{"id":908,"date":"2014-03-13T12:16:39","date_gmt":"2014-03-13T14:16:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?page_id=908"},"modified":"2018-02-12T19:32:54","modified_gmt":"2018-02-12T21:32:54","slug":"ensinamento-zen-de-bodhidharma","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/ensinamento-zen-de-bodhidharma\/","title":{"rendered":"Ensinamento Zen de Bodhidharma &#8211; Parte 1"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=1264\" rel=\"attachment wp-att-1264\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/chan.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"314\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1264\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/chan.jpg 225w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/chan-215x300.jpg 215w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>BODHIDHARMA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Ensinamentos Zen<\/strong><\/p>\n<h5 align=\"center\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h5>\n<p><i>O Budismo chegou \u00e0 China 2.000 anos atr\u00e1s. Reporta-se que j\u00e1 no ano 65 d.C., uma comunidade de monges budistas vivia sob prote\u00e7\u00e3o da realeza na parte norte da Prov\u00edncia de Kiangsu, pr\u00f3xima do local de nascimento de Conf\u00facio, e os primeiros monges provavelmente chegaram 100 anos antes. <\/i><\/p>\n<p><i>Desde ent\u00e3o, dezenas de milhares de monges da \u00cdndia e da \u00c1sia Central t\u00eam viajado para China por terra e mar, mas dentre aqueles que trouxeram os ensinamentos de Buda para China, nenhum teve impacto compar\u00e1vel ao de Bodhidharma.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0Conhecido apenas por alguns disc\u00edpulos durante sua vida, Bodhidharma \u00e9 o patriarca de milh\u00f5es de zen-budistas e de estudantes de kung-fu. Tamb\u00e9m \u00e9 o protagonista de muitas lendas. Al\u00e9m de ter trazido zen e kung-fu, relata-se tamb\u00e9m ter trazido o ch\u00e1 para a China. Para se resguardar de cair no sono durante a medita\u00e7\u00e3o, ele cortou suas p\u00e1lpebras, e onde elas ca\u00edram cresceram arbustos de ch\u00e1. Desde ent\u00e3o, o ch\u00e1 tornou-se a bebida n\u00e3o somente de monges, mas de todos no Oriente. Fi\u00e9is a essa tradi\u00e7\u00e3o, os artistas invariavelmente representam Bodhidharma com olhos salientes e sem p\u00e1lpebras.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0Como sempre acontece com as lendas, tornou-se imposs\u00edvel separar fato de fic\u00e7\u00e3o. As datas s\u00e3o incertas. De fato, eu conhe\u00e7o pelo menos um erudito budista que duvida que Bodhidharma tenha existido. Mas correndo o risco de escrever sobre um homem que nunca existiu, eu esbocei uma biografia, baseada nos registros mais recentes e algumas suposi\u00e7\u00f5es, para fornecer um cen\u00e1rio para os serm\u00f5es a ele atribu\u00eddos.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0Bodhidharma nasceu em torno do ano 440 em Kanchi, capital do reino sulista indiano de Pallawa. Ele era um br\u00e2mane de nascimento e o terceiro filho do Rei Simhavarman. Quando ele era jovem, ele converteu-se ao budismo, e mais tarde o Dharma lhe foi ensinado por Prajnatara, de Magadha, que foi convidado pelo seu pai. Magadha era o antigo centro do budismo. Tamb\u00e9m foi Prajnatara quem disse para Bodhidharma ir para China. Uma vez que a tradicional rota terrestre estava bloqueada pelos hunos, e uma vez que Pallawa tinha la\u00e7os comerciais por todo Sudeste Asi\u00e1tico, Bodhidharma partiu de navio de um porto nas proximidades, Mahaballipuram. Depois de contornar a costa da \u00cdndia e a Pen\u00ednsula da Mal\u00e1sia por tr\u00eas anos, ele finalmente chegou ao sul da China ao redor do ano 475.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0Nessa \u00e9poca o pa\u00eds estava dividido pelas dinastias Wei do norte e Liu Sung. Essa divis\u00e3o da China numa s\u00e9rie de dinastias nortistas e sulistas come\u00e7ou no in\u00edcio do S\u00e9c. III e continuou at\u00e9 o pa\u00eds ser reunificado sob a dinastia Sui no fim do S\u00e9c. VI. Foi durante esse per\u00edodo de divis\u00e3o e conflito que o budismo indiano transformou-se em budismo chin\u00eas, com os nortistas de mente militarista enfatizando medita\u00e7\u00e3o e m\u00e1gica e os intelectuais sulistas preferindo discuss\u00e3o filos\u00f3fica e a compreens\u00e3o intuitiva de princ\u00edpios.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0Quando Bodhidharma chegou \u00e0 China, no fim do S\u00e9c. V, havia aproximadamente 2 mil templos budistas e 36 mil cl\u00e9rigos no sul. Ao norte, um recenseamento em 477 contou 6,5 mil templos e aproximadamente 80 mil cl\u00e9rigos. Menos de 50 anos mais tarde, outro recenseamento feito ao norte aumentou esses n\u00fameros para 30 mil templos e 2 milh\u00f5es de cl\u00e9rigos, ou cerca de 5% da popula\u00e7\u00e3o. Sem d\u00favida, isso inclu\u00eda muitas pessoas que estavam tentando evitar impostos ou recrutamento ou que procuravam a prote\u00e7\u00e3o da igreja por outras raz\u00f5es n\u00e3o religiosas, mas claramente o budismo estava espalhando-se pelas pessoas comuns ao norte do Rio Yangtze. No sul, permaneceu muito confinado \u00e0 elite educada at\u00e9 o S\u00e9c. VI.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0Seguindo a sua chegada ao porto de Nanhai, Bodhidharma provavelmente visitou centros budistas no sul e come\u00e7ou a aprender Chin\u00eas, se \u00e9 que ele j\u00e1 n\u00e3o havia feito isso em seu caminho desde a \u00cdndia. De acordo com A Transmiss\u00e3o da L\u00e2mpada de Tao-yuan, obra terminada em 1002, Bodhidharma chegou ao sul tarde, em 520, e foi convidado para capital em Chienkang para uma audi\u00eancia com o Imperador Wu da dinastia Liang, sucessor de Liu Sung. Durante esse encontro o imperador perguntou sobre o m\u00e9rito de executar trabalhos religiosos, e Bodhidharma respondeu com a doutrina do vazio. O imperador n\u00e3o entendeu, e Bodhidharma partiu. Os registros mais recentes, no entanto, n\u00e3o mencionam tal encontro.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0Em qualquer caso, Bodhidharma cruzou o Rio Yangtze \u2013 de acordo com a lenda, numa embarca\u00e7\u00e3o de bambu \u2013 e estabeleceu-se ao norte. Primeiramente ele permaneceu ao norte na capital de Wei, Pingcheng. Em 494, quando o Imperador Hsiao-wen mudou sua capital para o sul de Loyang na margem norte do Rio Lo, a maioria dos monges que viviam na \u00e1rea de Pingcheng mudou-se tamb\u00e9m, e Bodhidharma provavelmente estava entre eles. De acordo com o livro Vidas Remotas de Monges Exemplares de Tao-hsuan, cujo primeiro esbo\u00e7o foi escrito em 645, Bodhidharma ordenou um monge com o nome Sheng-fu. Quando a capital foi mudada para Loyang, Sheng-fu mudou-se para o sul. Uma vez que a ordena\u00e7\u00e3o normalmente requer um aprendizado de tr\u00eas anos, Bodhidharma j\u00e1 devia estar ao norte em torno do ano 490 e ent\u00e3o devia estar razoavelmente fluente em Chin\u00eas.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0Alguns anos mais tarde, em 496, o imperador ordenou a constru\u00e7\u00e3o do Templo de Shaolin no Monte Sung, na Prov\u00edncia de Honan ao sudeste de Loyang. O templo, que ainda existe (principalmente como atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica), foi constru\u00eddo para outro mestre de medita\u00e7\u00e3o da \u00cdndia, e n\u00e3o para Bodhidharma. Embora mais mestres zen passaram pelo templo nos \u00faltimos 1.500 anos, Bodhidharma \u00e9 o \u00fanico monge que algu\u00e9m al\u00e9m de um historiador budista associa com Shaolin. Foi aqui, no Pico Shaoshih ocidental do Monte Sung, que se diz que Bodhidharma passou nove anos em medita\u00e7\u00e3o, de frente para parede de pedra de uma caverna a cerca de uma milha do templo. Shaolin mais tarde tornou-se famoso como centro de treinamento de monges em kung-fu, e Bodhidharma \u00e9 honrado como o fundador dessa arte igualmente. Vindo da \u00cdndia, sem d\u00favida ele instruiu seus disc\u00edpulos em alguma forma de yoga, mas nenhum registro antigo menciona-o ensinar qualquer exerc\u00edcio ou arte marcial.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0Pelo ano 500, Loyang era uma das maiores cidades no mundo, com uma popula\u00e7\u00e3o acima de meio milh\u00e3o. Quando o Imperador Hsuan-wu morreu em 516 e a imperadora Dowager Ling assumiu o controle do governo, um de seus primeiros atos foi mandar construir o Templo Yung-ning. A constru\u00e7\u00e3o desse templo e de seu pagoda de 400 p\u00e9s de altura quase exauriram o tesouro imperial. De acordo com um registro dos templos de Loyang escrito em 547 por Yang Hsuan-chih, os sinos-de-vento dourados pendurados nos beirais do telhado podiam ser ouvidos a tr\u00eas milhas de dist\u00e2ncia e a ponta do pagoda do templo podia ser vista a 30 milhas de dist\u00e2ncia. O relato de Yang inclui os coment\u00e1rios de um monge do leste chamado Bodhidharma, que disse ser a estrutura mais imponente que ele j\u00e1 tinha visto. Uma vez que o templo n\u00e3o foi constru\u00eddo antes de 516 e foi destru\u00eddo por fogo em 534, Bodhidharma deve ter estado na capital por volta de 520. Registros antigos dizem que ele viajou por toda \u00e1rea de Loyang, indo e vindo com as esta\u00e7\u00f5es. Na capital, no entanto, ele deve ter estado no Templo Yung-ming. N\u00e3o confundir com o Templo Yung-ning, Yung-ming foi constru\u00eddo alguns anos antes, no come\u00e7o do s\u00e9culo VI, pelo Imperador Hsuan-wu, como templo central para monges estrangeiros. Antes da evacua\u00e7\u00e3o de massas da cidade durante o colapso de Wei ao norte em 534, o templo foi lar de mais de 3 mil monges de pa\u00edses t\u00e3o distantes como a S\u00edria.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0Apesar da s\u00fabita popularidade do budismo na China, Bodhidharma encontrou poucos disc\u00edpulos. Al\u00e9m de Sheng-fu, que mudou-se para o sul logo ap\u00f3s a ordena\u00e7\u00e3o, os \u00fanicos disc\u00edpulos mencionados s\u00e3o Tao-yu e Hui-k\u2019o. Diz-se que ambos estudaram com Bodhidharma por cinco ou seis anos. Tao-yu, nos \u00e9 dito, entendeu o Caminho mas nunca ensinou. Foi para Hui-k\u2019o que Bodhidharma confiou o manto e a tigela de sua linhagem e, de acordo com Tao-hsuan, uma c\u00f3pia da tradu\u00e7\u00e3o do Sutra Lankavatara feita por Gunabhadra. No serm\u00e3o traduzido aqui, no entanto, faz cita\u00e7\u00f5es principalmente do Sutra do Nirvana, Avatamsaka e Vimilakirti e n\u00e3o usa terminologia alguma caracter\u00edstica do Lankavatara. Talvez tenha sido Hui-k\u2019o, e n\u00e3o Bodhidharma, quem tinha uma boa opini\u00e3o desse sutra.<\/i><\/p>\n<p><i>Em sua Transmiss\u00e3o<\/i><i> da L\u00e2mpada, Tao-yuan diz que logo depois que ele transmitiu o patriarcado de sua linhagem para Hui-k\u2019o, Bodhidharma morreu em 528 no quinto dia do d\u00e9cimo m\u00eas, envenenado por um monge ciumento. Tao-hsuan somente diz, em sua biografia muito mais antiga, que Bodhidharma morreu nas margens do rio Lo e n\u00e3o menciona a data e a causa da morte. De acordo com Tao-yuan, os restos de Bodhidharma foram enterrados perto de Loyang no templo Tinglin na Montanha Orelha de Urso. Tao-yuan tamb\u00e9m diz que tr\u00eas anos mais tarde um oficial encontrou Bodhidharma caminhando nas montanhas da \u00c1sia Central. Ele estava carregando um cajado no qual estava pendurada uma \u00fanica sand\u00e1lia, e ele disse ao oficial que estava voltando para a \u00cdndia. Relatos desse encontro levantaram a curiosidade dos outros monges, que finalmente concordaram em abrir a tumba de Bodhidharma. Tudo que eles encontraram dentro foi uma \u00fanica sand\u00e1lia, e desde ent\u00e3o Bodhidharma tem sido representado carregando um cajado no qual se pendura a sand\u00e1lia faltante.<\/i><\/p>\n<p><i>Com o assassinato do Imperador Hsiao-wu em 534, a nortista Wei dividiu-se em duas dinastias, Wei Ocidental e Oriental, e Loyang foi atacada. Uma vez que a poderosa fam\u00edlia Kao de Wei Oriental era famosa por seu patroc\u00ednio ao budismo, muitos dos monges que viviam em Loyang, incluindo Hui-k\u2019o, mudaram-se para Yeh, capital de Wi Oriental. L\u00e1 finalmente Hui-k\u2019o encontrou T\u2019an-lin. T\u2019an-lin trabalhou primeiramente em Loyang e mais tarde em Yeh escrevendo pref\u00e1cios e coment\u00e1rios para novas tradu\u00e7\u00f5es dos sutras budistas. Depois de encontrar Hui-k\u2019o, ele ficou interessado na abordagem ao budismo de Bodhidharma e adicionou um breve pref\u00e1cio ao Esbo\u00e7o da Pr\u00e1tica. Nesse pref\u00e1cio ele diz que Bodhidharma veio do sul da \u00cdndia e que depois de sua chegada \u00e0 China, ele achou apenas dois disc\u00edpulos de valor, Hui-k\u2019o e Tao-yu. Ele tamb\u00e9m diz que Bodhidharma ensinava medita\u00e7\u00e3o na parede e as quatro pr\u00e1ticas descritas no Esbo\u00e7o.<\/i><\/p>\n<p><i>Se isso \u00e9 tudo que sabemos de Bodhidharma, por que, ent\u00e3o, \u00e9 ele o mais famoso de milh\u00f5es de monges que estudaram e ensinaram o Dharma na China? A raz\u00e3o \u00e9 que a ele somente \u00e9 creditado ter trazido o zen para China. \u00c9 claro que o zen, como medita\u00e7\u00e3o, tinha sido ensinado e praticado por centenas de anos antes de Bodhidharma chegar. E muito do que ele tinha para dizer a respeito da doutrina tinha sido dito antes \u2013 por Tao-sheng, por exemplo, uma centena de anos antes. Mas a abordagem ao zen de Bodhidharma era \u00fanica. Como ele diz nesses serm\u00f5es &#8220;Ver sua natureza \u00e9 zen&#8230; N\u00e3o pensar sobre coisa alguma \u00e9 zen&#8230; Tudo que voc\u00ea faz \u00e9 zen.&#8221; Enquanto outros viam o zen como purifica\u00e7\u00e3o da mente ou como um est\u00e1gio no caminho para buditude, Bodhidharma equacionou zen com a buditude \u2013 e a buditude com a mente, a mente do dia-a-dia. Em vez de dizer aos seus disc\u00edpulos para purificarem suas mentes, ele lhes apontava paredes de pedra, movimentos de tigres e gar\u00e7as, uma embarca\u00e7\u00e3o de bambu flutuando no do Rio Yangtze, uma sand\u00e1lia. O zen de Bodhidharma era zen Mahayana, e n\u00e3o zen Hinayana \u2013 a espada da sabedoria, e n\u00e3o a almofada de medita\u00e7\u00e3o. Como fizeram outros mestres, sem d\u00favida ele instruiu seus disc\u00edpulos em disciplina budista, medita\u00e7\u00e3o e doutrina, mas ele usou a espada que Prajnatara lhe deu para livrar-lhes a mente das regras, transes e escrituras. Tal espada, no entanto, \u00e9 dif\u00edcil de pegar e dif\u00edcil de usar. \u00c9 uma pequena maravilha o fato que seu \u00fanico sucessor, Hui-k\u2019o, tinha um bra\u00e7o s\u00f3.<\/i><\/p>\n<p><i>Mas tal entendimento radical do zen n\u00e3o originou-se com Bodhidharma ou com Prajnatara. Dizem que um dia Brahma, senhor da cria\u00e7\u00e3o, ofereceu a Buda uma flor e pediu-lhe para pregar o Dharma. Quando Buda levantou a flor, sua audi\u00eancia estava confusa, exceto Kashyapa, que sorriu. Foi assim que o zen come\u00e7ou. E foi assim que ele foi transmitido: com uma flor, com uma parede de pedra, com um grito. Essa abordagem, uma vez que se fez conhecida por Bodhidharma e seus sucessores, revolucionou o entendimento e pr\u00e1tica do budismo na China.<\/i><\/p>\n<p><i>Tal abordagem n\u00e3o se encontra por acaso muito bem em livros. Mas em seu livro Vidas Remotas de Monges Exemplares, Tao-hsuan diz que os ensinamentos de Bodhidharma foram escritos. Muitos eruditos concordam que Esbo\u00e7o da Pr\u00e1tica \u00e9 um de tais registros, mas as opini\u00f5es dividem-se a respeito dos outros tr\u00eas serm\u00f5es aqui traduzidos. Todos os tr\u00eas h\u00e1 muito s\u00e3o atribu\u00eddos a Bodhidharma, mas em anos recentes um n\u00famero de eruditos tem sugerido que esses tr\u00eas serm\u00f5es s\u00e3o trabalhos de disc\u00edpulos mais jovens. Yaganida, por exemplo, atribui o Serm\u00e3o do Ciclo da Vida* a um membro da Escola de Zen Cabe\u00e7a de Boi, que floresceu nos s\u00e9culos VII e VIII, e pensamos que o Serm\u00e3o do Despertar foi um trabalho do S\u00e9c. VIII da escola de zen do norte e que o Serm\u00e3o da Grande Descoberta era de Shen-hsiu, o patriarca do S\u00e9c. VII da escola de zen do norte.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0Lamentavelmente, faltam evid\u00eancias que comprovem ou n\u00e3o a autoria. At\u00e9 o corrente s\u00e9culo, as c\u00f3pias conhecidas mais antigas desses serm\u00f5es s\u00e3o vers\u00f5es do S\u00e9c. XIV dos originais da dinastia T\u2019ang (618-907) da cole\u00e7\u00e3o Kanazawa Bunko do Jap\u00e3o. Mas com a descoberta de milhares de manuscritos budistas da dinastia T\u2019ang no in\u00edcio deste s\u00e9culo nas cavernas Tunhuang na China, agora temos c\u00f3pias dos s\u00e9culos VII e VIII. Claramente esses serm\u00f5es foram cedo compilados por monges que remontavam seus ancestrais at\u00e9 Bodhidharma. Se n\u00e3o foi Hui-k\u2019o ou um de seus disc\u00edpulos, talvez tenha sido T\u2019an-lin quem os escreveu. Em qualquer caso, na aus\u00eancia de evid\u00eancias contr\u00e1rias convincentes, eu n\u00e3o vejo raz\u00e3o para n\u00e3o aceitar os serm\u00f5es como do homem a quem t\u00eam sido atribu\u00eddos por mais de 1.200 anos.<\/i><\/p>\n<p><i>Os disc\u00edpulos de Bodhidharma foram poucos, e a tradi\u00e7\u00e3o zen que remonta de seus ancestrais at\u00e9 ele n\u00e3o come\u00e7ou seu florescimento pleno at\u00e9 aproximadamente 200 anos ap\u00f3s sua morte. Dada a espontaneidade e desapego promovidos pela abordagem de Bodhidharma ao zen \u00e9 f\u00e1cil ver porque esses serm\u00f5es foram por fim negligenciados em favor de serm\u00f5es de mestres zen nativos. Por compara\u00e7\u00e3o, os serm\u00f5es de Bodhidharma parecem um tanto estranhos e despojados. Eu mesmo s\u00f3 os encontrei por acaso, numa edi\u00e7\u00e3o da Ess\u00eancia da Transmiss\u00e3o da Mente de Huan-po. Isso foi 12 anos atr\u00e1s. Desde ent\u00e3o eu afei\u00e7oei-me ao seu zen de ossos nus, e eu sempre tento imaginar por que eles n\u00e3o s\u00e3o mais populares. Mas, populares ou n\u00e3o, ei-los novamente. Antes que se esvane\u00e7am novamente na poeira de alguma cripta ou biblioteca, leia-os uma ou duas vezes e procure a \u00fanica coisa que Bodhidharma trouxe para a China: <b>procure a marca da mente.<\/b><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<b><i>Vers\u00e3o inglesa e Introdu\u00e7\u00e3o de Red Pine<\/i><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><i>Lago do Bambu, Taiwan Inverno, Ano do Tigre.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><i>Tradu\u00e7\u00e3o revista por Fl\u00e1vio Capllonch Cardoso com base na vers\u00e3o espanhola de Miguel Portillo &#8211; Editorial Kair\u00f3s.<\/i><\/p>\n<p align=\"center\"><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>ENSINAMENTO ZEN DE BODHIDHARMA<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>MEDITA\u00c7\u00c3O SOBRE AS QUATRO PR\u00c1TICAS<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u00a0Muitas estradas levam ao Caminho<sup>(1)<\/sup>, mas basicamente existem apenas duas: pr\u00e1tica e sabedoria. Entrar pela sabedoria significa compreender a ess\u00eancia atrav\u00e9s dos ensinamentos e acreditar que todos os seres vivos compartilham a mesma natureza verdadeira, a qual \u00e9 dissimulada pela sensa\u00e7\u00e3o e ilus\u00e3o. Aqueles que abandonam a ilus\u00e3o para voltar a realidade, que meditam frente \u00e0 parede<sup>(2)<\/sup> na aus\u00eancia de dualismo, na unidade de mortalidade e sabedoria, e que permanecem impass\u00edveis mesmo perante \u00e0s escrituras, est\u00e3o em completa e silenciosa comunh\u00e3o com a sabedoria. Sem se moverem, sem esfor\u00e7os, eles entram, dizemos, pela sabedoria.<\/p>\n<p>Entrar pela pr\u00e1tica refere-se as quatro pr\u00e1ticas<sup>(3)<\/sup> que incluem todas as demais: sofrer injusti\u00e7a, adaptar-se \u00e0s condi\u00e7\u00f5es, nada buscar e praticar o <i>Dharma<\/i>.<\/p>\n<p>Primeiro, <b><i>sofrer injusti\u00e7a<\/i><\/b>. Quando aqueles que buscam o Caminho encontram adversidades devem pensar: \u201cDurante incont\u00e1veis eras passadas, vaguei do essencial ao sup\u00e9rfluo e atrav\u00e9s de todo tipo de exist\u00eancia, raivoso sem motivo e culpado de in\u00fameras transgress\u00f5es. Agora, embora n\u00e3o cometa erros, sou punido pelo meu passado. Nem os deuses nem os homens podem prever quando uma a\u00e7\u00e3o m\u00e1 frutificar\u00e1. Aceito isso de cora\u00e7\u00e3o aberto e sem queixar-me de injusti\u00e7a\u201d. Dizem os <i>sutras<\/i>: <i>\u201cQuando voc\u00ea encontra adversidade n\u00e3o se exaspere, ela \u00e9 justa\u201d.<\/i> Com tal compreens\u00e3o voc\u00ea est\u00e1 em harmonia com a sabedoria. E sofrendo injusti\u00e7a se entra no Caminho.<\/p>\n<p>Em segundo, <b><i>adaptar-se \u00e0s condi\u00e7\u00f5es<\/i><\/b>. Como mortais, estamos submetidos \u00e0s condi\u00e7\u00f5es e n\u00e3o a n\u00f3s mesmos. Todos os sofrimentos e todas as alegrias que experimentamos dependem das condi\u00e7\u00f5es. Se formos agraciados por alguma grande recompensa, como fama ou fortuna, trata-se do fruto da semente plantada por n\u00f3s no passado, que se acabar\u00e1 quando as condi\u00e7\u00f5es mudem. Por que deliciar-se, pois, com sua exist\u00eancia? Mas, enquanto o sucesso e o insucesso dependem de condi\u00e7\u00f5es, a mente n\u00e3o cresce nem diminui. Aqueles que permanecem impass\u00edveis perante os ventos da alegria e da tristeza seguem silenciosamente o Caminho.<\/p>\n<p>Em terceiro, <b><i>nada buscar<\/i><\/b>. As pessoas desse mundo vivem iludidas. Est\u00e3o sempre ansiando por algo, sempre buscando algo. Por\u00e9m os s\u00e1bios despertam e escolhem a sabedoria em vez dos h\u00e1bitos. Concentram suas mentes no sublime e deixam seus corpos mudarem com as esta\u00e7\u00f5es. Todos os fen\u00f4menos s\u00e3o vazios; n\u00e3o cont\u00eam nada que valha a pena desejar. A calamidade sempre se alterna com a prosperidade<sup>(4)<\/sup>. Habitar nos tr\u00eas reinos<sup>(5)<\/sup> \u00e9 morar numa casa em chamas. Ter um corpo \u00e9 sofrer. Algu\u00e9m que possui um corpo conhece a paz? Aqueles que compreendem isso desapegam-se de todas as coisas existentes e param de imaginar ou buscar algo. Os <i>sutras<\/i> dizem: \u201cBuscar \u00e9 sofrer. Nada buscar \u00e9 bendi\u00e7\u00e3o\u201d. Quando n\u00e3o se busca nada, se est\u00e1 no Caminho.<\/p>\n<p>Em quarto, <b><i>praticar o Dharma<\/i><\/b><sup>(6)<\/sup>. O <i>Dharma<\/i> \u00e9 a verdade de que todas as naturezas s\u00e3o puras. Por esta verdade, todas as apar\u00eancias s\u00e3o vazias. N\u00e3o existem apego e rejei\u00e7\u00e3o, sujeito e objeto. Os <i>sutras<\/i> dizem: <i>\u201cO Dharma n\u00e3o inclui seres, pois o Dharma est\u00e1 livre da impureza do ser, e o Dharma inclui a inexist\u00eancia do eu porque est\u00e1 livre da impureza do eu\u201d.<\/i> Aqueles que s\u00e3o s\u00e1bios o suficiente para acreditar e compreender esta verdade praticam de acordo com o <i>Dharma<\/i>. E como o que \u00e9 \u201creal\u201d n\u00e3o inclui nada que valha a pena preocupar-se, praticam a compaix\u00e3o com seus corpos, vidas e propriedades, sem se lamentar e sem a vaidade de quem d\u00e1, presenteia ou recebe agindo sem segundas inten\u00e7\u00f5es nem apego. E para eliminar impurezas ensinam aos demais, mas sem se apegarem \u00e0 forma. Assim pois, atrav\u00e9s de sua pr\u00f3pria pr\u00e1tica s\u00e3o capazes de ajudar as pessoas e glorificar o Caminho da Ilumina\u00e7\u00e3o. E, assim como a generosidade, tamb\u00e9m praticam as outras virtudes. Mas ao praticarem as seis virtudes<sup>(7)<\/sup> para eliminar a ilus\u00e3o, eles nada praticam. Isso \u00e9 o que quer dizer praticar o <i>Dharma.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 align=\"center\"><strong>SERM\u00c3O DO CICLO DA VIDA<\/strong><\/h4>\n<p>Tudo que aparece nos tr\u00eas reinos vem da mente<sup>(8)<\/sup>. Portanto, os budas<sup>(9)<\/sup> do passado e do futuro ensinam de mente \u00e0 mente sem se importarem acerca de defini\u00e7\u00f5es<sup>(10)<\/sup>.<\/p>\n<p><i>Por\u00e9m, se eles n\u00e3o definem mente, o que querem dizer com mente?<\/i><\/p>\n<p>Voc\u00ea pergunta, \u00e9 a sua mente. Eu respondo, \u00e9 a minha mente. Se n\u00e3o tivesse mente, como poderia responder? Se voc\u00ea n\u00e3o tivesse mente, como poderia perguntar? Isso que pergunta \u00e9 a sua mente. Durante <i>kalpas<\/i><sup>(11)<\/sup> sem princ\u00edpio nem fim, qualquer coisa que voc\u00ea fa\u00e7a, onde quer que voc\u00ea esteja, essa \u00e9 a sua mente verdadeira, esse \u00e9 o seu verdadeiro buda. A afirma\u00e7\u00e3o essa mente \u00e9 o buda<sup>(12)<\/sup> quer dizer o mesmo. Al\u00e9m dessa mente voc\u00ea n\u00e3o encontrar\u00e1 outro buda. Procurar por ilumina\u00e7\u00e3o<sup>(13)<\/sup> ou <i>nirvana<\/i><sup>(14)<\/sup> al\u00e9m dessa mente \u00e9 imposs\u00edvel. A realidade de sua pr\u00f3pria natureza<sup>(15)<\/sup>, a aus\u00eancia de causa e efeito, isso \u00e9 a mente. Sua mente \u00e9 <i>nirvana<\/i>. Voc\u00ea poderia pensar que encontraria um buda ou ilumina\u00e7\u00e3o al\u00e9m da mente, mas tal lugar n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>Tentar achar um buda ou ilumina\u00e7\u00e3o \u00e9 como tentar agarrar o espa\u00e7o. O espa\u00e7o tem nome, mas nenhuma forma. N\u00e3o \u00e9 algo que voc\u00ea possa pegar ou largar. E certamente n\u00e3o pode agarr\u00e1-lo. Al\u00e9m dessa mente voc\u00ea nunca ver\u00e1 um buda. O buda \u00e9 um produto de sua mente. Por que procurar um buda al\u00e9m dessa mente?<\/p>\n<p>Os budas do passado e do futuro somente falam dessa mente. A mente \u00e9 o buda, e o buda \u00e9 a mente. Al\u00e9m da mente n\u00e3o h\u00e1 buda, e al\u00e9m de buda n\u00e3o h\u00e1 mente. Se voc\u00ea pensa que h\u00e1 um buda al\u00e9m da mente, onde est\u00e1 ele? Se n\u00e3o h\u00e1 buda al\u00e9m da mente, por que procur\u00e1-lo? Voc\u00ea n\u00e3o pode conhecer sua mente verdadeira uma vez que se engane. Uma vez escravizado por uma forma inanimada voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 livre. Se n\u00e3o me acreditar, auto-enganar-se n\u00e3o ajudar\u00e1. N\u00e3o \u00e9 culpa dos budas. N\u00e3o obstante, as pessoas vivem na ignor\u00e2ncia, n\u00e3o se d\u00e3o conta de que suas pr\u00f3prias mentes s\u00e3o o buda. Do contr\u00e1rio, n\u00e3o buscariam um buda fora da mente.<\/p>\n<p>Os budas n\u00e3o salvam budas. Se utilizar sua mente para procurar um buda, voc\u00ea n\u00e3o ver\u00e1 o buda. Uma vez que procure por um buda alhures, voc\u00ea nunca ver\u00e1 que sua pr\u00f3pria mente \u00e9 o buda. N\u00e3o use um buda para venerar um buda e n\u00e3o use sua mente para invocar um buda<sup>(16)<\/sup>. Os budas n\u00e3o recitam <i>sutras<\/i><sup>(17)<\/sup>. Os budas n\u00e3o mant\u00eam preceitos<sup>(18)<\/sup>. E os budas n\u00e3o quebram preceitos. Os budas n\u00e3o mant\u00eam ou quebram coisa alguma. Os budas n\u00e3o fazem bem ou mal.<\/p>\n<p>Para encontrar um buda voc\u00ea tem que ver sua pr\u00f3pria natureza<sup>(19)<\/sup>. Quem v\u00ea sua natureza \u00e9 um buda. Se voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea sua pr\u00f3pria natureza, invocar budas, recitar <i>sutras<\/i>, fazer oferendas e manter preceitos n\u00e3o tem valor nenhum. Invocar budas produz bom <i>carma<\/i>, recitar <i>sutras<\/i> ajuda ter boa mem\u00f3ria, manter preceitos resulta em um bom renascimento e fazer oferendas resulta em futuras b\u00ean\u00e7\u00e3os, mas em nenhum buda.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea n\u00e3o entender por si mesmo, ent\u00e3o dever\u00e1 encontrar um mestre para ensin\u00e1-lo sobre vida e morte<sup>(20)<\/sup>. Mas, a menos que tenha visto sua pr\u00f3pria natureza, essa pessoa n\u00e3o \u00e9 um mestre. Mesmo que possa recitar o C\u00e2none Desdobrado em Doze<sup>(21)<\/sup>, ela n\u00e3o pode escapar da Roda de Nascimentos e Mortes<sup>(22)<\/sup>, e sofrer\u00e1 nos tr\u00eas reinos sem esperan\u00e7a de libera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Antigamente, o monge Boa Estrela<sup>(23)<\/sup> era capaz de recitar o C\u00e2none completo. Por\u00e9m n\u00e3o escapou da Roda, pois n\u00e3o viu sua natureza. Se aconteceu isso com Boa Estrela, ent\u00e3o as pessoas de agora que recitam alguns <i>sutras<\/i> ou <i>shastras<sup>(24)<\/sup><\/i> e pensam que isso \u00e9 o <i>Dharma<\/i> est\u00e3o loucas. A menos que voc\u00ea veja sua mente recitar tanta prosa \u00e9 in\u00fatil.<\/p>\n<p>Para achar um buda tudo que voc\u00ea tem que fazer \u00e9 ver sua natureza. Sua natureza \u00e9 o buda. E o buda \u00e9 uma pessoa livre: livre de planos, livre de preocupa\u00e7\u00f5es. Se voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea sua natureza e passa o tempo todo procurando noutro lugar, ent\u00e3o nunca encontrar\u00e1 um buda. A verdade \u00e9 que nada h\u00e1 para encontrar. Mas para atingir tal compreens\u00e3o necessitar\u00e1 de um mestre e precisar\u00e1 lutar para chegar a compreender. Vida e morte s\u00e3o importantes, n\u00e3o as sofra em v\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 vantagem em se auto-enganar. Mesmo que voc\u00ea tenha montanhas de j\u00f3ias e tantos criados quanto os gr\u00e3os de areia do Ganges, voc\u00ea os v\u00ea quando os seus olhos est\u00e3o abertos, mas e quando seus olhos estiverem fechados? Ent\u00e3o voc\u00ea deveria perceber que tudo o que v\u00ea \u00e9 como um sonho ou ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o encontrar um professor logo, voc\u00ea viver\u00e1 esta vida em v\u00e3o. \u00c9 verdade, voc\u00ea tem a natureza b\u00fadica, mas sem a ajuda de um mestre nunca a conhecer\u00e1. Somente uma pessoa num milh\u00e3o ilumina-se sem o aux\u00edlio de um mestre.<\/p>\n<p>Se, todavia, numa situa\u00e7\u00e3o afortunada, algu\u00e9m compreende o que Buda quis dizer, ent\u00e3o essa pessoa n\u00e3o precisa de mestre. Tal pessoa tem um conhecimento superior a todo ensinamento. Mas se voc\u00ea n\u00e3o for t\u00e3o dotado, estude muito, que atrav\u00e9s da instru\u00e7\u00e3o voc\u00ea compreender\u00e1.<\/p>\n<p>As pessoas que n\u00e3o compreendem e pensam que podem entender sem estudo n\u00e3o s\u00e3o diferentes daqueles seres iludidos que n\u00e3o podem diferenciar o preto do branco<sup> (25)<\/sup>. Proclamando falsamente o <i>Budadharma<\/i>, tais pessoas blasfemam Buda e subvertem o <i>Dharma<\/i>. Elas rezam como se chamassem chuva. Mas suas rezas s\u00e3o as dos dem\u00f4nios<sup>(26)<\/sup>, n\u00e3o dos budas. Seu mestre \u00e9 o Rei dos Infernos e seus disc\u00edpulos s\u00e3o os seguidores do dem\u00f4nio. Pessoas iludidas que seguem tais instru\u00e7\u00f5es se afundam mais profundamente no Oceano do Nascimento e Morte.<\/p>\n<p>A menos que vejam sua pr\u00f3pria natureza, como as pessoas podem dizer-se budas a si mesmos? S\u00e3o mentirosas que enganam os outros, fazendo-os entrar no reino dos dem\u00f4nios. A menos que elas vejam sua pr\u00f3pria natureza, seu recitar do C\u00e2none Desdobrado em Doze nada \u00e9 al\u00e9m do recitar dos dem\u00f4nios. Devotam-se \u00e0 Mara, n\u00e3o a Buda. Incapazes de distinguir branco de preto, como podem elas escapar do ciclo de nascimento e morte?<\/p>\n<p>Quem quer que veja sua natureza \u00e9 um buda; quem n\u00e3o a v\u00ea \u00e9 mortal. Mas talvez voc\u00ea creia que pode achar a natureza b\u00fadica separada de sua natureza mortal; mas onde a encontrar\u00e1? Nossa natureza mortal \u00e9 nossa natureza b\u00fadica. Al\u00e9m dessa natureza n\u00e3o h\u00e1 buda. O buda \u00e9 nossa verdadeira natureza. N\u00e3o h\u00e1 buda al\u00e9m dessa natureza, e n\u00e3o h\u00e1 natureza separada do buda.<\/p>\n<p><i>Suponhamos que n\u00e3o vejo minha natureza, n\u00e3o posso atingir a ilumina\u00e7\u00e3o invocando budas, recitando sutras, fazendo oferendas, observando preceitos, praticando devo\u00e7\u00e3o ou fazendo boas a\u00e7\u00f5es?<\/i><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o pode.<\/p>\n<p><i>Por que?<\/i><\/p>\n<p>Se voc\u00ea finalmente atinge algo \u00e9 condicional, <i>c\u00e1rmico<\/i>. Seria conseq\u00fc\u00eancia da a\u00e7\u00e3o, faz girar a Roda. E enquanto voc\u00ea estiver sujeito a renascimento e morte nunca atingir\u00e1 a ilumina\u00e7\u00e3o. Para atingir a ilumina\u00e7\u00e3o voc\u00ea deve ver sua pr\u00f3pria natureza. A n\u00e3o ser que veja sua natureza toda essa conversa sobre causa e efeito \u00e9 bobagem. Os budas n\u00e3o praticam bobagens. Um buda \u00e9 livre de <i>carma<sup>(27)<\/sup>,<\/i> livre de causa e efeito. Dizer que ele atinge algo \u00e9 caluni\u00e1-lo. O que poderia atingir? Concentrar-se em uma mente, um poder, uma compreens\u00e3o, ou uma vis\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel para um buda. Um buda n\u00e3o \u00e9 parcial. A natureza de sua mente \u00e9 basicamente vazia, n\u00e3o \u00e9 pura nem impura. Est\u00e1 livre de pr\u00e1tica e realiza\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 livre de causa e efeito.<\/p>\n<p>Um buda n\u00e3o observa preceitos. Um buda n\u00e3o faz bem ou mal. Um buda n\u00e3o \u00e9 ativo nem pregui\u00e7oso. Um buda \u00e9 algu\u00e9m que nada faz, algu\u00e9m que n\u00e3o pode sequer focalizar sua mente num buda. Um buda n\u00e3o \u00e9 um buda. N\u00e3o pense em budas. Se voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea o que estou falando, nunca conhecer\u00e1 sua pr\u00f3pria mente.<\/p>\n<p>As pessoas que n\u00e3o v\u00eaem sua pr\u00f3pria natureza e imaginam que podem praticar irrefletidamente todo o tempo s\u00e3o mentirosas e tolas, a ponto de cair no espa\u00e7o infinito. S\u00e3o como b\u00eabados. N\u00e3o podem distinguir o bem e o mal. Se voc\u00ea pretende cultivar tal pr\u00e1tica, tem que ver sua pr\u00f3pria natureza antes de acabar com o pensamento racional. Atingir a ilumina\u00e7\u00e3o sem ver sua pr\u00f3pria natureza \u00e9 imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>E existem outros que cometem todo tipo de m\u00e1s a\u00e7\u00f5es, proclamando que o <i>carma<\/i> n\u00e3o existe. Erroneamente mant\u00eam que, como tudo \u00e9 vazio, cometer o mal n\u00e3o \u00e9 errado. Tais pessoas caem num inferno de escurid\u00e3o sem fim sem esperan\u00e7a de libera\u00e7\u00e3o. Os s\u00e1bios n\u00e3o mant\u00eam tal concep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><i>Por\u00e9m, se todos os nossos movimentos ou estados, sempre que ocorrem, s\u00e3o a mente, por que n\u00e3o vemos essa mente quando morre o corpo da pessoa?<\/i><\/p>\n<p>A mente est\u00e1 sempre presente. O que ocorre \u00e9 que voc\u00ea simplesmente n\u00e3o a v\u00ea.<\/p>\n<p><i>Mas se a mente est\u00e1 sempre presente, por que n\u00e3o a vejo?<\/i><\/p>\n<p>Voc\u00ea sonha?<\/p>\n<p><i>\u00c9 claro<\/i><\/p>\n<p>Quando sonha, \u00e9 voc\u00ea?<\/p>\n<p><i>\u00a0Sim, sou eu. <\/i><\/p>\n<p>E o que voc\u00ea faz ou diz \u00e9 diferente de voc\u00ea?<\/p>\n<p><i>\u00a0N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i>Pois se n\u00e3o \u00e9, ent\u00e3o esse corpo \u00e9 seu corpo real. E esse corpo real \u00e9 sua mente. E esta mente nunca mudou, atrav\u00e9s de <i>kalpas<\/i> sem in\u00edcio nem fim. Nunca viveu ou morreu, nem apareceu ou desapareceu, nem aumentou ou diminuiu. N\u00e3o \u00e9 pura ou impura, boa ou m\u00e1, passada ou futura. N\u00e3o \u00e9 falsa ou verdadeira. N\u00e3o \u00e9 masculina ou feminina. N\u00e3o aparece como monge ou leigo, nem novi\u00e7o ou superior, um s\u00e1bio ou ignorante, um buda ou mortal. N\u00e3o se empenha por realiza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o sofre <i>carma<\/i>. N\u00e3o tem for\u00e7a ou forma. \u00c9 como o espa\u00e7o. Voc\u00ea n\u00e3o pode possu\u00ed-lo e tampouco perd\u00ea-lo. Seus movimentos n\u00e3o podem ser detidos por montanhas, rios ou muros de pedras. Seu perp\u00e9tuo poder penetra a Montanha dos Cinco <i>Skandas<sup>(28)<\/sup><\/i> e cruza o Rio do <i>Samsara<sup>(29)<\/sup>.<\/i> Nenhum <i>carma<\/i> pode restringir esse corpo verdadeiro. Por\u00e9m \u00e9 uma mente sutil e dif\u00edcil de perceber. N\u00e3o \u00e9 igual \u00e0 mente sensual. Todos querem ver essa mente, e aqueles que movem suas m\u00e3os e p\u00e9s devido a sua luz s\u00e3o tantos como os gr\u00e3os de areia do Ganges, mas quando voc\u00ea lhes pergunta eles n\u00e3o podem explicar. S\u00e3o como marionetes. Por que n\u00e3o a v\u00eam?<\/p>\n<p>O Buda disse que as pessoas vivem iludidas. \u00c9 porque quando agem, caem no Rio do Renascimento Sem fim. E quando tentam sair s\u00f3 afundam nele mais profundamente. E tudo isso porque n\u00e3o v\u00eaem sua pr\u00f3pria natureza. Se as pessoas n\u00e3o estivessem iludidas, por que perguntariam sobre algo bem diante delas? Nenhuma delas entende o movimento de suas m\u00e3os e p\u00e9s. Buda n\u00e3o estava errado. As pessoas iludidas n\u00e3o sabem quem s\u00e3o. Algo t\u00e3o dif\u00edcil de perceber s\u00f3 \u00e9 conhecido por um Buda e ningu\u00e9m mais. Somente um s\u00e1bio conhece essa mente, essa mente chamada natureza do <i>dharma<\/i>, essa mente chamada libera\u00e7\u00e3o. Vida e morte n\u00e3o podem restringir essa mente, nada pode. Ela \u00e9 tamb\u00e9m chamada o <i>Tathagata<sup>(30)<\/sup><\/i>o Imortal, o Incompreens\u00edvel, o Grande S\u00e1bio, o Que N\u00e3o Pode Ser Detido. Seus nomes variam, mas n\u00e3o sua ess\u00eancia. Os budas mudam tamb\u00e9m, mas ningu\u00e9m deixa sua pr\u00f3pria mente.<\/p>\n<p>A capacidade da mente \u00e9 ilimitada, e suas manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o inesgot\u00e1veis. Ver formas com os olhos, ouvir sons com os ouvidos, sentir odores com o nariz, sentir sabores com l\u00edngua, cada movimento ou estado \u00e9 sua mente. A cada momento, l\u00e1 onde a linguagem n\u00e3o pode ir, essa \u00e9 sua mente.<\/p>\n<p>Dizem os <i>sutras<\/i>: \u201cAs formas de um <i>Tathagata<\/i> s\u00e3o ilimitadas, e assim tamb\u00e9m \u00e9 sua consci\u00eancia\u201d. A variedade ilimitada das formas \u00e9 devida \u00e0 mente. Sua habilidade para distinguir coisas, qualquer que seja seu movimento ou estado, \u00e9 a consci\u00eancia da mente. Por\u00e9m a mente n\u00e3o tem forma e sua consci\u00eancia n\u00e3o tem limite. Portanto diz-se: \u201cas formas de um <i>Tathagata<\/i> s\u00e3o ilimitadas. E assim tamb\u00e9m \u00e9 sua consci\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>O corpo material em quatro elementos<sup>(31)<\/sup> \u00e9 um problema. Um corpo material est\u00e1 sujeito a renascimento e morte. Mas o corpo real <i>(Dharmakaya vacuidade)<\/i> existe sem existir, pois o corpo real do <i>Tathagata<\/i> nunca muda. Os <i>sutras<\/i> dizem: \u201cAs pessoas devem compreender que a natureza b\u00fadica \u00e9 algo que sempre tiveram\u201d. Kashyapa<sup>(32)<\/sup> apenas percebeu sua pr\u00f3pria natureza.<\/p>\n<p>Nossa pr\u00f3pria natureza \u00e9 a mente. E a mente \u00e9 nossa pr\u00f3pria natureza. Essa natureza \u00e9 a mesma que a mente de todos os budas. Budas do passado e do futuro somente transmitem esta mente. Al\u00e9m desta mente n\u00e3o h\u00e1 buda. Mas as pessoas iludidas n\u00e3o percebem que sua pr\u00f3pria mente \u00e9 o Buda e continuam procurando fora delas. Nunca param de invocar ou venerar budas e imaginar onde est\u00e1 o Buda. N\u00e3o se entregue a tais ilus\u00f5es. Simplesmente conhe\u00e7a sua mente. Al\u00e9m da sua mente n\u00e3o h\u00e1 outro Buda. Dizem os <i>sutras:<\/i> \u201cTudo que tem forma \u00e9 ilus\u00e3o\u201d. Eles tamb\u00e9m dizem: \u201cEsteja onde estiver, ali h\u00e1 um Buda\u201d. Sua mente \u00e9 o Buda. N\u00e3o use um buda para venerar um buda.<\/p>\n<p>Mesmo que repentinamente um buda ou <i>bodhisattva<sup>(33)<\/sup><\/i> aparecesse diante de voc\u00ea n\u00e3o h\u00e1 necessidade de reverenci\u00e1-lo. Nossa mente \u00e9 vazia e n\u00e3o cont\u00e9m essas formas. Aqueles que se apegam \u00e0s apar\u00eancias s\u00e3o dem\u00f4nios e desviam-se do caminho. Por que venerar ilus\u00f5es nascidas da mente? Os que veneram n\u00e3o sabem, e os que sabem n\u00e3o veneram. Ao venerar voc\u00ea cai sob a influ\u00eancia dos dem\u00f4nios. Aviso-o porqu\u00ea temo que voc\u00ea n\u00e3o esteja consciente disso. A natureza essencial de um buda n\u00e3o tem forma. Levando isso em conta, mesmo que algo diferente apare\u00e7a, n\u00e3o o agarre, e n\u00e3o o tema, e n\u00e3o duvide que a sua mente \u00e9 basicamente pura. Onde ent\u00e3o haveria lugar para isso? Tampouco tema nem respeite o aparecimento de esp\u00edritos, dem\u00f4nios ou seres divinos<sup>(34)<\/sup>. Sua mente \u00e9 essencialmente vazia. Todas as apar\u00eancias s\u00e3o ilus\u00f3rias. N\u00e3o se apegue \u00e0s apar\u00eancias.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea vir um buda, <i>dharma<\/i> ou <i>bodhisattva<sup>(35)<\/sup><\/i> e prestar-lhes respeito, relega-se ao reino dos\u00a0 mortais. Se voc\u00ea busca a compreens\u00e3o direta, n\u00e3o se apegue seja qual for a apar\u00eancia e voc\u00ea ter\u00e1 \u00eaxito. N\u00e3o tenho mais conselhos a dar. Dizem os <i>sutras<\/i>: \u201cTodas as apar\u00eancias s\u00e3o ilus\u00f3rias\u201d. N\u00e3o t\u00eam exist\u00eancia pr\u00f3pria, nem forma constante. S\u00e3o impermanentes. N\u00e3o se agarre \u00e0s apar\u00eancias e voc\u00ea ser\u00e1 uma \u00fanica mente com Buda. Dizem os <i>sutras<\/i>: \u201cO Buda \u00e9 aquele que est\u00e1 livre de todas as formas\u201d.<\/p>\n<p><i>Mas, por que n\u00e3o devemos venerar os budas e bodhisattvas?<\/i><\/p>\n<p>Os dem\u00f4nios t\u00eam o poder de se manifestar. Eles podem tomar a forma de <i>bodhisattvas<\/i> com todos os tipos de disfarces. Mas s\u00e3o falsos. Nenhum deles \u00e9 Buda. O Buda \u00e9 sua pr\u00f3pria mente. N\u00e3o desvie sua venera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><i>Budha<\/i> \u00e9 uma palavra s\u00e2nscrita que significa <i>o<\/i> <i>desperto,<\/i> <i>miraculosamente desperto.<\/i> Responder, perceber, arquear as sobrancelhas, piscar os olhos, mover as m\u00e3os e p\u00e9s, tudo \u00e9 sua natureza miraculosamente desperta. E essa natureza \u00e9 a mente. E a mente \u00e9 o Buda. E o Buda \u00e9 o Caminho. E o Caminho \u00e9 <i>Zen<sup>(36)<\/sup>.<\/i> Mas a palavra <i>zen<\/i> \u00e9 um quebra-cabe\u00e7as tanto para idiotas como para s\u00e1bios. Ver sua natureza \u00e9 zen. A menos que voc\u00ea veja sua natureza, n\u00e3o \u00e9 <i>zen.<\/i><\/p>\n<p>Mesmo que voc\u00ea possa explicar milhares de <i>sutras<\/i> e <i>shastras<sup>(37)<\/sup>,<\/i> se voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea sua pr\u00f3pria natureza seu ensinamento \u00e9 o de um mortal, n\u00e3o de um Buda. O verdadeiro Caminho \u00e9 sublime. N\u00e3o pode ser expresso atrav\u00e9s da linguagem. Para que servem as escrituras? Mas algu\u00e9m que veja sua pr\u00f3pria natureza acha o Caminho, mesmo que n\u00e3o possa ler uma \u00fanica palavra. Algu\u00e9m que veja sua natureza \u00e9 um Buda. E, como o corpo de um Buda \u00e9 intrinsecamente puro e sem m\u00e1cula e tudo que ele diz \u00e9 uma express\u00e3o de sua mente, que \u00e9 basicamente vazio, um Buda n\u00e3o pode ser encontrado em palavras ou em qualquer lugar do C\u00e2none Desdobrado em Doze.<\/p>\n<p>O Caminho \u00e9 basicamente perfeito. N\u00e3o precisa ser aperfei\u00e7oado. O Caminho n\u00e3o tem forma nem som. \u00c9 sutil e dif\u00edcil de perceber. \u00c9 como quando se bebe \u00e1gua: voc\u00ea sabe qu\u00e3o quente ou fria est\u00e1, mas voc\u00ea n\u00e3o pode explicar aos outros. Da\u00ed que somente um <i>Tathagata<\/i> sabe que homens e deuses permanecem inconscientes. A consci\u00eancia dos mortais \u00e9 superficial. Enquanto permanecem apegados \u00e0s apar\u00eancias, n\u00e3o est\u00e3o conscientes de que suas mentes s\u00e3o vazias. E ao apegarem-se erradamente \u00e0s apar\u00eancias das coisas perdem o Caminho.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea sabe que tudo prov\u00e9m da mente, n\u00e3o se apegue. Uma vez apegado, voc\u00ea fica inconsciente. Mas, quando voc\u00ea v\u00ea sua pr\u00f3pria natureza, o C\u00e2none n\u00e3o \u00e9 mais que tagarelice. Seus milhares de <i>sutras<\/i> e <i>shastras <\/i>apenas apontam para uma mente clara. A compreens\u00e3o acontece entre linhas. Para que servem as doutrinas?<\/p>\n<p>A Verdade essencial est\u00e1 al\u00e9m das palavras. As doutrinas s\u00e3o palavras, n\u00e3o s\u00e3o o Caminho. O Caminho \u00e9 sem palavras. As palavras s\u00e3o ilus\u00f5es. N\u00e3o s\u00e3o diferentes das coisas que aparecem em seus sonhos \u00e0 noite, sejam pal\u00e1cios ou carruagens, parques sombreados ou pavilh\u00f5es junto ao lago. N\u00e3o se deleite por tais coisas. Elas s\u00e3o todas fontes de renascimento. Lembre disso quando aproximar-se da morte. A menor hesita\u00e7\u00e3o e voc\u00ea estar\u00e1 sob o julgo dos dem\u00f4nios. N\u00e3o se apegue \u00e0s apar\u00eancias e voc\u00ea vencer\u00e1 todos os obst\u00e1culos. Seu corpo verdadeiro \u00e9 puro e impenetr\u00e1vel. Mas devido \u00e0s ilus\u00f5es voc\u00ea n\u00e3o percebe isso e, portanto voc\u00ea sofre <i>carma<\/i> em v\u00e3o. Onde quer que voc\u00ea ache prazer, encontrar\u00e1 escravid\u00e3o, mas uma vez que voc\u00ea desperte seu corpo e mente<sup>(38)<\/sup> originais, voc\u00ea n\u00e3o ser\u00e1 mais dirigido por apegos.<\/p>\n<p>Todos que abandonam o transcendente pelo mundano, em qualquer de suas in\u00fameras formas, \u00e9 um mortal. Um Buda \u00e9 algu\u00e9m que encontra liberdade na boa e na m\u00e1 fortuna. Seu poder \u00e9 tal que o <i>carma<\/i> n\u00e3o pode det\u00ea-lo. N\u00e3o importa que tipo de <i>carma <\/i>seja, um Buda transforma-o. C\u00e9u e inferno<sup>(39)<\/sup> n\u00e3o significam nada para ele. Mas a consci\u00eancia de um mortal \u00e9 confusa comparada com a de um Buda, que penetra tudo, por dentro e por fora.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea n\u00e3o tiver certeza, n\u00e3o fa\u00e7a nada. Uma vez que voc\u00ea atue vaguear\u00e1 pelo nascimento e morte e o remorso, sem encontrar ref\u00fagio. A pobreza e as dificuldades s\u00e3o cria\u00e7\u00f5es do pensamento ilus\u00f3rio. Para entender essa mente voc\u00ea deve agir sem agir. Somente ent\u00e3o ver\u00e1 as coisas pela perspectiva de um <i>Tathagata<\/i>.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, no in\u00edcio quando aventurar-se pelo Caminho, sua consci\u00eancia n\u00e3o ter\u00e1 foco. Provavelmente voc\u00ea ver\u00e1 toda sorte de cenas estranhas, como em sonhos. Mas n\u00e3o dever\u00e1 duvidar de que tais cenas prov\u00eam de sua pr\u00f3pria mente, e de nenhum outro lugar.<\/p>\n<p><b><i>Se, como num sonho, voc\u00ea vir uma luz mais brilhante que o Sol, seus apegos remanescentes subitamente cessar\u00e3o e a natureza da realidade ser\u00e1 revelada. Tal ocorr\u00eancia serve como base para a ilumina\u00e7\u00e3o, por\u00e9m isso \u00e9 algo que somente voc\u00ea conhece. N\u00e3o poder\u00e1 explicar aos outros.<\/i><\/b><\/p>\n<p><b><i>Ou, se enquanto estiver caminhando, em p\u00e9 ou sentado ou ent\u00e3o deitado em um lugar tranq\u00fcilo, voc\u00ea vir uma luz, seja brilhante ou t\u00eanue, n\u00e3o conte aos outros e n\u00e3o se concentre nisso. \u00c9 a luz de sua pr\u00f3pria natureza.<\/i><\/b><\/p>\n<p><b><i>Ou, se enquanto estiver caminhando, em p\u00e9 ou sentado ou ainda deitado na serenidade e na obscuridade da noite, tudo ficar como se fosse dia, n\u00e3o se espante. \u00c9 sua pr\u00f3pria mente a ponto de revelar-se a si mesma. <\/i><\/b><\/p>\n<p><b><i>Ou, se enquanto voc\u00ea sonha \u00e0 noite, vir a Lua e as estrelas em toda sua claridade, isso significa que os trabalhos de sua mente est\u00e3o perto de terminar. Mas n\u00e3o comente com os outros. E se os seus sonhos n\u00e3o forem claros, como se voc\u00ea estivesse caminhando na escurid\u00e3o, \u00e9 porque sua mente est\u00e1 obscurecida por preocupa\u00e7\u00f5es. Isso tamb\u00e9m \u00e9 algo que apenas voc\u00ea deve saber.<\/i><\/b><\/p>\n<p><b><i>Se voc\u00ea realizar a sua pr\u00f3pria natureza, n\u00e3o precisar\u00e1 ler sutras ou invocar budas. A erudi\u00e7\u00e3o e os conhecimentos n\u00e3o somente s\u00e3o in\u00fateis, mas tamb\u00e9m turvam sua consci\u00eancia. As doutrinas s\u00f3 servem para apontar a mente. Uma vez que voc\u00ea viu sua mente, para que prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s doutrinas?<\/i><\/b><\/p>\n<p>Para ir de mortal a Buda, voc\u00ea tem que eliminar o <i>carma<\/i>, educar a consci\u00eancia e aceitar o que traz a vida. Se voc\u00ea est\u00e1 sempre se irritando vai colocar sua natureza contra o Caminho. N\u00e3o h\u00e1 vantagem alguma no auto-engano. Os budas movem-se livremente atrav\u00e9s do nascimento e morte, aparecendo e desaparecendo \u00e0 vontade. O <i>carma<\/i> n\u00e3o tem poder sobre eles, nem os dem\u00f4nios.<\/p>\n<p>Quando os mortais v\u00eaem sua pr\u00f3pria natureza, cessam todos os apegos. A consci\u00eancia deixa de esconder-se. Voc\u00ea pode encontr\u00e1-la agora mesmo. Somente agora. Se realmente quer encontrar o Caminho, n\u00e3o se apegue a nada. Uma vez que voc\u00ea termina com o <i>carma<\/i> e educa a consci\u00eancia, cessar\u00e1 qualquer apego restante. A compreens\u00e3o vir\u00e1 naturalmente. Voc\u00ea n\u00e3o tem que fazer esfor\u00e7o algum. Mas os fan\u00e1ticos<sup>(40)<\/sup> n\u00e3o compreendem o que o Buda queria dizer. Quanto mais se esfor\u00e7am, mais se afastam da compreens\u00e3o do S\u00e1bio. Durante todo o dia n\u00e3o deixam de invocar budas e ler os sutras. Por\u00e9m continuam sem ver sua pr\u00f3pria natureza essencial e n\u00e3o escapam da Roda.<\/p>\n<p>Um Buda \u00e9 uma pessoa despreocupada. N\u00e3o vai por a\u00ed perseguindo fama e fortuna. No fim, para que servem tais coisas? As pessoas que n\u00e3o v\u00eaem sua pr\u00f3pria natureza e pensam que o <i>Dharma<\/i> \u00e9 ler sutras, invocar budas, estudar muito, praticar de manh\u00e3 \u00e0 noite, sem descansar, ou adquirindo conhecimentos, blasfemam contra o <i>Dharma<\/i>. Os budas do passado e do futuro falam somente de ver sua pr\u00f3pria natureza. Todas as pr\u00e1ticas s\u00e3o impermanentes. A menos que tenham visto sua pr\u00f3pria natureza, as pessoas que dizem ter atingido a completa e insuper\u00e1vel ilumina\u00e7\u00e3o<sup>(41)<\/sup> s\u00e3o mentirosas.<\/p>\n<p>Dentre os dez maiores disc\u00edpulos de Shakyamuni<sup>(42)<\/sup>, Ananda<sup>(43)<\/sup> sobressa\u00eda no estudo. Mas n\u00e3o compreendia o Buda. Tudo que fez foi estudar e memorizar. Os <i>arhats<sup>(44)<\/sup><\/i> n\u00e3o compreendem Buda. Tudo que eles sabem s\u00e3o muitas pr\u00e1ticas para a percep\u00e7\u00e3o e ficam presos na armadilha da causa e efeito. Tal \u00e9 o <i>carma<\/i> de um mortal: sem escapar do nascimento e morte. Fazendo o oposto do que ele prop\u00f4s essas pessoas blasfemam<sup>(45)<\/sup> Buda. [&#8230;]<\/p>\n<p>A menos que voc\u00ea veja sua pr\u00f3pria natureza, voc\u00ea n\u00e3o deve circular criticando a bondade alheia. N\u00e3o h\u00e1 vantagem em iludir-se. O bem e o mal s\u00e3o distintos. Causa e efeito s\u00e3o claros. C\u00e9u e inferno est\u00e3o bem diante de seus olhos. Mas os ignorantes n\u00e3o acreditam e v\u00e3o direto ao inferno de escurid\u00e3o infinita sem sequer sab\u00ea-lo. O que impede que acreditem \u00e9 a for\u00e7a do seu <i>carma<\/i>. S\u00e3o como cegos que n\u00e3o acreditam que haja algo como a luz. Mesmo que se explique isso para eles, seguir\u00e3o sem acreditar, porque est\u00e3o cegos. Como poderiam perceber a luz?<\/p>\n<p>O mesmo acontece com os n\u00e9scios, que acabam caindo nas ordens mais baixas da exist\u00eancia<sup>(46)<\/sup> ou dentre os pobres e desprezados. N\u00e3o podem viver e n\u00e3o podem morrer. E apesar de seus sofrimentos, se lhes pergunta, dizem que s\u00e3o felizes como deuses. Todos os mortais, mesmo aqueles que se pensam bem-nascidos, s\u00e3o inconscientes de tudo isso. Devido \u00e0 for\u00e7a de seu <i>carma<\/i> tais tolos n\u00e3o podem acreditar nem liberar-se.<\/p>\n<p>As pessoas que v\u00eaem que suas mentes s\u00e3o o Buda n\u00e3o necessitam raspar a cabe\u00e7a<sup>(47)<\/sup>. Os leigos s\u00e3o budas tamb\u00e9m. A menos que vejam sua pr\u00f3pria natureza, as pessoas que raspam a cabe\u00e7a s\u00e3o somente fan\u00e1ticas.<\/p>\n<p><i>Mas, se os leigos n\u00e3o abandonam o sexo, como podem converter-se em budas?<\/i><\/p>\n<p>Eu falo somente sobre ver sua pr\u00f3pria natureza. N\u00e3o estou falando sobre sexo, simplesmente digo que voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea sua pr\u00f3pria natureza. Uma vez que voc\u00ea veja sua pr\u00f3pria natureza, o sexo \u00e9 basicamente imaterial. Acaba junto com o prazer que voc\u00ea encontra nele. Mesmo que alguns h\u00e1bitos permane\u00e7am, eles n\u00e3o podem lhe causar dano, pois sua natureza \u00e9 essencialmente pura. Apesar de habitar um corpo imaterial de quatro elementos, sua natureza \u00e9 basicamente pura. N\u00e3o pode corromper-se. Seu corpo verdadeiro carece de sensa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 com fome ou sede, nem calor ou frio, nem doen\u00e7a, amor ou apego, nem prazer ou dor, nem bem ou mal, nem muito nem pouco, nem fraqueza nem for\u00e7a. Na realidade, n\u00e3o h\u00e1 nada. Somente porque voc\u00ea se apega a esse corpo material que coisas como fome e sede, calor e frio e doen\u00e7as aparecem.<\/p>\n<p>Uma vez que deixe de apegar-se e deixe que as coisas sejam voc\u00ea ser\u00e1 livre, mesmo do nascimento e morte. Voc\u00ea transformar\u00e1 tudo. Possuir\u00e1 poderes espirituais <sup>(48)<\/sup> que n\u00e3o podem ser obstru\u00eddos. E estar\u00e1 em paz onde quer que esteja. Se duvidar disso nunca poder\u00e1 perceb\u00ea-lo e o melhor \u00e9 n\u00e3o fazer nada. Uma vez que aja, voc\u00ea n\u00e3o pode evitar o ciclo de nascimento e morte. Mas uma vez que veja sua pr\u00f3pria natureza, voc\u00ea \u00e9 um Buda mesmo que trabalhe como a\u00e7ougueiro.<\/p>\n<p><i>Mas os a\u00e7ougueiros criam carma matando animais, como podem ser budas?<\/i><\/p>\n<p>Estou falando somente em ver sua pr\u00f3pria natureza, n\u00e3o sobre criar <i>carma<\/i>. Apesar do que fa\u00e7amos, nosso <i>carma<\/i> n\u00e3o nos possui. Por <i>kalpas<\/i> intermin\u00e1veis, \u00e9 somente porque as pessoas n\u00e3o v\u00eaem sua pr\u00f3pria natureza que terminam no inferno. Uma vez que uma pessoa cria <i>carma<\/i>, continua nascendo e morrendo. Mas, quando a pessoa realiza sua natureza original, p\u00e1ra de criar <i>carma<\/i>. Se ela n\u00e3o v\u00ea sua pr\u00f3pria natureza, invocar budas n\u00e3o vai liber\u00e1-la de seu <i>carma<\/i>, apesar de ser ou n\u00e3o um a\u00e7ougueiro. Mas uma vez que veja sua natureza essencial todas as d\u00favidas desaparecem. Mesmo o <i>carma<\/i> de um a\u00e7ougueiro n\u00e3o teria efeito sobre essa pessoa.<\/p>\n<p>Na \u00cdndia, os 27 patriarcas<sup>(49)<\/sup> somente transmitiram o selo<sup>(50)<\/sup> da mente. E a \u00fanica raz\u00e3o pela qual vim \u00e0 China foi para transmitir o ensinamento instant\u00e2neo do <i>Mahayana<sup>(51)<\/sup><\/i>: <b><i>Esta mente \u00e9 o buda<\/i><\/b>. N\u00e3o falo de preceitos, devo\u00e7\u00f5es ou pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas tais como mergulhar em \u00e1gua e andar no fogo, pisar em facas, comer uma refei\u00e7\u00e3o por dia ou nunca deitar. Esses s\u00e3o ensinamentos fan\u00e1ticos e provis\u00f3rios. Ao \u00a0reconhecer sua assombrosa e miraculosa natureza desperta, ser\u00e1 sua a mente de todos os budas. Budas do passado e do futuro somente falam sobre transmitir a mente. Isso \u00e9 o que ensinam. Se algu\u00e9m, mesmo que seja analfabeto, compreender esse ensinamento, \u00e9 um Buda. Se voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea a sua pr\u00f3pria natureza milagrosamente desperta, nunca ver\u00e1 um Buda, mesmo que rompa seu corpo em \u00e1tomos<sup>(52)<\/sup>.<\/p>\n<p>O Buda \u00e9 o seu corpo verdadeiro <i>[Dharmakaya]<\/i>, sua mente original. Essa mente n\u00e3o tem forma ou caracter\u00edsticas, n\u00e3o tem causa ou efeito, tend\u00f5es ou ossos. \u00c9 como o espa\u00e7o. Voc\u00ea n\u00e3o pode agarr\u00e1-la. N\u00e3o \u00e9 a mente de materialistas ou niilistas. S\u00f3 um <i>Tathagata<\/i>, e ningu\u00e9m mais \u2013 nem mortais, nem seres ignorantes \u2013 poder\u00e3o penetr\u00e1-la.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, essa mente n\u00e3o est\u00e1 em algum lugar fora do corpo material de quatro elementos. Sem essa mente n\u00e3o podemos nos mover. O corpo n\u00e3o tem consci\u00eancia. Como uma planta ou pedra, o corpo n\u00e3o tem natureza. Ent\u00e3o, como se move? \u00c9 a mente que se move.<\/p>\n<p>A linguagem e o comportamento, a percep\u00e7\u00e3o e a conceitua\u00e7\u00e3o todas s\u00e3o fun\u00e7\u00f5es da assombrosa mente. Todo movimento \u00e9 movimento da mente. O movimento \u00e9 sua fun\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 mente separada do movimento, e n\u00e3o h\u00e1 movimento separado da mente. Mas o movimento n\u00e3o \u00e9 mente e a mente n\u00e3o \u00e9 movimento. O movimento basicamente carece de mente. E a mente \u00e9 basicamente im\u00f3vel. Mas o movimento n\u00e3o existe sem a mente e a mente n\u00e3o existe sem o movimento. N\u00e3o h\u00e1 mente que exista separada do movimento e n\u00e3o h\u00e1 movimento separado da mente. O movimento \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o da mente, e sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 seu movimento. E ainda assim, a mente nem se move nem funciona, porque a ess\u00eancia de seu funcionamento \u00e9 a vacuidade e a vacuidade \u00e9 essencialmente im\u00f3vel. O movimento \u00e9 o mesmo que a mente e a mente \u00e9 essencialmente im\u00f3vel.<\/p>\n<p>Por isso os <i>sutras<\/i> dizem para nos mover sem movimento, viajar sem viagens, ver sem vis\u00e3o, rir sem riso, ouvir sem ouvido, conhecer sem saber, ser feliz sem ser feliz, caminhar sem andar, parar sem deter-nos. E dizem os<i> sutras:<\/i> \u201cV\u00e1 al\u00e9m da linguagem. V\u00e1 al\u00e9m do pensamento\u201d. Basicamente, ver, ouvir e saber s\u00e3o completamente vazios. Seu \u00f3dio, alegria ou dor s\u00e3o os de uma marionete. Pode procurar, mas nada encontrar\u00e1.<\/p>\n<p>De acordo com os <i>sutras<\/i>, m\u00e1s a\u00e7\u00f5es resultam em dificuldades e boas a\u00e7\u00f5es resultam em b\u00ean\u00e7\u00e3os. Gente col\u00e9rica vai para o inferno e os bem-aventurados ao c\u00e9u. Mas uma vez que saiba que a natureza do \u00f3dio e da alegria \u00e9 vazia e as deixa ir, voc\u00ea se libera do <i>carma<\/i>. Se voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea sua pr\u00f3pria natureza, n\u00e3o adianta citar os <i>sutras<\/i>. Poderia continuar, mas este breve serm\u00e3o finaliza aqui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 align=\"center\"><strong>SERM\u00c3O DO DESPERTAR<\/strong><\/h3>\n<p>A ess\u00eancia do Caminho \u00e9 desapego. E o objetivo daqueles que praticam \u00e9 liberar-se das apar\u00eancias. Dizem os <i>sutras:<\/i> \u201cO desapego \u00e9 ilumina\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o se prende as apar\u00eancias\u201d. A buditude significa consci\u00eancia. Os mortais cujas mentes s\u00e3o conscientes alcan\u00e7am o Caminho da Ilumina\u00e7\u00e3o e s\u00e3o, portanto chamados budas. Dizem os <i>sutras:<\/i> <i>\u201cAqueles que se libertam de todas as apar\u00eancias s\u00e3o chamados de budas\u201d.<\/i> O aspecto da apar\u00eancia como n\u00e3o-apar\u00eancia n\u00e3o pode ser percebida visualmente, mas pode somente ser conhecida atrav\u00e9s da sabedoria. Quem quer que escute e acredite neste ensinamento embarcar\u00e1 no grande ve\u00edculo<sup>(53)<\/sup> e abandonar\u00e1 os tr\u00eas reinos.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas venenos s\u00e3o o desejo, o \u00f3dio e a ignor\u00e2ncia. Deixar os tr\u00eas venenos significa ir do desejo, raiva e ignor\u00e2ncia de volta \u00e0 moralidade, medita\u00e7\u00e3o e sabedoria. O desejo, a raiva e a ignor\u00e2ncia n\u00e3o t\u00eam natureza pr\u00f3pria. Dependem dos mortais, e qualquer um capaz de refletir ver\u00e1 que a natureza do desejo, do \u00f3dio e da ignor\u00e2ncia \u00e9 a natureza b\u00fadica. Al\u00e9m do desejo, \u00f3dio e ignor\u00e2ncia n\u00e3o h\u00e1 sen\u00e3o a natureza de b\u00fadica. Dizem os <i>sutras:<\/i> <i>\u201cOs budas s\u00f3 se converteram em budas enquanto viviam com os tr\u00eas venenos alimentando-se do puro Dharma\u201d.<\/i> Os tr\u00eas venenos s\u00e3o o desejo, o \u00f3dio e a ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O grande ve\u00edculo \u00e9 o maior dos ve\u00edculos. \u00c9 o meio de transporte dos <i>bodhisattvas<\/i> que usam tudo sem usar nada e que viajam todo dia sem viajar. Tal \u00e9 o ve\u00edculo dos <i>bodhisattvas<\/i>. Dizem os <i>sutras: \u201cNenhum ve\u00edculo \u00e9 o ve\u00edculo dos budas\u201d.<\/i><\/p>\n<p>Quem compreender que os seis sentidos<sup>(54)<\/sup> n\u00e3o s\u00e3o reais, que os cinco agregados<sup>(55)<\/sup> s\u00e3o fic\u00e7\u00e3o, e que nenhum deles pode ser localizado em alguma parte do corpo, compreende a linguagem dos budas. Dizem os <i>sutras:<\/i> <i>\u201cA caverna dos cinco agregados \u00e9 o vest\u00edbulo do zen. A abertura do olho da mente \u00e9 a porta do Grande Ve\u00edculo\u201d<\/i>. N\u00e3o pode ser mais claro.<\/p>\n<p>N\u00e3o pensar em coisa alguma \u00e9 zen. Ao saber isso, caminhar, estar em p\u00e9, sentar-se ou deitar-se, tudo o que fizer \u00e9 zen. Saber que a mente \u00e9 vazia \u00e9 ver o Buda. Os budas das dez dire\u00e7\u00f5es<sup>(56)<\/sup> n\u00e3o t\u00eam mente. Ver a n\u00e3o-mente \u00e9 ver o Buda.<\/p>\n<p>Desistir de si mesmo sem pesar \u00e9 a maior compaix\u00e3o. Transcender movimento e imobilidade \u00e9<i> <\/i>a maior medita\u00e7\u00e3o. Os mortais permanecem em movimento, e os <i>arhats<\/i><sup>(57)<\/sup> permanecem im\u00f3veis. Por\u00e9m a mais elevada das medita\u00e7\u00f5es transcende tanto a dos mortais como a dos arhats<i>.<\/i> Aqueles que alcan\u00e7aram tal compreens\u00e3o liberam-se de todas as apar\u00eancias sem esfor\u00e7o e curam qualquer enfermidade sem tratamento. Tal \u00e9 o poder do grande zen.<\/p>\n<p>Usar a mente para procurar a realidade \u00e9 ignor\u00e2ncia. N\u00e3o usar a mente para buscar a realidade \u00e9 conhecimento. Libertar-se das palavras \u00e9 libera\u00e7\u00e3o. Permanecer sem m\u00e1culas do p\u00f3 da sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 permanecer no <i>Dharma<\/i>. Transcender vida e morte \u00e9 abandonar o lar<sup>(58)<\/sup>. N\u00e3o sofrer outra exist\u00eancia \u00e9 alcan\u00e7ar o Caminho. N\u00e3o criar ignor\u00e2ncia \u00e9 ilumina\u00e7\u00e3o. N\u00e3o agarra-se \u00e0 ignor\u00e2ncia \u00e9 sabedoria. Nenhuma afli\u00e7\u00e3o \u00e9 <i>nirvana<\/i>. E o n\u00e3o surgimento da mente (conceitual) \u00e9 a outra margem.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea \u00e9 ignorante, esta margem existe. Quando voc\u00ea desperta, ela deixa de existir<i>.<\/i> Os mortais permanecem nesta margem, mas aqueles que descobrem o maior de todos os ve\u00edculos n\u00e3o ficam nem nesta margem nem na outra margem. S\u00e3o capazes de viver em ambas as margens. Aqueles que v\u00eaem a outra margem como diferente desta n\u00e3o compreendem o zen.<\/p>\n<p>A ignor\u00e2ncia significa mortalidade. E o conhecimento significa buditude. N\u00e3o s\u00e3o iguais e tampouco s\u00e3o diferentes. Por\u00e9m as pessoas distinguem a ignor\u00e2ncia do conhecimento.<b> <\/b>Quando somos ignorantes h\u00e1 um mundo do qual escapar. Quando somos conscientes, n\u00e3o h\u00e1 nada do que escapar.<\/p>\n<p>\u00c0 luz do <i>Dharma<\/i> imparcial, os mortais n\u00e3o s\u00e3o diferentes dos s\u00e1bios. Os <i>sutras<\/i> dizem que o <i>Dharma<\/i> imparcial \u00e9 algo que os mortais n\u00e3o podem penetrar nem os s\u00e1bios praticar. O <i>Dharma<\/i> imparcial somente \u00e9 praticado por grandes <i>budas <\/i>e<i> bodhisattvas<\/i>. Ver a morte como diferente da vida ou o movimento como diferente da imobilidade \u00e9 ser parcial. Ser imparcial significa ver o sofrimento como n\u00e3o diferente do <i>nirvana<\/i>, pois a natureza de ambos \u00e9 o vazio. Imaginando que acabar\u00e3o com o sofrimento e entrar\u00e3o no <i>nirvana,<\/i> os <i>arhats<\/i> acabam presos na armadilha do <i>nirvana<\/i>. Por\u00e9m os <i>bodhisattvas<\/i> sabem que o sofrimento \u00e9 essencialmente vazio e permanecendo no vazio eles permanecem no <i>nirvana<\/i>. O <i>nirvana<\/i> significa nem nascimento e nem morte. Est\u00e1 al\u00e9m de nascimento e morte e al\u00e9m do <i>nirvana<\/i>. Quando a mente p\u00e1ra de mover-se ela entra no <i>nirvana<\/i>. <i>Nirvana<\/i> \u00e9 uma mente vazia. Quando n\u00e3o existe a ignor\u00e2ncia, os budas alcan\u00e7am o <i>nirvana<\/i>. Quando n\u00e3o existem afli\u00e7\u00f5es, os <i>bodhisattvas<\/i> entram no lugar da ilumina\u00e7\u00e3o<sup>(59).<\/sup><\/p>\n<p>Um lugar desabitado<sup>(60)<\/sup> \u00e9 aquele sem desejo, \u00f3dio ou ignor\u00e2ncia. A avidez \u00e9 o <i>reino do desejo<\/i>, o \u00f3dio \u00e9 o <i>reino da forma<\/i> e a ignor\u00e2ncia o <i>reino sem forma<\/i>. Quando um pensamento come\u00e7a, voc\u00ea entra nos tr\u00eas reinos. Quando um pensamento termina, voc\u00ea deixa os tr\u00eas reinos. O princ\u00edpio ou fim dos tr\u00eas reinos, a exist\u00eancia ou n\u00e3o exist\u00eancia de tudo, depende da mente. Isto se aplica a tudo, mesmo aos objetos inanimados como pau e pedra.<\/p>\n<p>Quem souber que a mente \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o e est\u00e1 vazia de algo real, sabe que sua pr\u00f3pria mente nem existe nem n\u00e3o existe. Os mortais seguem criando a mente, proclamando que existe. Os <i>arhats<\/i> seguem negando a mente, proclamando que n\u00e3o existe. Mas os <i>bodhisattvas<\/i> e budas nem criam nem negam a mente. Isso significa que a mente nem existe nem n\u00e3o existe. <i>A mente que nem existe nem n\u00e3o existe \u00e9 chamada Caminho do Meio<sup>(61)<\/sup>.<\/i><\/p>\n<p>Se voc\u00ea usa sua mente para estudar a realidade, voc\u00ea n\u00e3o vai entender nem sua mente nem a realidade. Se estudar a realidade sem usar sua mente, voc\u00ea entender\u00e1 ambas. Aqueles que n\u00e3o compreendem, n\u00e3o entendem o entendimento. Aqueles que compreendem, entendem o entendimento. As pessoas capazes de verdadeira vis\u00e3o <sup>(62)<\/sup> sabem que a mente \u00e9 vazia, transcendem tanto compreens\u00e3o \u00a0como n\u00e3o compreens\u00e3o. A aus\u00eancia de compreens\u00e3o e n\u00e3o compreens\u00e3o \u00e9 a verdadeira compreens\u00e3o<i>.<\/i><\/p>\n<p>Vista com a verdadeira vis\u00e3o, a forma n\u00e3o \u00e9 simplesmente forma, pois a forma depende da mente. E a mente n\u00e3o \u00e9 simplesmente mente, pois a mente depende da forma. Mente e forma criam e negam uma \u00e0 outra. O que existe o faz em rela\u00e7\u00e3o com o que n\u00e3o existe. E o que n\u00e3o existe, n\u00e3o existe em rela\u00e7\u00e3o ao que existe. Esta \u00e9 a verdadeira vis\u00e3o. Por meio de tal vis\u00e3o nada \u00e9 visto e nada \u00e9 n\u00e3o visto. Tal vis\u00e3o penetra as dez dire\u00e7\u00f5es sem ver: porque nada \u00e9 visto; porque n\u00e3o ver \u00e9 ver; porque ver \u00e9 n\u00e3o ver. O que os mortais v\u00eam s\u00e3o ilus\u00f5es. A verdadeira vis\u00e3o est\u00e1 al\u00e9m de ver.<\/p>\n<p>A mente e o mundo s\u00e3o opostos, e a vis\u00e3o nasce onde eles se encontram<i>.<\/i> Quando a mente n\u00e3o se agita interiormente, o mundo n\u00e3o aparece exteriormente. A verdadeira vis\u00e3o \u00e9 quando tanto o mundo como a mente s\u00e3o ambos transparentes. E essa vis\u00e3o \u00e9 a verdadeira vis\u00e3o. E tal compreens\u00e3o \u00e9 a verdadeira compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Nada ver \u00e9 perceber o Caminho, e nada compreender \u00e9 compreender o Dharma, pois ver n\u00e3o \u00e9 ver nem n\u00e3o ver e porque compreender n\u00e3o \u00e9 compreender nem n\u00e3o compreender. Ver sem ver \u00e9 verdadeira vis\u00e3o. Compreender sem compreender \u00e9 verdadeira compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>A verdadeira vis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 somente ver vendo, \u00e9 tamb\u00e9m ver sem ver. E a verdadeira compreens\u00e3o n\u00e3o \u00e9 somente compreender compreendendo, tamb\u00e9m \u00e9 compreender n\u00e3o compreendendo. Se compreendes tudo ent\u00e3o \u00e9 porque voc\u00ea n\u00e3o compreende. Somente quando voc\u00ea nada compreende \u00e9 a verdadeira compreens\u00e3o. Compreender \u00e9 nem compreender nem n\u00e3o compreender.<\/p>\n<p>Dizem os <i>sutras:<\/i> \u201cN\u00e3o abandonar a sabedoria \u00e9 estupidez\u201d. Quando a mente n\u00e3o existe, tanto compreender como n\u00e3o compreender s\u00e3o verdadeiros. Quando a mente existe, compreender e n\u00e3o compreender s\u00e3o\u00a0 falsos.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea compreende, a realidade depende de voc\u00ea. Quando voc\u00ea n\u00e3o compreende, voc\u00ea depende da realidade. Quando a realidade depende de voc\u00ea, o que n\u00e3o \u00e9 real torna-se real. Quando \u00e9 voc\u00ea que depende da realidade, o que \u00e9 real torna-se falso. Quando \u00e9 voc\u00ea que depende da realidade, o que \u00e9 real torna-se falso. \u00a0Quando voc\u00ea depende da realidade, tudo \u00e9 falso. Quando a realidade depende de voc\u00ea, tudo \u00e9 verdade. Assim, pois o s\u00e1bio n\u00e3o usa sua mente para buscar a realidade, ou a realidade para buscar sua mente, ou sua mente para buscar a mente, ou a realidade para buscar a realidade. Sua mente n\u00e3o faz aparecer a realidade. E a realidade n\u00e3o faz aparecer a sua mente. E porque ambas, sua mente e a realidade s\u00e3o im\u00f3veis, est\u00e1 sempre em <i>samadi <sup>(<\/sup><\/i><i><sup>63)<\/sup>.<\/i><\/p>\n<p>Quando aparece a mente mortal, desaparece a buditude. Quando desaparece a mente mortal, aparece a buditude. Quando a mente aparece, desaparece a realidade. Quando a mente desaparece, a realidade aparece. Quem souber que o vazio n\u00e3o depende de nada encontrou o Caminho. Quem souber que a mente de nada depende est\u00e1 sempre no local da ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea n\u00e3o compreende, est\u00e1 equivocado. Quando compreende, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 equivocado. \u00c9 assim porque a natureza do erro \u00e9 o vazio. Quando voc\u00ea n\u00e3o compreende, o certo parece equivocado. Quando voc\u00ea compreende, o equivocado n\u00e3o \u00e9 equivocado, pois o equivocado n\u00e3o existe. Dizem os <i>sutras:<\/i> <i>\u201cNada tem uma natureza pr\u00f3pria\u201d.<\/i> Aja. N\u00e3o fa\u00e7a perguntas. Quando voc\u00ea faz perguntas, voc\u00ea est\u00e1 errado. O erro \u00e9 resultado do questionar. Quando voc\u00ea alcan\u00e7a tal entendimento, as a\u00e7\u00f5es equivocadas de suas vidas passadas s\u00e3o varridas. Quando voc\u00ea vive na ignor\u00e2ncia, os seis sentidos e as cinco trevas<sup>(64)<\/sup> s\u00e3o causadoras do sofrimento e da mortalidade. Quando voc\u00ea desperta, os seis sentidos e as cinco trevas s\u00e3o os causadores do <i>nirvana<\/i> e da imortalidade.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m que busca o caminho n\u00e3o busca al\u00e9m de si-mesmo, pois sabe que a mente \u00e9 o Caminho. Mas quando busca a mente, n\u00e3o encontra nada. E quando encontra o Caminho, n\u00e3o encontra nada. Se voc\u00ea pensa que pode usar a mente para achar o Caminho, voc\u00ea est\u00e1 na ignor\u00e2ncia. Quando se vive na ignor\u00e2ncia, existe a buditude. Quando voc\u00ea est\u00e1 consciente, n\u00e3o existe tal coisa. \u00c9 assim porque a consci\u00eancia \u00e9 buditude<i>. <\/i><\/p>\n<p>Se voc\u00ea buscar o caminho, o caminho n\u00e3o aparecer\u00e1 at\u00e9 que seu corpo desapare\u00e7a. \u00c9 como descascar uma \u00e1rvore. Esse corpo <i>c\u00e1rmico<\/i> sofre mudan\u00e7as constantes. N\u00e3o h\u00e1 realidade fixa. Pratique de acordo com seus pensamentos. N\u00e3o odeie a vida e a morte e n\u00e3o ame a vida e a morte. Mant\u00e9m cada um de seus pensamentos livre da ignor\u00e2ncia e em vida presenciar\u00e1 o princ\u00edpio do <i>nirvana <sup>(65)<\/sup><\/i>, e na morte experimentar\u00e1 a garantia de n\u00e3o renascer <sup>(66)<\/sup>.<\/p>\n<p>Ver a forma, mas n\u00e3o ser corrompido pela forma e ouvir o som, mas n\u00e3o ser corrompido pelo som \u00e9 libera\u00e7\u00e3o<i>.<\/i> Olhos que n\u00e3o s\u00e3o apegados \u00e0 forma s\u00e3o os Portais do Zen. Ouvidos que n\u00e3o s\u00e3o apegados ao som s\u00e3o tamb\u00e9m os Portais do Zen. Resumindo, aqueles que percebem a exist\u00eancia e a natureza dos fen\u00f4menos e permanecem desapegados s\u00e3o liberados. Aqueles que s\u00f3 percebem a apar\u00eancia externa dos fen\u00f4menos est\u00e3o a sua merc\u00ea. Libera\u00e7\u00e3o significa n\u00e3o estar sujeito \u00e0 afli\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 outra libera\u00e7\u00e3o. Quando voc\u00ea sabe como olhar para a forma, a forma n\u00e3o origina a mente e a mente n\u00e3o origina forma. Forma e mente s\u00e3o ambas puras.<\/p>\n<p>Quando as ilus\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o presentes, a mente \u00e9 a terra dos budas. Quando as ilus\u00f5es est\u00e3o presentes, a mente \u00e9 o inferno<i>.<\/i> Os mortais criam ilus\u00f5es. E atrav\u00e9s do uso da mente para dar origem \u00e0 mente eles sempre se encontram no inferno. Os <i>bodhisattvas<\/i> v\u00eaem atrav\u00e9s das ilus\u00f5es. E por n\u00e3o usarem a mente para gerar mente eles sempre se encontram na terra dos budas. Se voc\u00ea n\u00e3o usa sua mente para criar mente, cada estado da mente \u00e9 vazio e cada pensamento im\u00f3vel. Voc\u00ea vai de uma terra de buda<sup>67<\/sup> para outra. Se voc\u00ea usa sua mente para criar mente, cada estado da mente est\u00e1 perturbado e cada pensamento est\u00e1 em movimento. Voc\u00ea vai de um inferno para o seguinte. Quando um pensamento nasce, h\u00e1 bom <i>carma<\/i> e mau <i>carma<\/i>, c\u00e9u e inferno. Quando nenhum pensamento nasce, n\u00e3o h\u00e1 bom <i>carma<\/i> ou mau <i>carma<\/i>, n\u00e3o h\u00e1 c\u00e9u ou inferno. O corpo n\u00e3o existe nem n\u00e3o existe. Portanto, a exist\u00eancia como mortal e a n\u00e3o exist\u00eancia como s\u00e1bio s\u00e3o concep\u00e7\u00f5es com as quais um s\u00e1bio nada tem a ver. Seu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 vazio e espa\u00e7oso como o c\u00e9u. O que se segue \u00e9 testemunhado no caminho. Est\u00e1 al\u00e9m do alcance de <i>arhats<\/i> e mortais.<\/p>\n<p>Quando a mente alcan\u00e7a o nirvana, voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea o nirvana, pois essa mente \u00e9 o nirvana. Se voc\u00ea v\u00ea o nirvana em algum lugar fora da mente, voc\u00ea est\u00e1 se iludindo.<\/p>\n<p>Cada sofrimento \u00e9 uma semente de buda, porque o sofrimento impele os mortais a buscar a sabedoria. Mas voc\u00ea apenas pode dizer que o sofrimento gera a buditude. Voc\u00ea n\u00e3o pode dizer que o sofrimento \u00e9 buditude. Seu corpo e mente s\u00e3o o solo. O sofrimento \u00e9 a semente, a sabedoria \u00e9 o broto e a <i>buditude<\/i> o fruto.<\/p>\n<p>O buda est\u00e1 para a mente assim como a fragr\u00e2ncia est\u00e1 para a \u00e1rvore. O buda \u00e9 proveniente de uma mente livre de sofrimento, tal como uma fragr\u00e2ncia prov\u00e9m de uma \u00e1rvore que n\u00e3o tem partes podres. N\u00e3o h\u00e1 fragr\u00e2ncia sem a \u00e1rvore e nenhum buda sem a mente. Se h\u00e1 fragr\u00e2ncia sem \u00e1rvore, \u00e9 uma fragr\u00e2ncia diferente. Se h\u00e1 buda sem sua mente, \u00e9 um buda diferente.<\/p>\n<p>Quando os tr\u00eas venenos est\u00e3o presentes em sua mente, voc\u00ea vive numa terra imunda. Quando os tr\u00eas venenos est\u00e3o ausentes de sua mente, voc\u00ea vive numa terra de pureza. Dizem os <i>sutras<\/i>: \u201cSe voc\u00ea encher uma terra de impurezas e imund\u00edcies, jamais um buda aparecer\u00e1\u201d. Impurezas e imund\u00edcies referem-se \u00e0 ilus\u00e3o e outros venenos. Um buda refere-se a uma mente pura e desperta.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 linguagem que n\u00e3o seja o <i>Dharma<\/i>. Ficar o dia inteiro sem dizer coisa alguma \u00e9 o caminho. Ficar silencioso o dia inteiro e ainda dizer algo n\u00e3o \u00e9 o caminho. Portanto, a fala do <i>Tathagata<\/i> n\u00e3o depende do sil\u00eancio, nem o seu sil\u00eancio depende da fala, nem sua fala existe em separado do seu sil\u00eancio. Aqueles que entendem tanto fala como sil\u00eancio est\u00e3o em <i>samadi<\/i>. Se voc\u00ea fala quando voc\u00ea sabe, sua fala \u00e9 livre. Se voc\u00ea fica silencioso quando voc\u00ea n\u00e3o sabe, seu sil\u00eancio est\u00e1 amarrado. Se a fala n\u00e3o \u00e9 apegada \u00e0s apar\u00eancias, ela \u00e9 livre. Se o sil\u00eancio \u00e9 apegado \u00e0s apar\u00eancias, est\u00e1 amarrado. A linguagem \u00e9 essencialmente livre. Nada tem a ver com apego. E o apego nada tem a ver com a linguagem.<\/p>\n<p>A realidade n\u00e3o tem altos e baixos. Se voc\u00ea v\u00ea altos e baixos, n\u00e3o \u00e9 real. Uma balsa<sup>(68)<\/sup> n\u00e3o \u00e9 real. Mas um passageiro da balsa \u00e9. Uma pessoa que usa tal balsa pode cruzar aquilo que n\u00e3o \u00e9 real. \u00c9 por isso que \u00e9 real.<\/p>\n<p>De acordo com o mundo existe macho e f\u00eamea, rico e pobre. De acordo com o caminho n\u00e3o h\u00e1 macho e f\u00eamea, n\u00e3o h\u00e1 rico ou pobre. Quando a deusa descobre o caminho, ela n\u00e3o muda de sexo. Quando o garoto apunhalado<sup>(69)<\/sup> despertou para a verdade, ele n\u00e3o mudou seu status. Livres de sexo e status, eles compartilham a mesma apar\u00eancia b\u00e1sica. A deusa n\u00e3o teve sucesso por 12 anos em sua busca por feminilidade. Procurar por 12 anos pela hombridade de algu\u00e9m seria igualmente infrut\u00edfero. Os 12 anos referem-se \u00e0s 12 entradas<sup>(70)<\/sup>.<\/p>\n<p>Sem a mente n\u00e3o h\u00e1 Buda. Sem o Buda n\u00e3o h\u00e1 mente. Da mesma maneira, sem \u00e1gua n\u00e3o h\u00e1 gelo, e sem gelo n\u00e3o h\u00e1 \u00e1gua. Quem fala sem deixar a mente n\u00e3o vai muito longe. N\u00e3o se apegue \u00e0s apar\u00eancias da mente. Dizem os <i>sutras:<\/i> \u201cQuando voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea apar\u00eancias, v\u00ea o Buda\u201d. \u00c9 isso que significa ser livre das apar\u00eancias da mente.<\/p>\n<p><i>Sem a mente n\u00e3o h\u00e1 Buda<\/i> significa que o Buda vem da mente. A mente \u00e9 a origem do Buda. Mas embora o Buda provenha da mente, a mente n\u00e3o prov\u00e9m do Buda, tal como um peixe prov\u00e9m da \u00e1gua, mas a \u00e1gua n\u00e3o prov\u00e9m do peixe. Quem quer que veja o peixe ver\u00e1 a \u00e1gua antes de ver o peixe. E quem quer ver um Buda ver\u00e1 a mente antes de ver o Buda. Uma vez que voc\u00ea veja o peixe se esquece da \u00e1gua e uma vez que voc\u00ea veja o Buda, se esquece a respeito da mente, a mente confundir\u00e1 voc\u00ea, assim como \u00e1gua o confundir\u00e1 se voc\u00ea n\u00e3o se esquecer dela.<\/p>\n<p>Mortalidade e a buditude s\u00e3o como \u00e1gua e gelo. Afligir-se pelos tr\u00eas venenos \u00e9 a mortalidade. Ser purificado pelos tr\u00eas libera\u00e7\u00f5es<sup>(71)<\/sup> \u00e9 <i>buditude<\/i>. O que congela no inverno criando o gelo desfaz-se em \u00e1gua no ver\u00e3o. Elimine o gelo e n\u00e3o haver\u00e1 \u00e1gua. Livre-se da mortalidade e n\u00e3o haver\u00e1 <i>buditude<\/i>. \u00c9 claro que a natureza do gelo \u00e9 a natureza da \u00e1gua e a natureza da \u00e1gua \u00e9 a natureza do gelo. E a natureza da mortalidade \u00e9 a natureza da <i>buditude<\/i>. Mortalidade e a <i>buditude<\/i> compartilham a mesma natureza tal como <i>wutou<\/i> e <i>futzu<sup>(72)<\/sup><\/i> compartilham a mesma raiz, mas n\u00e3o a mesma esta\u00e7\u00e3o. \u00c9 somente por causa da ilus\u00e3o sobre diferen\u00e7as que temos as palavras <i>mortalidade e buditude<\/i>. Quando uma serpente torna-se um drag\u00e3o ela n\u00e3o muda suas escamas. E quando um mortal torna-se um s\u00e1bio, ele n\u00e3o muda sua face. Conhe\u00e7a sua mente atrav\u00e9s da sabedoria interna e cuida de seu corpo atrav\u00e9s da disciplina externa.<\/p>\n<p>Os mortais liberam budas e os budas liberam mortais. Imparcialidade significa isso. Os mortais liberam budas porque a afli\u00e7\u00e3o cria conhecimento. E os budas liberam mortais porque o conhecimento nega a afli\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 outro rem\u00e9dio que a afli\u00e7\u00e3o e n\u00e3o h\u00e1 outro rem\u00e9dio para n\u00e3o haver afli\u00e7\u00e3o exceto o conhecimento. Se n\u00e3o fosse pela afli\u00e7\u00e3o, n\u00e3o haveria porque criar conhecimento. E se n\u00e3o fosse pelo conhecimento, nada haveria para combater a afli\u00e7\u00e3o. Quando se vive na ignor\u00e2ncia, os budas liberam mortais. Quando voc\u00ea no conhecimento, os mortais liberam budas. Os budas n\u00e3o se tornam budas por si mesmos. Eles s\u00e3o liberados por mortais. Os budas consideram a ignor\u00e2ncia como seu pai e a avidez como sua m\u00e3e. Ignor\u00e2ncia e avidez s\u00e3o nomes diferentes para mortalidade. A ignor\u00e2ncia e a avidez s\u00e3o como a m\u00e3o esquerda e a m\u00e3o direita. N\u00e3o existe outra diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando se vive na ignor\u00e2ncia, se est\u00e1 nesta margem. Quando se est\u00e1 consciente, se est\u00e1 na outra margem. Mas uma vez que voc\u00ea sabe que sua mente \u00e9 vazia e n\u00e3o veja apar\u00eancias, voc\u00ea est\u00e1 al\u00e9m da ignor\u00e2ncia e do conhecimento. E uma vez que voc\u00ea esteja al\u00e9m da ilus\u00e3o e do conhecimento, a outra margem n\u00e3o existe. O <i>Tathagata<\/i> n\u00e3o est\u00e1 nesta margem nem na outra. E tampouco est\u00e1 na metade da corrente. Os arhats est\u00e3o na metade da corrente e os mortais nesta margem. Na outra margem est\u00e1 a buditude.<\/p>\n<p>Os budas t\u00eam tr\u00eas corpos<sup>(73)<\/sup>: um corpo de transforma\u00e7\u00e3o, um corpo de recompensa e um corpo real. O corpo de transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m chamado de corpo de encarna\u00e7\u00e3o. O corpo de transforma\u00e7\u00e3o aparece quando os mortais fazem boas a\u00e7\u00f5es, o corpo de recompensa quando cultivam sabedoria, e o corpo real quando se tornam conscientes do sublime. O corpo de transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 o que pode voar em todas as dire\u00e7\u00f5es resgatando os outros onde \u00e9 poss\u00edvel. O corpo de recompensa p\u00f5e fim \u00e0s d\u00favidas. <i>\u201cA grande ilumina\u00e7\u00e3o ocorreu nos Himalaias<sup>(74)<\/sup>\u201d<\/i> repentinamente torna-se verdadeira. O corpo real n\u00e3o faz ou diz coisa alguma. Permanece perfeitamente im\u00f3vel. Na realidade, nem sequer existe um corpo de Buda, muito menos tr\u00eas. Falar dos tr\u00eas corpos est\u00e1 baseado simplesmente na compreens\u00e3o humana, que pode ser superficial, moderada ou profunda.<\/p>\n<p>As pessoas de compreens\u00e3o superficial imaginam que acumulam m\u00e9ritos e confundem o corpo de transforma\u00e7\u00e3o como o Buda. As pessoas de compreens\u00e3o moderada imaginam que est\u00e3o pondo fim ao sofrimento e confundem o corpo de recompensa com o Buda. E as pessoas de compreens\u00e3o profunda imaginam que experimentam a buditude e confundem o corpo real com o Buda. Mas as pessoas com a compreens\u00e3o mais profunda olham em seu interior, n\u00e3o se distraindo com nada. Como uma mente clara \u00e9 o Buda, alcan\u00e7am a compreens\u00e3o de um Buda sem usar a mente. Os tr\u00eas corpos, como todas as outras coisas, s\u00e3o inating\u00edveis e indescrit\u00edveis. A mente sem obst\u00e1culos alcan\u00e7a o Caminho. Dizem os <i>sutras:<\/i> <i>\u201cOs budas n\u00e3o predicam o Dharma. N\u00e3o liberam mortais. E n\u00e3o experimentam a buditude\u201d<\/i>. \u00c9 isso que quero dizer.<\/p>\n<p>Os indiv\u00edduos criam carma; o carma n\u00e3o cria indiv\u00edduos. Criam carma nesta vida e recebem seus frutos na seguinte. Nunca escapam disso. S\u00f3 algu\u00e9m que \u00e9 perfeito n\u00e3o cria <i>carma<\/i> nesta vida e n\u00e3o recebe os frutos. Dizem os <i>sutras:<\/i> <i>\u201cQuem n\u00e3o cria carma obt\u00e9m o Dharma\u201d.<\/i> Este n\u00e3o \u00e9 um dito vazio. Voc\u00ea pode criar <i>carma<\/i>, mas n\u00e3o pode criar uma pessoa. Quando cria <i>carma<\/i>, voc\u00ea renasce junto com seu <i>carma<\/i>. Quando n\u00e3o cria <i>carma<\/i>, voc\u00ea desaparece juntamente com seu <i>carma<\/i>. Portanto, como o <i>carma<\/i> depende do indiv\u00edduo e o indiv\u00edduo depende do <i>carma<\/i>, se o indiv\u00edduo n\u00e3o criar <i>carma<\/i>, o <i>carma<\/i> nada pode fazer com ele. Da mesma maneira: <i>\u201cUma pessoa pode ampliar o Caminho. O caminho n\u00e3o pode ampliar uma pessoa <sup>(75)<\/sup>\u201d.<\/i><\/p>\n<p>Os mortais continuam criando <i>carma<\/i> e erradamente insistem que n\u00e3o h\u00e1 retribui\u00e7\u00e3o. Mas por acaso podem negar o sofrimento? Podem negar que o que semeia o estado presente da mente n\u00e3o \u00e9 o que recolhe o seguinte estado mental? Como podem escapar? Mas se no presente estado da mente n\u00e3o se semeia nada, o seguinte estado da mente nada colhe. N\u00e3o entenda mal o carma.<\/p>\n<p>Dizem os <i>sutras:<\/i> <i>\u201cApesar de crer nos budas, as pessoas que imaginam que os budas praticam austeridades n\u00e3o s\u00e3o budistas. O mesmo aplica-se \u00e0queles que imaginam que os budas est\u00e3o sujeitos a retribui\u00e7\u00e3o de riqueza ou pobreza. Eles s\u00e3o icchantikas. S\u00e3o incapazes de crer\u201d.<\/i><\/p>\n<p>Quem compreende os ensinamentos dos s\u00e1bios \u00e9 um s\u00e1bio. Quem compreende os ensinamentos dos mortais \u00e9 um mortal. Um mortal que possa afastar-se do ensinamento dos mortais e seguir os ensinamentos dos s\u00e1bios torna-se um s\u00e1bio. Mas os loucos deste mundo preferem procurar por s\u00e1bios muito longe. N\u00e3o acreditam que o s\u00e1bio \u00e9 a sabedoria de suas pr\u00f3prias mentes. Dizem os <i>sutras:<\/i> <i>\u201cN\u00e3o recite este sutra entre homens sem compreens\u00e3o\u201d.<\/i> E dizem os <i>sutras:<\/i> \u201cA mente \u00e9 o ensinamento\u201d. Mas as pessoas sem compreens\u00e3o n\u00e3o acreditam em suas pr\u00f3prias mentes nem que mediante a compreens\u00e3o desse ensinamento podem se tornar s\u00e1bias. Preferem procurar um conhecimento distante e esperar por coisas no espa\u00e7o, imagens de Buda, luzes, incensos e cores. Ficam presas na falsidade e na loucura.<\/p>\n<p>Dizem os <i>sutras:<\/i> <i>\u201cQuando voc\u00ea v\u00ea que todas as apar\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o apar\u00eancias, ent\u00e3o v\u00ea o Tathagata\u201d<\/i>. As mir\u00edades de portas para a verdade prov\u00eaem todas da mente. Quando as apar\u00eancias da mente s\u00e3o t\u00e3o transparentes como o espa\u00e7o, desaparecem.<\/p>\n<p>Nossos sofrimentos sem fim s\u00e3o as ra\u00edzes da doen\u00e7a. Quando os mortais est\u00e3o vivos, preocupam-se com a morte. Quando est\u00e3o satisfeitos, preocupam-se com a fome. Sua \u00e9 a Grande Incerteza. Mas os s\u00e1bios n\u00e3o consideram o passado e n\u00e3o se preocupam com o futuro, tampouco se apegam ao presente. E de momento a momento eles seguem o Caminho. Se voc\u00ea n\u00e3o despertou para esta grande verdade, o melhor \u00e9 procurar um mestre na terra ou nos c\u00e9us. N\u00e3o agraves sua pr\u00f3pria defici\u00eancia.<\/p>\n<h6><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: center;\"><strong>SERM\u00c3O DA CONTEMPLA\u00c7\u00c3O DA MENTE<\/strong><\/h6>\n<p><i>Se algu\u00e9m est\u00e1 determinado a alcan\u00e7ar a ilumina\u00e7\u00e3o, qual o m\u00e9todo mais essencial a ser praticado?<\/i><\/p>\n<p><b>O m\u00e9todo mais essencial, o qual inclui todos os outros m\u00e9todos, \u00e9 contemplar a mente.<\/b><\/p>\n<p><i>Mas como pode um m\u00e9todo incluir a todos os outros?<\/i><\/p>\n<p>A mente \u00e9 a raiz da qual todas as coisas crescem. Se voc\u00ea pode entender a mente, tudo o mais est\u00e1 inclu\u00eddo. \u00c9 como a raiz de uma \u00e1rvore. Todas as frutas e flores de uma \u00e1rvore, galhos e folhas dependem desta raiz. Se voc\u00ea alimenta a raiz da \u00e1rvore, a \u00e1rvore multiplica-se. Se voc\u00ea corta a raiz da \u00e1rvore, ela morre. Aqueles que entendem a mente alcan\u00e7am a ilumina\u00e7\u00e3o com esfor\u00e7o m\u00ednimo. Aqueles que n\u00e3o entendem a mente praticam em v\u00e3o. Todas as coisas boas e m\u00e1s v\u00eaem de sua pr\u00f3pria mente. Achar algo al\u00e9m da mente \u00e9 imposs\u00edvel.<\/p>\n<p><i>Mas como contemplar a mente pode ser chamado de compreens\u00e3o?<\/i><\/p>\n<p>Quando um grande <i>bodhisattva<\/i> penetra profundamente na sabedoria perfeita<sup>(76)<\/sup>, ele v\u00ea que os quatro elementos e as cinco trevas [os cinco agregados] s\u00e3o destitu\u00eddos de subst\u00e2ncia pr\u00f3pria. E ele percebe que a atividade de sua mente tem dois aspectos: pura e impura<sup>(77)<\/sup>. Por sua verdadeira natureza, esses dois estados mentais est\u00e3o sempre presentes. Eles alternam-se como causa ou efeito dependendo das condi\u00e7\u00f5es, a mente pura deliciando-se em bons atos, a mente impura pensando no mal. Aqueles que n\u00e3o s\u00e3o afetados pela impureza s\u00e3o s\u00e1bios. Eles transcendem o sofrimento e experimentam a felicidade do <i>nirvana<\/i>. Todos os outros, enganados pela mente impura e enredados pelo seu pr\u00f3prio <i>carma<\/i>, s\u00e3o mortais. Eles deixam-se levar atrav\u00e9s dos tr\u00eas reinos e sofrem incont\u00e1veis afli\u00e7\u00f5es, e tudo porque suas mentes impuras obscurecem sua natureza verdadeira.<\/p>\n<p>O <i>Sutra<\/i> das Dez Etapas diz: <i>\u201cNo corpo dos mortais est\u00e1 a Natureza de Buda indestrut\u00edvel. Como o Sol, sua luz preenche o espa\u00e7o sem fim. Mas uma vez ocultado pelas nuvens escuras das cinco trevas (os cinco agregados), \u00e9 como a luz dentro de um jarro, escondido da vista\u201d<\/i>. E o <i>Sutra<\/i> do <i>Nirvana<sup>(<\/sup><\/i><sup>78)<\/sup> diz: <i>\u201cTodos os mortais t\u00eam a natureza de Buda. Mas ela est\u00e1 encoberta pela escurid\u00e3o da qual n\u00e3o podem escapar.<\/i><i> <b>Nossa Natureza de Buda \u00e9 consci\u00eancia: estar consciente e fazer os outros conscientes. Perceber a consci\u00eancia \u00e9 libera\u00e7\u00e3o\u201d<\/b><\/i>. Tudo que \u00e9 bom tem consci\u00eancia por raiz. E desta raiz de consci\u00eancia cresce a \u00e1rvore de todas as virtudes e o fruto do <i>nirvana<\/i>. Contemplar a mente assim \u00e9 compreender.<\/p>\n<p><i>Dizes que nossa natureza de b\u00fadica e todas as virtudes t\u00eam consci\u00eancia como raiz. Mas qual \u00e9 a raiz da ignor\u00e2ncia?<\/i><\/p>\n<p>A mente ignorante, com suas inumer\u00e1veis afli\u00e7\u00f5es, paix\u00f5es e males, est\u00e1 enraizada nos tr\u00eas venenos: apego, raiva e ignor\u00e2ncia. Esses tr\u00eas estados da mente venenosos por si mesmos incluem in\u00fameros males, como \u00e1rvores que t\u00eam um \u00fanico tronco, mas in\u00fameros galhos e folhas. Cada veneno produz tantos milh\u00f5es de males que o exemplo da \u00e1rvore mal \u00e9 uma compara\u00e7\u00e3o apropriada.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas venenos est\u00e3o presentes em nossos seis \u00f3rg\u00e3os<sup>(79)<\/sup> dos sentidos como seis tipos de consci\u00eancia<sup>(80)<\/sup>, ou ladr\u00f5es. S\u00e3o chamados de ladr\u00f5es porque entram e saem pelos portais dos sentidos, cobi\u00e7am possess\u00f5es sem limites, enredam-se no mal, e mascaram sua verdadeira identidade. E porque os mortais s\u00e3o desencaminhados em corpo e mente por esses venenos ou ladr\u00f5es, eles ficam perdidos na vida e na morte, perambulam pelos seis estados da exist\u00eancia<sup>(81)<\/sup>, e sofrem in\u00fameras afli\u00e7\u00f5es. Essas afli\u00e7\u00f5es s\u00e3o como rios que correm por mil quil\u00f4metros devido ao constante fluxo de pequenas fontes. Mas se algu\u00e9m corta sua fonte, o rio seca. E se algu\u00e9m que procura a libera\u00e7\u00e3o pode transformar os tr\u00eas venenos nos tr\u00eas conjuntos de preceitos e os seis ladr\u00f5es nos seis <i>Paramitas<\/i>, livra-se das afli\u00e7\u00f5es de uma vez.<\/p>\n<p>Mas os tr\u00eas reinos e os seis estados da exist\u00eancia s\u00e3o infinitamente vastos. Como podemos escapar de suas infind\u00e1veis afli\u00e7\u00f5es se tudo que fizermos for contemplar a mente?<\/p>\n<p>O <i>carma<\/i> dos tr\u00eas reinos vem da mente somente. Se sua mente n\u00e3o est\u00e1 dentro dos tr\u00eas reinos, ela est\u00e1 al\u00e9m deles. Os tr\u00eas reinos correspondem aos tr\u00eas venenos: a avidez corresponde ao reino do desejo, a raiva ao reino da forma e a ignor\u00e2ncia ao reino sem forma. E porque o <i>carma<\/i> criado pelos venenos pode ser leve ou pesado, esses tr\u00eas reinos s\u00e3o mais tarde divididos em seis lugares conhecidos como seis estados da exist\u00eancia. [os seis reinos]<\/p>\n<p><i>E como o carma desses seis difere?<\/i><\/p>\n<p>Os mortais que n\u00e3o entendem a pr\u00e1tica verdadeira<sup>(82)<\/sup> e cegamente fazem boas a\u00e7\u00f5es nascem nos tr\u00eas estados de exist\u00eancia dentro dos tr\u00eas reinos. E o que s\u00e3o esses tr\u00eas estados mais altos? Aqueles que cegamente executam as dez boas a\u00e7\u00f5es(<sup>83)<\/sup> e tolamente buscam felicidade nascem como deuses no reino do desejo. Aqueles que cegamente observam os cinco preceitos e tolamente amam e odeiam nascem como homens no reino do desejo. E aqueles que cegamente at\u00eam-se ao mundo fenomenal, acreditam em falsas doutrinas e rezam por b\u00ean\u00e7\u00e3os nascem como <i>asuras <\/i>(semi-deuses) no reino da inveja. Esses s\u00e3o os tr\u00eas estados mais altos da exist\u00eancia.<\/p>\n<p><i>E quais s\u00e3o os tr\u00eas estados mais baixos?<\/i><\/p>\n<p>Eles est\u00e3o onde nascem aqueles que persistem em pensamentos envenenados e m\u00e1s a\u00e7\u00f5es. Aqueles cujo <i>carma<\/i> para avidez \u00e9 maior tornam-se fantasmas famintos. Aqueles cujo <i>carma<\/i> para raiva \u00e9 maior tornam-se sofredores no inferno. E aqueles cujo <i>carma<\/i> para a ignor\u00e2ncia \u00e9 maior tornam-se animais. Esses tr\u00eas estados mais baixos juntos com os tr\u00eas estados mais altos anteriores formam os seis estados da exist\u00eancia <i>[samsara]<\/i>. Com isso voc\u00ea deveria perceber que todo o <i>carma<\/i>, doloroso ou n\u00e3o, vem de sua pr\u00f3pria mente. Se voc\u00ea puder apenas concentrar sua mente e transcender sua falsidade e maldade, o sofrimento dos tr\u00eas reinos e seis estados de consci\u00eancia automaticamente desaparecer\u00e3o. E uma vez livre do sofrimento, voc\u00ea est\u00e1 verdadeiramente livre.<\/p>\n<p><i>Mas Buda disse: \u201cApenas ap\u00f3s experimentar inumer\u00e1veis sofrimentos por tr\u00eas asankhya kalpas<sup>85<\/sup> eu atingi a ilumina\u00e7\u00e3o\u201d.<\/i> <i>Por que dizes agora que simplesmente ao contemplar a mente e superar os tr\u00eas venenos realizamos a libera\u00e7\u00e3o?<\/i><\/p>\n<p>As palavras de Buda s\u00e3o verdadeiras. Mas os tr\u00eas <i>asankhya kalpas<\/i> referem-se aos tr\u00eas estados da mente envenenados. O que chamamos de <i>asankhya<\/i> em s\u00e2nscrito voc\u00ea chama de inumer\u00e1veis. Dentre esses tr\u00eas estados envenenados da mente est\u00e3o in\u00fameros maus pensamentos. E cada pensamento dura um <i>kalpa<\/i>. Tal infinidade \u00e9 o que Buda referiu-se como os tr\u00eas <i>asankhya kalpas<\/i>.<\/p>\n<p>Uma vez que sua verdadeira natureza est\u00e1 obscurecida pelos tr\u00eas venenos, como voc\u00ea poderia ser chamado de liberado antes de superar seus in\u00fameros maus pensamentos? Dizem que as pessoas que podem transformar os tr\u00eas venenos do apego, raiva e ignor\u00e2ncia nas tr\u00eas libera\u00e7\u00f5es passam atrav\u00e9s dos tr\u00eas <i>asankhya kalpas<\/i>. Mas as pessoas dessa idade final<sup>(86)<\/sup> s\u00e3o as est\u00fapidas mais pertinazes. Elas n\u00e3o entendem o que o <i>Tathagata <\/i>realmente quis dizer com os tr\u00eas <i>asankhya kalpas<\/i>. Elas dizem que a ilumina\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada somente ap\u00f3s <i>kalpas<\/i> sem fim e assim fazem disc\u00edpulos abandonarem o caminho da <i>buditude<\/i>.<\/p>\n<p>Mas os grandes bodhisattvas atingiram a ilumina\u00e7\u00e3o apenas observando os tr\u00eas conjuntos de preceitos<sup>(87)<\/sup> e praticando os seis Paramitas. Agora voc\u00ea diz aos disc\u00edpulos para contemplarem a mente. Como pode algu\u00e9m atingir a ilumina\u00e7\u00e3o sem cultivar as regras de disciplina?<\/p>\n<p>Os tr\u00eas conjuntos de preceitos s\u00e3o para superar os tr\u00eas estados envenenados da mente. Quando voc\u00ea supera esses tr\u00eas venenos, voc\u00ea cria tr\u00eas conjuntos de ilimitada virtude. Um conjunto re\u00fane as coisas \u2013 nesse caso, um n\u00famero ilimitado de bons pensamentos de tua mente. E os seis <i>Paramitas<\/i> s\u00e3o para purificar os seis sentidos. O que n\u00f3s chamamos de <i>Paramitas<\/i> voc\u00ea os chama de meios de transporte para a outra margem<sup>88<\/sup>. Pela purifica\u00e7\u00e3o de seus seis sentidos da poeira da sensa\u00e7\u00e3o, os <i>Paramitas<\/i> transportam voc\u00ea atrav\u00e9s do Rio das Afli\u00e7\u00f5es para a Margem da Ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com os sutras, os tr\u00eas conjuntos de preceitos s\u00e3o: \u201cPrometo terminar com todo o mal. Prometo cultivar todas as virtudes. E prometo liberar todos os seres\u201d. Mas agora dizes que eles existem apenas para controlar os tr\u00eas estados envenenados da mente. Isso n\u00e3o \u00e9 o contr\u00e1rio do que dizem as escrituras?<\/p>\n<p>Os <i>sutras<\/i> do buda s\u00e3o verdadeiros. Mas h\u00e1 muito tempo, quando aquele grande <i>bodhisattva<\/i> estava cultivando a semente da ilumina\u00e7\u00e3o, foi para opor-se aos tr\u00eas venenos que ele fez esses tr\u00eas votos. Praticando proibi\u00e7\u00f5es morais para opor-se ao veneno do apego, ele prometeu terminar com todos os males. Praticando a medita\u00e7\u00e3o para opor-se ao veneno do \u00f3dio, ele prometeu cultivar todas as virtudes. E praticando a sabedoria para opor-se ao veneno da ignor\u00e2ncia, prometeu liberar todos os seres. Como perseverou nessas tr\u00eas pr\u00e1ticas puras de moralidade, medita\u00e7\u00e3o e sabedoria, ele foi capaz de superar os tr\u00eas venenos e realizar a ilumina\u00e7\u00e3o. Superando os tr\u00eas venenos varreu tudo que \u00e9 pecaminoso e assim terminou com o mal. Observando os tr\u00eas conjuntos de preceitos ele nada fez al\u00e9m do bem e assim cultivou a virtude. E pondo um fim ao mal e cultivando a virtude ele realizou todas as pr\u00e1ticas, beneficiou a si mesmo bem como aos outros, e resgatou mortais em todos os lugares. Assim foi como liberou seres.<\/p>\n<p>Voc\u00ea deveria perceber que a pr\u00e1tica que voc\u00ea cultua n\u00e3o existe separadamente de sua mente. Se sua mente \u00e9 pura, todas as terras de Buda s\u00e3o puras. Dizem os <i>sutras<\/i>: \u201cSe suas mentes s\u00e3o impuras, os seres s\u00e3o impuros. Se suas mentes s\u00e3o puras, os seres s\u00e3o puros\u201d. E \u201cPara alcan\u00e7ar uma terra b\u00fadica, purifique sua mente. Uma vez que sua mente se torne pura, as terras b\u00fadicas tornam-se puras\u201d. Assim, superando os tr\u00eas estados envenenados da mente os tr\u00eas conjuntos de preceitos ficam automaticamente satisfeitos.<\/p>\n<p>Mas os sutras dizem que os seis Paramitas s\u00e3o caridade, moralidade, paci\u00eancia, devo\u00e7\u00e3o, medita\u00e7\u00e3o e sabedoria. Agora dizes que os Paramitas referem-se \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o dos sentidos. O que queres dizer com isso? E por que eles s\u00e3o chamados de barcas?<\/p>\n<p>Cultivar os <i>Paramitas<\/i> significa purificar os seis sentidos vencendo os seis ladr\u00f5es. Expulsando o ladr\u00e3o do olho mediante o abandono do mundo visual, \u00e9 caridade. Excluindo o ladr\u00e3o do ouvido n\u00e3o ouvindo os sons \u00e9 moralidade. Extinguir o ladr\u00e3o do nariz igualando todos os odores como neutros \u00e9 paci\u00eancia. Controlar o ladr\u00e3o da boca conquistando os desejos de sabor, de elogio e justifica\u00e7\u00e3o \u00e9 devo\u00e7\u00e3o. Reprimir o ladr\u00e3o do corpo ficando impass\u00edvel \u00e0s sensa\u00e7\u00f5es de tato \u00e9 medita\u00e7\u00e3o. E domar o ladr\u00e3o da mente n\u00e3o cedendo \u00e0s ilus\u00f5es, mas praticando a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 sabedoria. Esses seis <i>Paramitas<\/i> s\u00e3o os transportes. Tais como barcas ou balsas, eles transportam seres para a outra margem Por isso, s\u00e3o chamados de barcas.<\/p>\n<p>Por\u00e9m quando Shakyamuni era um bodhisattva, consumiu tr\u00eas tigelas de leite e seis conchas de mingau<sup>(89)<\/sup> antes de atingir a ilumina\u00e7\u00e3o. Se ele tinha que beber leite antes de poder saborear o fruto da buditude, como pode a simples contempla\u00e7\u00e3o da mente resultar em libera\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>O que voc\u00ea diz \u00e9 certo. Assim foi como ele realizou a libera\u00e7\u00e3o. Teve que beber leite antes de converter-se em um buda. Mas h\u00e1 duas esp\u00e9cies de leite. Aquele que <i>Shakyamuni<\/i> bebeu n\u00e3o era o leite impuro comum, mas o leite do puro <i>Dharma<\/i>. As tr\u00eas tigelas eram os tr\u00eas conjuntos de preceitos. E as seis conchas eram os seis <i>Paramitas<\/i>. <i>Shakyamuni<\/i> realizou a libera\u00e7\u00e3o, porque bebeu o mais puro leite do <i>Dharma<\/i> e provou o fruto da <i>budeidade<\/i>. Dizer que o <i>Tathagata<\/i> bebeu a mistura mundana de leite malcheiroso de vaca \u00e9 cal\u00fania. Aquilo que \u00e9 verdadeiro, o indestrut\u00edvel, e imparcial corpo do <i>Dharma, <\/i>permanece sempre livre das afli\u00e7\u00f5es mundanas. Por que ele necessitaria do leite impuro para satisfazer sua fome ou sua sede?<\/p>\n<p>Dizem os <i>sutras<\/i>: \u201cEsse boi vive nas montanhas ou nos vales. N\u00e3o come gr\u00e3os nem palha e n\u00e3o pasta com vacas. O corpo desse boi \u00e9 da cor do ouro polido. \u201cO touro refere-se a <i>Vairocana<sup>(90)<\/sup><\/i>. Devido \u00e0 sua grande compaix\u00e3o por todos os seres, ele produz do interior do seu corpo <i>Dharmico<\/i> puro o leite do <i>Dharma<\/i> sublime dos tr\u00eas conjuntos de preceitos e dos seis <i>Paramitas<\/i> para alimentar todos aqueles que procuram libera\u00e7\u00e3o. O leite puro de um puro boi de tal pureza n\u00e3o somente permitiu ao <i>Tathagata<\/i> realizar a <i>budeidade<\/i>, mas tamb\u00e9m permite a qualquer ser que o beba realizar a insuper\u00e1vel e completa ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><i>Nos sutras o Buda diz aos mortais que podem realizar a ilumina\u00e7\u00e3o fazendo trabalhos merit\u00f3rios tais como construir mosteiros, fundir de est\u00e1tuas, queimar incenso, espargir flores, acender l\u00e2mpadas eternas, praticar nos seis per\u00edodos<sup>(91)<\/sup> do dia e noite, caminhar ao redor de stupas<sup>(92)<\/sup>, jejuar e venerando. Mas, se contemplar a mente inclui todas as outras pr\u00e1ticas, ent\u00e3o realizar trabalhos desse tipo parece redundante.<\/i><\/p>\n<p>Os <i>sutras<\/i> de Buda cont\u00eam inumer\u00e1veis met\u00e1foras. Devido ao fato dos mortais terem mentes superficiais e n\u00e3o compreenderem nada profundamente, Buda usou o tang\u00edvel para representar o sublime. As pessoas que buscam b\u00ean\u00e7\u00e3os concentrando-se em trabalhos externos em vez do cultivo interno est\u00e3o tentando o imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>O que voc\u00eas chamam de mosteiro n\u00f3s chamamos de <i>sangharama<\/i>, um local de pureza. Mas quem quer que negue a entrada dos tr\u00eas venenos e mantenha as portas de seus sentidos puras, corpo e mentes calmos, limpos por fora e por dentro, constr\u00f3i um mosteiro.<\/p>\n<p>Fundir est\u00e1tuas refere-se a todas as pr\u00e1ticas cultivadas por aqueles que buscam a ilumina\u00e7\u00e3o. A forma sublime do <i>Tathagata<\/i> n\u00e3o pode ser representada em metal. Aqueles que buscam a ilumina\u00e7\u00e3o consideram seus corpos como fornalhas, o <i>Dharma<\/i> como o fogo, a sabedoria como o of\u00edcio e os tr\u00eas conjuntos de preceitos e as seis <i>Paramitas<\/i> como molde. Fundem e refinam a verdadeira natureza b\u00fadica dentro de si e derramam-na dentro do molde formado pelas regras da disciplina. Atuando em conformidade com o ensinamento de Buda, criam naturalmente uma perfeita semelhan\u00e7a de maneira natural. O corpo eterno e sublime n\u00e3o est\u00e1 sujeito \u00e0s condi\u00e7\u00f5es nem a decad\u00eancia. Se voc\u00ea buscar a Verdade, mas n\u00e3o souber como conseguir uma verdadeira semelhan\u00e7a, o que usar\u00e1 em seu lugar?<\/p>\n<p>Queimar incenso n\u00e3o significa incenso material comum, mas o incenso do <i>Dharma <\/i>intang\u00edvel, cujo perfume leva embora a impureza, a ignor\u00e2ncia e \u00a0as m\u00e1s a\u00e7\u00f5es. Existem cinco tipos de tal incenso <i>dh\u00e1rmico<sup>93<\/sup>.<\/i> Primeiramente vem o incenso da moralidade, que significa renunciar ao mal e cultivar a virtude. Em segundo lugar vem o incenso da medita\u00e7\u00e3o, que significa crer profundamente no <i>Mahayana<\/i> com determina\u00e7\u00e3o al\u00e9m das d\u00favidas. Em terceiro est\u00e1 o incenso da sabedoria, que significa contemplar o corpo e a mente, interna e externamente. Em quarto est\u00e1 o incenso da liberdade, que significa romper os grilh\u00f5es da ignor\u00e2ncia. E em quinto est\u00e1 o incenso do conhecimento perfeito, que significa estar sempre consciente e n\u00e3o obstru\u00eddo. Esses cinco s\u00e3o os tipos de incenso mais preciosos e eles s\u00e3o muito superiores a qualquer coisa que o mundo possa oferecer.<\/p>\n<p>Quando Buda estava no mundo, disse aos seus disc\u00edpulos para acender tais incensos preciosos com o fogo do conhecimento como oferenda aos budas das dez dire\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m as pessoas hoje em dia n\u00e3o compreendem o significado verdadeiro das palavras do <i>Tathagata<\/i>. S\u00f3 usam uma chama ordin\u00e1ria para acender incenso material de s\u00e2ndalo ou de outros tipos e rezam em busca de futuras b\u00ean\u00e7\u00e3os que nunca chegam.<\/p>\n<p>Acontece o mesmo quanto a espargir flores. Refere-se a ensinar o <i>Dharma<\/i>, distribuir flores de virtude, com o objetivo de beneficiar aos demais e glorificar a verdadeira natureza. Essas flores da virtude s\u00e3o aquelas louvadas por Buda, que duram para sempre e nunca murcham. E quem quer que espalhe tais flores colhe b\u00ean\u00e7\u00e3os infinitas. Se voc\u00ea pensa que o <i>Tathagata<\/i> disse para as pessoas fazerem mal \u00e0s plantas decepando suas flores, voc\u00ea est\u00e1 errado. Aqueles que observam os preceitos n\u00e3o machucam qualquer uma das mir\u00edades de formas do c\u00e9u e da terra. Se voc\u00ea machucar algo por engano, voc\u00ea sofre por isso. Mas aqueles que intencionalmente quebram os preceitos machucando a vida pelo desejo de b\u00ean\u00e7\u00e3os futuras sofrem ainda mais. Como podem permitir que essas poss\u00edveis b\u00ean\u00e7\u00e3os se convertam em sofrimentos?<\/p>\n<p>A l\u00e2mpada eterna representa o perfeito conhecimento. Comparando a ilumina\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia com a luz de uma l\u00e2mpada, aqueles que buscam a libera\u00e7\u00e3o v\u00eam seus corpos como a l\u00e2mpada, suas mentes como seu pavio, a disciplina como o \u00f3leo, e o poder da sabedoria como a chama. Acendendo essa l\u00e2mpada de perfeita consci\u00eancia dissipam toda escurid\u00e3o e ignor\u00e2ncia. E passando esse <i>Dharma<\/i> para os outros eles s\u00e3o capazes de usar uma l\u00e2mpada para acender milhares de l\u00e2mpadas. E como essas l\u00e2mpadas acendem por sua vez milhares de outras l\u00e2mpadas, sua luz permanece para sempre.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito tempo havia um buda chamado <i>Dipamkara<sup>(<\/sup><\/i><sup>94)<\/sup>, ou \u201cAquele que acende a l\u00e2mpada\u201d. Esse era o significado de seu nome. Mas os tolos n\u00e3o compreendem as met\u00e1foras do <i>Tathagata<\/i>. Persistindo na ilus\u00e3o e apegando-se ao tang\u00edvel, eles acendem l\u00e2mpadas de \u00f3leo vegetal comum e pensam que iluminando o interior de pr\u00e9dios elas est\u00e3o seguindo o ensinamento de Buda. Que tolice! A luz emitida por um Buda pela espiral entre suas sobrancelhas pode iluminar in\u00fameros mundos. L\u00e2mpada de \u00f3leo n\u00e3o serve para isso. Ou voc\u00ea pensa o contr\u00e1rio?<\/p>\n<p>Praticar os seis per\u00edodos do dia e da noite significa constantemente cultivar a ilumina\u00e7\u00e3o nos seis sentidos e perseverar em cada forma de consci\u00eancia. Nunca relaxar o controle sobre os seis sentidos \u00e9 o que significam os seis per\u00edodos.<\/p>\n<p>Ao caminhar ao redor de <i>stupas<\/i>, entender que ela \u00e9 seu corpo e mente. Quando sua consci\u00eancia d\u00e1 voltas ao redor de seu corpo e mente sem parar, isso se chama \u201ccaminhar ao redor de uma <i>stupa\u201d<\/i>. Os s\u00e1bios de outrora seguiam esse caminho para o <i>nirvana<\/i>, mas hoje as pessoas n\u00e3o compeendem o que isso significa. Em lugar de olhar para dentro elas insistem em olhar para fora. Elas usam seu corpo f\u00edsico para caminhar ao redor das <i>stupas<\/i> f\u00edsicas. E assim elas ficam dia e noite, exaustas em v\u00e3o e n\u00e3o se aproximam de sua verdadeira natureza.<\/p>\n<p>O mesmo acontece quanto a observar jejuns. \u00c9 in\u00fatil a menos que voc\u00ea compreenda o que realmente significa. Jejuar significa regular, regular o corpo e a mente de maneira que eles n\u00e3o se distraiam ou se perturbem. E observar significa manter, manter as regra de disciplina de acordo com o <i>Dharma<\/i>. Jejuar significa resguardar-se das seis atra\u00e7\u00f5es<sup>96<\/sup> externas e dos tr\u00eas venenos internos e esfor\u00e7ar-se mediante a contempla\u00e7\u00e3o para purificar seu corpo e mente.<\/p>\n<p>Jejuar tamb\u00e9m inclui cinco tipos de alimento. Primeiramente h\u00e1 o deleite no <i>Dharma<\/i>. Esse \u00e9 o deleite que vem de agir de acordo com o <i>Dharma<\/i>. O segundo \u00e9 a harmonia na medita\u00e7\u00e3o. \u00c9 a harmonia do corpo e da mente que vem ao ver al\u00e9m de sujeito e objeto. O terceiro \u00e9 a invoca\u00e7\u00e3o, invocar os budas tanto com a boca como com a mente. O quarto \u00e9 a determina\u00e7\u00e3o, determina\u00e7\u00e3o de manter-se \u00a0na virtude enquanto caminha, se est\u00e1 de p\u00e9, sentado ou deitado. O quinto \u00e9 a libera\u00e7\u00e3o, libera\u00e7\u00e3o de sua mente da contamina\u00e7\u00e3o mundana. Esses cinco s\u00e3o os alimentos do jejum. A menos que uma pessoa coma esses cinco alimentos puros, equivoca-se ao pensar que jejua.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, voltando a comer o alimento da ignor\u00e2ncia, se quebra o jejum e regredimos. E uma vez que se rompe n\u00e3o se colhe nenhuma b\u00ean\u00e7\u00e3o por isso. O mundo est\u00e1 cheio de pessoas iludidas que n\u00e3o v\u00eaem assim. Abandonam seus corpos e mentes a todos os tipos de maldades. Elas n\u00e3o refreiam suas paix\u00f5es e n\u00e3o t\u00eam vergonha e quando eles param de comer comida comum, elas chamam isso de jejum. Que absurdo!<\/p>\n<p>\u00c9 o mesmo com a venera\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea tem que entender o significado de adaptar-se \u00e0s condi\u00e7\u00f5es. Os meios incluem a a\u00e7\u00e3o e a n\u00e3o-a\u00e7\u00e3o. Quem assim o entenda segue o <i>Dharma<\/i>.<\/p>\n<p>Venera\u00e7\u00e3o significa rever\u00eancia e humildade. Significa reverenciar sua verdadeira natureza e diminuir as ilus\u00f5es. Se voc\u00ea pode varrer os desejos e abrigar bons pensamentos, mesmo que n\u00e3o demonstre, isso \u00e9 venera\u00e7\u00e3o. Tal forma \u00e9 a forma verdadeira.<\/p>\n<p>O Senhor Buda<sup>(97)<\/sup> quis que as pessoas pensassem em venera\u00e7\u00e3o ao expressarem humildade e dominarem a mente. Ent\u00e3o ele disse para prostrarem seus corpos para demonstrarem sua rever\u00eancia, para deixar o externo expressar o interno, para harmonizar ess\u00eancia e forma. Aqueles que fracassam ao cultivar o significado interno, e ao inv\u00e9s disso concentram-se na express\u00e3o externa, nunca param de se entregar a ignor\u00e2ncia, ao \u00f3dio e ao mal, exaurindo-se em v\u00e3o sem nenhum benef\u00edcio. Podem enganar os outros com posturas, n\u00e3o se envergonham diante dos s\u00e1bios e s\u00e3o presun\u00e7osos diante dos mortais, mas nunca escapar\u00e3o da Roda, muito menos conseguir\u00e3o algum m\u00e9rito.<\/p>\n<p><i>Mas o Sutra da Casa de Banho<sup>(98)<\/sup> diz que \u201cContribuindo para o banho de monges, as pessoas recebem b\u00ean\u00e7\u00e3os ilimitadas\u201d. Isso pareceria um exemplo de pr\u00e1tica externa fazendo m\u00e9ritos. Como isso se relaciona com contemplar a mente?<\/i><\/p>\n<p>Aqui, o banho dos monges n\u00e3o se refere a lavar algo tang\u00edvel. Quando o Senhor Buda pregou o <i>Sutra<\/i> <i>da Casa de Banho<\/i> quis dizer que seus disc\u00edpulos lembrassem do <i>Dharma<\/i> de lavar. Ent\u00e3o ele usou uma id\u00e9ia do dia a dia para exprimir seu significado real, que expressou em sua explica\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito resultante das sete oferendas. Destas sete, a primeira \u00e9 \u00e1gua pura, a segunda fogo, a terceira sab\u00e3o, a quarta amentilho de salgueiro, a quinta cinzas puras, a sexta ung\u00fcento, e a s\u00e9tima roupa de baixo<sup>(99)<\/sup>. Utilizou \u00a0essas sete oferendas para representar sete outras coisas que limpam e real\u00e7am uma pessoa pela elimina\u00e7\u00e3o da ilus\u00e3o e impureza de uma mente envenenada.<\/p>\n<p>A primeira dessas sete coisas \u00e9 a moralidade, que lava o excesso tal como a \u00e1gua pura lava a sujeira. A segunda \u00e9 sabedoria, que penetra sujeito e objeto, tal como o fogo esquenta a \u00e1gua. A terceira \u00e9 a discrimina\u00e7\u00e3o, que desfaz as m\u00e1s pr\u00e1ticas, tal como o sab\u00e3o livra do encardido. A quarta \u00e9 honestidade, que depura os pensamentos ilus\u00f3rios, tal como mascar amentilho de salgueiro purifica a respira\u00e7\u00e3o. A quinta \u00e9 a verdadeira f\u00e9, que dissolve todas as d\u00favidas, tal como esfregar cinzas puras no corpo previne enfermidades. A sexta \u00e9 a paci\u00eancia, que vence a resist\u00eancia e a desgra\u00e7a, tal como o ung\u00fcento suaviza a pele. A s\u00e9tima \u00e9 a vergonha, que repara as m\u00e1s a\u00e7\u00f5es, tal como a roupa de baixo cobre um corpo feio. Essas sete oferendas representam o significado real do <i>sutra<\/i>. Quando o <i>Tathagata<\/i> proclamou esse <i>sutra<\/i>, falava aos seguidores do <i>Mahayana<\/i> prevenidos, e n\u00e3o para gente de vis\u00e3o estreita. N\u00e3o \u00e9 de se surpreender que as pessoas de hoje n\u00e3o compreeendam.<\/p>\n<p>A casa de banho \u00e9 o corpo. Quando voc\u00ea acende a luz da sabedoria, aquece a \u00e1gua pura dos preceitos e banha a verdadeira natureza b\u00fadica que existe em voc\u00ea. Mantendo essas sete pr\u00e1ticas aumenta sua virtude. Os monges daquela \u00e9poca tinham sensibilidade, e compreenderam o significado do Buda. Seguiram seu ensinamento, aperfei\u00e7oaram sua virtude, e experimentaram o fruto da <i>buditude<\/i>. Mas atualmente as pessoas n\u00e3o podem nem imaginar essas coisas. Usam \u00e1gua comum para lavar um corpo f\u00edsico e pensam que seguem o <i>sutra<\/i>, mas equivocam-se.<\/p>\n<p>Nossa verdadeira natureza <i>b\u00fadica<\/i> n\u00e3o tem forma. E a poeira da afli\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem forma. Como podem as pessoas usar \u00e1gua comum para lavar um corpo intang\u00edvel? N\u00e3o funciona. Quando despertar\u00e3o? Para limpar tal corpo voc\u00ea deve contempl\u00e1-lo. Uma vez que as impurezas prov\u00eaem do desejo, elas multiplicam-se at\u00e9 que elas lhe cubram interna e externamente. Mas se voc\u00ea quer lavar esse seu corpo, dever\u00e1 esfregar at\u00e9 que ele quase desapare\u00e7a para ficar limpo. Por isso voc\u00ea deve compreender que lavar algo externo n\u00e3o \u00e9 o que Buda quis dizer.<\/p>\n<p><i>Dizem os sutras que algu\u00e9m que invoque um Buda de todo o cora\u00e7\u00e3o certamente renascer\u00e1 no para\u00edso Oriental<sup>(100)<\/sup>. Como essa porta leva \u00e0 buditude, por que procurar libera\u00e7\u00e3o na contempla\u00e7\u00e3o da mente?<\/i><\/p>\n<p>Se voc\u00ea invoca um Buda, dever\u00e1 faz\u00ea-lo bem. Salvo compreenda o que significa invocar, voc\u00ea estar\u00e1 se enganando. E se voc\u00ea se engana nunca ir\u00e1 \u00e0 parte alguma.<\/p>\n<p>Buda significa consci\u00eancia, consci\u00eancia de corpo e mente que previne que o mal apare\u00e7a em ambos. E invocar significa ter em mente, ter constantemente em mente as regras de disciplina e segui-las com toda a sua vontade. \u00c9 isso que significa invocar. Invocar tem a ver com pensamento e n\u00e3o com linguagem. Se voc\u00ea usa uma rede para pescar, uma vez que j\u00e1 pescou voc\u00ea pode esquecer a rede. E se voc\u00ea usa a linguagem para achar o significado, uma vez encontrado o significado pode esquecer a linguagem.<\/p>\n<p>Ao invocar o nome de Buda voc\u00ea deve entender o <i>Dharma<\/i> de invocar. Se n\u00e3o estiver presente em sua mente, sua boca cantar\u00e1 um nome vazio. Uma vez perturbada pelos tr\u00eas venenos ou por pensamentos pessoais, sua mente ignorante n\u00e3o vai lhe permitir ver o Buda e voc\u00ea vai apenas desperdi\u00e7ar seu esfor\u00e7o. Cantar e invocar s\u00e3o mundos diferentes. Canta-se com a boca; invoca-se com a mente. E como invocar prov\u00e9m da mente, chama-se porta da consci\u00eancia. Cantar est\u00e1 centrado na boca e aparece como som. Se voc\u00ea se prende \u00e0s apar\u00eancias, enquanto procura o significado, n\u00e3o encontrar\u00e1 nada. Assim, os s\u00e1bios do passado cultivaram a introspec\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a palavra.<\/p>\n<p>Essa mente \u00e9 a fonte de todas as virtudes. E essa mente domina todos os poderes. A eterna bem-aventuran\u00e7a do <i>nirvana<\/i> vem da mente tranq\u00fcila. O renascimento nos tr\u00eas reinos tamb\u00e9m prov\u00e9m da mente. A mente \u00e9 a porta de todos os mundos e o vau para a outra margem. Aqueles que sabem onde a porta est\u00e1 n\u00e3o se preocupam em alcan\u00e7\u00e1-la. Aqueles que sabem onde est\u00e1 a porta n\u00e3o se preocupam em alcan\u00e7\u00e1-la.<\/p>\n<p>As pessoas que encontro atualmente s\u00e3o superficiais. Pensam no m\u00e9rito como algo que tem forma. Desperdi\u00e7am sua riqueza e matam criaturas da terra e do mar. Tolamente preocupam-se em erigir est\u00e1tuas e <i>stupas<\/i>, fazendo com que as pessoas amontoem t\u00e1buas e tijolos, pintando isso de azul e aquilo de verde. Eles for\u00e7am seus corpos e mentes, machucam a si mesmos e enganam os outros. E n\u00e3o sabem o suficiente para se envergonhar. Como poder\u00e3o iluminar-se? V\u00eaem algo tang\u00edvel e imediatamente apegam-se a isso. Se voc\u00ea lhes fala da car\u00eancia de forma, sentem-se atordoados e confusos. \u00c1vidos pelos pequenos prazeres desse mundo permanecem cegos para o grande sofrimento futuro. Tais disc\u00edpulos ficam exaustos em v\u00e3o. Desviando-se da verdade e permanecendo no falso, s\u00f3 falam de b\u00ean\u00e7\u00e3os futuras.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea puder simplesmente concentrar-se na luz interior de sua mente e contemplar sua ilumina\u00e7\u00e3o exterior, dissipar\u00e1 os tr\u00eas venenos e afugentar\u00e1 os seis ladr\u00f5es de uma vez por todas. E sem esfor\u00e7os tomar\u00e1 posse de um n\u00famero infinito de virtudes, perfei\u00e7\u00f5es e portas para a verdade. Ver atrav\u00e9s do mundano e contemplar o sublime est\u00e1 a menos de uma piscadela. <b>A realiza\u00e7\u00e3o \u00e9 agora<\/b>. Por que preocupar-se com o cabelo grisalho? Por\u00e9m a verdadeira porta est\u00e1 escondida e n\u00e3o pode ser revelada. Apenas a rocei contemplando a mente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>Esse texto chin\u00eas utilizado para a tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 uma edi\u00e7\u00e3o realizada em uma talha de madeira da dinastia Ch\u2019ing que incorpora corre\u00e7\u00f5es de erros \u00f3bvios do copista na edi\u00e7\u00e3o normal do Tripitaka da dinastia Ming. Acrescentei algumas corre\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, baseadas principalmente em varia\u00e7\u00f5es textuais encontradas nas vers\u00f5es de Tun-huang, que podem ser consultadas na obra do Dr. Suzuki <i>(Shoshitsu isho oyobi kaisetsu<\/i> (obras perdidas de Bodhidharma). Uma tradu\u00e7\u00e3o inglesa anterior da <i>Medita\u00e7\u00e3o sobre as quatro a\u00e7\u00f5es<\/i> <i>(da transmiss\u00e3o da l\u00e2mpada)<\/i> aparece no <i>Manual do budismo Zen<\/i>, tamb\u00e9m de Suzuki. [&#8230;]<\/p>\n<p><b>1.<\/b> <b><i>Caminho.<\/i><\/b> Quando o budismo foi para a China, a palavra <i>Tao<\/i> era usada para traduzir <i>Dharma<\/i> e <i>Bodhi.<\/i> Em parte isso deveu-se por que o budismo foi visto como uma vers\u00e3o estrangeira do tao\u00edsmo. Em seu \u201cSerm\u00e3o do Ciclo da Vida\u201d, Bodhidharma diz: \u201cO Caminho \u00e9 zen\u201d.<\/p>\n<p><b>2<i>. Parede.<\/i><\/b> Depois de chegar \u00e0 China, Bodhidharma passou nove anos em medita\u00e7\u00e3o em frente \u00e0 parede de uma caverna pr\u00f3xima ao Templo de Shaolin. A parede do vazio de Bodhidharma liga todos os opostos, incluindo eu e o outro, mortal e s\u00e1bio.<\/p>\n<p><b>3.<\/b> <b><i>Quatro pr\u00e1ticas.<\/i><\/b> S\u00e3o uma varia\u00e7\u00e3o das quatro nobres verdades: toda exist\u00eancia \u00e9 marcada por sofrimento; o sofrimento tem uma causa; a causa pode terminar; e o caminho para termin\u00e1-la \u00e9 o \u00f3ctuplo caminho da vis\u00e3o correta, pensamento correto, fala correta, a\u00e7\u00e3o correta, modo de vida correto, devo\u00e7\u00e3o correta, aten\u00e7\u00e3o correta e zen correto.<\/p>\n<p><b>\u00a04.<\/b> <b><i>Calamidade e Prosperidade.<\/i><\/b> Duas deusas, respons\u00e1veis por m\u00e1 e boa sorte, respectivamente. Elas aparecem no cap\u00edtulo doze do Sutra do Nirvana.<\/p>\n<p><b>5.<\/b> <b><i>Tr\u00eas reinos.<\/i><\/b> O equivalente psicol\u00f3gico budista do mundo cosmol\u00f3gico triplo bram\u00e2nico de bhurm, bhuvah e svar, ou terra, atmosfera e c\u00e9u. O mundo triplo budista inclui <i>kamadhatu<\/i>, ou o reino do <i>desejo<\/i> \u2013 os infernos, os quatro continentes do mundo humano e animal, e os seis para\u00edsos do prazer; <i>rupadhatu<\/i>, ou o reino da <i>forma<\/i> \u2013 e <i>arupadhatu<\/i>, da <i>n\u00e3o forma<\/i> os quatro para\u00edsos da medita\u00e7\u00e3o; Juntos, os tr\u00eas reinos constituem os limites da exist\u00eancia. No cap\u00edtulo tr\u00eas do Sutra do L\u00f3tus os tr\u00eas reinos s\u00e3o representados como uma casa em chamas.<\/p>\n<p><b>\u00a06.<\/b> <b><i>Dharma.<\/i><\/b> A palavra s\u00e2nscrita Dharma vem de dhri, que significa pegar, e refere-se a qualquer coisa que precisa ser \u201cpega\u201d para ser real, tanto num sentido provis\u00f3rio como derradeiro. Portanto, a palavra pode significar coisa, ensinamento ou realidade.<\/p>\n<p><b>\u00a07.<\/b> <b><i>Seis virtudes.<\/i><\/b> Os Paramitas, ou meios de transporte para a outra margem: generosidade, moralidade, paci\u00eancia, devo\u00e7\u00e3o, medita\u00e7\u00e3o, e sabedoria. Todos os seis devem ser praticados com desapego dos conceitos de ator, a\u00e7\u00e3o e benefici\u00e1rio.<\/p>\n<p><b>\u00a08.<\/b> <b><i>Mente.<\/i><\/b> Um verso do Avatamsaka Sutra \u00e9 parafraseado aqui: \u201cOs tr\u00eas reinos s\u00e3o somente uma mente\u201d. O Sexto Patriarca zen, Hui-Neng, distingue mente como o reino e natureza como o senhor.<\/p>\n<p><b>\u00a09.<\/b> <b><i>Budas.<\/i><\/b> O budismo n\u00e3o se limita a um buda. Ele reconhece incont\u00e1veis budas. Al\u00e9m disso, todos t\u00eam a natureza de buda. H\u00e1 um buda em cada mundo, assim como h\u00e1 consci\u00eancia em cada pensamento. A \u00fanica qualifica\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a buditude \u00e9 o conhecimento completo.<\/p>\n<p><b>10.<\/b> <b><i>Sem defini\u00e7\u00f5es<\/i><\/b>. A aus\u00eancia de defini\u00e7\u00f5es na transmiss\u00e3o do Dharma \u00e9 um crit\u00e9rio do zen budismo. N\u00e3o necessariamente significa sem palavras, mas sem restri\u00e7\u00f5es ao quanto o modo de transmiss\u00e3o.\u00a0 Um gesto \u00e9 t\u00e3o bom como um discurso.<\/p>\n<p><b>11<\/b>. <b><i>Kalpa.<\/i><\/b> O per\u00edodo entre a cria\u00e7\u00e3o e a destrui\u00e7\u00e3o do mundo, um eon.<\/p>\n<p><b>12.<\/b> <b><i>Essa mente \u00e9 o buda.<\/i><\/b> \u00c9 o budismo Mahayana em poucas palavras. Uma vez um monge perguntou a Ameixa Grande o que Matsu lhe ensinara. Ameixa Grande disse <i>\u201cEssa mente \u00e9 o Buda\u201d.<\/i> O monge\u00a0 respondeu: Atualmente Matsu ensina <i>\u201cO que n\u00e3o \u00e9 a mente n\u00e3o \u00e9 o buda\u201d.<\/i> A isso Ameixa Grande respondeu: <i>\u201cDeixe-o dizer \u2018O que n\u00e3o \u00e9 a mente n\u00e3o \u00e9 o buda\u2019.<\/i> Eu fico com \u2018Essa mente \u00e9 o\u00a0 Buda\u2019\u201d. Quando ele ouviu essa hist\u00f3ria, Matsu disse: \u201cA ameixa est\u00e1 madura\u201d. (Transmiss\u00e3o da L\u00e2mpada, Cap\u00edtulo 7).<\/p>\n<p><b>13.<\/b> <b><i>Ilumina\u00e7\u00e3o. Bodhi.<\/i><\/b> Diz-se que a mente livre de ilus\u00e3o \u00e9 cheia de luz, como a Lua quando n\u00e3o est\u00e1 obscurecida por nuvens. Em vez de sofrer outro renascimento, a pessoa iluminada realiza o nirvana, porque a ilumina\u00e7\u00e3o p\u00f5e fim ao carma. A faculdade de ouvir \u00e9 mais primitiva, mas a vis\u00e3o \u00e9 a contumaz fonte de sabedoria acerca de realidade; da\u00ed o uso de met\u00e1foras visuais. Os sutras tamb\u00e9m falam de mundos nos quais os budas ensinam atrav\u00e9s do olfato.<\/p>\n<p><b>14.<\/b> <b><i>Nirvana.<\/i><\/b> Os tradutores chineses antigos tentaram umas 40 palavras chinesas antes de desistirem e simplesmente transcrever a palavra s\u00e2nscrita, que significa aus\u00eancia de respira\u00e7\u00e3o. \u00c9 tamb\u00e9m definida como a \u00fanica calma. Muitas pessoas a relacionam \u00e0 morte, mas para os budistas o nirvana significa aus\u00eancia do significado dial\u00e9tico da respira\u00e7\u00e3o. De acordo com Nagarjuna: <i>\u201cO que \u00e9 samsara, quando sujeito ao carma, \u00e9 nirvana, quando n\u00e3o mais sujeito ao carma\u201d.<\/i> (Madhyamika Shastra, Cap\u00edtulo 25, verso 9).<\/p>\n<p><b>15.<\/b> <b><i>Natureza pr\u00f3pria. Svabhava.<\/i><\/b> O que \u00e9 por si mesmo. A natureza pr\u00f3pria de nada depende, nem causal, nem temporal nem espacialmente. A natureza pr\u00f3pria n\u00e3o tem apar\u00eancia. Seu corpo \u00e9 um n\u00e3o-corpo. N\u00e3o \u00e9 um tipo de ego, e n\u00e3o \u00e9 algum tipo de subst\u00e2ncia ou caracter\u00edstica que exista dentro ou fora dos fen\u00f4menos. A natureza pr\u00f3pria \u00e9 vazia de todas as caracter\u00edsticas, incluindo o vazio, mas ainda assim define a realidade.<\/p>\n<p><b>16.<\/b> <b><i>Invocar budas.<\/i><\/b> Invocar inclui tanto a visualiza\u00e7\u00e3o de um buda como a repeti\u00e7\u00e3o do nome do buda. O objeto usual de tal devo\u00e7\u00e3o \u00e9 Amithaba, Buda do Infinito. Invocar de todo cora\u00e7\u00e3o Amithaba assegura aos devotos renascer no Para\u00edso Oriental, onde a ilumina\u00e7\u00e3o \u00e9 dita ser muito mais f\u00e1cil atingir do que neste mundo.<\/p>\n<p><b>17.<\/b> <b><i>Sutra.<\/i><\/b> Significa fio, um sutra mant\u00e9m juntas por um fio as palavras de um buda.<\/p>\n<p><b>18.<\/b> <b><i>Preceitos.<\/i><\/b> A pr\u00e1tica budista de moralidade inclui um n\u00famero de proibi\u00e7\u00f5es: usualmente cinco para leigos, aproximadamente 250 para monges e de 350 a 500 para monjas.<\/p>\n<p><b>19.<\/b> <b><i>Ver sua pr\u00f3pria natureza.<\/i><\/b> Chamada de natureza pr\u00f3pria, natureza de buda ou natureza do Dharma, nossa natureza \u00e9 nosso corpo verdadeiro. \u00c9 tamb\u00e9m nosso falso corpo. Nosso corpo verdadeiro n\u00e3o est\u00e1 sujeito ao nascimento ou morte, aparecimento ou desaparecimento, mas o nosso corpo falso est\u00e1 num estado de constante mudan\u00e7a. Ao ver nossa verdadeira natureza, nossa natureza se v\u00ea a si mesma, porque a ignor\u00e2ncia\u00a0 e o conhecimento n\u00e3o s\u00e3o diferentes. Para uma exposi\u00e7\u00e3o sobre isso em portugu\u00eas, veja o livro de D.T. Suzuki: <i>A Doutrina Zen da N\u00e3o-Mente.<\/i><\/p>\n<p><b>20.<\/b> <b><i>Vida e morte.<\/i><\/b> Shakyamuni deixou o lar para achar uma sa\u00edda do ciclo intermin\u00e1vel da Roda da vida. Todos que seguem Buda devem fazer o mesmo. Quando chegou o momento de transmitir o manto e a tigela da linhagem Zen, Hung-jen, o Quinto Patriarca zen, reuniu seus disc\u00edpulos em assembl\u00e9ia e disse-lhes: \u201cNada \u00e9 mais importante que vida e morte. Por\u00e9m em vez de procurar uma sa\u00edda para o Oceano de Vida e Morte, voc\u00eas passam todo o tempo procurando maneiras de acumular m\u00e9ritos. Se voc\u00eas s\u00e3o cegos para sua pr\u00f3pria natureza, para que serve o m\u00e9rito? Usem sua sabedoria, a <i>natureza-prajna<\/i> de suas pr\u00f3prias mentes. Voc\u00eas todos, v\u00e3o escrever um poema\u201d. <i>(Sutra do Sexto Patriarca Hui-neng, Cap\u00edtulo 1).<\/i><\/p>\n<p><b>21<\/b>. <b><i>Sutra Desdobrado em Doze. As doze divis\u00f5es das escrituras reconhecidas pelo budismo Mahayana. Essas divis\u00f5es, que surgiram para separar diferentes temas e formas liter\u00e1rias, incluem sutras, serm\u00f5es de Buda; geyas, repeti\u00e7\u00f5es em versos dos sutras; gathas, c\u00e2nticos e poemas; nidanas, narrativas hist\u00f3ricas; jatacas, hist\u00f3rias de budas anteriores; itivrittakas, hist\u00f3rias das vidas passadas dos disc\u00edpulos; adbhutadharma, milagres de Buda; avadana, alegorias; upadesa, discuss\u00f5es da doutrina; udana, postulados n\u00e3o solicitados da doutrina; vaipulya, discursos estendidos; e vyakana, profecias de ilumina\u00e7\u00e3o.<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>22.<\/b> <b><i>Roda de Nascimentos e Mortes.<\/i><\/b> O renascer sem fim do qual somente os budas escapam.<\/p>\n<p><b>23.<\/b> <b><i>Boa Estrela.<\/i><\/b> No Cap\u00edtulo 33 do <i>Nirvana Sutra<\/i> diz-se que Boa Estrela \u00e9 um dos tr\u00eas filhos de Shakyamuni. E, tal como seu irm\u00e3o Rahula, tornou-se um monge. No fim, ele era capaz de recitar e explicar inteiramente a literatura sagrada de seu tempo e pensou que tinha atingido o quarto reino celestial de dhyana no reino da forma. E quando o suporte c\u00e1rmico por tal feito exauriu-se, ele foi transportado fisicamente para o inferno do sofrimento sem fim.<\/p>\n<p><b>24<i>. Sutras ou shastras.<\/i><\/b> Os Sutras s\u00e3o discursos do Buda. <i>Shastras<\/i> s\u00e3o coment\u00e1rios dos disc\u00edpulos proeminentes.<\/p>\n<p><b>\u00a025<\/b>. <b><i>Branco do preto.<\/i><\/b> Refer\u00eancia \u00e0 tentativa de ver o budismo como confucionismo ou taoismo, que se percebe no ensaio de Hui-ling sobre o tema, escrito em 435, no qual ele declarou o budismo e o confucionismo igualmente verdadeiros e no qual nega o funcionamento do carma ap\u00f3s a morte.<\/p>\n<p><b>26.<\/b> <b><i>Dem\u00f4nios.<\/i><\/b> Os budistas, como os seguidores de outras cren\u00e7as, reconhecem uma categoria de seres cujo \u00fanico prop\u00f3sito \u00e9 desviar do seu caminho os budas em potencial. Essa legi\u00e3o de dem\u00f4nios s\u00e3o lideradas por Mara, a quem Buda derrotou na noite de sua ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>27<\/b>. <b><i>Carma.<\/i><\/b> O equivalente moral da lei f\u00edsica de causa e efeito. O carma inclui a\u00e7\u00f5es do corpo, fala e mente. Tais a\u00e7\u00f5es giram a Roda do Renascimento e resultam em sofrimento. Mesmo quando uma a\u00e7\u00e3o \u00e9 boa ela gira a Roda. O objetivo da pr\u00e1tica budista \u00e9 escapar da roda, por um fim ao Carma, agir sem agir, nem sequer para atingir um renascimento melhor.<\/p>\n<p><b>28<\/b>. <b><i>Skandas.<\/i><\/b> Palavra s\u00e2nscrita que significa a constitui\u00e7\u00e3o do corpo e da mente ou o corpo mental: forma, sensa\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00f5es mentais\u00a0 e consci\u00eancia.<\/p>\n<p><b>29.<\/b> <b><i>Samsara.<\/i><\/b> Palavra s\u00e2nscrita que significa <i>fluxo constante<\/i>, o ciclo de mortalidade, o fluxo sem fim de nascimento e morte.<\/p>\n<p><b>30.<\/b> <b><i>Tathagata.<\/i><\/b> Uma dos nomes para designar um buda; o nome pelo qual um buda se refere a si mesmo. Um buda \u00e9 s\u00e1bio. Um Tathagata \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o no mundo de um buda, seu\u00a0 corpo de transforma\u00e7\u00e3o, em oposi\u00e7\u00e3o a seu corpo de desfrute ou seu corpo real. Um Tathagata ensina o Dharma.<\/p>\n<p><b>31<\/b>. <b><i>Quatro elementos.<\/i><\/b> Os quatro elementos constituintes de toda mat\u00e9ria, incluindo o corpo material:\u00a0 terra, \u00e1gua, fogo e ar.<\/p>\n<p><b>32<\/b>. <b><i>Kashyapa.<\/i><\/b> Tamb\u00e9m chamado Mahakashyapa, ou o Grande Kashyapa, foi um dos mais principais disc\u00edpulos do Buda e \u00e9 considerado o Primeiro Patriarca na \u00cdndia. Quando Buda ergueu uma flor, Kashyapa sorriu como resposta, e a transmiss\u00e3o de mente a mente come\u00e7ou.<\/p>\n<p><b>33<\/b>. <b><i>Bodhisattva.<\/i><\/b> O ideal Mahayana. O bodhisattva condiciona sua pr\u00f3pria libera\u00e7\u00e3o \u00e0 dos demais seres, enquanto o arhat, ideal Hinayana, preocupa-se com procurar sua pr\u00f3pria salva\u00e7\u00e3o. Em vez de encolher a mente em vacuidade, como faz o arhat, o bodhisattva expande-a ao infinito. \u00c9 assim porque ele compreende que todos os seres t\u00eam a mesma natureza de buda.<\/p>\n<p><b>34<\/b>. <b><i>Esp\u00edritos, dem\u00f4nios ou seres divinos.<\/i><\/b> Esp\u00edritos s\u00e3o seres sem corpo. Entre os dem\u00f4nios se incluem v\u00e1rios deuses celestiais (devas), do mar (nagas) e da terra (yakshas). Entre os seres divinos est\u00e1 Indra, senhor dos 33 reinos celestes, e Brahma, senhor da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>35<\/b>. <b><i>O buda, o Dharma, e a sangha<\/i><\/b>. Constituem o Ref\u00fagio Budista, ou as tr\u00eas j\u00f3ias. Um Dharma \u00e9 o ensinamento de um buda. Aqueles que seguem tal ensinamento formam a ordem dos monges, ou, na tradi\u00e7\u00e3o Mahayana, bodhisattvas.<\/p>\n<p><b>36.<\/b> <b><i>Zen.<\/i><\/b> Palavra japonesa que significa medita\u00e7\u00e3o, primeiramente utilizada para transliterar dhyana. \u00c9 atribu\u00eddo a Bodhidharma liberar o zen da almofada de medita\u00e7\u00e3o, usando o termo para referir-se \u00e0 mente cotidiana, a mente que senta sem sentar-se e que age sem atuar.<\/p>\n<p><b>37<\/b>. <b><i>Milhares de sutras e shastras.<\/i><\/b> Um cat\u00e1logo do C\u00e2none Budista Chin\u00eas, ou Tripitaka, feito no in\u00edcio do S\u00e9c. VI lista 2.213 trabalhos distintos. Cerca de 1.600 deles eram sutras. Muitos sutras foram adicionados ao Tripitaka desde ent\u00e3o, mas muitos foram perdidos. O C\u00e2none atual tem 1.662 obras.<\/p>\n<p><b>38<\/b>. <b><i>Corpo e mente.<\/i><\/b> O corpo dos quatro elementos e a mente s\u00e3o os cinco agregados designam o eu genericamente, mas Bodhidharma refere-se \u00e0 natureza b\u00fadica.<\/p>\n<p><b>39.<\/b> <b><i>C\u00e9u e inferno.<\/i><\/b> Os budistas reconhecem quatro reinos celestes da forma, os quais s\u00e3o divididos em 16 ou 17 reinos celestes, e quatro sem forma. Do lado oposto da Roda existem oito infernos quentes e oito infernos frios, cada um dos quais tem quatro infernos adjacentes. H\u00e1 tamb\u00e9m um n\u00famero de infernos especais, tais como o inferno da escurid\u00e3o e sofrimento sem fim.<\/p>\n<p><b>40.<\/b> <b><i>Fan\u00e1ticos.<\/i><\/b> Dentre os seguidores das v\u00e1rias seitas budistas e n\u00e3o budistas, aqueles mais propensos a serem designados como fan\u00e1ticos foram aqueles que se engajaram em ascetismo e auto-tortura ou aqueles que seguiram a letra e n\u00e3o o esp\u00edrito do Dharma.<\/p>\n<p><b>41<\/b>. <b><i>Insuper\u00e1vel e completa ilumina\u00e7\u00e3o.<\/i><\/b> <i>Anuttara-samyak-sambodhi.<\/i> O objetivo dos bodhisattvas. Veja o princ\u00edpio do <i>Sutra do Diamante.<\/i><\/p>\n<p><b>42.<\/b> <b><i>Shakyamuni.<\/i><\/b> Shakya era o nome do cl\u00e3 de Buda. Muni significa santo. O nome de sua fam\u00edlia era\u00a0 Gautama, e seu nome pessoal era Siddharta. As datas exatas variam, mas o consenso \u00e9 aproximadamente de 557 a487 A.C.<\/p>\n<p><b>\u00a043<\/b>. <b><i>Ananda.<\/i><\/b> Primo de Shakyamuni. Ele nasceu na noite da ilumina\u00e7\u00e3o de Buda. Vinte e cinco anos ap\u00f3s entrou na ordem como atendente pessoal de Buda. Ap\u00f3s o nirvana de Buda, ele repetiu de mem\u00f3ria os serm\u00f5es de Buda no Primeiro Conc\u00edlio.<\/p>\n<p><b>44.<\/b> <b><i>Arhat.<\/i><\/b> Liberar a si pr\u00f3prio do renascimento \u00e9 o objetivo dos seguidores do Hinayana, ou Pequeno Ve\u00edculo. Por\u00e9m, ainda que um arhat esteja al\u00e9m das paix\u00f5es, tamb\u00e9m est\u00e1 aqu\u00e9m da compaix\u00e3o. Ele n\u00e3o percebe que todos os mortais compartilham a mesma natureza e que n\u00e3o h\u00e1 budas a n\u00e3o ser que todos sejam budas.<\/p>\n<p><b>45<\/b>. <b><i>Icchantikas.<\/i><\/b> Uma classe de seres preocupados t\u00e3o exclusivamente com gratifica\u00e7\u00e3o dos sentidos que a cren\u00e7a religiosa est\u00e1 fora do seu alcance. Eles quebram os preceitos e recusam-se a arrependerem-se. Uma tradu\u00e7\u00e3o chinesa antiga do Sutra do Nirvana nega que os icchantikas possu\u00edssem a natureza de buda. Uma vez que a proibi\u00e7\u00e3o budista de matar intenciona evitar matar algu\u00e9m capaz de atingir a buditude, matar icchantikas era, pelo menos em teoria, isento de culpa. Uma tradu\u00e7\u00e3o mais recente do Sutra do Nirvana, entretanto, retificou esta no\u00e7\u00e3o, dizendo que mesmo icchantikas t\u00eam natureza\u00a0 de buda.<\/p>\n<p><b>46<\/b>. <b><i>Mais baixas ordens da exist\u00eancia.<\/i><\/b><i> <\/i>Animais, fantasmas famintos e sofredores no inferno.<\/p>\n<p><b>47<\/b>. <b><i>Raspar suas cabe\u00e7as.<\/i><\/b> Quando Shakyamuni deixou o pal\u00e1cio do pai no meio da noite para come\u00e7ar sua procura por ilumina\u00e7\u00e3o, ele cortou com a espada seu cabelo, que estava na altura dos ombros. O cabelo curto que restou formava cachos no sentido do rel\u00f3gio que nunca precisavam ser cortados novamente. Mais tarde, os membros da Ordem Budista come\u00e7aram a raspar suas cabe\u00e7as para distinguirem-se de outras seitas.<\/p>\n<p><b>48<\/b>. <b><i>Poderes espirituais.<\/i><\/b> Os budistas reconhecem seis de tais poderes: a habilidade de ver todas as formas; a habilidade de ouvir todos os sons; a habilidade de saber os pensamentos dos outros; a habilidade de conhecer as exist\u00eancias pr\u00e9vias de si mesmo e dos demais, a habilidade de estarem em qualquer lugar ou fazer qualquer coisa a vontade; e a habilidade de conhecer o fim do renascimento.<\/p>\n<p><b>49<\/b>. <b><i>Vinte e sete patriarcas.<\/i><\/b> Kashyapa foi o Primeiro Patriarca da linhagem indiana. Ananda foi o segundo. Prajnatara foi o vig\u00e9simo s\u00e9timo e Bodhidharma o vig\u00e9simo oitavo. Bodhidharma foi tamb\u00e9m o Primeiro Patriarca Ch\u2019an na China.<\/p>\n<p><b>50<\/b>. <b><i>Selo.<\/i><\/b> A transmiss\u00e3o da mente zen \u00e9 de uma perfeita semelhan\u00e7a, a qual pode ser sempre conferida com a coisa verdadeira, a qual leva o mesmo tempo e faz o mesmo ru\u00eddo como afixar um selo. <i>(Isto \u00e9; N\u00e3o faz ru\u00eddo nem leva tempo)<\/i><\/p>\n<p><b>51<\/b>. <b><i>Mahayana.<\/i><\/b> Maha significa grande, e yana significa ve\u00edculo. A forma predominante de budismo no nordeste, centro e leste da \u00c1sia. O Theravada (Ensinamento dos Anci\u00f5es) \u00e9 a forma predominante do sul e sudeste da \u00c1sia. A palavra Hinayana \u00e9 tamb\u00e9m utilizada para referir-se ao Theravada.<\/p>\n<p><b>52<\/b>. <b><i>\u00c1tomos.<\/i><\/b> Os antigos budistas Sarvastivadins reconheciam part\u00edculas subat\u00f4micas chamadas <i>parama-anu,<\/i> as quais somente podem ser conhecidas atrav\u00e9s da medita\u00e7\u00e3o. Sete destas part\u00edculas fazem um \u00e1tomo, e sete \u00e1tomos fazem uma mol\u00e9cula, a qual \u00e9 percept\u00edvel somente pelos olhos de um bodhisattva. Os sarvastivadins declaram que o corpo de uma pessoas \u00e9 feito de 84.000 \u00e1tomos (o n\u00famero 84.000 era tamb\u00e9m utilizado para significar incont\u00e1vel).<\/p>\n<p><b>53<\/b>. <b><i>Grande Ve\u00edculo.<\/i><\/b> O Mahayana. A mente. S\u00f3 a mente pode lev\u00e1-lo a qualquer parte.<\/p>\n<p><b>54<\/b>. <b><i>Seis sentidos.<\/i><\/b> Vis\u00e3o, audi\u00e7\u00e3o, olfato, paladar, tato e pensamento.<\/p>\n<p><b>55.<\/b> <b><i>Cinco agregados.<\/i><\/b> Os cinco skandas, ou constituintes do indiv\u00edduo: Forma, sensa\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00f5es mentais e consci\u00eancia.<\/p>\n<p><b>56<\/b>. <b><i>Dez dire\u00e7\u00f5es.<\/i><\/b> Os oito pontos cardinais, mais o z\u00eanite e o nadir.<\/p>\n<p><b>57<\/b>. <b><i>Os Arhats permanecem im\u00f3veis.<\/i><\/b> O arhat alcan\u00e7a o quarto e \u00faltimo fruto do budismo Hinayana, libera\u00e7\u00e3o das paix\u00f5es, cultivando a imobilidade.<\/p>\n<p><b>58.<\/b> <b><i>Deixar o lar.<\/i><\/b> Como Shakyamuni fez para procurar a ilumina\u00e7\u00e3o. Portanto, tornar-se um monge ou monja.<\/p>\n<p><b>59<\/b>. <b><i>Local da ilumina\u00e7\u00e3o.<\/i><\/b> <i>Bodhimandala.<\/i> O centro de cada mundo, onde todos os budas alcan\u00e7am a ilumina\u00e7\u00e3o. O termo tamb\u00e9m refere-se a um templo budista.<\/p>\n<p><b>60<\/b>. <b><i>Local desabitado.<\/i><\/b> Local adequado para o cultivo da espiritualidade.<\/p>\n<p><b>61<\/b>. <b><i>Caminho do meio.<\/i><\/b> O caminho que evita realismo e niilismo, exist\u00eancia e n\u00e3o exist\u00eancia.<\/p>\n<p><b>\u00a062<\/b>. <b><i>Vis\u00e3o verdadeira.<\/i><\/b> O \u00d3ctuplo Nobre Caminho do Buda come\u00e7a com a vis\u00e3o verdadeira (reta), que busca romper atrav\u00e9s do pensamento iludido ou ignor\u00e2ncia, o primeiro dos 12 elos da Corrente do Carma: ignor\u00e2ncia, forma\u00e7\u00f5es mentais, consci\u00eancia, nome-e-forma, \u00f3rg\u00e3os dos sentidos, contato, sensa\u00e7\u00e3o, desejo, apropria\u00e7\u00e3o, exist\u00eancia, nascimento, velhice-e-morte. Os tr\u00eas primeiros referem-se \u00e0 exist\u00eancia anterior.\u00a0 Os dois \u00faltimos \u00e0 pr\u00f3xima exist\u00eancia.<\/p>\n<p><b>63<\/b>. <b><i>Samad\u00ed.<\/i><\/b> O objetivo da medita\u00e7\u00e3o. <i>Samadi<\/i> \u00e9 uma palavra s\u00e2nscrita para mente sem distra\u00e7\u00e3o, uma cobra dentro de um tubo de bambu.<\/p>\n<p><b>64<\/b>. <b><i>Cinco trevas.<\/i><\/b> Os cincos skandas ou agregados, os constituintes da personalidade que obscurecem natureza b\u00fadica: forma, sensa\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00f5es mentais e consci\u00eancia.<\/p>\n<p><b>65<\/b>. <b><i>In\u00edcio do nirvana.<\/i><\/b> O nirvana n\u00e3o \u00e9 final antes de se abandonar o corpo.<\/p>\n<p><b>66.<\/b> <b><i>Garantia de n\u00e3o renascer.<\/i><\/b> A realiza\u00e7\u00e3o do nirvana.<\/p>\n<p><b>67.<\/b> <b><i>Terra b\u00fadica.<\/i><\/b> Um reino transformado de imund\u00edcie \u00e0 pureza pela presen\u00e7a de um buda, portanto, uma terra pura. Veja a \u00faltima se\u00e7\u00e3o do cap\u00edtulo um no Sutra de Vimilakirti.<\/p>\n<p><b>68.<\/b> <b><i>Balsa.<\/i><\/b> Buda compara seu ensinamento \u00e0 uma balsa que pode ser usada para cruzar o Rio de Renascimento Sem Fim. Mas uma vez que serviu ao prop\u00f3sito, a balsa \u00e9 in\u00fatil. N\u00e3o \u00e9 mais uma balsa.<\/p>\n<p><b>69.<\/b> <b><i>Deusa&#8230;cavalari\u00e7o.<\/i><\/b> A Deusa aparece no cap\u00edtulo 7 do Sutra de Vimilakirti. O garoto apunhalado pode ser uma refer\u00eancia ao cavalari\u00e7o de Shakyamuni. Se assim for, n\u00e3o estou familiarizado com a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><b>70<\/b>. <b><i>Doze entradas.<\/i><\/b> Os seis \u00f3rg\u00e3os e os seis sentidos.<\/p>\n<p><b>71.<\/b> <b><i>Tr\u00eas libera\u00e7\u00f5es.<\/i><\/b> A liberta\u00e7\u00e3o da ignor\u00e2ncia, do \u00f3dio e do apego \u00e9 ultrapassar as tr\u00eas portas da salva\u00e7\u00e3o: n\u00e3o-eu, n\u00e3o-forma e n\u00e3o-desejo.<\/p>\n<p><b>72<\/b>. <b><i>Wutou e futzu.<\/i><\/b> Um anest\u00e9sico \u00e9 extra\u00eddo do futzu, as ra\u00edzes secund\u00e1rias que crescem da raiz b\u00e1sica do wutou (aconitum). A raiz secund\u00e1ria n\u00e3o se desenvolve at\u00e9 o segundo ano da planta.<\/p>\n<p><b>73<\/b>. <b><i>Tr\u00eas corpos.<\/i><\/b> O Nirmanakaya (Shakyamuni), o Sambhogakaya (Amithaba) e o Dharmakaya (Vairocana).<\/p>\n<p><b>74.<\/b> <b><i>A<\/i><\/b><b><i> Grande ilumina\u00e7\u00e3o aconteceu nos Himalaias.<\/i><\/b> A ilumina\u00e7\u00e3o de Buda n\u00e3o ocorreu nos Himalaias, mas no antigo estado indiano de Magadha, sul do Nepal. Numa exist\u00eancia anterior, entretanto, Buda viveu nos Himalaias como asceta. Portanto, considerando as vidas anteriores isso \u00e9 verdade.<\/p>\n<p><b>75.<\/b> <b><i>Uma pessoa pode ampliar o caminho.<\/i><\/b> O caminho n\u00e3o pode ampliar uma pessoa. \u00c9 um d\u00edstico de Conf\u00facio (Analectos, Cap\u00edtulo 15)<\/p>\n<p><b>76<\/b>. <b><i>Sabedoria perfeita.<\/i><\/b> Trata-se de uma par\u00e1frase da linha de abertura do Sutra do Cora\u00e7\u00e3o, onde o bodhisattva \u00e9 Avalokitesvara e no qual a sabedoria perfeita, ou Prajnaparamita, \u00e9 n\u00e3o sabedoria, pois a sabedoria perfeita &#8220;v\u00e1, v\u00e1 al\u00e9m, v\u00e1 completamente al\u00e9m&#8221; est\u00e1 al\u00e9m de categorias de tempo e espa\u00e7o, ser e n\u00e3o-ser.<\/p>\n<p><b>77<\/b>. <b><i>Pura e impura.<\/i><\/b> Para uma explana\u00e7\u00e3o mais extensa sobre o tema, veja O Tratado do Despertar da F\u00e9 no Mahayana, de Ashvaghosa, onde a pura e a impura s\u00e3o chamadas de ilumina\u00e7\u00e3o e n\u00e3o-ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>78<\/b>. <b><i>Sutra das Dez Etapas &#8211; Sutra do Nirvana.<\/i><\/b> Quando as tradu\u00e7\u00f5es desses dois sutras apareceram no in\u00edcio do S\u00e9c. V, elas tiveram um efeito profundo no desenvolvimento do budismo na China. Dentre os seus ensinamentos est\u00e3o a universalidade da natureza b\u00fadica e a natureza de nirvana pura pessoal, alegre e eterna. At\u00e9 ent\u00e3o, a doutrina do vazio ensinada pelos Sutras Prajnaparamita tinham dominado o budismo chin\u00eas. O Sutra das Dez Etapas, o qual detalha os est\u00e1gios que atravessam os bodisatvas no seu caminho para a buditude, \u00e9 uma vers\u00e3o do cap\u00edtulo sob o mesmo t\u00edtulo no Sutra Avatamsaka.<\/p>\n<p><b>79.<\/b> <b><i>Seis \u00f3rg\u00e3os dos sentidos.<\/i><\/b> Os olhos, ouvidos, nariz, l\u00edngua, pele e mente.<\/p>\n<p><b>80.<\/b> <b><i>Seis tipos de consci\u00eancia.<\/i><\/b> A variedade de consci\u00eancias associadas com a vis\u00e3o, audi\u00e7\u00e3o, olfato, paladar, tato e pensamento. O Lankavatara traz \u00e0 luz compreens\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria (de Tathagata) para um total de oito formas de consci\u00eancia.<\/p>\n<p><b>\u00a081.<\/b> <b><i>Seis estados de exist\u00eancia.<\/i><\/b> As variedades b\u00e1sicas de exist\u00eancia atrav\u00e9s das quais os seres movem-se, tanto pensamento ap\u00f3s pensamento ou vida ap\u00f3s vida, at\u00e9 que elas atinjam a ilumina\u00e7\u00e3o e escapem da roda se sofrimento. O sofrimento nessa roda \u00e9 relativo. Os deuses no c\u00e9u levam uma vida mais feliz, enquanto que os sofredores no inferno v\u00e3o de dor em dor. Os dem\u00f4nios e os homens experimentam mais sofrimentos que os deuses, mas menos que os fantasmas famintos e bestas.<\/p>\n<p><b>82.<\/b> <b><i>Pr\u00e1tica verdadeira.<\/i><\/b> Pr\u00e1tica que leva diretamente \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o, em contraste \u00e0 pr\u00e1tica que leva para outro est\u00e1gio de pr\u00e1tica. Aqui a pr\u00e1tica verdadeira refere-se a contemplar a mente.<\/p>\n<p><b>\u00a083.<\/b> <b><i>Dez boas a\u00e7\u00f5es.<\/i><\/b> Incluem evitar as dez m\u00e1s a\u00e7\u00f5es, a saber, assassinato, roubo, adult\u00e9rio, falsidade, cal\u00fania, agress\u00e3o verbal, maledic\u00eancia, avareza, raiva e defesa de vis\u00f5es falsas.<\/p>\n<p><b>84.<\/b> <b><i>Cinco preceitos.<\/i><\/b> S\u00e3o para budistas leigos. S\u00e3o regras contra o assassinato, roubo, adult\u00e9rio, falsidade e intoxica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>85.<\/b> <b><i>Tr\u00eas asankhya kalpas.<\/i><\/b> Um universo \u00e9 marcado por tr\u00eas fases: cria\u00e7\u00e3o, dura\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o. Cada uma dura in\u00fameros (asankhya) kalpas. Uma quarta fase de vazio n\u00e3o est\u00e1 inclu\u00edda aqui, pois ela n\u00e3o apresenta dificuldades.<\/p>\n<p><b>86.<\/b> <b><i>Era final.<\/i><\/b> O primeiro per\u00edodo da era de um buda dura 500 anos, depois do qual a doutrina correta come\u00e7a a declinar. O segundo per\u00edodo dura 1.000 anos, durante o qual o entendimento da doutrina declina ainda mais. O terceiro e final per\u00edodo, cuja dura\u00e7\u00e3o \u00e9 indefinida, testemunha o desaparecimento final da mensagem de um Buda. Outra vers\u00e3o designa 500 anos para cada um dos tr\u00eas per\u00edodos.<\/p>\n<p><b>87.<\/b> <b><i>Tr\u00eas conjuntos de preceitos.<\/i><\/b> Existem cinco para budistas leigos comuns, oito para paras os membros leigos mais devotos e dez para monges e monjas novi\u00e7os. Os cinco primeiros s\u00e3o regras contra o assassinato, roubo, adult\u00e9rio, falsidade e intoxica\u00e7\u00e3o. A esses cinco adicionam-se regras contra o adorno do corpo (guirlandas, j\u00f3ias e perfume), conforto do corpo (cama macia) e comer demais (comer depois do almo\u00e7o). E a esses oito adicionam-se postulados contra o divertimento e a posse de bens. Esses tr\u00eas conjuntos s\u00e3o resumidos pelos tr\u00eas votos. O voto de evitar o mal \u00e9 feito por todos os crentes. O voto de cultivar virtude \u00e9 feito pelos crentes leigos mais devotos. E o voto de salvar a todos os seres \u00e9 feito por todos os monges e monjas.<\/p>\n<p><b>88.<\/b> <b><i>Paramitas.<\/i><\/b> Meios de transporte para a outra margem. Os seis paramitas come\u00e7am com caridade e passam por moralidade e paci\u00eancia, devo\u00e7\u00e3o e medita\u00e7\u00e3o at\u00e9 sabedoria. Comparando os paramitas a uma balsa que leva as pessoas para a outra margem, os budistas v\u00eam a caridade como o vazio sem o qual um barco n\u00e3o pode flutuar; a moralidade como a quilha; a paci\u00eancia como o casco; a devo\u00e7\u00e3o como o mastro; a medita\u00e7\u00e3o a vela e a sabedoria como a barra do leme.<\/p>\n<p><b>89.<\/b> <b><i>Leite&#8230;mingau.<\/i><\/b> Depois de engajar-se em pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas inutilmente por alguns anos, Shakyamuni quebrou seu jejum tomando esse mingau de leite oferecido por Nandabala, filha de um chefe vaqueiro. Depois de tom\u00e1-lo, ele sentou-se debaixo de uma \u00e1rvore e decidiu n\u00e3o levantar-se at\u00e9 atingir a ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>90.<\/b> <b><i>Vairocana.<\/i><\/b> Grande Buda Solar, que personifica o corpo-d\u00e1rmico ou o corpo verdadeiro de Buda. Como tal, Vairocana \u00e9 a figura central no pante\u00e3o dos cinco dhyani budas, que inclui Akshobhya ao Leste, Ratnasambhava ao Sul, Amitabha ao Oeste e Amogasiddhi ao Norte.<\/p>\n<p><b>\u00a091.<\/b> <b><i>Seis per\u00edodos.<\/i><\/b> Manh\u00e3, meio-dia, tarde, noite, meia-noite e madrugada.<\/p>\n<p><b>\u00a092.<\/b> <b><i>Stupas.<\/i><\/b> Uma stupa \u00e9 uma eleva\u00e7\u00e3o de terra ou qualquer estrutura erigida sobre os restos, as rel\u00edquias ou escrituras de um buda. A caminhada ao redor de stupas se d\u00e1 na dire\u00e7\u00e3o dos ponteiros do rel\u00f3gio, com o ombro direito sempre apontando a stupa.<\/p>\n<p><b>\u00a093.<\/b> <b><i>Cinco tipos de incenso.<\/i><\/b> Eles correspondem aos cinco atributos do corpo de um tathagata.<\/p>\n<p><b>94.<\/b> <b><i>Dipamkara. Shakyamuni<\/i><\/b> encontrou Buda Dipamkara ao final do segundo asamkhya kalpa e ofereceu-lhe cinco l\u00f3tus azuis. Dipamkara ent\u00e3o predisse a futura buditude de Shakyamuni. Assim\u00a0 Dipamkara aparece sempre que um Buda recita o Dharma do Sutra do L\u00f3tus.<\/p>\n<p><b>\u00a095.<\/b> <b><i>Espiral.<\/i><\/b> Um dos sinais auspiciosos de um Buda \u00e9 um espiral entre suas sobrancelhas que emite raios de luz.<\/p>\n<p><b>96.<\/b> <b><i>Seis atra\u00e7\u00f5es.<\/i><\/b> Aquelas aos quais os seis sentidos apegam-se.<\/p>\n<p><b>97.<\/b> Senhor Buda (no original em Ingl\u00eas, Lord). Uma tradu\u00e7\u00e3o de bhagavan, um dos dez t\u00edtulos de Buda. A tradu\u00e7\u00e3o chinesa resulta em mundialmente honrado.<\/p>\n<p><b>\u00a098.<\/b> <b><i>Sutra da Casa de Banho.<\/i><\/b> Traduzido por An Shih-Kao em meados do S\u00e9c. II. Esse breve sutra reconta o m\u00e9rito ganho em fornecer casas de banho para monges.<\/p>\n<p><b>\u00a099.<\/b> <b><i>Vestimenta interna.<\/i><\/b> Uma das tr\u00eas vestimentas reguladoras de um monge. A vestimenta interna \u00e9 vestida para proteger contra o desejo. O manto de sete retalhos protege contra a raiva. E o manto de 25 retalhos protege contra a ilus\u00e3o.<\/p>\n<p><b>100.<\/b> <b><i>Para\u00edso ocidental.<\/i><\/b> Tamb\u00e9m chamado de Terra Pura. Essa terra \u00e9 governada por Amithaba, um dos cinco budas dhyani, associado ao Ocidente. Invocar Amithaba de todo cora\u00e7\u00e3o assegura ao devoto renascimento na Terra Pura, que se diz estar a milhares de quil\u00f4metros, mas nem um pouco longe. Uma vez renascidos l\u00e1, os devotos t\u00eam menos problemas para entender o Dharma e atingir libera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BODHIDHARMA Ensinamentos Zen INTRODU\u00c7\u00c3O O Budismo chegou \u00e0 China 2.000 anos atr\u00e1s. 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