Quero me tornar uma pessoa bonita


Quero me tornar uma pessoa bonita

Texto de Shundo Aoyama, extraído do livro “Para uma pessoa bonita

 

Todos os dias e em todos os momentos, as pessoas caminham sem se dar conta de que revelam no rosto e no corpo tudo aquilo que já viveram. Esse desnudamento pode ser embaraçoso e até mesmo assustador. Que coisa terrível!

Desde nosso nascimento, tudo o que pensamos e falamos, todas as nossas ações e intenções, tudo isso molda nosso corpo, nossa mente, nosso ser. Basta um simples olhar e toda nossa caminhada, etapa por etapa, nitidamente se revela para aqueles que sabem ver.

Depois dos quarenta anos de idade, somos responsáveis por nosso rosto. Teria sido dito por Lincoln?! De fato, é por volta dos quarenta anos que a face e o corpo, esculpidos lentamente desde o nascimento por cinzéis invisíveis, revelam o que nem roupas, nem maquiagem podem esconder.

O professor Aizu Aizu Yaichi1 escreveu certa vez a um conhecido:
Meu caro amigo: em cada circunstância,
agindo e pensando com tranquilidade,
atenção e o coração em paz,
espero tornar-me uma pessoa bonita.

São palavras comoventes. Também eu desejo ardentemente envelhecer desse modo.


1Aizu Yaichi (1881-1956) também conhecido como Dhûsô Dojin, poeta de Tanka, historiador de arte e calígrafo. Tanka significa literalmente poesia curta. São poemas de 31 sílabas, constituídos de 5 linhas na seguinte formação: 5-7-5-7-7.

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