O PONTO ESSENCIAL EM TRÊS AFORISMOS

de Patrul Riponche

Texto extraído do livro
“La Simplicité de la Grande Perfection”
Traduzido do tibetano e apresentado por James Low
Traduzido para o português por: Karma Tenpa Dhargye

INTRODUÇÃO

[…] A estrutura particular deste texto é muito difundida entre os textos tibetanos. Ele tem desde o início um enunciado da visão, da meditação e da ação. Em seguida, um esclarecimento de sua significação nos termos dos três aforismos de Garab Dorje, que representam a suma da apresentação inicial do dzogchen nesta época (Norbu 1984): Depois vem o comentário de Patrul Rinpoche sobre seu próprio texto, no qual ele deslinda e aprofunda o significado de cada linha. Estamos longe de um comentário ocidental moderno que buscaria ser crítico, e a sublinhar as contradições a fim de "fazer avançar" as idéias. O comentário de Patrul Rinpoche não busca elaborar idéias e a criar um sistema de pensamento coerente em si. Ele mostra sobretudo a profundidade, o poder e a completude da simplicidade. Se o significado dos três aforismos é realizado em uma experiência concreta, nenhum outro estudo intelectual é necessário. E assim, o comentário explora o que apresentam esses aforismos de um modo que conduz aos aforismos em si. Desta maneira, os aforismos de Garab Dorje não "corroboram" o "sistema" dzogchen; antes, tudo o que se trata no dzogchen visa à simples experiência de ser o que esses aforismos descrevem.

Os três aforismos são:

  1. A introdução direta sobre nossa natureza verdadeira.
  2. Se determinar claramente sobre esses pontos precisos;
  3. Permanecer na confiança da liberação.

Pode parecer estranho falar de uma introdução "sobre" nossa verdadeira natureza ao invés de uma introdução "à" esta natureza. Todavia, como sabemos, a ignorância, é não se conhecer a si-mesmo. Se conhecer a si-mesmo, não é se reconhecer como objeto, como uma coisa separada do conhecimento. Estamos habituados a nos descrever em termos de fragmentação, por exemplo: "uma parte de mim está com raiva a propósito disto, mas uma outra parte sente tristeza…". Tais declarações se tornam mais e mais comuns pelo fato da influência das terapias modernas. Mas a iluminação ou a integração não consiste em apresentar diferentes "partes" de si-mesmo a cada outra afim de que elas se tornem amigas ou colaborem melhor, nem em dissolver um eu "inferior" em um eu "superior". Uma tal linguagem não faz mais que prolongar o pensamento dualista e julgador. A introdução dzogchen não é alguma coisa de nova, de mística, ou de mais elevada. É como levantar um véu a fim de podermos instantaneamente reconhecer o lugar onde estamos – um lugar que nos é familiar porque é a realidade primordial, a presença luminosa de nosso ser. Levantando o véu, nos despertamos "sobre" a experiência da "coisa" – um reconhecimento que inclui a "coisa", diferente do sentimento de "sim, eu estou nessa coisa", que seria justamente uma conceituação. Qualquer que seja a "coisa", estamos exatamente "sobre" isso, precisamente na essência do coração da experiência vibrante desta. Reconhecer nossa natureza, não é como ter uma visão fugitiva de Deus, não é um "outro", mas ser esse outro, diferente, aberto. É um estado de ser integrado que inclui o eu e o outro em uma experiência que está muito além das palavras.

Ainda que a atenção deva estar concentrada, sem vacilar, não é uma via de esforço, não é uma luta heróica para ultrapassar isto ou atingir aquilo. É antes uma via onde nos detemos mais e mais em uma realização sem esforço, graças à confiança na verdade da experiência direta que tivermos. Patrul Rinpoche descreve os três modos essenciais da liberação: "Assim, primeiramente, há a liberação dos pensamentos os reconhecendo, como reconhecemos qualquer um que já tenhamos encontrado antes. Depois os pensamentos se liberam eles mesmos por si-mesmos, como uma serpente se desenrola por si mesma. E finalmente, os pensamentos são liberados sem benefício nem malefício, como um ladrão se deslocando numa casa vazia".

Assim, no início, trabalhamos para nos antecipar às respostas habituais ao que surge reconhecendo o que surge pelo que é. Depois que isso se torna espontâneo, não há nada da parte do "sujeito", que venha alterar o que surge, pois o que surge se libera por si-mesmo. Finalmente, a totalidade dos pensamentos, sutis ou grosseiros, podem vagabundear na consciência sem provocar a menor perturbação. O yogui então é uno com o mundo porque ele não é nada que possa lhe prejudicar. Como diz o texto: "a diferença essencial reside no modo de liberação". Sob este ângulo, o dzogchen ajuda o yogui a relaxar realmente a intenção, os julgamentos e os pensamentos de aperfeiçoamento. Quando tudo o que surge se libera por si-mesmo, não há nada a ganhar ou perder.

Patrul Rinpoche considera esta "liberação pura e sem traço pela auto-liberação dos pensamentos" como o ensinamento especial e extraordinário do dzogchen. Isso não é uma teoria, nem mais uma prática sobre a qual devemos trabalhar. É antes um estado de ser, uma experiência direta que não tem nenhuma necessidade de validação da parte dos outros. De fato, é um estado que coloca em questão "a estaticidade" (em inglês: stateness) de um "estado". O ponto essencial é de "permanecer na confiança da liberação". É a característica especial do dzogchen, que faz com que ele convenha a todos os tipos de pessoa, e compreende os piores e os mais depreciados. Mesmo se lhes faltam totalmente o sentido do bem e que cometam continuamente erros que provoquem dor a si mesmos e aos outros, se podemos penetrar estas instruções e aplicar, o sucesso está assegurado. O dzogchen não exige que a mente seja limpada, que tudo que surge de mau – pensamentos, lembranças, sentimentos, etc… – seja substituído pelo bom. O essencial é não se levar pela interação dualista com o que surge, mas se relaxar e permitir a eles se liberar, de permitir à realidade ser tal qual é. Desta maneira, a confiança na liberação se encarrega de todas as inseguranças, imperfeições, etc…, e libera a experiência da perfeição inata.

A beleza do texto de Patrul Rinpoche reside na fluidez do ensinamento. Ele faz parecer simples, excitante e verdadeiramente valiosa, a entrada na prática do dzogchen. Patrul Rinpoche, se concentrando sobre o essencial e colocando em relevo os pontos cruciais das instruções, comunica aos leitores o sentimento que se trata de uma aproximação válida, muito pragmática e terra a terra, totalmente enraizada na necessidade de trabalhar com as experiências da vida cotidiana.

O TEXTO

Homenagem ao Mestre.

A Visão é imensidão infinita.

A Meditação é irradiação de compreensão e compaixão.

A Ação é como os filhos do Budha1. Quanto a esta prática, ela dá uma chance de obter a budeidade nesta vida. E se não a atingimos, ao menos seremos felizes. Como é maravilhoso!

No que concerne à Via de imensidão infinita, o sentido dos três aforismos toca o ponto essencial.

Primeiramente, conservemos a mente relaxada. Nem dispersa nem concentrada, livre de pensamentos. Quando estamos calmos e relaxados neste estado, gritemos de repente "Phat!" com uma grande força e um vigor intenso. Maravilhoso!

Nada se choca com o espaço. Neste espanto, há o direto sem obstáculo. Um direto total que é inexprimível. Reconheceremos a consciência desperta do modo natural!

1. A INTRODUÇÃO DIRETA À NOSSA VERDADEIRA NATUREZA É O PRIMEIRO PONTO ESSENCIAL.

Então, quer estejamos dispersos ou calmos, em cólera ou cheios de desejo, alegres ou tristes, em todo momento e em todas as circunstâncias, reconheceremos o modo natural que foi compreendido. Assim, a claridade "filha" reencontra a claridade "mãe" que foi percebida anteriormente. Permanecemos no estado de presença inexprimível.

Mais e mais, destruiremos quietude, alegria, claridade e dispersão gritando rapidamente a palavra do método e sabedoria (quer dizer: Phat!). O equilíbrio na meditação e na experiência pós meditativa não tem diferença. As sessões de prática e seu fim não são diferenciados. Assim permaneceremos continuamente no estado de não-separação.

Todavia, enquanto não tenhamos adquirido a estabilidade, abandonemos o estimulo social e guardemos cuidadosamente a prática. Façamos sessões claras durante as quais praticamos o equilíbrio meditativo. E em todo momento e em toda situação, mantenhamos simplesmente a manifestação do modo natural. Decidamos que não há nada fora disto.

1. Isso evoca também a linhagem do ensinemento: Longchen Rabjam, Khyentse Ozer (Jigme Lingpa) e Gyalwai Nyugu.

2. SE DETERMINAR CLARAMENTE QUANTO A ISTO, É O SEGUNDO PONTO ESSENCIAL.

Nesse momento, desejo e cólera, alegria e tristeza, e todos os pensamentos repentinos não perduram no estado de reconhecimento. Ao realizar o modo natural liberador, como quando desenhamos sobre a água, o surgimento espontâneo e a liberação espontânea são continuas.

Tudo o que pode surgir nutre a consciência desperta nua e vazia. Todo movimento é a energia do supremo modo natural. Sem vestígio, ele é naturalmente puro – como é maravilhoso! O modo de emergência (dos fenômenos) é o mesmo que anteriormente, a diferença essencial reside na maneira como eles se liberam.

Sem isso, a meditação é um meio de confusão. Com isso, teremos o estado natural sem necessidade de meditação.

3. PERMANECER NA CONFIANÇA DA LIBERAÇÃO, É O TERCEIRO PONTO ESSENCIAL.

A Visão possuindo os três pontos essenciais é sustentada pela meditação que une a compreensão, a compaixão e a ação dos filhos de Budha. Mesmo se os Budhas dos três tempos debatessem juntos, eles não poderiam encontrar melhor ensinamento que este.

A energia da consciência desperta, o revelador do modo natural, extraiu esse tesouro da imensidade da sabedoria. Isso não é como as essências que podem ser retiradas da terra e das pedras. É o testamento de Garab Dorje. É a essência do coração das três transmissões1.

Isso é confiado aos meus filhos do coração2. Esse sentido profundo é ensinado do meu coração.

Sendo expresso pelo coração, ele leva o sentido essencial. Não deixemos esse sentido essencial se extinguir. Não permitamos que essas instruções sejam desperdiçadas.

Isso conclui o ensinamento especial de Khepa Sri Gyalpo.

  1. Transmissão direta, transmissão simbólica e transmissão verbal.
  2. Verdadeiros discípulos, com os quais podemos contar.

[Agora vem o comentário de Patrul Rinpoche sobre seu próprio texto]

Homenagem a meu caro mestre raiz, detentor da compaixão sem igual.

Eu vou brevemente explicar aqui o método da prática dos pontos essenciais da visão, da meditação e da ação.

Primeiramente, como o mestre é a encarnação das três Jóias, lhe render homenagem, é render à todos os objetos de refúgio. É por isso que o texto diz: "Homenagem ao mestre".

Assim, para explicar a importância disso: se praticarmos com a compreensão que todos os mestres raízes e todos os mestres da linhagem não são diferentes de nossa própria mente, então a Visão, a Meditação e a Ação estarão também inclusas nessa prática.

É por isso que a instrução sobre a Visão, a Meditação e a Ação é dada lhes associando à significação dos nomes dos mestres raízes e aqueles da linhagem. Assim, em primeiro lugar. Na imensidão [Klong-Chen] da realidade da natureza de Budha, vasto espaço livre de toda interpretação, a infinidade [Rab-‘Byams] de todas as aparências do samsara e do nirvana, são todas, tão numerosas sejam, percebidas como perfeitas no seio da igualdade da realidade. É a Visão, também o texto diz: "A visão é imensidão infinita" (Longchen Rabjam).

Pela penetração da sabedoria que compreende [mKhyen] a natureza desta Visão livre de toda interpretação, examinemos e nos determinemos quanto à vacuidade. E nos mantenhamos focalizados sobre o equilíbrio meditativo, que não separa esta sabedoria do método de permanecer calmo na grande bondade e compaixão [brTse]. Deste modo, a união da vacuidade e da compaixão, também diz o texto: "A meditação é irradiação da compreensão e da compaixão" (Khyentse Ozer).

Do estado que comporta esta Visão e esta Meditação provém a prática dos seis paramitas para o bem de todos, segundo o método de todos os bodisatvas, os filhos dos Budhas [rgyal-Ba’i Myu-gu]. É a Ação, também diz o texto: "A Ação é como os filhos dos Budhas" (Gyalwai Nyugu).

A fim de mostrar a boa fortuna que tem aqueles que praticam a Visão, a Meditação e a Ação, o texto diz: "Quanto a esta prática…"

Se pudermos praticar ficando focalizados sobre esse ponto, tendo abandonado todo afazer mundano nesta vida e vivendo numa ermida isolada, então nesta existência, poderemos obter a liberação sobre a base primordialmente pura. É por isso que o texto diz: "… ela dá uma chance de obter a budeidade nesta vida".

Mesmo se não realizarmos isso, se tivermos algum interesse na Visão, na Meditação e na Ação, então saberemos como nos comportar nas situações difíceis desta vida. Poucas esperanças e dúvidas surgirão concernentes as atividades desta vida e da nossa próxima vida, nos tornaremos mais e mais felizes. É por isso que o texto diz: "No que concerne a Visão da imensidão infinita…"

E mais, como o significado da instrução em três aforismos toca o ponto essencial da prática, ela corta a força vital da confusão. Assim o texto diz: "… o sentido dos três aforismos toca o ponto essencial".

Primeiramente, o método graças ao qual a Visão que não foi reconhecida pode ser introduzida com sucesso. Em geral, os veículos que se apóiam sobre signos clarificam a Visão por meio de afirmações e de debates autênticos. Então segundo a via tântrica comum, sobre a base dos exemplos de cognição primordial da terceira iniciação, há uma introdução à verdadeira cognição primordial na quarta iniciação. E há numerosos métodos semelhantes.

Entretanto aqui, de acordo com o sistema daqueles que pertencem a esta santa linhagem de prática, temos a introdução ao eclipse da mente. E mais, quando as vagas de pensamentos desconcertantes fazem furor, os pensamentos pesados que perseguem o objeto cobrem a natureza da mente tal como ela é. Assim, ainda que a mente possa ser introduzida, ela não será reconhecida. É por isso que os pensamentos pesados devem ser afastados. Assim diz o texto: "Primeiramente, conservem a mente relaxada…".

E mais, guardar a mente sem artifícios é em si mesmo a claridade da cognição primordial. A condição natural não pode ser realizada por meio de artifícios. Assim, a fim de poder se mostrar à si-mesma a cognição primordial co-emergente livre de artifício, o texto diz: "… nem dispersa nem concentrada, livre de pensamentos".

Enquanto iniciantes, podemos tentar conservar o estado imutável da manutenção natural da mente, mas não seremos capazes de escapar ao estado onde há o apego pelas experiências de alegria, de claridade e de não-pensamento que pertencem a calma. É por isso que o texto diz: "Quando estamos pacíficos e relaxados neste estado…".

A fim de nos liberar da armadilha do apego a essas experiências e de mostrar diretamente a condição natural da consciência desperta natural não obstruída, o texto diz: "… gritemos de repente Phat!".

É muito importante cortar a corrente dos pensamentos e de destruir a meditação conceitual, também é necessário lançar o Phat! Com uma intensidade feroz. É Por isso que o texto diz: "… com muita força e um vigor intenso. Maravilhoso!".

Neste instante, somos liberados de toda certeza objetivante, tal como "a mente, é isso", e a liberação é manifesta. Assim diz o texto: "Nada se choca com o espaço".

Com o estado natural livre de toda dependência a um objeto, permanecemos exatamente como cognição primordial além da mente; consciência desperta direta e nua. Assim: "neste espanto, há o direto não obstruído…".

Esse direto está além das limitações de começo e fim, ser e não-ser. Além do estado do objeto de uma conceitualização artificial da palavra e do mental, é o ponto essencial da inexprimível cognição primordial permanecendo ela-mesma. Assim: "… um direto total que é inexprimível".

Esta significação essencial é a Visão do sentido primordialmente puro livre de interpretação que é a Via do yogui, o modo natural da consciência desperta permanecendo na base. Desse modo, então durante longo tempo se isso não é realizado, se bem que meditemos e pratiquemos, não podemos transcender a Visão e a meditação conceituais e artificiais. A Via da Grande Perfeição natural será então afastada como o céu e não alcançaremos o ponto essencial do círculo da claridade sem Meditação. Também é extremamente importante reconhecer esta natureza no início. Assim: "Reconheçam a consciência desperta do modo natural".

Esta compreensão é a primeira das três asserções do ponto essencial. Se não somos introduzidos à nossa natureza pela Visão, então não seremos capazes de manter nosso estado pela Meditação. Assim esta introdução e este reconhecimento iniciais da Visão são absolutamente cruciais.

E ainda, sendo introduzidos como permanecer em si-mesmos na cognição primordial que mora nela mesma, não há necessidade de a procurar alhures. E isso não é como se ela houvesse surgido em nossa mente depois, e não tivesse existido anteriormente. Assim o texto diz: "A introdução direta à nossa própria verdadeira natureza é o primeiro ponto essencial".

Temos agora uma explicação detalhada, sobre a maneira de praticar a Meditação. Agora a cada instante e em qualquer situação a Meditação consiste em permanecer sem cessar nesse estado, se ficamos livres de inibir ou encorajar [os pensamentos] – quer haja calma ou dispersão – teremos a essência do modo natural.

Se a dispersão surge, então compreendamo-la como a energia natural da cognição primordial. Daí: "Então, dispersos ou calmos…".

As emoções perturbadoras da atração, da aversão, etc., surgem a partir da energia dos pensamentos da mente e estão inclusos na verdade da origem do sofrimento [2a. N. V.]. A experiência dos sentimentos de alegria e tristeza, etc., está inclusa na verdade do sofrimento [1a. N.V.]. Se pudermos reconhecer que todos esses pensamentos e todos esses sentimentos têm a natureza da realidade inata em si, eles se tornam então o jogo do modo natural. Então o texto diz: "… em cólera ou cheios de desejos, alegres ou tristes…".

Ainda, mesmo se formos introduzidos graças à Visão, se não tivermos feito um pouco de prática e se caimos na confusão comum, então estaremos ligados ao samsara pela continuidade de nossos próprios pensamentos. Nós nos separaremos da realidade e não seremos de nenhuma maneira diferentes de uma pessoa comum. Também é importante que não nos separemos jamais da não-meditação que consiste em nos manter na nossa verdadeira natureza. Então: "… em todo tempo e em todas as circunstâncias…".

Assim, quer haja calma ou dispersão, não tentemos tratar cada pensamento ou cada emoção perturbadora separadamente lhe aplicando um antídoto individual. Pouco importa quais pensamentos ou emoções perturbadoras surjam, um único antídoto é suficiente para liberar a todos. E só podemos encontra-lo no reconhecimento da visão que foi introduzida mais acima. Daí; "… reconheçamos o modo natural que foi compreendido".

Pouco importa quais pensamentos ou emoções perturbadoras surjam, esses pensamentos não são diferentes da cognição primordial do modo natural porque sua natureza é a verdadeira claridade da Base do modo natural. Se isso for reconhecido, então a experiência é chamada "a claridade imutável da Base". Reconhecer sua própria natureza graças à Visão da claridade da consciência desperta inata, introduzida anteriormente por seu mestre, é "a claridade da Via da prática".

Chamamos "união das claridades Mãe e Filha" o fato de permanecer na sua própria natureza que é a inseparabilidade das claridades da Base e da Via. Por esse fato o texto diz: "Assim a claridade Filha reencontra a claridade Mãe que foi reconhecida anteriormente".

Estejamos sempre conscientes da claridade do reconhecimento de nossa natureza tal como a Visão a descreve. Permanecendo neste estado, é verdadeiramente importante de não inibir nem encorajar, adotar nem rejeitar nenhum dos pensamentos e emoções perturbadoras que são a manifestação de nossa energia. Daí: "Permanecer no estado de consciência desperta inexprimível".

Se praticarmos neste estado durante muito tempo, então a camada das sensações de alegria, de claridade e de ausência de pensamento que cobre a natureza original daqueles que iniciam na prática será eliminada, E se a consciência desperta está nua, então a cognição primordial começará a irradiar do interior.

Como se diz;

O yogui melhora destruindo sua meditação,

O rio melhora quando ele corre rapidamente.

Assim é dito, também o texto enuncia: "Ainda e ainda, destruam quietude, alegria, claridade e dispersão…".

Para esse que é agora chamado o método de destruição: quando as sensações de quietude, de alegria e de claridade começam a surgir, ou quando sentimos prazer e alegria, gritemos Phat! como um raio, afim que esta união da silaba embelezadora do método – Pha – com a silaba cortante da sabedoria – Ta – aniquile a crosta de apego às sensações. Daí: "… gritando subitamente a palavra de método e sabedoria".

Agora a todo momento e em toda circunstância a consciência desperta direta e inexprimível que é inseparável da essência da prática, o equilíbrio meditativo e a experiência pós meditativa são sem diferença".

Por causa disto, não há nenhuma diferença entre a meditação feita durante uma sessão enquanto tal e a meditação feita no período de atividade seguinte ao fim da seção. Desse fato: "As sessões de prática e seu fim não são diferenciados".

É a grande meditação da não-meditação. Então não nos desviemos nem que seja por um instante, da consciência desperta continua da cognição primordial imensa e inata que não tem mesmo necessidade de um pouquinho de meditação.

Como é dito:

Essa não é a experiência da meditação e essa não é a experiência de separação.

Não nos separemos da realidade da não-meditação.

O sentido foi expresso dessa maneira e por isso o texto diz: "Então fiquemos continuamente no estado de não-separação".

Aqueles que são recipientes adaptados à Via inata da Grande Perfeição natural, aqueles que podem ser instantaneamente liberados ao escutar as instruções podem praticar como segue: com a grande liberação do sujeito e do objeto sobre a Base, tudo o que surge é o jogo do modo natural e não há meditante nem objeto de meditação.

Todavia, as pessoas menos afortunadas que estão sob o poder de pensamentos dualistas desorientantes devem adotar uma aproximação progressiva e praticar regularmente até que tenham atingido a estabilidade…".

Com esta meditação, todas as condições da concentração podem ser realizadas, de modo que a experiência meditativa se produza. Entretanto, pouco importa por quanto tempo praticamos, se estivermos no meio da diversão e da distração, nenhuma experiência surgirá. Então diz o texto: "… abandonemos os estímulos sociais e guardemos caramente a prática".

E mais, quando praticamos, se bem que não haja nenhuma diferença entre equilíbrio meditativo e o efeito que daí deriva, se não dermos ao equilíbrio meditativo o espaço que lhe é necessário, não seremos capazes de fundir a cognição primordial da experiência da prática com a experiência pós-meditativa.

Assim, mesmo se estamos aplicados a fazer uma prática regular, continuaremos a nos perder nos maus hábitos costumeiros. Daí: "Façamos sessões claras durante as quais praticaremos".

Mesmo se praticamos por sessões e se tivermos a certeza de sermos capazes de manter um verdadeiro equilíbrio meditativo, se não soubermos como fazer durar nossa fusão com as experiências que seguem, não seremos capazes de aplicar o antídoto às situações que possam aparecer.

Seremos conduzidos por pensamentos e recairemos nos obstáculos comuns. Assim é muito importante sempre manter a compreensão das experiências pós-meditativas. Daí: "E a todo momento e em todas as situações…"

Não há necessidade de buscar nenhum outro objeto de meditação. Com o estado de não-separação do equilíbrio meditativo que é a Visão do modo natural, estamos livres dos pensamentos avaliadores e da atividade sujeito/objeto. Sem os inibir ou os encorajar, podemos ficar cômodos e permanecer no estado de "vem facilmente, e se vai facilmente". Então o texto diz: "… mantenhamos simplesmente a manifestação do modo natural".

Esta prática consiste em manter a natureza da realidade, o yoga imutável, não obstruído e espontâneo que é livre da interpretação, inseparável da manutenção da calma e da visão penetrante, que é a essência de todas as práticas da sessão dos tantras do vajrayana dos mantras secretos. É a cognição primordial original da quarta iniciação. É a doutrina especial da linhagem da prática acolhendo os desejos. É a compreensão sem erro de todas as linhagens de adeptos da Índia e do Tibet, nas escolas da antiga e da nova tradição.

Por esse fato, se não formos capazes de desenvolver uma fé real nisso e que não possamos nos impedir de salivar ao pensar em outros ensinamentos, seremos como aquele que guarda sua vaca em casa e parte a procurar por suas pegadas na floresta. Seremos presos nas malhas das atividades mentais e a liberação não se produzirá jamais. Então devemos ter uma total confiança na nossa prática. É por isso que o texto diz: "Decidamos que não há outra coisa fora disso".

Decidir claramente que a cognição primordial do modo natural que é nua e que permanece por ela mesma é a budeidade não tocada pela confusão, e a manter sempre, é a segunda afirmativa essencial e secreta, e é realmente importante. Daí: "Se determinar claramente quanto a isso, é o segundo ponto essencial".

Agora, quando fazemos assim, se temos confiança na maneira como se produz a liberação, então se nossa meditação consistir somente em repousar a mente não iremos além de chegar aos reinos superiores no seio do samsara. Então, não seremos capazes de controlar as situações nas quais há o desejo e cólera. Não seremos capazes de parar a corrente de atividade construtiva. Não seremos capazes de ter confiança em nossa própria decisão. Então esse é um assunto de grande importância.

E mais, quando um apego intenso surge por um objeto de desejo, ou uma intensa aversão por um objeto indesejável, ou da alegria que acolhe a vinda de riquezas e boas circunstâncias, ou a tristeza quando de uma doença ou más circunstâncias – pouco importa o que surja, é a exibição da energia da consciência desperta. Também é muito importante reconhecer a cognição primordial da liberação da Base. Então o texto diz: "Nesse momento, desejo e cólera, alegria e tristeza…".

E mais, se na nossa prática falta o ponto vital da liberação sobre a emergência, então todos os pensamentos que passam desapercebidos e as produções mentais vão acumular carma samsárico. Então para todos os pensamentos que surgem, quer sejam eles sutis ou grosseiros, é vital praticar a liberação sem resíduo sobre a emergência. Daí: "… e todos os pensamentos repentinos…".

Por esta razão, não deixemos passar nenhum pensamento desapercebido ou disfarçado, e não nos liguemos a eles fortemente de maneira conceitual. Mas antes, no estado que é inseparável do estado do reconhecimento espontâneo imutável, experimentemos a realização da verdadeira natureza de todo pensamento que aparece. Assim, devemos manter o estado de liberação sem traço sobre o que surge [emergência], como se desenhássemos sobre a água. Daí: "… não perduram no estado de reconhecimento".

Nesse momento, se os pensamentos não podem ser totalmente liberados por si só, pelo único fato de os reconhecer, não travaremos a corrente da atividade confusa. Olhando diretamente nossa própria natureza ao mesmo tempo em que reconhecemos o pensamento, poderemos conservar a cognição primordial que nós já conhecemos. Mantendo este estado, temos o ponto essencial da pureza do pensar perfeito e sem traço. Daí; "Realizando o modo natural liberador…".

Por exemplo, quando desenhamos sobre a água, o desenho se desintegra ao mesmo tempo em que nós o fazemos, assim o desenho e sua dissolução são simultâneos. Do mesmo modo, os pensamentos surgem e são liberados no mesmo momento e assim, surgimento espontâneo e liberação espontânea se produzem sem interrupção. Daí: "… como quando desenhamos sobre a água…".

Por esse fato, não inibamos a emergência, mas deixemos vir tudo que pode surgir. Devemos manter esse ponto essencial da prática, o método que consiste em reconhecer, no estado imutável, a pureza de tudo isso que pode surgir. Assim diz o texto: "… a emergência espontânea e a liberação espontânea são contínuas".

Desse modo, os pensamentos surgem enquanto energia do modo natural, então quaisquer que sejam os pensamentos que venham, eles aparecem como o desenvolvimento da energia da consciência desperta, a liberação será desenvolvida proporcionalmente ao caráter bruto dos pensamentos das cinco emoções perturbadoras1.

1- Ignorância, aversão, atração, orgulho, e inveja.

Daí: "Tudo o que possa surgir nutre a consciência desperta nua e vazia".

Quando realizarmos que todos os pensamentos que surgem são a energia natural do estado da condição não obstruída da consciência desperta, poderemos ficar livres de aceitar ou de rejeitar. Desse modo, o momento da emergência dá nascimento à liberação, então não há aí senão a manifestação do modo natural. Daí: "Todo movimento é a energia do supremo modo natural".

Os pensamentos as formas de ignorância e da confusão são purificadas na imensidão do modo natural, a cognição primordial da consciência desperta. Assim, no meio da imensidão da claridade infinita, todos os pensamentos e todos os movimentos que surgem têm a natureza da vacuidade. É por isso que o texto diz: "Sem traço, ele é naturalmente puro – como é maravilhoso!"

Quando tenhamos praticado desse modo longo tempo, nossos pensamentos surgirão como meditação. Quietude e movimento estarão em harmonia de modo que a calma não seja perturbada. Daí: "O modo de emergência é o mesmo que anteriormente…".

Então, a energia emergirá enquanto pensamentos alegres ou tristes, de esperança ou de dúvida, etc., do mesmo modo que para os seres comuns. Todavia, a inibição e o encorajamento se produzem de maneira muito intensa para as pessoas comuns, de modo que elas acumulam carma e elas estão sob o poder dualista do apego e da aversão. Isso não se produz para os yoguis porque para eles, a liberação se efetua no momento da emergência.

Assim, há de inicio a liberação dos pensamentos ao reconhece-los, como reconhecemos uma pessoa conhecida. Depois os pensamentos se liberam por eles mesmos, como uma serpente se desenrola. E finalmente, os pensamentos são liberados sem dano nem beneficio, como um saltimbanco se deslocando em uma casa vazia.

Esses são os tipos essenciais de liberação, então o texto diz; "… A diferença essencial reside na maneira como eles se liberam".

É por isso que se diz:

Conhecer a meditação, mas não conhecer a liberação,

Em que isso é diferente dos deuses do reino da absorção?

Assim, se nós não temos confiança nesses métodos essenciais de liberação e que cremos somente na meditação de absorção na calma mental, iremos nos extraviar nas absorções dos reinos superiores do sem-forma. Aqueles que sentem que é bastante reconhecer a calma e o movimento não são diferentes das pessoas comuns com seus pensamentos confusos.

Se bem que possamos ter uma compreensão conceitual clara da vacuidade e do modo natural, quando as situações difíceis surgem, a fraqueza desta espécie de antídoto se revela e não seremos capazes de resolver as coisas por nós mesmos. Daí: "Sem isso, a meditação é um meio de confusão".

Ainda que diferentes nomes lhes sejam dados, como "liberação sobre a emergência", "liberação espontânea" e "liberação nua", este método de liberação pura e sem traço, pela liberação espontânea dos pensamentos é o único ponto essencial que demonstra claramente a liberação espontânea. É o ensinamento extraordinário, especial, da Grande Perfeição natural.

Se guardarmos esse ponto essencial, então, quaisquer que sejam as emoções perturbadoras e os pensamentos que surjam, eles se manifestam como o modo natural e os pensamentos desnorteantes são purificados enquanto cognição primordial. As circunstâncias difíceis se revelam como auxiliares [ajudas]. As emoções perturbadoras se tornam a Via. Sem ser abandonado, o samsara é purificado em seu próprio lugar. Somos liberados dos apegos do samsara e do nirvana. Permanecemos no estado livre de atividade e de esforço. Daí: "Com isso, teremos o estado do modo natural sem necessidade de meditação".

Se não tivermos confiança neste tipo de liberação, então, mesmo que possamos crer com firmeza em nossa Visão a mais elevada e em nossa Meditação a mais profunda, isso não será benéfico para nossa mente. Isso não servirá como antídoto às aflições, então não é a Via pura.

Se guardarmos esse ponto essencial de – emergência espontânea – liberação espontânea, então, mesmo se não possuímos um átomo de capacidade para apreender a via mais elevada ou a estabilizar a meditação a mais profunda, é impossível que não liberemos nossa mente dos liames da dualidade.

Se formos a um país feito de ouro. Mesmo se buscarmos não encontraremos nem terra nem pedras comuns. Igualmente, quando a calma, o movimento e todos os pensamentos sobrevêm enquanto Meditação, mesmo se buscarmos a confusão e o erro, não os encontraremos mais. Assim isto é como um teste standard pelo qual podemos ver se, sim ou não, teremos atingido o ponto essencial da verdadeira prática. É por isso que o texto diz: "Permanecer na confiança da liberação, é o terceiro ponto essencial".

Esses três pontos essenciais são a prática infalível, essencial e suficiente que mantém a Visão, a Meditação, a Ação e o Resultado da Grande Perfeição natural no estado de consciência desperta direta. Eles são, pois igualmente uma instrução sobre a Meditação e a Ação.

Segundo a linguagem técnica geral das escrituras, o conhecimento intelectual deve ser colocado à prova pela confrontação com os comentários e as provas tradicionais, afim de que a clara compreensão possa ser realizada. Mas isso não é necessário para nós (no dzogchen), porque uma vez revelada, a cognição primordial nua é realizada; teremos a Visão da cognição primordial da consciência desperta.

As numerosas visões e meditações não têm mais que um só sabor, então a explicação da prática da Via segundo os termos dos três pontos essenciais não pode ser contradito. Daí: "A Via possuindo os três pontos essenciais…".

Esta prática é o ponto essencial infalível da Via da Grande Perfeição natural e primordialmente pura, e é o pináculo dos nove veículos1. Então, como é impossível a um rei deslocar-se sem sua corte e sua armada, os pontos essenciais da Visão de todos os outros veículos caminham a nosso lado como assistentes e ajudantes.

E mais, quando reencontrarmos nossa própria natureza verdadeira de luz que existe por si mesma da consciência desperta primordial, a energia disso faz irradiar a sabedoria emanada da prática, e a imensidão da compreensão se derrama sobre tudo como chuva de verão. A Vacuidade aparece enquanto grande Compaixão e esta compaixão amorosa é sem falha. Assim é a realidade. Daí: "…é sustentada pela Meditação que une a compreensão (sabedoria/prajna) e a compaixão…"

Quando o ponto essencial desta Via da união da vacuidade e da compaixão se torna manifesta, as qualidades do bodhisatva, semelhantes ao oceano, que estão contidas nos seis paramitas2, aparecem enquanto irradiação natural, a semelhança do sol e de seus raios.

Como esta ação é ligada à acumulação de mérito, tudo o que fazemos é benéfico aos outros e assim, a Via a mais elevada nos ajuda a não nos extraviar nas atividades unicamente para nossa paz e nossa felicidade pessoais. Daí: "… e a ação dos filhos de Budha".

Esta Via, esta Meditação, e esta Ação são a compreensão unificada de todos os budhas que vieram no passado, que estão no presente agora e que virão no futuro. Em conseqüência, o texto diz: "mesmo se os Budhas dos três tempos debatessem juntos…".

  1. Os nove veículos ou yanas compreendem os três yanas exotericos (Sravakayana, Pratyekabudhayana, e bodhisatvayana), os três tantras exteriores (Kriyayoga, Caryayoga e Yogatantra), e os três tantras interiores (Mahayoga, Anuyoga e Atyoga).
  2. a paciência, a diligencia, a estabilidade mental e a sabedoria.

Não há nada melhor que o resultado do ponto essencial desta via da essência indestrutível do Budha, o pináculo de todos os veículos. Daí: "… eles não poderiam encontrar melhor ensinamento que este".

O sentido expresso nesta instrução é seguramente o coração dos ensinamentos esotéricos da linhagem

. Todavia, algumas palavras que, aqui, exprimem esse sentido, deveriam também emergir enquanto energia da consciência desperta. Assim diz o texto: "A energia da consciência desperta, o revelador do tesouro do modo natural…".

Se bem que eu não tenha experimentado a sabedoria de meditar sobre esta significação, graças às instruções sem defeito de meus santos mestres, verdadeiramente destruí minhas dúvidas pela sabedoria do estudo e da prática. Depois, com a compreensão da sabedoria da reflexão, compus isto. Daí: "… extrai esse tesouro da imensidão da sabedoria".

Não é como um tesouro comum e mundano que não pode eliminar senão a pobreza imprevista. Então o texto diz: "Isso não é como as essências que podem ser tiradas da terra e das pedras".

Esta Visão possuindo os três pontos essenciais é chamada "o Ponto Essencial em Três Aforismos". Quando Tulku Garab Dorje estava para deixar este mundo, ele deu este ensinamento a Jampal Shenyen desde uma esfera de luz de arco-íres, no céu. É a instrução perfeita da indissociabilidade da sua compreensão. Daí: "É o testamento de Garab Dorje".

Tendo atingido o ponto essencial dessas instruções, o onisciente rei do Dharma (Longchen Rabjam) realizou verdadeiramente a extinção primordialmente pura da relatividade e ganhou assim a budeidade perfeita. Ele revelou sua forma de cognição primordial ao Rigdzin Jigme Lingpa (Khyentse Ozer) e o abençoou, graças aos símbolos, com a transmissão da consciência desperta.

Deste, meu mestre raiz (Jigme Gyalwai Nyugu) recebeu diretamente a transmissão oral da instrução sobre a introdução à sua própria natureza e ele reencontrou diretamente a realidade.

Essas então são as instruções que eu ouvi dele, ele que permanece um glorioso benfeitor dos seres. Daí: "É a essência do coração das três transmissões".

Essas instruções são como o ouro fino. Elas são o significado essencial do coração e é um desperdício mostrar às pessoas que não as praticarão. Todavia, é um engano não as mostrar àqueles que lhes protegerão como sua vida e que, praticando o sentido essencial, se esforçarão para atingir a budeidade em uma vida. Daí: "Isto é confiado a meus filhos do coração. Esse sentido profundo é ensinado diretamente do meu coração. Sendo expresso pelo coração, ele carrega o sentido essencial. Não deixem esse sentido essencial se extinguir. Não permitamos que essas instruções sejam desperdiçadas".

Isso conclui a breve explicação do Ensinamento Especial de Khepa Sri Gyalpo.

Que isso seja virtuoso, virtuoso, virtuoso!



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