Chame-me pelo meu verdadeiro nome

de Elihu Genmyo Smith
Tradução para o português de
Maria Heleosina Ribeiro Pessôa


“Chame-me pelo meu verdadeiro nome”
de Thich Nhat Hanh
no aniversário de Buda, primavera de 2002

O bebê,
Buda,
renascido,
sete passos em cada direção,
acima os céus, abaixo a terra,
eu estou só.
O verdadeiro nome do venerado pelo mundo.
Não o passado, não o presente, não o futuro,
Agora,
Eu Sou.

Eu sou o homem bomba suicida que se regozija ao explodir
Israelitas com meu corpo, usando seu sangue e vísceras para
ir para o Paraíso dos mártires.

Eu sou a mãe israelita, sangue escorrendo de meus ferimentos,
sentada no meio de uma refeição na Páscoa de Libertação,
com o corpo despedaçado, ensangüentado de meu morto
de oito anos, sentada no inferno.

Eu sou a mãe palestina regozijando-se pelo sucesso
do suicídio de meu filho mártir em matar israelitas.

Sou a mãe palestina, dilacerada pela dor, diante do corpo esfacelado
do filho mártir, num suicídio bem sucedido.

Eu sou o soldado israelense de 20 anos que para e
revista cada palestino que passa nesta estrada.

Sou o avô palestino, humilhado ao ser revistado
cada vez que passa nesta estrada.

Eu sou o israelense que se regozija ao beijar as pedras

do muro das lamentações remanescente do Templo ancestral.

Eu sou o palestino que lamenta em aflição a saudade

de sua casa ancestral a milhas distante, milhas tão perto,
em Israel.

Eu sou o israelense que trabalhou por uma solução pacífica
de dois estados e agora serve como soldado em uma
guerra para salvar meu povo.

Eu sou o palestino que trabalhou por uma solução pacífica
de dois estados e agora atira com um rifle de tocaia
nas colinas acima de Jerusalém.

Eu sou Yasir Arafat, ordenando ataques e pagando por
explosivos, de modo que sejamos mais fortes
e expulsemos os judeus de nossa terra.

Eu sou Ariel Sharon, ordenando ataques e traçando
estratégias para destruir terroristas assassinos e proteger
nossa terra e nosso povo.

Eu sou a mãe israelense , esperando com apreensão ansiosa pelo
retorno de meu filho da escola após ter ouvido
uma explosão e gemido das sirenes.

Eu sou a mãe palestina, esperando com apreensão ansiosa pelo
retorno de minha filha que estava próxima,
após eu ter ouvido os tanques israelenses e tiros na rua.

Eu sou as pedras de Jerusalém, despedaçando em
explosões, despedaçando ossos que se chocam contra mim,
espalhando a carne que me atinge.

Eu sou água do poço de Belém, tingida de vermelho com
sangue.

Eu sou o ar sobre a Judéia, impregnado da queima de
explosivos, eu sou o ar acima da Palestina, impregnado com
a queima de campos e casas, eu sou o ar acima de
Israel, impregnado da queima de carne.

Eu sou a paz do momento da manhã,
me preenchendo com ódio aos judeus,
me preenchendo com ódio aos muçulmanos,
me preenchendo com o rancor de israelenses,
me preenchendo com o rancor de palestinos.

Eu sou o sol que brilha, reluzindo nas gotas de orvalho,
aquecendo a carne e a terra, aquecendo ossos e pedras.

Acima os céus, abaixo a terra,
Eu estou só.


“Chame-me pelo meu verdadeiro nome”
de Thich Nhat Hanh
no aniversário de Buda, primavera de 2002

de Elihu Genmyo Smith
Tradução para o português de
Tenzin Namdrol

O bebê,
Buda,
renascido,
sete passos em cada direção,
acima os céus, abaixo a terra,
eu estou só.

O verdadeiro nome do venerado pelo mundo.
Não o passado, não o presente, não o futuro,
Agora,
Eu Sou.

Sou o homem bomba que se regozija explodindo israelitas com o meu corpo, elevado
pelo meu sangue e vísceras para o Paraíso dos mártires.

Sou a mãe israelita ensangüentada, durante a Páscoa da Libertação, tendo ao
colo os restos esfacelados da filha de oito anos que me aguarda no inferno.

Sou a mãe palestina regozijando-se pela morte do filho suicida,
bem sucedido em matar israelenses.

Sou a mãe palestina, dilacerada pela dor, diante do corpo esfacelado
do filho mártir, num suicídio bem sucedido.

Sou o soldado israelense de 20 anos que revista os palestinos
que transitam nesta estrada.

Sou o avô palestino, humilhado ao ser revistado
sempre que transita nesta estrada.

Sou o israelense que se regozija ao beijar as pedras do Muro das Lamentações
remanescente do meu Templo ancestral.

Sou o palestino que chora a perda das pedras do lar ancestral,
tão longe e tão perto, em Israel.

Sou o israelense que se empenhou na mediação pacífica
para a criação de dois estados e que agora combato
numa guerra para salvar o meu povo.

Sou o palestino que se empenhou na mediação pacífica
para a criação de dois estados e que agora, franco atirador,
dispara sobre as colinas de Jerusalém.

Sou Yasir Arafat, mandante da guerra, armando o meu povo para,
através da força, expulsar os judeus de nossa terra.

Sou Ariel Sharon, ordenando ataques e traçando
estratégias, eliminando terroristas assassinos, protegendo
a nossa terra e o nosso povo.

Sou a mãe israelense que depois de ter ouvido uma explosão,
gemidos e sirenes, aguarda apreensiva
o retorno do filho da escola

Sou a mãe palestina que, depois de ter ouvido tanques israelenses
e tiros na rua, aguarda apreensiva
o retorno da filha, da casa do vizinho.

Sou as pedras de Jerusalém que explodem
estilhaçando os ossos que me atingem,
espalhando carnes sobre mim.

Sou a água ensangüentada do poço de Belém.

Sou o ar da Judéia, saturado com a queima de explosivos,
sou o ar da Palestina, saturado com a queima dos campos,
sou o ar de Israel, saturado com a queima da carne.

Sou a paz momentânea da manhã,
que se enche de raiva de judeus,
que se enche de raiva de muçulmanos,
que se enche de ódio dos israelenses,
que se enche de ódio dos palestinos.

Eu sou o sol que brilha, reluzindo nas gotas de orvalho,
aquecendo a carne e a terra, aquecendo ossos e pedras.

Acima os céus, abaixo a terra,
Eu estou só.


by Elihu Genmyo Smith
Retirado do site www.prairiezen.org

The baby,
Buddha,
born anew,
seven steps in each direction,
above the heavens, below the earth,

I alone am.
True name of world honored one.
Not ancient time, not present time, not future time,
Now,
I Am.

I am the suicide bomber who rejoices at blowing up
Israelis with my body, using their blood and guts to
go to martyr’s Paradise.

I am the Israeli mother, blood streaming from my
wounds, sitting in the midst of a Passover meal of
Liberation, with the torn, bleeding body of my dead
eight year-old, sitting in hell.

I am the Palestinian mother rejoicing at my martyr
son’s suicide success in killing Israelis.

I am the Palestinian mother in despairing pain at my
martyr son’s ripped body in his suicide success.

I am the 20 year old Israeli soldier who stops and
searches each Palestinian who passes on this road.

I am the Palestinian grandfather humiliated and
searched each time I pass on this road.

I am the Israeli who rejoices at kissing the stones of
the remnant Wailing Wall of my ancestral Temple.

I am the Palestinian who wails in grief at missing the
stones of my ancestral home miles away, miles so near,
in Israel.

I am the Israeli who has worked for a peaceful two
state solution and now serves as a soldier in a
war to save my people.

I am the Palestinian who has worked for a peaceful two
state solution and now fires a sniper’s rifle in
the hills above Jerusalem.

I am Yasir Arafat, ordering attacks and paying for
explosives, so that we will be stronger
and drive the Jews from our land.

I am Ariel Sharon, ordering attacks and plotting
strategies to destroy murderous terrorists and protect
our land and people.

I am the Israeli mother, waiting in anxious fear for
my daughter to return from school after I have heard
an explosion and wailing sirens.

I am the Palestinian mother, waiting in anxious fear
for my daughter to return from a neighbor after I have
heard Israeli tanks and shooting on the street.

I am stones of Jerusalem, shattering in
explosions, splintering bones that strike me,
splattering flesh that hits me.

I am water of the well of Bethlehem, dyed red with
blood.

I am air above Judea, filled with the burning of
explosives, I am the air above Palestine, filled with
the burning of fields and houses, I am the air above

Israel, filled with the burning of flesh.

I am peace of the morning moment, filling with
anger at Jews, filling with anger at Muslims, filling
with hatred of Israelis, filling with hatred of
Palestinians.

I am shining sunlight, sparkling in dewdrops,
warming flesh and earth, warming bones and stones.

Above the heavens, below the earth,
I Alone Am.



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