Ao dizer que todos est\u00e3o constitu\u00eddos pela mesma subst\u00e2ncia queremos dar a entender que seu &#8216;nome e forma&#8217;, sua exist\u00eancia e sua n\u00e3o exist\u00eancia s\u00e3o vazios. Os grandes sistemas de mundos, inumer\u00e1veis como as areias do Ganges, est\u00e3o na realidade inseridos no vazio ilimitado \u00fanico. Ent\u00e3o, onde podem estar os Budas salvadores ou os seres sencientes a salvar? Quando a verdadeira natureza de todas as coisas que \u201cexistem\u201d, \u00e9 um <i>\u201cTathata\u201d<\/i> id\u00eantico (\u00e9 o que \u00e9), como ter\u00e3o alguma realidade tais distin\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Se supuserem que os fen\u00f4menos se produzem por si mesmos, cair\u00e3o na heresia de que as coisas t\u00eam uma exist\u00eancia pr\u00f3pria e independente. Se, por outro lado, aceitam os ensinamentos de <i>\u201canatma\u201d, (sem eu, n\u00e3o-eu)<\/i> este conceito os levar\u00e1 a fazer parte dos <i>\u201cTheravadas\u201d <\/i><sup>8<\/sup><i>.<\/i><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Voc\u00eas tentam medir todo o vazio metro a metro, cent\u00edmetro a cent\u00edmetro, e eu lhes repito que todos os fen\u00f4menos carecem de distin\u00e7\u00f5es de forma. Pertencem intrinsecamente ao estado de perfeita tranquilidade que se estende al\u00e9m da esfera das atividades produtoras das formas, de maneira que todas elas coexistem com o espa\u00e7o e est\u00e3o unidas com a realidade. Como n\u00e3o existem corpos que possuem forma verdadeira, falamos dos fen\u00f4menos como falar\u00edamos do vazio; e, como a Mente carece de forma, falamos da natureza de todas as coisas como falar\u00edamos do vazio. Ambos carecem de forma e ambos se denominam vazio. Al\u00e9m disso, nenhum dos numerosos ensinamentos tem exist\u00eancia fora de sua Mente Original. Todo esse perorar sobre <i>Bodhi,<\/i> o <i>Nirvana,<\/i> o Absoluto, a Natureza <i>B\u00fadica<\/i>, o <i>Mahayana,<\/i> o <i>Theravada<\/i> e os <i>Bodhisatvas<\/i> e os demais \u00e9 algo semelhante a tomar as folhas de outono por ouro. Usando o s\u00edmbolo do punho fechado, quando se abre, todos os seres (tanto deuses como humanos) se dar\u00e3o conta que n\u00e3o h\u00e1 absolutamente nada dentro. Portanto, est\u00e1 escrito:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Nunca jamais existiu coisa alguma.<\/i><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<i>Onde poder\u00e1, ent\u00e3o o p\u00f3 se acumular? <\/i><sup>9<\/sup><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<i><sup>\u00a0<\/sup><\/i>Se <i>\u201cn\u00e3o existiu jamais coisa alguma\u201d,<\/i> o passado, o presente e o futuro n\u00e3o t\u00eam nenhum significado. Por esta raz\u00e3o aqueles que buscam o Caminho devem penetrar nele subitamente, como uma facada. A completa compreens\u00e3o desse fato deve acontecer previamente. Ent\u00e3o, embora <i>Bodhidharma<\/i> tenha atravessado muitos pa\u00edses em seu caminho da \u00cdndia \u00e0 China, encontrou somente um homem, o Vener\u00e1vel Ko, a quem pode transmitir em sil\u00eancio o sacramento da Mente, o Selo da sua Mente verdadeira. Os fen\u00f4menos, o Selo da Mente, do mesmo modo que esta \u00e9 o Selo dos Fen\u00f4menos. Seja o que for a Mente, igualmente s\u00e3o os fen\u00f4menos: ambos s\u00e3o igualmente verdadeiros e participam igualmente da Natureza do <i>Dharma,<\/i> que pende no vazio. Quem quer que recebeu a intui\u00e7\u00e3o desta Verdade, se converteu em Buda e alcan\u00e7ou o <i>Dharma<\/i>. N\u00e3o posso fazer por menos sen\u00e3o repetir que a Ilumina\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser agarrada, (alcan\u00e7ada, obtida, etc.) uma vez que o seu \u201ccorpo\u201d n\u00e3o tem forma pr\u00f3pria; nem tampouco mentalmente, pois a mente carece de forma; nem por sua natureza essencial, posto que tal natureza \u00e9 a Fonte Original de onde \u2018procedem\u2019 todas as coisas, a Verdadeira Natureza de tudo quanto existe, a Realidade permanente, o Buda mesmo. Como \u00e9 poss\u00edvel usar o Buda para apoderar-se do Buda? Usar a car\u00eancia de forma para apoderar-se da car\u00eancia de forma, sujeitar a mente valendo-se da mente, o vazio por meio do vazio, valer-se do Caminho para apoderar-se do Caminho? Na realidade n\u00e3o h\u00e1 nada para agarrar (perceber, alcan\u00e7ar, conceituar etc.); nem sequer o n\u00e3o agarrar se pode agarrar. Assim \u00e9 que se diz: \u201cNada existe para alcan\u00e7ar\u201d. N\u00f3s ensinamos simplesmente como compreender a Mente Original.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Al\u00e9m disso, quando chega o momento da compreens\u00e3o n\u00e3o pensem em termos de compreender, de n\u00e3o-compreender ou de nem compreender nem n\u00e3o-compreender, pois nenhum destes \u00e9 algo que possa compreender-se. Este <i>Dharma<\/i> do <i>Tathata<\/i>, quando \u201cse compreende\u201d, \u201cse compreende\u201d, por\u00e9m quem o \u201ccompreende\u201d n\u00e3o tem mais consci\u00eancia de hav\u00ea-lo compreendido, e que o ignorante dele \u00e9 consciente de sua incompreens\u00e3o. Este <i>Dharma<\/i> do <i>Tathata<\/i>, agora s\u00e3o muito poucos os que chegaram a compreend\u00ea-lo, pois est\u00e1 escrito: \u201cQu\u00e3o poucos s\u00e3o os que, vivendo neste mundo, n\u00e3o perdem a no\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio ser!\u201d, enquanto aqueles que procuram compreend\u00ea-lo mediante a aplica\u00e7\u00e3o de algum princ\u00edpio especial ou mediante a cria\u00e7\u00e3o de um ambiente particular, ou seguindo as Sagradas Escrituras, ou a uma doutrina, ou pela idade, ou com o tempo, ou mediante um nome ou palavra, ou por meio dos seis sentidos, em que se diferenciam de um boneco de madeira? Por\u00e9m, se impensadamente aparecesse um homem que n\u00e3o formasse conceito algum baseado em um nome ou em uma forma, posso assegurar que tal homem poderia buscar-se, mundo ap\u00f3s mundo, sempre em v\u00e3o. A singularidade de sua exist\u00eancia lhe asseguraria a sucess\u00e3o do patriarcado e conseguiria para ele a denomina\u00e7\u00e3o de Filho Espiritual Verdadeiro de Sakyamuni: os agregados constituintes de seu ser teriam se desvanecido e ele seria o \u00danico Eleito. Por isso est\u00e1 escrito: \u201cQuando o rei alcan\u00e7a o estado b\u00fadico, os pr\u00edncipes abandonam seu lugar para fazerem-se monges\u201d. \u00c9 dif\u00edcil de interpretar essa senten\u00e7a. Seu objetivo \u00e9 ensinar-nos a abster-nos de buscar o estado b\u00fadico, posto que toda busca est\u00e1 destinada ao fracasso. Um orador gritando em cima de uma montanha, ao ouvir o eco de sua voz, talvez v\u00e1 buscar sua origem no fundo do vale. Por\u00e9m eis aqui que sua busca ser\u00e1 em v\u00e3o. Quando se encontrar no vale, o mesmo eco atrair\u00e1 sua busca ao cume. Assim, podem passar milhares de renascimentos ou dez mil eras empenhado em encontrar a origem de tais sons. Inutilmente afrontar\u00e1 as turbulentas \u00e1guas da vida e da morte. Melhor seria n\u00e3o produzir som nenhum; pois ent\u00e3o n\u00e3o haveria eco: assim acontece aos moradores do <i>Nirvana:<\/i> n\u00e3o escutam; n\u00e3o conhecem; n\u00e3o produzem sons; n\u00e3o deixam marcas nem rastro: fa\u00e7am voc\u00eas o mesmo e apenas assim n\u00e3o estar\u00e3o longe de serem vizinhos de Bodhidharma.<\/strong><\/p>\n<p><i>1. Absoluto<\/i><\/p>\n<p><i>2. Como estamos compostos, na verdade, completamente pela Mente atemporal, a ideia de uma alma individual permanente e a de sua extin\u00e7\u00e3o total s\u00e3o igualmente falsas.<\/i><\/p>\n<p><i>3. Na \u00e9poca de Huang Po\u00a0havia\u00a0uma seita chamada Wei Shih Tsung que sustentava que, embora nada existisse fora da\u00a0consci\u00eancia, esta \u00faltima \u00e9 em certo sentido uma subst\u00e2ncia e, por tanto &#8220;real&#8221;. Todavia existe.<\/i><\/p>\n<p><i>4. O corpo do Absoluto.<\/i><\/p>\n<p><i>5. Estas opini\u00f5es, que se dizem refutadas por Buda parecem ser similares \u00e0 nova teoria cient\u00edfica de que a mat\u00e9ria do Universo \u00e9\u00a0mat\u00e9ria\u00a0mental. Essa teoria tem certa semelhan\u00e7a superficial com a doutrina de Huang Po: por\u00e9m embora seja sem d\u00favida um avan\u00e7o sobre a\u00a0concep\u00e7\u00e3o\u00a0materialista do s\u00e9culo passado, se\u00a0det\u00eam\u00a0muito antes da verdade tal como entende o zen.<\/i><\/p>\n<p><i>6. Essa passagem toda \u00e9 uma\u00a0advert\u00eancia\u00a0contra um dos mais\u00a0dif\u00edceis\u00a0tipos de dualismo que deve ser evitado: o dualismo contido ao conceber o Buda ou\u00a0<em>Nirvana<\/em>\u00a0como separados de si mesmos e do\u00a0<\/i><em>samsara<\/em><i>. \u00a0A tentativa de apagar o Buda n\u00e3o \u00e9 mais \u00edmpia que a tentativa de matar uma imagem de pedra, uma vez que ambos s\u00e3o\u00a0impenetr\u00e1veis\u00a0a esse\u00a0des\u00edgnio.<\/i><\/p>\n<p><i>7. Esta passagem manifesta a perfeita identidade da calma sem igual do Nirvana com o inquieto fluir do universo fenomenal.<\/i><\/p>\n<p><i>8.\u00a0<em>Anatma<\/em>\u00a0quer dizer: nenhum ente que se chame ego existe verdadeiramente a n\u00e3o ser a Mente \u00danica, que compreende todas as coisas e lhes d\u00e1 sua \u00fanica verdadeira realidade.<\/i><\/p>\n<p><i>9. Refere-se \u00e0 famosa quadra de Hui Neng em seu Sutra da Plataforma, onde ele refuta toda dualidade.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 137<\/p>\n<p><b>38. <\/b><b>P: <\/b>Tenha a bondade de instruir-me no que se refere \u00e0 passagem dos <i>sutras<\/i> em que se nega a exist\u00eancia da Espada do <i>Tathata<\/i> no Tesouro da Realidade <sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p><b>R:<\/b> O Tesouro da Realidade \u00e9 a natureza do Vazio. Embora todos os vastos sistemas dos mundos do Universo estejam contidos nele, nenhum deles tem exist\u00eancia fora da Mente. \u00c9 mencionado tamb\u00e9m com o nome de Tesouro do <i>Bodhisatva<\/i> do Grande Vazio. Se o classificamos como existente ou como n\u00e3o-existente, ou como nem um nem outro, de qualquer maneira vem a ser como um simples chifres de carneiro <sup>2<\/sup>. \u00c9 como um chifre de carneiro no sentido de ser o modelo de suas ineptas buscas.<\/p>\n<p><i>1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>A Espada do Tathata \u00e9 um meio para a ilumina\u00e7\u00e3o; o tesouro da Realidade \u00e9 o Bhutatathata, o Absoluto considerado como a Fonte de todas as coisas.<\/i><\/p>\n<p><i>2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Os chifres de carneiro simbolizam as paix\u00f5es e ilus\u00f5es.<\/i><\/p>\n<p>Pag.138<\/p>\n<p><b>39.<\/b> <b>P:<\/b> Por\u00e9m, Por acaso n\u00e3o existe uma Espada da Verdade, pois est\u00e1 escrito: \u201cO Pr\u00edncipe empunhou a Espada da Verdade do Tesouro da Realidade e partiu disposto a empreender suas conquistas\u201d?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> O Pr\u00edncipe que empunhou a Espada \u00e9 apenas uma express\u00e3o equivalente ao verdadeiro filho espiritual do <i>Tathagata;<\/i> por\u00e9m se voc\u00ea diz que levou a espada, da a entender que ele subtraiu algo do Tesouro. Seria um disparate falar de se levar algum fragmento da Natureza do Vazio, que \u00e9 a Fonte e origem de todas as coisas. Parece que se voc\u00ea reteve algo, n\u00e3o foi mais que uma cole\u00e7\u00e3o de chifres de carneiro.<\/p>\n<p><b>40.<\/b><b> P:<\/b> Quando Kashyapa recebeu do Buda Gautama a transmiss\u00e3o da inicia\u00e7\u00e3o b\u00fadica, empregou palavras na transmiss\u00e3o posterior?<\/p>\n<p><b>R: <\/b>Sim<b>.<\/b><\/p>\n<p><b>P: <\/b>Ent\u00e3o,<b> <\/b>como se aventurou a fazer a transmiss\u00e3o com palavras, inclusive ele deveria ser inclu\u00eddo entre os que t\u00eam chifres de carneiro.<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Kashyapa obteve uma compreens\u00e3o direta da Mente original; ent\u00e3o, ele n\u00e3o \u00e9 um desses com chifres de carneiro. Quem quer que obtenha a compreens\u00e3o direta da mente do <i>Tathagata,<\/i> vindo assim a compreender a verdadeira identidade do <i>Tathagata<\/i> e a perceber sua apar\u00eancia real e a sua forma, pode falar aos demais com a autoridade do verdadeiro filho espiritual do Buda. Por\u00e9m, eis aqui que Ananda, embora tendo servido ao mestre vinte anos, n\u00e3o podia perceber mais que a apar\u00eancia e forma exteriores e foi, portanto, admoestado por Buda com estas palavras: <i>\u201cOs que concentram inteiramente sua atividade em ajudar o mundo n\u00e3o podem escapar de pertencer \u00e0queles de chifres de carneiro <sup>1<\/sup>\u201d<\/i>.<\/p>\n<p><i>1. Em algumas escolas budistas, o interesse principal \u00e9 colocado em obras de caridade e compaix\u00e3o; no Zen, a nobreza do cora\u00e7\u00e3o e dos atos s\u00e3o pr\u00e9-requisitos para os seguidores do Caminho, por\u00e9m n\u00e3o fazem parte do Caminho para a libera\u00e7\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 139<\/p>\n<p><b>41.<\/b><b> P:<\/b> Que quer dizer a passagem: <i>\u201cManjushri estava de p\u00e9 frente a Gautama com a espada desembainhada\u201d?<\/i><\/p>\n<p><b>R:<\/b> Os <i>\u201cQuinhentos<\/i> <i>Bodhisatvas<\/i>\u201d alcan\u00e7aram o conhecimento das suas vidas passadas e descobriram como haviam constru\u00eddo seu carma anterior. Trata-se de uma f\u00e1bula em que os <i>\u201cQuinhentos\u201d<\/i> representam os cinco sentidos. Por causa do seu conhecimento do carma anterior, trataram de buscar objetivamente o Buda, a condi\u00e7\u00e3o de <i>Bodhisatva<\/i> e o <i>Nirvana.<\/i> Essa foi a raz\u00e3o pela qual Manjushri tomou a espada <i>Bodhi<\/i> e a usou para destruir o conceito de um Buda tang\u00edvel e \u00e9 por isso que o conhecemos como o destruidor de virtudes humanas.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> O que \u00e9 que a Espada significa na realidade?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Significa compreender a Mente sem fazer nenhum conceito ou ju\u00edzo.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Assim, pois a Espada empregada para destruir o conceito de um Buda tang\u00edvel \u00e9 alcan\u00e7ar a Mente. Por\u00e9m, se nos \u00e9 poss\u00edvel por um fim a tais conceitos por esses meios, como \u00e9 poss\u00edvel destru\u00ed-los realmente?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Devemos usar a sabedoria que prov\u00e9m do n\u00e3o dualismo para ultrapassar a mentalidade dual formadora de conceitos.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Supondo que os conceitos sobre algo percept\u00edvel e da Ilumina\u00e7\u00e3o como algo a encontrar, possam ser destru\u00eddos desembainhando a Espada da Sabedoria Indiscern\u00edvel, onde precisamente se encontra essa espada?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Como a Sabedoria Indiscern\u00edvel destr\u00f3i a percep\u00e7\u00e3o e seu oposto, deve necessariamente pertencer tamb\u00e9m ao Impercept\u00edvel <sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> O conhecimento n\u00e3o pode ser usado para destruir o conhecimento nem a espada para destruir a espada<sup>2<\/sup>.<\/p>\n<p><b>R:<\/b> A espada destr\u00f3i na verdade \u00e0 espada: destroem-se mutuamente; e fica a n\u00e3o-espada para que voc\u00ea a apreenda. O conhecimento destr\u00f3i na verdade o conhecimento: um conhecimento invalida o outro conhecimento e ent\u00e3o permanece o n\u00e3o-conhecimento para que voc\u00ea o apreenda. \u00c9 como se m\u00e3e e filho perecessem juntos <sup>3<\/sup>.<\/p>\n<p><i>1. N\u00e3o compreens\u00edvel, n\u00e3o apreens\u00edvel.<\/i><\/p>\n<p><i>2. O interrogante parece ter forjado um paradoxo aos quais Huang Po era aficionado, talvez como uma indica\u00e7\u00e3o de algum suposto avan\u00e7o para a verdade.<\/i><\/p>\n<p><i>3. O conhecimento transcendental invalida o conhecimento relativo, por\u00e9m o primeiro se descobre que n\u00e3o \u00e9 conhecimento no sentido comum, pois vemos que o conhecedor e o conhecido s\u00e3o UM.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 141<\/p>\n<p><b>42.<\/b> <b>P:<\/b> O que se quer dar a entender com a express\u00e3o \u201cver a Natureza da Mente\u201d?<\/p>\n<p><b>R: Quer dizer que a Natureza e sua percep\u00e7\u00e3o da mesma s\u00e3o uma e a mesma coisa. N\u00e3o h\u00e1 algo que esteja al\u00e9m dela. A Natureza e a audi\u00e7\u00e3o dela s\u00e3o uma e mesma \u2018coisa\u2019<\/b>: n\u00e3o pode ser utilizada para ouvir algo que est\u00e1 acima dela. Se voc\u00ea formar um conceito da verdadeira natureza de qualquer coisa, enquanto vis\u00edvel ou aud\u00edvel, dar\u00e1 lugar \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um <i>dharma<\/i> de distin\u00e7\u00e3o. Hei de repetir que o percebido n\u00e3o pode perceber. Por acaso seria poss\u00edvel implantar uma cabe\u00e7a sobre a sua cabe\u00e7a? Darei um exemple para tornar mais claro o que quero dizer. Imagine umas p\u00e9rolas soltas no fundo de uma tigela, umas grandes outras pequenas. Cada uma delas ignora por completo a exist\u00eancia das outras e nenhuma delas causa a menor obstru\u00e7\u00e3o \u00e0s demais. Durante o per\u00edodo de sua forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o disseram: \u201cAgora estou no per\u00edodo formativo\u201d; e quando come\u00e7arem a decair n\u00e3o dir\u00e3o: \u201cAgora estou em decad\u00eancia\u201d. Nenhum dos seres nascidos nas seis formas de vida mediante os quatro g\u00eaneros de gera\u00e7\u00e3o s\u00e3o exce\u00e7\u00e3o a essa regra. \u00a0Os Budas e os seres sencientes n\u00e3o t\u00eam percep\u00e7\u00e3o uns dos outros. Os quatro graus dos adeptos do <i>Theravada<\/i> suscet\u00edveis de entrar no Nirvana, n\u00e3o percebem nem s\u00e3o percebidos pelo <i>Nirvana.<\/i> Os adeptos do<i> Theravada <\/i>que alcan\u00e7aram as \u201ctr\u00eas etapas da santidade\u201d e que possuem \u201cas dez caracter\u00edsticas de excel\u00eancia\u201d, nem percebem nem s\u00e3o percebidos pela Ilumina\u00e7\u00e3o. O mesmo acontece com todos os demais at\u00e9 o limite do fogo e da \u00e1gua, ou at\u00e9 a terra e o firmamento. Estes pares de elementos n\u00e3o se percebem uns aos outros. Os seres sencientes n\u00e3o entram no <i>Dhamadhatu <sup>1<\/sup><\/i> nem os Budas saem dele. No <i>Dharmata <sup>2<\/sup><\/i> n\u00e3o existem idas nem vindas, nem existe coisa alguma percept\u00edvel. Assim sendo, a que vem este falar de \u201ceu vejo\u201d, \u201ceu ou\u00e7o\u201d, \u201ceu tenho uma intui\u00e7\u00e3o por efeito da Ilumina\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cou\u00e7o o Dharma dos l\u00e1bios do Iluminado\u201d ou dos Budas que aparecem no mundo para predicar o <i>Dharma?<\/i> Katyayana foi repreendido por Vimalakirti por empregar essa mentalidade perec\u00edvel pertencente ao estado do ef\u00eamero para transmitir a doutrina da verdadeira exist\u00eancia da mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Posso assegurar que todas as coisas sempre estiveram liberadas da sujei\u00e7\u00e3o desde o princ\u00edpio mesmo <sup>3<\/sup>. Ent\u00e3o, por que aventurar-se a explic\u00e1-las? Por que tentar purificar o que nunca foi profanado?<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o est\u00e1 escrito: \u201cO Absoluto \u00e9 <i>Tathata<\/i>; como poder\u00edamos conceitua-lo\u201d? Voc\u00eas, todavia concebem a Mente como existente ou n\u00e3o existente, como pura ou impura, como algo que t\u00eam de estudar como se estuda um fragmento de conhecimento categ\u00f3rico, ou como um conceito. Qualquer dessas defini\u00e7\u00f5es \u00e9 suficiente pra fazer-nos retroceder \u00e0 intermin\u00e1vel roda de renascimentos e de mortes. O homem que percebe as coisas trata sempre de identific\u00e1-las para agarr\u00e1-las. Quem usa a mente dessa forma, supor\u00e1 com certeza que o progresso procede por etapas. Se voc\u00eas s\u00e3o desse parecer, est\u00e3o longe da verdade como a Terra do c\u00e9u. A que vem falar de \u201cconhecer nossa pr\u00f3pria natureza\u201d?<\/p>\n<p><i>1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Absoluto.<\/i><\/p>\n<p><i>2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Natureza do Absoluto.<\/i><\/p>\n<p><i><\/i><i>3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Quer dizer, que nunca perderam realmente sua identidade com o Absoluto.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 143<\/p>\n<p><b>43.<\/b> <b>P:<\/b> Vossa Rever\u00eancia diz que nossa natureza original e o ato de conhec\u00ea-la s\u00e3o um e o mesmo. Isto pode ser assim t\u00e3o somente com a condi\u00e7\u00e3o de que essa natureza seja totalmente indiferenciada. Como explica, pois, que ainda supondo que n\u00e3o existam objetos verdadeiros a perceber, vejamos, no entanto, o que est\u00e1 pr\u00f3ximo a n\u00f3s e n\u00e3o nos seja dado ver o que se encontra longe?<\/p>\n<p><strong>R: isso se deve a uma falta de compreens\u00e3o criada por suas pr\u00f3prias ilus\u00f5es. N\u00e3o se pode arguir que a Natureza Universal cont\u00e9m de fato objetos verdadeiros, fundando-se na suposi\u00e7\u00e3o de que a express\u00e3o \u201cnenhum objeto verdadeiro a perceber\u201d seria verdadeira se n\u00e3o houvesse nada do g\u00eanero que denominamos percept\u00edvel. A natureza do Absoluto n\u00e3o \u00e9 nem percept\u00edvel nem impercept\u00edvel; o mesmo acontece aos fen\u00f4menos. Por\u00e9m para quem descobriu sua Natureza Verdadeira, como \u00e9 poss\u00edvel que exista um lugar ou um objeto separado dela? Assim, as seis formas de vida que prov\u00eam dos quatro g\u00eaneros de nascimento, juntamente com os grandes sistemas universais com seus rios e montanhas s\u00e3o todos da mesma subst\u00e2ncia da nossa pr\u00f3pria natureza. Por isso diz-se: \u201cA percep\u00e7\u00e3o de um fen\u00f4meno \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o da Natureza Universal, uma vez que os fen\u00f4menos e a Mente s\u00e3o Um e o mesmo\u201d. Apenas porque nos apegamos \u00e0s formas externas que chegamos a \u2018ver\u2019, a \u2018ouvir\u2019, a \u2018sentir\u2019, a &#8216;cheirar&#8217;, a \u2018saborear\u2019 e a \u2018conhecer\u2019 as coisas como entidades individuais. A percep\u00e7\u00e3o verdadeira estar\u00e1 al\u00e9m de suas possibilidades enquanto entregarem-se \u00e0 estas satisfa\u00e7\u00f5es <sup>1<\/sup>.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0Por tais meios voc\u00eas estariam entre os seguidores das doutrinas <i>Theravada<\/i> e <i>Mahayana,<\/i> correntes que confiam na percep\u00e7\u00e3o profunda para chegar \u00e0 verdadeira compreens\u00e3o. Portanto, v\u00eaem o que est\u00e1 perto e deixam de ver o que est\u00e1 longe; por\u00e9m ningu\u00e9m que est\u00e1 bem encaminhado pensa assim. Eu lhes asseguro que n\u00e3o existe \u201cinterno\u201d e \u201cexterno\u201d nem \u201cpr\u00f3ximo\u201d nem \u201clonge\u201d. <i>A natureza fundamental dos fen\u00f4menos se encontra em voc\u00eas<\/i>; por\u00e9m, voc\u00eas n\u00e3o v\u00eaem sequer isso; e assim, continuam falando de suas inabilidades para ver o que est\u00e1 longe. Que significado poderiam obter de tudo isso?<\/strong><\/p>\n<p><i>1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Argumenta-se que, embora existam entes individuais no sentido superficial, eles nunca perdem sua unidade fundamental.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 144<\/p>\n<p><b>44.<\/b> <b>P:<\/b> Que orienta\u00e7\u00e3o de conduta nos oferece V. Reverencia para aqueles de n\u00f3s que acham isto muito dif\u00edcil de compreender?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> N\u00e3o tenho coisa alguma a oferecer.\u00a0 Nunca tive nada que oferecer aos demais. \u00c9 por deixar que certas pessoas lhes guiem por falsos caminhos que est\u00e3o sempre buscando intui\u00e7\u00e3o e tentando compreender? N\u00e3o \u00e9 por ventura um caso de mestres e disc\u00edpulos que caem todos na mesma embrulhada insol\u00favel? O \u00fanico que necessitam recordar s\u00e3o os seguintes preceitos:<\/p>\n<p><b><i>1\u00ba.<\/i><\/b><i> Aprender a n\u00e3o ser completamente receptivos para com as sensa\u00e7\u00f5es causadas pelas formas externas, diminuindo assim seus corpos da receptividade ao externo.<\/i><\/p>\n<p><b><i>2\u00ba.<\/i><\/b><i> Aprender a n\u00e3o prestar aten\u00e7\u00e3o alguma \u00e0 distin\u00e7\u00e3o entre isto e aquilo, originada por suas sensa\u00e7\u00f5es, evitando assim suas mentes de distin\u00e7\u00f5es in\u00fateis entre um e outro fen\u00f4meno.<\/i><\/p>\n<p><b><i>3\u00ba.<\/i><\/b><i> Cuidar de n\u00e3o fazer distin\u00e7\u00f5es quanto a sensa\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis e desagrad\u00e1veis, evitando assim suas mentes de vans discrimina\u00e7\u00f5es.<\/i><\/p>\n<p><b><i>4\u00ba.<\/i><\/b><i> Evitar avaliar as coisas, poupando assim sua mente da cogni\u00e7\u00e3o seletiva<\/i>.<\/p>\n<p>Um s\u00f3 momento de pensamento dual\u00edstico \u00e9 suficiente para arremessar-nos na cadeia dos doze elos interdependentes <sup>1<\/sup>. \u00c9 a <b>ignor\u00e2ncia<\/b> [1\u00ba. Elo] que faz girar a roda da vida, criando assim a cadeia intermin\u00e1vel de causas e efeitos <i>c\u00e1rmicos.<\/i> Esta \u00e9 a lei que governa nossa vida inteira at\u00e9 a \u00e9poca da <b>velhice e morte<\/b>. [12\u00ba. Elo]<sup>2<\/sup><\/p>\n<p>A este respeito diz-se que Sudhana, depois de buscar <i>Bodhi<\/i> em v\u00e3o em cento e dez lugares, dentro da duod\u00e9cima esfera da causalidade, encontrou por fim Maitreya o qual o enviou a Manjusri. Manjusri representa a sabedoria, que aponta aqui a nossa ignor\u00e2ncia primordial sobre a realidade. Se, conforme um pensamento sucede ao outro, continuamos buscando a sabedoria fora de n\u00f3s mesmos, haver\u00e1 um processo cont\u00ednuo que surge, que se extingue e que \u00e9 substitu\u00eddo por outro. E essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual, voc\u00eas, monges, seguem experimentando o nascimento, a velhice, a doen\u00e7a e a morte, acumulando carma com seus efeitos correspondentes; que s\u00e3o o \u201cvir-a-ser\u201d e a extin\u00e7\u00e3o dos \u201ccinco agregados\u201d ou, melhor dizendo, \u201cos cinco <i>skandas\u201d<\/i>. Ent\u00e3o, se pudessem evitar a forma\u00e7\u00e3o de cada pensamento particular, ent\u00e3o fariam com que se desvanecessem os Dezoito Reinos dos Sentidos <sup>3<\/sup>. Qu\u00e3o digna de um deus seria sua recompensa e qu\u00e3o exaltado conhecimento seria despertado em suas mentes! Semelhante mente poderia chamar-se a cabe\u00e7a do <i>Tathagata.<\/i> Por\u00e9m enquanto permanecerem perdidos em atrativos, condenar\u00e3o seus corpos a serem cad\u00e1veres, ou como se expressa \u00e0s vezes, a serem corpos sem vida habitados pelos dem\u00f4nios!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li style=\"display: inline !important;\"><i>1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Os 12 Elos da Origina\u00e7\u00e3o Interdependente \u2013 A Roda da Vida<\/i><\/li>\n<li style=\"display: inline !important;\"><\/li>\n<\/ul>\n<p><i>2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>N\u00e3o se nega aqui o livre arb\u00edtrio, pois seu emprego adequado pode romper a cadeia causal, princ\u00edpio aceito por todas as escolas budistas.<\/i><\/p>\n<p><i><\/i><i>3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Os 6 sentidos + os 6 objetos dos sentidos + as 6 consci\u00eancias relativas aos sentidos = Os dezoito Dhatus.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 146<\/p>\n<p><b>45.<\/b><b> P:<\/b> Vimalakirti mora no sil\u00eancio. Manjusri oferece loas. Como \u00e9 poss\u00edvel que tenham ultrapassado realmente a Entrada da N\u00e3o-Dualidade?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> A Entrada da N\u00e3o-Dualidade \u00e9 a Mente Original de voc\u00eas. A fala e o sil\u00eancio dizem, s\u00e3o conceitos relativos, nada se manifesta. Foi por isso que Manjusri ofereceu loas.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Vimalakirti permaneceu calado. Isso quer dizer que o som est\u00e1 sujeito a cessa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> A fala e o sil\u00eancio s\u00e3o a mesma coisa. N\u00e3o existe distin\u00e7\u00e3o entre eles. Por isso est\u00e1 escrito: \u201cNem a natureza verdadeira nem a raiz do ouvido de Manjusri est\u00e3o sujeitos a cessa\u00e7\u00e3o\u201d. Assim o som da voz de <i>Tathagata<\/i> \u00e9 imperec\u00edvel e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que haja algo que se possa descrever como o tempo antes que come\u00e7ou a predicar ou o tempo depois que cessou de predicar. A predica\u00e7\u00e3o do<i> Tathagata <\/i>\u00e9 id\u00eantica ao <i>Dharma<\/i> que ensinou, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00e3o entre predica\u00e7\u00e3o e o predicado; assim como tampouco existe entre os v\u00e1rios fen\u00f4menos e os corpos revelados e glorificados do Buda, dos <i>bodhisatvas,<\/i> dos <i>sravacas<\/i>, dos sistemas do mundo com suas montanhas e rios, ou com a \u00e1gua, os p\u00e1ssaros e tudo mais. A predica\u00e7\u00e3o do <i>Dharma<\/i> \u00e9 ao mesmo tempo vocal e t\u00e1cita. Embora algu\u00e9m fale durante todo o dia, nem uma s\u00f3 palavra \u00e9 falada. <b>Assim sendo, somente o sil\u00eancio \u00e9 pr\u00f3prio do Essencial.<\/b><\/p>\n<p>Pag. 147\/148<\/p>\n<p><b>46 <\/b><b>P:<\/b> \u00c9 verdade que aos <i>sravacas <sup>1<\/sup><\/i> \u00e9 dado somente desfazer sua forma na esfera do sem forma que todavia pertence ao Mundo Triplo transit\u00f3rio, e que s\u00e3o incapazes de unir-se completamente a <i>Bodhi?<\/i><\/p>\n<p><b>R:<\/b> Assim \u00e9. Toda forma implica mat\u00e9ria. Os monges mencionados s\u00e3o somente h\u00e1beis em desfazer-se das opini\u00f5es e atividades mundanas, por meio da qual escapam das ilus\u00f5es mundanas e das afli\u00e7\u00f5es. S\u00e3o incapazes de se unirem completamente \u00e0 <i>Bodhi;<\/i> desta forma existe ainda o perigo de que os dem\u00f4nios os arranquem do interior mesmo da \u00f3rbita de <i>Bodhi.<\/i> Sentados no isolamento das florestas em que moram, percebem muito vagamente a Mente <i>Bodhi<\/i>. Enquanto os que fizeram votos de chegar a serem <i>bodhisatvas<\/i> e j\u00e1 est\u00e3o em <i>Bodhi<\/i> dos Tr\u00eas Mundos, n\u00e3o recha\u00e7am nem ret\u00e9m coisa alguma. Como n\u00e3o ret\u00eam, \u00e9 v\u00e3o tentar encontr\u00e1-los em algum plano; como n\u00e3o recha\u00e7am, os dem\u00f4nios se esfor\u00e7am em v\u00e3o em encontr\u00e1-los.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, com o mais leve desejo de apegarem-se a isto ou aquilo forma-se rapidamente um s\u00edmbolo mental, s\u00edmbolos que por sua vez d\u00e3o lugar a todas as \u201cescrituras sagradas\u201d que conduzem a regress\u00e3o de experimentar as v\u00e1rias classes de renascimento. Seja, pois, sua concep\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do vazio, j\u00e1 que ent\u00e3o o ensinamento Zen se tornar\u00e1 patente. Saiba t\u00e3o somente que ser\u00e1 necess\u00e1rio evitar todo simbolismo de qualquer g\u00eanero que seja, pois este evitar \u201cassinala\u201d o Grande Vazio, no qual n\u00e3o h\u00e1 nem unidade nem multiplicidade: <b>o Vazio que n\u00e3o \u00e9 realmente vazio, o S\u00edmbolo que n\u00e3o \u00e9 s\u00edmbolo.<\/b> Ent\u00e3o os Budas de toda a vastid\u00e3o de sistemas do universo se manifestar\u00e3o com um raio; voc\u00eas reconhecer\u00e3o as hostes de revoltados e contorcidos seres como meras sombras. Continentes t\u00e3o inumer\u00e1veis, como \u00e1tomos de p\u00f3, parecer\u00e3o aos seus olhos como gotas d\u2019\u00e1gua no vasto oceano. Para voc\u00eas, as mais profundas doutrinas se assemelhar\u00e3o n\u00e3o mais que a sonhos e ilus\u00f5es. Reconhecer\u00e3o todas as mentes como Uma e contemplar\u00e3o todas as coisas tamb\u00e9m como Uma, inclusive os milhares de livros sagrados e os milhares de piedosos coment\u00e1rios. Todos eles n\u00e3o s\u00e3o mais do que sua Mente \u00danica. T\u00e3o logo deixem de ir \u00e0s apalpadelas em busca das formas, poder\u00e3o ser suas todas as verdadeiras percep\u00e7\u00f5es. Eis aqui o que est\u00e1 escrito: <i>\u201cNo Tathata da Mente \u00danica os v\u00e1rios meios para a ilumina\u00e7\u00e3o s\u00e3o apenas sombrios ornamentos\u201d<\/i>.<\/p>\n<p><i>1. Monges Theravadas que n\u00e3o aceitam os ensinamentos sobre o vazio do Prajna Paramita, e seguem estritamente os ensinamentos dos sutras. \u00a0\u00a0<\/i><\/p>\n<p>Pag. 149<\/p>\n<p><b>47.<\/b><b> P:<\/b> Por\u00e9m que acontecer\u00e1 se me comportei como <i>Kaliraja,<\/i> fatiando os membros de homens ainda vivos?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Os s\u00e1bios bem-aventurados martirizados por ele s\u00e3o representa\u00e7\u00f5es da sua pr\u00f3pria Mente, enquanto <i>Kaliraja<\/i> simboliza essa parte de voc\u00eas que se esfor\u00e7a por buscar. Esse comportamento t\u00e3o inferior chama-se leviandade para obter vantagem pessoal. Se voc\u00eas estudantes do Caminho, que n\u00e3o fazem nenhum esfor\u00e7o para viver virtuosamente, n\u00e3o querem mais do que fazer um estudo de tudo que percebem, em que ser\u00e3o diferentes dele? Permitindo que o olhar se detenha na forma, arrancam os olhos do s\u00e1bio que voc\u00eas mesmos s\u00e3o. E quando se det\u00eam para escutar um som, cortam os ouvidos de outro s\u00e1bio; e assim sucede com os demais sentidos e com a cogni\u00e7\u00e3o, pois as suas v\u00e1rias percep\u00e7\u00f5es ficam mutiladas.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Quando enfrentamos qualquer sofrimento com \u2018s\u00e1bia paci\u00eancia\u2019 e evitamos com resigna\u00e7\u00e3o todas as percep\u00e7\u00f5es mutiladoras da mente, certamente n\u00e3o pode ser a Mente \u00danica quem sofre, posto que esta n\u00e3o est\u00e1 sujeita a suportar a dor.<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Voc\u00ea \u00e9 daqueles indiv\u00edduos que for\u00e7am o impr\u00f3prio em moldes conceituais tais como o conceito de \u201csofrer pacientemente\u201d ou o conceito \u201cn\u00e3o buscar nada fora de si mesmo\u201d, com o que se violentam a si mesmo.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Quando os bem-aventurados s\u00e1bios foram desmembrados estavam consciente de sua dor? E, se entre eles n\u00e3o haviam entidades capazes de suportar sofrimento, quem era ou o que sofria?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Se n\u00e3o sofres dor alguma agora, para que serve adicionar todos esses toques de sinos? <sup>1<\/sup><\/p>\n<p><i>1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Esta brusca resposta pode tamb\u00e9m significar: \u201cPor que vir a esta assembl\u00e9ia para estudar a libera\u00e7\u00e3o Zen, a menos que a frustra\u00e7\u00e3o pela vida sams\u00e1rica seja penosa para voc\u00ea?\u201d<\/i><\/p>\n<p>Pag. 150<\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><b>48.<\/b> <b>P:<\/b> O Buda Dipamkara alcan\u00e7ou a intui\u00e7\u00e3o da realidade em um s\u00f3 per\u00edodo de quinhentos anos ou n\u00e3o?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> N\u00e3o h\u00e1 porque alcan\u00e7\u00e1-la em semelhante per\u00edodo. N\u00e3o devemos esquecer que aquilo que chamamos \u201calcan\u00e7ar a intui\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o implica nem afastar-se da vida di\u00e1ria nem buscar a Ilumina\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso que entenda que os per\u00edodos de tempo carecem de exist\u00eancia real; a consecu\u00e7\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o da intui\u00e7\u00e3o vital n\u00e3o ocorre nem dentro nem fora do per\u00edodo de quinhentos anos.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel por acaso alcan\u00e7ar a onisci\u00eancia, mediante a qual, todos os conhecimentos do passado, do presente e do futuro nos sejam conhecidos?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> <b>N\u00e3o existe absolutamente nada a alcan\u00e7ar<\/b>.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Qu\u00e3o longo \u00e9 o ciclo de quinhentos <i>yugas?<\/i><\/p>\n<p><b>R:<\/b> Tal per\u00edodo seria suficiente para voc\u00ea chegar a ser um s\u00e1bio liberado. Pois quando o Buda Dipamkara alcan\u00e7ou seu conhecimento do Dharma <b>n\u00e3o havia na realidade nem um gr\u00e3o sequer de alguma coisa para alcan\u00e7ar<\/b><b>.<\/b><\/p>\n<p>Pag.151<\/p>\n<p>4<b>9<\/b>. <b>P:<\/b> Nos <i>sutras <\/i>\u00e9 ensinado que o enfrentamento das paix\u00f5es e ilus\u00f5es produzidas durante milh\u00f5es de <i>kalpas<\/i> \u00e9 suficiente para obter-se o <i>Dharmakaya,<\/i> ainda que sem a necessidade da vida mon\u00e1stica. O que quer dizer isto?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Embora pratiquem os meios de alcan\u00e7ar a Ilumina\u00e7\u00e3o durante tr\u00eas milhares de <i>kalpas,<\/i> mas sem perder a cren\u00e7a em algo realmente adquir\u00edvel, ainda estar\u00e3o afastados de seus objetivos tantos <i>kalpas<\/i> quanto o Ganges tem de areia. Por\u00e9m se por uma percep\u00e7\u00e3o direta da verdadeira natureza do <i>Dharmakaya<\/i>, a compreenderem em um momento, ter\u00e3o alcan\u00e7ado a mais elevada meta que se ensina nos Tr\u00eas Ve\u00edculos. Por qu\u00ea? Porque a cren\u00e7a de que \u00e9 poss\u00edvel obter-se o<i> Dharmakaya<\/i>, pertence \u00e0s cren\u00e7as das escolas que n\u00e3o compreendem a verdade.<\/p>\n<p>5<b>0.<\/b> <b>P:<\/b> Se ao perceber um fen\u00f4meno obtenho uma imediata compreens\u00e3o do mesmo, ser\u00e1 esta equivalente \u00e0 compreens\u00e3o do significado obtido por Bodhidharma?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> A mente de Bodhidharma penetrava al\u00e9m do vazio <sup>1<\/sup>.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Ent\u00e3o, os objetos individuais na verdade existem?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> A exist\u00eancia de objetos como entidades separadas ou como entidades n\u00e3o separadas, tanto uma como a outra s\u00e3o conceitos dual\u00edsticos. Como disse Bodhidharma: \u201cExistem entidades separadas e n\u00e3o existem; por\u00e9m ao mesmo tempo estas entidades n\u00e3o s\u00e3o nem uma nem outra, pois a relatividade \u00e9 transit\u00f3ria\u201d. Se voc\u00eas, disc\u00edpulos, n\u00e3o ultrapassarem os limites dos ensinamentos ortodoxos err\u00f4neos, por que querem ser chamados de monges Zen? S\u00f3 posso exort\u00e1-los a aplicarem-se somente ao Zen e n\u00e3o buscar aqui e acol\u00e1 m\u00e9todos equivocados, que s\u00f3 tem por resultado a multiplicidade de conceitos. Quem bebe \u00e1gua sabe bem se est\u00e1 quente ou fria. Tanto sentados como caminhando, devem se abster do ciclo de renascimentos.<\/p>\n<p><em>1<\/em><i>. N\u00e3o \u00e9 suficiente ver todas as coisas como sombras flutuantes. Al\u00e9m do vazio est\u00e1 o Grande Vazio, no qual existe fluxo e, no entanto ele n\u00e3o \u00e9 fluxo. \u201cA montanha \u00e9 uma montanha. A montanha n\u00e3o \u00e9 uma montanha. Mas finalmente uma montanha \u00e9 uma montanha!\u201d. \u00a0 \u00a0<\/i><\/p>\n<p>Pag. 152<\/p>\n<p><b>51.<\/b><b> P: <\/b>Se o Buda repousa agora realmente na tranquilidade sem igual, al\u00e9m da multiplicidade das formas, como \u00e9 que seu corpo produz vinte e uma <i>sariras<\/i> como rel\u00edquias?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Se na realidade acreditas nisso, \u00e9 porque confundes as rel\u00edquias transit\u00f3rias com as verdadeiras.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Existem realmente as chamadas <i>sariras,<\/i> ou s\u00e3o por acaso os m\u00e9ritos acumulados pelo Buda?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> N\u00e3o existem semelhantes coisas. N\u00e3o s\u00e3o m\u00e9ritos.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Ent\u00e3o, por que est\u00e1 escrito: \u201cAs rel\u00edquias do Buda s\u00e3o et\u00e9reas e sutis; as de ouro s\u00e3o indestrut\u00edveis?\u201d O que Vossa Rever\u00eancia diz sobre isso?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Se voc\u00eas t\u00eam tais cren\u00e7as por que se dizem estudantes Zen? Podem por ventura imaginar a exist\u00eancia de ossos no Vazio? A mente de todos os Budas est\u00e3o reunidas no Grande Vazio. Que ossos esperam encontrar ali?<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Por\u00e9m suponhamos ter visto verdadeiramente, o que acontece ent\u00e3o?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Acontece que o que viram \u00e9 apenas o produto de seus pr\u00f3prios pensamentos err\u00f4neos.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Teria Vossa Rever\u00eancia alguma dessas rel\u00edquias? Tenha a bondade de ensin\u00e1-la.<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Uma verdadeira rel\u00edquia seria dif\u00edcil de v\u00ea-la. Para encontr\u00e1-la teria de triturar o poderoso monte Sumeru at\u00e9 torn\u00e1-lo um p\u00f3 fin\u00edssimo, sem outro instrumento que suas pr\u00f3prias m\u00e3os.<\/p>\n<p>Pag. 153<\/p>\n<p>5<b>2.<\/b> O mestre disse: Somente quando sua mente deixar de insistir em alguma coisa, seja o que for, voc\u00ea chegar\u00e1 a compreender o verdadeiro caminho do Zen. Poderia express\u00e1-lo assim: o m\u00e9todo dos Budas floresce na mente que se encontra completamente livre dos pensamentos conceituais, enquanto compara\u00e7\u00f5es entre isto e aquilo d\u00e3o nascimento a legi\u00f5es de dem\u00f4nios. Recorde finalmente, que desde o primeiro at\u00e9 o \u00faltimo, nem o mais \u00ednfimo gr\u00e3o de coisa alguma percept\u00edvel existiu nem nunca existir\u00e1 jamais.<\/p>\n<p>Pag. 154<\/p>\n<p><b>53.<\/b><b> P:<\/b> A quem o Patriarca transmitiu silenciosamente o <i>Dharma<\/i>?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> O <i>Dharma<\/i> n\u00e3o foi transmitido a ningu\u00e9m. <sup>1<\/sup><\/p>\n<p><b>P:<\/b> Ent\u00e3o por que o segundo Patriarca pediu a transmiss\u00e3o a Bodhidharma?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Se voc\u00eas sustentarem que algo foi transmitido, dar\u00e3o a entender que o segundo Patriarca alcan\u00e7ou a Mente ao busc\u00e1-la, por\u00e9m por mais longa que seja a busca, n\u00e3o poder\u00e3o jamais chegar \u00e0 Mente; assim \u00e9 que voltar\u00e3o novamente \u00e0 roda da vida e da morte!<\/p>\n<p><i>1. O Dharma sempre existiu em nossa pr\u00f3pria Mente; o que falta \u00e9 somente o seu reconhecimento e a sua compreens\u00e3o<\/i>.<\/p>\n<p>54<b>.<\/b> <b>P:<\/b> O Buda penetrou completamente a escurid\u00e3o da ignor\u00e2ncia primordial?<\/p>\n<p>R<b>:<\/b> Sim. A escurid\u00e3o Primordial \u00e9 a esfera na qual todos os Budas alcan\u00e7am a Ilumina\u00e7\u00e3o. Assim, podemos chamar a pr\u00f3pria esfera onde recrudesce o <i>carma<\/i> de <i>Bodhimandala <sup>1<\/sup><\/i>. Todo gr\u00e3o de areia, toda apar\u00eancia est\u00e1 Unida com a Realidade Atemporal e Imut\u00e1vel. Onde quer que seu mapa (GPS) o leve voc\u00ea se encontrar\u00e1 sempre dentro do Santu\u00e1rio da Ilumina\u00e7\u00e3o, embora nada seja percept\u00edvel. Eu asseguro que quem compreender a verdade de que: \u201cN\u00e3o h\u00e1 nada a alcan\u00e7ar\u201d, j\u00e1 se encontra no sacr\u00e1rio onde reconhecer\u00e1 sua Ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>P:<\/b> A ignor\u00e2ncia primordial \u00e9 brilhante ou escura?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> N\u00e3o \u00e9 nem uma nem outra. Os dois termos s\u00e3o duais. A ignor\u00e2ncia primordial n\u00e3o \u00e9 simultaneamente nem brilhante nem escura; e o que se quer dar a entender pelo termo n\u00e3o brilhante <sup>2<\/sup> \u00e9 a Luminosidade Original que encontra-se al\u00e9m das distin\u00e7\u00f5es entre brilhante e escuro. Esta afirma\u00e7\u00e3o \u00fanica basta para dar dor de cabe\u00e7a a maior parte das pessoas <sup>3<\/sup>. \u00a0Por isso \u00e9 que dizemos que o mundo est\u00e1 cheio de enganos ocasionados pelos fen\u00f4menos transit\u00f3rios que nos rodeiam.<\/p>\n<p>Embora seguindo o exemplo de Shariputra, todos n\u00f3s, mesmo dando um n\u00f3 nos nossos miolos para descobrir os meios de libera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o lograr\u00edamos nada compar\u00e1vel \u00e0 penetra\u00e7\u00e3o da sabedoria e onisci\u00eancia com que os Budas transcendem o espa\u00e7o. N\u00e3o pode haver discuss\u00e3o sobre esse ponto. Uma vez, quando o Buda Gautama tinha medido tr\u00eas mil <i>kiliocosmos<\/i>, apareceu de repente um <i>Bodhisatva<\/i> que o superou de uma s\u00f3 tacada. E, no entanto, inclusive aquela tacada prodigiosa n\u00e3o bastou para abarcar a amplitude de um poro da pele de Samantabhadra! Agora muito bem, qual \u00e9 consecu\u00e7\u00e3o mental que lhes habilita a estudar o significado desse fato?<\/p>\n<p><b>P:<\/b> Por\u00e9m se tais coisas s\u00e3o imposs\u00edveis de apreender, por que se escreveu: \u201cAo retornar a nossa Natureza Original transcendemos a dualidade; por\u00e9m os meios relativos constituem muitas portas para chegar \u00e0 verdade?\u201d.<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Retornamos a Nossa Natureza Original al\u00e9m da dualidade, que \u00e9 tamb\u00e9m na verdade a natureza real do universo da escurid\u00e3o primordial <sup>4<\/sup>, que \u00e9 ao mesmo tempo a Natureza B\u00fadica. Os \u201cmeios relativos que formam muitas portas\u201d referem-se aos <i>Sravacas<\/i> que sustentam que nosso universo est\u00e1 sujeito ao vir-a-ser e a extin\u00e7\u00e3o, aos Pratyekas Budas que, embora admitindo a infinitude de seu passado, o consideram sujeito a futura destrui\u00e7\u00e3o; por isso, tanto uns como outros se aplicam inteiramente aos meios de super\u00e1-lo <sup>5<\/sup>. Por\u00e9m os Budas verdadeiros se deram conta de que o devir e a destrui\u00e7\u00e3o do mundo senciente s\u00e3o ambos Unos com a atemporalidade <sup>6<\/sup>. Em um sentido diferente n\u00e3o existe devir nem cessar. Dar-se conta disso tudo, significa estar verdadeiramente Iluminado. Assim, pois o <i>Nirvana<\/i> e a Ilumina\u00e7\u00e3o s\u00e3o uma e a mesma coisa.<\/p>\n<p>Quando o l\u00f3tus se abriu e o Universo ficou revelado, surgiu a dualidade do Absoluto e do mundo senciente; ou, melhor dizendo, <b>o<\/b> <b>Absoluto se manifestou em dois aspectos que, tomados conjuntamente, compreendem a pura perfei\u00e7\u00e3o.<\/b> Estes dois aspectos s\u00e3o a inalter\u00e1vel realidade e a forma em pot\u00eancia. Para os seres sencientes existem os pares de opostos tais como vir-a-ser e cessar, juntamente com todos os demais. Portanto, precavenham-se de se apegar apenas a um desses pares. Aqueles que em sua inoc\u00eancia procuram alcan\u00e7ar o estado b\u00fadico e detestam o mundo senciente, blasfemam por isso contra todos os Budas do Universo. Os Budas ao se manifestarem no mundo empunham a p\u00e1 de ferro para livrarem-se de todo o cascalho dos livros de metaf\u00edsica e dos sofismas.<\/p>\n<p>Meu conselho \u00e9 que descartem todas as suas ideias precedentes sobre estudar ou perceber a Mente. Quando as tiverem descartado, j\u00e1 n\u00e3o se encontrar\u00e3o perdidos entre sofismas. Considerem o processo como consideram a descarga do esterco.<\/p>\n<p>Sim, meu conselho \u00e9 que renunciem a qualquer indulg\u00eancia ao pensamento conceitual e aos processos intelectuais.\u00a0 Quando tais coisas n\u00e3o lhes atrapalharem mais, reconhecer\u00e3o sem falta a Ilumina\u00e7\u00e3o Suprema. De maneira nenhuma fa\u00e7am distin\u00e7\u00f5es entre o Absoluto e o relativo (o mundo senciente). Como verdadeiro disc\u00edpulo da Ts\u2019ao Hsi Zen (a escola de Huang Po) n\u00e3o fa\u00e7am distin\u00e7\u00f5es de nenhum g\u00eanero. Desde os tempos mais remotos, os S\u00e1bios ensinaram que a atividade m\u00ednima \u00e9 a entrada no seu Dharma; assim, pois que nenhuma atividade seja a entrada do meu Dharma, que \u00e9 a Entrada da Mente \u00danica; por\u00e9m que todos que cheguem a esta entrada, temam entrar. Eu n\u00e3o ensino a doutrina da extin\u00e7\u00e3o. Poucos s\u00e3o os que compreendem isso; por\u00e9m aqueles que compreenderem ser\u00e3o os \u00fanicos destinados a serem Budas. Guardem esta gema como um tesouro!<\/p>\n<p><i>1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Um santu\u00e1rio onde podemos reconhecer a Ilumina\u00e7\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p><i><\/i><i>2.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Avidya, ignor\u00e2ncia primordial.<\/i><\/p>\n<p><i><\/i><i>3.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>A palavra que significa em chin\u00eas escurid\u00e3o primordial ou avidya se comp\u00f5e de dois caracteres que querem dizer: \u201cn\u00e3o\u201d e \u201cbrilhante\u201d<\/i><\/p>\n<p><i><\/i><i>4.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Samsara.<\/i><\/p>\n<p><i><\/i><i>5.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Como se fossem um ente completamente separado do Nirvana que eles buscam.<\/i><\/p>\n<p><i><\/i><i>6.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Reconhecem a identidade de \u201cum momento\u201d e \u201cpara sempre\u201d. A atemporalidade.<\/i><\/p>\n<p>Pag. 157<\/p>\n<p>5<b>5.<\/b><b> P:<\/b> Por\u00e9m como podemos evitar cair no erro de fazer distin\u00e7\u00f5es entre uma coisa e outra?<\/p>\n<p><b>R:<\/b> Dando-nos conta de que, embora tenham comido durante todo dia, nem um s\u00f3 gr\u00e3o passou em seus l\u00e1bios; e que um dia de viagem n\u00e3o lhes adiantaram nem um s\u00f3 passo; e mesmo assim, abstenham-se de maneira cont\u00ednua das no\u00e7\u00f5es tais como \u201ceu\u201d e \u201coutro\u201d. N\u00e3o permitam que os acontecimentos de suas vidas di\u00e1rias lhes prendam; por\u00e9m n\u00e3o fujam deles. Somente trabalhando assim merecer\u00e3o o titulo de \u201cLiberado\u201d.<\/p>\n<p>Nunca permitam confundir as apar\u00eancias exteriores com a realidade. Evitem o erro de pensar em termos de passado, presente e futuro. O passado desvaneceu-se; o presente \u00e9 um momento fugaz; o futuro ainda n\u00e3o chegou. Quando praticarem o controle mental<sup>1<\/sup>, sentem-se em posi\u00e7\u00e3o apropriada, permane\u00e7am perfeitamente tranquilos, n\u00e3o permitam que o mais leve movimento de suas mentes os inquietem.\u00a0 Somente isto \u00e9 o que se chama \u201clibera\u00e7\u00e3o <sup>2<\/sup>\u201d.<\/p>\n<p>Sejam diligentes! Trabalhem com dilig\u00eancia! Entre milhares que tentam ultrapassar o Portal, somente uns tr\u00eas, talvez cinco, logram ultrapass\u00e1-lo. Se n\u00e3o levarem em conta minhas advert\u00eancias, seguramente a calamidade lhes far\u00e1 companhia. Por isso est\u00e1 escrito:<\/p>\n<p><b><i>\u201cAplica-te nesta vida a alcan\u00e7ar a libera\u00e7\u00e3o, ou sofrer\u00e1s morte ap\u00f3s morte, kalpas ap\u00f3s kalpas\u201d<\/i><\/b>.<\/p>\n<p><i>1.\u00a0\u00a0\u00a0 <\/i><i>Dhyana ou zazen.<\/i><\/p>\n<p><i>2.\u00a0<\/i><i>Da carga da sempre renovada exist\u00eancia transit\u00f3ria. \u00a0\u00a0<\/i><\/p>\n<p>Pag. 158<\/p>\n<p><b>56.<\/b> O mestre passou a maior e melhor parte de sua vida nesta montanha durante o reinado de T\u2019ai Chung (847-859) da dinastia T\u2019ang. O imperador Hs\u00fcan Tsung lhe outorgou o t\u00edtulo de mestre de Zen, Destruidor de Toda Limita\u00e7\u00e3o. O templo erigido em sua mem\u00f3ria \u00e9 conhecido com o nome de \u201cTorre do Carma Espa\u00e7oso\u201d.<\/p>\n<p align=\"center\"><b>Fim<\/b><\/p>\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ENSINAMENTOS ZEN DE HUANG PO &nbsp; Compila\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o: John Blofeld Vers\u00e3o espanhola: Ricardo Crespo \u00a0\u00a0Vers\u00e3o: Fl\u00e1vio Capllonch Cardoso \u00a0\u00a0 &nbsp; INTRODU\u00c7\u00c3O \u00a0\u00a0John Blofeld (Chu Ch\u2019an) &nbsp; \u00a0Pag. 15 O presente livro \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o completa de Huang Po Ch\u2019uan &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/883-2\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1431,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,40],"tags":[],"class_list":["post-883","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mestres","category-zen"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/883","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=883"}],"version-history":[{"count":12,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/883\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1620,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/883\/revisions\/1620"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1431"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=883"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=883"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=883"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}