A Roda da Meditação Analítica e Instruções sobre a Visão no Caminho do Meio


por Lama Mipham
tradução e comentário por Keith Dowman

A Roda da Meditação Analítica (Sems kyi dpyod pa rnams par sbyong ba so sor brtag pa’ i dpyad sgom ‘khor lo) e Instruções sobre a Visão no Caminho do Meio (dBu ma’i lta khrid zab mo) por Lama Mipham, tradução e comentário por Keith Dowman sob patrocínio de Tarthang Tulku; prefácio por Herbert Guenther; cobertura e ilustrações por Arthur Okamura, capa por Remoinho de Glen; 127 páginas; publicada por Dharma Publicando, Berkeley, 1973.

Nota: Na Tradição do tibetano é habitual o discípulo atribuir seu trabalho a seu mestre. Tarthang Tulku foi meu Lama de Refúgio, e desde que o projeto foi iniciado por ele e algum trabalho preliminar da tradução foi feita por seus discípulos, principalmente Mervin Hanson e John Reynolds, o trabalho foi atribuído a ele em alguns contextos do livro. Eu sou somente responsável, porém, pela tradução e comentário de Calm and Clear (Tranqüilos e Claros).


A tradição budista tibetana é às vezes dividida em sutra e tantra, os sutras formando a base doutrinal do caminho diretamente monástico e os tantras formando a raiz de um caminho mais amplo, mais tolerante para budeidade. Às vezes o caminho do sutra foi ensinado por Sakyamuni Buddha para seres carmicamente puros e em uma idade de pureza e o do tantra foi ensinado só para seres altamente compassivos e uma idade decadente. O estado básico de meditação, entretanto, que pode ser definido como atenção para a natureza da mente, é comum aos sutras e aos tantras, e em Tranqüilo e Claros as técnicas básicas de meditação budista são formalmente descritas em detalhe. Estas técnicas ensinadas por Lama Mipham, um grande mestre de Nyingma do 190 século, são modificações da meditação de concentração e perspicácia. O processo começa visualizando uma imagem de um grande desejo — normalmente um homem ou uma mulher — em nossa frente e mantendo-a. Isto desenvolve concentração. Então através de um processo analítico de desconstrução dos objetos que aparece na mente uma sensação da natureza efêmera, impermanente da existência aumenta junto com uma consciência da insatisfatoriedade do ser humano. Girando do objeto para o sujeito, e examinando com cuidado quem está executando a meditação não produz nenhuma sensação de um ‘eu ‘, de um ego, ou de qualquer coisa significativa. O resultado é um fluxo livre de qualquer consciência surge na mente. Com a prática, que aumenta com eficácia como a velocidade de um objeto cadente, uma sensação de amplitude da existência e consciência se desenvolve inseparável de toda percepção sensória, pensada ou emocional. A unidade de vazio e felicidade em toda nossa experiência é o fruto final desta técnica de meditação tão simples.’

A RODA DE MEDITAÇÃO ANALÍTICA

1

A causa de confusão e frustração na vida

É a paixão virulenta da mente.

Distorção e dispersão, as causas da paixão,

Deve ser substituído pela atenção incisiva.

Método de Meditação

2

Imaginando uma imagem diante de nós

De algo muito desejado

E distinguindo os cinco agrupamentos de elementos

Comece a analisar o corpo imaginário.

3

Carne, sangue, ossos, medula, gordura e membros,

Órgãos de sensação, órgãos e cavidades internos,

Fezes, urina, lombrigas, cabelo e unhas —

Distinga as partes sujas do corpo.

4

Categorize e classifique estas partes

Por composição e campo sensórios.

Então divida e analise-as

Para partículas irreduzíveis.

5

Procurando pelo surgimento do desejo em qualquer parte,

Veja este ‘corpo’ como nada além de fragmentos sujos.

Lembre dele como uma máquina suja ou espumando escória,

Ou um montão de varas, pedras e pus.

6

Quando este fluxo de percepção cessa,

Examine a natureza, a complexidade composta,

De sentimento e conceitualisação,

Associações de reações e consciência.

7

Vendo a imagem como uma bolha ou miragem.

Uma bananeira ou ilusão mágica,

Não existirá nenhum desejo por ela.

Então mantenha a série de fluxo de percepção até que ela desapareça.

8

Não tente prolongar o brilho

Mas proceda e examine outra imagem

De forma que todas as percepções corrompidas

Sejam vistas como infundadas fabricações.

9

Assistindo estas infundadas fabricações,

Vendo os fenômenos insubstanciais surgirem

Só para se dissolver em um momento,

É a forma certa da contemplação.

10

Cientes de que todos os mundos do passado pereceram

E deduzindo a decadência inevitável

Dos mundos do presente e futuro,

Descubra a causa do sofrimento na existência condicionada.

11

Vendo que todas as criaturas nascem para morrer

De repente e só

E que todas as formas de vida vão através das mudanças,

Olhe para a transição do tecido da existência.

12

Em resumo, qualquer forma existente,

Impermanente e transitória,

São iluminadas na contemplação

Pelo poder de cada mente.

13

Como cada sintética imagem de desejo surge,

Vislumbrando como uma bolha, flash de nuvem ou raio

Deixe o fluxo da percepção

Iluminando até que ela desapareça.

14

Então, na multiplicidade complexa de tornar

Assista cada estado momentâneo do fluxo

A natureza do sofrimento inerente

E o prazer ilusivo que seguramente

Se torna sofrimento subseqüente.

Contemple a capacidade

De toda a dor da condição humana,

O maquinação corpo-mente como a base de isso tudo.

15

Através deste defeito intrínseco do corpo-mente

Nem mesmo algo como uma ponta de agulha

De seu tecido metálico está livre

Da mancha de sofrimento.

16

Então é chamado a origem do sofrimento,

Uma cloaca suja, uma cova ígnea

Ou uma ilha canibal.

Retenha esta realização até que ele enfraqueça.

17

Com a percepção final no sofrimento

Procura neste montão complexo, passageiro

Qualquer pensamento como sendo EU,

Vendo que ele esta vazio de si mesmo.

18

Goste de uma cachoeira ou aguaceiro de chuva

Ou goste de uma casa vazia,

Deixe o estado de certeza

Fique até que ele desapareça.

19

Quando esta realização enfraquecer,

Examine metodicamente como antes.

Assista uma diversidade satisfatória de imagens

Às vezes ignorando a ordem precedente.

20

Procurando pelo significado novamente e novamente

Às vezes olhe para outras constituições

Às vezes investigue de um outro ângulo

E algumas vezes examine toda a existência condicionada.

21

Então todo o anexo está quebrado. Em resumo,

Rejeitando todo pensamento mas este quádruplamente examinando —

Diversidade, transição, dor e Vazio —

Gire constantemente esta roda de meditação.

22

Dirigindo a clara luz da compreensão

Sobre todo tipo de imagem torcida,

O fluxo inquebrável

De ampliação da Prática

Como um fogo furioso na pradaria.

23

Ao longo de todas as vidas prévias, o ‘eu’,

Torcendo, obscurecendo e difundindo,

Criou uma série de sonhos e mal entendidos.

A compostura deve substituir aquela delusão.

24

Quanta energia difundida foi consumida,

E o antídoto, examinando a mente, é ainda,

Quando nenhuma obstrução surgir na mente,

Relaxe em equilíbrio.

25

Com a revivificação de atividade mental

Continue a análise como antes.

Sempre mantenha a presença da mente

E conscientemente da realização.

26

Quando nos tornamos distraídos

E a paixão surge,

Tome-a e a examine

Como uma espada com um inimigo.

27

A prática do exame atento,

Como uma luz na escuridão

Destrói os últimos vestígios

Da paixão prejudicial.

28

Onde a imperfeição é entendida

E condiciona a natureza humana vista como é,

Então o sossego extremo é conhecido

E a pureza absoluta do Grande Além.

 

Progresso Ao longo do Caminho

29

Reconhecendo através da constante meditação

A complexidade e a transição,

A dor e a ausência de substância

De todas as existências condicionadas, de seu e de outros corpo-mentes,

30

A mente é plena de compreensão

E até sem esforço,

Quando a visão for fantasmagórica,

A cabeça da paixão é conquistada.

31

Livre da ressaca da paixão,

O oceano da mente é imperturbável e claro.

Afinada com a auto-dotada pureza,

A concentração na paz e a tranqüilidade são conseguidas.

32

Uma-apontada absorção na mente

Difunde em percepção penetrante.

Este é o modo da iniciação,

A porta comum para os três caminhos.

 

Significado de Realização

33

Surgindo em mútua dependência, vista como uma magica ilusão,

Todas as coisas são primordialmente não-nascida,

Essencialmente Vazia, sem base substancial,

Livre dos extremos de um ou de muitos.

34

Com a realização do espaço indivisível,

Todas as coisas identificadas, o Útero da Felicidade de Buda,

Além da existência confusa e da cessação pacífica,

O todo penetrante é a Grande Transcendência do Sofrimento.

35

Supremamente puro e feliz,

É chamado o Grande Incondicionado.

Aqui, o atributo do Grande “Self”

É insuperável e transcendente.

36

Nos Tantras, Ati, Anu e Mahayoga,

Grande Felicidade e Espaço Puro reúnem-se

Em espontaneidade de compreensão simples,

Logo após, completando o caminho.

37

Seguindo a instrução de um Buda Lama,

Pratique a purificação inicial do caminho comum

De ambos Sutra e Mantra Mahayana

Na tradição da Revelação Direta da Grande Perfeição.

38

Retire-se da confusão do condicionamento

Neste caminho excelente de consciência

Primeiro pela virtude do exame

As reações apaixonadas não mais acontecem.

Então com certeza no Vazio do corpo-mente,

Todo desejo dos três mundos é destruído.

39

Gradualmente todo rastro da delusão

Desaparece no alívio do Vazio

E dispensando o antídoto da rejeição,

Todo ‘eu ‘ e ‘meu ‘ é finalmente destruído.

40

Não aderindo a nada, mas aspirando a compaixão,

Como um pássaro num céu de simplicidade,

Vôo livre através da vida sem medo,

O filho de Buda alcança o estágio mais alto.

41

No ensino da Tradição Nobre

Esta purificação pela consciência,

Preparação de tranqüilidade e claridade,

Tem a tensão crucial nos três caminhos.

42

Na prática contínua de inspecionar mente,

Purificada através do exame,

E encontrando o menor dos obstáculos,

O rastro mais leve de paixão,

43

O escrutínio facilita a serenidade.

Como o ouro quando purificado por fogo

Se torna maleável, suave e flexível,

Então a mente, livre de desejo, torna-se receptível

44

Nos Sutras dizem que

O ritual de oferecimento da Gema Tripla

Por mil anos a um deus,

É menos benéfica que o reconhecimento

Da transitoriedade, do Vazio, e da inexistência do eu

Pelo instante de um estalar de dedos.

45

Expressar a verdade quádrupla do Mahayana

E explicar os oitenta quatro mil tópicos

São igual em valor, disse o Buda.

Meditando no significado deste achado

Essencialmente idêntico para inumeráveis Sutras,

E então comprometendo a si mesmo nesta forma de prática,

Uma vasta fonte de conhecimento é facilmente encontrada

Atuando rapidamente para a liberação.

46

Pela virtude desta explicação

E pelo poder do néctar da separação

Possam todos os seres sofredores destes tempos dolorosos

Atingir um estado de paz.

 

Estes versos foam escritos por Mi-pham rNam-par rGyal-ba no ano da Lebre de Ferro (1891) no décimo oitavo dia do mês dos Pleiades.

Possam todos os seres serem felizes!

 

INSTRUÇÕES SOBRE A VISÃO NO CAMINHO DO MEIO

Versos raiz com Comentário

Depois de examinar e purificar a mente
Encontrando a ausência de um “eu” pessoal
E com certeza desta crucial percepção
‘eu ‘ retorno a composição das partes.

Examinando o que é ainda desconhecido
Distinguindo entre o condicionado e o incondicionado,
Analisando cada forma de experiência,
Isto é chamado ‘este’ e aquilo é chamado ‘aquele’.

A prática da meditação anterior induz a certeza de que o ‘eu ‘ não existe em qualquer forma significativa. Descobrindo, porém, que o que era previamente considerado uma entidade concreta é uma composição de partes que para conveniência foi categorizada sob os cinco agregados de corpo-mente, a tendencia é se identificar com a soma das partes. A meditação contínua examinando qualquer coisa que surge na mente, a distinção deve ser feita entre a experiência das partes do corpo-mente complexo e os estados incondicionados de concentração que deve se tornar mais freqüente com o progresso da meditação. Gradualmente cada experiência se tornará bem definida, mas o objeto da experiência continuará a aparecer como uma entidade independente, existindo sem importar-se com os outros componentes da situação perceptiva, isto é, o órgão da sensação e a sensação. O hábito de convicção da existência material das coisas é difícil de quebrar. Uma cadeira ainda será considerada como ‘existente’ mesmo depois do observador deixar o quarto.

Ainda aderido as várias formas do fluxo
Buscando por substância, nada é achado
Então indo além da ‘dualidade irreduzível’
(Isto é explicado pela ciência)
Sempre melhores reduções não estabelecendo nada
Um campo interdependente aparece
Consistindo tanto do manifestadamente real
Quanto das fantasias imaginárias da mente.

Como existe a convicção na existência de formas independentes do observador, a procura pela substância com existência própria continua. As categorias de mente e matéria, sujeito e objeto, são transcendidas nesta procura. Mas toda a transformação importante acontece quando todas as coisas forem vistas como o campo de um inter-relacionamento evoluindo em sua totalidade de um padrão para outro. A convicção sobre qualquer ‘eu’ ou ‘entidade’ é quebrada nesta visão da totalidade. Porém, a realização desta realidade mais alta não pode ser imediatamente alcançado, mas o mais provável, irá primeiro aparecer como uma possibilidade brilhante e só com perseverança constante na prática meditativa chegam a se tornar clara. As ficções da mente, as fantasias que estiveram nos enganando sobre a realidade genuína permanecem colorindo a visão de modo a obscurecê-la. Estes são hábitos profundamente inveterados de percepção, insistindo que em algum lugar existe uma distinção fundamental entre ‘eu’ e ‘ele’, entre sujeito e objeto, entre os pólos de toda dualidade.

Enfocando tudo aquilo que possa ser examinado,
Se manifestam realidade e fantasia mental,
Inspecionando profundamente em penetrante e minucioso exame,
Nenhuma raiz ou base é descoberta.
Então nada é.
Mas gostados da ilusão e de sonhar,
Repetindo, “faerie” ou a reflexão da lua na água,
Alucinação ou miragem, quimera ou fantasma,
Meditando na natureza do Vazio aparente da Ilusão —
Vazio é forma e forma é Vazio.

Continuando a busca pela base de existência, tudo que entra na mente de é minuciosamente examinado. Embora uma visão da realidade excluindo as limitações da dualidade e o egoísmo é vagamente percebido, o mesmo processo de exame e purificação durante a meditação é essencial. Gradualmente como a visão se torna um modo constante de percepção, todas as coisas tomam uma qualidade ilusória, elas se tornam acendedor e vislumbre como se fossem imaterial e leve. As realizações iniciais que o Vazio contém liberando o peso da existência mundana não está em nenhum lugar mas nas formas que são percebidas. Não existe nenhum lugar para ir, nada para descobrir na natureza da mente.

Tal é a última realidade específica.
Mas com a certeza desta realização
E com uma visão contínua de ilusão mágica
Entendida através de uma imaculada percepção,
Ainda atado pela fascinação da forma
E falhando em relaxar as idéias hipnóticas,
Empacado por conceitualisação,
A passividade penetrante essencial é não vista.

Aqui a visão está suficientemente desenvolvida para perceber o Vazio em toda forma e a forma no Vazio, mas por causa da função obscurecedora de hábitos profundamente arraigados do pensamento, a propensão a particularização impede a compreensão plena da identidade de todas as formas. O intelecto ainda tem poder suficiente para intensificar a faculdade distintiva às custas da compaixão subjacente. Os detalhes da manifestação entretanto prendem a atenção por meio de sua qualidade decorativa, e a pré-concepção fortalecida pelas suposições de bom senso que previamente forneceram um sistema valioso de sustentação permanece bloqueando a consciência pura. No real estado pós-meditativo sustentamos a qualidade como o sonho que havia sido desenvolvido e percebido não desaparece com a conclusão da prática formal, ainda por causa da raiz da ilusão permanecer como obstáculos sutis e enganosa para a plena compreensão.

Quando a certeza surge nesta visão mágica,
Enfoque fascinantes os vestígios da delusão
E examine-os atenciosamente —
Não existe nenhuma substância para estes objetos.
Então não estando a mente presa,
Relaxe, imparcial na simples liberdade,
E assim composto, o exterior e o interior

Séries de fluxos de imagens inquebráveis.

Os obstáculos sutis para a série de formas espontaneamente aparentes são removidos da mesma maneira como as formas mais brutas de paixão –por meio da plena atenção enquanto procurando pela natureza essencial do objeto. O surgimento momentâneo do campo visionário tem alguns nós e puxa mente naquela direção, limitando o âmbito da visão e impedindo a consciência plena da amplitude e profundidade da realidade. A atenção sobre eles, descobrindo seu substancial Vazio, destrói sua fascinação. Da mesma forma, a atenção na mente que é atraída e que impõe uma ficção delusória na tapeçaria da percepção não descobre nenhuma mente. Então tendo finalmente destruído todo o conjunto de formas externas e internas, a distinção entre sujeito e objeto é destruída e toda penetrante realidade última é entendida. O fluxo de percepção está desimpedido.

Neste estado original de separação
Tudo é tecido de forma contínua
Primordialmente não nascido e desimpedido
Livre de avidez e fascinação
É identificado no reino da própria igualdade.
Sem afirmação de algo ou de nada
No fluxo de inefável significado
Só inquestionáveis experiência surgem.

Com a realização do reino do espaço livre em que todas as coisas são identificadas, qualquer coisa que entra na experiência é reconhecida como não nascida em sua origem. Esta é a realização do último refúgio, a certeza total na realidade essencial de qualquer coisa é experimentada, nenhum medo surge para iniciar o processo de ação e reação produtor de padrões complexos de atração e aversão, de apego e repulsão ansiosa. Separada, sem qualquer propensão para diminuir a velocidade da progressão natural de totalidade unitária até o flash intimamente relacionado do momento seguinte, nenhuma dúvida ou medo surge, nenhum expectativa permanece esvaziando-se simultaneamente com o seu surgindo. Apenas existe uma sensação contínua de assombro na inefável beleza e sublimidade de estar na vida e entendê-la. Nada precisa ser afirmado e nada precisa ser negado, pois a perfeição do momento exclui a possibilidade de diminuir expressão que ambas afirmações positivas e negativas implicam. A consciência distintiva afirma que é inseparável do reino da própria igualdade previne o excesso de um estado de encantamento feliz inconsciente. Os pormenores de toda situação são percebidos, mas nenhum traz inquietação para a relação última entre as partes é a harmonização, fator unificante.

A transcendente, toda penetrante realidade última é vista
Como a semelhança de todos os aspectos de experiência,
Ativa autoconsciência das distinções
Por compreensão passiva, não dividida.
A meditação é a espontaneidade constante
De Vazio e relatividade coincidentes,
As duas verdades se tornam uma na autenticidade
Do Mestre Adepto do Caminho do Meio.

Esta é a realidade última em que não existe nenhuma tentativa para postular qualquer fórmula ou metáfora descritiva da experiência da unidade de Vazio e forma. Existe uma não divisão entre pensamento e experiência. Ainda que tinha sido transformado na compreensão subjacente que é inseparável da autoconsciência da forma que é discernida. Como açúcar dissolvido na água, como calor e fogo, ou como água e umidade, não existe um sem o outro. As duas verdades, a verdade do empírico relativo e a verdade última e absoluta se tornam uma, e o yogin é o possuidor do conhecimento neste estado autêntico de ser. Esta é a culminação do Caminho Madhyamika que é conhecido pelos tibetanos como Umachenpo, o Grande Meio.

Esta não dual compreensão imanente
Livre do objetivante processo da mente
Quando desejada, pode ser imediatamente realizada
Pela seguinte instrução de Mantrayana.
Ou esta última altura crucial
Pode ser alcançada depois da inspeção depuradora
Atingindo a gradual convicção no caminho
Na prática de meditação do Caminho do Meio.

O estado ou nível mental de consciência com que o leitor recebeu as informações e visões acimas é a base, o ponto de partida. A tradição Nyingma oferece dois veículos possíveis para percorrer o caminho para a realização da inadequada expressa meta que as visões implicam. O primeiro é o direto e imediato eficaz Mantrayana, e o segundos o caminho de Madhyamika do Mahayana o qual é um meio mais fácil, mais lento, e menos perigoso para atingir os mesmos pontos.

Quando um homem é tostado por sede
O pensamento da água não traz nenhum alívio —
Só bebendo pode extinguir sua sede:
Então informações difere de experiência.
A procura exaustiva por informações
Para mero conhecimento objetivo
Se torna desnecessária com a experiência meditativa
Que depressa conduz para equanimidade.

O estudo necessário que ensina habilidades em auto-expressão, postulação metafísica, lógica e outras artes e ciências precede a prática. É habitual olhar para um mapa antes de começar uma jornada. Porém, acreditar que o conhecimento que seja obtido no mapa é o próprio terreno é entender mal o conceito de realidade. Nenhuma mera certeza intelectual é valiosa quando enfrentada com a realidade desnuda das profundidades da mente. Como acumular riqueza no momento de morte ou o presente de neve na região trópica, conhecimento teórico não tem nenhuma relevância fora de sua própria esfera. A expressão espontânea da visão percebida em profunda equanimidade, que é a aceitação de tudo pode surgir sem adição ou subtração, substitui o preconcepção de dogma e dito filosófico.

Estes versos foram escritos pelo grande mestre de Nyingma Lama Mi pham que escreve sob o nome de ‘Jam dpal dgyes pa’i rdo rje no vingésimo nono dia do décimo primeiro mês do ano do dragão da água de forma que todos os seres possam realizar o significado profundo do Caminho do Meio.
Comentário por Keith Dowman.

Mangalam! Possam todos os seres serem felizes!


The Wheel of Analytic Meditation
and Instructions on Vision in the Middle Way

by Lama Mipham
translation and commentary by Keith Dowman

The Wheel of Analytic Meditation (Sems kyi dpyod pa rnams par sbyong ba so sor brtag pa’ i dpyad sgom ‘khor lo) and Instructions on Vision in the Middle Way (dBu ma’i lta khrid zab mo) by Lama Mipham, translation and commentary by Keith Dowman under the auspices of Tarthang Tulku; foreword by Herbert Guenther; cover and illustrations by Arthur Okamura, frontispiece by Glen Eddy; 127 pages; published by Dharma Publishing, Berkeley, 1973.

Note: In the Tibetan Tradition it was customary for the disciple to attribute his work to his. Tarthang Tulku was one of my Refuge Lamas, and since the project was initiated by him and some initial spadework on the translation was done by his disciples, notably Mervin Hanson and John Reynolds, the work is attributed to him in some contexts in the book. I am solely responsible, however, for the translation and commentary of Calm and Clear.

The Tibetan Buddhist tradition is sometimes divided into sutra and tantra, the sutras forming the doctrinal basis of the straight monastic path and the tantras forming the root of a broader more tolerant way to buddhahood. Sometimes it is said that the sutra path was designed by Sakyamuni Buddha for karmically pure beings in an age of purity and that tantra was taught only for highly compassionate beings of a decadent age. The basic state of meditation, though, which can be defined as attentiveness to the nature of mind, is common to both sutra and tantra, and in Calm and Clear the basic techniques of Buddhist meditation are described formally and in detail. These techniques taught by Lama Mipham, a great Nyingma master of the 19th century, are modifications of concentration and insight meditation. The process begins by visualizing an image of one’s greatest desire — usually a man or a woman — in front of one and holding it. This develops concentration. Then through a process of analytical deconstruction of the objects that appear in the mind a sense of the ephemeral, impermanent nature of existence increases along with an awareness of the unsatisfactoriness of being human. Turning from object to subject, an examination of the watcher who is performing this meditation produces no sense of an ‘I’, of an ego, or of anything substantial. The result is an unattached flow of awareness of whatever arises in the mind. With practice, which increases in efficacy like the velocity of a falling object, a sense of the spaciousness of existence and awareness develops that is inseparable from every sensory perception, thought or emotion. The unity of emptiness and bliss in all our experience is the final fruit of this oh so simple meditation technique.’

THE WHEEL OF ANALYTIC MEDITATION

1

The cause of confusion and frustration in life

Is the virulent passion of the mind.

Distortion and dispersion, the causes of passion,

Must be replaced by incisive attentiveness.

Method of Meditation

2

Imagining an image before one

Of whatever is desired most

And distinguishing the five groupings of elements

Begin to analyse the imaginary body.

3

Flesh, blood, bones, marrow, fat and limbs,

Sense organs, internal organs and cavities,

Faeces, urine, worms, hair and nails —

Distinguish the foul parts of the body.

4

Categorise and classify these parts

By composition and sensory field.

Then divide and analyse them

To irreducible particles.

5

Looking for arising desire for any part,

See this ‘body’ as nothing but foul fragments.

Remember it as a dirty machine or frothing scum,

Or a heap of sticks, stones and pus.

6

When this flow of insight ceases,

Examine the nature, the composite complexity,

Of feeling and conceptualisation,

Reaction associations and consciousness.

7

Seeing the image as a bubble or mirage.

A banana tree or magical illusion,

There will be no desire for it.

So let the stream of insight flow until it vanishes.

8

Do not attempt to prolong the glow

But proceed and examine another image

So that all corrupted perceptions

Are seen as unfounded fabrications.

9

Watching these baseless fabrications,

Seeing insubstantial phenomena arise

Only to dissolve in an instant,

Is the right way of contemplation.

10

Aware that all worlds of the past have perished

And deducing the inevitable decay

Of the worlds of the present and future,

Discover the cause of suffering in conditioned existence.

11

Knowing that all creatures are born to die

Suddenly and alone

And that all forms of life go through changes,

Look at the transience of the fabric of existence.

12

In short, whatever forms exist,

Impermanent and transitory,

Are illuminated in contemplation

By the power of each mind.

13

As each synthetic desire-image arises,

Shimmering like a bubble, cloud or lightning flash

Let the stream of insight flow

Enlightening until it vanishes.

14

Then, in the complex multiplicity of becoming

Watch each momentary state of the flux

For the nature of inherent suffering

And the illusive pleasure that will surely

Become subsequent suffering.

Contemplate to capacity

All the pain of the human condition,

The bodymind contrivance as the basis of it all.

15

Through this intrinsic defect of bodymind

Not even so much as a needlepoint

Of its alloyed fabric is free

From the taint of suffering.

16

So it is called the origin of suffering,

A foul sewer, a fiery pit

Or a cannibal island.

Retain this realisation until it fades.

17

With final insight into suffering

Search in this complex, transient heap

For whatever is thought to be I,

Seeing it to be empty of self.

18

Like a waterfall or shower of rain

Or like an empty house,

Let the state of certainty

Stay until it vanishes.

19

When this realisation fades,

Examine methodically as before.

Watch a suitable diversity of images

Sometimes ignoring the precedent order.

20

Searching for the meaning again and again

Sometimes look at others’ constitutions

Sometimes investigate one’s own contrivance

And sometimes examine all of conditioned existence.

21

So all attachment is broken. In brief,

Rejecting all thought but this fourfold examining —

Diversity, transience, pain and Emptiness —

Constantly turn this wheel of meditation.

22

Directing the clear light of understanding

Upon every kind of distorted image,

The unbroken stream

Of Practice increases

Like a raging prairie fire.

23

Throughout all previous lives, the ‘I’,

Distorting, obscuring and scattering,

Created a stream of daydreams and mistakes.

Composure must replace that delusion.

24

When scattered energy has been consumed,

And the antidote, examining mind, is still,

When no obstruction arises in mind,

Relax in equilibrium.

25

With the revival of mental activity

Continue analysis as before.

Always keep presence of mind

And mindfulness of the realisation.

26

When one becomes forgetful

And passion arises,

Take this examining to it

As a sword to an enemy.

27

Practice of watchful examining,

Like a light in darkness

Destroys the last vestiges

Of injurious passion.

28

Insofar as imperfection is understood

And conditioned human nature seen as it is,

So the utmost serenity is known

And the sheer purity of the Great Beyond.

 

Progress Along the Path

29

Recognising through constant meditation

The complexity and the transience,

The pain and the absence of substance

Of all conditioned existence, own and other’s bodyminds,

30

Mind is imbued with full comprehension

And even without effort,

When vision is phantasmal,

The head of passion is subdued.

31

Free from the breakers of passion,

The ocean of mind is unruffled and clear.

Attuned to self-possessed purity,

Concentration in peace and calm are gained.

32

One-pointed absorption in mind

Diffuses in piercing insight.

This is the way of initiation,

The common door to the three careers.

 

Significance of Achievement

33

Arising in mutual dependence, seen as magical illusion,

All things are primordially unborn,

Essentially Empty, with no substantial base,

Free from the extreme of the one or the many.

34

With realisation of indivisible space,

All things identified, the Womb of Buddha Bliss,

Beyond confusing existence and peaceful cessation,

All pervasive is the Great Transcendence of Suffering.

35

Supremely pure and blissful,

It is called the Great Unconditioned.

Here, the attribute of the Great Self

Is unsurpassed and transcendent.

36

In the Tantras, Ati, Anu and Mahayoga,

Great Bliss and Pure Space come together

In spontaneity of simple understanding,

Thereupon, completing the path.

37

Following the instruction of a Buddha Lama,

Practice the initial purification of the common path

Of both Sutra and Mantra Mahayana

In the tradition of Direct Revelation of the Great Perfection.

38

Withdraw from the bewilderment of conditioning

On this excellent path of mindfulness

First by virtue of examination

Passionate reactions no longer occur.

Then with certainty in the Emptiness of bodymind,

All desire for the three worlds is destroyed.

39

Gradually all trace of delusion

Vanishes into the relief of Emptiness

And dispensing with the antidote of rejection,

All ‘I’ and ‘mine’ is finally destroyed.

40

Clinging to nothing, but aspiring to compassion,

Like a bird in the sky of simplicity,

Gliding through life without fear,

The Buddha-son reaches the highest plane.

41

In the teaching of the Noble Tradition

This purification by mindfulness,

Preparation of calm and clarity,

Has crucial stress in the three careers.

42

In continuous practice of inspecting mind,

Purifying through examination,

And finding the smallest of obstacles,

The slightest trace of passion,

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Scrutiny facilitates serenity.

Just as gold when purified by fire

Becomes malleable, soft and pliant,

So mind, freed from desire, is made responsive

44

In the Sutras it is said that

Ritual offering to the Triple Gem

For a thousand years of a god,

Is less beneficial than recognition

Of transience, Emptiness, and selflessness

For the instant of a finger snap.

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Expressing the fourfold truth of the Mahayana

And explaining the eighty four thousand topics

Are equal in value, said the Buddha.

Meditating upon the meaning of this reaching

Essentially identical to innumerable Sutras,

Then committing oneself to this form of practice,

A vast source of knowledge is easily found

Leading rapidly to liberation.

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By virtue of this explanation

And by power of the nectar of detachment

May all beings suffering these painful times

Attain a state of peacefulness.

These verses were written by Mi-pham rNam-par rGyal-ba in the Iron Hare year [ 189 1 ]

on the eighteenth day of the month of the Pleiades.

May all beings be happy!

INSTRUCTIONS ON VISION IN THE MIDDLE WAY

Root Verses with Commentary

After examining and purifying mind

Finding the absence of a personal self

And with certainty of this crucial insight

‘I’ become the composition of the parts.

Examining what is still unknown

Distinguishing between conditioned and unconditioned,

Analysing each form of experience,

This is called ‘this’ and that is called ‘that’.

Practice of the previous meditation induces certainty that ‘I’ does not exist in any substantial form. Discovering, however, that what was previously considered to be a concrete entity is a composition of parts which for convenience were categorised under the five groupings of bodymind, the tendency is to identify with the sum of the parts. Continuing meditation by examining whatever arises in the mind, the distinction should be made between the experience of the parts of the bodymind complex and the unconditioned states of concentration which should become more frequent as meditation progresses. Gradually each experience will become well defined, but the object of experience will continue to appear as an independent entity, existing regardless of the other ingredients of the perceptual situation, namely, the organ of sense and the sensation. The habit of belief in the material existence of things is difficult to break. A chair will still be considered as ‘existent’ even after the perceiver leaves the room.

Still clinging to the various forms of the flow

Searching for substance, nothing is found

Then going beyond the ‘irreducible duality’

(This is explained by science)

Ever finer reductions establishing nothing

An interdependent field appears

Consisting of both the manifestly real

And the fictional fantasies of mind.

So long as there is a belief in the existence of forms independent of the perceiver, the search for the self-existent substance continues. The categories of mind and matter, subject and object, are transcended in this search. But the all-important transformation occurs when all things are seen as an inter-related field evolving in its entirety from one pattern into another. The belief in any ‘self’ or ‘entity’ is shattered in this vision of totality. However, the realisation of this higher reality may not be achieved immediately, but more likely, it will first appear as a bright possibility and only with constant perseverance in meditative practice will it become clear. The fictions of mind, the fantasies which have been mistaken for the genuine reality remain to colour the vision in ways that obscure it. These are deeply ingrained habits of perception, insisting that somewhere there is a fundamental distinction between ‘I’ and ‘it’, between subject and object, between the poles of every duality.

Focusing whatever must be examined,

Both manifest reality and mental fantasy,

Closely inspecting with penetrating scrutiny,

Neither root nor base is discovered.

So nothing is.

But like illusion and dream,

Echo, faerie or the moon’s reflection in water,

Hallucination or mirage, chimera or phantom,

Meditating on the nature of the apparent Emptiness of Illusion —

Emptiness is in form and form in Emptiness.

Continuing to search for the base of existence, everything which enters the mind is scrutinised. Although a vision of reality excluding the limitations of duality and selfishness is dimly perceived, the same process of examination and purification during meditation is essential. Gradually as the vision becomes a constant mode of perception, all things take on an illusory quality, they become lighter and shimmer as if immaterial and gossamer. The realisation dawns that the Emptiness which contains release from the weight of mundane existence is nowhere but in the forms which are perceived. There is nowhere to go to, nothing to discover but the nature of mind.

Such is the specific ultimate reality.

But with the certainty of this realisation

And with an ongoing vision of magical illusion

Understood through unsullied insight,

Still bound by the fascination of form

And failing to relax hypnotic ideas,

Balked by conceptualisation,

The essential pervasive passivity is unseen.

Here the vision is sufficiently developed to perceive the Emptiness in every form and the form in Emptiness, but because of the obscuring function of profoundly rooted habits of thought, the particularising tendency prevents full understanding of the identity of all forms. The intellect still has sufficient power to intensify the discriminating faculty at the expense of the underlying compassion. The details of manifestation still bind attention by means of their decorative quality, and the preconceptions fortified by the common sense assumptions which have previously provided a supporting value system still block pure awareness. In the post-meditative state reality sustains the dreamlike quality which has been developed and insight does not vanish with the completion of formal practice, yet the root causes of delusion remain as subtle and elusive obstacles to full understanding.

When certainty in this magical vision arises,

Focus the fascinating vestiges of delusion

And thoughtfully examine them —

No substance to these objects exists.

Then finding no mind which is clinging,

Relax, detached in simple freedom,

And thus composed, the outer and inner

Stream of images flows unbroken.

The subtle obstacles to the stream of spontaneously apparent forms are removed in the same way as the grossest forms of passion –by means of close attention while searching for the essential nature of the object. The momentarily arising visionary field has some snags in it and pulls mind in that direction, limiting the scope of vision and preventing the full awareness of the breadth and depth of reality. Attention to them, discovering their substantial Emptiness, destroys their fascination. In the same way, attention to the mind which is attracted and which imposes a delusory fiction upon the tapestry of perception discovers no mind. Then having finally destroyed all attachment to both external and internal forms, the distinction between subject and object is destroyed and the all-pervasive ultimate reality is understood. The flow of perception is unimpeded.

In this original state of detachment

All that is woven into the continuum

Primordially unborn and unimpeded

Free from grasping and fascination

Is identified in the realm of self-sameness.

Without assertion of something or nothing

In the flow of ineffable significance

Only unquestionable experience dawns.

With the realisation of the realm of free space in which all things are identified, anything which enters experience is known to be unborn in its origin. This is the attainment of the ultimate refuge, for with complete certainty in the essential reality of whatever is experienced, no fear arises to begin the process of action-reaction producing attraction and aversion, clinging and anxious repulsion and complex reaction patterns. Detached, without any tendency to slow the natural progression from unitary totality to the intimately related flash of the following moment, no doubt or fear arises, no expectancy remains unfulfilled simultaneously with its arising. Rather there is a continuous sense of amazement at the ineffable beauty and sublimity of the being in life and understanding. Nothing need be asserted and nothing need be negated, for the perfection of the moment excludes the possibility of detracting expression which both positive and negative assertions imply. The precise discriminating awareness which is inseparable from the realm of self-sameness prevents the overbalance into an entranced state of blissful unknowing. The particulars of every situation are perceived, but none bring disquiet for the ultimate relationship between the parts is the harmonising, unifying factor.

The transcendent, all-pervasive ultimate reality is seen

As the suchness of all aspects of experience,

Active self-awareness of distinctions

By passive, undivided understanding.

Meditation is the constant spontaneity

Of coincident Emptiness and relativity,

The two truths become one in the authenticity

Of the Master Adept of the Middle Way.

This is the ultimate reality in which there is no attempt to postulate any formula or metaphor descriptive of the experience of the unity of Emptiness and form. There is nodivision between thought and experience. Thought has been transformed into the underlying understanding which is inseparable from the self-awareness of the form which is discerned. Like sugar dissolved in water, like heat and fire, or like water and wetness, there is not one without the other. The two truths, the relative empiric truth and the ultimate and absolute truth become one, and the yogin is the knowledge holder in this authentic state of being. This is the culmination of the Madhyamika Path in what is known to the Tibetans as Umachenpo, the Great Middle.

This nondual immanent understanding

Free of the objectifying process of mind

When desired, can be immediately realised

By following Mantrayana instruction.

Or this ultimate crucial height

Can be reached after purifying inspection

Attaining gradual conviction on the path

In the Middle Way meditation practice.

The mental state or level of consciousness with which the reader has apprehended the above information and visions is the ground, the starting point. The Nyingma tradition offers two possible vehicles to travel the path to a realisation of the inadequately expressed goal which the visions imply. The first is the direct and immediately efficacious Mantrayana, and the second the Madhyamika path of the Mahayana which is an easier, slower, and less dangerous means of attaining the same ends.

When a man is parched by thirst

The thought of water brings no relief —

Only drinking can quench his thirst:

So information differs from experience.

The exhausting search for information

For mere objective knowledge

Becomes needless with meditative experience

Which quickly leads to equanimity.

The necessary study which teaches skill in self-expression, metaphysical postulation, logic and other arts and sciences precedes practice. It is customary to look at a map before starting out on a journey. However, to believe that the knowledge which is gained from the map is the terrain itself is to mistake the concept for the reality. No mere intellectual certainty is valuable when faced with the naked reality of the depths of mind. Like accumulated wealth at the moment of death or the gift of snow in the tropics, theoretic knowledge has no relevance out of its own sphere. The spontaneous expression of the view perceived in profound equanimity, which is the acceptance of whatever may arise without addition or subtraction, replaces the preconceptions of dogma and philosophical dicta.

These verses were written by the great Nyingma master Lama Mi pham writing under the name ‘Jam dpal dgyes pa’i rdo rje on the twenty ninth day of the eleventh month of the water-dragon year so that all beings may realise the meaning of the profound Middle Way. Commentary by Keith Dowman.

Mangalam! May all beings be happy!


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