{"id":934,"date":"2014-04-05T20:12:47","date_gmt":"2014-04-05T22:12:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=934"},"modified":"2018-02-10T18:29:26","modified_gmt":"2018-02-10T20:29:26","slug":"934","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/934\/","title":{"rendered":"O jogo da mente"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/07-07.jpg\" class=\"broken_link\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-935\" alt=\"07-07\" src=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/07-07-300x214.jpg\" width=\"300\" height=\"214\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/07-07-300x214.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/07-07-1024x730.jpg 1024w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/07-07-420x300.jpg 420w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/07-07.jpg 1442w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>O JOGO DA MENTE<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Forma, vazio e outros<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><b><i>\u00a0<\/i><\/b><b><i>\u00a0<\/i><\/b><strong><i>A forma \u00e9 o vazio, o vazio \u00e9 a forma, o vazio \u00a0<\/i><i>nada mais\u00a0<\/i><i>\u00e9 sen\u00e3o a forma, a forma <\/i><i>nada<\/i><i>\u00a0mais \u00e9 sen\u00e3o o vazio.<\/i><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0&#8211; SUTRA DO CORA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><i>\u00a0<\/i><strong><i>Em cada aumento de sensa\u00e7\u00e3o, em cada esfor\u00e7o para se lembrar; em cada progresso em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o de um desejo, a altern\u00e2ncia entre o vazio e o pleno se revela como a ess\u00eancia do fen\u00f4meno, onde o vazio e o pleno existem t\u00e3o-somente em rela\u00e7\u00e3o um ao outro, sendo feitos do\u00a0mesmo\u00a0material.<\/i><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<i>\u00a0<\/i>&#8211; WILLIAM JAMES<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><i>\u00a0<\/i><strong><i>No espa\u00e7o entre os pensamentos, a sabedoria n\u00e3o-concei\u00adtual brilha permanentemente.<\/i><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<b><i>\u00a0<\/i><\/b>&#8211; MILAREPA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 F\u00c1CIL IMAGINAR QUE A VIDA est\u00e1 acontecendo a n\u00f3s como se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos nenhum papel neste filme tridimensional que acontece ao nosso redor. Mas, de acordo com a psicologia contemplativa budista, e tamb\u00e9m com algumas teorias psicanal\u00edticas ocidentais, nossa experi\u00eancia da realidade &#8211; como vemos as coisas, o que elas significam para n\u00f3s, como as sentimos e como reagimos a elas &#8211; \u00e9 em grande parte uma constru\u00e7\u00e3o da mente. Na verdade, isso representa boas not\u00edcias. Porque se o sofrimento for criado pela mente, isto significa que a mente pode desfazer tamb\u00e9m o sofrimento que criou.<\/p>\n<p>Se vamos viver mais conscientemente, ou nos conhecermos melhor, ou despertar do pesadelo representado por nosso passado pessoal ou coletivo, \u00e9 fundamental examinar a natureza da mente &#8211; como ela molda nossa realidade e como pode nos libertar. Segundo um texto t\u00e2ntrico tibetano, \u201cA mente \u00e9 aquilo que cria tanto a pris\u00e3o quando a liberta\u00e7\u00e3o, tanto a confus\u00e3o quanto o despertar, por isso \u00e9 essencial conhecer este rei que gera toda a nossa experi\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>A filosofia ocidental estudou a mente principalmente por interm\u00e9dio do pensamento conceitual e da an\u00e1lise racional, e o resultado foi que concedeu ao pensamento uma condi\u00e7\u00e3o extremamente elevada, onde at\u00e9 mesmo &#8220;pensar sobre o pensamento&#8221; era considerado superior. A psicologia moderna profunda j\u00e1 ultrapassou esta vis\u00e3o tradicional, dando import\u00e2ncia \u00e0quilo que escapa do pensamento &#8211; sentimentos subconscientes, desejos, impulsos e imagens. Mas a vis\u00e3o que a psicologia moderna tem da mente continua limitada porque, de forma tipicamente ocidental, ela se concentra no <i>conte\u00fado <\/i>da mente, negligenciando a mente em si como <i>processo <\/i>de experi\u00eancia.<\/p>\n<p>William James foi um dos primeiros cr\u00edticos da tend\u00eancia da psicologia a dar \u00eanfase demais ao conte\u00fado da mente enquanto ignora o fluxo de consci\u00eancia em si &#8211; o que para ele equivalia a dizer que \u201cum rio consiste em nada mais do que baldes, panelas, colheres e barris de \u00e1gua, ou outras unidades de medida. Mesmo que os baldes e as panelas fossem colocados na corrente, entre eles a \u00e1gua livre continuaria a <i>fluir\u201d. <\/i>Ao dirigir nossa aten\u00e7\u00e3o para o fluxo de consci\u00eancia, a \u00e1gua livre que n\u00e3o pode ser confinada dentro de formas moldadas, James chegou perto da vis\u00e3o budista da mente cotidiana como <i>um fluxo, <\/i>uma experimenta\u00e7\u00e3o constante que flui a cada momento.<\/p>\n<p>A psicologia budista vai mais al\u00e9m. Al\u00e9m do foco est\u00e1tico ocidental no conte\u00fado da mente, e da vis\u00e3o mais din\u00e2mica de um fluxo de experi\u00eancias, ela reconhece tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o maior na mente &#8211; a presen\u00e7a da percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o-conceitual, ou <i>n\u00e3o-pen\u00adsamento, <\/i>como \u00e0s vezes \u00e9 chamada. Em contraste com as formas assumidas pela mente &#8211; pensamento, sensa\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o -, a consci\u00eancia natural maior n\u00e3o tem forma. Portanto, \u00e9 descrita como <i>vazia. <\/i>Se o conte\u00fado da mente for como os baldes e as panelas flutuando na corrente, e o fluxo mental for como a corrente din\u00e2\u00admica da \u00e1gua, a percep\u00e7\u00e3o pura \u00e9 como a \u00e1gua em si mesma, basicamente molhada. \u00c0s vezes a \u00e1gua se mostra quieta, \u00e0s vezes turbulenta, mas permanece sempre o que \u00e9: \u00e1gua &#8211; molhada, flui\u00adda. Da mesma forma, a consci\u00eancia pura nunca \u00e9 confinada ou perturbada pelos estados mentais. Ela representa uma fonte de li\u00adbera\u00e7\u00e3o e de verdadeira equanimidade.<\/p>\n<p>Quando come\u00e7amos a observar o jogo da mente, o que notamos primeiro \u00e9 o conte\u00fado da consci\u00eancia &#8211; a seq\u00fc\u00eancia veloz de percep\u00e7\u00f5es, pensamentos e sensa\u00e7\u00f5es. \u00c0 medida que desenvolvemos uma capacidade de observa\u00e7\u00e3o mais sutil e refinada, talvez mediante algum tipo de disciplina, como, por exemplo, a medita\u00e7\u00e3o, descobrimos que al\u00e9m destes <i>momentos mentais diferenciados <\/i>existe outro aspecto do fluxo mental que costuma permanecer oculto: espa\u00e7os ou vazios inarticulados que se situam entre as percep\u00e7\u00f5es, pensamentos e sensa\u00e7\u00f5es. Estes espa\u00e7os entre os baldes e panelas de \u00e1gua flutuando na corrente s\u00e3o inicialmente dif\u00edceis de enxergar e imposs\u00edveis de lembrar mais tarde porque n\u00e3o t\u00eam forma definida para ser retida. Mas se tentarmos agarr\u00e1-los, estes <i>momentos mentais n\u00e3o diferenciados <\/i>deixam entrever a realidade maior que se situa al\u00e9m do fluxo mental: a base pura de percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o-conceitual, que tanto abrange quanto ultrapassa as atividades da mente.<\/p>\n<p>Portanto, o jogo da mente inclui tr\u00eas elementos: momentos mentais diferenciados e n\u00e3o diferenciados e a consci\u00eancia mais ampla que fica ao fundo, na qual ocorre o jogo dos momentos mentais. Na tradi\u00e7\u00e3o <i>Mahamudra<\/i> tibetana, os tr\u00eas elementos s\u00e3o<\/p>\n<p>&#8211; conhecidos como movimento, quietude e consci\u00eancia. A altern\u00e2ncia entre movimento e quietude &#8211; momentos mentais diferenciados e n\u00e3o diferenciados &#8211; constitui o fluxo de consci\u00eancia que ocupa o primeiro plano da mente; e na relativa quietude dos espa\u00e7os silenciosos localizados entre os pensamentos encontramos um portal que conduz \u00e0 ess\u00eancia da pr\u00f3pria mente, a consci\u00eancia maior que est\u00e1 presente tanto no movimento quanto na quietude, sem predile\u00e7\u00e3o por qualquer dos dois. Esta consci\u00eancia maior \u00e9 auto-\u00adexistente. N\u00e3o pode ser constru\u00edda nem forjada, porque est\u00e1 sempre presente, quer tenhamos consci\u00eancia disto quer n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0\u00a0\u00a0<strong>FORMA E VAZIO NO FLUXO DA CONSCI\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b>A experi\u00eancia mais familiar de n\u00e3o-pensamento ou de vazio consis\u00adte no aparecimento de pequenos espa\u00e7os entre nossos pensamentos &#8211; espa\u00e7os que est\u00e3o sempre l\u00e1, mas que habitualmente s\u00e3o igno\u00adrados. Por exemplo, depois de dizer uma frase, ocorre uma pausa natural, marcada por um ponto quando escrita. Isso permite, por uma fra\u00e7\u00e3o de segundo, o retorno \u00e0 percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o diferenciada. Ou uma pausa entre palavras de uma mesma frase (espa\u00e7os estes geralmente cobertos por \u201chum\u201d ou \u201cah\u201d), que permitem que por uma fra\u00e7\u00e3o de segundo retomemos nossa aten\u00e7\u00e3o a um sentido pr\u00e9-verbal daquilo que realmente queremos dizer.<\/p>\n<p>Como um dos primeiros exploradores ocidentais da consci\u00ean\u00adcia, William James estava particularmente interessado nos momen\u00adtos n\u00e3o diferenciados do fluxo mental- que ele chamava de \u201cpartes transitivas\u201d, em contraste com os momentos mais substanciais do pensamento formal e da percep\u00e7\u00e3o. Ele entendia bem a impossi\u00adbilidade de usar o foco da aten\u00e7\u00e3o para tentar observar estes espa\u00ad\u00e7os difusos e transit\u00f3rios que surgem entre momentos mentais mais substanciais: \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil, introspectivamente, ver as partes transitivas como elas realmente s\u00e3o. Se forem apenas v\u00f4os em di\u00adre\u00e7\u00e3o a uma conclus\u00e3o, fazer com que parem para podermos obser\u00adv\u00e1-las antes da conclus\u00e3o equivale a aniquil\u00e1-las. A tentativa de an\u00e1lise introspectiva, nestes casos, corresponde a agarrar um disco que est\u00e1 girando para ver seu movimento, ou a tentar ligar a luz depressa o bastante para poder ver que apar\u00eancia tem a escurid\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A enorme dificuldade em captar tais momentos n\u00e3o diferen\u00adciados com a aten\u00e7\u00e3o focal fez com que a psicologia ocidental tendesse a ignor\u00e1-los, um erro que James chama de fal\u00e1cia dos psic\u00f3logos: \u201cSe \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil reter e observar as partes transitivas do fluxo de pensamentos, ent\u00e3o o grande erro dos cientistas con\u00adsiste em n\u00e3o registr\u00e1-las, dando \u00eanfase excessiva \u00e0s partes subs\u00adtanciais do fluxo\u201d.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia da mente agarrar-se a formas s\u00f3lidas assemelha\u00ad-se a um p\u00e1ssaro em v\u00f4o sempre procurando o pr\u00f3ximo galho para pousar. E este foco estreito impede de apreciarmos o v\u00f4o no es\u00adpa\u00e7o, experimentando aquilo que um mestre <i>hass\u00eddico<\/i> chamou de &#8220;entre etapas&#8221; &#8211; um estado b\u00e1sico de potencialidade que gera novas possibilidades. A busca constante por uma cren\u00e7a, identi\u00addade ou rea\u00e7\u00e3o emocional faz com que fiquemos cegos para a in\u00adtera\u00e7\u00e3o da forma com o vazio &#8211; o ponto de onde surge toda a criatividade.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria beleza \u00e9 resultado desta intera\u00e7\u00e3o. As coisas s\u00f3 parecem belas em rela\u00e7\u00e3o ao espa\u00e7o que as circunda. As antigui\u00addades mais bonitas n\u00e3o significam nada dentro de uma sala atu\u00adlhada. O s\u00fabito estampido do trov\u00e3o \u00e9 impressionante n\u00e3o apenas pelo barulho que faz, mas tamb\u00e9m por causa do sil\u00eancio que ele interrompe, como diz James: \u201cJunto com a percep\u00e7\u00e3o do trov\u00e3o h\u00e1 a consci\u00eancia do sil\u00eancio anterior, que se move lentamente e permanece; porque o que ouvimos quando o trov\u00e3o estronda n\u00e3o \u00e9 o trov\u00e3o <i>puro, <\/i>mas <i>o-trov\u00e3o-que-rompe-o-sil\u00eancio-e-contrasta-com-ele<\/i>&#8230; A <i>sensa\u00e7\u00e3o <\/i>do trov\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m a sensa\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio rompido\u201d.<\/p>\n<p>As sensa\u00e7\u00f5es que fazem parte do fluxo da consci\u00eancia tam\u00adb\u00e9m t\u00eam um car\u00e1ter especial por causa dos espa\u00e7os que as cir\u00adcundam. Sensa\u00e7\u00f5es genu\u00ednas, ao contr\u00e1rio das emo\u00e7\u00f5es reativas, costumam surgir em espa\u00e7os de quietude e contempla\u00e7\u00e3o. Por exemplo, uma sensa\u00e7\u00e3o de tristeza ap\u00f3s um momento de tranq\u00fci\u00adla reflex\u00e3o pode transmitir uma verdade importante, ao contr\u00e1rio da tristeza que surge de um estado mental cheio de pensamentos auto-acusat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Na m\u00fasica, tamb\u00e9m, o tra\u00e7ado, o significado e a beleza de uma melodia residem nos intervalos entre as notas. Sabendo disso, o grande pianista Artur Schnabel escreveu: \u201cEu n\u00e3o toco melhor as notas do que nenhum outro pianista. Mas as pausas entre as notas &#8230; &#8211; Ah, \u00e9 a\u00ed onde reside a arte\u201d. Um \u00fanico tom sozinho tem pouco significado, mas logo que dois tons s\u00e3o tocados eles se re\u00adlacionam instantaneamente com a figura do espa\u00e7o, ou seja, com o intervalo entre eles. O intervalo para um terceiro tom \u00e9 total\u00admente diferente do intervalo para o quinto. Quando estes intervalos s\u00e3o tocados, as notas parecem ter uma import\u00e2ncia secund\u00e1ria, porque qualquer par de notas com o mesmo intervalo nos parece\u00adr\u00e1 igual.<\/p>\n<p>Assim, a m\u00fasica oferece uma analogia interessante \u00e0 intera\u00e7\u00e3o entre forma e vazio na ecologia da mente. <i>Forma <\/i><i>\u00e9 <\/i><i>vazio: <\/i>a melo\u00addia consiste de uma seq\u00fc\u00eancia de intervalos entre os tons. Apesar de estarmos acostumados a pensar em uma melodia como uma seq\u00fc\u00eancia de notas, ela \u00e9 tamb\u00e9m e, principalmente, uma seq\u00fc\u00ean\u00adcia de espa\u00e7os que as notas servem para demarcar. E <i>o vazio \u00e9 a forma: <\/i>o padr\u00e3o de intervalos forma uma progress\u00e3o mel\u00f3dica definida e \u00fanica que pode ser cantada e lembrada. E o fundamento tanto dos tons quanto dos intervalos \u00e9 o grande sil\u00eancio que inclui a melodia e permite que ela seja ouvida.<\/p>\n<p>Nossa predile\u00e7\u00e3o pela tend\u00eancia da mente de se agarrar \u00e0s coisas faz com que deixemos de enxergar os espa\u00e7os ao redor dos pensamentos, aquela penumbra pressentida que confere beleza e significado \u00e0 experi\u00eancia. Quando negligenciamos estes espa\u00e7os fluidos dentro do fluxo mental, aumentamos nossa tend\u00eancia de identifica\u00e7\u00e3o exagerada com os conte\u00fados da mente, pressupon\u00addo que somos os autores e guardi\u00f5es destes conte\u00fados: A problem\u00e1tica equa\u00e7\u00e3o \u201cEu = meus pensamentos sobre a realidade cria uma compreens\u00e3o limitada do eu, al\u00e9m de grande ansiedade a respeito dos pensamentos, considerados como um territ\u00f3rio a ser defendido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>SIGNIFICADOS PERCEBIDOS<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0At\u00e9 agora exploramos o vazio como uma seq\u00fc\u00eancia de lacunas den\u00adtro do fluxo mental que formam um espa\u00e7o circundante ou penum\u00adbra que possibilita nossa experi\u00eancia projetar-se como realmente \u00e9. Mas se olharmos com mais aten\u00e7\u00e3o para um destes momentos mentais n\u00e3o diferenciados, poderemos descobrir uma variedade intricada e difusa de experi\u00eancias potenciais pr\u00e9-verbais, as quais percebemos de forma impl\u00edcita antes de lhes conferir qualquer ex\u00adpress\u00e3o expl\u00edcita. Por exemplo, antes de colocar estas palavras no papel, existe aquilo que Gendlin chama de <i>sentido percebido <\/i>do que quero dizer &#8211; a forma pela qual percebo difusamente a dire\u00e7\u00e3o na qual estou me movendo, antes de articular isso em palavras.<\/p>\n<p>Como voc\u00ea est\u00e1 lendo isto, voc\u00ea tamb\u00e9m tem uma percep\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica do que estou dizendo, mesmo que n\u00e3o possa descrever em palavras. \u00c9 o que o leva de uma palavra para outra, de uma frase para outra e faz com que entenda o que estou dizendo.<\/p>\n<p>Um significado percebido \u00e9 aquilo que voc\u00ea acessa interna\u00admente quando algu\u00e9m lhe pergunta: \u201cComo esta se sentindo ago\u00adra?\u201d Para poder responder a essa pergunta, voc\u00ea tem de olhar al\u00e9m das respostas autom\u00e1ticas que v\u00eam \u00e0 ponta da l\u00edngua e pesquisar internamente por \u201calgo\u201d amorfo e originalmente vago ou difuso. Talvez seus olhos rolem para um dos lados, talvez voc\u00ea fa\u00e7a uma pausa, suspire, resmungue ou sente-se para refletir. Quando conse\u00adgue se conectar com o que est\u00e1 sentindo, a coisa vaga assume uma forma e ocorre um reconhecimento: Ah, sim, e ISSO! Voc\u00ea ent\u00e3o retoma \u00e0 aten\u00e7\u00e3o focal, j\u00e1 capaz de articular ou dissertar sobre v\u00e1rios aspectos do que sentiu, como, por exemplo, \u201cEstou cansa\u00addo, frustrado e preocupado, mas tenho muitas esperan\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p>Como Gendlin mostrou, a maior parte de nossa a\u00e7\u00e3o e fala s\u00e3o guiadas por este tipo de experi\u00eancia impl\u00edcita pr\u00e9-verbal. Pensamentos, imagens e a\u00e7\u00f5es s\u00e3o formas diferentes de formular e expressar estas percep\u00e7\u00f5es, relativamente vazias se comparadas com as formas que assumem.<\/p>\n<p>Assim, quando a \u201cmente fica vazia\u201d ou quando encontramos um \u201colhar vazio\u201d, o que provavelmente est\u00e1 ocorrendo \u00e9 que est\u00e1 sendo acessada uma refer\u00eancia interior, dentro do rico pano de fundo de significados percebidos, mas n\u00e3o diferenciados. De acor\u00addo com James, \u201cum ter\u00e7o de nossa vida ps\u00edquica consiste destas vis\u00f5es r\u00e1pidas e premonit\u00f3rias de esquemas de pensamento ainda n\u00e3o delineados\u201d. Por isso, continua ele, \u201ca sensa\u00e7\u00e3o de uma au\u00ads\u00eancia\u201d n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que \u201ca aus\u00eancia de uma sensa\u00e7\u00e3o\u201d. Nestes momentos profundos de vazio relativo, descortinamos toda a <i>riqueza difusa <\/i>do nosso envolvimento com a vida.<\/p>\n<p>Para poder colocar em palavras uma sensa\u00e7\u00e3o percebida n\u00e3o\u00ad-verbal, precisamos relaxar nossa depend\u00eancia habitual \u00e0 aten\u00e7\u00e3o focal e passar para uma aten\u00e7\u00e3o mais difusa, que permite uma var\u00adredura hol\u00edstica do tecido da experi\u00eancia. O pensamento criativo, a a\u00e7\u00e3o, a tomada de decis\u00f5es, as intui\u00e7\u00f5es espirituais ou psicoterap\u00eauticas e a express\u00e3o art\u00edstica surgem todas destas varreduras sobre o que sentimos e percebemos, mas ainda n\u00e3o sabemos formalmente. Como disse Mozart sobre o processo de composi\u00e7\u00e3o mu\u00adsical, \u201cO melhor \u00e9 quando ouvimos a m\u00fasica toda de uma s\u00f3 vez\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<strong>VAZIO ABSOLUTO:\u00a0O FUNDAMENTO DA PERCEP\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0Os espa\u00e7os vazios do fluxo mental &#8211; os espa\u00e7os entre pensamen\u00adtos, os momentos de calma, as sensa\u00e7\u00f5es difusas percebidas &#8211; representam um tipo de <i>vazio relativo<\/i>. Estas lacunas s\u00e3o relativa\u00admente sem forma, em compara\u00e7\u00e3o com as formas mais concretas de pensamento, percep\u00e7\u00e3o ou emo\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, o vazio des\u00adtas lacunas \u00e9 apenas relativo, porque \u00e9 facilmente perturbado ou desalojado pelo momento seguinte de atividade que ocorre no fluxo mental. Este tipo de quietude \u00e9 simplesmente mais uma expe\u00adri\u00eancia entre v\u00e1rias &#8211; que os tibetanos chamam de <i>nyam <\/i>(experi\u00ean\u00adcia tempor\u00e1ria).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Al\u00e9m do <i>vazio relativo <\/i>que descobrimos nestas lacunas do fluxo mental est\u00e1 o <i>vazio absoluto <\/i>da consci\u00eancia n\u00e3o-conceitual, muito maior e considerado pelo budismo como a ess\u00eancia verdadeira da mente. Esta consci\u00eancia n\u00e3o-conceitual representa uma imobilidade absoluta, ou um vazio cujo espa\u00e7o e sil\u00eancio permeiam as atividades da mente, n\u00e3o podendo ser desalojados. A pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o pode nos ajudar a perceber a grande imobilidade exis\u00adtente dentro do movimento, o sil\u00eancio maior dentro do som ou a aus\u00eancia de pensamentos na atividade mental.<\/p>\n<p>\u00a0Sem uma aten\u00e7\u00e3o prolongada e disciplinada nos processos interiores, \u00e9 quase imposs\u00edvel descobrir, penetrar ou permanecer nesta base absoluta da percep\u00e7\u00e3o estacion\u00e1ria. Enquanto deslizarmos pela superf\u00edcie da consci\u00eancia, nossos momentos de quietude ser\u00e3o rapidamente interrompidos pela atividade dos pensamentos, sensa\u00e7\u00f5es e percep\u00e7\u00f5es. A pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o oferece uma forma direta de sintonizar nesta dimens\u00e3o maior da percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o-con\u00adceitual. Como descreve um texto tibetano sobre esta descoberta, \u201cAlgumas vezes ocorre na medita\u00e7\u00e3o uma interrup\u00e7\u00e3o na consci\u00ean\u00adcia normal, uma abertura s\u00fabita e total&#8230; \u00c9 um momento de vislum\u00adbre da realidade, um lampejo s\u00fabito, que ocorre inicialmente pouco freq\u00fcente, mas que gradualmente passa a ocorrer mais e mais. N\u00e3o \u00e9 de modo algum uma experi\u00eancia explosiva nem perturbadora, apenas um momento de grande simplicidade\u201d.<\/p>\n<p>A medita\u00e7\u00e3o objetiva nos ajuda a ultrapassar o conte\u00fado superficial da mente. Por baixo da atividade habitual da mente -, as belas montanhas e picos do pensamento e da emo\u00e7\u00e3o, juntamente com os fluxos mais sutis de significados percebidos -, o oceano da consci\u00eancia permanece sempre im\u00f3vel, independente do que est\u00e1 ocorrendo na superf\u00edcie. Enquanto permanecermos presos \u00e0s ondas do pensamento e da emo\u00e7\u00e3o, estas nos parecer\u00e3o s\u00f3lidas e irresist\u00edveis. Mas se formos capazes de encontrar a consci\u00eancia que existe por tr\u00e1s dos pensamentos e sentimentos, eles perder\u00e3o sua solidez formal e n\u00f3s estaremos livres das fixa\u00e7\u00f5es. Nas pala\u00advras do mestre tibetano <b>Tarthang Tulku:<\/b> <b><i>\u201cPermane\u00e7am com seus pensamentos. Fiquem l\u00e1&#8230; tornem-se o centro do pensamento. Ve\u00adr\u00e3o que na verdade n\u00e3o existe nenhum centro&#8230; , Mas existe algo mais&#8230; uma abertura total&#8230; Se pudermos fazer isso, qualquer pensamento se transformar\u00e1 em medita\u00e7\u00e3o\u201d<\/i><\/b>. Assim, a medita\u00e7\u00e3o revela o sil\u00eancio absoluto que existe por tr\u00e1s tanto da turbul\u00eancia da mente quanto da calma relativa.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que entenderemos o sentido mais profundo da afirma\u00ad\u00e7\u00e3o de que a forma \u00e9 o vazio: a ess\u00eancia de todo pensamento e toda experi\u00eancia \u00e9 a abertura e clareza totais. Neste sentido, a psicologia budista tem uma compreens\u00e3o da mente parecida com a que a f\u00edsica qu\u00e2ntica tem da mat\u00e9ria. Nas teorias dos campos qu\u00e2n\u00adticos, \u201co contraste cl\u00e1ssico entre as part\u00edculas s\u00f3lidas e o espa\u00e7o que as cerca est\u00e1 totalmente resolvido\u201d. Da mesma maneira que as part\u00edculas subat\u00f4micas representam intensas condensa\u00e7\u00f5es de um campo maior de energia, tamb\u00e9m os pensamentos s\u00e3o con\u00addensa\u00e7\u00f5es moment\u00e2neas de percep\u00e7\u00e3o. <b>Assim como mat\u00e9ria e es\u00adpa\u00e7o s\u00e3o dois aspectos de um \u00fanico campo unificado, tamb\u00e9m os pensamentos e os espa\u00e7os entre eles s\u00e3o dois aspectos de um cam\u00adpo maior de consci\u00eancia<\/b>, que o mestre zen Suzuki Roshi descreveu como a <i>grande mente. <\/i>Se a pequena mente \u00e9 a atividade perma\u00adnente de agarrar e fixar, exercida atrav\u00e9s da aten\u00e7\u00e3o focal, a gran\u00adde mente \u00e9 o pano de fundo localizado por tr\u00e1s de tudo isso &#8211; a percep\u00e7\u00e3o pura e n\u00e3o-conceitual.<\/p>\n<p>A Figura abaixo ilustra o relacionamento entre os tr\u00eas aspectos da mente aqui discutidos. Os pontos equivalem a momentos mentais diferenciados, que parecem eventos separados por causa dos es\u00adpa\u00e7os entre eles. Apesar dos espa\u00e7os parecerem n\u00e3o ser nada, em compara\u00e7\u00e3o com os pontos, eles na verdade representam o con\u00adtexto que permite que os pontos apare\u00e7am da forma como os vemos e que os une a todos. Os espa\u00e7os entre os c\u00edrculos tamb\u00e9m representam pontos de entrada para o fundo, o espa\u00e7o branco da p\u00e1gina, que representa a base maior da consci\u00eancia pura, onde ocorre a intera\u00e7\u00e3o entre forma e vazio.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0<strong>O \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 O \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0O \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0O \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 O<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0\u00a0<strong>A GRANDE MENTE<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0A grande mente, ou consci\u00eancia pura, \u00e9 uma esp\u00e9cie de terra de ningu\u00e9m &#8211; uma realidade aberta e ilimitada sem pontos de re\u00adfer\u00eancia e sem limites de propriedade, placas ou trilhas. Apesar de n\u00e3o poder ser percebida como um objeto pela aten\u00e7\u00e3o focal, ela n\u00e3o \u00e9 simplesmente um elemento de f\u00e9. Bem ao contr\u00e1rio. Nas palavras de um texto tibetano, <b>\u201cO vazio na verdade \u00e9 realmente pass\u00edvel de ser experimentado\u201d. Infelizmente, quando a men\u00adte n\u00e3o treinada o considera como um branco ou um nada, o brilho inigual\u00e1vel desta consci\u00eancia pura fica obscurecido. Como afirma o mestre Dzogchen Tenzin Wangyal, \u201co intervalo entre dois pensa\u00admentos <\/b><b><i>\u00e9 <\/i><\/b><b>a ess\u00eancia. Mas se neste intervalo houver uma aus\u00eancia de presen\u00e7a, ent\u00e3o ele se transformar\u00e1 em ignor\u00e2ncia, e experimen\u00adtaremos somente uma aus\u00eancia de percep\u00e7\u00e3o, quase uma incons\u00adci\u00eancia. Ao contr\u00e1rio, se houver uma presen\u00e7a neste intervalo, ent\u00e3o experimentaremos o <i>Dharmakaya <\/i>(a realidade \u00faltima)\u201d. A ess\u00eancia da medita\u00e7\u00e3o pode ser descrita de forma simples, de acor\u00addo com Tenzin Wangyal, como \u201cuma presen\u00e7a no intervalo\u201d \u00adcomo um ato de conhecimento n\u00e3o-dual, integrado, que revela o fundamento da exist\u00eancia naquilo que inicialmente n\u00e3o parece ser nada. Como explica outro texto tibetano, \u201cO fundamento dos seres conscientes n\u00e3o tem ra\u00edzes&#8230; E esta aus\u00eancia de ra\u00edzes \u00e9 exa\u00adtamente a raiz da ilumina\u00e7\u00e3o\u201d. S\u00f3 no fundamento imaterial do ser pode a dan\u00e7a da realidade ocorrer em toda sua luminosa claridade.<\/b><\/p>\n<p>Extra\u00eddo do livro: <strong>Em Eusca de Uma Psicologia do Despertar de John Welwood<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 &nbsp; O JOGO DA MENTE &nbsp; Forma, vazio e outros &nbsp; \u00a0\u00a0A forma \u00e9 o vazio, o vazio \u00e9 a forma, o vazio \u00a0nada mais\u00a0\u00e9 sen\u00e3o a forma, a forma nada\u00a0mais \u00e9 sen\u00e3o o vazio. \u00a0&#8211; SUTRA DO CORA\u00c7\u00c3O &hellip; <a href=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/934\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on get_the_excerpt --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on get_the_excerpt --><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":932,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-934","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meditacao"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/934","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=934"}],"version-history":[{"count":6,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/934\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1521,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/934\/revisions\/1521"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media\/932"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=934"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=934"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=934"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}