No lugar do outro

Texto de Shundo Aoyama, extraído
do livro “Para uma pessoa bonita

Uma senhora, que vinha com frequência e grande alegria praticar goeika19 em nosso templo, um dia faltou. Na reunião seguinte perguntei a causa de sua ausência e ela respondeu:

“Ah, Sensei20, estava toda feliz para sair quando chegou uma visita e me perguntou: ‘Está de saída?’ Se eu dissesse que sim, ela iria embora, não iria? Teve todo trabalho de vir, seria pena que voltasse. Então eu lhe disse: Acabei de chegar. Você veio no momento certo. Entre, por favor, fique à vontade’. E por isso não pude vir ao templo”.

Fiquei comovida e abaixei a cabeça. Se fosse comigo, o que teria dito?

“Ali, desculpe, você veio até aqui, mas estou de saída”.

Ou então:

“Estava saindo, mas, por lavor, entre. Se me atrasar um pouco não tem importância”, ou qualquer coisa do gênero. Sempre tendo eu mesma como centro.

A consideração daquela senhora pelos outros me serviu de alerta e me fez abaixar respeitosamente a cabeça.


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