Revelação direta da budeidade além de toda classificação


A REVELAÇÃO DIRETA DA BUDEIDADE ALÉM DE TODA CLASSIFICAÇÃO

de Nuden Dorje

Texto extraído do livro
“La Simplicité de la Grande Perfection”
Traduzido do tibetano e apresentado por James Low
Traduzido para o português por: Karma Tenpa Dhargye

SEÇÃO SOBRE A INSTRUÇÃO DA GRANDE PERFEIÇÃO PRIMORDIALMENTE PURA QUE PERTENCE À COLETÂNEA DE ENSINAMENTOS MUITO SECRETOS DAS DAKINIS, EXTRAIDO DA “A COMPOSIÇÃO DA VERDADE ESSENCIAL PROFUNDA”

INTRODUÇÃO

Este ensinamento dzogchen faz parte dos tesouros [gTer-Chos] descobertos por Nuden Dropen Lingpa Drolo Tsal, no meado do século passado. Ele passa a maior parte de sua vida no Tibet oriental e viveu finalmente no Kham Trehor Gompa, que foi fundado por Sherab Mebar, um discípulo de Padma Trinlae, ele mesmo discípulo do quinto Dalaï Lama. Nuden Dorje foi reconhecido como uma encarnação de Ke’u Chung Lotsawa, um discípulo direto de Padmasambhava, do qual ele recebeu este ensinamento.

O texto começa de uma maneira tipicamente nyingma, com uma admoestação para fugir do samsara seguida d’uma instrução para utilizar a meditação sobre uma divindade como via de entrada no estado natural. O dzogchen é visto aqui como uma afirmação do estado natural e não como um sistema exclusivo – tudo o que pode ajudar o estudante a acessar seu próprio e verdadeiro estado de liberdade inata é válido, porque o dzogchen começa somente quando acessamos a esse estado.

Assim, a esperança de saúde e o desejo de evitar os sofrimentos do samsara são úteis ao mesmo tempo como atitudes preliminares de orientação e como partes d’uma via de integração que é não-via. Exclusão, hierarquia, totalização e todos os outros métodos para impor uma ordem são ao mesmo tempo supérfluos e problemáticos nesta abertura pluralista que é a Via do dzogchen.

Na segunda página da tradução, Nuden Dorje apresenta o dzogchen como uma aproximação iniciando a escolha e a responsabilidade individuais. Há numerosas maneiras diferentes de praticar. É da responsabilidade do professor assegurar que os estudantes estejam familiarizados. Mas é da responsabilidade dos estudantes serem conscientes de seu próprio estado e de aplicar o estilo ou a técnica mais apropriada. O mestre é uma ajuda mais do que um diretor. Não se trata de aplicar antídotos específicos às situações especificas, mas, sobretudo de utilizar a energia de tudo o que surge para se liberar essas aparições por si mesmas, simplesmente permanecendo relaxado em seu próprio estado natural.

Esse texto não tem por objeto descrever a complexidade dos exercícios dzogchen para nos relaxar e estar em harmonia com o tempo, o lugar e os corpos, descritos na literatura [Klong-sDe]. Aqui, a atenção é dirigida muito mais simplesmente sobre a dupla tarefa de entrar no estado natural, e de apreender como fazer face de maneira não-reativa a tudo aquilo que poderia nos fazer sair.

A forma do texto é de um discurso espontâneo; a exposição não segue um encadeamento preciso de idéias, como na Chetsangpa. Cada parágrafo é uma declaração, uma instrução ou uma evidência. O texto está impregnado do sentido do valor absoluto do que é exposto; é realmente um ensinamento do coração, uma revelação da mais íntima e da mais cara experiência do autor. Encontramos esse estilo em numerosos textos reagrupados aqui: eles não querem apresentar o Dharma (quer dizer, no caso o dzogchen) como um sistema filosófico, mas eles querem antes partilhar a verdade que experimentaram, e fazer compreender o valor de tais práticas.

James Low

O TEXTO

Homenagem à minha própria consciência desperta, o soberano supremo.

Para a prática dessas instruções sobre o conhecimento primordial da grande perfeição natural e primordialmente pura, a paz profunda livre de toda interpretação, todos nós, yoguis meditantes, devemos receber integralmente o néctar das instruções dos santos mestres que se seguem.

Nascidos neste samsara impuro, devemos fugir da sociedade e viver sozinhos em lugares isolados. Mantendo nosso corpo na postura em sete pontos de Vairochana1. Conservemos nossa fala livre de conversação e de recitações. Expulsemos o ar de nosso corpo e permaneçamos repousados em nosso próprio lugar. Não conservemos as confusões passadas e não encorajemos as futuras. Permaneçamos no presente sem dúvidas nem incertezas. Sem pensar em nada, sem nada desenvolver – permanecendo justo e espontaneamente no estado de não-distração.

Meditemos sobre a forma de nossa divindade sem lhe dar uma aparência fortemente real. Rezemos muito energicamente, depois permitamos à divindade se dissolver em luz e de se fundir em nós, afim de que ela se torne inseparável de nossa própria mente. O meditante e a experiência são claros, também permaneçamos relaxados na não-distração além da expressão.

Poderemos também concentrar nossa atenção sobre uma estátua, um texto, um instrumento simbólico ou uma pedra. – o que nos parecer mais apropriado. Depois sem pensarmos em nada com nossa mente, não meditaremos, não perseguiremos os objetos dos seis sentidos, mas permaneceremos naturalmente sem estar misturados com nenhum pensamento de ser, não-ser, etc., mesmo os mais sutis.


1. Pernas em lótus, rosto direito, peito alto, queixo baixado, mãos ao nível do colo, olhar colocado ligeiramente a um metro diante de si, língua no palato.

Nesse momento, não bloqueemos o processo por pensamentos; de quanto este estado vai durar, ou nos perguntando quanto tempo isso vai levar. Quaisquer que sejam os pensamentos repentinos que apareçam, reconheçamo-los imediatamente e continuemos sem distrações no estado em que não nos apegamos ao lugar de onde os pensamentos surgiram.

Se nos surpreendemos não parando a corrente dos pensamentos, mas seguindo-os, guardamos nosso corpo na postura dos sete pontos, conservando uma atenção aguda e observamos com uma mente bem concentrada.

Podemos também praticar permanecendo relaxados, sem forçar a concentração. E podemos praticar fundindo a atenção nos objetos dos seis sentidos. Devemos saber também como praticar isso de acordo com a inspiração, a retenção e a expiração da respiração. Para os yoguis iniciantes que pratiquem assim, os pensamentos podem aparecer de numerosas maneiras diferentes. Não consideremos isso como um erro, porque se prosseguirmos nossa prática nos tornaremos capazes de permanecer simplesmente na consciência desperta, livre de pensamentos. Então não gostaremos mais da distração, falaremos pouco e permaneceremos em um reconhecimento concentrado sobre um ponto. Eis o método da prática que consiste em "permanecer na calma lúcida" [Zhi-gNas]

Os objetos exteriores nos quais nós acreditamos, todos os fenômenos que podemos experimentar no samsara e no nirvana são, desde o início, como o céu. Todas as idéias dualistas do funcionamento mental não são mais que palavras, sem um único átomo de verdadeira realidade. Consideramos em termos de entidades particulares o turbilhão enganoso das aparências ilusórias que são vazias e despidas de natureza própria inerente e lhes aplicamos nomes. Assim devemos decidir que sua natureza transcende o fato de ser o objeto de uma interpretação limitada. Quaisquer que eles sejam, os objetos que surgem se liberam por eles mesmos, e em face da corrente incessante de todas as aparências que podemos ver, devemos permanecer livres da marca de os considerar como existindo realmente. Claro, vazio e livre de amarras – é esse o reconhecimento que surgirá então. Permanecer espontaneamente neste estado, é o desenvolvimento da "visão penetrante" [Lhag-mThong].

Quando praticamos, quaisquer que seja a maneira que façamos, numerosos tipos de pensamentos e de experiência aparecem. Precisamos então examina-los impertubavelmente segundo os critérios seguintes: de onde eles vieram, onde eles permanecem, para onde vão eles, e qual a forma e que cor tem eles?

Olhamos também a consciência em si. Se não vemos nada, examinemos então atentamente o que é olhado e quem é aquele que olha. Se não vemos nada que tenha uma substância própria, examinemos então extremamente atentos os diferentes pensamentos. Permaneçamos espontaneamente sem nos agarrar num estado ilimitado semelhante ao céu, livre do objeto, e fiquemos assim totalmente e claramente persuadidos do fato que a mente é despida de qualquer raiz.

Se compreendermos e examinarmos desse modo, e se percebermos claramente todas as variedades de erros ligados à calma e ao movimento, então, se permanecermos longo tempo nesta prática, compreenderemos realmente.

Assim, diante de qualquer pensamento que possa surgir, permanecemos sem encorajamento[entusiasmo] nem expectativa, sem aceitação nem rejeição – observemos sua aparição espontânea e sua liberação espontânea.

E mais, quando há numerosos pensamentos turbilhonantes, não consideremos isso como uma falta. Não nos enganemos com as idéias que não percebem as qualidades da claridade e da vacuidade nuas, mas pratiquemos a manifestação da realidade sem artifício.

Quando estamos sentados na postura dos sete pontos, os olhos corretamente focalizados, se a presença familiar de objetos conhecidos se manifesta, pelo poder dos pensamentos sutis, é então muito importante não cairmos sobre o poder desses movimentos ínfimos.

Depois de tempos sem começo, a vacuidade não tem natureza própria inerente, livre de toda interpretação. É muito importante saber que nossa consciência nesse momento, além da intelectualização, é justamente a própria consciência desperta.

Isso que é olhado, o olhar e aquele que olha, a calma e o movimento, é a claridade da expressão espontânea natural. Ficar sem se prender diante disso, é reconhecer sua própria natureza ou decidir da única Base de conhecimento, isso é de uma importância capital.

Se não temos essa compreensão, então o que olhamos, o olhar e aquele que olha vão ser diferenciados. Calma e movimento serão examinados e etiquetados e estaremos presos por conceitos de ser e não-ser, pela inibição e o encorajamento. Também, não somente para a qualificação da vacuidade em termos de exterior e interior, mas também diante do apego ao objeto de meditação e as noções de bem e de mal, as esperanças e dúvidas, prestem verdadeiramente atenção de estar presos a tudo isso. Não deixem suas mentes ficarem distraídas pelos movimentos ocultos dos pensamentos. É essencial obter a compreensão despida do objeto e além de todo limite. Quando estamos instalados sem distração em uma postura e uma maneira de ver diferente desta erramos automaticamente na confusão da incompreensão de nossos próprios pensamentos, e esse processo não é reconhecido. Em outros termos, não sabemos nada, somos ignorantes, e giramos sem parar na não-claridade. Descrevemos isso como a incapacidade de manter a espontaneidade do pensamento, e isso conduz ao fato de estarmos presos pela necessidade da distração, de modo que não podemos penetrar na livre expressão. Assim, o movimento e o reconhecimento2 devem estar sob o controle da compreensão.


2. O termo "reconhecimento" é utilizado aqui por significar o retorno da atenção sobre o objeto. Não estamos mais presos nas redes da relação dualista ao objeto, mas utilizamos um objeto afim de re-focalizar nossa atenção.

Além disso, podemos perseguir os pensamentos resultantes da aparição dos diversos objetos dos seis sentidos. Então examinamos e julgamos, perseguindo cada um, um após o outro, de modo que o retorno da atenção seja reforçado. Igualmente, quando a mente não repousa nela mesma, os pensamentos vagam continuamente sem atender um limite, e nós devemos reconhecer isso como obstáculos em nossa Via e na nossa meditação. Se nossa prática se desenvolve desse modo, então, como foi explicado mais acima, não obscureçamos as coisas com uma compreensão errônea. Evitemos os artifícios conceituais e mantenhamos a espontaneidade automática. Quaisquer que sejam os movimentos e seus retornos que surgem, permaneçamos sobre nossa compreensão e nossa claridade. Não nos ponhamos a avaliar, não aceitemos nem rejeitemos, não adotemos nem descartemos. E não sigamos tudo o que possa aparecer.

Não bloqueemos o movimento e nem inibamos a cessação. O ponto essencial da Via é permanecermos exatamente sobre a consciência desperta da verdadeira natureza daquele que dá nascimento aos pensamentos.

Temos necessidade de reconhecer o que é chamado "prática ou trabalho do jogo da realidade", quer dizer compreender a visão que acabamos de enunciar. Nesse estágio, se a raiz do movimento não foi cortada, de modo que tenhamos a experiência do fato de que os pensamentos se mantém e que protegemos sua própria história familiar, então numerosos pensamentos surgirão enquanto objetos de uma consciência que não tem compreensão. Nosso conhecimento imediato declina e experimentamos o obstáculo da quietude embrutecida. Então, guardemos a mente alerta e clara. Pratiquemos em curtas sessões e lembremos da morbidez da mente. É muito importante reconhecermos o movimento e a estabilidade.

Por outro lado, se seguirmos os movimentos, sutis ou grosseiros, o obstáculo da agitação da mente aparece, controlemos, pois também a atenção. Como anteriormente, desenvolver a claridade consiste em permanecer sem inibir a compreensão da calma e do movimento. O ponto essencial da Via é a experiência direta da verdadeira natureza desta claridade. Se os erros do entorpecimento ou da agitação se produzem, eles podem ser eliminados meditando respectivamente sobre a forma vermelha ou branca de Padmasambhava.

Se os pensamentos se elevam com força, como a sensação de estarmos doentes ou de experimentarmos fortes dores, se não somos capazes de permanecer sentados e que não saibamos como meditar, esse é o obstáculo da produção da dispersão e da agitação. Então relaxemos o corpo, a fala e a mente, e com a mente olhemos o espaço do céu. Na metade da letra (quer dizer 3V ) ao nível do umbigo, visualizemos um fogo ardente no qual queimamos os agregados e as potencialidades3, e todas as entidades exteriores e interiores do mundo e de seus habitantes, de maneira que não haja nada mais que a vacuidade. Meditemos sobre isso de uma maneira repetida.

Se os obstáculos do entorpecimento, da confusão e da ignorância surgem, de modo que a mente é obscurecida de maneira repetida, controlemos o corpo, a fala e a mente. Apliquemo-nos às práticas de purificação e de acumulação de sabedoria e de mérito. É importante obter essas duas acumulações e oferecer a felicidade às divindades que residem nos canais fazendo subir e descer nossa própria energia.

Quando praticamos a experiência nua da consciência desperta, é possível que os objetos dos seis sentidos se manifestem. Não deixem a mente se extraviar atrás deles. E quando a mente não está concentrada no interior, permaneceremos sem encorajar, inibir e auto-identificar. Ainda que os objetos dos seis sentidos possam aparecer, não permaneçamos ligados por esperanças ou desejos. Por exemplo, qualquer que seja o número de vagas que apareçam no oceano, elas surgem todas espontaneamente e se dissolvem espontaneamente.

3. Os agregados: a forma, as sensações, as percepções, as associações e a consciência. As potencialidades são os seis órgãos dos sentidos, seus seis objetos e suas seis consciências.

Se pudermos verdadeiramente evitar acumular todos os pensamentos que apareçam, quaisquer que sejam eles, então nesse momento, nós permaneceremos no estado de manutenção da calma o mais elevado.

Se os pensamentos se manifestam, eles se manifestarão então como o grande jogo da cognição primordial. Com a experiência progressiva da mente ela própria, haverá a claridade livre das vagas do movimento e do reconhecimento1. E com a claridade natural disso, a expressão espontânea é incessante, como uma irradiação brilhante. É o ponto de entrada essencial no equilíbrio meditativo da união da claridade e da clara energia.

Os iniciantes experimentam uma maré incessante de múltiplos pensamentos, seus numerosos erros vão progressivamente e espontaneamente se pacificar por si mesmos e não persistem senão por instantes. Assim, como pelos erros dos objetos exteriores tais como os sons, os pensamentos vêm, e chamamos isso o movimento. A compreensão que distingue entre movimento e calma é chamada reconhecimento. Eis a introdução à calma [gNas], ao movimento [‘Gyu] e a consciência desperta [Rig].

Às vezes há uma grande calma, depois o movimento se produz. Não persigam o movimento, mas mantenham o reconhecimento. Façam isso ainda e ainda. E mais, não consideremos as boas qualidades da calma e os problemas do movimento. Permanecer [gNas] sobre a consciência desperta, sobre a claridade, é o modo natural. O movimento é o modo da manifestação e a claridade o modo radiante. Assim, não há mesmo uma ‘grama’ de bons ou maus pensamentos. Se isso não é realizado e se manifestamos apego pelos bons pensamentos e repulsa pelos maus, então se gostamos de nos entregar à experiência da vacuidade, renasceremos no mundo do sem-forma. Se gostarmos de nos entregar à experiência de alegria, renasceremos no reino do desejo. E se perseguirmos ou se nos entregarmos à experiência de claridade, renasceremos no reino da forma.

Se estivermos livres dos movimentos, portanto da confusão que assim surge e se praticarmos a claridade durante longo tempo, então teremos a vacuidade [sTong-pa] devemos ficar pacificamente e durante bastante tempo no estado desta condição natural, com a experiência de felicidade que não pode ser mudada ou eliminada. O incessante aparecimento dos pensamentos, que é o poder da consciência desperta, é claridade.

As expectativas para com essas experiências e a tristeza quando elas se dissolvem e chegam ao fim, e o fato de não ver a pureza primordial da essência da meditação – reconhecer a base dessas coisas que devem ser purificadas, é o ponto essencial.

Assim, se a confusão surge, devido aos numerosos pensamentos, tendo todo o conhecimento da pacificação [Zhi-Ba] das dispersões exteriores e interiores em seu próprio lugar, permanecemos [gNas] claramente sem artifício. Essa é a verdadeira natureza de "permanecer na calma" [Zhi-gNas].

Sobre a base desta condição natural, sem modificação ou adulteração, a expressão poderosa e não obscurecida da consciência desperta é vista diretamente, e é esta a introdução à "visão penetrante" [Lhag-mThong].

Assim, qualquer que seja a emoção perturbadora que surja, quer seja a aversão, apego, ignorância, etc., e quaisquer que sejam os pensamentos que surjam, bons ou maus, não os inibamos. Não os consideremos como inimigos. Não os julguemos. Sua verdadeira natureza é vazia desde o início e eles não vão além disso. Assim é muito importante desenvolver nossa capacidade em permanecer na espontaneidade livre de apegos.

No "Thal – ‘Gyur", é dito:

Todos os pensamentos possíveis que surgem

Liberam-se por si mesmos como o nó em uma serpente lançada ao ar.

Sabendo o que deve ser abandonado,

Eles buscam o antídoto alhures,

Esses yoguis que, tendo suas atenções concernentes aos benefícios e as dificuldades,

São prisioneiros da dualidade.

Experimentemos a liberação primordial desse esforço errôneo!

Assim, para os objetos dos seis sentidos nos quais buscamos antídotos, às emoções perturbadoras que devem ser abandonadas: se mantivermos a espontaneidade – pouco importa quais pensamentos de apego surjam, – há liberação espontânea dos objetos dos seis sentidos. Quaisquer que sejam os bons ou maus pensamentos que surjam, não os persigamos à procura do benefício ou do malefício. Pratiquemos o estado daquele que não desenvolve os pensamentos alegres ou tristes.

A meditação permanece em seu próprio lugar, os pensamentos se manifestam e o reconhecimento é mantido. Como para um homem é fácil realizar as três ações de caminhar, dormir e sentar-se, nós devemos realizar que a realidade desses três fatos (permanecer, manifestar e reconhecer) é sua inseparabilidade em uma só natureza.

"Permanecer na calma" – a pacificação de todos os pensamentos em seu próprio lugar – e "visão penetrante" – ver diretamente a consciência, tem uma só natureza. Todas as aparências possíveis da energia da Base se liberam por si mesmas.

Para resumir isso, calma e movimento, reconhecimento e consciência desperta, bons ou maus pensamentos, qualquer que seja a maneira como eles surjam, não representam coisas separadas!

Não nos engajemos no processo de inibir ou encorajar, rejeitar ou aceitar. No estado livre da aparência e da interpretação, mantenhamos diretamente a consciência desperta e vacuidade.

Quando os pensamentos surgem é muito importante não se descartar das instruções.

Desta maneira, para tudo o que possa aparecer ou surgir, mantenhamos o reconhecimento da distinção e a conservemos, quaisquer que sejam, e permaneçamos assim no equilíbrio meditativo. Depois pratiquemos com o conhecimento dotado d’uma confiança natural na verdadeira natureza imutável e não-cambiante, afim de que daí resulte o ganho da mutabilidade cambiante do movimento e do reconhecimento.

De maneira que, a agitação dos pensamentos conduz à ausência de pensamentos, após o que há um espaço vazio no qual os pensamentos se manifestam – também compreendamos isso realmente, quaisquer que sejam os pensamentos que apareçam. Mantenhamos a experiência direta, instantânea, sem resíduo. Mantenhamos a liberação espontânea. Não misturemos isso com uma atividade constrangedora. Conservemos em nós mesmos um conhecimento direto disso.

Alguém que encontre esta instrução será alguém de bom carma e com boas oportunidades. Se isso for realizado de manhã, seremos um budha de manhã. Se isso for realizado a noite, seremos um budha à noite. Alguém que pratique assim obterá a budeidade nesta vida, se ele tiver alta capacidade. Se for de capacidade média, obterá no bardo da morte. E aqueles de capacidade comum serão liberados dos maus renascimentos. Sem nenhuma dúvida. Este ensinamento está sob a proteção dos doze Tanma e de Nyanchen Thangla.

Quanto à esta quintessência de todas as verdades essenciais e profundas, se bem que existam numerosas práticas de todos os ensinamentos especiais e muito secretos, esse é a quintessencia final extraída da essência última. Ela não pode ser descoberta senão por uma pessoa afortunada e de bom carma, porque ela é selada no segredo. Ela é selada contra aqueles que não tem votos e que tem visões falsas. Os protetores do tesouro têm a ordem de o proteger. Ela é selada além da classificação por Urgyen Padma. É o sangue do coração e o tesouro do coração das dakinis. Selo secreto. Corpo, Fala, Mente não mudarão. Voto vajra. Selo. Selo. Selo. Selo tesouro. Selo oculto. Selo profundo. Selo secreto. Mandala. Esse é o ensinamento especial de Nuden Dorje Drophan Lingpa Drolo Tsal.



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