{"id":917,"date":"2014-04-03T10:49:26","date_gmt":"2014-04-03T12:49:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=917"},"modified":"2018-02-10T18:29:49","modified_gmt":"2018-02-10T20:29:49","slug":"917","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/917\/","title":{"rendered":"Medita\u00e7\u00f5es Zen"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/?attachment_id=932\" rel=\"attachment wp-att-932\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/SOLTAOZEN-0.jpg\" alt=\"\" width=\"2953\" height=\"1181\" class=\"aligncenter size-full wp-image-932\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/SOLTAOZEN-0.jpg 2953w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/SOLTAOZEN-0-300x119.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/SOLTAOZEN-0-1024x409.jpg 1024w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/SOLTAOZEN-0-500x199.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 2953px) 100vw, 2953px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Do livro: <strong>O PORTAL DA SABEDORIA de JOHN BLOFELD<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>I \u2013 A CONTEMPLA\u00c7\u00c3O DO N\u00c3O-EU<\/strong><\/p>\n<p>Este \u00e9 um tipo de medita\u00e7\u00e3o kuan(1) \/koan ou discursiva que come\u00e7a ao n\u00edvel do pensamento conceitual e parece, de in\u00edcio, ser apenas uma aproxima\u00e7\u00e3o intelectual de lampejos sutis acerca da natureza da realidade adquirida atrav\u00e9s da pura intui\u00e7\u00e3o; n\u00e3o obstante, ele forma um limite t\u00e3o pr\u00f3ximo com o que se torna evidente durante a medita\u00e7\u00e3o de tipo chih\/shamata(2) que a sua pr\u00e1tica, com o tempo, levar\u00e1 al\u00e9m do pensamento conceitual para o dom\u00ednio da experi\u00eancia intuitiva direta, especialmente se esta for alternada com a concentra\u00e7\u00e3o unidirecional chih\/shamata. Meu relato baseia-se num trabalho de contempla\u00e7\u00e3o feito pelo 5\u00b0 Dalai lama, recentemente traduzido por Geshe Rabden e Geoffrey Hopkins. Se, ao simplific\u00e1-la, deturpei de alguma forma a sua ess\u00eancia, essa falta deve ser atribu\u00edda a mim, e n\u00e3o ao distinto autor ou aos ilustres tradutores.<\/p>\n<p>Adotando a postura de medita\u00e7\u00e3o, o praticante recorda-se de que os seres e os objetos s\u00e3o id\u00eanticos, em natureza, com a n\u00e3o-subst\u00e2ncia indife\u00acrenciada do vazio, do qual todas as entidades aparentes s\u00e3o apenas manifes\u00acta\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias. Sustentar que o ego ou o eu \u00e9 uma entidade independente, \u00e9 o mesmo que negar o vazio de sua natureza e supor que ele existe independentemente de todas as outras manifesta\u00e7\u00f5es do vazio, que \u00e9 tamb\u00e9m a Mente \u00danica. Aceitar que o ego n\u00e3o \u00e9 real, \u00e9 reconhecer o seu vazio intr\u00ednseco e sua total interdepend\u00eancia com todas as manifesta\u00e7\u00f5es do vazio e, especialmente, concluir que algo como um princ\u00edpio eg\u00f3ico n\u00e3o pode ser isolado dos cinco elementos componentes do ser <em>(skandhas)<\/em> que, juntos, comp\u00f5em o corpo-mente de uma pessoa.<\/p>\n<p><strong>1<\/strong> &#8211; O primeiro passo \u00e9 conhecido como \u201cdetermina\u00e7\u00e3o do objeto a ser negado\u201d. O praticante concebe o seu pr\u00f3prio \u201ceu\u201d como se ele realmente existisse relembra algumas ocasi\u00f5es onde esse \u201ceu\u201d o fez sofrer, exultar, por palavras ou a\u00e7\u00f5es de outras pessoas. Ele tenta, por exemplo, perceber exatamente o que ele julga ser esse \u201ceu\u201d, qual a sua rela\u00e7\u00e3o com o restante de seu corpo, de sua mente, sentimentos e discrimina\u00e7\u00f5es, e quais s\u00e3o os ele\u00acmentos que o constituem, segundo a sua opini\u00e3o. Pode talvez refletir assim:<br \/>\n\u201cEu, Peter Jones, sou, sem d\u00favida, uma pessoa real. Lembro-me do quanto me perturbou ter sido chamado de imprest\u00e1vel por minha irm\u00e3, na frente de in\u00fameras pessoas, e de como exultei quando a cr\u00edtica elogiou o meu \u00faltimo romance. Por \u201ceu\u201d, entendo esta pessoa que est\u00e1 sentada aqui, uma mente individual contida num corpo individual, que agora est\u00e1 gozando o calor do sol e lembrando o quanto \u00e9 desagrad\u00e1vel sentir frio. Este \u201ceu\u201d relaciona-se claramente com minha mente, uma vez que pode ser magoado pelo menosprezo e estimulado pelo elogio; mas relaciona-se tamb\u00e9m com o meu corpo, uma vez que reage ao calor e treme de frio\u201d.<\/p>\n<p><strong>2<\/strong> &#8211; O segundo passo, conhecido como \u201cdetermina\u00e7\u00e3o da permea\u00e7\u00e3o\u201d, consiste em refletir que o \u201ceu\u201d ou deve estar unido ou deve estar separado dos cinco agregados da personalidade, a saber: a forma (corpo, \u00f3rg\u00e3os do sentido etc.); as sensa\u00e7\u00f5es (tanto f\u00edsicas como mentais, incluindo as agrad\u00e1veis, as desagrad\u00e1veis e as neutras); as percep\u00e7\u00f5es (de cor, de cheiro, de gosto etc., assim como a habilidade de reconhecer, de discriminar, de identificar); os condicionamentos (incluindo as vontades, as respostas, as rea\u00e7\u00f5es, tais como orgulho ou medo, impulsos, tend\u00eancias, julgamentos e \u201cmovimentos da mente em rela\u00e7\u00e3o aos objetos\u201d, como quando algu\u00e9m acha que algo \u00e9 desej\u00e1vel ou o contr\u00e1rio) e a consci\u00eancia (percep\u00e7\u00e3o dos objetos que implica uma separa\u00e7\u00e3o entre sujeito e objeto, e percep\u00e7\u00e3o dos outros agregados acima mencionados). Logicamente, o \u201ceu\u201d ou deve ser igual ou diferente desses cinco. Pode-se talvez refletir assim:<br \/>\n\u201cSe o \u2018eu\u2019 n\u00e3o \u00e9 algo separado desses cinco agregados, por que eu cos\u00actumo falar em \u2018meu corpo, em minhas percep\u00e7\u00f5es\u2019, etc.? Ser\u00e1 equivalente dizer \u201cmeu eu\u201d ou \u201co corpo do corpo\u201d? Como isso iria parecer absurdo! Muito bem, ent\u00e3o eu devo supor que \u2018eu\u2019 significa apenas minha mente. Mas como pode ser isso? A mente pode sentir frio, ou fome, ou exigir que seja alimentada e vestida? Certamente que n\u00e3o, mas o \u2018eu\u2019 sente e exige tais coisas. Ent\u00e3o, parece mais prov\u00e1vel que o \u2018eu\u2019 compreenda todos os cinco agregados, incluindo a forma [o corpo]. Mas, nesse caso, ou deve haver cinco \u2018eus\u2019 diferentes ou, sen\u00e3o, os cinco agregados na realidade s\u00e3o apenas um s\u00f3 &#8211; e nada disso faz sentido. Nem faz o menor sentido dizer que o \u2018eu\u2019 n\u00e3o \u00e9 nem diferente nem o mesmo que os cinco agregados\u201d.<\/p>\n<p><strong>3<\/strong> &#8211; O terceiro passo \u00e9 conhecido como \u201cdetermina\u00e7\u00e3o da falta de identidade real entre o eu e os cinco agregados da personalidade\u201d. H\u00e1 o reconhecimento de que o \u201ceu\u201d deve ser diferente desses agregados, uma vez que cada um deles pode ser claramente reconhecido pelo que \u00e9; ao passo que parece que o \u201ceu\u201d n\u00e3o pode ser identificado desse modo. Ele pode refletir assim:<br \/>\n\u201cEnt\u00e3o o \u2018eu\u2019 \u00e9 diferente dos agregados? Embora eu possa identificar o meu corpo pelo tato, sentir coisas como agrad\u00e1veis ou n\u00e3o, descri\u00acminar entre o vermelho e o verde, perceber a minha tend\u00eancia em gostar de trabalhar com o meu c\u00e9rebro, mas n\u00e3o com minhas m\u00e3os, e estar consciente daquele grupo de \u00e1rvores ao longe como um objeto de minha mente, de modo algum posso tocar, sentir, discriminar, gostar ou ter consci\u00eancia de algo enquanto objeto de minha mente, como uma entidade separada desses cinco agregados e que \u00e9 identific\u00e1vel como o \u2018eu\u2019. Em s\u00edntese, o \u2018eu\u2019 \u00e9 apenas um conceito vazio que n\u00e3o tem nenhuma validade reconhec\u00edvel\u201d. Meditando desta maneira, dia ap\u00f3s dia, com varia\u00e7\u00f5es ilimitadas, o iniciado \u00e9 obrigado a atingir essa mesma conclus\u00e3o v\u00e1rias vezes. Cada vez mais ele ficar\u00e1 convencido que \u2018eu\u2019 e \u2018meu\u2019 n\u00e3o passam de termos convencionais para mascarar uma fic\u00e7\u00e3o por causa da conveni\u00eancia do dia-a-dia. Esse reconhecimento, quando sai do n\u00edvel intelectual e passa para o \u00e2mbito da percep\u00e7\u00e3o intuitiva direta, traz a liberta\u00e7\u00e3o &#8211; a Ilumina\u00e7\u00e3o!<br \/>\nDurante cada sess\u00e3o, depois de ocupar-se com as varia\u00e7\u00f5es desta an\u00e1lise do assim-chamado \u2018eu\u2019, o praticante deve mudar para uma forma de pr\u00e1tica <em>chih (shamata)<\/em> baseada no mesmo tema, concentrando-se unidirecionalmente num simples objeto que, quando a mente tiver sido tranquilizada por alguns momentos, deve ser substitu\u00eddo pelo pensamento, \u201cO \u2018eu\u2019 n\u00e3o tem exist\u00eancia inerente\u201d. Esse pensamento torna-se agora o objeto da concentra\u00e7\u00e3o unidirecional. Uma pr\u00e1tica alternativa \u00e9 passar de uma para outra, diversas vezes, numa \u00fanica sess\u00e3o; da an\u00e1lise do tipo <em>kuan\/koan,<\/em> que visa a negar o conceito de \u2018eu\u2019, para a concentra\u00e7\u00e3o unidirecional, acima mencionada, do tipo <em>chih.<\/em> Essa dupla investida resultar\u00e1 inevitavelmente na diminui\u00e7\u00e3o e, finalmente, no desaparecimento da ilus\u00e3o baseada no ego.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>IDENTIFICA\u00c7\u00c3O ENTRE O EU E O OUTRO<\/strong><\/p>\n<p>Em seu objetivo, esta medita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 essencialmente diferente, da anterior. O praticante come\u00e7a realizando uma an\u00e1lise similar, do tipo <em>kuan<\/em>, dos elementos constituintes de um objeto escolhido ao acaso &#8211; vamos supor, neste exemplo, um banco de madeira de quatro p\u00e9s vermelho escuro e procura identific\u00e1-lo como um objeto que existe independentemente e que possui algo da natureza do ser em si. Removendo mentalmente os p\u00e9s desse banco e colocando-os ao lado do assento plano, ele reconhece que n\u00e3o se trata mais de um banco, embora todas as suas partes estejam ali, presentes. Contemplando a sua cor, ele reflete que esta depende n\u00e3o apenas da qualidade da luz e da sombra, mas tamb\u00e9m do olho do observador, uma vez que h\u00e1 algumas pessoas que confundem o vermelho com o verde, algumas que acham bonito o vermelho-escuro e outras que o detestam. Prestando aten\u00e7\u00e3o no que ele considerava ser a forma do banco antes deste ser desmontado, o praticante nota que tamb\u00e9m esta era uma miragem, uma vez que a \u201cforma\u201d de um objeto depende do \u00e2ngulo de onde \u00e9 visto; e pondera que qualquer objeto dado \u00e9 ao mesmo tempo grande e pequeno, na medida em que o conceito de tamanho depende do que \u00e9 tomado como base de compara\u00e7\u00e3o. Refletindo sobre o material que o constitui, ele observa que a madeira vem de uma certa \u00e1rvore, que n\u00e3o seria a mesma nem cresceria exatamente no mesmo local se os seus remotos ancestrais n\u00e3o tivessem sobrevivido ao fogo das florestas ou \u00e0s pestil\u00eancias durante um per\u00edodo de dez milh\u00f5es de anos ou mais. Desse modo, o iniciado conclui que o objeto escolhido \u00e9 completamente destitu\u00eddo da qualidade de um ser individual, independente. N\u00e3o possui uma qualidade intr\u00ednseca, que poderia ser descrita como \u201ca ess\u00eancia do banco\u201d: De fato, ele era um banco apenas na medida em que seus componentes mantinham certa rela\u00e7\u00e3o entre si e, mesmo ent\u00e3o, poderia ter sido tomado por uma mesa por pessoas de outra cultura e, desse modo, ter-se tomado uma mesa, sem que houvesse qualquer altera\u00e7\u00e3o em sua forma. O banco, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 necessariamente um banco; sua cor, forma e tamanho dependem de in\u00fameros fatores, incluindo os observadores (que tamb\u00e9m, por sua vez, s\u00e3o produtos de cadeias infinitamente longas de causas e efeitos); o material que o comp\u00f5e \u00e9 fruto de coisas que aconteceram e que deixaram de acontecer mesmo antes do nascimento do universo.<br \/>\nTendo estas observa\u00e7\u00f5es como ponto de partida, ele reflete: \u201cNada possui uma natureza que possa ser chamada adequadamente de pr\u00f3pria, uma vez que cada manifesta\u00e7\u00e3o transit\u00f3ria do vazio depende de uma infinidade de causas precedentes e concorrentes que se estendem para tr\u00e1s at\u00e9 um come\u00e7o que n\u00e3o tem in\u00edcio e se prolongam para frente at\u00e9 a eternidade e se distendem para fora at\u00e9 a mais long\u00ednqua gal\u00e1xia. E o mesmo acontece com o meu \u2018eu\u2019. Tudo, dentro do vasto ambiente c\u00f3smico, incluindo esse objeto insignificante no qual eu at\u00e9 agora pensei tanto, tomando-o por \u201ceu mesmo\u201d, dependente literalmente de todo o resto.<\/p>\n<p>Todas as coisas s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias interdependentes, do vazio. Uma vez que eu e tudo o mais somos id\u00eanticos em ess\u00eancia e que nada existe que possa realmente ser chamado de pr\u00f3prio, como \u00e9 tolo o orgulho que eu at\u00e9 agora senti em minha assim chamada \u201cindividualidade \u00fanica\u201d! Assim como eu vivi a minha vida lutando eternamente com a insatisfa\u00e7\u00e3o, o sofrimento, a decad\u00eancia e a dissolu\u00e7\u00e3o prematuras, deve ocorrer o mesmo com cada coisa que existe, seja deus, homem, elefante, formiga, dem\u00f4nio, \u00e1rvore, flor, vegetal ou erva daninha! Perceber a natureza id\u00eantica de todos os seres e objetos do cosmos ilimitado \u00e9 aceitar que cada um deles est\u00e1 t\u00e3o pr\u00f3ximo de mim como se fosse a carne de minha carne. Consciente de que meus esfor\u00e7os para atingir a plena sa\u00fade, o bem-estar e a longevidade s\u00e3o compartilhados por cada ser existente, como posso me atrever a gabar-me ou a menosprezar os outros?<br \/>\n\u201cUma vez que a natureza determina que a nutri\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria para a manuten\u00e7\u00e3o da vida, sou obrigado a comer e, desse modo, sou compelido a aceitar a destrui\u00e7\u00e3o das coisas existentes; realmente, eu n\u00e3o posso tomar uma \u00fanica respira\u00e7\u00e3o, beber um copo de \u00e1gua numa nascente, dar um passo na grama, movimentar-me durante o sono ou usar o mais suave dos medicamentos sem o risco de destruir inadvertidamente in\u00fameros seres sens\u00edveis. N\u00e3o obstante, \u00e0 luz de minha compreens\u00e3o ampliada, irei abster-me da intrus\u00e3o deliberada (e fazer o que puder promover) na sa\u00fade e felicidade de todas as pessoas, animais e plantas (e fazer o que puder para promov\u00ea-las). Minha preocupa\u00e7\u00e3o servil por mim mesmo, \u00e0s custas dos outros seres, tem sido ign\u00f3bil; daqui por diante, cultivarei a compaix\u00e3o e uma compreens\u00e3o complacente em rela\u00e7\u00e3o a tudo que vive. Nunca mais devo permitir-me causar dano intencional ao menor dos m\u00faltiplos seres. A vida \u00e9 sagrada, porque a vida de um \u00e9 a vida de todos. Mesmo aquele conceito excelente, mas at\u00e9 agora inating\u00edvel, da irmandade dos homens \u00e9 desprez\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 afinidade existente entre todos os seres do universo. Se existem gal\u00e1xias afastadas de outras por milh\u00f5es de anos-luz, as criaturas que devem viver ali s\u00e3o em algum grau dependentes de mim e vice-versa. Que eu possa nunca mais reincidir na insensatez do egocentrismo!\u201d<br \/>\nA medita\u00e7\u00e3o sobre essas linhas, acompanhada por uma firme inten\u00e7\u00e3o de agir \u00e0 luz da compreens\u00e3o obtida, destruir\u00e1 quaisquer obst\u00e1culos do caminho da Ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>A MEDITA\u00c7\u00c3O HUA YEN<\/strong><\/p>\n<p>O Hua Yen Ching (S\u00fctra Gandavyuha Avatansaka) \u00e9 um trabalho que leva \u00e0 perplexidade, como bem sabem os leitores que est\u00e3o familiariza\u00acdos com os excertos desse sutra contidos no famoso Ensinamento Budista da Totalidade, de Garma Chang. Sendo o mais profundo dos sutras, ele proclama uma doutrina elevada que transcende os mais long\u00ednquos alcances da l\u00f3gica ordin\u00e1ria de um modo t\u00e3o persuasivo que a pessoa fica confusa, cambaleante, com a contempla\u00e7\u00e3o de, literalmente, bilh\u00f5es de universos que se interpenetram. Na China, esse sutra tornou-se a base de um sistema sublime de medita\u00e7\u00e3o, do qual derivam as pr\u00e1ticas simplificadas descritas abaixo. Algumas premissas da filosofia Hua Yen s\u00e3o: Todas as coisas originam-se na total depend\u00eancia de todas as outras e s\u00e3o destitu\u00eddas de identidade pr\u00f3pria; conseq\u00fcentemente, pode-se dizer, sem erro, que apenas o vazio existe; contudo, n\u00e3o h\u00e1 vazio separado dos fen\u00f4menos tang\u00edveis; o n\u00e3o-ser coexiste com o ser, pois n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nenhuma separa\u00e7\u00e3o. As mir\u00edades de manifesta\u00e7\u00f5es que compreendem o \u201ctodo\u201d s\u00e3o vazias de subst\u00e2ncia pr\u00f3pria e, deste modo, podem ser identificadas, em ess\u00eancia, com o \u201cUm\u201d. Ainda mais, o pequeno cont\u00e9m o grande, no mesmo grau em que o grande cont\u00e9m o pequeno; de fato, as entidades se penetram e se cont\u00eam sem o menor impedimento, cada uma sendo ao mesmo tempo um reflexo e um refletor de todas as outras.<br \/>\nA ampla implica\u00e7\u00e3o das palavras em it\u00e1lico n\u00e3o pode ser mostrada satisfatoriamente em poucos par\u00e1grafos. Os leitores interessados devem reportar-se ao extraordin\u00e1rio livro do Dr. Chang. Aqui, estamos preocupa\u00acdos com o uso pr\u00e1tico desses conceitos, como base para algumas medita\u00e7\u00f5es relativamente simples.<br \/>\nPode-se obter uma id\u00e9ia da filosofia b\u00e1sica a partir de um relato, transcrito nesse livro, de uma demonstra\u00e7\u00e3o organizada pelo mestre do <em>Dharma,<\/em> Fa Tsang, para a imperatriz Wu Ts\u00ea-t&#8217;ien (que reinou em 684\u2022 705 d.C.). O mestre preparou uma sala, cobrindo o teto, o ch\u00e3o, as paredes e os quatro cantos com espelhos enormes que se contrap\u00f5em; no centro, havia uma imagem de Buda com uma tocha acesa ao lado. Cada espelho refletia n\u00e3o apenas a imagem real do Buda e seus reflexos nos outros espelhos, como tamb\u00e9m os reflexos dos reflexos dos reflexos desses reflexos, numa extens\u00e3o que se aproximava do infinito. Depois ele exibiu uma bola de cristal e, dentro de sua pequena circunfer\u00eancia, a Imperatriz viu infinitas imagens de Buda. Desta maneira, o Mestre do Dharma demonstrou, atrav\u00e9s de um tipo de analogia visual, que o pequeno cont\u00e9m o grande, e que in\u00fameras entidades podem penetrar umas nas outras sem nenhum impedimento.<br \/>\nAs medita\u00e7\u00f5es seguintes foram sugeridas por algumas medita\u00e7\u00f5es muito mais complicadas, ideadas pelo primeiro patriarca da escola Hua Yen, a saber, o Mestre Tu Shun (558.640 d.C.) e por um patriarca posterior, o Mestre Fa Tsang (643-712).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>I &#8211; MEDITA\u00c7\u00c3O SOBRE O VERDADEIRO VAZIO<\/strong><\/p>\n<p>O prop\u00f3sito desta medita\u00e7\u00e3o \u00e9 destruir a falsidade do ponto de vista segundo o qual o verdadeiro vazio existe separado da forma. Embora o do\u00acm\u00ednio da forma relatada pelos nossos sentidos tenha muitas caracter\u00edsticas enganosas, n\u00e3o existe vazio absoluto que exista externamente ou de qualquer modo separado desse dom\u00ednio tang\u00edvel.<br \/>\nO praticante, sentado ao ar livre ou olhando por uma janela (pode ser a janela de um avi\u00e3o), contempla as nuvens num desses dias em que as nuvens s\u00e3o numerosas e sofrem r\u00e1pidas transforma\u00e7\u00f5es. Ele reflete: \u201cEssas montanhas, mares, ilhas, pen\u00ednsulas e castelos do c\u00e9u s\u00e3o formados de uma subst\u00e2ncia, a nuvem; todos s\u00e3o id\u00eanticos em ess\u00eancia. Isso sugere uma analogia com a ess\u00eancia uniformemente vazia de todos os objetos do universo e ilustra a doutrina \u201ca forma \u00e9 o vazio\u201d <em>(Sutra Prajnaparamita);<\/em> pois, assim como n\u00e3o h\u00e1 nenhuma nuvem abstrata que exista separadamente de suas formas mut\u00e1veis e tang\u00edveis, assim tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 vazio com exist\u00eancia separada da forma &#8211; o vazio \u00e9 a forma! Vazio e forma s\u00e3o um. A diferen\u00e7a depende do que se sobressai \u00e0 nossa aten\u00e7\u00e3o: se a forma ou a ess\u00eancia\u201d. Observando as nuvens que sofrem essas cont\u00ednuas mudan\u00e7as, o praticante constr\u00f3i uma s\u00e9rie de analogias detalhadas para ilustrar o princ\u00edpio assim enunciado &#8211; durante mais ou menos meia hora.<br \/>\nDepois, ele volta a sua aten\u00e7\u00e3o para o ponto mais saliente do ambien\u00acte e reflete: \u201cSupor que existem outras montanhas, e montanhas mais altas, atr\u00e1s desta que eu vejo, seria pura especula\u00e7\u00e3o, injustificada por qualquer coisa que esteja dentro do alcance do meu conhecimento; ao passo que esta montanha \u00e9 um fato da experi\u00eancia. Do mesmo modo, seria especula\u00e7\u00e3o injustificada supor que exista um dom\u00ednio absoluto do vazio pairando separadamente dos objetos da percep\u00e7\u00e3o, cuja realidade experimento. Eu me engano, n\u00e3o quando nego uma realidade existente que esconde outra (uma vez que n\u00e3o h\u00e1 nada neste sentido), mas quando concluo que minhas m\u00e3os ou meus olhos podem revelar a verdadeira natureza daquilo em que toco ou vejo. Tais coisas n\u00e3o s\u00e3o reais apenas porque eu as toco ou vejo; a percep\u00e7\u00e3o que tenho delas \u00e9 necessariamente imperfeita; a realidade delas deriva de sua verdadeira natureza &#8211; que \u00e9 o vazio. Em outras palavras: as \u00e1rvores e montanhas \u00e0 minha volta n\u00e3o s\u00e3o fantasmas opacos, vis\u00f5es escuras ou ilus\u00f5es que ocultam algo que jaz por tr\u00e1s delas; a ilus\u00e3o est\u00e1 em supor que elas s\u00e3o permanentes, como parecem, e possui\u00acdoras de uma ess\u00eancia pr\u00f3pria individual. Que nem mesmo as pedras s\u00e3o permanentes, todos sabem. Que as coisas n\u00e3o possuem individualidade verdadeira torna-se \u00f3bvio quando se procura, em v\u00e3o, entre elas, por qualquer entidade que possa ser descrita adequadamente como um ser pr\u00f3prio separado, e quando se percebe que elas n\u00e3o poderiam existir nem mesmo temporariamente na aus\u00eancia de uma cadeia m\u00faltipla de causas e de efeitos que, inextricavelmente, as liga a tudo o mais que existe no universo. Tome esta \u00e1rvore ou esta pedra, por exemplo. O fato delas serem destitu\u00eddas de ser-pr\u00f3prio, no sentido de alguma \u201carvoreidade\u201d ou \u201cmontanheidade\u201d inerente, pode ser demonstrado reduzindo-a mentalmente a um amontoado de serragem ou a um monte de p\u00f3 fino, do qual nem mesmo um \u00fanico gr\u00e3o da massa original tenha sido removido; embora os elementos que a constituem estejam presentes, ela n\u00e3o \u00e9 mais uma \u00e1rvore ou uma pedra. Para compreender que elas n\u00e3o poderiam existir na aus\u00eancia de todo o resto, devo refletir sobre os acontecimentos que as trouxeram \u00e0 exist\u00eancia transit\u00f3ria &#8211; acontecimentos que dependem de acontecimentos que dependem de acontecimentos, que se estendem at\u00e9 o infinito, para todas as dire\u00e7\u00f5es do universo. A forma, ent\u00e3o, \u00e9 vazio. Esta \u00e1rvore, ou pedra, n\u00e3o possuindo nenhum ser pr\u00f3prio intr\u00ednseco ou separado de todo o resto, \u00e9 como uma daquelas forma\u00e7\u00f5es de nuvens que prontamente muda do rosto de um homem velho para um castelo ou um drag\u00e3o, exceto pela insignificante circunst\u00e2ncia de que o tempo de mudan\u00e7a vis\u00edvel \u00e9 diferente. O vazio, ent\u00e3o, \u00e9 forma. Ele n\u00e3o existe separado das \u00e1rvores, das montanhas e de tudo o mais. O vazio \u00e9 a n\u00e3o-subst\u00e2ncia universal, n\u00e3o obstante ser insepar\u00e1vel das formas\u201d. At\u00e9 este ponto, a medita\u00e7\u00e3o foi um longo exerc\u00edcio intelectual.<br \/>\nEmbora algum grau de intui\u00e7\u00e3o j\u00e1 possa ter-se manifestado durante o seu curso, ele foi primordialmente um tipo de exerc\u00edcio dirigido a nutrir a compreens\u00e3o intelectual, preparando para o que se segue. Agora, o praticante, abandonando todos os conceitos, concentra a sua mente numa s\u00f3 dire\u00e7\u00e3o, para um objeto de sua escolha, e, tendo atingido a tranq\u00fcilidade, substitui esse objeto por este \u00fanico pensamento: \u201cNenhum ser-pr\u00f3prio\u201d &#8211; n\u00e3o para se estender discursivamente, mas tomado meramente como foco da aten\u00e7\u00e3o. Se quiser, ele pode repetir v\u00e1rias vezes essas palavras como um mantra.<br \/>\nEssas pr\u00e1ticas do tipo <em>chih<\/em> e <em>kuan<\/em> podem ser alternadas diversas vezes durante uma \u00fanica sess\u00e3o. Sem o kuan para construir alguma compreens\u00e3o preliminar, o chih pode revelar-se in\u00fatil; n\u00e3o obstante, quando o chih est\u00e1 sendo praticado, a compreens\u00e3o intelectual n\u00e3o deve confundir a mente. No decorrer do tempo, \u00e9 prov\u00e1vel que a percep\u00e7\u00e3o flua abundantemente da altern\u00e2ncia destas duas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<strong>II &#8211; MEDITA\u00c7\u00c3O SOBRE\u00a0<\/strong><strong>\u201cO PEQUENO CONT\u00c9M O GRANDE\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Esse conceito n\u00e3o deve ser considerado fant\u00e1stico pelos ocidentais. Tanto Tennyson como Emerson perceberam que um objeto insignificante como uma flor ou um gr\u00e3o de areia abarca todo o universo. \u201cA Filosofia do Organismo\u201d, do fil\u00f3sofo ingl\u00eas Whitehead, lan\u00e7a alguma luz sobre este conceito, assim como o trabalho do Mestre Tu Shun. Infelizmente, as instru\u00e7\u00f5es do patriarca para a medita\u00e7\u00e3o, contidas no seu livro \u201cMedita\u00e7\u00e3o sobre a Totalidade Abrangente\u201d, s\u00e3o muito dif\u00edceis. N\u00e3o obstante, o seu ensinamento de que cada \u00e1tomo do universo pode, sem expans\u00e3o, abarcar inumer\u00e1veis universos \u00e9 t\u00e3o importante que eu me aventurei a elaborar uma medita\u00e7\u00e3o mais simples que, acredito, \u00e9 eficaz; o esbo\u00e7o me foi sugerido depois de ler a vers\u00e3o de Garma Chang sobre o tratado do Mestre Fa Tsang intitulado \u201cNo Le\u00e3o de Ouro\u201d. Nesta obra, a est\u00e1tua de um le\u00e3o, de p\u00e9, do lado de fora do pal\u00e1cio da imperatriz Wu, simboliza o dom\u00ednio da forma; o ouro maci\u00e7o de que foi feito simboliza a n\u00e3o-subst\u00e2ncia vazia do universo. O mestre explica que as diversas partes do le\u00e3o compreendem o todo na medida em que todas elas, igualmente, s\u00e3o de ouro puro. Desse modo, por exemplo, cada uma delas \u00e9 de ouro, os olhos do le\u00e3o, tamb\u00e9m as orelhas, o nariz, etc, s\u00e3o de ouro. Igualmente, cada parte dele, at\u00e9 cada fio de cabelo, cont\u00e9m o le\u00e3o inteiro, juntamente com todos os inumer\u00e1veis le\u00f5es compreendidos por suas min\u00fasculas partes. (O erro \u00f3bvio neste argumento surge do fato de que o ouro, por ser uma subst\u00e2ncia s\u00f3lida, est\u00e1 sujeito \u00e0 medi\u00e7\u00e3o e \u00e0s leis especiais; esse erro deixa de existir quando traduzimos a palavra \u2018ouro\u2019 para vazio imensur\u00e1vel, n\u00e3o-espacial).<br \/>\nA medita\u00e7\u00e3o que isto me sugeriu foi a seguinte: O praticante toma algum objeto pequeno, digamos, uma margarida. E reflete assim: \u201cEis aqui uma flor. Ela \u00e9 t\u00e3o real quanto poss\u00edvel, mas a sua realidade nada tem a ver com as caracter\u00edsticas transit\u00f3rias, tais como a cor, a forma, a maciez, e assim por diante; ela \u00e9 real apenas porque manifesta o ser infinito (n\u00e3o-dual e atemporal) &#8211; o Tao (ou Natureza B\u00fadica). N\u00e3o obstante, uma vez que o ser \u00e9 vazio, inteiramente destitu\u00eddo de caracter\u00edsticas, seria absurdo dizer a mim mesmo que seguro um peda\u00e7o m\u00ednimo do infinito, predominantemente branco. A cor da flor e sua relativa pequenez s\u00e3o meras manifesta\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias daquilo que n\u00e3o tem cor nem tamanho. A n\u00e3o-subst\u00e2ncia do universo, como a mente ou a consci\u00eancia, n\u00e3o est\u00e1 sujeita \u00e0 medi\u00e7\u00e3o ou \u00e0 opera\u00e7\u00e3o de leis espaciais. N\u00e3o se pode ter um peda\u00e7o de mente! Se o que seguro em minha m\u00e3o se identifica como um ser infinito, ent\u00e3o a minha m\u00e3o est\u00e1, na realidade, segurando o universo inteiro! &#8211; Contemplando esta flor, eu n\u00e3o estou contemplando \u2018uma gota no oceano do infinito ser\u2019, mas o oceano do ser em sua totalidade, uma vez que cada gota possui a qualidade da infinitude e \u00e9, deste modo, da mesma \u2018extens\u00e3o\u2019 do todo\u201d.<br \/>\nNeste ponto, a l\u00f3gica falha. Para ir mais al\u00e9m, deve-se abandonar o pensamento conceitual e confiar na intui\u00e7\u00e3o maravilhosa que possibilitou a certos poetas e fil\u00f3sofos perceberem o universo inteiro em cada flor, em cada gr\u00e3o de areia. O praticante agora cessa de filosofar e concentra toda a sua aten\u00e7\u00e3o na flor. Uma vez alcan\u00e7ada a tranq\u00fcilidade, ele transfere a aten\u00e7\u00e3o da flor para a express\u00e3o \u201cser infinito\u201d; consequentemente, depois de algum tempo, \u00e9 prov\u00e1vel que sobrevenha o samadhi. Dentro em pouco, afastando-se do samadhi ou de qualquer estado de consci\u00eancia similar, ele retoma a contempla\u00e7\u00e3o discursiva da flor, depois volta \u00e0 dire\u00e7\u00e3o \u00fanica da mente, e assim por diante.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<strong>III &#8211; MEDITA\u00c7\u00c3O SOBRE \u201cTODAS AS ENTIDADES SE INTERPENETRAM E SE CONT\u00caM MUTUAMENTE\u201d<\/strong><\/p>\n<p>No in\u00edcio, a pessoa relembra a demonstra\u00e7\u00e3o do Mestre Fa Tsang na sala preparada para a Imperatriz Wu, refletindo: \u201cQue a bola de cristal pudesse conter uma mir\u00edade de imagens do Buda, muitas das quais maiores que ela pr\u00f3pria, era devido ao fato de serem reflexos grandemente reduzidos em tamanho. Ao n\u00edvel da observa\u00e7\u00e3o di\u00e1ria comum, n\u00e3o seria poss\u00edvel para uma bola de cristal de pequenas dimens\u00f5es conter uma infinitude de objetos, incluindo alguns muito maiores do que ela pr\u00f3pria. Entretanto, a verdadeira natureza de todos os objetos \u00e9 vazia, e n\u00e3o-espacial. Durante um sonho em que a pessoa que sonha olha para o monte Kanchenjunga, pode-se dizer que esta vasta montanha, e todos os objetos do primeiro plano, existem dentro dele. Isso \u00e9 poss\u00edvel porque, tendo um car\u00e1ter n\u00e3o-\u00acespacial, a mente da pessoa que sonha n\u00e3o conhece limites. Mas, de acordo com os s\u00e1bios versados nos ensinamentos Mahayana e iluminados pela percep\u00e7\u00e3o direta conferida pela sabedoria intuitiva, o universo inteiro \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o da Mente. Portanto, tudo, seja o que for, \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o da mente. As leis do espa\u00e7o cabem no n\u00edvel das apar\u00eancias, mas n\u00e3o no n\u00edvel da realidade; n\u00e3o h\u00e1 dificuldade, portanto, em entender que todos os objetos podem ser contidos dentro da pequena circunfer\u00eancia de cada um deles, assim como a montanha cabe confortavelmente na mente de um sonhador. N\u00e3o h\u00e1, ent\u00e3o, nenhum impedimento \u00e0 sua m\u00fatua penetra\u00e7\u00e3o. O monte Kanchenjunga, por ser em ess\u00eancia uma cria\u00e7\u00e3o da mente, pode conter as formas dos sonhadores tanto quanto os sonhadores podem conter as formas das montanhas dentro da insignificante circunfer\u00eancia de seus cr\u00e2nios!\u201d Chegando at\u00e9 este ponto atrav\u00e9s de um processo l\u00f3gico, o praticante agora tranquiliza a sua mente concentrando-se numa \u00fanica dire\u00e7\u00e3o, num objeto de sua escolha; depois, ele transfere esta aten\u00e7\u00e3o unidirecional para a imagem mental de uma pequena bola de cristal, onde v\u00ea uma infinidade de objetos &#8211; sem fazer julgamentos, sem procurar explica\u00e7\u00f5es, sem perder-se num invent\u00e1rio daquilo que v\u00ea, mas apenas observando a imagem mental. Por esse meio, ele abre a sua mente para o influxo da sabedoria intuitiva; o que come\u00e7ou com uma simula\u00e7\u00e3o pode revelar-se, \u00e0 luz dessa sabedoria, como mais intensamente real do que todos os objetos vis\u00edveis do local em que se encontra. Como anteriormente, as pr\u00e1ticas kuan e chih devem ser alternadas.<\/p>\n<p>Notas:<br \/>\n1 &#8211; <em>Koan:<\/em> medita\u00e7\u00e3o onde o mestre coloca uma quest\u00e3o para o disc\u00edpulo resolver.<br \/>\n2 &#8211; <em>Shamata:<\/em> medita\u00e7\u00e3o de concentra\u00e7\u00e3o em um objeto.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do livro: O PORTAL DA SABEDORIA de JOHN BLOFELD &nbsp; I \u2013 A CONTEMPLA\u00c7\u00c3O DO N\u00c3O-EU Este \u00e9 um tipo de medita\u00e7\u00e3o kuan(1) \/koan ou discursiva que come\u00e7a ao n\u00edvel do pensamento conceitual e parece, de in\u00edcio, ser apenas uma &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/917\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":932,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-917","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meditacao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/917","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=917"}],"version-history":[{"count":7,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/917\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1381,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/917\/revisions\/1381"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/932"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=917"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=917"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=917"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}