{"id":965,"date":"2014-05-15T00:39:04","date_gmt":"2014-05-15T02:39:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/?p=965"},"modified":"2018-02-10T18:42:59","modified_gmt":"2018-02-10T20:42:59","slug":"preparacao-para-a-compreensao-de-shunyata","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/preparacao-para-a-compreensao-de-shunyata\/","title":{"rendered":"Prepara\u00e7\u00e3o para a compreens\u00e3o de Shunyata"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align:justify\">\n<a href=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Eclipse.jpg\" class=\"broken_link\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-147\" alt=\"Eclipse\" src=\"http:\/\/www.shunya.com.br\/shunya\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Eclipse-300x168.jpg\" width=\"300\" height=\"168\" srcset=\"http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Eclipse-300x168.jpg 300w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Eclipse-500x281.jpg 500w, http:\/\/www.nossacasa.net\/shunya\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/Eclipse.jpg 853w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"center\"><i>\u201cTudo existe perfeitamente com total abertura.\u201d<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i>\u00a0 \u00a0Quando come\u00e7armos a considerar a possibilidade de nos tornarmos iluminados, entendemos a ilumina\u00e7\u00e3o como alguma<i> forma<\/i> distinta de experi\u00eancia. Supomos que a medita\u00e7\u00e3o conduzir\u00e1 a estados de ser mais elevados e sutis, at\u00e9 que, por fim, tudo se transforma de algum modo, passando do que normalmente vemos e sentimos para uma experi\u00eancia de alegria e gra\u00e7a cont\u00ednuas. No entanto, do ponto de vista da mais alta realiza\u00e7\u00e3o, tudo aquilo com que n\u00f3s nos envolvemos j\u00e1 est\u00e1 dentro da ilumina\u00e7\u00e3o. Tudo j\u00e1 \u00e9 perfeito; n\u00e3o existe uma coisa sequer que seja imperfeita, \u201ccoisa\u201d alguma precisa ser limpa ou desenvolvida. Cada forma, cada qualidade espec\u00edfica j\u00e1 \u00e9 completa exatamente como est\u00e1, sendo o que \u00e9, n\u00e3o importa o que. Nessa perspectiva, n\u00e3o existe n\u00e3o-ilumina\u00e7\u00e3o nem ilumina\u00e7\u00e3o; nem <i>samsara<\/i> nem <i>nirvana<\/i>. A perfei\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca da exist\u00eancia esta al\u00e9m de todas as interpreta\u00e7\u00f5es relativas ou das tentativas de descri\u00e7\u00e3o de suas qualidades. Antes mesmo de come\u00e7armos a praticar e meditar, todas as formas e apar\u00eancias s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es do ser perfeito. Assim, nada h\u00e1 a ganhar, nada a perder, nada a realizar e nenhum lugar para se ir. Ent\u00e3o, por que j\u00e1 n\u00e3o somos iluminados? Como podemos estar dentro da exist\u00eancia perfeita, se nosso mundo e nossas vidas parecem t\u00e3o distantes da utopia? As respostas a estas perguntas encontram-se em nossa tend\u00eancia de a tudo dar uma identidade, de rotular, definir e categorizar toda a nossa experi\u00eancia. Em virtude desse processo perdemos contato com a realidade, porque t\u00e3o logo come\u00e7amos a descrever e interpretar, ficamos do lado de fora, olhando<i> para ela.<\/i> Ao nos colocarmos a parte da realidade, criamos a separa\u00e7\u00e3o que depois tentamos transpor com nossa medita\u00e7\u00e3o. Chegamos at\u00e9 a pensar na realiza\u00e7\u00e3o como a meta final de uma rela\u00e7\u00e3o entre sujeito e objeto, sem enxergar que esta \u201crealiza\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 apenas um conceito a mais, um produto do nosso condicionamento, que obscurece a clareza e a profundidade potenciais da mente. Na verdade, nada h\u00e1 a descobrir, quer no sujeito quer no objeto \u2013 nem espa\u00e7o, nem tempo, nem mat\u00e9ria; n\u00e3o existe nem mesmo uma mente. Quem pode, ent\u00e3o, realizar a ilumina\u00e7\u00e3o? <i>Ningu\u00e9m.<\/i><\/p>\n<p>N\u00e3o existe eu; n\u00e3o existe quem vivencie a experi\u00eancia e n\u00e3o existe a experi\u00eancia. Tudo existe perfeitamente com total abertura. Todas as manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o vazias, e o vazio \u00e9 todas as manifesta\u00e7\u00f5es. Contudo, n\u00f3s como indiv\u00edduos n\u00e3o conseguimos apreender esta perfeita abertura. N\u00e3o podemos v\u00ea-la, toc\u00e1-la, cheir\u00e1-la, interpret\u00e1-la ou vivenci\u00e1-la: n\u00e3o h\u00e1 um \u201ceu\u201d para apreender, ver, cheirar ou vivenciar, para negar ou afirmar a fisicalidade da mat\u00e9ria, ou sequer para comparar o existente e o n\u00e3o-existente. A abertura absoluta, ou <i>shunyata<\/i>, n\u00e3o tem ponto de apoio, n\u00e3o tem posi\u00e7\u00e3o. Sem caracter\u00edsticas nem ess\u00eancia, n\u00e3o pode ser vivenciada pelos sentidos ou pela mente.<\/p>\n<p>Todavia, nada est\u00e1 fora de <i>shunyata.<\/i> A realidade abrange todas as posi\u00e7\u00f5es, cada aspecto da exist\u00eancia e da n\u00e3o-exist\u00eancia. <strong>Em <i>shunyata <\/i>h\u00e1 espa\u00e7o para cada possibilidade, e tudo se ajusta com perfei\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea come\u00e7ar\u00e1 a entender o vazio quando se desligar dos preconceitos.<\/strong> Se acreditar que <i>shunyata<\/i> \u00e9 uma vasta extens\u00e3o, descarte essa id\u00e9ia. Se acreditar na mente, ou que tudo \u00e9 criado pela mente, ou que h\u00e1 algum fundamento ou subst\u00e2ncia, jogue fora tais conceitos. Desmascare tudo e deixe a mente ficar em silencio total, em paz, vazia e clara: deixe-a<i> tornar-se<\/i> a experi\u00eancia de <i>shunyata<\/i>. Dentro desse espa\u00e7o claro e vazio que se encontra entre um pensamento e outro, antes que um outro conceito se forme, n\u00e3o existe sujeito, nem objeto, nem experi\u00eancia. A\u00ed est\u00e1 a natureza da ilumina\u00e7\u00e3o. Talvez seja dif\u00edcil aceitar isso se tivermos um conceito impreciso de ilumina\u00e7\u00e3o. Podemos pensar que alcan\u00e7ar a ilumina\u00e7\u00e3o exija mais do que simplesmente abra\u00e7ar a qualidade aberta do vazio. Por\u00e9m, nossas<i> id\u00e9ias<\/i> sobre ilumina\u00e7\u00e3o e sobre seres infinitos s\u00e3o muitas vezes restritivas.<\/p>\n<p>Criamos estes conceitos para melhor entender nossa reali\u00addade e, no entanto, estes mesmos conceitos podem, ir\u00f4ni\u00adcamente, bloquear nossa realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m criamos restri\u00e7\u00f5es ao nos considerarmos separados das outras coisas. Pensamos que nos projetamos para tocar algo separado de n\u00f3s mesmos, ou que olhamos em volta para ver alguma coisa fora de n\u00f3s, mas aquele que toca j\u00e1 est\u00e1 tocando, o observador j\u00e1 est\u00e1 observando. Assim que afirmamos algo como sendo separado, ou isola\u00admos alguma coisa a fim de tentar entend\u00ea-la, perdemos <i>shunyata <\/i>de vista.<\/p>\n<p>De onde vem a mente? Aonde vai ela? Onde est\u00e1 a fonte da consci\u00eancia? Onde se origina a vida? Onde se cria toda a exist\u00eancia?<\/p>\n<p>A resposta a todas estas pergun\u00adtas \u00e9: em parte alguma<i>; <\/i>tudo \u00e9 a mesma realidade, a mesma energia, sem fonte nem princ\u00edpio. N\u00e3o h\u00e1 separa\u00e7\u00e3o real entre passado e presente, aqui e l\u00e1. N\u00f3s estamos sempre dentro da realidade. <i>Nossa mente n\u00e3o est\u00e1 separada da ilumina\u00e7\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p>Qual \u00e9, ent\u00e3o, a diferen\u00e7a entre a ilumina\u00e7\u00e3o e a exist\u00eancia comum? O estado iluminado disp\u00f5e de grande riqueza, abertura e plenitude de ser, enquanto o estado <i>sams\u00e1rico<\/i> inclui tremendo sofrimento, ignor\u00e2ncia e con\u00adfus\u00e3o. N\u00e3o obstante, do ponto de vista de <i>shunyata<\/i>, os dois estados coexistem: n\u00e3o h\u00e1 separa\u00e7\u00e3o entre eles.<\/p>\n<p>Quando compreendermos que o fundamento da ilumina\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um dado lugar ou uma dada pessoa, saberemos que <i>jamais nos afastamos dessa mente desperta.<\/i> <i>Veremos que a ilumina\u00e7\u00e3o permeia todo o nosso ser e n\u00e3o pode separar-se de n\u00f3s<\/i>, tanto quanto o som n\u00e3o pode se divorciar da m\u00fasica. <i>Shunyata <\/i>\u00e9 tudo e nada. Toda a nossa experi\u00eancia est\u00e1 compreendida dentro dessa perfeita realiza\u00e7\u00e3o da abertura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do livro: A MENTE OCULTA DA LIBERDADE \u2013 Tarthang Tulku\n<\/p><\/div>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cTudo existe perfeitamente com total abertura.\u201d \u00a0\u00a0 \u00a0Quando come\u00e7armos a considerar a possibilidade de nos tornarmos iluminados, entendemos a ilumina\u00e7\u00e3o como alguma forma distinta de experi\u00eancia. 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