{"id":914,"date":"2014-03-27T11:56:17","date_gmt":"2014-03-27T13:56:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=914"},"modified":"2018-02-10T12:52:41","modified_gmt":"2018-02-10T14:52:41","slug":"comunhao-com-a-natureza","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/comunhao-com-a-natureza\/","title":{"rendered":"Comunh\u00e3o com a natureza"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=1423\" rel=\"attachment wp-att-1423\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/comunhao-com-a-natureza.jpg\" alt=\"\" width=\"278\" height=\"181\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1423\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"center\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/yni-yang.jpg\" class=\"broken_link\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-682\" alt=\"yni-yang\" src=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/yni-yang.jpg\" width=\"295\" height=\"290\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"center\"><b><i>\u00a0<\/i><\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Comunh\u00e3o com a natureza<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><i>Do livro: <b>O PORTAL DA SABEDORIA de John Blofeld \u2013 <\/b>[pgs. 56-60]<\/i><\/p>\n<p align=\"center\"><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p align=\"center\"><b><i>\u00a0<\/i><\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><strong>OBJETIVO<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><b>\u00a0<\/b><i>Superar a ilus\u00e3o individual de existir \u00e0 parte atrav\u00e9s da percep\u00e7\u00e3o intuitiva direta de sua unidade essencial com a exist\u00eancia da natureza, aprender a viver em concord\u00e2ncia harmoniosa com todas as obras da natu\u00adreza, libertar a mente de pensamentos pretensiosos e, assim, alcan\u00e7ar o estado permanente de profunda tranq\u00fcilidade mental. [&#8230;]<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i><strong>PREPARA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b>A verdadeira sabedoria \u00e9, essencialmente, um produto do \u201censino sem palavras\u201d, que Lao-tzu tinha em t\u00e3o alta considera\u00e7\u00e3o. Conseq\u00fcentemente, o progresso iogue dificilmente dependeu do aprendizado atrav\u00e9s de livros, que mais freq\u00fcentemente constitui um obst\u00e1culo do que um aux\u00edlio. Entre\u00adtanto, os livros s\u00e3o necess\u00e1rios para indicar a dire\u00e7\u00e3o para a qual a mente deve voltar-se. Creio que os aprendizes ocidentais do Caminho encontrar\u00e3o nos escritos de Ralph Waldo Emerson uma ponte entre a sua pr\u00f3pria heran\u00e7a de aprendizagem e a arguta percep\u00e7\u00e3o de Lao-tzu acerca do ser da natureza e da natureza do ser. [&#8230;]<\/p>\n<p><strong>ACEITAR O BOM E O RUIM<\/strong><br \/>\nA contempla\u00e7\u00e3o frequente do ambiente natural leva \u00e0 amorosa aprecia\u00e7\u00e3o da natureza em todos as suas manifesta\u00e7\u00f5es. Ciclones, enchentes devastadoras, inc\u00eandios nas florestas, dil\u00favios gelados de granizo e pedras, embora freq\u00fcentemente sejam catastr\u00f3ficos, s\u00e3o t\u00e3o necess\u00e1rios para o modelo da natureza como o sol quente, a chuva da primavera e a suavidade da brisa. Destrui\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o s\u00e3o os dois lados da mesma moeda. As florestas densas, por exemplo, pereceriam por falta de espa\u00e7o para respirar se n\u00e3o fosse a ocorr\u00eancia peri\u00f3dica de inc\u00eandios florestais; o solo \u00fatil perderia a sua capacidade de nutrir se fosse privado da mat\u00e9ria org\u00e2nica resultante da morte das plantas, e assim por diante. A natureza n\u00e3o se ocupa com indiv\u00edduos, mas com o bem-estar do todo. O ciclo anual envolve gera\u00e7\u00e3o, crescimento, decl\u00ednio e dissolu\u00e7\u00e3o; o princ\u00edpio <i>yang <\/i>domina durante metade do ano, sendo que gradualmente sucumbe ao in\u00edcio do <i>yin. <\/i>Para os tao\u00edstas, cada esta\u00e7\u00e3o tem o seu encanto, cada uma \u00e9 \u00fanica, mas n\u00e3o superior ou inferior \u00e0s outras. Uma grande intimidade com a natureza nos leva a apreciar tanto a sua ferocidade quanto a sua bondade e, desse modo, chegamos a uma compreens\u00e3o clara da grandiosa forma do ser. Enquanto os jardineiros se afligem com as ervas daninhas e os viajantes com o vento e a neve, o adepto tao\u00edsta sa\u00fada tudo o que aparece; imerso profunda\u00admente no mist\u00e9rio do ser, ele v\u00ea em cada mudan\u00e7a uma manifesta\u00e7\u00e3o mira\u00adculosa das obras do sublime Tao. Como fonte e conte\u00fado de toda energia, mente e mat\u00e9ria, a pr\u00f3pria \u201cmat\u00e9ria-prima do ser\u201d, o Tao cria e destr\u00f3i em larga escala, ainda que nunca acrescente ou subtraia o que quer que seja do todo.<\/p>\n<p>\u00c9 bom caminhar pelos campos, pelas florestas e montanhas pensando sobre essas coisas, com os olhos bem abertos para o que quer que ocorra, pois isso auxilia a provocar um permanente estado mental cujas consequ\u00eancias s\u00e3o muito importantes para o adepto. Ao deparar-se com contrariedades em sua pr\u00f3pria vida, ou ao ser assaltado por calamidades t\u00e3o aparentes como &#8211; enfermidades, a aproxima\u00e7\u00e3o da morte, perdas, priva\u00e7\u00f5es e assim por diante, a sua serenidade permanecer\u00e1 imperturb\u00e1vel, pois todas as manifesta\u00e7\u00f5es do Tao lhe ser\u00e3o espiritualmente nutritivas. Pesar e ansiedade n\u00e3o t\u00eam lugar numa mente alimentada por lembretes di\u00e1rios sobre a verdade simples de que n\u00e3o pode haver o f\u00e1cil sem o dif\u00edcil, nem o alto sem o baixo. Ser\u00e1 \u00fatil para a pr\u00e1tica iogue se, durante seus passeios pelos ambien\u00adtes naturais, o iniciado selecionar ilustra\u00e7\u00f5es concretas espec\u00edficas desta verdade como objetos de medita\u00e7\u00e3o. Ao observar este ou aquele fen\u00f4meno, ele refletir\u00e1 a respeito por alguns instantes e, depois, aplicar\u00e1 a li\u00e7\u00e3o, em primeiro lugar, \u00e0 sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o e, depois, por extens\u00e3o, a um campo maior, que ele gradualmente expandir\u00e1 com a finalidade de abranger todo o cosmos. Esse tipo de contempla\u00e7\u00e3o permite \u00e0s vezes que se experimentem intui\u00e7\u00f5es profundas, n\u00e3o comunic\u00e1veis por palavras; al\u00e9m disso, poder\u00e1 sobrevir um estado de \u00eaxtase.<\/p>\n<p><strong>PERCEBER O MEIO AMBIENTE COMO UMA EXTENS\u00c3O DE SI MESMO<\/strong><\/p>\n<p>Diferentemente dos animais, o homem (especialmente o homem moderno com sua autoconsci\u00eancia extremamente desenvolvida) sofre da ilus\u00e3o de que existe separado de seu meio e das pessoas que este cont\u00e9m. Essa condi\u00e7\u00e3o de existir \u00e0 parte \u00e9 um engano porque implica uma separa\u00e7\u00e3o do Tao, o que \u00e9 imposs\u00edvel. O m\u00e9todo taoista de combate a essa sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 o seguinte: o praticante escolhe alguma manifesta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do eterno Inomin\u00e1vel, como um salgueiro, por exemplo, e passa algum tempo por dia, durante as sucessivas esta\u00e7\u00f5es, sentado \u00e0 sua frente, absorto em contempla\u00e7\u00e3o. Procura penetrar-lhe o ser, sentir-se na condi\u00e7\u00e3o da <i>\u201csalgueiridade\u201d<\/i> at\u00e9 que, como se o fosse, ele <i>se transforma <\/i>na \u00e1rvore, experimentando realmente as sensa\u00e7\u00f5es dela, tais como a seiva que sobe ou o verde que torna a brotar de seus ramos descobertos; suas rea\u00e7\u00f5es ao sol, \u00e0 chuva ou \u00e0 neve; sua \u00e2nsia por alimentos da terra e do c\u00e9u e a satisfa\u00e7\u00e3o de sua fome mitigada. Progressivamente, enquanto os dias se sucedem e as esta\u00e7\u00f5es mudam, o iniciado compreender\u00e1 aquele salgueiro (e, portanto, todos os fen\u00f4menos naturais) como uma extens\u00e3o de seu pr\u00f3prio ser, outrora aparentemente confinado dentro de sua pele, mas agora n\u00e3o limitado nem mesmo pelo horizonte. Enquanto isto, o fantasma de seu ego diminuir\u00e1 ou se esquivar\u00e1, deixando sua antiga v\u00edtima em estado de regozijo pelo esplendor do ser ilimitado.<\/p>\n<p>Mesmo as pessoas que ignoram totalmente o exerc\u00edcio da ioga, se tiverem a mente aberta para tal, podem perceber cada vez mais profundamente a beleza de cada esta\u00e7\u00e3o do ano &#8211; o despertar da vida na primavera, a exuber\u00e2ncia do ver\u00e3o, o esplendor do outono, o brilho das primeiras geadas seguido pela brancura brilhante da neve amontoada sobre restolhos, galhos, telhados, e os ador\u00e1veis desenhos das ramagens descobertas contra o c\u00e9u de inverno. Mas, para o iogue, existem alegrias ainda maiores. Ele cessa de ser um espectador e torna-se parte da cena, como aquelas min\u00fasculas figuras empoleiradas no meio de grandes extens\u00f5es de pedras e montanhas que vemos nas pinturas taoistas. Contudo, ele n\u00e3o se sente uma parte insignificante da cena, pois o todo \u00e9 misteriosamente percebido nele pr\u00f3prio e vice-versa.<\/p>\n<p><strong>LIBERTAR A MENTE DE PENSAMENTOS PERTURBADORES E ATINGIR A TRANQ\u00dcILIDADE INTERIOR<\/strong><\/p>\n<p>A contempla\u00e7\u00e3o absorta das belezas naturais e de seus variados aspec\u00adtos leva facilmente ao apaziguamento de pensamentos perturbadores. A mente, elevando-se acima das preocupa\u00e7\u00f5es insignificantes do homem, torna-se l\u00edmpida. As ondas saltitantes do pensamento, como se envergo\u00adnhadas com a imensid\u00e3o da natureza, diminuem. Sons at\u00e9 aqui mal perce\u00adbidos, como o sussurro do vento nos pinheiros, o rangido dos bambuais, o estridular de insetos min\u00fasculos, o ru\u00eddo cont\u00ednuo e mon\u00f3tono dos pingos da chuva, o choque da \u00e1gua corrente contra rochas e seixos, ser\u00e3o ouvidos com ouvidos novos e parecer\u00e3o como ecos suaves da m\u00fasica das esferas. Na tranq\u00fcilidade, pouco a pouco, surgir\u00e3o lampejos daquela sabedoria que est\u00e1 al\u00e9m do mero conhecimento, o maior e, com freq\u00fc\u00eancia, o mais negligenciado dos tesouros humanos. O praticante deve sentar-se quietamente, e entregar-se \u00e0 vis\u00e3o e aos sons que o rodeiam, de tal modo que seu pr\u00f3prio ser mal consiga penetrar a superf\u00edcie externa de sua consci\u00eancia; as cores das \u00e1rvores e o murmurar do rio parecem ter exist\u00eancia pr\u00f3pria, a ponto de dispensar a coopera\u00e7\u00e3o de seus sentidos, dos quais ele n\u00e3o tem mais cons\u00adci\u00eancia. Com o tempo, isso tamb\u00e9m dever\u00e1 esvair-se, at\u00e9 que nada perma\u00adne\u00e7a de horizonte a horizonte e ainda al\u00e9m, a n\u00e3o ser a neve branca da medita\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o a aus\u00eancia da forma que constitui a ess\u00eancia do Tao \u00e9 captada diretamente. Essa \u00e9 a verdadeira tranq\u00fcilidade da mente, a ponte para a sabedoria do ensino sem palavras.<\/p>\n<p>\u00a0<strong>PRATICAR O MISTICISMO DA NATUREZA<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0J\u00e1 o compreenderam Wordsworth, Tennyson, Emerson, e outros poetas e fil\u00f3sofos que mergulhavam nos segredos da natureza: <b>cada simples flor, cada gr\u00e3o de areia cont\u00e9m em si, em sua totalidade, o ser do cosmos.<\/b> Este \u00e9 um segredo que podemos descobrir por acaso, por n\u00f3s mesmos, ocasi\u00e3o em que se torna realmente \u00f3bvio e simples, mas n\u00e3o existe absolutamente um caminho para descobri-lo atrav\u00e9s do pensamento conceitual, e menos ainda atrav\u00e9s das palavras. Podemos conhec\u00ea-lo realmente pela experi\u00eancia direta e afirmar claramente que \u00e9 assim, mas n\u00e3o podemos explic\u00e1\u00ad-lo a quem carece dessa experi\u00eancia, como n\u00e3o se pode transmitir a sensa\u00e7\u00e3o da cor a quem nasceu cego. A explica\u00e7\u00e3o escrita que mais se aproxima dessa experi\u00eancia, que eu conhe\u00e7o, est\u00e1 num livro chamado <i>A Doutrina Budista da Totalidade, <\/i>uma obra sobre o <i>Sutra Hua Yen, <\/i>de Garma C. C. Chang. A compreens\u00e3o desse segredo, exceto nos raros casos em que ele se elucida por si s\u00f3, d\u00e1-se mais perfeitamente atrav\u00e9s da contempla\u00e7\u00e3o ioga de um tipo que transcende o pensamento l\u00f3gico, embora \u00e0s vezes possa ser auxiliada por reflex\u00f5es s\u00e1bias ao n\u00edvel do pensamento conceitual. Esses exerc\u00edcios, repetidos freq\u00fcentemente por um per\u00edodo de tempo variado, poder\u00e3o ocasionar talvez o surgimento de um repentino salto da intui\u00e7\u00e3o, que leva a pessoa pelo resto do caminho at\u00e9 a compreens\u00e3o total. Esse prel\u00fadio \u00e0 intui\u00e7\u00e3o pode dar-se mais ou menos como se segue. Sentado na postura de medita\u00e7\u00e3o, a pessoa reflete:<\/p>\n<p>\u201cEsta flor que est\u00e1 na minha m\u00e3o, embora tenha uma exist\u00eancia fugaz, \u00e9, num sentido muito real, uma flor verdadeira, com sua subst\u00e2ncia, cor, forma e aroma pr\u00f3prios. Mas tais qualidades n\u00e3o lhe pertencem: dependem de uma grande variedade de fatores ligados \u00e0 totalidade do ser, tais como os olhos e a consci\u00eancia do observador, a qualidade da luz predominante no momento, sua posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos meus olhos, e assim por diante. Uma vez que qualquer mudan\u00e7a num ou em mais desses fatores resultar\u00e1 em altera\u00e7\u00e3o da cor e\/ou forma da flor, \u00e9 claro que essas qualidades n\u00e3o s\u00e3o inerentes \u00e0 pr\u00f3pria flor. Nem se pode dizer que ela tenha qualquer tamanho em especial, pois \u00e9 grande em rela\u00e7\u00e3o a algumas coisas, pequena em rela\u00e7\u00e3o a outras e vari\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia entre ela e os meus olhos. Parece que a sua \u00fanica qualidade fixa seria a natureza de sua subst\u00e2n\u00adcia, mas mesmo isso \u00e9 ilus\u00f3rio, pois todas as subst\u00e2ncias, n\u00e3o importa o quanto difiram mutuamente, s\u00e3o na realidade manifesta\u00e7\u00f5es da n\u00e3o-subst\u00e2ncia do Tao, que \u00e9 impalp\u00e1vel, n\u00e3o possui densidade e n\u00e3o tem caracter\u00edsticas diferenciadas. <b>Enquanto seguro esta flor em minha m\u00e3o, na realidade o Tao est\u00e1 segurando o Tao; enquanto eu a observo com meus olhos e inalo sua fragr\u00e2ncia com meu nariz, o Tao est\u00e1, de fato, observando e inalando o Tao &#8230;<\/b>\u201d<\/p>\n<p>Meditando sobre essas linhas, o praticante atinge a compreens\u00e3o da suprema vacuidade da forma, a aus\u00eancia essencial de todas as qualidades distintivas. Em seguida, ele refletir\u00e1 que a n\u00e3o-subst\u00e2ncia do Tao (e portanto da flor), como um Oceano de Pura Consci\u00eancia, n\u00e3o est\u00e1 sujeita aos limites de tempo e de espa\u00e7o<b>. <\/b><b>Falar do oceano da consci\u00eancia como se possu\u00edsse <i>partes <\/i>n\u00e3o faz sentido, pois n\u00e3o se pode pegar uma faca e cortar um peda\u00e7o da mente. A flor, ent\u00e3o, n\u00e3o pode ser descrita como uma fra\u00e7\u00e3o infinitesimal da n\u00e3o-subst\u00e2ncia do Tao. Uma vez que compartilha da exist\u00eancia do Tao, mas n\u00e3o pode ser uma parte dele, ela tem que <i>ser <\/i>o pr\u00f3prio Tao<\/b>. Al\u00e9m desse ponto, o pensamento conceitual deve ser abandonado; o iniciado senta-se em sil\u00eancio, a mente tranq\u00fcila, a aten\u00e7\u00e3o concentrada inteiramente na flor. A flor \u00e9 o que \u00e9. Ele n\u00e3o mais tenta raciocinar a respeito: apenas senta-se serenamente e observa. Seria surpreendente se, na primeira tentativa, ele pudesse, atrav\u00e9s de um s\u00fabito e intuitivo salto, penetrar de imediato no \u00e2mago do segredo; mas, se repetir a medita\u00e7\u00e3o, preferivelmente \u00e0 mesma hora todos os dias durante um per\u00edodo de tempo, poder\u00e1 ser surpreendido por breves clar\u00f5es de intui\u00e7\u00e3o e ent\u00e3o, um dia, subitamente, compreender <b><span style=\"text-decoration: underline;\">todo o significado da afirma\u00e7\u00e3o de que, assim como o cosmos cont\u00e9m a flor, tamb\u00e9m a flor cont\u00e9m o cosmos<\/span><\/b> &#8211; e ent\u00e3o, \u00e9 claro, o assunto parecer\u00e1 ridiculamente <i>simples. <\/i>Essa compreens\u00e3o despertar\u00e1 nele uma maravilhosa sabedoria que transcende qualquer poder de descri\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9 o <i>pu yen <\/i><i>chih chiao <\/i>&#8211; o ensino sem palavras.\n<\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 Comunh\u00e3o com a natureza Do livro: O PORTAL DA SABEDORIA de John Blofeld \u2013 [pgs. 56-60] \u00a0 \u00a0 OBJETIVO \u00a0Superar a ilus\u00e3o individual de existir \u00e0 parte atrav\u00e9s da percep\u00e7\u00e3o intuitiva direta de sua unidade essencial com a &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/comunhao-com-a-natureza\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1423,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-914","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meditacao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/914","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=914"}],"version-history":[{"count":6,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/914\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1426,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/914\/revisions\/1426"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1423"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}