Saber levar a vida

Texto de Sylvia Boorstein,
extraído do livro
É mais fácil do que você pensa

Eis a cena que inspirou este livro:

Eu estava num encontro dos professores de meditação budista dos Estados Unidos. Pelo menos uma vez por ano, os professores de meditação consciente, dos Estados Unidos, todos amigos meus, encontram-se e passam alguns dias juntos. Planejamos nossos programas e conversamos sobre aquilo que estamos ensinando. Também passamos algum tempo trocando casos pessoais. "O que aconteceu a você neste ano?", "Como estão as coisas?". Reservamos um tempo especialmente para percorrer a sala e contar uns aos outros o que está acontecendo em nossa vida.

Enquanto ouvia cada um de nós falar, um por vez, notei uma coisa. Durante a conversa, diziam coisas como: "Estou muito contente" ou "Estou indo bem" ou "Estou muito feliz". E, todavia, todos nós contávamos histórias comuns. As pessoas tinham uma vida normal, com passagens normais de Sturm und Drang*. Tinham problemas de relacionamento, problemas com seus parentes idosos; o filho de uma delas tinha uma doença grave, outra passava por uma dolorosa perda. E mesmo assim, todas diziam algo como ‘Tudo está indo muito bem" ou "Estou muito contente"

Entretanto, isso não significava que essas pessoas não estivessem enfrentando dificuldades. Isso não significava que elas tinham superado suas provações e que estavam bem porque não sofriam mais por causa delas. Elas estavam enfrentando problemas e, em geral, sofrendo em decorrência deles, mas, ainda assim, estavam bem. Pensei comigo mesma enquanto observava as pessoas à minha volta: "Na verdade, o que todos estamos fazendo é tentar levar a vida com elegância."

Essa maneira de levar a vida não é nada desprezível. Fico feliz em pensar que estou levando a vida com elegância. Estou muito melhor do que há dez ou vinte anos atrás, quando ficava tensa e assustada diante dos problemas. De uma forma ou de outra, todo mundo dá um jeito de levar a vida; todo mundo que está vivo e lendo este livro foi levando. Levar a vida com elegância ou, mesmo, com um pouco de elegância é fantástico.

*Referencia ao movimento estético e literário alemão Sturm und Drang (Tempestade e Fúria) [séc. XVIII], marcado, entre outras coisas, pelo forte emocionalismo e pela revolta contra as injustiças sociais. (N.T.)


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