Iluminação

Texto de Sylvia Boorstein,
extraído do livro
É mais fácil do que você pensa

Quando comecei a praticar meditação, no começo dos anos 70, isso estava na moda. Todo mundo estava meditando; todo fim de semana você podia participar de um seminário sobre alguma nova forma de meditação. Os anúncios dos seminários em geral afirmavam que o fim de semana seria totalmente iluminador.

Lembro-me de que, certa vez, fui a uma festa que parecia bastante comum — pessoas rindo e conversando. E, no meio da sala, estava sentada uma mulher com uma expressão estranha no rosto, os olhos fechados, a face serena, totalmente isolada do que se passava à sua volta. Alguém inclinou-se para mim e disse: "Veja, ela está iluminada", e pensei comigo mesma: "Se isso é iluminação, então não quero ser iluminada?

O que eu queria, pelo menos durante algum tempo, era ter capacidades incomuns. Eu ouvia histórias extraordinárias a respeito de pessoas que podiam levitar ou estar em dois lugares ao mesmo tempo. As vezes, quando eu estava sentada em minha almofada e sentia uma leveza incomum em meu corpo, imaginava estar prestes a levitar. Eu esperava ter esses poderes. Achava que seria uma coisa espetacular erguer-me acima da almofada e flutuar no ar.

Acho que também fui influenciada por uma história que meu avô contou-me sobre minha avó, que morreu quando eu tinha nove anos de idade. Eu a conheci como uma mulher idosa e adoentada, mas meu avô se lembrava dela como a mulher extraordinariamente bonita com quem ele havia se casado quando ela tinha dezoito anos. Ele contou-me que ela era tão bonita que "brilhava no escuro". Perguntei se ele estava falando sério e meu avô respondeu: "É verdade. No casamento do meu sobrinho Murray Fox, ainda não havia eletricidade e o salão estava iluminado com lampiões de gás, de modo que estava bem escuro. E todo mundo dizia: ‘Olhe para a mulher de Fischel, ela brilha no escuro!’" Guardei isso como uma recordação maravilhosa e resplandecente. O que eu queria com a minha meditação era brilhar no escuro. Creio que muitos de nós, nessa época, queríamos algo de mágico em nossa vida.

Meus professores de meditação budista, que conheci em 1977, falavam de iluminação mas não de magia. Eles falavam em "ver com clareza" e sobre como isso poderia significar felicidade e o fim do sofrimento. Isso me soou como o tipo de magia que eu mais desejava.


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