A mente essencial


A mente essencial

Karma Chagme

O rei Trisong Detsen perguntou a Orgyen Rinpoche Padmasambhava:

“Grande mestre, a fim de que os seres sencientes causais realizem o estado búddhico, bem no início a visão da realização é crucial. Então quem está dotado com a visão da realização?”

O mestre respondeu: “O ápice de todas as visões é constituído pelas instruções essenciais e práticas para a iluminação. Todas as galáxias, todos os sugatas dos três tempos e das dez direções e todos os seres sencientes dos três reinos são uma realidade: eles estão incluídos na mente essencial da bodhichitta. Isso que é chamado ‘mente’ é não-criada e se manifesta de vários modos”.

“Bem, então, qual é a diferença entre os buddhas e os seres sencientes?”

“Nenhuma além de sua realização e não-realização da mente. Desconhecido para você, o Buddha está presente dentro de você. Devido à falha em reconhecer a natureza essencial da mente, você vaga entre os seis estados da existência”.

“Bem, então, qual método há para penetrar a mente?”

“Para isso, as instruções práticas de um mestre espiritual são necessárias.

A assim-chamada ‘mente’ existe como uma experiência da atenção e do conhecimento. Não observe a mente externamente, mas sim internamente.

Procure a mente com a mente. Estabeleça a mente em si com a mente. Observe: onde a mente inicialmente surge, onde ela está localizada agora e aonde ela vai ao final? Quanto a isto, observando por você mesmo a sua mente, nenhum lugar de origem, nenhuma localização e nenhum destino são encontrados. Não há como indicar sua natureza essencial dizendo, ‘É deste modo…’ Assim, não havendo exterior ou interior, e não havendo observador ou observado, a mente é a grande sabedoria primordial, livre de centro ou periferia, grande, vazia, sabedoria primordial, originalmente livre e permeando tudo. A sabedoria primordial, que é naturalmente presente em seu próprio modo de ser, não é algo criado. O reconhecimento da presença da sabedoria primordial em você mesmo é a visão. Esforce-se para penetrá-la!”

“O solo e o que tem o solo é como o espaço, primordial e espontaneamente presente. É como o sol, não tem lugar para a escuridão da ignorância. É como um lótus, não-manchado pelas máculas. É como o ouro, que não muda de natureza da realidade em si. É como o oceano, sem movimento. É como um rio, sem interrupção. É como uma presença, sem chegada ou partida. É com o Monte Meru, sem se mover ou mudar”.


(Citado em Naked awareness: Practical instructions on the union of Mahamudra and Dzogchen. Karma Chagme, com comentário de Gyatrul Rinpoche, traduzido por B. Alan Wallace, editado por Lindy Steele e B. Alan Wallace. Ithaca: Snow Lion, 2000. Pág. 109-110.)



Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.